terça-feira, 22 de julho de 2014

Embriões de um novo Vale do Silício?

O boom das startups na capital da tecnologia pode indicar a transformação no eixo de desenvolvimento tecnológico de São Carlos, resta saber se essas iniciativas terão fôlego no longo prazo e o quanto as universidades e instituições podem contribuir para a evolução desse cenário

Por: Denise Casatti

Eles geram riqueza a partir do conhecimento e criam seus próprios empregos. Nessas mãos empreendedoras mora uma ideia persistente: fazer um negócio dar certo, lançando produtos inovadores a partir do uso da tecnologia. As iniciativas que eles criam estão, cada vez mais, chamando a atenção do mercado, dos investidores, dos veículos de comunicação, construindo um cenário efervescente que já se espalhou pelo mundo e pelo Brasil, estimuladas por instituições e programas de apoio e aceleração.

Chamadas de startups, essas iniciativas também invadiram a capital da tecnologia, São Carlos, a 230 quilômetros da capital do Estado de São Paulo, multiplicando as possibilidades de emprego para quem está na graduação e na pós-graduação, em especial atuando em áreas ligadas às áreas de computação e sistemas de informação. “No Brasil, quando falamos de startups, alguns nomes vêm à cabeça: São Paulo, naturalmente, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Excluindo-se essas capitais, quando olhamos para o interior do país, apenas duas cidades chamam a atenção de fato: Campinas e São Carlos”, assegura o empreendedor Thiago Christof, que criou um mapa colaborativo da cidade especialmente para conectar os agentes desse movimento por meio do website capitaldatecnologia.com.br.

“A cidade está se redescobrindo, é uma revolução que vem acontecendo há cerca de três anos. Os talentos que estão estudando hoje aqui entendem que podem permanecer por aqui. Também tem muita gente voltando para cá”, explica Christof, um dos cofundadores da startup Cidadera (www.cidadera.com), cuja intenção é mapear, de maneira colaborativa, os problemas urbanos das cidades. Os outros cofundadores da startup são Victor Stabile, ex-aluno da UFSCar, e Carlos Fialho, aluno do curso de Ciências de Computação do ICMC.

Fialho é apenas um entre tantos outros alunos e  ex-alunos do Instituto que se movem no ritmo acelerado das startups, destacando-se no cenário efervescente das empresas nascentes de tecnologia de São Carlos. Vale destacar pelo menos uma dezena dessas startups cujos fundadores têm em comum o convívio nas salas de aula do ICMC (veja o quadro).

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Transformação evidente – É nos últimos cinco anos que esse ritmo frenético do empreendedorismo tem se espalhado pelo ICMC e por São Carlos. Antes disso, o cenário era outro. Volte ao tempo, especificamente a 1997, e olhe para uma sala do ICMC, onde está acontecendo uma das aulas da disciplina optativa Empreendedores em Informática, incluída naquele ano na grade curricular dos alunos do curso de Ciências de Computação. Entre na sala e perceba que os professores estão tentando, sem sucesso, despertar nos estudantes a capacidade empreendedora, mas o mercado atrai mais: “O aluno chegava à sala de aula muito preocupado em melhorar o currículo dele. Quando falávamos sobre liderança, ele se interessava pelo assunto simplesmente porque queria atuar bem na dinâmica de grupo e ser selecionado por uma empresa”, relembra a professora Solange Rezende.

Faça o mesmo exercício em 2014: o resultado será completamente diferente. “Agora o aluno está mais interessado em explorar essa possibilidade de criar uma empresa”, conta o professor André de Carvalho, que, junto com Rezende, foi um dos responsáveis por implantar a disciplina Empreendedores em Informática no ICMC. Hoje, a disciplina passou a ser chamada simplesmente de Empreendedorismo e ganhou ramificações em duas outras optativas: Projeto Empreendedor I e II. Essas disciplinas são oferecidas nos três cursos de graduação do ICMC da área de computação: Ciência de Computação, Sistemas de Informação e Engenharia de Computação. Porém, no caso de Sistemas de Informação, é disciplina obrigatória; já em Engenharia de Computação, o tema também marca presença no currículo obrigatório junto à disciplina Administração e Empreendedorismo. Há, ainda, no curso de Sistemas de Informação a possibilidade dos alunos realizarem um estágio empreendedor no final do curso. Nesse caso, o aluno deve ser sócio efetivo na empresa em que estagia.

Solange e André: pioneirismo na implantação da disciplina
de empreendedorismo
Na opinião dos professores, uma série de fatores contribuiu para que ocorresse essa mudança no perfil dos alunos que hoje frequentam as salas de aula do ICMC em comparação àqueles que as frequentavam em 1997. Houve a criação de incubadoras, agências de inovação, programas de estímulo. Há oportunidades novas para obtenção de investimento, além de questões inerentes ao próprio desenvolvimento da área de computação no mundo. “Um marco que podemos citar é a criação do Facebook. A divulgação daquele mundo que apareceu em uma garagem, por meio de um grupo de pessoas, com investimento baixo, e no qual havia um brasileiro envolvido, contribuiu para despertar nas pessoas a possibilidade de fazer alguma coisa rentável com baixo investimento. E o melhor: uma oportunidade para os computeiros trabalharem da forma despojada como eles gostam: de bermuda e chinelo”, aponta Rezende. “Antes, só existia a figura do Anjo, em que uma única pessoa colocava dinheiro na startup. Agora, você pode encontrar, na própria web, redes de financiadores, é o que chamamos de crowfunding, em que várias pessoas investem um pouco e, assim, é possível alavancar os recursos necessários para fazer a empresa funcionar”, acrescenta Carvalho.

Os fundos de investimento e o capital de risco também estão de olho nas startups, assim como as aceleradoras, que investem nas empresas emergentes com objetivo de ter participação nos resultados quando o empreendimento começar a dar lucro. No caso das aceleradoras, é comum que exista um acompanhamento do dia a dia da startup, oferendo orientações sobre gestão, finanças e marketing para que a empresa possa crescer mais rapidamente.

A experiência de passar por esse processo dentro de uma aceleradora está sendo vivenciada pelo aluno do ICMC Lucas Lobosque, co-fundador da Freta.lá. A startup foi selecionada para participar do Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED), um programa do estado de Minas Gerais que tem a finalidade de incentivar esse ecossistema. “Sem dúvida, nosso maior desafio foi entrar no SEED. Fomos selecionados entre 1.367 inscritos, ficando entre 40 melhores”, comemora Lobosque.

Para participar do processo, a equipe da Freta.lá precisou preencher um formulário extenso sobre a empresa, formulários individuais para cada um dos três fundadores – onde se incluem também Bruno de Melo, aluno da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), e Thiago Paes – além de um vídeo. Durante a seleção, o critério que tem maior peso é a equipe (60%). O projeto (40%) fica em segundo plano.

Desde janeiro, os três sócios do Freta.lá estão em Belo Horizonte e por lá permanecem até julho, participando de reuniões semanais com os agentes do SEED. Cada agente cuida de 10 startups e acompanha o progresso de cada uma, que poderá receber de R$ 78 mil a R$ 80 mil para investir em seu projeto (dependendo do número de fundadores). “Talvez mais importante que o dinheiro seja o networking. Você conhece muita gente interessante, do mundo inteiro. São contatos que vão nos ajudar bastante em nossas carreiras, independentemente de prosseguirmos no caminho do empreendedorismo ou não”, conta Lobosque.

Para Lucas, desafio é transformar idéias em produtos
Quando ingressou em Ciências de Computação no ICMC, Lobosque não sabia que se tornaria um empreendedor. Essa era uma possibilidade tal como trabalhar em uma grande empresa ou seguir carreira acadêmica. Depois que passou a entender melhor como o funcionava o mercado e notou que um desenvolvedor de software não era valorizado, decidiu seguir por outro caminho: criou sua primeira startup, voltada a desenvolver um sistema para informatizar academias de ginástica, tendo como sócio Melo. “Foi um fracasso total, a gente nem tentou lançar no mercado”, revela. No entanto, foi esse negócio malsucedido que impulsionou os sócios a buscarem o aprendizado necessário. Lobosque seguiu assim para os Estados Unidos com a meta de estagiar em uma startup. Encontrou a Bombfell, que tem como objetivo desenvolver roupas sob medida para homens, entregando as peças pelo correio. “Durante o ano que passei lá, o número de usuários triplicou”. 

Ao voltar dos Estados Unidos, o aluno do ICMC foi convidado pelos amigos para participar da Freta.lá. “Parece que o difícil é ter uma ideia, mas ter uma ideia é o mais fácil. O difícil é transformar essa ideia em um produto”, ensina Lobosque. Para todos aqueles que querem seguir o caminho do empreendedorismo, ele diz: “se você tem uma ideia e acha que é legal, precisa refiná-la, falar com outras pessoas e fazer acontecer, mesmo que não existam recursos. Não adianta ficar esperando aparecer algo. Você precisa arrumar alguém que acredite em sua ideia”. Eu acredito – Everton Cherman é o melhor exemplo de que vale a pena correr  trás das pessoas para convencê- las a acreditarem em sua ideia. Ele defendeu o doutorado no ICMC em janeiro deste ano e, logo em seguida, seu projeto – chamado Onion: cardápio inteligente de bolso – foi um dos selecionados pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). O programa existe desde 1997 e destina-se a apoiar o desenvolvimento de pesquisas inovadoras sobre importantes problemas em ciência e tecnologia que tenham alto potencial de retorno comercial ou social, a serem executadas em pequenas empresas sediadas no Estado de São Paulo. 

“Inicialmente, são nove meses de apoio para que possamos desenvolver um protótipo e mostrar que ele é tecnicamente viável e tem indícios de ser comercialmente viável também”, explica Cherman. Nesse período, a Onion terá à disposição recursos da ordem de R$ 100 mil para disponibilizar bolsas aos pesquisadores envolvidos no projeto e para a compra de equipamentos. A intenção de Cherman é, após essa gestação de nove meses, alcançar aprovação para a segunda fase do programa, em que podem ser obtidos recursos de até R$ 1 milhão, destinados ao desenvolvimento comercial do produto e à realização de aperfeiçoamentos técnicos. 

Diferentemente de Lobosque, o sonho de ser empresário permeia toda a trajetória de Cherman, que cresceu acompanhando a rotina empreendedora de pais e tios: “Quando estava cursando Ciências de Computação na Universidade do Oeste do Paraná, em Foz do Iguaçu, comecei a fazer iniciação científica e me apaixonei pela pesquisa. Foi aí que vislumbrei a possibilidade de unir essa nova paixão com a mais antiga, que era criar uma empresa”. 

Para que seu projeto fosse selecionado pela FAPESP, Cherman convenceu dois parceiros relevantes a apostarem na Onion: o grupo Meira, que administra quatro casas noturnas na cidade de São Carlos (Vila Brasil, Qué Va, Beatniks Road Bar e Seo Gera); e o ParqTec, uma entidade privada e sem fins lucrativos que agrega três incubadoras de empresas em São Carlos – o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (CINET), a primeira incubadora instalada na América Latina; o Centro Incubador de Empresas de Software (SOFTNET) e a Design Inn. “Conversei com o grupo Meira e pedi uma carta de apoio. Se eu fosse aprovado pela FAPESP, eles se comprometeriam a disponibilizar o ambiente deles para eu testar meu projeto. Usei a mesma estratégia no ParqTec. Se eu fosse aprovado, eles me colocavam aqui”, revela Cherman. Deu certo. O berço ideal – Atualmente, há 30 startups incubadas no ParqTec que recebem apoio por meio da disponibilização de infraestrutura e treinamentos voltados a desenvolver a habilidade dos empreendedores no gerenciamento dos negócios, oferecidos principalmente por meio de parcerias com o Sebrae. “Só queremos aqui quem deseja ficar rico a partir do conhecimento. E temos o compromisso de criar um novo empresário, que vá devolver à sociedade todas essas oportunidades que ele está obtendo. Para isso, primeiro ele precisa ter sucesso”, afirma o diretor presidente do ParqTec, Sylvio Goulart Rosa Júnior. 

Everton e Sylvio: Onion conseguiu apoio também do ParqTec
Crítico ferrenho ao modelo que segrega universidades e empresas, separando-as por um muro intransponível, Goulart afirma que a Universidade tem que ser uma guerreira da mudança e colocar o Brasil em uma situação mais privilegiada na distribuição da riqueza do mundo. “Ela tem que gerar hoje conhecimento e riqueza. É um crime contra o povo paulista que esse conhecimento fique na prateleira. É preciso transferir esse conhecimento para o setor produtivo”, ataca. “A USP do século XX foi bem sucedida em sua missão e teve um papel fundamental para o Brasil. Mas como a USP do século XXI vai manter essa vanguarda, como poderá ter uma projeção internacional maior?”, questiona. 

Mas Goulart já enxerga mudanças nas universidades por causa da criação das agências de inovação (veja, na página 3, entrevista com o coordenador da Agência USP de Inovação, Vanderlei Bagnato). Porém, na opinião dele, é preciso mais estímulo: a saída é espalhar cursos de empreendedorismo por todos os departamentos das universidades, treinando e capacitando os alunos para a elaboração de planos de negócios, para a gestão de projetos, “fertilizando todo mundo” para a geração local do conhecimento e da inovação. 

“Precisamos levar alunos como o Everton para dar palestras aos calouros, mostrando que é possível criar uma empresa, que há apoio e sustentação”, defende. “A nossa ideia é que São Carlos seja um modelo e um laboratório de como vai ser o Brasil no século XXI. A região é o melhor tipo de investimento, porque é muito fácil recrutar gente altamente qualificada aqui: há pessoas empreendedoras que querem se qualificar para gerar conhecimento, é onde estão os alunos de graduação mais disputados, os programas de pós-graduação nota máxima da CAPES e os professores”, argumenta o diretor presidente do ParqTec.

Tundisi acredita que eixo de desenvolvimento da
cidade está mudando
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos, José Galizia Tundisi, a cidade tem, de fato, uma missão muito grande em relação ao país, tendo em vista que foi pioneira na implantação de diversas tecnologias, figurando entre as primeiras a disponibilizar luz elétrica, bonde, telefone. “O que acontece agora é que, até por causa de uma demanda global, está havendo uma sinergia muito maior entre as universidades, as empresas e os parques tecnológicos. Existe um ambiente dinâmico com muitas interfaces e isso está se intensificando”, analisa Tundisi. Ele afirma que é papel de sua secretaria apoiar e estimular esse processo, por meio da articulação, junto a agências financiadoras, de instrumentos de apoio direto e indireto às empresas nascentes.

O secretário revela, ainda, que tem notado uma transformação marcante no município: “São Carlos está começando a mudar fundamentalmente o eixo de desenvolvimento tecnológico. Ela está passando de uma cidade com empresas voltadas à construção de hardware para um município que atrai empresas de desenvolvimento de software, contexto no qual as startups estão inseridas”. O secretário acredita que, se esse novo mercado de startups se consolidar em São Carlos, não há dúvidas de que será um fator de atração para a chegada de outras empresas à cidade. Serão elas capazes de criar aqui um novo Vale do Silício? Para essa pergunta, nenhuma startup ainda encontrou a resposta.


“Queremos que uma fração de nossos estudantes esteja disposta a ser geradora de riqueza”


Como coordenador da Agência USP de Inovação, Vanderlei Bagnato acredita que a inovação é um dos caminhos para que a Universidade – tradicionalmente uma grande consumidora de recursos – passe a contribuir para a geração de riqueza. Na opinião do professor, incentivar os alunos a criarem suas próprias empresas é uma das formas de se fazer isso. Na entrevista a seguir, ele explica como a Agência USP de Inovação tem atuado em prol das empresas nascentes, reconhecendo que a Universidade ainda é omissa e morosa no que diz respeito a essas iniciativas.

Recém-eleito como membro da prestigiada Academia Americana de Ciências (National Academy of Science, NAS), Bagnato também coordena o Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (Cepof), sediado no Instituto de Física de São Carlos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiados pela FAPESP. Ele é o segundo brasileiro a ter alcançado a façanha de fazer parte da NAS, nesse caso, especificamente devido aos relevantes trabalhos desenvolvidos na área de átomos frios, pesquisa em ciências da vida e programas de difusão de ciências. 

Como a Universidade pode contribuir de forma mais efetiva para a inovação e o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro?

Para que a inovação aconteça, é preciso alguns ingredientes. Normalmente, ela começa com uma ideia que precisa ser provada. A seguir, tem que se demonstrar que aquela ideia é capaz de ser utilizada. é o que chamamos de protótipo. Depois, é hora de mostrar que a ideia pode ser transformada em um produto e, por último, é preciso provar que ela pode chegar ao mercado. Essa é a escala da inovação, já que sem produto, sem algo que atinja o mercado, a inovação é manca. Por isso, toda inovação pressupõe a existência de algo que vá contribuir com a economia utilizando conhecimento, novas técnicasou conceitos. O problema é que não é toda a ideia que chega ao final desse processo. Então, é necessário um ambiente exploratório, onde milhares e até milhões de ideias sejam introduzidas e, certamente, vai sobreviver aquela que tem todas as características e potencialidades de ser um sucesso no mercado. E quem é capaz de ter esse volume de ideias? Ora, a universidade. Portanto, ela tem um papel importante em todo o ciclo de inovação porque é onde se exploram muitas ideias e há uma grande chance de se alcançarem novas aplicações, novos conceitos, e de chegarmos às chamadas inovações tecnológicas. Nós, aqui na Universidade, somos grandes consumidores de recursos públicos. A inovação é uma dessas oportunidades de colocarmos um “pezinho” do lado de quem produz, de quem contribui para criar recursos que nós mesmos vamos consumir. 

Qual o papel da Agência USP de Inovação nesse contexto? Que tipo de atividades são realizadas para que se promova a inovação? 

É extremamente importante que a Universidade organize a rotina de uso do conhecimento para transformá-lo em inovação. O que temos tentado fazer na Agência USP de Inovação é criar o hábito rotineiro de aproveitar as ideias e explorar aquelas que têm potencial de se transformar em inovação, ajudando a economia do país. O princípio básico é criar formas de deixar a nossa Universidade num estado tal que sempre iremos aproveitar as boas ideias que sirvam para o avanço tecnológico, criando mecanismos que permitam transferir esse conhecimento para que ele chegue, de fato, ao setor produtivo. E contribua com a economia, com produtos e com a nação, ou mesmo com a solução de problemas da nossa sociedade. Desenvolvemos um leque muito grande de atividades, há em torno de 50 iniciativas: palestras, olimpíadas de inovação, cursos de empreendedorismo para estudantes, apoio à propriedade intelectual dos docentes e pesquisadores, empresa júnior de inovação, atração de empresas para utilizar a nossa Universidade.

Podemos afirmar, então, que existe um grande interesse da Agência USP de Inovação em estimular os alunos a criarem suas próprias empresas?

Nós queremos que uma fração dos nossos estudantes esteja disposta a ser geradora de riqueza, não procuradores de emprego. Então, uma das maneiras de fazer isso é através da formação de empresas. Temos ajudado os alunos que estão dispostos a formar seus próprios negócios indicando como elaborar um projeto para dar início às atividades, licenciando a propriedade intelectual a custo quase zero e também oferecendo uma formação básica, ensinando como se deve conduzir uma empresa nascente. Por isso, disponibilizamos cursos optativos de empreendedorismo e inovação tecnológica num ambiente acadêmico.

A Agência possibilita que se registre uma patente por um preço simbólico?

Sim. Mas o importante não é só tirar a patente. É fundamental que essa patente tenha um valor no mercado. Senão, ela é um prejuízo, não um benefício. O problema é que a clientela brasileira para tecnologia ainda é muito incipiente. Então, estão usando como indicadores de progresso o número de patentes concedidas. Esse é um tipo de indicativo manco, porque não interessa o número de patentes que eu tenho na minha gaveta, mas quantas viraram riqueza. Ou seja, o que tem relevância é o número de patentes que se transformaram em produtos. 

Na sua opinião, o que falta à Universidade para termos um ambiente mais favorável à inovação e à criação de novas empresas?

Em primeiro lugar, a inovação tecnológica não substitui a ciência básica. A inovação é complementar, acontece além da relevância científica. Se você não tiver os pilares que sustentam a inovação, ela não acontece. Tanto é que as grandes instituições inovadoras do mundo são também grandes instituições de pesquisa: Cambridge, MIT, Harvard, Oxford. Só agora o Brasil começou a atingir um estado de produção científica em que é possível pensar na inovação de uma forma mais séria. Não existe milagre, épreciso tempo e continuidade no processo de investimento em ciência e tecnologia. Sem infraestrutura e pessoas qualificadas, ninguém desenvolve tecnologia. É muito comum as universidades conversarem só entre elas sobre inovação, mas têm que conversar com o mundo exterior. 

Como podemos estimular mais a inovação?

Não é estimular. É dar relevância à ciência que se faz. Na sociedade, há cada vez menos espaço para quem faz ciência que não gera nenhum avanço do conhecimento, da cultura, do patrimônio científico da nação e não contribui com o setor produtivo. Em nenhum sistema é possível termos professores em tempo integral que só dão aula, sem orientar alunos e realizar projetos de pesquisa. Não podemos acomodar uma massa que se diz intelectual e não contribui para o avanço do conhecimento, para a preservação do conhecimento nem para a inovação. Um pouco da falta de fôlego em inovação tecnológica das unidades da USP vem do fato dos dirigentes gastarem todo seu tempo administrando. Você toma cinco vezes a mesma decisão em diversas instâncias, em vez de tomá- -la somente uma vez. Essa visão tem que mudar. Toda a Universidade de São Paulo deve passar por um choque de gestão para que possa acordar. Porque senão ela vai falir. Aliás, já está dando os primeiros sinais. 

Em relação especificamente aos estudantes de graduação e pós-graduação, há algo que pode ser feito com eles para estimular o empreendedorismo?

Sim, pois a Universidade ainda é omissa e morosa no que diz respeito a essas iniciativas empreendedoras. Existe um provérbio muito válido que diz assim: de nada vale a pregação sem o exemplo do pregador. Enquanto os professores da USP não praticarem inovação, como irão transmitir isso aos alunos? Toda a ideia da pesquisa na Universidade está calcada no princípio de que devemos ter experiência para ensinar. Como você pode dar uma aula sobre empreendedorismo sem nunca ter entrado em uma empresa, nunca ter vivido nesse ambiente? Estou cheio de ver teóricos da inovação. A que isso leva? Ao fracasso. Só que a própria constituição do Estado, do funcionarismo público, enxerga determinadas iniciativas como proibitivas. Por exemplo, um docente não pode participar de uma empresa com a qual ele colabore. O problema todo é que a falta de regra e a falta de honestidade fazem com que tudo seja duvidoso. No exterior não é assim. Afinal, não é dessa forma que o mundo movimenta as suas engrenagens na inovação tecnológica. O pessoal tem que entender que é muito pior o funcionário público que consome recursos públicos sem dar nada em troca do que o funcionário público que, além de consumir, contribui para a sociedade. O cientista brasileiro ainda se acha desobrigado com essa sociedade. Isso é notável na estrutura das universidades públicas brasileiras. 

De onde vem esse ranço que existe entre a Universidade e os setores produtivos, essa concepção de que esses dois lados não podem se misturar?

Vem do colonialismo e do fato de que o cientista acha a sua ciência superior a qualquer necessidade da sociedade. Todas as universidades latinas são assim. É diferente se você analisa as instituições norte-americanas, europeias e alemãs. Por exemplo: o ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2005, Theodor Hänsch, foi também o ganhador do prêmio alemão de inovação tecnológica. Ele ajudou uma empresa. E isso é um orgulho para a Alemanha. Aqui seria uma perversão. Eu não estou querendo ser agressivo com a Universidade. É que se você não identifica o seu problema, você não muda o seu status. Há um outro provérbio que diz: a loucura consiste em fazer a mesma coisa e achar que os resultados serão diferentes. Apesar disso, acho que a USP é a melhor Universidade da América Latina, e, certamente, uma das maiores e melhores do Hemisfério Sul. É uma referência e tem que realmente se preocupar em estabelecer os novos referenciais de pesquisa, de conduta, de contribuição para a sociedade. E a inovação passa por tudo isso.

Há algum diferencial em São Carlos quando tratarmos dessa temática do empreendedorismo e da inovação?

São Carlos é uma cidade que antecedeu as iniciativas de inovação tecnológica no ambiente acadêmico. Há 30 anos, no campus da USP em São Carlos já se formavam empresas, principalmente dentro do Instituto de Física, onde nasceu a primeira fundação de apoio à tecnologia, o ParqTec. Isso aconteceu muito antes do governo e das agências de fomento começarem, institucionalmente, a se preocupar com a inovação. Como a cidade foi pioneira nessa questão, aprendeu, por experiência própria, que algumas coisas funcionam bem e outras não. Hoje, o parque de óptica de São Carlos é o maior do Hemisfério Sul, agrega cerca de 50 empresas da área. A grande mudança que noto é que, agora, a informação está muito acessível e tem permitido que as pessoas contemplem horizontes que antes não eram possíveis.




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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Equipe da USP São Carlos participa da copa do mundo de futebol de robôs

Competição internacional que começa neste sábado une futebol e inteligência artificial

Robôs disputam a categoria Small Size

Uma semana após a final da Copa do Mundo da FIFA, quem entra em campo são os robôs: o Brasil receberá pela primeira vez uma edição da RoboCup, o maior evento de robótica do mundo. A competição será realizada de 19 a 25 de julho em João Pessoa-PB. A equipe Warthog Robotics, formada por alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), está entre os times que representarão o Brasil na competição.

O campeonato reúne equipes representadas por universidades de 45 países, que têm como objetivo vencer partidas de futebol com robôs autônomos e livres de controles remotos. As regras são as mesmas do futebol convencional: dois tempos, chutes, marcação de gols, de faltas e até cobrança de lateral. Os jogos são observados por um juiz humano, muitas vezes com o auxílio de um juiz robô. 

A competição de futebol é dividida em cinco categorias principais. A equipe Warthog disputará a categoria Small Size, uma das mais antigas da RoboCup e que conta com 27 times, 5 deles brasileiros. Nessa modalidade seis robôs em cada time, cada um medindo até 18 centímetros de diâmetro e 15 de altura, jogam com uma bola de golfe. 

Integrantes do Warthog: histórico vitorioso

Além das disputas futebolísticas, o evento traz também outras categorias, como a Rescue, onde são apresentados robôs projetados para substituir humanos em arriscadas situações de resgate, e a Home, em que os robôs desempenham atividades domésticas. A programação conta ainda com oficinas voltadas para professores da rede pública, palestras e um simpósio para apresentações de trabalhos acadêmicos.

Histórico vitorioso - O Warthog Robotics tem tradição em competições deste tipo. O time já participou de edições anteriores da RoboCup na Holanda, México e Turquia. Já foi campeão brasileiro e latino-americano na categoria Very Small Size, e ocupou o pódio por diversas vezes em outras categorias. O Warthog surgiu em 2011 a partir da fusão dos dois únicos grupos de futebol de robôs da USP, o USPDroids (do ICMC) e o GEAR (da EESC). A união trouxe ao grupo fortalecimento no cenário nacional e internacional de robótica. 

Robôs em São Carlos - Em outubro, será a vez da cidade de São Carlos ser a anfitriã dos cientistas e seus robôs. A USP de São Carlos sediará a Joint Conference on Robotics and Intelligent Systems, um conjunto de competições e eventos científicos que reunirá pesquisadores das áreas de ciências de computação, engenharia elétrica, mecatrônica e afins. Dentre os eventos, estão a Latin American Robotics Competition (LARC), a Competição Brasileira de Robótica e a Olimpíada Brasileira de Robótica.


Informações:
Site da Rocoup: www.robocup2014.org
Assessoria de Comunicação do ICMC: Tel.: (16) 3373-9666 / comunica@icmc.usp.br

Defesas e qualificações da semana - 21 a 25 de julho


Qualificação de Mestrado em Ciências de Computação e Matemática Computacional
Recuperação de formas tridimensionais utilizando descritores de séries temporais
Aluno: Rafael Umino Nakanishi
Orientador: Afonso Paiva Neto
Quando: sexta-feira, 25 de julho, às 10h
Onde: Sala 3103
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Defesa de Doutorado em Matemática
Global solvability of systems on compact surfaces
Aluno: Giuliano Angelo Zugliani
Orientador: Adalberto Panobianco Bergamasco
Quando: sexta-feira, 25 de julho, às 11h
Onde: Sala 3002
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Mais informações:
Agenda de defesas e qualificações
Serviço de Pós-Graduação do ICMC
Tel. (16) 3373-9638
posgrad@icmc.usp.br

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Graduandos podem inscrever projetos independentes, de iniciação científica e tecnológica até 24 de julho

No dia 22 de agosto acontecerá no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) a primeira edição do Workshop de Iniciação Científica, Tecnológica e Projetos Independentes (WICTπ). O evento é parte da programação da 17ª Semana da Computação, e será realizado nas dependências do ICMC, no campus USP de São Carlos. As apresentações terão início a partir das 8h30 para a comunidade do Instituto e a partir das 10h30 para alunos do ensino médio. 

O WICTπ é uma extensão do antigo Workshop de Iniciação Científica e Tecnológica (WICT), que era voltado apenas para os projetos de iniciação científica realizados na universidade. O novo formato do evento visa os inúmeros estudantes que têm projetos independentes em paralelo com a graduação e a pós-graduação.

No WICTπ os estudantes têm a oportunidade de mostrar seus projetos para toda a comunidade universitária por meio de pôsteres e apresentações orais. Para os espectadores, é possível conhecer algumas das pesquisas feitas no Instituto. Serão abordadas temáticas relacionadas à computação e à tecnologia, como aplicativos, jogos eletrônicos e robótica.

Submissão de trabalhos - Para participar do WICTπ, basta estar matriculado em qualquer curso de graduação ou pós-graduação. Os alunos interessados devem submeter seus trabalhos até o da 24 de julho por meio do site semcomp.icmc.usp.br/17/wict. Os trabalhos aceitos serão publicados nos anais do evento e os melhores serão premiados.

Os artigos podem ser submetidos em duas trilhas: Iniciação Científica e Tecnológica (resultados de projetos de pesquisa realizados em nível de iniciação científica, iniciação tecnológica, ensinar com pesquisa, estágio em pesquisa, trabalho de conclusão de curso ou outro projeto realizado durante a graduação) ou Projetos Independentes (projetos de qualquer natureza em computação).

Mais informações no site do evento: semcomp.icmc.usp.br/17/wict



ICMC abre concurso para Livre-Docente


Estão abertas, de 17 a 31 de julho, as inscrições para o concurso destinado à obtenção de título de Livre-Docente no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. O edital contempla os seguintes departamentos e áreas do conhecimento:  
  • Departamento de Matemática (SMA): Análise; Álgebra Comutativa e Geometria Algébrica; Topologia e Singularidades;
  • Departamento de Ciências de Computação (SCC): Ciências de Computação; 
  • Departamento de Matemática Aplicada e Estatística (SME): Otimização; Matemática Computacional; Estatística e Probabilidade; Métodos Analíticos em Física-Matemática; Sistemas Complexos;
  • Departamento de Sistemas de Computação (SSC): Sistemas de Computação.
As inscrições podem ser feitas pessoalmente ou por procuração na Assistência Acadêmica do ICMC, situada à Avenida Trabalhador São-Carlense, 400, no campus da USP em São Carlos. Para obter mais informações sobre a documentação exigida, os prazos e as datas das provas, consulte o edital ATAc/ICMC-USP 042/2014 disponível em www.icmc.usp.br/e/75c05.


Mais informações
Assistência Acadêmica do ICMC
Tel.: (16) 3373-8109
sacadem@icmc.usp.br

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ICMCotidiano: nova edição mostra o impacto do ICMC na criação de startups em São Carlos


Empreendedorismo é o tema que permeia a edição número 104 do ICMCotidi@no, revista trimestral do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. A publicação traz como destaque o impacto do ICMC na criação de aplicativos ou empresas da área de tecnologia, que fica cada dia mais evidente quando analisamos o efervescente cenário são-carlense de startups. O assunto estende-se às páginas do “Abre Aspas”, que traz uma entrevista com o coordenador da Agência USP de Inovação, Vanderlei Bagnato.

As 32 páginas da nova edição trazem, ainda, matérias sobre os principais eventos, visitas e pesquisas realizadas Instituto. Um dos destaques é a editoria "Talentos", que mostra o fruto da união entre a sensibilidade do fotógrafo e a sagacidade do cientista Marinho Andrade. 

A nova edição está disponível em formato PDF no portal do ICMC, e também na plataforma Issuu. Se preferir a versão impressa, basta retirar seu exemplar na Assessoria de Comunicação do ICMC.

Mais informações, críticas e sugestões
Assessoria de Comunicação do ICMC
Tel. (16) 3373-9666
comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 15 de julho de 2014

Do mundo para São Carlos: ICMC atrai pesquisadores por meio do programa Ciência sem Fronteiras

O objetivo é fortalecer a cooperação científica com universidades da Espanha, Portugal e Japão
 

Três professores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foram contemplados com bolsas para pesquisadores visitantes nas últimas chamadas do programa Ciência sem Fronteiras (CsF). Com isso, eles atraem para São Carlos pesquisadores estrangeiros de talento, com destacada produção científica ou tecnológica.

As bolsas obtidas pelos professores do ICMC – Franklina Toledo, Regilene Oliveira e Seiji Isotani – fazem parte do projeto “Atração de Cientistas”, na categoria Bolsa Pesquisador Visitante Especial (PVE), e se referem a chamadas realizadas no segundo semestre 2013 e no primeiro semestre de 2014. O objetivo da iniciativa é oferecer apoio financeiro a projetos de pesquisa que visem, por meio do intercâmbio e da cooperação científica e tecnológica, promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência, da tecnologia, da inovação e da competitividade brasileiras.

Confira, a seguir, mais detalhes sobre os três projetos que cada pesquisador estrangeiro desenvolverá em São Carlos. 

José Fernando Oliveira (foto: FEUP)
Um aprimoramento nos processos industriais de corte – Durante o processo produtivo, um problema difícil do ponto de vista científico é o aproveitamento de matérias-primas submetidas a processos de corte. Trata-se de uma questão economicamente relevante para as empresas, com um importante impacto ambiental.

Com o objetivo de desenvolver modelos matemáticos e métodos computacionais para otimizar esse aproveitamento, a professora Franklina Toledo coordena um projeto para analisar especificamente o corte de peças irregulares. Nesse desafio, ela conta com o apoio da professora do ICMC, Marina Andretta, que é pesquisadora do projeto, e do professor visitante José Fernando da Costa Oliveira, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), de Portugal.

Oliveira esteve pela primeira vez no ICMC em 2010, quando recebeu financiamento do Governo Europeu e permaneceu aqui por 15 dias. Em 2013, esteve por mais dois meses no Instituto como professor visitante pela FAPESP e, em seguida, o atual projeto foi aprovado pela CAPES. Neste ano, devido à bolsa de pesquisador visitante, ele ficou no ICMC todo o mês de maio e retornará em 2015 e 2016.

De nosso dia a dia para a pesquisa em matemática - O fluxo de corrente elétrica em um circuito, a dissipação de calor em um objeto, a propagação das ondas sísmicas, o aumento e diminuição das populações, o movimento de fluidos, a geração de imagem feita por uma tomografia e outros exames de diagnósticos médicos são fenômenos de nosso dia a dia que podem ser descritos (ou modelados) por uma ou mais equações matemáticas envolvendo uma taxa de variação. Essas equações são conhecidas como sistemas de equações diferenciais. Para compreender e investigar problemas dessa natureza, podemos encontrar a solução explícita do conjunto de equações (o que acontece em raras ocasiões) ou empregar ferramentas matemáticas que nos permitam a descrição qualitativa da solução desejada. 

Jaume Llibre (foto: Unicamp)
A linha de pesquisa conhecida como teoria qualitativa das equações diferenciais ordinárias tem por objetivo a investigação de ferramentas matemáticas que viabilizem a investigação de fenômenos modelados por equações diferenciais ordinárias através do estudo geométrico-qualitativo das equações envolvidas. Para contribuir com as pesquisas realizadas no ICMC dentro dessa linha de investigação, a professora Regilene Oliveira, pesquisadora responsável pelo projeto, contará com a colaboração do professor visitante Jaume Llibre, da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), na Espanha. Llibre é pesquisador líder do grupo de sistemas dinâmicos da UAB e sua primeira visita ao Brasil pelo projeto será em setembro deste ano, quando ficará 30 dias no ICMC. Outras visitas estão previstas para 2015 e 2016.

Segundo a pesquisadora, o projeto aprovado permitirá manter e intensificar a relação de colaboração existente entre o grupo brasileiro de teoria qualitativa e o grupo espanhol liderado pelo professor Llibre, dando ainda oportunidade aos pesquisadores mais jovens de se fortalecerem e realizarem estágio junto à UAB. 

Além do apoio financeiro para visitas do professor Llibre ao Brasil, foram concedidas três bolsas de doutorado sanduíche, três bolsas de pós-doutorado no exterior e organizadas diversas missões de trabalho para Espanha beneficiando os pesquisadores brasileiros envolvidos na pesquisa. Ao todo, 32 pessoas participam do projeto, entre pesquisadores e alunos de pós-graduação.

Um estudo sobre as tecnologias educacionais inteligentes – A área de computação aplicada à educação compreende, basicamente, a pesquisa e inovação sobre as técnicas, ferramentas e tecnologias da computação que podem ser utilizadas para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Dentre as principais linhas de pesquisa realizadas no ICMC, nessa área, está a formação de grupos de aprendizagem. 

Isotani e Mizoguchi
Para apoiar as pesquisas realizadas nesse tema, o docente do ICMC Seiji Isotani contará com o apoio do professor Riichiro Mizoguchi, da Universidade de Osaka, no Japão. A primeira visita de Mizoguchi ao ICMC está marcada para setembro deste ano, quando ele passará um mês no país. 

“Internacionalmente reconhecido na área de tecnologias educacionais inteligentes e ontologias, Mizoguchi irá trabalhar conosco para desenvolver ferramentas a fim de auxiliar a aprendizagem personalizada em grupo”, contou Isotani.

Ainda segundo Isotani, a formação de grupos efetivos de aprendizagem não pode ser realizada aleatoriamente, mas sim a partir da análise de vários critérios. Por exemplo, há muitos pesquisadores que enfatizam a necessidade de combinar, em um mesmo grupo, alunos com níveis de conhecimento variados, pois, com essa heterogeneidade, podem ser alcançados melhores resultados de aprendizagem. Exemplos de outras questões que devem ser levadas em conta na hora de formar um grupo são os aspectos culturais, socioeconômicos, religiosos e motivacionais dos participantes.

Nesse contexto, o desafio é formalizar e detectar quais são essas características e suas relações que possibilitam a formação dos grupos efetivos de aprendizagem. A partir da identificação desses aspectos, os pesquisadores buscam construir algoritmos – sequências de comandos passados para um computador – para que esses grupos sejam formados automaticamente da melhor forma possível.


Texto: Ronaldo Castelli – Assessoria de Comunicação ICMC/USP


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Assessoria de Comunicação do ICMC
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Defesas e qualificações da semana - 14 a 18 de junho



Defesa de Doutorado em Matemática
Sobre números das medidas SRB para endomorfismos da superfície
Aluna: Pouya Mehdipour Balagafsheh
Orientador: Ali Tahzibi
Quando: quarta-feira, 16 de julho, às 15h
Onde: Sala 3002
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Defesa de Doutorado em Matemática
Teorema de Borsuk-Ulam para formas espaciais esféricas
Aluna: Marjory Del Vecchio dos Santos
Orientador: Mauro Flávio Spreafico
Quando: sexta-feira, 18 de julho, às 14h
Onde: Sala 3002
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Agenda de defesas e qualificações
Serviço de Pós-Graduação do ICMC
Tel. (16) 3373-9638
posgrad@icmc.usp.br

Simpósio de Matemática para a Graduação recebe inscrições até 15 de agosto


A 17ª edição do Simpósio de Matemática para a Graduação (SiM) acontecerá no Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, no período de 26 a 28 de agosto de 2014. Voltado para alunos de graduação da área, o evento visa discutir temas como pós-graduação, pesquisa e mercado de trabalho, colocando-os em contato com outros acadêmicos e profissionais. 

"Esse contato com pesquisadores do ICMC e de outras instituições é uma forma de despertar nos alunos, desde o início da graduação, o interesse pela pesquisa. Esse é um dos objetivos do SiM", conta o professor Everaldo Bonotto, da comissão organizadora. A programação inclui várias palestras nas áreas de matemática pura, educação matemática, matemática aplicada e estatística. 

Os interessados em participar podem efetuar sua inscrição com desconto até 15 de agosto, pelo formulário disponível no site do evento (www.icmc.usp.br/e/b896c). A taxa é de R$ 25,00. Também será possível se inscrever pessoalmente no dia do evento, mediante o pagamento de taxa de R$ 30,00.

O SiM é promovido conjuntamente pelos Departamentos de Matemática (SMA) e de Matemática Aplicada e Estatística (SME) do ICMC. O evento, que faz parte de um programa de valorização do ensino na graduação e das suas relações com atividades de extensão, também foca na divulgação da área de matemática no Brasil, especificamente, na Região Central do Estado de São Paulo. 


Mais informações:
Site do evento: http://sim.icmc.usp.br/

Seção de Eventos do ICMC
Tel.: (16) 3373-9662

terça-feira, 8 de julho de 2014

Evento internacional discute Teoria de Singularidades no ICMC

ICMC promove o tradicional workshop entre os dias 27 de julho a 8 de agosto, reunindo pesquisadores brasileiros e estrangeiros


Reunir os principais pesquisadores do mundo na área de Teoria de Singularidades, Geometria e Aplicações é o objetivo do International Workshop on Real and Complex Singularities, congresso científico promovido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. A décima terceira edição do evento acontecerá no ICMC de 27 de julho a 8 de agosto de 2014, e será dividida em duas etapas. 

Na primeira semana, de 27 de julho a 1º de agosto, será realizado o workshop internacional, onde serão celebrados os 60 anos da professora Maria del Carmen Romero Fuster, da Universidade de Valência, Espanha. Na segunda semana, de 4 a 8 de agosto, será realizada a School on Singularity Theory, quando serão oferecidos quatro mini-cursos e duas palestras de divulgação, proferidos por pesquisadores expoentes em cada área sobre tópicos da atualidade, destinados principalmente aos jovens pesquisadores e alunos de pós-graduação. No mesmo período, será realizado o Real and Complex Singularity Days of Young Researchers, com aproximadamente trinta palestras ministradas por estudantes e jovens, além de uma sessão de pôsteres.

A taxa para inscrição no evento é de R$ 270,00 para pesquisadores e pós-doutorandos e R$ 170,00 para alunos de graduação, mestrado ou doutorado. A programação completa e demais informações podem ser obtidas no site www.worksing.icmc.usp.br.

Sobre o evento - International Workshop on Real and Complex Singularities acontece a cada dois anos no ICMC, e teve sua primeira edição em 1990. O workshop consolidou-se internacionalmente, reunindo os principais pesquisadores de praticamente todos os grupos de pesquisa da área, tanto do Brasil quanto do exterior. A décima segunda edição, realizada em 2012, contou com 165 participantes, sendo 73 estrangeiros e 92 brasileiros.

Sobre a homenageada - A professora Maria del Carmen Romero Fuster é um dos principais nomes na área de Geometria Genérica, área de interface da Geometria Diferencial e da Teoria de Singularidades. Sua interação com o grupo de Singularidades do ICMC começou em 1985, poucos anos depois do seu doutorado, quando ela visitou o Instituto pela primeira vez. De 1987 a 1989, foi professora do Departamento de Matemática do ICMC. Professora Titular da Universidade de Valencia, ela é a líder do grupo de Singularidades daquela universidade. Nesses quase 30 anos de colaboração científica com pesquisadores brasileiros, orientou ou co-orientou 6 alunos de doutorado que são atualmente professores em diversas instituições brasileiras, e publicou cerca de 25 artigos em colaboração com pesquisadores brasileiros.


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segunda-feira, 7 de julho de 2014

ICMC lança programa inédito para incentivar ações de extensão universitária

Edital lançado hoje fornecerá auxílio complementar de até R$ 2 mil aos grupos de pesquisa para a realização das atividades de extensão, estimulando a cultura da socialização do saber acadêmico

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Criar um novo programa para identificar e reforçar as ações de extensão realizadas no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) a USP, em São Carlos. É com esse objetivo que a Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx) do Instituto lança nesta segunda-feira, 7 de julho, o edital do Programa de Incentivo às Ações de Extensão do ICMC (icmc.usp.br/e/1bf45). 

Os grupos de pesquisa que inscreverem seus projetos no edital poderão receber um auxílio complementar de até R$ 2 mil para realizarem suas atividades de extensão. “Estamos buscando estimular a cultura da socialização do saber acadêmico, oferecendo uma oportunidade para que os pesquisadores levem seus projetos ao conhecimento da sociedade”, explica a presidente da CCEx, Solange Rezende.

O edital estabelece três possíveis modalidades de atividades: o pesquisador poderá produzir materiais educacionais ou atuar em prol da divulgação científica (apoiando o setor de comunicação na produção de reportagens, por exemplo, ou realizando palestras e cursos) e da produção de materiais de divulgação (como folders e banners). “O Programa está disponibilizando, ainda, um estagiário da área de comunicação, especialmente designado para apoiar os pesquisadores na realização dessas atividades”, completa Rezende.

Entre os projetos inscritos, serão selecionados seis para receber até R$ 2 mil e investir nas ações de extensão. As inscrições devem ser realizadas por meio de formulário eletrônico (icmc.usp.br/e/a98d4). Podem se candidatar grupos de pesquisa ou grupo de pesquisadores do ICMC, preferencialmente aqueles que já possuam um projeto de pesquisa aprovado por uma agência de fomento. Grupos ainda não consolidados ou sem histórico de financiamentos prévios expressivos também poderão se inscrever, desde que a proposta ofereça perspectivas inovadoras e possibilidade de sucesso.

Segundo Rezende, muitos projetos do ICMC que já chegaram ao conhecimento da sociedade e da mídia possibilitaram aos pesquisadores envolvidos estabelecer novas parceiras – com empresas e universidades – expandindo os potenciais resultados do projeto e as possibilidades de financiamento. “Vale lembrar que essa repercussão gera resultados que podem ser registrados no Currículo Lattes dos pesquisadores”, reforça a professora.

Para estimular a participação no novo Programa, foi desenvolvida uma campanha de comunicação interna com o slogan “De olho na extensão”. Um e-mail marketing para gerar expectativa no público-alvo foi lançado na última quarta-feira, 2 de julho (veja a seguir). Outra peça, enviada nesta segunda-feira, 7 de julho, marcou o início da campanha, que contará com outros materiais de reforço a fim de chamar a atenção da comunidade para a relevância da extensão, uma atividade-fim da Universidade tão relevante quanto pesquisar e ensinar.


Mais informações
Edital do Programa: icmc.usp.br/e/1bf45
Formulário eletrônico para inscrição: icmc.usp.br/e/a98d4

Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC
E-mail: ccex@icmc.usp.br
Telefone: (16) 3373.9146

Palestras da semana - 7 a 11 de julho


Colóquio de Matemática
Simulation of complex timedependent processes
Palestrante: Rolf Jeltsch (Seminar for Applied Mathematics, ETH Zurich)
Quando:  quinta-feira, 10 de julho, às 16h
Onde: Auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano
Clique para ver o resumo
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Mais informações
Agenda de eventos do ICMC: www.icmc.usp.br/Portal/Eventos
Seção de Eventos
Tel. (16) 3373-9622
eventos@icmc.usp.br

Tecnologia inovadora desenvolvida no ICMC contribui para combater dengue, malária e pragas agrícolas

Sensor e armadilha inteligentes criados por pesquisadores possuem baixo custo e podem ser aplicados para resolver problemas da saúde pública e da agricultura


Como a inteligência artificial pode ajudar na luta contra insetos que causam doenças e pragas agrícolas? Uma pesquisa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, contribui para responder essa questão. Os pesquisadores desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de identificar quantos e quais mosquitos estão em determinada área por meio do reconhecimento automático das espécies, a fim de combater os efeitos nocivos dos insetos.

Financiada atualmente pela FAPESP, a pesquisa resultou no desenvolvimento de dois principais produtos: um sensor e uma armadilha, que devem contribuir para a saúde pública e a agricultura, combatendo pragas agrícolas e insetos vetores de doenças em determinada região, sem prejudicar espécies benéficas, como abelhas, por exemplo. A tecnologia desenvolvida possui, ainda, potencial para ser amplamente comercializada, devido ao baixo custo de produção.

Batista: "Sensor identifica onde o inseto está em tempo real"
A armadilha representa um avanço tecnológico em relação às que existem hoje. “Para medir a densidade dos insetos que há numa região, por exemplo, já existe uma armadilha não seletiva, ou “armadilha adesiva”, como é mais conhecida. O problema é que ela acaba capturando tudo, inclusive insetos que não precisariam ser capturados”, contou o coordenador da pesquisa, Gustavo Batista.

Os pesquisadores acreditam que essa tecnologia seja eficaz, principalmente, no combate aos mosquitos de gênero Anopheles, vetores da malária, e aos mosquitos do gênero Aedes, vetores da dengue e da febre amarela. “Durante as campanhas de prevenção da dengue, é comum os agentes percorrerem bairros nos quais as pessoas foram diagnosticadas com dengue, entrando nas casas em busca de locais em que os mosquitos podem se reproduzir ou com a finalidade de pulverizar inseticida”, explicou Batista. “Entretanto, existe um grande hiato entre o momento em que a pessoa foi contaminada pela doença e o momento em que a campanha é feita. Esse hiato pode ser de apenas algumas semanas, mas isso representa mais do que o tempo de vida de um mosquito adulto. A vantagem do sensor é que ele permite identificar onde o inseto está em tempo real”, completou o professor.


Como funciona o sensor


Como podemos observar na figura acima, o sensor a laser usado para identificação dos insetos funciona da seguinte forma: ao atravessar a luz emitida pelo laser, as asas do mosquito impedem, parcialmente, a passagem da luz e, por estarem em movimento, causam pequenas variações, que são captadas pelos fototransistores. Essas variações são filtradas, amplificadas e gravadas por meio de uma placa eletrônica de circuito.

Cada espécie analisada produz um sinal ligeiramente diferente da outra, o que possibilita aos pesquisadores compararem, computacionalmente, os sinais de cada uma, identificando as diferentes espécies. Os sinais obtidos pelo sensor são bastante similares a sinais de áudio. A diferença é que os dados obtidos não são originários de variação nas ondas sonoras, mas sim da variação da luz. A vantagem disso é que o sensor é totalmente surdo para qualquer agente que não atravesse a luz do laser, portanto, não sofre interferência externa, como sons de pássaros, carros ou ruído dos aviões.

Um fator adicional importante do sistema é que sua produção tem um custo muito baixo. “É possível produzir o sensor investindo-se cerca de R$ 30, por isso, o equipamento pode ser amplamente comercializado”, disse o professor.


Além dos mosquitos da dengue e da malária, a pesquisa também coletou dados e criou sistemas de reconhecimento automático para as seguintes espécies: mosca-de-banheiro, mosca-da-fruta, mosca doméstica, joaninha, besouro, abelha, entre outros. O trabalho mostrou, ainda, que é possível diferenciar mosquitos vetores de doenças dessas outras espécies com uma percentagem de acerto entre 98 e 99%.


Como funciona a armadilha inteligente


Primeiramente (1), o inseto precisa ser atraído para a armadilha. Batista explica que, para isso, pode-se usar um atrativo como o dióxido de carbono, substância capaz de atrair as fêmeas de mosquitos: “Quando um mosquito se aproxima da entrada do dispositivo, ele é puxado pelo fluxo de ar em direção ao sensor a laser, já que existe um pequeno ventilador acoplado à armadilha”.

Depois de entrar na armadilha (2), o inseto passa pela luz do laser emitida pelo sensor, tal como explicado anteriormente. A diferença é que, no caso da armadilha, há uma porta (3) que pode capturar o inseto ou deixá-lo sair, dependendo da avaliação que será feita pelo sensor (4).

“É o sensor que vai decidir se prende ou solta o inseto. Se o inseto fica preso, o ar o empurra para uma segunda câmara, onde é retido pelo papel adesivo”, completou o pesquisador. Dessa forma, na armadilha inteligente, ficam grudados no papel apenas os insetos desejados, o que possibilita estimar com facilidade sua densidade populacional.

Para tornar o sensor capaz de decidir qual espécie deve ser capturada e qual deve permanecer livre, é preciso empregar técnicas de aprendizado de máquina. Entra em campo a inteligência artificial. 

“O sensor pode classificar qualquer espécie de inseto, para isso é necessário que sejam coletados exemplos das espécies desejadas”, considerou o mestrando do ICMC, Diego Furtado Silva, um dos pesquisadores do projeto. Ele explica que, com esses exemplos, são obtidos dados sobre cada espécie, os quais fornecem um conhecimento prévio a respeito de como funciona o batimento das asas de cada uma. Assim, é possível desenvolver algoritmos (sequências de comandos em um computador), possibilitando ao sensor reconhecer quando é o momento de capturar uma espécie e quando é o momento de dispensá-la.


Iniciativa e resultados - A pesquisa teve início em 2011, quando o professor Batista estava fazendo seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos. Nessa época, o Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC) do ICMC estabeleceu uma parceria, que dura até hoje, com pesquisadores da universidade norte-americana.

Naquela época, o trabalho foi financiado pela FAPESP e pela Fundação Bill and Melinda Gates, cujo objetivo é apoiar pesquisas altamente inovadoras. Na ocasião, o objetivo da pesquisa era criar um sensor específico para os vetores da malária. Segundo dados da Fundação, a doença ocorre em cerca de 100 países em todo o mundo. Estima-se que 207 milhões de pessoas sofreram com a doença em 2012, e aproximadamente 627 mil morreram.

Hoje, ainda com financiamento da FAPESP, o trabalho conta com a colaboração da professora do ICMC Solange Rezende, além do professor da Universidade da Califórnia, em Riverside, Eamonn Keogh, e do fundador e presidente da Isca Technologies, Agenor Mafra-Neto. Também colaboraram para a pesquisa os seguintes alunos do ICMC: o doutorando Vinícius Souza, e os mestrandos Denis Reis, Cristiano Lemes e Luan Soares. Além dos doutorandos norte-americanos, Yanping Chen, Adena Why, Moses Tataw, Bing Hu e Yan Hao. 

Texto: Ronaldo Castelli – Assessoria de Comunicação ICMC/USP


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E-mail: comunica@icmc.usp.br
Telefone: (16) 3373.9666

Confira a repercussão desta notícia na Agência FAPESP: agencia.fapesp.br/19377

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Defesas e qualificações da semana - 7 a 11 de junho



Defesa de Doutorado em Ciências de Computação e Matemática Computacional
Simulação numérica direta de escoamentos sobre superfícies côncavas com transferência de calor
Aluno: Vinícius Malatesta
Orientador: Leandro Franco de Souza
Quando: segunda-feira, 7 de julho, às 9h
Onde: sala 3002
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Qualificação de Mestrado em Ciências de Computação e Matemática Computacional
Classificador de Kernels para otimização da relação consumo de energia e desempenho em plataformas de computação híbridas
Aluno: Alexandre Shigueru Sumoyama
Orientador: Vanderlei Bonato
Quando: quinta-feira, 10 de julho, às 14h
Onde: sala 3103
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Defesa de Doutorado em Ciências de Computação e Matemática Computacional
Estratégias de beacoming para comunicação em redes veiculares
Aluno: Roberto Sadao Yokoyama
Orientador: Edson dos Santos Moreira
Quando: sexta-feira, 11 de julho, às 9h
Onde: sala 3002
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Mais informações:
Agenda de defesas e qualificações
Serviço de Pós-Graduação do ICMC
Tel. (16) 3373-9638
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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Seminário de Teste de Software recebe inscrições

Elaine Weyuker
Tom Ostrand
O Centro de Competência em Software Livre (CCSL/ICMC) e o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAP-SoL) promovem o Seminário de Teste de Software, que ocorrerá no dia 11 de agosto, a partir das 9 horas, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 4 de agosto.

O evento terá a participação dos pesquisadores internacionais de Engenharia de Software Elaine Weyuker e Tom Ostrand, que ministrarão palestras e minicurso sobre previsões de falhas e testes para software. O seminário será proferido em inglês e é destinado para estudantes de graduação, pós-graduação da área, profissionais da indústria e demais interessados.

Weyuker fará, a partir das 9h30, a palestra Looking for Bugs in all the Right Places, que abordará previsões de falhas de sistema de sofware que são baseadas em características de código e de dados de histórico de falhas e de modificações.

A palestra Variations of the Fault Prediction Model ocorrerá a partir das 10h45 e será ministrada pelo pesquisador Tom Ostrand, que falará das variações para previsão de falhas no teste de software e de impactos sobre os resultados da previsão.

No período da tarde, das 14h30 às 16h, Weyuker e Ostrand ministrarão o mini-curso Learning to work together: Some stories, some issues, some solutions, que abordará formas de construção de casos de testes funcionais para software e diferentes perspectivas de pesquisadores e profissionais na tentativa de alinhar os objetivos de cada um dos grupos.

Confira a programação:

9:00 - Recepção e café
9:30 - Palestra - Looking for Bugs In all the Right Places (Elaine Weyuker)
10:45 - Palestra - Variations of the Fault Prediction Model (Tom Ostrand)
14:30h - 16h - Minicurso: Learning to work together: Some stories, some issues, some solutions (Elaine Weyuker e Tom Ostrand)

Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (bloco-6). O ICMC fica no Campus 1, Av. Trabalhador são-carlense, 400.

Para inscrições: icmc.usp.br/e/9932e

Sobre os palestrantes:

Tom Ostrand
Tom Ostrand has been a software researcher at AT&T Labs, Siemens Corporate Research, and Sperry Univac, and a member of the Computer Science Department of Rutgers University. He is presently a Visting Scholar at the Rutgers Center for Discrete Math and Computer Science. His research interests include software fault analysis and prediction, test generation and evaluation, and tools to aid software development and testing. 
Tom is a life senior member of the ACM, and a past Member-at-Large of the ACM/SIGSOFT Executive Committee. He has served as Program Chair and Steering Committee member of the International Symposium on Software Testing and Analysis, and of the PROMISE Conference on Predictive Models in Software Engineering. He co-chaired the industry track of the 2012 International Conference on Software Testing. Tom has served as associate editor of the Empirical Software Engineering journal and IEEE Transactions on Software Engineering. 

Elaine Weyuker
Elaine Weyuker is currently an independent consultant, having worked as a Distinguished Member of the Technical Staff at AT&T Labs, a Professor of Computer Science at the Courant Institute of Mathematical Sciences of NYU, a Lecturer at the City University of New York, a Systems Engineer at IBM, and a programmer at Texaco. Her research focuses on empirical software engineering and techniques to build highly reliable and dependable software. Much of her recent research involved designing techniques, building statistical models and developing a tool to automatically predict which files of large industrial software systems are most likely to contain bugs, for which she holds a patent. 
She is a member of the U.S. National Academy of Engineering, an IEEE Fellow, an ACM Fellow and an AT&T Fellow. She is the author of 170 refereed publications as well as several books and book chapters. Among her awards are the 2012 US President's volunteer service award, the 2010 ACM President's Award, the 2008 Anita Borg Institute Technical Leadership Award for Outstanding Research and Technical Leadership, the 2007 ACM SIGSOFT Outstanding Research Award, the 2004 IEEE Computer Society Harlan D. Mills Award, the Rutgers University 50th Anniversary Outstanding Alumni Award, the 2001 YWCA Woman of Achievement Award, and the 2004 AT&T Chairman's Diversity Award. She served as the chair of the ACM Council on Women in Computing (ACM-W) from 2004 - 2012 and has been a member of the Coalition to Diversify Computing's Executive Committee for many years.

Resumo das palestras e do minicurso:

Resumo da palestra Looking for Bugs in all the Right Places 
It would obviously be very valuable to know in advance which files in the next release of a large software system are most likely to contain the largest numbers of faults. To accomplish this, we developed negative binomial regression models and used them to predict the expected number of faults in each file of the next release of a software system. The predictions are based on code characteristics and fault and modification history data. This talk discusses what we have learned from applying the model to nine large industrial systems, each with multiple years of field exposure, ranging in size from several hundreds of lines of code, to millions of lines of code.
We will also discusses our success in making accurate predictions and some of the issues that had to be considered.

Resumo da palestra Variations of the Fault Prediction Model 
Although the Standard Model for fault prediction that is based on file size, prior code changes, prior code faults, age of the code, and language has performed very well for predicting fault-prone files, we have investigated several additions to the standard set of predictor variables. We built models that included the following variations:
- calling structure of the software system
- counts of the number of developers involved with the software
- fine-grained counts of changes made to the software.
This talk will describe these variations and their impact on the prediction results, as well as na attempt to assess the influence of individual programmers on the fault-proneness of files.

Resumo do mini-curso Learning to work together: Some stories, some issues, some solutions
Category-partition is a systematic way to construct functional test cases for software. A test engineer analyzes the system specification, and writes a formal test specification that is processed by a generator tool to produce test case descriptions. The test specification describes how to combine values of the software's input parameters and operating environment to form significant test cases.
Constraints can be inserted into the test specification in order to control the complexity and the number of generated test cases. Because the test specification is based on a system's desired functionality, it can be created before system design or coding begin, providing an independent check for errors and inconsistencies in the functional specs.
In addition, test cases can be created early and will be ready for execution as soon as the code is available. The category-partition approach is an example of a testing research project that successfully transitioned to industrial practice.
We will briefly discuss two other testing research projects and look at their trajectories and try to understand what project characteristics help ensure successful adoption by practitioners and what characteristics are less likely to lead to success. Finally we will look at the different perspectives of researchers and practitioners and try to highlight ways of aligning the goals of these two different groups.

Por Assessoria de Comunicação NAP-SoL