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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Workshop internacional em engenharia de software para a saúde: prazo para submissão de trabalhos termina em janeiro

O evento acontece de 16 a 20 de março de 2020 em Salvador, na Bahia



Termina no dia 13 de janeiro de 2020 o prazo para submeter trabalhos à segunda edição do International Workshop on Software Engineering for Healthcare (SEH), que acontece de 16 a 20 de março, em Salvador, na Bahia. A iniciativa é parte da programação de uma das maiores conferências internacionais da área: IEEE International Conference on Software Engineering (ICSE)

A ideia do Workshop é exatamente estimular a interação entre estudantes, pesquisadores e profissionais de engenharia de software, informática em saúde e domínios médicos. Entre os tópicos que serão discutidos no evento estão padrões, métodos, modelos e técnicas que moldarão a próxima geração dos sistemas de software na área da saúde, especialmente em relação à qualidade, segurança, proteção, governança de dados e sustentabilidade. 

O workshop também pretende abordar o papel que a engenharia e a arquitetura de software desempenham na criação de novas soluções de assistência médica e tendências emergentes na prática atual, inclusive nos países em desenvolvimento. Por meio da troca de experiências bem-sucedidas, os participantes poderão analisar o impacto de soluções alternativas, incentivando a inovação. 

“O principal objetivo do Workshop é estabelecer uma agenda de pesquisa no campo da engenharia de software para dar suporte ao projeto e desenvolvimento de sistemas para a área de saúde”, explica a professora Elisa Yumi Nakagawa, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) USP, em São Carlos, que é uma das coordenadoras do evento. 

A comissão organizadora do Workshop conta ainda com a participação de Lina Garcés e Milena Guessi, pós-doutorandas que fazem parte do Laboratório de Engenharia de Software (LabES) do ICMC. Para se inscrever e submeter trabalhos no evento, basta acessar o site do Workshop.

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

International Workshop on Software Engineering for Healthcare 
E-mail: seh2020@googlegroups.com

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Simulação computacional ajuda a entender o transporte de partículas suspensas na atmosfera

Pesquisadores da USP usam simulações computacionais para entender como ocorre o transporte de partículas microscópicas, conhecidas como aerossóis, entre as diferentes camadas atmosféricas

As queimadas florestais, como as ocorridas em agosto, na Amazônia, estão entre as fontes antropogênicas de aerossol (crédito da imagem: NASA)

Além de influenciar o clima, as chuvas e a agricultura, o material particulado suspenso na atmosfera pode afetar a saúde humana, favorecendo doenças respiratórias, cardiovasculares e até mesmo câncer. Por esse motivo, tem sido objeto de estudos em diversos países.

No Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), um grupo coordenado pela professora Livia Freire tem usado simulações computacionais para entender como ocorre o transporte dessas partículas microscópicas, também conhecidas como aerossóis, entre as diferentes camadas atmosféricas. As fontes de aerossol podem ser naturais (como os compostos orgânicos voláteis emitidos pelas árvores) ou antropogênicas (como a fumaça emitida por veículos, fábricas e queimadas florestais). 

A pesquisa tem apoio da FAPESP e foi apresentada por Freire durante o simpósio FAPESP Week France. “Nosso interesse é saber como os aerossóis são transportados pelo escoamento atmosférico, um movimento muito complicado de simular e de compreender por ser turbulento. Estamos desenvolvendo modelos numéricos que simulam o escoamento da atmosfera e como ele transporta partículas. O objetivo é chegar a equações simples, que pesquisadores em outras áreas possam usar para entender a concentração de partículas na atmosfera”, disse Freire à Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora, para prever o comportamento das partículas e determinar, por exemplo, sua concentração em um determinado local e hora, é necessário entender o escoamento turbulento presente na camada-limite atmosférica, como é chamada a região que corresponde às primeiras centenas de metros da atmosfera. “É uma região que concentra todas as trocas de energia, gases e partículas entre a atmosfera e os elementos que compõem a superfície do planeta”, explicou.

“O problema dos escoamentos turbulentos [em que as partículas se misturam de forma caótica, com turbulência e redemoinhos] é muito complexo, pois envolve várias escalas, desde a escala da própria atmosfera até outras muito pequenas, como os vórtices turbulentos que transportam partículas. Para simular isso em computador, precisamos representar todas essas escalas, o que implica um aumento significativo nos custos de computação. É um grande desafio representar todos os diferentes componentes da atmosfera em um sistema computacional com custo viável”, disse Freire.



Large-Eddy Simulation - De acordo com Freire, a camada-limite atmosférica possui um escoamento turbulento cuja representação computacional mais fiel é obtida pela técnica chamada de Large-Eddy Simulation (LES).

“Por sua natureza complexa, o estudo da turbulência tem como base o uso de simulações numéricas combinadas com a análise de dados experimentais. Para o escoamento atmosférico, o uso da técnica LES fornece indicadores importantes sobre o comportamento único da turbulência. Progressos significativos têm sido feitos no desenvolvimento de modelos para o transporte de matéria e energia na atmosfera em condições simplificadas”, disse.

“Por exemplo, a concentração média de partículas finas emitidas de uma região de solo plano e nu pode ser representada por uma simples relação de fluxo-perfil, um resultado encontrado a partir do uso de LES”, acrescentou.

Segundo Freire, os avanços na capacidade computacional oferecem uma oportunidade para investigar problemas mais complexos, como o transporte de partículas na presença de florestas e cidades.

“Estamos usando o LES, uma ferramenta numérica avançada, para desenvolver novos modelos que permitam explicar o transporte de partículas na atmosfera. Isso poderá aumentar nossa compreensão e nossa capacidade de prever seu papel no meio ambiente”, disse.

Na pesquisa com o LES, Freire tem trabalhado com os professores Leandro Franco de Souza, do ICMC, e Amauri Pereira de Oliveira, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, ambos da USP, e com David Richter, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.

O simpósio FAPESP Week France foi realizado entre os dias 21 e 27 de novembro, graças a uma parceria entre a FAPESP e as universidades de Lyon e de Paris, ambas da França. Leia outras notícias sobre o evento em www.fapesp.br/week2019/france.

Texto: Heitor Shimizu, de Lyon - Agência FAPESP

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Pesquisa com humanos: entenda as questões éticas e esclareça suas dúvidas na USP São Carlos


No dia 21 de novembro, cientistas terão a oportunidade de conhecer como funcionam os Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos durante duas palestras gratuitas e abertas a todos os interessados



Como um cientista deve agir para realizar uma pesquisa com seres humanos? Quais são as principais questões éticas que devem ser levadas em conta? Como funcionam os Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e quando é preciso que uma pesquisa seja aprovada por um desses comitês? Perguntas como essas serão respondidas em dois eventos que acontecerão no campus da USP, em São Carlos, na tarde de quinta-feira, 21 de novembro. 

É neste dia que a professora Ana Paula Magalhães Tacconi, assessora de programas e eventos da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, falará sobre Ética na Pesquisa com Seres Humanos em dois diferentes espaços e momentos: das 14 às 15h45, ela estará no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC); das 16h15 às 18 horas, é a vez da professora falar no auditório Paulo de Camargo e Almeida, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU). 

As duas atividades são abertas a todos os interessados, gratuitas e não demandam inscrições prévias. Além de assistir à apresentação, o público poderá esclarecer suas dúvidas diretamente com a especialista. Vinculada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Ana Paula integra o Comitê de Boas Práticas em Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade e o Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da USP. 

“A boa pesquisa não se desenvolve sem a ética. Ela é parte integrante da ciência e pressuposto da atuação de todo pesquisador”, esclarece a professora. “A ética pauta nossas relações com nossos sujeitos e objetos de pesquisa e a integridade no tratamento dos dados e das publicações. Mas também perpassa nossa interação com nossos pares e com nossa própria biografia”, completa. 

Contexto em mudança – Segundo Ana Paula, a ética na pesquisa, tanto quanto as demais manifestações da cultura humana, constituiu-se historicamente. Não é à toa que padrões de investigação empregados até bem pouco tempo atrás, nos dias de hoje, são considerados inaceitáveis. Por isso, é necessário que as instituições de ensino e pesquisa se empenhem em um trabalho de conscientização que implica informar e esclarecer os pesquisadores a respeito da agenda da ética em pesquisa. 

“A moderna investigação científica pauta-se por padrões éticos rigorosos e bem definidos. Os códigos de conduta em instituições de ensino e pesquisa ao redor do mundo pressupõem, para além da boa conduta no manejo dos dados, a preservação da integridade física e psíquica dos participantes da pesquisa”, explica a docente. 

Para ela, a relação entre ética e conhecimento comporta ao menos duas facetas: “Por um lado, na medida em que as condições para a solução de um determinado problema se encontram à disposição dos cientistas, eles têm o dever ético de empregar seu esforço no sentido de saná-lo. Por outro lado, ao passo que o conhecimento tende ao ilimitado, cabe à ética impor-lhe limites no sentido de preservar a integridade de pessoas e ecossistemas”.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Com apoio de Henrique Fontes, da Assessoria de Comunicação do IAU

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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

USP lidera força-tarefa para descobrir as conexões entre as espécies

Dois professores da USP se uniram a pesquisadores brasileiros e estrangeiros para construir um novo modo de compreender a teia da vida; estudo poderá prever consequências de desastres ecológicos como o que está ocorrendo no Nordeste

O professor Francisco Rodrigues, do ICMC, explica que as ferramentas computacionais e matemáticas desenvolvidas para estudar as relações entre os morcegos e as plantas podem ser aplicadas a qualquer outro ecossistema

O que leva um grupo de pesquisadores das instituições mais qualificadas do planeta a se unirem para estudar morcegos e suas relações com plantas? As descobertas desses cientistas – à primeira vista, sem muita importância – ganharam as páginas de uma das revistas mais relevantes do mundo nas áreas de ecologia e evolução, a Nature Ecology & Evolution

Para compreender o trabalho dessa força-tarefa da ciência, formada por dois professores da USP e mais oito pesquisadores, três brasileiros e cinco estrangeiros, basta esquecer os morcegos e as plantas (temporariamente), e pensar no desastre ecológico que está ocorrendo agora no litoral do Nordeste. Hoje, é impossível calcular as consequências que o óleo pode trazer ao ecossistema da região. 

No entanto, o impacto da contaminação poderia ser calculado se houvesse um banco de dados com informações sobre os animais que vivem no local bem como as relações que são estabelecidas entre as diferentes espécies. Foram dados desse tipo, nesse caso mostrando as interações entre morcegos e plantas registradas ao longo de 70 anos por centenas de naturalistas, que deram origem ao estudo Compreendendo as regras de montagem de uma rede multicamadas continental (Insights on the assembly rules of a continente-wide multilayer network). 

“Nosso estudo mostra que é possível analisar como a extinção de espécies de animais e plantas afeta o equilíbrio de um ecossistema, alterando a biodiversidade em diversas regiões do planeta”, explica o professor Marco Mello, do Instituto de Biociências da USP, que liderou a força-tarefa do estudo. 

“As ferramentas computacionais e matemáticas que desenvolvemos para estudar as relações entre os morcegos e as plantas podem ser aplicadas a qualquer outro ecossistema”, completa o professor Francisco Rodrigues, do Instituto de Ciências Matemática e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Então, imagine se esses cientistas tivessem à disposição dados sobre as tartarugas-marinhas, os peixes, as aves, os corais e os demais animais que habitam as áreas contaminadas do litoral do Nordeste ao longo de muitos anos. Ora, eles poderiam utilizar as mesmas ferramentas empregadas no estudo sobre morcegos e plantas. Assim, seriam capazes de prever as consequências que o óleo traria à teia da vida nordestina, incluindo aí os seres humanos. 

Mello revela que, no mundo, quase 70% dos morcegos se alimentam de insetos em maior ou menor grau. Nas Américas, metade das espécies se alimenta de plantas, só que muitas delas também são capazes de comer insetos. Ou seja, os morcegos têm a dieta mais diversificada entre os mamíferos.

Uma teia com muitas camadas – “Com efeito, um dos aspectos inovadores do trabalho é analisar a miríade de relações entre espécies de morcegos e plantas com ferramentas computacionais, mais ou menos como quem estuda as múltiplas conexões entre pessoas num aplicativo de rede social”, escreve o jornalista José Reinaldo Lopes no artigo Morcegos são cruciais para a saúde dos ecossistemas em que vivem. Publicado pela Folha de S. Paulo dia 3 de novembro, o artigo destaca como funciona a teia que une 73 espécies de morcegos e 439 espécies de plantas, estudadas pela equipe de pesquisadores de que Mello e Rodrigues fazem parte. 

O jornalista conta que os pesquisadores usaram dados coletados em campo sobre a dieta dos bichos para montar as várias camadas de redes de interação: “Uma dessas camadas corresponde às mais de 900 interações morcego-planta em que há frugivoria (consumo de frutas); outra equivale a 301 interações em que há consumo de néctar; e assim por diante.” Para relatar esses processos, os pesquisadores consideram, ainda, a história evolutiva, o grau de parentesco e a distribuição geográfica das diferentes espécies. 

“O mapeamento multicamadas que resultou desse esforço mostra, entre outras coisas, quais as espécies que funcionam como as figuras mais “populares” da “rede social” ecológica – mais ou menos como o sujeito com milhares de amigos ou seguidores cuja conta conecta as pessoas mais disparatadas entre si”, escreve Lopes. 

Nesse caso, vale lembrar que os morcegos mais populares são os que estão no centro da rede. “Isso significa que os animais dessa espécie se alimentam de uma variedade maior de frutos e propagam uma maior diversidade de sementes pelo ecossistema. Se essa espécie é extinta, afetará mais o todo, porque esses animais têm uma função mais relevante na manutenção do ecossistema. Por isso, é fundamental determinar quem são essas espécies porque elas podem levar à extinção de outras”, conta o professor Francisco Rodrigues. “Com a análise dessas redes complexas multicamadas, o que estamos mostrando é como as conexões entre as espécies são formadas, como são as estruturas dessas redes e qual impacto pode ter a extinção de algumas espécies”, adiciona Rodrigues. 

Ele foi um dos responsáveis por desenvolver as soluções matemáticas e computacionais que possibilitam a análise de redes multicamadas juntamente com a pesquisadora iraniana Nastaran Lotfi. Vinda da Universidade de Zanjan, Irã, Nastaran foi aluna visitante de doutorado no ICMC, sob orientação de Rodrigues, e hoje é pós-doutoranda na Universidade Federal de Pernambuco. Já os doutorandos Rafael Pinheiro, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Gabriel Félix, da Unicamp, desenvolveram novos métodos para entender a estrutura de cada camada das redes. 

Segundo Rodrigues, a análise de redes multicamadas é bastante nova e os primeiros estudos começaram a ser produzidos há cerca de seis anos. No ano passado, o professor lançou um livro sobre o assunto em parceria com mais três pesquisadores intitulado An Introduction to Multiplex Networks: Basic Formalism and Structural Properties

Na imagem, uma síntese do processo de pesquisa realizado pela força-tarefa


Um caminho com muitas redes – “A ciência das redes complexas tem mais de 300 anos, mas foi em 2016 que nosso grupo de pesquisa, hoje na USP, publicou um dos primeiros estudos na área da ecologia levando em conta múltiplas camadas de redes”, destaca Mello. A equipe de cientistas lideradas pelo professor têm na bagagem várias pesquisas anteriores publicadas ao longo dos últimos dez anos. 

Para chegar este ano às páginas de uma das revistas científicas mais importantes do mundo nas áreas de ecologia e evolução, a Nature Ecology & Evolution, foram necessários três anos de pesquisa. O início dessa trajetória está registrado em uma imagem datada de 2016, quando seis pesquisadores que estavam na Conferência Internacional de Pesquisa sobre Morcegos (International Bat Research Conference), em Durban, na África do Sul, foram almoçar juntos e se propuseram a construir um projeto. Ao longo do caminho, mais quatro cientistas se uniram ao grupo. 

Nessa época, já fazia cerca de sete anos que Mello havia pedido autorização para usar o banco de dados on-line criado pela pesquisadora Cullen Geiselman, do Centro de Conservação de Morcegos de Austin, nos Estados Unidos. Ao longo desse tempo, o pesquisador brasileiro e sua equipe refinaram as informações disponibilizadas por Geiselman e adicionaram estudos brasileiros. Esses dados, que compreendem cerca de 70 anos de trabalhos de campo feitos por centenas de pesquisadores na região, foram utilizados no artigo publicada na Nature Ecology & Evolution

“Começamos estudando conjuntos de organismos de diferentes espécies (isto é, comunidades) e hoje analisamos também sistemas no sentido estrito, formados por interações entre esses organismos (isto é, redes). Entender essas regras é crucial para compreendermos a arquitetura da biodiversidade, melhorarmos a produtividade de sistemas agroflorestais e controlarmos doenças emergentes, entre muitas outras aplicações”, escreve Mello na introdução da sua tese de livre-docência apresentada em agosto deste ano à USP. 

No texto, o professor faz uma síntese do caminho que percorreu ao longo de suas descobertas científicas. Um caminho que é similar ao percorrido por tantos outros pesquisadores na extensa e gratificante jornada da ciência: “Em uma floresta, ou mesmo em uma lavoura ou jardim urbano, o que começa com um par de organismos escalona para múltiplos pares, chegando ao nível das respectivas populações. E delas, ao nível de todo o ecossistema. Isso é que o poeticamente chamamos de ‘a teia da vida’. O mais incrível é que diferentes cientistas ao redor do mundo, ao longo de séculos e perpassando diferentes gerações, encontraram padrões muito interessantes nessa teia. Ou seja, coisas que se repetem regularmente, desde a forma de partes dela até os processos que geram essas formas. É extremamente empolgante tentar entender o que mantém unidos esses emaranhados de organismos e interações, também conhecidos como sistemas complexos.” 

Para finalizar, Rodrigues destaca que os sistemas complexos são estudados no ICMC tanto no campo da ecologia como em medicina, epidemiologia, ciências sociais e economia. Em todas essas áreas, os pesquisadores buscam entender, por exemplo, como os neurônios estão organizados no cérebro ou como as doenças se propagam em nossa sociedade. 

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Marco Mello, Cullen Geiselman, Sharlene Santana, Ana Vogler, Marco Tschapka e Jan

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Comunicação oral em inglês é tema de curso no ICMC

Com foco em alunos de pós-graduação, curso está com inscrições abertas até o dia 31 de outubro



Para pesquisadores e estudiosos de ciência e tecnologia é indispensável saber se comunicar de forma eficaz em inglês. Buscando desenvolver as habilidades de alunos de pós-graduação e demais interessados, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realiza, de 5 a 8 de novembro, o curso de extensão Comunicação oral em inglês. As inscrições estão abertas até o dia 31 de outubro.

As aulas serão ministradas por Dorly Piske, graduada em ciência e tecnologia de alimentos pela Universidade Federal de Santa Catarina, com mestrado em ciência dos alimentos pela Kansas State University, nos Estados Unidos, além de mestrado em letras (espanhol e alemão) e pós-graduação em ensino de inglês como língua estrangeira pela University of Wyoming. Dorly tem experiência com ensino de inglês acadêmico nos Estados Unidos e no Cazaquistão.

Os interessados em participar devem fazer a inscrição pelo Sistema Apolo neste link: icmc.usp.br/e/55870. A seguir, é preciso realizar o pagamento da taxa de inscrição (R$ 30) por meio do boleto bancário gerado pelo sistema e enviar o comprovante para ccex@icmc.usp.br.

Além disso, os participantes também devem produzir um vídeo de aproximadamente um minuto, em inglês, fazendo uma breve apresentação pessoal, que deve ser enviado para dorlypiske@hotmail.com antes do início do curso. Com foco nos estudos acadêmicos, a apresentação pode incluir informações sobre o lugar de origem dos estudantes, onde e o que estudaram e o que atualmente estudam, pesquisam ou pretendem pesquisar.

O curso ocorrerá de terça a quinta-feira, das 16 às 18 horas, e na sexta-feira, das 13 às 15 horas, em local a ser definido.

Isenção de taxa - Alunos que não recebem bolsa financiada pela USP ou outras agências de fomento podem solicitar isenção da taxa de inscrição. Esse benefício será concedido por ordem de solicitação, que deve ser registrada no formulário icmc.usp.br/e/aa228 até o dia 25 de outubro. É necessário enviar documento que comprove o não recebimento de bolsas (para alunos USP, no próprio Sistema Júpiter Web é possível obter o comprovante).

Serão oferecidas vagas isentas em número correspondente a 10% do total de inscrições pagas. Após conceder os pedidos que atendam os critérios estabelecidos, restando vagas isentas, elas serão distribuídas por ordem de inscrição. 

Especialista em comunicação oral em inglês, Dorly Piske ministrará o curso no ICMC

Texto: Gabriela Bidin - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Curso de extensão Comunicação oral em inglês
Inscrições: até 31 de outubro ou enquanto houver vagas em icmc.usp.br/e/55870
Taxa de inscrição: R$ 30
Link para solicitar isenção da taxa: icmc.usp.br/e/aa228
Mais informações: (16) 3373-9146 ou ccex@icmc.usp.br

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Domingo é dia de maratona na USP São Carlos: venha saciar sua sede de ciência

Das 15 às 18 horas, público poderá conferir uma sequência de apresentações rápidas sobre ciência e ajudar a escolher os vencedores do Divulgathon, uma maratona de divulgação científica

Os responsáveis pelas três melhores apresentações de domingo serão convidados para participar da edição são-carlense do festival internacional de divulgação científica Pint of Science em 2020

Compartilhar os conhecimentos que são gerados pelos pesquisadores das universidades brasileiras diretamente com o público, de um jeito atraente e descomplicado. Este é um dos objetivos de um evento gratuito que acontecerá no próximo domingo, 27 de outubro, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Será uma verdadeira maratona de divulgação científica, que vai começar às 15 horas e prosseguirá por três horas, tempo em que o público poderá assistir a uma sequência de apresentações rápidas sobre os mais diversos conceitos científicos. Esta será a primeira edição do Divulgathon: ciência sem barreiras, em que 57 maratonistas vão se revezar no palco do auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do Instituto, para compartilhar seus conhecimentos com o público. 

Durante o evento, uma banca de jurados vai acompanhar as apresentações e avaliá-las. O público também poderá ajudar a escolher os vencedores da maratona de divulgação científica. No final do evento, os responsáveis pelas três melhores apresentações serão convidados a participar da edição são-carlense do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que já tem data marcada: 11, 12 e 13 de maio de 2020. 

Aquecimento – No sábado, 26 de outubro, um dia antes das apresentações públicas, os 57 inscritos no Divulgathon participarão de um workshop para preparem suas apresentações. Será um treinamento intensivo, das 9 às 18 horas, que será ministrado no auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC. Diversos especialistas foram convidados para abordar conteúdos relacionados à comunicação pública da ciência. Também haverá exercícios práticos para despertar a criatividade, aprimorar as habilidades de comunicação oral, o trabalho em equipe e a capacidade de autorreflexão dos participantes em relação a como fazem divulgação científica e a como poderiam fazer melhor. 

O resultado desse treinamento intensivo poderá ser conferido na tarde de domingo, durante o Divulgathon. Além de preparar os atletas para a maratona, o treinamento tem como objetivo estimular que mais pessoas se dediquem à popularização do conhecimento científico. 

O evento é realizado pelo ICMC com apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, marcando o encerramento das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que acontece de 21 a 27 de outubro. Ainda como parte da SNCT, o ICMC realizará na próxima quarta-feira, 23 de outubro, o seminário Além da sala de aula do amanhã: o impacto da inteligência artificial na educação. O seminário também é gratuito, aberto a todos os interessados e será realizado no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano a partir das 15 horas. 

Seminário vai debater as ferramentas de inteligência artificial que já estão sendo aplicadas no meio educacional e abordará também o estado da arte na pesquisa da área e as futuras possibilidades

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Confira a programação completa da SNCT na USP São Carlos: icmc.usp.br/e/25073
Confira quem são os 57 maratonistas: icmc.usp.br/e/3305f
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Evento na USP destaca a presença de mulheres na área de tecnologia

Em comemoração ao Ada Lovelace Day, no dia 19 de outubro, será realizado um evento no ICMC com o objetivo de evidenciar as conquistas das mulheres na ciência



Você conhece a Ada Lovelace? Foi ela quem escreveu o primeiro código de programação já criado, e isso ainda no século XIX. Sua importância na área de tecnologia é tão grande que uma data especial foi criada em sua homenagem: o Ada Lovelace Day. Nesse dia, em diversos lugares do mundo são criados eventos com o objetivo de evidenciar as conquistas das mulheres na ciência, além de inspirar as garotas a ingressarem na área. 

No dia 19 de outubro, sábado, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, sediará atividades como parte dessa comemoração em um evento criado pelo grupo de extensão Women in Tech. "É um dia internacional para valorizar e incentivar a participação feminina nas ciências exatas. A desigualdade de gênero na área é um problema que afeta o mundo todo e não apenas o Brasil", explicou a professora Sarita Bruschi, que é coordenadora do evento e do grupo de extensão. 

A programação, que ocorre das 9 às 20 horas, contará com palestras, minicursos e uma feira de exposição de projetos com trabalhos de pesquisa e extensão do ICMC, desenvolvidos por professoras e alunas. Além disso, também estarão presentes representantes de empresas de tecnologia como Monitora, Google e Token lab. Uma roda de conversa encerrará as atividades, possibilitando o diálogo entre participantes e apresentadoras. 

Gratuito e aberto a todos, especialmente às mulheres, incluindo cis e trans (entenda melhor os termos clicando aqui), o evento será realizado com o apoio do Grupo de Alunas de Ciências Exatas (Grace). As inscrições podem ser realizadas por meio deste formulário: icmc.usp.br/e/24523

Sobre o Women in Tech - O grupo surgiu em 2018, durante a Semana da Engenharia de Computação da USP São Carlos, com o intuito de discutir a falta de representatividade feminina nas áreas de ciências e tecnologia. O maior objetivo da iniciativa é apoiar e incentivar as ingressantes em cursos nos quais as mulheres são minoria, diminuindo assim a alta evasão. 

Composto por alunas e alunos do curso de Engenharia de Computação, oferecido pelo ICMC em parceria com a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, o grupo realiza diversas atividades relacionadas à presença das mulheres no ambiente universitário. 

Retrato em aquarela de Ada Lovelace, possivelmente de autoria de Alfred Edward Chalon
Texto: Gabriela Bidin – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Ada Lovelace Day no ICMC
Facebook do evento: icmc.usp.br/e/523dd
Quando: sábado, 19 de outubro, das 9 às 20 horas 
Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC 
Endereço: avenida Trabalhador São-carlense, 400 - Centro 
Inscrições: icmc.usp.br/e/24523

Saiba mais 
Conheça outras ações voltadas à participação feminina no ICMC: Elas estão rompendo as barreiras das Exatas
Mais informações: (16) 3373.9622 ou eventos@icmc.usp.br

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Maratona de divulgação científica: iniciativa da USP São Carlos está com inscrições abertas

Pesquisadores, comunicadores e demais interessados em popularizar a ciência poderão participar de um workshop no sábado, dia 26 de outubro, para preparem suas apresentações, que serão realizadas no dia seguinte

Os responsáveis pelas melhores apresentações realizadas no dia 27 de outubro serão convidados a participar da edição local do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, em 2020

Promover uma série de apresentações rápidas e sequenciais para explicar conceitos científicos, de forma descomplicada e atraente, à população de São Carlos. Essa é a proposta do evento Divulgathon: ciência sem barreiras, uma verdadeira maratona de divulgação científica que será realizada no dia 27 de outubro, domingo, pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Antes da maratona, os atletas da divulgação científica participarão de um treinamento intensivo no dia anterior, das 9 às 18 horas. Especialistas da área explicarão conceitos relevantes para quem deseja contribuir com a popularização da ciência. Também haverá exercícios práticos para despertar a criatividade, aprimorar as habilidades de comunicação oral, o trabalho em equipe e a capacidade de autorreflexão dos participantes em relação a como fazem divulgação científica e a como poderiam fazer melhor. 

Para participar do treinamento e, depois, apresentar-se no Divulgathon: ciência sem barreiras, não é preciso ter experiência prévia, basta preencher o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/9b4a9. A participação é gratuita e há apenas 70 vagas, por isso, haverá uma pré-seleção dos inscritos. Serão considerados como critérios de seleção as experiências anteriores em divulgação científica bem como a área de atuação dos inscritos, já que a ideia do evento é promover a diversidade, a pluralidade e a interdisciplinaridade. 

As inscrições vão até domingo, dia 13 de outubro, e a divulgação dos selecionados acontecerá na semana de 14 de outubro por meio do site do ICMC e por e-mail. Esta é a primeira edição do Divulgathon, um evento público em que jurados vão avaliar as apresentações de divulgação científica e selecionarão as três melhores. Como reconhecimento, os responsáveis por essas apresentações serão convidados a participar da edição local do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que ocorrerá nos dias 11, 12 e 13 de maio de 2020. 

O Divulgathon também faz parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Inscreva-se no Divulgathon: icmc.usp.br/e/9b4a9 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ex-aluno do ICMC é reconhecido pela melhor tese de doutorado em matemática, defendida no IMPA

Ele concluiu a graduação em matemática em São Carlos e, depois, partiu para o Rio de Janeiro, onde defendeu o doutorado no IMPA; hoje, está na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, fazendo pós-doutorado

Pedro deu os primeiros passos da carreira acadêmica no ICMC, onde desenvolveu projetos de iniciação científica por três anos
(crédito da imagem: Assessoria de Comunicação do IMPA)

Quando o garoto mineiro, de 17 anos, entrou pela primeira vez na sala do professor Fernando Manfio, estava cursando o primeiro semestre do Bacharelado em Matemática. Recém-chegado da pequena cidade de Muzambinho, no sul de Minas Gerais, Pedro Henrique Gaspar Marques da Silva visitaria aquela mesma sala do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, inúmeras outras vezes. 

Mas, desde a primeira vez, ele não bateu naquela porta tal como outros alunos costumam fazer no início de um curso de graduação. Pedro sequer conhecia Manfio e não queria esclarecer dúvidas, aliás, o professor nem ministrava aulas para a turma dos calouros naquele início de 2010. Só que os ouvidos atentos do garoto captaram uma valiosa informação: Manfio tinha uma bolsa de iniciação científica disponível. O melhor é que o professor pesquisava geometria, uma área da matemática que já encantava o garoto. 

“Desde muito cedo, percebemos que o mundo de Pedrinho era o mundo científico”, revela Manfio, na tarde de quarta-feira, 7 de agosto. Na mesma sala em que acolheu Pedro pela primeira vez, o professor conta que recebeu com felicidade, mas sem surpresa, a notícia de que o ex-aluno é o ganhador, este ano, do Prêmio Carlos Gutierrez de Teses de Doutorado. O Prêmio reconhece, a cada ano, a melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior. 

Sob orientação de Manfio, Pedro percorreu o início de sua jornada acadêmica: foram três anos de iniciação científica, todos com bolsas de estudo, um ano com recursos provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e dois com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “É o típico aluno que todo professor sonha ter: educado, pontual, escreve formidavelmente bem e com uma maturidade matemática excepcional. Ele está, com certeza, entre os melhores estudantes que tivemos em nosso Instituto nos últimos 10 anos, considerando a capacidade intelectual de compreender a matemática moderna”, ressalta o professor do ICMC. 

Como resultado da pesquisa que realizou na iniciação científica, Pedro conheceu, em novembro de 2012, pela primeira vez, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), quando foi participar da sexta edição do Simpósio Nacional Jornadas de Iniciação Científica no Rio de Janeiro. O garoto já surpreendeu o público na apresentação do trabalho Fibrações Localmente Triviais e os Grupos Fundamentais de Grupos de Lie Clássicos, realizada durante o evento (disponível no Youtube). Talvez ele já soubesse, naquele tempo, que seria apenas a primeira das inúmeras vezes que percorreria os corredores do IMPA. 

Rumo ao doutorado – Quando estava finalizando a graduação, angustiado com o futuro, Pedro consultou Manfio. “Se você gosta de geometria diferencial, tem um pesquisador fenomenal nessa área lá no IMPA, o Fernando Codá”, respondeu o professor. Em janeiro de 2013, Pedro participou do Programa de Verão do IMPA e, logo depois de concluir a graduação no ICMC, o garoto de Minas partiu para o IMPA fazer seu doutorado sob supervisão de Codá. 

“Passei diretamente da graduação ao doutorado. Os projetos de iniciação científica tiveram um papel fundamental na minha formação e em minhas escolhas acadêmicas", conta Pedro. "Em tais projetos, tive um primeiro contato com a atividade de fazer matemática, do ponto de vista da pesquisa, e logo me decidi pela área em que gostaria de trabalhar. Acredito que o suporte de meu orientador, nessa época, foi essencial para que eu desenvolvesse o gosto por aprender e por investigar”, completa.

Passados cinco anos depois da chegada ao IMPA, em 4 de julho de 2018, Pedro se despediu da instituição apresentando mais um trabalho: a defesa da tese de doutorado A equação de Allen-Cahn e aspectos variacionais de hipersuperfícies mínimas. O estudo garantiu a ele a conquista do Prêmio Professor Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon 2019, destinado à melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior à premiação, nos quesitos originalidade e qualidade. Ele receberá a premiação em uma cerimônia que acontecerá dia 27 de agosto, às 14 horas, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC. O evento é parte da programação do Workshop de Teses e Dissertações em Matemática do Instituto

“Pedro nunca teve medo de enfrentar um problema matemático. Quando me procurava para tirar alguma dúvida, era porque já tinha esgotado todas as possibilidades de encontrar uma resposta”, conta Manfio. “É o tipo de aluno excepcional e o orientador deve tomar cuidado, nesse caso, para não exercer um papel de desorientador. É preciso fornecer desafios à altura, que façam o estudante se sentir motivado”, completa. 

Ao recordar a história de Pedro, Manfio se lembra de sua trajetória e traça um paralelo: foi também um projeto de iniciação científica que o motivou a ingressar na carreira acadêmica. Sob orientação do professor João Batista Peneireiro, Manfio deu os primeiros passos na ciência quando ainda era um estudante de matemática na Universidade Federal de Santa Maria: “Todos os alunos deveriam ter a oportunidade de fazer um projeto de iniciação científica”. Ao finalizar, ele diz que os benefícios de um projeto desses não são colhidos apenas pelos estudantes: “Para mim, foi um privilégio ter o Pedro como aluno durante três anos. Com certeza, aprendi muito”.

Para Manfio, todos os alunos deveriam ter a oportunidade de fazer um projeto de iniciação científica
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Sobre o Prêmio – Com a finalidade de homenagear o pesquisador Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon, o Prêmio foi criado pelo ICMC em 2009 em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática. Atualmente, concede R$ 3 mil ao vencedor. 

Gutierrez faleceu no dia 3 de dezembro de 2008, depois de atuar como professor titular no ICMC, onde contribuiu, a partir de 1999, com a fundação e consolidação do grupo de pesquisa em sistemas dinâmicos. Originário do Peru, sua chegada ao Brasil aconteceu em 1969, quando veio estudar no IMPA, onde se titulou mestre e doutor em matemática. Nessa instituição, na qual trabalhou até 1999, começou como professor assistente e chegou à posição de titular. Durante o período, visitou vários importantes centros em matemática como a University of California, em Berkeley, nos Estados Unidos, e o California Institute of Technology

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Apresentação do trabalho Fibrações Localmente Triviais e os Grupos Fundamentais de Grupos de Lie Clássicos: www.youtube.com/watch?v=QhWuvKr9huE
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Como a robótica desperta o encanto pelo conhecimento

OParticipar da Olimpíada Brasileira de Robótica é uma experiência que promove descobertas não só às crianças e aos jovens, mas que reacende sonhos em professores, pais e voluntários


As participantes mais jovens: Sarah e Valentine participaram no nível zero da competição

Uma tem seis anos e a outra oito. Juntas, correm pelo salão de eventos da USP, em São Carlos, conduzindo nas pequenas mãos um robô neste domingo ensolarado de outono. Ao chegarem à arena de competição, a expressão no rosto das duas se transforma conforme o robô percorre seu caminho: obstáculos superados, lá vêm muitos sorrisos; fugas ou interrupções na pista, tensão nos semblantes. Ao redor delas, os olhares curiosos acompanham a cena: incontáveis smartphones tiram fotos e gravam vídeos. Certo momento, as meninas quase não resistem à tentação, mexem as mãos rapidamente no ar e assopram a pista na vã tentativa de dar uma forcinha na subida da ladeira. Quando o percurso do robô termina, Sarah Palmieri e Valentine Flório Ouchi recebem, orgulhosas, os broches marcando a primeira participação na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). 

A trajetória do robô das garotas chega ao fim depois de passar três vezes nas estradas das arenas, mas é muito provável que a jornada de Sarah e Valentine pela OBR esteja apenas começando. Os pais as inscreveram na etapa regional da OBR em São Carlos no nível zero, que é voltado a estudantes do 1º ao 3º ano do ensino fundamental e foi criado no ano passado para favorecer o contato, cada vez mais cedo, com o mundo da robótica. Nesse caso, não há pontuação e concorrência entre equipes, todos são premiados com broches e medalhas, pois a ideia é incentivar a participação na OBR nos próximos anos.

No nível zero, não há pontuação e concorrência entre equipes, todos são premiados com broches e medalhas

A proposta já está gerando bons resultados: a primeira equipe nível zero que participou de uma OBR no ano passado – formada por Caleb e João – voltou à competição este ano, dessa vez para competir no nível 1, que é voltado a alunos do 1º ao 8º ano do ensino fundamental. Tal como no ano passado, o técnico foi o pai deles, o desenvolvedor de software Jefferson Pereira Cezar, que inscreveu o time na categoria equipe de garagem, destinada à participação de grupos independentes, que não estão vinculados a uma escola.

João e Caleb: primeira equipe a participar da OBR no nível zero voltou à competição este ano no nível 1
(veja o depoimento dos dois na reportagem da EPTV:  icmc.usp.br/e/9bd74)

“Diferente de muitos outros times, nós somos uma equipe de garagem, limitada a um espaço com área de pouco mais de 10 metros quadrados que, nos dias de sol, é quente pra chuchu e, nos dias de chuva, temos que desviar das goteiras. Mas nada disso impede que a gente se reúna todos os sábados para desenvolver alguma coisa que seja útil e divertida”, explica o torneiro mecânico Carlos Renato da Silva. Ele criou o clube de ciências “O mundo das invenções”, em Batatais, no interior de São Paulo, e formou uma equipe que participou da OBR este ano pela primeira vez também na categoria equipe de garagem. Fazem parte do time o filho de Carlos – José Renato Pereira da Silva, 11 anos – e mais três amigos: Henrique Ferreira de Carvalho e Heitor Silva Santana, ambos com 11 anos, e Matheus Henrique Ferrão, 12 anos. 

Sentados em uma mesa no salão de eventos da USP, logo depois que o simpático robô que criaram participa da terceira rodada da OBR, explicam entusiasmados todos os componentes que usaram para construir Simprão, nome que deram ao robô porque ele é simples, mas nem tanto: resultado de um ano de muito trabalho e de aprimoramentos em versões desenvolvidas anteriormente. O que mais chama a atenção em Simprão é uma peça redonda: “Tentamos usar baterias menores, mas não davam conta. Então, compramos uma parafusadeira e retiramos a bateria de lítio de 12 volts para usar no robô”, explica José Renato. “Assim, depois a gente pode desmontar, colocar a bateria de volta na parafusadeira e usá-la normalmente”, completa Henrique.

Simprão e sua bateria proveniente de uma parafusadeira (é o cilindro à direita com a foto do He-Man)


Os garotos contam ainda que a estrutura amarela que sustenta Simprão foi construída em uma impressora 3D que Carlos comprou. “É feita em plástico ABS, que é um derivado do petróleo. Se usássemos um plástico biodegrável, como o PLA, teríamos problemas para fazer os furos e encaixar as peças porque o calor faria o material derreter”, revela José Renato. É assim durante toda a conversa: os garotos vão apresentando os componentes que fazem parte do robô e, quando usam um termo técnico, logo tentam encontrar um jeito de explicá-lo usando comparações de forma que até alguém formado na área de humanas – tal como a jornalista que os ouve – possa compreender. Mal sabem esses garotos quanto conhecimento compartilharam ali, nos poucos minutos que conversamos. Conceitos da área de eletrônica, mecânica, programação e até de sustentabilidade são, para eles, tão básicos quanto quaisquer outros que aprendemos nos primeiros anos do ensino fundamental. 

Aliás, há um aspecto comum que permeia o relato de todas as crianças e jovens que participam da OBR: eles têm habilidades para explicar conceitos científicos de um jeito descomplicado, defendem seus pontos de vista com afinco e carregam nas expressões faciais e no olhar os sinais típicos de quem vibra e se empolga diante das descobertas e da superação de desafios. De fato, entre os maiores legados da OBR está esse potencial para despertar, nas crianças e jovens, o encanto pela busca do conhecimento, levando-os a se divertir nesse processo de uma maneira que jamais vão querer interrompê-lo. Professores, pais, parentes e voluntários que têm o prazer de acompanhar as crianças e jovens nessa jornada sabem o quanto ela é emocionante.

Equipe Mundos das Invenções e o robô Simprão

Uma nova cultura desperta – Adam Moreira é voluntário da OBR desde a primeira edição da etapa regional em São Carlos, em 2014. Naquele ano, 99 equipes de escolas públicas e privadas da região se inscreveram na competição e 70 compareceram ao evento. Na época, Adam fazia mestrado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, e destacava, na reportagem publicada no site do Instituto, que participar da competição ajudava as crianças a desenvolverem o raciocínio lógico. 

Depois de seis anos, Adam conta que as mudanças que viu aconteceram na região vão muito do evidente aprimoramento na organização local do evento e das alterações implantadas nacionalmente, tal como a criação do nível zero, a abertura à participação de equipes de garagem, a inserção de novas regras à competição, incluindo marcadores e desafios surpresa. Para ele, ao longo dos anos houve uma verdadeira transformação cultural: “A robótica deixou de ser um diferencial. Hoje, as escolas da região que não oferecem atividades nessa área estão ficando para trás.” 

Adam diz que a realização da etapa regional da OBR em São Carlos contribuiu muito para o desenvolvimento de uma cultura ligada à robótica na cidade, a qual se espalhou por outros municípios do entorno. A competição se tornou, assim, uma indutora da cultura robótica nas escolas de ensino básico da região. A etapa regional é um evento em que assistimos aos benefícios que podem ser alcançados quando os conhecimentos gerados nas universidades públicas de uma cidade – nesse caso, na USP e na UFSCar – são compartilhados com as escolas públicas e particulares.

Tabela mostra o número de equipes inscritas na OBR desde 2014, quando aconteceu a primeira etapa regional da competição em São Carlos

“Em 2014, quem participava da competição tinha muito pouco conhecimento sobre robótica, não questionava os juízes e não argumentava. Agora, o nível de conhecimento das crianças e jovens é muito maior: eles querem saber tudo, perguntam detalhes técnicos sobre as provas e sabem explicar conceitos muito mais complexos”, conta a professora Roseli Romero, do ICMC, que coordena a etapa regional da OBR em São Carlos desde 2014. 

Atuando como chefe da equipe de juízes da competição em São Carlos, Adam sentiu na pele essa transformação. “Eu tive que me qualificar para poder acompanhar o desenvolvimento das crianças. Em 2014, por exemplo, eu não tinha conhecimentos avançados sobre o kit Arduino. Ao longo dos anos, muitas equipes passaram a usar esse kit e eu precisei estudar mais”, diz o pós-graduando, que está prestes a concluir o doutorado no ICMC. Para poder solucionar todas as dúvidas dos times durante a competição, ele precisou fazer várias reuniões preparatórias com a equipe de juízes, já que, agora, qualquer equívoco no registro dos pontos é questionado, pois muitas crianças leem o manual de regras e instruções da OBR e o carregam debaixo do braço para a arena.

Aprendendo novas estratégias – Repleto de post-its coloridos e frases destacadas com canetas marca-texto fluorescentes amarelas, verdes, laranjas, rosas e azuis, o manual de regras e instruções que Sara Casatti levou à etapa regional da competição em São Carlos é um exemplo do quanto as crianças se esforçam para obter bons resultados. Segundo ela, a conquista do primeiro lugar no nível 1 da competição no domingo, dia 16 de junho, só foi possível por causa da estratégia adotada pela equipe. “Um robô nunca é perfeito. Então, você precisa conhecer no que ele é bom e no que ele é ruim. Assim, você pode pensar nos locais mais estratégicos para colocar os marcadores ao longo da pista”, ensina.

Sara colocando os marcadores estrategicamente na arena

Para quem nunca competiu na OBR, tal como eu, não é simples compreender o que essa garota de 11 anos está explicando. Confesso que fiz muitas perguntas a ela, enquanto comemorávamos a conquista tomando um sorvete, e no dia seguinte, enquanto a levava à escola. Nesses bate-papos, fui entendendo que o robô pode tentar superar um desafio três vezes – como passar por um ponto em que a pista desaparece ou em que há um redutor de velocidade. Se ele não conseguir, pode desistir e continuar andando na pista a partir do ponto em que a equipe colocou a marcação. Cada desafio ultrapassado rende pontos e, ao transpor o local onde a marcação foi colocada, o time ganha 60 pontos automaticamente. 

Então, a equipe de Sara chegava à arena sorteada para competir alguns minutos antes de entrarem em campo. Discutiam juntos onde deveriam colocar os marcadores a fim de maximizar o ganho de pontos. Como o robô já estava programado para identificar a linha a ser percorrida bem como ultrapassar falhas e outros desafios, o grupo optava por inserir os marcadores logo depois de obstáculos que o robô não havia sido programado para superar. Assim, se conseguisse ultrapassar esses pontos críticos, o time ganharia automaticamente 60 pontos. Por outro lado, se não fosse capaz de superá-los, após três tentativas, o grupo podia tocar no robô e colocá-lo depois do obstáculo, no local indicado pelo marcador, de onde era possível continuar a trajetória. 

Fiquei pensando em quanto a estratégia usada pela equipe de Sara estava relacionada com os mecanismos que usamos para ensinar nossos filhos. Eles também não são perfeitos, têm habilidades e limitações como qualquer outro ser humano. Se a gente os estimula a enfrentar novos desafios, eles podem seguir adiante na vida e ganhar muitos novos conhecimentos. Mas não adianta insistir para que ultrapassem obstáculos maiores do que aqueles que são capazes de superar. Se notarmos um grau elevado de dificuldade, podemos pegá-los nas mãos e levá-los até a próxima fase da jornada. De lá, eles prosseguirão pela estrada da vida e vão enfrentar novos desafios. Conhecendo-os bem, seremos capazes de dar as mãos a eles, caso precisem de um apoio para seguir adiante. Está aqui mais um exemplo do quanto a robótica pode despertar em nós novos conhecimentos: ser uma melhor educadora é só um deles.

Este ano, as escolas públicas que tiveram times melhor classificados no nível 1 e 2 da etapa regional da OBR em São Carlos ganharam kits robóticos Arduino, que foram doados pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria e pela EPTV. A escola estadual Antonio Militão de Lima foi uma das contempladas, já que uma das equipes treinadas pela professora Eliane Botta conquistou o oitavo lugar no nível 1 e se classificou para a etapa estadual da competição, que ocorrerá dia 31 de agosto no Centro Universitário da FEI, em São Bernardo do Campo. Os alunos de Eliane Botta participam do evento desde 2014, ano em que um dos times da escola chegou à final nacional da OBR (leia mais).

Leia mais histórias da OBR: 


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Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 


Confira as equipes medalhistas na etapa regional da OBR em São Carlos 

Sábado, 15 de junho (veja todos os resultados no site da OBR
Nível 1 
Medalha de ouro: Pull_Down – Yadaa (São Carlos) 
Medalha de prata: O round já começou (Araras) 
Medalha de bronze: Legonel – Yadaa (São Carlos) 

Nível 2 
Medalha de ouro: Iron Robots (Franca) 
Medalha de prata: Tigers Team 1 (Novo Horizonte) 
Medalha de bronze: Duck to Space – Yadaa (São Carlos) 

Domingo, 16 de junho (veja todos os resultados no site da OBR
Nível zero 
Grok Team (Equipe de garagem – São Carlos) 

Nível 1 
Medalha de ouro: Oca Robótica I (São Carlos) 
Medalha de prata: Atomikos Jr. 2 (Limeira) 
Medalha de bronze: Super Genius 1 (Indaiatuba) 

Nível 2 
Medalha de ouro: Orc Alfa (Rio Claro) 
Medalha de prata: Atomikos Jr. (Limeira) 
Medalha de bronze: Akomitos (Limeira) 

Leia todas as reportagens sobre as etapas regionais da OBR em São Carlos 





2014