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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Projeto une pesquisadores do Brasil e da Alemanha na busca pelo combate e prevenção às enchentes

Objetivo é construir ferramentas para melhorar a disponibilidade e a qualidade da informação destinada a monitorar e analisar riscos de inundação, contando com a participação da população por meio do Observatório Cidadão de Enchentes


Há quatro pesquisadores no Brasil atuando no projeto
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e a Universidade de Heidelberg, na Alemanha, estão desenvolvendo um projeto conjunto que visa prevenir desastres naturais, com foco nas enchentes. Financiado pelas principais agências de fomento à pesquisa do país (FAPESP, CNPq e Capes), o projeto tem como objetivo construir ferramentas para melhorar a disponibilidade e a qualidade da informação destinada a monitorar e analisar riscos de inundação, apoiando a tomada de decisão na gestão desses riscos. 

O diferencial do projeto é a ideia de unir a perspectiva da ciência, da população e do governo, já que os dados coletados são provenientes de várias fontes, envolvendo cidadãos, pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, especialistas em gerenciamento de risco de inundação e representantes de agências governamentais. Entre as várias ferramentas que compõe o projeto está o Observatório Cidadão de Enchentes, uma plataforma colaborativa na web que pode ser usada por qualquer cidadão e da qual todos podem participar (disponível em www.agora.icmc.usp.br/enchente). Por meio dessa plataforma, a população poderá relatar o nível da água no leito dos rios e a extensão de áreas alagadas. 

“A ideia é que os cidadãos comuns possam usar a internet ou aplicativos móveis para comunicar desastres a qualquer momento”, contou o professor do ICMC e coordenador do projeto, João Porto de Albuquerque. Segundo ele, há dois tipos de dados que são coletados da população: aqueles que vêm dos cidadãos comuns por meio do Observatório e os que são provenientes de voluntários previamente cadastrados. “Os voluntários pré-cadastrados, que podem ser voluntários da defesa civil, por exemplo, receberão um treinamento para atuar na obtenção de dados de qualidade para o combate às enchentes, levantando informações sobre o nível atual de rios, áreas alagadas, pontos de bloqueio de tráfego, vítimas e infraestrutura destruída”, explicou. 

De acordo com Albuquerque, a diferença maior entre os dois grupos é a credibilidade da informação. No caso dos cidadãos comuns, os dados devem ser checados e, no segundo caso, há um treinamento para que sejam obtidas informações de qualidade.

Infográfico resume como projeto funcionará

Inspiração grega – Para compreender melhor o escopo do projeto, vale analisar seu nome completo em inglês A Geospatial Open collaboRative Architecture for Building Resilience against Disasters and Extreme Events. Ao realizar uma abreviação do nome em inglês, fazendo um jogo de palavras com suas letras iniciais, chega-se à ÁGORA, o título mais usado pelos pesquisadores ao se referirem ao projeto. É dos gregos, portanto, que vem essa palavra e também a inspiração para a criação do projeto, afinal, a “ágora” era o lugar para os cidadãos das antigas cidades gregas dedicarem-se às discussões políticas e também um centro para o desenvolvimento esportivo, artístico e espiritual. A ágora de Atenas, por exemplo, é considerada o berço da democracia.

Os pesquisadores envolvidos no projeto destacam que o ÁGORA não irá apenas prover informações para a tomada de decisões dos governantes em situações de risco, mas também vai agregar valor aos dados obtidos, que passarão a ser disponibilizados de forma padronizada e aberta a todos os interessados.

Atualmente, Albuquerque desenvolve pós-doutorado na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, com bolsa do Programa Ciência sem Fronteiras. Ele está trabalhando especificamente na construção de uma plataforma de mapas colaborativos, a partir do software livre OpenStreetMap, para identificar elementos críticos em ameaça, como em hospitais, escolas, distribuidores da rede elétrica, etc. Essa plataforma será destinada ao uso dos voluntários que receberão treinamento específico. “Quando identificamos que uma área está ameaçada de ser alagada, é importante verificar, para o combate às enchentes, se existem elementos críticos que estão ameaçados no local. É aí que entra o nosso método, pois possibilitamos às autoridades competentes a visualização do impacto que uma enchente pode causar, por exemplo, atingindo escolas ou hospitais que precisam ser evacuados. Então, é possível realizar ações de proteção adequadas para salvar vidas e evitar prejuízos”, salientou.

O ÁGORA também capta os dados dos sensores para enchentes, tecnologia desenvolvida no ICMC pelo professor Jó Ueyama. Tratam-se de equipamentos destinados a detectar enchentes em rios e córregos de São Carlos por meio de uma rede de sensores sem fio. "Os nossos sensores coletam dados sobre o nível do rio e a quantidade de chuva. Essas informações são repassadas para o banco de dados do ÁGORA", acrescentou Ueyama.

Parceria com Heidelberg – Tudo começou com uma visita técnica que Albuquerque fez à Universidade de Heidelberg, em junho de 2011, ao grupo do professor alemão Alexander Zipf, seguida de uma estada de três meses no país com financiamento da Fundação Alexander von Humboldt. Desde então, Zipf passou a ser o coordenador do ÁGORA na Alemanha.

Em 2013, Albuquerque recebeu bolsa de estágio para o exterior da FAPESP, válida até janeiro deste ano. Recentemente, o professor obteve outra bolsa, desta vez para atuar como professor visitante até 2017 no Instituto de Geografia da Universidade de Heidelberg, com recurso da própria universidade por meio da Deutsche Forschungsgemeinschaft.

Albuquerque destaca também a contribuição do ÁGORA para o projeto temático da FAPESP “Assessment of Impacts and Vulnerability to Climate Change in Brazil and Strategies for Adaptation Options” (IVA), estreita colaboração estabelecida com o grupo do professor Eduardo Mario Mendiondo, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (DHS/EESC).

Atualmente, trabalham no ÁGORA, também, estudantes de graduação e pós-graduação alemães e brasileiros: Benjamin Herfort e Svend-Jonas Schelhorn são da Universidade de Heidelberg; Caio Correia, Flávio Horita, Lívia Degrossi, Luiz Fernando de Assis, Raniéri Moreira e Raul Castanhari são do ICMC. Assis está, no momento, na Alemanha, com Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior da FAPESP. Já o doutorando Horita está construindo um sistema de apoio à decisão para monitoramento on-line dos sensores, enquanto a doutoranda Degrossi trabalha diretamente com o Observatório Cidadão de Enchentes; Castanhari desenvolve uma arquitetura de software para gerenciar as informações do projeto e o mestrando Moreira iniciou recentemente trabalho com aplicativos móveis para que a população possa fornecer dados via celular. Correia possui bolsa de iniciação científica e assessora todos os demais participantes dessa grande ágora.

Porto, Assis e Zipf no laboratório da Universidade de Heidelberg
Texto: Ronaldo Castelli – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Site do ÁGORA: www.agora.icmc.usp.br
Observatório Cidadão de Enchentes: www.agora.icmc.usp.br/enchente
Assessoria de Comunicação do ICMC
Telefone: (16) 3373-9666

terça-feira, 8 de abril de 2014

Docentes do Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia realizam reunião de cooperação com comitiva do Irã



Na última quinta-feira, dia 3, docentes do Programa de Pós-graduação Interunidades Bioengenharia (PPGIB) da USP reuniram-se com uma comitiva de pesquisadores da Universidade de Teerã, capital do Irã, que apresentaram suas pesquisas nas áreas de neurociência e ciência cognitiva, visando estabelecer uma cooperação interinstitucional com a USP.

Do campus da USP em São Carlos estiveram presentes a professora Ana Maria de Guzzi Plepis, presidente do PPGIB, ligada ao Departamento de Química e Física Molecular do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), o professor Alexandre Cláudio Botazzo Delbem, do Departamento de Sistemas de Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e o servidor Bruno Sevciuc, do Serviço de Estágios e Relações Institucionais da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC)


A comitiva iraniana foi composta pelo diretor do Conselho de Ciência Cognitiva e Tecnologia do Irã, Hamed Ekhtiani, pelo docente do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade de Teerã, Babak Araabi, e pelo pesquisador Iman Ghodrati Toostani, aluno pré-selecionado para ingressar no doutorado do PPGIB, do qual o professor Delbem deverá ser o orientador.



Durante a conversa, os representantes da universidade iraniana explicaram que existe uma linha de financiamento oferecida pelo governo daquele país voltada a promover investimentos em neurociência, visando torná-la uma área estratégica para a pesquisa de novos materiais, equipamentos e informações que possibilitem um maior entendimento do funcionamento do cérebro.



“O interesse é no desenvolvimento de uma ferramenta computacional diferenciada que permita o processamento de dados complexos, ordenando as informações mais relevantes e de forma simples para que qualquer pessoa possa acessar. Atualmente, muitas pesquisas na área levam anos de estudos e análises para obterem resultados ou conclusões; já a ferramenta pode catalisar dados em imagens, espectro de ondas, medidas e sinais”, explicou Delbem.



A reunião encerrou-se com manifestação favorável das instituições para formalização de um convênio, que agora tramita nos âmbitos administrativos das universidades.




Por Keite Marques da Assessoria de Comunicação da EESC


Com colaboração da Assessoria de Comunicação do ICMC


terça-feira, 18 de junho de 2013

Delegação de universidade britânica visita o ICMC em busca de parcerias


Uma delegação da Universidade de Hull, no Reino Unido, esteve no Brasil entre os dias 8 e 14 de junho para realizar uma série de visitas em unidades e órgãos da Universidade de São Paulo (USP). Na última quinta-feira (13), eles estiveram em São Carlos, onde conheceram o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). O objetivo da visita foi conhecer a infraestrutura da USP e do campus, bem como as pesquisas desenvolvidas na instituição, com o propósito de discutir a possibilidade de futuros convênios para intercâmbio de estudantes e pesquisadores. 

A delegação britânica foi composta pelos seguintes professores: John Hay (pró-reitor de pesquisa e empreendimentos); Alyn Morice (Escola Médica); Mark Hayter (Faculdade de Saúde e Assistência Social); Dave Evans (Faculdade de Ciências e Engenharia); e Paula Gouldthorpe (gerente de empreendedorismo). No auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, os visitantes foram recepcionados pelos professores Paulo da Veiga, do ICMC, Osvaldo Oliveira Junior, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), e Artur Motheo, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC).

Professores da USP e representantes da University of Hull
O professor Veiga, que preside da Comissão de Relações Internacionais do ICMC, iniciou o encontro com uma apresentação com dados sobre a USP e o ICMC. “É um dos institutos mais importantes do Brasil com atuação nos campos de ciências de computação e matemática”, ressaltou. Em seguida, foram feitas as apresentações sobre o IFSC e o IQSC.

Os visitantes apresentaram a Universidade de Hull, e em seguida conversaram informalmente com os professores presentes sobre as áreas de pesquisa que instituição oferece aos alunos - com destaque para matemática e computação. Declararam ainda o interesse em fechar parcerias com a USP. “O Brasil está se destacando em termos de pesquisa, principalmente se comparado à Europa”, observou Gouldthorpe. Na sequência, os visitantes conheceram as instalações do campus, os laboratórios e a área 2 do campus são-carlense.


Informações
Comissão de Relações Internacionais do ICMC
Tel. (16) 3373-8120

Texto e fotos: Maristela Galati - Assessoria de Comunicação do ICMC