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terça-feira, 19 de junho de 2018

Aparelho portátil visa acelerar atendimento a gestantes em risco

Protótipo integra medidores de febre, pressão e batimentos cardíacos em um único dispositivo e poderá sugerir procedimentos às enfermeiras nos hospitais

Grupo de cinco estudantes da USP foi o vencedor da 1ª SancaThon

Uma solução para agilizar o atendimento a gestantes em situações de risco atendidas em hospitais. Essa é a ideia vencedora da SancaThon, a 1ª maratona de programação da USP em São Carlos, realizada entre os dias 8 e 10 de junho, e que desafiou os participantes a criarem alternativas para problemas da cidade em 31 horas. Para ajudar a combater a mortalidade de grávidas no município, cinco estudantes da Universidade criaram um sistema portátil capaz de unir medidores de febre, pressão e batimentos cardíacos em um único dispositivo.

Com base em um diagnóstico prévio a partir dessas medições, o sistema conseguiria sugerir a profissionais de enfermagem as melhores condutas para se tomar com relação às pacientes em risco. Com isso, o equipamento poderia propor, por exemplo, a verificação de possíveis infecções, hemorragias ou, dependendo do caso, o encaminhamento imediato da gestante ao médico que, por sua vez, seria alertado sobre a gravidade da situação.

Todos os dados coletados seriam disponibilizados automaticamente na nuvem de uma rede de hospitais, dispensando o preenchimento manual de formulários e, caso a paciente precisasse ser transferida para outro local, seria feita a comunicação de informações do prontuário entre os órgãos de saúde. O design do sistema ainda será elaborado e a expectativa é de que até o final do ano o produto esteja disponível no mercado.

“O maior diferencial do aparelho é justamente integrar todas essas funções, pois facilitará muito a vida do profissional, dando a ele orientações de forma inteligente. Em complicações na gravidez, a cada hora que passa, as chances de a gestante sobreviver podem diminuir bastante”, explica Vinicius Garcia, um dos integrantes do grupo vencedor e aluno do curso de Engenharia de Computação da USP, oferecido em conjunto pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC).

Protótipo passará por testes na Santa Casa de São Carlos

Nomeado de Our life, o equipamento, que deve custar em torno de R$ 2.000,00, será composto tanto por um software quanto por um hardware e, segundo Vinicius, não será preciso treinar os profissionais que irão utilizá-lo, pois a forma de medição atual não será alterada. Ele também conta que as ponteiras dos instrumentos hospitalares frequentemente quebram e, como o protótipo desenvolvido terá os principais medidores integrados, o risco de danos será menor, gerando economia aos hospitais. Também compuseram o grupo vencedor os alunos Gabriel Cerqueira, Alexandre Bellas, Laise Cardoso e Silva e o mestrando Leonardo Moraes.

Além do título da 1ª SancaThon, o trabalho também foi reconhecido pela Santa Casa de São Carlos: “Esse projeto é de grande impacto na saúde pública e, além de evitar mortes, poderá ajudar quem está no processo de assistência no pronto-socorro a acertar mais. Nas próximas semanas pretendemos iniciar alguns testes com a equipe de ensino e pesquisa do hospital”, afirma Daniel Bonini, superintendente da Santa Casa.

Programando na USP – A 1ª SancaThon contou com 39 integrantes, divididos em 9 equipes formadas por participantes de diversas universidades e instituições, que foram desafiados a desenvolver tecnologias. “Grande parte de nossos problemas é técnico, por isso, é preciso integrar o município com os cientistas das universidades. A partir dessa união, conseguiremos avançar a outros patamares”, conta José Galiza Tundisi, secretário de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos.

Jovens tiveram 31 horas para desenvolver soluções a problemas de São Carlos

Ele afirmou, ainda, que os melhores projetos da SancaThon poderão ser financiados, tanto pela Prefeitura, caso aprovados, quanto pelos Governos Estadual e Federal. “Tenho certeza de que São Carlos terá cada vez mais um sistema avançado de desenvolvimento científico e tecnológico e será exemplo no Brasil”, conclui.

Segundo Daniel Magalhães, professor da EESC e um dos organizadores do evento, a SancaThon superou as expectativas: “A participação dos grupos foi muito efetiva e a vivacidade com que os participantes trabalharam mostra que esse tipo de evento tem público e apelo. Já recebemos, inclusive, sugestões de temas para próximas edições de hackathons na USP”, conta o docente. Segundo ele, a Prefeitura de São Carlos se mostrou bastante empolgada com os projetos e demonstrou interesse em trabalhar para implantá-los na cidade.

Mas quem pensa que a SancaThon é importante apenas ao público que irá usufruir dos projetos desenvolvidos está engando. Isso porque os participantes da Maratona têm a oportunidade de desenvolver outras habilidades ao longo de uma iniciativa como essa: “A veia empreendedora é incentivada nos jovens estudantes que, com certeza, serão os responsáveis por transformar a sociedade. A experiência durante o evento é muito rica, eles ganham autoconfiança e ainda geram benefícios ao país”, diz o chefe-geral da Embrapa Instrumentação de São Carlos, João Naime.

Outros trabalhos também foram destaque na competição da USP. Em segundo lugar, ficou o projeto “μCare”, que trouxe a proposta de utilizar um sistema capaz de localizar, em tempo real, determinados equipamentos médicos dentro dos hospitais. A equipe idealizadora do trabalho foi composta por Pedro Jeronymo, Patrick Feitosa, Guilherme Momesso, Guilherme Prearo e Bruno Stefano, todos alunos do curso de Engenharia de Computação da USP em São Carlos.

Nove equipes participaram da maratona de programação da USP

Na terceira colocação ficou o projeto Calisto, no qual os integrantes da equipe propuseram uma solução para reduzir o tempo que os pacientes passam dentro de um ambulatório ou pronto-socorro. Para isso, os participantes criaram uma espécie de totem capaz de adiantar o processo de triagem. O equipamento também atuaria para ajudar aqueles que ainda não estão no hospital, marcando consultas, solicitando ambulâncias e indicando a farmácia mais próxima ao ser consultado sobre a disponibilidade de um remédio. A equipe é composta pelo autônomo Ricardo Ferreira e pelos alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Carlos Cunha, Iago Barbosa, Matheus Lima e Fernando Guisso.

Todos os grupos tiveram três minutos para apresentar seus trabalhos, dois minutos para demonstrações e outros dois para responder perguntas dos jurados. Confira todos os projetos apresentados neste link. As três primeiras equipes ganharam kits DragonBoard 410c e Linkspirte e poderão participar da FutureCom 2018. Para dar continuidade aos projetos, as equipes terão direito a pré-acelerar seus empreendimentos na Baita Aceleradora e também a 8 horas de trabalho e orientação no Wikilab.

Além de Tundisi, João Naime e Daniel Bonini, a comissão avaliadora da SancaThon foi composta por: Paulo César Giglio, CEO da Incon Eletrônica e vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) em São Carlos; Alexandre Wellington de Souza, tenente-coronel do Comando Geral do 38º Batalhão da Polícia Militar; Mario Casale Neto, diretor de operações na Casale Equipamentos; Erwin Franieck, diretor de desenvolvimento da Bosch; Natanael Alves da Silva, coordenador do Centro de Ciência, Inovação e Tecnologia em Saúde de São Carlos e ex-presidente da Comissão Municipal de Saúde; Bruno Evangelista, diretor de desenvolvimento de negócios IOT da Qualcomm; Rodrigo Pereira do Portal Embarcados e Mirjan Schiel, representante da comunidade.

Concentração, criatividade e dedicação foram fundamentais durante a competição

A SancaThon é realizada em conjunto pela EESC, ICMC e pela Semana da Integração da Engenharia Elétrica (SIEEL). A iniciativa conta com o apoio da Agência USP de Inovação, da Agência de Inovação da UFSCar, do Portal Embarcados, da Sintesoft, da Faculdade de Tecnologia (FATEC) de São Carlos, da Semana da Engenharia de Computação da USP, do Portal Industrial, do Wikilab, do CIESP São Carlos, do Senai São Carlos, da Baita Aceleradora e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos.

 Texto e fotos: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do SEL
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Assessoria de Comunicação do SEL
Telefone: (16) 3373-8740
E-mail: comunica.sel@usp.br

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Pesquisa sobre monitoramento postural realiza experimento nesta sexta-feira

Participantes do experimento utilizarão um suporte torácico para smartphone

Monitorar a postura de pacientes afetados por acidentes vasculares cerebrais e alertá-los quando eles não estiverem na posição correta: esse é um dos objetivos de um aplicativo para smartphones que está sendo desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da USP, e cuja validação será realizada pelo projeto de pesquisa denominado Validação de aplicativo de identificação e correção postural.

Desenvolvida com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), essa pesquisa foi premiada como a segunda melhor apresentação oral durante o XXV Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação, realizado em São José do Rio Preto, em agosto do último ano.

Na próxima sexta-feira, 10 de fevereiro, todos os interessados são convidados a participar do trabalho premiado: será realizado um experimento em que cada voluntário usará um suporte torácico para smartphone como o da figura da imagem, devendo permanecer sentado, realizando atividades cotidianas, e responderá a dois questionários ao final da utilização. Durante o dia haverá três oportunidades para participar: às 14 horas, às 15h30 e às 17 horas, e a duração será de aproximadamente duas horas. As atividades ocorrerão na biblioteca Achille Bassi, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, na sala de treinamento, que se localiza no terceiro piso.

Para participar, basta preencher o formulário disponível neste link – no qual também podem ser encontradas outras informações e orientações – e enviá-lo para o endereço amandapolin@gmail.com. A pesquisa é desenvolvida pela mestranda Amanda Peracini, no âmbito do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Bioengenharia, que é oferecido em conjunto pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC). Também participam dos trabalhos o doutorando do ICMC, Olibário Machado Neto; a professora Maria da Graça Pimentel, do ICMC, que o orienta; e a professora Valeria Elui, da FMRP, orientadora de Amanda.

Por Assessoria de Comunicação da EESC com informações da Assessoria de Comunicação do ICMC
Foto: divulgação



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Link para acessar o formulário: icmc.usp.br/e/64650
Confira reportagem sobre o projeto: icmc.usp.br/e/6dc1b
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373-9666

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Exames de retina com smartphones: projeto de ex-aluno do ICMC vence competição

Protótipo de retinógrafo portátil ficou em primeiro lugar no Falling Walls Lab São Paulo e foi desenvolvido por três egressos da USP, em São Carlos


Protótipo do retinógrafo portátil: projeto será apresentado em Berlim em novembro

Um aparelho que permite a realização de exames oculares de maneira prática, barata e com o uso de smartphones. Esse é o projeto desenvolvido por três ex-alunos da USP, em São Carlos, que venceu o Falling Walls Lab São Paulo, etapa classificatória da competição global que incentiva a criação de soluções de alto impacto na sociedade. José Augusto Stuchi, um dos autores do projeto, irá representar o Brasil na final da competição, que será realizada em novembro, na Alemanha. Ele é graduado em Engenharia de Computação, curso oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

O equipamento desenvolvido é o SRC - Smart Retinal Camera, versão portátil do retinógrafo, que é utilizado em exames de retinografia para observar e registrar fotos da retina. “Nós redesenhamos todo o projeto óptico e eletrônico e transformamos o retinógrafo em uma miniatura, podendo, assim, ser acoplado a um smartphone”, explica José Augusto. Ele conta que, apesar do sistema óptico ser reduzido, as imagens obtidas pelo aparelho têm qualidade tão boa quanto a dos aparelhos tradicionais, sem contar que o custo para sua produção é bem menor. O SRC é o primeiro protótipo de retinógrafo portátil do Brasil a utilizar smartphones para a realização de exames.

No país, mais de 6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual, porém, 85% dos municípios brasileiros não possuem oftalmologistas. A portabilidade e o baixo custo do SRC podem facilitar a expansão de exames e atender aqueles que não podem se deslocar aos consultórios. “Imagine que a pessoa está acamada e não consegue ir até a clínica fazer o exame. Um operador, que não precisa ser médico, pode ir até a casa do paciente e realizar todos os procedimentos. Posteriormente, essas imagens ficariam disponíveis em um site para acesso dos médicos, que dariam o diagnóstico à distância”, diz José Augusto, que hoje faz doutorado em Engenharia de Computação na UNICAMP.

A facilidade para transportar o aparelho também pode possibilitar seu uso em campanhas para a realização de exames em lugares distantes e que não possuem retinógrafos. O tamanho reduzido facilita, ainda, a utilização em crianças. Elas costumam ter dificuldade em se posicionar corretamente com a testa, queixo e cabeça em frente ao aparelho convencional. “Diagnosticar desde cedo uma doença possibilita que você previna e trate o paciente para que ele não fique cego. Por ano, 500 mil crianças perdem a visão no mundo e 80% de todos os casos de cegueira do planeta são evitáveis”, afirma o pesquisador.

Segundo José Augusto, fomentar a maior distribuição de retinógrafos pelo Brasil contribuiria não somente para a realização de mais exames, mas também para estudos específicos sobre as doenças e a melhor forma de combatê-las. “Após classificarmos os tipos de patologias, poderíamos fazer um mapeamento que mostrasse qual a incidência de cada uma, assim como os locais mais afetados no país. Com isso, o governo poderia atuar de forma direta nos estados ou regiões mais comprometidas”.

No diagrama, está o modelo de prova de conceito que levou à criação do protótipo

Como tudo começou – A ideia do projeto nasceu há cerca de dois anos. José Augusto, juntamente com o engenheiro eletricista Flavio Vieira e o físico Diego Lencione, ambos formados pela USP, em São Carlos, sempre se interessaram pela área da saúde, tanto que os três desenvolveram suas pesquisas de mestrado aplicadas à retinografia. Além da paixão por esse campo, o trio possui outra motivação: “O irmão do Diego tem um problema no olho desde criança, o que nos incentiva muito nessa missão”, relata José Augusto.

O envolvimento no projeto levou os três idealizadores a fundar, em março deste ano, a startup Phelcom, empresa focada em criar produtos inovadores, combinando soluções na área de óptica, eletrônica e computação. O desenvolvimento do retinógrafo portátil é financiado pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A expectativa dos pesquisadores é de que o protótipo, que ainda não foi testado em humanos, seja comercializado já no primeiro semestre de 2018.

Falling Walls Lab – No dia 19 de setembro, os ex-alunos da USP tiveram a oportunidade de mostrar o potencial do projeto durante a final do Falling Walls Lab São Paulo. No total, 94 projetos foram inscritos e apenas 14 selecionados para participar da final. O evento premiou as três melhores ideias com capacidade de impacto na sociedade e os participantes tiveram apenas três minutos para apresentá-las em inglês para um júri composto por membros da academia, instituições de pesquisa e gestores de grandes empresas. “Foi uma surpresa! Expectativa a gente sempre cria, mas havia projetos muito bons e a chance de ganhar era muito pequena”, conta José Augusto, que foi o responsável pela apresentação ocorrida em São Paulo, no auditório do Instituto de Física da USP.

A etapa brasileira foi classificatória para a final da competição, que ocorrerá entre os dias 8 e 9 de novembro, em Berlim, quando outros 99 vencedores de diversos países irão mostrar suas ideias. “Depois da nossa apresentação, duas pessoas já vieram falar com a gente sobre a possibilidade de uso do nosso retinógrafo para detecção e tratamento de suas patologias. Isso vale mais que o prêmio: conversar com quem tem o problema e poder ajudá-los será nossa maior recompensa”, finaliza José Augusto.
José Stuchi (à esquerda) e Diogo Biagi são os autores das duas ideias vencedoras da competição e representarão o Brasil na final internacional em Berlim. Em terceiro lugar, foi premiada a ideia de Giselle Coelho

Texto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: as duas primeiras imagens foram fornecidas pela Phelcom; a última é de Carol Santa Rosa, do Centro Alemão de Ciência e Inovação - São Paulo  

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Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=YhPt-aRytvk
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estudantes da USP ganham prêmio na etapa brasileira do desafio Master of Code

Da direita para esquerda: Bruno Lemos, Vinícius Neris, Renato Rodrigues e Sebastien Taveau, anfitrião do evento.

Três estudantes da USP em São Carlos destacaram-se entre 26 equipes concorrentes na etapa brasileira do desafio internacional Masters of Code, promovido pela empresa Mastercard em 10 países. O evento, realizado nos dias 11 e 12 de abril, em São Paulo, desafiou os participantes a desenvolverem um protótipo de software ou hardware em 24 horas a partir de uma ideia concebida pelo grupo e avaliada por uma banca de jurados renomados.

A equipe formada pelos estudantes Vinicius Neris, do curso de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, Bruno Lemos e Pedro Góes, alunos do curso de Ciência de Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), também da USP, e Renato Rodrigues, do curso de Engenharia de Produção da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi vice-campeã da competição. Cada integrante da equipe recebeu o prêmio de US$ 500,00.

A ideia desenvolvida foi chamada de Sollos, uma plataforma que conecta associações e cooperativas de alimentos orgânicos aos consumidores das áreas urbanas com o intuito de aumentar o consumo de alimentos saudáveis pela população por um baixo custo final e proporcionar um lucro mais justo para o produtor.

A iniciativa da plataforma surgiu de Rodrigues, pois seus pais são produtores rurais no interior do Estado e ele conhece a realidade desse mercado em que os produtos de qualidade são vendidos por um preço baixo em áreas rurais e consumidos por um preço extravagante nas grandes cidades.

Segundo Neris, o maior desafio da competição foi o curto tempo para execução e validação do projeto, sendo que inicialmente foi pensado o desenvolvimento de outro produto. “Felizmente, tivemos acesso a um excelente mentor, Sebastian Taveau, um dos organizadores do evento, que nos ajudou a pensar em uma nova ideia com maior impacto social e econômico”, comentou.

A logística foi baseada em um modelo híbrido em que os consumidores recebem os produtos antes de chegarem às gôndolas dos grandes varejistas, diminuindo desta forma os custos de compra, já que os intermediários e varejo ficam com a maior parte do lucro sobre os alimentos orgânicos. Os usuários da Sollos poderão optar por receber os alimentos orgânicos através de um serviço de entregas que, mesmo com a cobrança de uma taxa adicional, terá um custo final menor quando comparado à compra feita em um supermercado. Por outro lado, os produtores devem ter um lucro maior no negócio, pois estarão vendendo diretamente aos consumidores finais.

Para a equipe, participar de eventos como o Master of Code oferece aos estudantes a oportunidade de conhecer pessoas e de discutir ideias que poderão gerar novos projetos. "Antes, essa realidade era muito distante de nós, viável apenas para quem vivia em outros países. Agora, os alunos se sentem mais próximos dessas iniciativas", avalia Góes. "Isso é muito bom, pois os estudantes veem que é possível se tornarem empreendedores, gerarem empregos e trazerem inovação para o nosso país", finalizou.

Durante a competição, a Sollos chamou muita atenção do público presente. De acordo com Neris, o grupo tem interesse em disponibilizar a plataforma nos próximos meses, após validação de toda cadeia de valor do projeto. O desafio inicial é estruturar melhor o modelo logístico, no intuito de ser economicamente viável nas grandes cidades para os consumidores e produtores, e também adquirir demanda suficiente para disponibilizar o software que irá facilitar a compra. “Iremos fazer os primeiros testes em Campinas com algumas pessoas que se cadastraram no nosso formulário. Já o desenvolvimento do software é, relativamente, a parte mais simples do negócio”, informou o estudante.

A etapa final do desafio será realizada na cidade de São Francisco, nos EUA, nos dias 5 e 6 de dezembro, com a disputa entre as equipes campeãs de cada região.

Por Keite Marques da Assessoria de Comunicação da EESC
Com a colaboração da Assessoria de Comunicação do ICMC

Foto: Divulgação