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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Entre a modernidade e o desenvolvimento

Quarto evento do Ciclo de Palestras Ciência e Riqueza Social com José Galizia Tundisi mostra que, embora o Brasil tenha acesso a tecnologias, ainda está longe de ser um país desenvolvido; solução, segundo ele, está na inserção de mais ciência na educação

O Brasil atualmente está em uma encruzilhada: é um país moderno, porém não é um país desenvolvido. Mas o que deve ser feito para superar isso? Essa foi a principal questão abordada no quarto evento do Ciclo de Palestras Ciência e Riqueza Social, realizado na noite de 16 de abril, quinta-feria, no Museu da Ciência Mário Tolentino. A palestra, promovida pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo São Carlos, pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSoL) e pelo Museu da Ciência Mário Tolentino, reuniu cerca de 80 pessoas.

O palestrante, o pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia (IIE) José Galizia Tundisi, exemplificou a diferença entre desenvolvimento e modernidade com um dado bem próximo do dia a dia do público. “Temos no Brasil mais pessoas com telefone celular do que com saneamento básico. Ora, o celular é uma modernidade, mas o saneamento é desenvolvimento porque tem grande importância para a vida e para a saúde das pessoas. Essa diferença entre modernidade e desenvolvimento não está clara nem mesmo para muitas de nossas autoridades”, alertou ele.

Tundisi mostrou diversos exemplos de como o mundo está se tornando complexo. “Tudo está aumentando ao longo do tempo: a população, o consumo de água, alimentos, combustíveis, a produção, o envelhecimento, a urbanização e até a disseminação de doenças. As pessoas não estão preparadas para compreender esses aumentos exponenciais e toda essa velocidade. Se alguém com gripe estiver em um avião em deslocamento, em poucas horas a doença pode se espalhar por diversos países. O mundo muda muito e esse processo está cada vez mais rápido”, explica.

O pesquisador lembrou também que a economia mundial está completamente integrada, já que um mesmo produto pode ter cada parte fabricada em diferentes países. “Hoje, um país nem sempre detém uma cadeia produtiva completa. Um avião pode ser feito no Brasil e ter uma asa fabricada na Espanha, o motor na Inglaterra. No futuro, teremos uma economia mundial profundamente interconectada, até porque há uma rede de comunicação eletrônica de alcance global. Vemos um crescimento rápido e insustentável, mas ao mesmo tempo também há o desenvolvimento de novas tecnologias biológicas, genéticas e de ciência dos materiais – e isso depende da pesquisa e do desenvolvimento científico e tecnológico”.

A importância das pesquisas científicas na vida das pessoas, segundo Tundisi, é muito maior do que se imagina. Ele conta que quando assumiu a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), há cerca de 20 anos, solicitou aos assessores um levantamento dos recursos financeiros que eram trazidos para a cidade de São Carlos pelos professores e pesquisadores. “Naquela época, eles traziam, entre projetos, pesquisas e bolsas, cerca de 20% do orçamento municipal, que era de R$ 100 milhões. Ou seja: só os pesquisadores traziam R$ 20 milhões para São Carlos. Imagine quanto não deve ser esse valor hoje”, diz.

Para vencer o atraso do País em termos de desenvolvimento e fazer com que os brasileiros participem do que chamou de “mente global”, o pesquisador reforçou a importância da educação. “É preciso aumentar a capacidade das pessoas de entender os processos complexos que ocorrem em todo o mundo. Para isso, é necessário desenvolver o lado direito do cérebro, expandir a capacidade cognitiva. É necessário ter uma educação gerenciada, um professor que consiga transmitir essa capacidade e assim preparar crianças e jovens para entender a complexidade. Uma parte do planeta não entende nada disso e apenas sobrevive. Já a outra – muito pequena – entende e pode contribuir”, afirma.

Tundisi finalizou lembrando as palavras do atual ministro da educação Renato Janine Ribeiro, que acredita na educação como libertação. “É preciso incluir mais ciência no ensino, mais novas tecnologias e educar para que os jovens entendam os sistemas complexos. Se educarmos da forma correta, vamos liberar esse cérebro para entender melhor o mundo em que vivemos e como participar dele. Desenvolvimento é progresso intelectual, avanço e cultura. Modernização é só atualização e aumenta a dependência da sociedade”, concluiu.

Sobre o ciclo de palestras - Com o objetivo de mostrar a ciência desenvolvida nas universidades e institutos de pesquisa e como isso impacta a economia e a vida dos cidadãos, o ciclo de palestras Ciência e Riqueza Social traz, a cada quinze dias, sempre às quintas-feiras, diversos professores e pesquisadores para interagir com a comunidade. O evento é promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo São Carlos da USP, pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSoL), com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, e pelo Museu da Ciência Mário Tolentino.

Texto: Thaís Cardoso - Assessoria de Comunicação IEA

sexta-feira, 6 de março de 2015

Físico Sérgio Mascarenhas abre ciclo de palestras Ciência e Riqueza Social

Primeira palestra do ciclo Ciência e Riqueza Social mostra avanços no estudo do cérebro e equipamento inovador desenvolvido pelo físico Sérgio Mascarenhas; próxima edição vai abordar robótica móvel

Mascarenhas abriu o clico de palestras

Uma oportunidade de conhecer melhor a história da ciência no mundo, pontuada por dicas para estudantes e profissionais iniciantes de como planejar seu futuro e finalizada com uma história pessoal que resultou em um equipamento inovador para salvar a vida de milhares de pessoas. Assim pode ser resumida a noite de ontem para cerca de 80 pessoas que compareceram à abertura do ciclo de palestras Ciência e Riqueza Social no Museu da Ciência Mário Tolentino, em São Carlos.

O Ciclo tem como objetivo apresentar os trabalhos que pesquisadores de São Carlos e do Brasil desenvolvem em universidades e institutos de pesquisa, e de que forma elas trazem benefícios ao cotidiano e à sociedade. A abertura contou com a palestra do físico Sérgio Mascarenhas, um dos maiores nomes de São Carlos no cenário da ciência mundial. Mascarenhas apresentou algumas propostas de ação de sua autoria na área de educação e também mostrou um sensor para monitoramento da pressão intracraniana de forma não-invasiva, que em breve estará disponível em hospitais.

Também participaram da abertura o supervisor da Secretaria Municipal da Educação Benedito Inácio Bueno Rosa, que representou o prefeito Paulo Altomani; a secretária municipal da Educação, Regina Célia Garcia Ferreira; o coordenador do Núcleo de Apoio ao Software Livre (NAPSoL), sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC) da USP, José Carlos Maldonado. A realização do ciclo de palestras é fruto de uma parceria entre o Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo São Carlos da USP, do NAPSoL e do Museu da Ciência Mário Tolentino.

Próxima palestra - No dia 19 de março, será realizada a segunda palestra do ciclo, desta vez com a professora do ICMC Roseli Romero. Ela vai falar sobre a robótica móvel, uma área de pesquisa multidisciplinar que ocupa um papel cada vez mais importante na sociedade.

A docente vai apresentar os principais robôs existentes e suas aplicações, além de mostrar como funciona a estrutura básica de um robô móvel e quais as iniciativas nessa área em São Carlos e no Brasil.

A palestra será no Museu da Ciência Mário Tolentino, às 19h30. A entrada é gratuita. Mais informações pelo telefone (16) 3307 6903 ou pelo e-mail cienciaeriquezasocial@gmail.com.

Texto e foto: Thaís Cardoso - Assessoria de Comunicação do IEA Polo São Carlos