Estudantes de graduação da USP podem atuar em projeto voltado para educação e competições de robôs; interessados podem se inscrever até a próximo terça, 10 de dezembro
Bolsistas poderão contribuir para que mais crianças e adolescentes tenham contato com a robótica e participem de competições como a Olimpíada Brasileira de Robótica
(crédito da imagem: Denise Casatti)
Se você é estudante da USP, em São Carlos, e está cursando Ciências de Computação, Engenharia de Computação ou Engenharia Elétrica pode se candidatar a uma das quatro bolsas de iniciação científica oferecidas pelo projeto de pesquisa Robótica Social para educação e competições.
O estudante selecionado receberá uma bolsa no valor mensal de R$ 400,00 durante um ano. Como pré-requisito, é preciso ter conhecimento e experiência em impressão 3D e também na área de robótica, mais especificamente em montar e programar kits robóticos tais como Lego Mindstorm, Kit PeTE e/ou Arduino.
Coordenado pela professora Roseli Romero, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o projeto foi selecionado pela Pró-Reitoria de Graduação da USP por meio do programa Aprender na Comunidade. A iniciativa visa apoiar projetos já existentes ou novas propostas que tenham como objetivo promover o desenvolvimento de competências do aluno de graduação e o desenvolvimento de sua prática profissional em conexão direta com a sociedade. Das 146 propostas submetidas ao edital do programa, 104 foram aprovadas e apenas 17 pertencem à categoria de projetos consolidados e interdisciplinares, na qual se enquadra a iniciativa da professora Roseli.
Os interessados em participar da seleção devem preencher, até a próxima terça, 10 de dezembro, o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/03028. Haverá uma pré-seleção, com base nas informações fornecidas pelos estudantes e os selecionados receberão um comunicado, via e-mail, para comparecer a uma entrevista com a professora. Todas as entrevistas estão previstas para serem realizadas no dia 12 de dezembro.
Quem for selecionado contribuirá para que os objetivos educacionais do projeto sejam alcançados, tais como: permitir que crianças tenham um primeiro contato com a robótica, auxiliando na obtenção de novos conceitos; possibilitar que crianças e adolescentes em situação socioeconômica mais desfavorável possam ter contato com a robótica, aprender e participar de competições como a Olimpíada Brasileira de Robótica; ensinar professores da rede pública a montar e programar robôs, de forma a aplicar essa tecnologia em sala de aula.
Com o treinamento que receberá, o estudante pretende ampliar projeto em que ensina robótica, programação e eletrônica para alunos de escolas públicas
Aluno quer aprimorar habilidades de liderança para expandir projeto social
(Crédito da imagem: arquivo pessoal)
Otto Cruz Fernandes tem apenas 18 anos, mas muita vontade de mudar o mundo. Aluno do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, ele dá aulas de robótica, programação e eletrônica voluntariamente para crianças da rede pública, e sonha em expandir essa atividade, coordenando um projeto ainda maior. Para isso, precisa melhorar suas habilidades em liderança e busca a ajuda da comunidade a fim de concretizar sua participação em um evento da Latin American Leadership Academy (LALA).
Organização sem fins lucrativos que tem a missão de identificar e desenvolver jovens líderes da América Latina, a LALA promoverá um evento de imersão de 8 a 14 de dezembro, em São Paulo. Composto por programas intensivos de liderança e inovação social, o evento recebeu 800 inscrições e Otto foi um dos 30 selecionados.
Para Otto poder participar, porém, ele ainda precisa reunir R$ 2,8 mil e, por isso, criou uma campanha online para arrecadar doações, que está disponível em icmc.usp.br/e/78edc. “Colaborando com a campanha, você vai ajudar jovens da cidade de São Carlos a terem uma educação cada vez mais abrangente, interessante e interdisciplinar”, afirmou.
É possível colaborar com qualquer quantia. Para doações acima de 200 reais, Otto oferecerá um evento exclusivo que pode ser feito em formato de reunião, palestra, workshop ou aula sobre os conteúdos que ele aprenderá: “Ensinar é uma arte que precisa ser compartilhada para que os alunos fiquem mais engajados”.
Motivação – Nascido em Salvador, Otto veio para São Carlos estudar Ciências de Computação no ICMC no início deste ano. Logo nos primeiros meses, ele se envolveu nas atividades do grupo de extensão Principia - Robôs na Escola que oferece aulas para crianças da rede pública de São Carlos. Além de apresentar conteúdos de robótica, programação e eletrônica, o projeto tenta motivar os alunos para os estudos, com aulas diferentes e atrativas.
“Eu saí do ensino médio com vontade de fazer algo pela educação do meu país. Nesse contexto, entrei na USP querendo aprender para poder ensinar mais pessoas, porque a computação escancara as portas para a criatividade e para a autonomia”, afirmou.
Desde a metade de 2019, Otto coordena e administra um grupo de estudos em uma das escolas parceiras do Principia com foco em preparar os alunos para participarem da Olimpíada Brasileira de Robótica. “É uma experiência totalmente nova para mim. Com o aperfeiçoamento das aulas que dou, pretendo expandir o projeto e convidar mais alunos da USP para esse trabalho”, afirmou.
Como será a sala de aula do amanhã? Que impactos a inteligência artificial trará para a educação? Buscando discutir questões como essas, no 23 de outubro, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promoveu o seminário Além da sala de aula do amanhã: o impacto da inteligência artificial na educação.
Entre os convidados estiveram presentes Soong Moon Kang, da University College London, do Reino Unido; Paulo Cruvinel, da Embrapa Instrumentação; Eduardo Mendiondo, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC); além de mais três pesquisadores do ICMC: André de Carvalho, Cláudio Toledo e Roseli Romero.
A atividade fez parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e foi promovida em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, a Embrapa Instrumentação e a Prefeitura Municipal de São Carlos.
O grupo Warthog Robotics, que desenvolve robôs, estará de portas abertas para receber os estudantes nos dias 12 de setembro, 10 de outubro e 14 de novembro
Objetivo da iniciativa é mostrar para a população que a área da robótica não é nenhum bicho de sete cabeças
Como funciona um robô? Quais conhecimentos você precisa ter para desenvolver e programar os robôs? Perguntas como essas atiçam a curiosidade de quem não conhece o universo dessas criações que, a cada dia, têm nos surpreendido pelo potencial para realizar tarefas até então restritas aos seres humanos. Mostrar para a população que a área da robótica não é nenhum bicho de sete cabeças é um dos principais objetivos de uma iniciativa gratuita que acontece na USP em São Carlos: o Conexão Warthog.
O evento é destinado a todas os estudantes da região que desejam conhecer como funciona um dos maiores grupos de extensão e pesquisa da USP, o Warthog Robotics. O grupo desenvolve robôs autônomos para participar de competições de futebol e de combates, nas quais já conquistou diversas premiações no Brasil e no exterior. Ligado a duas unidades de ensino e pesquisa da USP, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), o Warthog reúne alunos de graduação e de pós-graduação de todo o campus.
Para participar da visita, basta o responsável pela escola ou um professor preencher o formulário online disponível neste link: icmc.usp.br/e/5f612. Cada sessão de visita dura 1h30. É aconselhável que o número de alunos não seja superior a 25 por visita, mas caso aconteça da escola trazer um número maior de estudantes, é possível dividi-los em duas turmas: enquanto uma conhece o laboratório, outra visita o campus da Universidade.
Ao abrir as portas do laboratório para a comunidade, a intenção do grupo é aproximar a USP e a robótica das crianças e dos adolescentes. “A robótica não é mais novidade nas escolas e no nosso dia-a-dia. Nessa visita, os alunos têm contato com soluções além dos kits comerciais, e podem entender as aplicações de vários conceitos teóricos aprendidos em sala de aula”, explica o doutorando Adam Moreira, do ICMC, que é diretor de pesquisa do Warthog.
Durante a visita, os estudantes podem assistir a apresentações de robôs e conhecer o laboratório do Centro de Robótica da USP (CRob), onde os projetos do grupo são desenvolvidos. Reunindo profissionais e estudantes da EESC e do ICMC, o CRob é o primeiro centro de robótica do Brasil e tem por objetivo promover a interação dos laboratórios da USP, em São Carlos, fortalecendo as pesquisas em andamento, principalmente nas áreas de robotização de automóveis, robótica aérea, manipuladores, reabilitação robótica, robótica agrícola e interação humano-robô.
A visita é gratuita e demanda inscrições prévias
Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Conexão Warthog
Quando: 12 de setembro, 10 de outubro e 14 de novembro em quatro diferentes horários: das 9 às 10h30; das 10h30 às 12 horas; das 14 às 15h30; e das 15h30 às 17 horas.
Local: Centro de Robótica de São Carlos (CRob), na área I do campus da USP, em São Carlos
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400 – Centro
Evento gratuito e aberto à participação de todas as escolas interessadas mediante inscrição prévia: icmc.usp.br/e/5f612
Projeto da USP, em São Carlos, é um exemplo de como a união de forças entre universidades e escolas públicas pode gerar impactos relevantes e nortear futuras políticas públicas em prol da igualdade de gênero.
A professora Kalinka Castelo Branco durante a escola de verão que ensinou 162 garotas a desenvolverem aplicativos, a iniciativa faz parte de um amplo projeto chamada Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas, aprovado em chamado do CNPq
É sábado, hora do almoço e uma fila gigante se forma em frente à entrada do restaurante universitário da USP, em São Carlos: as camisetas brancas com mangas cor-de-rosa distinguem as meninas e mulheres que ali estão dos frequentadores rotineiros do local. Olhares curiosos perguntam: quem são elas? 162 garotas de 10 a 18 anos, 80% estudantes de escolas públicas da região.
A maioria vive a experiência de entrar pela primeira vez em uma universidade pública e, tímidas, esforçam-se para repetir os movimentos que os mais experientes fazem: pegam suas bandejas, percorrem a bancada preenchendo os espaços com a comida, retiram os talheres e, antes de se sentarem, colocam as canecas plásticas debaixo das máquinas de suco.
A balbúrdia se repete por mais quatro sábados, quando elas se perfilam novamente em frente ao restaurante. Mas, na quinta vez, as cenas já são visivelmente diferentes: há poucos olhares curiosos e elas sorriem, conversam ruidosamente e correm sem timidez pelo bandejão. A professora Kalinka Castelo Branco não esconde a satisfação que sente por ter acompanhado essa aventura: “Agora, elas sentem que esse espaço também é delas”.
Kalinka sabe que as cenas no restaurante da USP revelam muito mais sobre o que aconteceu nesses cinco sábados em que as garotas participaram das atividades de uma escola de verão que ensinou a desenvolver aplicativos, a Technovation Summer School for Girls, realizada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Kalinka sabe que essas 162 meninas romperam importantes barreiras e ampliaram os campos em que podem atuar.
O próximo capítulo da balbúrdia já tem data marcada: acontece sábado, dia 24 de agosto, das 14 às 17 horas. É quando acontecerá o evento Mude o Jogo no ICMC, em que a meta é levar as garotas a compreenderem que o mundo dos jogos eletrônicos é outro espaço que elas podem e devem ocupar. Voltado a participantes do gênero feminino, de 15 a 21 anos, o evento vai explicar como desenvolver um jogo para celular e submeter a proposta ao desafio internacional do Google Change the Game.
Evento Mude o Jogo acontece sábado, dia 24, no ICMC e ainda há vagas disponíveis, inscreva-se: icmc.usp.br/e/37802
Empoderar para mudar – Nos cinco sábados da Technovation Summer School for Girls, as 162 garotas se dividiram em times para criar aplicativos que solucionassem problemas sociais. Formados por até 5 participantes, os grupos se dividiam em duas categorias: Sênior, para meninas de 15 a 18 anos; e Júnior, para meninas de 10 a 14 anos.
“A ideia não foi apenas trazê-las para conhecerem o mundo da tecnologia, mas empoderá-las. Durante os cinco encontros, elas puderam colocar a mão na massa: trabalharam na ideação do projeto, no desenvolvimento do aplicativo e na apresentação da proposta (pitch). As mais velhas até fizeram um plano de negócios”, explica a professora. Em cada uma dessas fases, receberam treinamentos específicos e puderam desenvolver habilidades sociais adicionais relacionadas ao trabalho em equipe e à arte de falar em público, por exemplo.
As participantes puderam desenvolver habilidades sociais adicionais durante o evento, tal como as relacionadas ao trabalho em equipe e à arte de falar em público
“Todas as palestras foram ministradas por mulheres que estão nesse meio, que é super restrito, e elas mostram os exemplos delas e dão apoio para a gente seguir e sempre querer aprender mais”, revela uma das participantes, Sarah Piedade de Oliveira, 16 anos. “O que tive a oportunidade de ver foi realmente um cenário de inclusão. Muitas ideias legais e funcionais criadas no evento têm grandes chances de virar realidade e, daqui a pouco, quem sabe, poderemos fazer download dos aplicativos dessas garotas”, diz Larisse Gois, gerente de tecnologia da Logicalis. Formada em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos, ela foi uma das palestrantes do evento.
Quando a Technovation Summer School for Girls terminou, no dia 13 de abril, além da premiação aos melhores projetos, os grupos foram estimulados a inscreverem seus aplicativos no desafio global Technovation Challenge. No total, a plataforma do desafio contabilizou inscrições de 7,2 mil meninas de 57 países. Desse total, 1.226 eram brasileiras, reunidas em 216 diferentes grupos. Entre as semifinalistas do desafio, 150 equipes no total, estavam 15 times brasileiros: 9 na categoria Sênior e 6 na Júnior. As garotas que participaram do evento do ICMC conseguiram emplacar três projetos entre os semifinalistas: o aplicativo for-all-of-us (Sênior) e os aplicativos Pet Hero e SafU (ambos na categoria Júnior). Vale a pena assistir aos vídeos em que elas explicam como esses aplicativos funcionam: icmc.usp.br/e/dcfea.
“Provavelmente, se não houvesse a escola de verão, essas três equipes de São Carlos não conseguiriam chegar à semifinal da competição global”, conta Kalinka. Muito além dessa conquista, estão os aprendizados que as 162 participantes da escola puderam obter. Com certeza, a experiência de criar o primeiro aplicativo a gente nunca esquece.
Desigualdade explícita – A Technovation Summer School for Girls está sob o guarda-chuva de um grande projeto chamado Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas, aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no final de 2018. Ao todo, a iniciativa tem à disposição, ao longo deste ano, R$ 95 mil para desenvolver diversas atividades. O Mude o Jogo será a próxima e haverá, ainda, no dia 19 de outubro, o Ada Lovelace Day.
“Analisando o número de ingressantes do sexo feminino nos cursos de ciências exatas e da terra nas três maiores universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp), observamos uma grande disparidade entre o número de homens e mulheres, reforçando o estigma de ser uma área majoritariamente masculina, o que vai ao encontro de diversos resultados de pesquisas publicados recentemente”, escreve a professora Kalinka no projeto.
É fato que não faltam dados para mostrar o tamanho da desigualdade na área. Enquanto o número de cursos de computação cresceu 586% nos últimos 24 anos no Brasil, o percentual de mulheres matriculadas nesses cursos caiu de 34,8% para 15,5%, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Considerando-se os profissionais atuantes na área em 2014, apenas 20% são do gênero feminino segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o CNPq fez um levantamento em 2016 mostrando que mais de 80% dos mestres e doutores em computação no nosso país são do gênero masculino.
O WIT premiou como melhor artigo o trabalho Gênero e suas nuances no ENEM, de autoria da doutoranda Viviana Noguera e das professoras Cristina Ciferri e Kalinka, todas do ICMC. Em busca por explicar as múltiplas causas do decréscimo da participação das mulheres nas ciências exatas, as três decidiram analisar o desempenho dos participantes no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) ao longo de cinco anos (de 2013 a 2017). “De forma geral, os resultados das análises mostraram que o desempenho dos participantes masculinos foi discretamente superior ao das participantes femininas em matemática e ciências da natureza”, escrevem as pesquisadoras no artigo.
O que mais surpreende no estudo é que o levantamento considerou também fatores como cor/raça, renda mensal, tipo de escola no ensino médio e região de residência dos participantes. Os gráficos que mostram o desempenho ano a ano, de acordo com a cor/raça dos estudantes, evidenciam um mesmo padrão: quem se autodeclara de cor/raça branca obtém as melhores notas seguido sempre pelos que se autodeclaram amarelos, pardos, pretos e indígenas. A exclusão racial fica explícita nos dados do ENEM.
Os gráficos mostram o desempenho por raça/cor para as categorias identificadas como: (0) não declarado; (1) branca: (2) preta; (3) parda; (4) amarela: (5) indígena
(Fonte: artigo "Gênero e suas nuances no ENEM")
Outro tipo de exclusão é visível nos gráficos que mostram o desempenho dos participantes de acordo com a renda. Como era de se imaginar, conforme a renda mensal aumenta, melhoram também os resultados obtidos nas notas do ENEM. O padrão é o mesmo ano a ano: uma reta desenha um caminho ascendente, mostrando a evolução progressiva do desempenho seguindo linearmente a evolução da renda.
Na conclusão do artigo, as pesquisadoras ressaltam que são necessários estudos mais aprofundados a fim de identificar como as instituições educacionais devem atuar para minimizar as discrepâncias entre gêneros. O que o estudo deixa evidente é que as disparidades no desempenho dos estudantes vão se perpetuando ao longo de todo processo educacional e que o combate à desigualdade de gênero no ensino superior, especialmente na área de ciências exatas, requer um esforço para alcançar quem ainda não está nas universidades.
Os gráficos mostram o desempenho por renda salarial mensal para diversas categorias desde para aqueles participantes que declaram nenhuma renda (A) até quem informou ter renda maior que R$ 18.740,00 (Q)
(Fonte: artigo "Gênero e suas nuances no ENEM")
Desconstruindo muros – Não é à toa que parte dos R$ 95 mil fornecidos pelo CNPq para o projeto Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas está sendo investido em bolsas para estudantes e também professoras de cinco escolas estaduais de São Carlos: Aduar Kemell Dibo; Álvaro Guião; Bento da Silva Cesar; Orlando Perez; e Sebastião de Oliveira Rocha. “São escolas públicas de diferentes regiões da cidade, tanto de áreas centrais quanto periféricas, com diferentes realidades tanto em relação à infraestrutura quanto ao perfil do público atendido”, ressalta Kalinka.
Três estudantes de cada escola recebem uma bolsa de pré-iniciação científica no valor mensal de R$ 100 e as escolas têm um professor tutor, que é o responsável por coordenar as atividades do projeto e recebe uma bolsa de R$ 400. Esse grupo, composto por 15 estudantes e 5 professoras, está participando, desde março, de um curso sobre programação usando a linguagem Python e o objetivo é que se tornem replicadoras desse conteúdo em suas respectivas escolas para ampliar o impacto da iniciativa.
No sábado, 10 de agosto, essa turma se uniu a 12 garotas e quatro professoras de mais quatro escolas públicas da cidade – Cidade Aracy IV, Fúlvio Morganti, João Batista Gasparin e Maria Ramos – para iniciarem outro curso: dessa vez, o tema é robótica. É o início de um novo capítulo do projeto criado pela professora Kalinka que se tornou possível por meio de uma parceria estabelecida com o professor José Marcos Alves, da Escola de Engenharia de São Carlos. Coordenador do Centro de Inclusão Social USP São Carlos (CIS), o professor contou com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC) para estender a iniciativa às quatro escolas e fornecer bolsas a mais garotas.
A jornada em prol da inclusão demanda remover os muros que separam as universidades das escolas públicas e também questionar os estereótipos de gênero que categorizam o que são as habilidades tipicamente femininas das que são tipicamente masculinas. Se os estudantes, independentemente do gênero, se unirem em prol desse processo de desconstrução, os resultados poderão ser alcançados mais rapidamente.
Por isso, uma das iniciativas do projeto é promover atividades esportivas como campeonatos de futebol de botão e de Futebol Callejero (de rua, em português) nas escolas. Entre as características que diferenciam o Futebol Callejero da modalidade tradicional está a entrada em campo de homens e mulheres juntos e a inexistência de um juiz, pois os conflitos são resolvidos por meio do diálogo entre os jovens. Para contribuir com essas iniciativas, a professora Kalinka chamou para o jogo o professor Osmar Moreira de Souza Júnior, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Matemática em campo – Outra parceria que ampliou o escopo de atuação do projeto foi estabelecida com a professora Ires Dias, do ICMC. Ela acompanha, há 14 anos, a trajetória de estudantes da região premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e coordena uma das regionais do Estado de São Paulo do programa OBMEP na Escola, que tem como objetivo contribuir para a formação de professores em matemática, estimulando estudos mais aprofundados e a adoção de novas práticas em sala de aula.
A partir da colaboração com Kalinka, Ires passou a abarcar mais uma escola pública da cidade na iniciativa, a Conde do Pinhal, onde duas professoras trabalham com 52 alunos na resolução de problemas matemáticos. Outros 90 alunos são atendidos por três professoras e um professor nas escolas Esterina Placco e Ary Pinto das Neves. “Nossa preocupação é atrair mais meninas para o programa, sem deixar de fora os meninos que querem aprender mais matemática”, conta Ires.
A OBMEP fornece uma bolsa de R$ 756 para cada professor e também o material que usarão em sala de aula. Mensalmente, Ires se encontra com o grupo para orientá-los no que for preciso. Ela também coordena o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) na região, que oferece bolsas de R$ 100 mensais para os medalhistas da OBMEP se dedicarem aos estudos. Quem mora em São Carlos tem a oportunidade de participar de encontros presenciais, que são realizados aos sábados, no ICMC, já quem mora em outras cidades realiza as atividades por meio de uma plataforma on-line. Não são poucos os jovens medalhistas que têm o primeiro contato com uma universidade pública por meio do PIC: “Acendemos uma luz em toda a escola em que há um medalhista da OBMEP chamado para participar do programa”.
É essa luz que as universidades públicas estão buscando acender quando lançam projetos para promover a igualdade de gênero. Aliás, enquanto muitos criticam o uso do termo “gênero” pelas ciências humanas, vale notar que “gênero” é também a palavra da vez nas ciências exatas: está mais presente do que nunca em publicações científicas da área, presente em artigos que mostram resultados de estudos rigorosamente científicos e reveladores da realidade da desigualdade na computação, na matemática, na estatística, nas engenharias e em suas ciências irmãs. Diante do déficit de profissionais qualificados nesses campos e do constante aumento da demanda, a equidade de gênero nas exatas não é mais uma insignificante questão ideológica, mas um desafio econômico que precisa ser enfrentado por qualquer país que pretenda se destacar no mundo da tecnologia.
Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
OParticipar da Olimpíada Brasileira de Robótica é uma experiência que promove descobertas não só às crianças e aos jovens, mas que reacende sonhos em professores, pais e voluntários
As participantes mais jovens: Sarah e Valentine participaram no nível zero da competição
Uma tem seis anos e a outra oito. Juntas, correm pelo salão de eventos da USP, em São Carlos, conduzindo nas pequenas mãos um robô neste domingo ensolarado de outono. Ao chegarem à arena de competição, a expressão no rosto das duas se transforma conforme o robô percorre seu caminho: obstáculos superados, lá vêm muitos sorrisos; fugas ou interrupções na pista, tensão nos semblantes. Ao redor delas, os olhares curiosos acompanham a cena: incontáveis smartphones tiram fotos e gravam vídeos. Certo momento, as meninas quase não resistem à tentação, mexem as mãos rapidamente no ar e assopram a pista na vã tentativa de dar uma forcinha na subida da ladeira. Quando o percurso do robô termina, Sarah Palmieri e Valentine Flório Ouchi recebem, orgulhosas, os broches marcando a primeira participação na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).
A trajetória do robô das garotas chega ao fim depois de passar três vezes nas estradas das arenas, mas é muito provável que a jornada de Sarah e Valentine pela OBR esteja apenas começando. Os pais as inscreveram na etapa regional da OBR em São Carlos no nível zero, que é voltado a estudantes do 1º ao 3º ano do ensino fundamental e foi criado no ano passado para favorecer o contato, cada vez mais cedo, com o mundo da robótica. Nesse caso, não há pontuação e concorrência entre equipes, todos são premiados com broches e medalhas, pois a ideia é incentivar a participação na OBR nos próximos anos.
No nível zero, não há pontuação e concorrência entre equipes, todos são premiados com broches e medalhas
A proposta já está gerando bons resultados: a primeira equipe nível zero que participou de uma OBR no ano passado – formada por Caleb e João – voltou à competição este ano, dessa vez para competir no nível 1, que é voltado a alunos do 1º ao 8º ano do ensino fundamental. Tal como no ano passado, o técnico foi o pai deles, o desenvolvedor de software Jefferson Pereira Cezar, que inscreveu o time na categoria equipe de garagem, destinada à participação de grupos independentes, que não estão vinculados a uma escola.
João e Caleb: primeira equipe a participar da OBR no nível zero voltou à competição este ano no nível 1 (veja o depoimento dos dois na reportagem da EPTV: icmc.usp.br/e/9bd74)
“Diferente de muitos outros times, nós somos uma equipe de garagem, limitada a um espaço com área de pouco mais de 10 metros quadrados que, nos dias de sol, é quente pra chuchu e, nos dias de chuva, temos que desviar das goteiras. Mas nada disso impede que a gente se reúna todos os sábados para desenvolver alguma coisa que seja útil e divertida”, explica o torneiro mecânico Carlos Renato da Silva. Ele criou o clube de ciências “O mundo das invenções”, em Batatais, no interior de São Paulo, e formou uma equipe que participou da OBR este ano pela primeira vez também na categoria equipe de garagem. Fazem parte do time o filho de Carlos – José Renato Pereira da Silva, 11 anos – e mais três amigos: Henrique Ferreira de Carvalho e Heitor Silva Santana, ambos com 11 anos, e Matheus Henrique Ferrão, 12 anos.
Sentados em uma mesa no salão de eventos da USP, logo depois que o simpático robô que criaram participa da terceira rodada da OBR, explicam entusiasmados todos os componentes que usaram para construir Simprão, nome que deram ao robô porque ele é simples, mas nem tanto: resultado de um ano de muito trabalho e de aprimoramentos em versões desenvolvidas anteriormente. O que mais chama a atenção em Simprão é uma peça redonda: “Tentamos usar baterias menores, mas não davam conta. Então, compramos uma parafusadeira e retiramos a bateria de lítio de 12 volts para usar no robô”, explica José Renato. “Assim, depois a gente pode desmontar, colocar a bateria de volta na parafusadeira e usá-la normalmente”, completa Henrique.
Simprão e sua bateria proveniente de uma parafusadeira (é o cilindro à direita com a foto do He-Man)
Os garotos contam ainda que a estrutura amarela que sustenta Simprão foi construída em uma impressora 3D que Carlos comprou. “É feita em plástico ABS, que é um derivado do petróleo. Se usássemos um plástico biodegrável, como o PLA, teríamos problemas para fazer os furos e encaixar as peças porque o calor faria o material derreter”, revela José Renato. É assim durante toda a conversa: os garotos vão apresentando os componentes que fazem parte do robô e, quando usam um termo técnico, logo tentam encontrar um jeito de explicá-lo usando comparações de forma que até alguém formado na área de humanas – tal como a jornalista que os ouve – possa compreender. Mal sabem esses garotos quanto conhecimento compartilharam ali, nos poucos minutos que conversamos. Conceitos da área de eletrônica, mecânica, programação e até de sustentabilidade são, para eles, tão básicos quanto quaisquer outros que aprendemos nos primeiros anos do ensino fundamental.
Aliás, há um aspecto comum que permeia o relato de todas as crianças e jovens que participam da OBR: eles têm habilidades para explicar conceitos científicos de um jeito descomplicado, defendem seus pontos de vista com afinco e carregam nas expressões faciais e no olhar os sinais típicos de quem vibra e se empolga diante das descobertas e da superação de desafios. De fato, entre os maiores legados da OBR está esse potencial para despertar, nas crianças e jovens, o encanto pela busca do conhecimento, levando-os a se divertir nesse processo de uma maneira que jamais vão querer interrompê-lo. Professores, pais, parentes e voluntários que têm o prazer de acompanhar as crianças e jovens nessa jornada sabem o quanto ela é emocionante.
Equipe Mundos das Invenções e o robô Simprão
Uma nova cultura desperta – Adam Moreira é voluntário da OBR desde a primeira edição da etapa regional em São Carlos, em 2014. Naquele ano, 99 equipes de escolas públicas e privadas da região se inscreveram na competição e 70 compareceram ao evento. Na época, Adam fazia mestrado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, e destacava, na reportagem publicada no site do Instituto, que participar da competição ajudava as crianças a desenvolverem o raciocínio lógico.
Depois de seis anos, Adam conta que as mudanças que viu aconteceram na região vão muito do evidente aprimoramento na organização local do evento e das alterações implantadas nacionalmente, tal como a criação do nível zero, a abertura à participação de equipes de garagem, a inserção de novas regras à competição, incluindo marcadores e desafios surpresa. Para ele, ao longo dos anos houve uma verdadeira transformação cultural: “A robótica deixou de ser um diferencial. Hoje, as escolas da região que não oferecem atividades nessa área estão ficando para trás.”
Adam diz que a realização da etapa regional da OBR em São Carlos contribuiu muito para o desenvolvimento de uma cultura ligada à robótica na cidade, a qual se espalhou por outros municípios do entorno. A competição se tornou, assim, uma indutora da cultura robótica nas escolas de ensino básico da região. A etapa regional é um evento em que assistimos aos benefícios que podem ser alcançados quando os conhecimentos gerados nas universidades públicas de uma cidade – nesse caso, na USP e na UFSCar – são compartilhados com as escolas públicas e particulares.
Tabela mostra o número de equipes inscritas na OBR desde 2014, quando aconteceu a primeira etapa regional da competição em São Carlos
“Em 2014, quem participava da competição tinha muito pouco conhecimento sobre robótica, não questionava os juízes e não argumentava. Agora, o nível de conhecimento das crianças e jovens é muito maior: eles querem saber tudo, perguntam detalhes técnicos sobre as provas e sabem explicar conceitos muito mais complexos”, conta a professora Roseli Romero, do ICMC, que coordena a etapa regional da OBR em São Carlos desde 2014.
Atuando como chefe da equipe de juízes da competição em São Carlos, Adam sentiu na pele essa transformação. “Eu tive que me qualificar para poder acompanhar o desenvolvimento das crianças. Em 2014, por exemplo, eu não tinha conhecimentos avançados sobre o kit Arduino. Ao longo dos anos, muitas equipes passaram a usar esse kit e eu precisei estudar mais”, diz o pós-graduando, que está prestes a concluir o doutorado no ICMC. Para poder solucionar todas as dúvidas dos times durante a competição, ele precisou fazer várias reuniões preparatórias com a equipe de juízes, já que, agora, qualquer equívoco no registro dos pontos é questionado, pois muitas crianças leem o manual de regras e instruções da OBR e o carregam debaixo do braço para a arena.
Aprendendo novas estratégias – Repleto de post-its coloridos e frases destacadas com canetas marca-texto fluorescentes amarelas, verdes, laranjas, rosas e azuis, o manual de regras e instruções que Sara Casatti levou à etapa regional da competição em São Carlos é um exemplo do quanto as crianças se esforçam para obter bons resultados. Segundo ela, a conquista do primeiro lugar no nível 1 da competição no domingo, dia 16 de junho, só foi possível por causa da estratégia adotada pela equipe. “Um robô nunca é perfeito. Então, você precisa conhecer no que ele é bom e no que ele é ruim. Assim, você pode pensar nos locais mais estratégicos para colocar os marcadores ao longo da pista”, ensina.
Sara colocando os marcadores estrategicamente na arena
Para quem nunca competiu na OBR, tal como eu, não é simples compreender o que essa garota de 11 anos está explicando. Confesso que fiz muitas perguntas a ela, enquanto comemorávamos a conquista tomando um sorvete, e no dia seguinte, enquanto a levava à escola. Nesses bate-papos, fui entendendo que o robô pode tentar superar um desafio três vezes – como passar por um ponto em que a pista desaparece ou em que há um redutor de velocidade. Se ele não conseguir, pode desistir e continuar andando na pista a partir do ponto em que a equipe colocou a marcação. Cada desafio ultrapassado rende pontos e, ao transpor o local onde a marcação foi colocada, o time ganha 60 pontos automaticamente.
Então, a equipe de Sara chegava à arena sorteada para competir alguns minutos antes de entrarem em campo. Discutiam juntos onde deveriam colocar os marcadores a fim de maximizar o ganho de pontos. Como o robô já estava programado para identificar a linha a ser percorrida bem como ultrapassar falhas e outros desafios, o grupo optava por inserir os marcadores logo depois de obstáculos que o robô não havia sido programado para superar. Assim, se conseguisse ultrapassar esses pontos críticos, o time ganharia automaticamente 60 pontos. Por outro lado, se não fosse capaz de superá-los, após três tentativas, o grupo podia tocar no robô e colocá-lo depois do obstáculo, no local indicado pelo marcador, de onde era possível continuar a trajetória.
Fiquei pensando em quanto a estratégia usada pela equipe de Sara estava relacionada com os mecanismos que usamos para ensinar nossos filhos. Eles também não são perfeitos, têm habilidades e limitações como qualquer outro ser humano. Se a gente os estimula a enfrentar novos desafios, eles podem seguir adiante na vida e ganhar muitos novos conhecimentos. Mas não adianta insistir para que ultrapassem obstáculos maiores do que aqueles que são capazes de superar. Se notarmos um grau elevado de dificuldade, podemos pegá-los nas mãos e levá-los até a próxima fase da jornada. De lá, eles prosseguirão pela estrada da vida e vão enfrentar novos desafios. Conhecendo-os bem, seremos capazes de dar as mãos a eles, caso precisem de um apoio para seguir adiante. Está aqui mais um exemplo do quanto a robótica pode despertar em nós novos conhecimentos: ser uma melhor educadora é só um deles.
Este ano, as escolas públicas que tiveram times melhor classificados no nível 1 e 2 da etapa regional da OBR em São Carlos ganharam kits robóticos Arduino, que foram doados pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria e pela EPTV. A escola estadual Antonio Militão de Lima foi uma das contempladas, já que uma das equipes treinadas pela professora Eliane Botta conquistou o oitavo lugar no nível 1 e se classificou para a etapa estadual da competição, que ocorrerá dia 31 de agosto no Centro Universitário da FEI, em São Bernardo do Campo. Os alunos de Eliane Botta participam do evento desde 2014, ano em que um dos times da escola chegou à final nacional da OBR (leia mais).
Junior com os alunos da Oca dos Curumins: participar da Olimpíada Brasileira de Robótica reacendeu o sonho do professor de um dia estudar na USP ou na UFSCar
Esse não é mais um texto só para agradecer pelo empenho na organização dessa linda e gigantesca competição. Meu nome é Emidio Junior Manzini, sempre amei tecnologia, trabalho na área desde os 17 anos, tenho 39 hoje, só consegui meu diploma da graduação (curso noturno) em 2010.
Atualmente sou programador e atuo como professor de informática já há 20 anos. Essa foi minha terceira participação na OBR aqui em São Carlos, na primeira participação em 2017 minhas equipes não ficaram nem entre as 30 primeiras colocadas, em 2018 não ficamos entre as 20.
Trabalho para duas escolas particulares que me dão toda a condição de ter resultados melhores dos que havia conseguido até então. Isso me fez, pela primeira nesses anos de profissão, repensar se tecnicamente eu estava à altura desse desafio, estaria eu, aquém do que os meus alunos precisavam? Acredito que não exista coisa pior do que isso para qualquer profissional que sempre procurou fazer o melhor.
Após o segundo fracasso, mesmo desanimado, conversei com os alunos e decidimos: “Vamos estudar mais, vamos construir nossa pista e vamos nos classificar para a estadual de 2019”.
Também inscrevi alunos das duas escolas no curso preparatório da USP, enquanto eu estudava mais a fundo a programação EV3-G.
O trabalho foi árduo, cansativo e estressante em alguns momentos, já que tinha que conciliar meu outro emprego, o tempo com a minha filha (que tanto me cobrou nas intermináveis aulas-extra que fiz com os alunos no último mês) com essa responsabilidade que assumi com as crianças e com as respectivas escolas.
Nesse ano, classificamos duas das três equipes de nível I que inscrevi e minha equipe do colégio Oca dos Curumins foi campeã no domingo!
Quando a Professora Roseli discursava antes do anuncio das equipes melhores colocadas eu já estava muito feliz, porque sabia que dessa vez tínhamos feito um bom trabalho, a medalha seria um bônus.
Ela disse que o aprendizado que os alunos adquiriram durante esse tempo seria algo que os alunos levariam para o resto da vida, e é a mais pura verdade, mas não só para eles porque para mim também foi sensacional, a ponto de reacender, aos quase 40 anos, meu sonho de um dia estudar na USP ou na UFSCar, quem sabe fazendo uma especialização ou mestrado profissional...
A OBR foi um combustível para minha vida, espero que essa pequena história seja exemplo para vocês de como o trabalho que fazem é importante.
No próximo fim de semana, além de assistir à competição, você também poderá jogar futebol com robôs, experimentar games criados por estudantes da USP e conhecer iniciativas que buscam atrair mais meninas para a área de ciências exatas
Evento é gratuito, aberto a toda a comunidade e acontece das 8h30 às 18 horas no salão de eventos da USP, em São Carlos
“Em um ambiente hostil, muito perigoso para o ser humano, um robô completamente autônomo, desenvolvido por uma equipe de estudantes, recebe uma tarefa difícil: resgatar vítimas sem interferência humana”. É assim que começa o texto que explica como funciona a modalidade prática da Olimpíada Brasileira de Robótica e você poderá assistir aos robôs realizando essas ações de resgate, ao vivo e gratuitamente, no próximo final de semana, dias 15 e 16 de junho. É quando acontecerá a etapa regional da competição no salão de eventos da USP, em São Carlos, das 8h30 às 18 horas.
Os atletas-robôs entrarão em campo para superar terrenos irregulares, transpor caminhos desconhecidos, desviar de escombros e subir montanhas para conseguir salvar vítimas, nesse caso, bolinhas de isopor prateadas, que precisam ser transportadas para uma região segura nas arenas de madeira. Nesse caso, os atletas foram treinados por equipes de estudantes, compostas por dois a quatro integrantes.
Em São Carlos, participarão da etapa regional cerca de 200 equipes divididas em dois níveis: o nível 1 é voltado aos alunos do 1º ao 8º ano do ensino fundamental e o nível 2 aos estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental e a todos os alunos do ensino médio ou técnico. Basicamente, o que muda de um nível para outro é o grau de dificuldade a ser enfrentado pelos competidores. Além do desafio de resgatar vítimas, as equipes enfrentam desafios surpresas: tarefas especiais que são sorteadas na hora do evento para possibilitar aos participantes fazer adaptações na programação de seus robôs.
Coordenada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, a etapa regional da OBR em São Carlos selecionará as equipes que seguirão para disputar a fase estadual da competição, que ocorrerá dia 31 de agosto, no Centro Universitário FEI, em São Bernardo do Campo. E quem obtiver bons resultados na estadual vai competir na final nacional, que acontecerá na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, de 22 a 26 de outubro.
Equipes de estudantes são responsáveis por montar e programar os robôs, o que leva ao aprendizado de diversas habilidades relacionadas à resolução de problemas e ao trabalho em equipe
Atrações adicionais – Quem for ao salão de eventos da USP, em São Carlos, assistir à etapa regional da OBR também poderá jogar futebol com os robôs desenvolvidos por um dos maiores grupos de extensão e pesquisa da USP, o Warthog Robotics; experimentar alguns games criados pelo grupo de desenvolvimento de jogos Fellowship of the Game; e conhecer as iniciativas do Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE), que busca atrair mais meninas para a área de ciências exatas.
Durante os dois dias de competição, esses grupos vão mostrar os projetos que desenvolvem e esclarecer as dúvidas do público. A entrada no evento é gratuita e não demanda inscrições prévias, basta comparecer ao local. Segundo a professora Roseli Romero, que coordena a etapa regional em São Carlos, ao assistir às competições, a comunidade pode compreender como a robótica favorece o desenvolvimento de uma série de habilidades nas crianças e jovens. A OBR também contribui para a popularização da robótica, mostrando a todos que se trata de uma área acessível e que basta dedicação e persistência para obter os aprendizados que possibilitam criar e controlar robôs.
A etapa regional da OBR em São Carlos é patrocinada pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, pelo Instituto EPTV, pelas escolas Happy Code e Yadaa e pelas empresas Ca and Ma e Pete. Tem, ainda, o apoio do Centro de Robótica de São Carlos e da Escola de Engenharia de São Carlos. Já em âmbito nacional, a competição é coordenada pela professora Tatiana Pazelli, do departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Modalidade prática da Olimpíada Brasileira de Robótica (etapa regional)
Quando: sábado e domingo, 15 e 16 de junho, das 8h30 às 18 horas
Local: salão de eventos do campus da USP em São Carlos
Quatro cursos serão oferecidos aos sábados no ICMC nas áreas de programação e robótica; atividades começam dia 16 de março e se estendem até 27 de abril
Considerando experiências prévias, professores podem se inscrever até em dois cursos, desde que horários não sejam conflitantes
Os professores das escolas públicas e particulares da região de São Carlos poderão aprimorar os conhecimentos em computação e robótica nos cursos que serão oferecidos pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Em três cursos (Robótica I, II e III), o foco é o desenvolvimento de atividades práticas de montagem e programação de robôs. Haverá, ainda, uma opção (Computação I) para quem deseja aprender conceitos de programação, conhecer as linguagens utilizadas na área e as estruturas de construção de algoritmos.
Todas as atividades serão realizadas aos sábados, na área I do campus da USP, em São Carlos, com início no dia 16 de março e término em 27 de abril. Quem não possui conhecimento prévio sobre programação de computadores e robôs pode se inscrever em dois cursos: Computação I, em que vai adquirir conhecimentos sobre a linguagem de programação C; e Robótica I, em que aprenderá a montar e programar robôs utilizando kits PETE. Aqueles que já têm experiência prévia podem escolher entre aprimorar as habilidades com foco nos kits robóticos Lego Mindstorms (Robótica II) ou aprofundar os conhecimentos com foco nos kits Arduino (Robótica III). Haverá kits PETE e Lego à disposição dos professores, mas quem se inscrever na opção Robótica III deverá trazer o próprio kit Arduino para a sala de aula do ICMC.
O público-alvo das iniciativas são, prioritariamente, os professores de ensino fundamental e médio. Caso as 30 vagas oferecidas em cada curso não sejam totalmente preenchidas, poderão ser destinadas a outros interessados. A partir desta quarta-feira, 27 de fevereiro, as inscrições online estarão abertas a todos e poderão ser realizadas até 13 de março ou enquanto houver vagas. É possível se inscrever em mais de um curso, desde que os horários não sejam conflitantes.
O custo da taxa de inscrição é de R$ 40 e cada curso poderá ter até três inscritos gratuitamente, desde que solicitem isenção na taxa. Para isso, basta efetuar a inscrição online e enviar, até terça-feira, 5 de março, um e-mail para ccex@icmc.usp.br, informando de qual curso deseja participar, com uma justificativa sobre o pedido de isenção. A solicitação será avaliada até quarta-feira, 6 de março, quando os inscritos receberão uma resposta por e-mail.
A professora Roseli Romero, coordenadora das atividades, explica que o objetivo dos cursos é contribuir para que os professores sejam capazes de treinar os estudantes que participarão da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). Este ano, as escolas poderão se inscrever na OBR a partir de 18 de março.
Vale lembrar que os professores da rede estadual de ensino poderão validar o certificado dos cursos (30 horas cada) junto à Diretoria Regional de Ensino de São Carlos. Ressalta-se, ainda, que nenhum desses quatro cursos é apropriado para crianças e adolescentes, esse público poderá participar de outra iniciativa preparatória para a OBR, que será realizada em maio e cujas informações serão divulgadas futuramente no site do ICMC.
Confira, a seguir, como realizar sua inscrição passo a passo:
1. Faça o cadastro no sistema Apolo da USP, por meio de um desses links:
2. Envie o comprovante de pagamento da taxa de inscrição junto com um documento atestando vínculo com a instituição de ensino em que atua (por exemplo: holerite, declaração da escola, cadastro funcional) para o e-mail ccex@icmc.usp.br.
3. Aguarde o recebimento de um e-mail com a confirmação da matrícula no curso.
Custo da taxa de inscrição é de R$ 40 e cada curso poderá ter até três inscritos gratuitamente, desde que solicitem isenção
Texto e fotos: Denise Casatti– Assessoria de Comunicação ICMC/USP