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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Além da sala de aula do amanhã: veja as fotos do evento




Como será a sala de aula do amanhã? Que impactos a inteligência artificial trará para a educação? Buscando discutir questões como essas, no 23 de outubro, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promoveu o seminário Além da sala de aula do amanhã: o impacto da inteligência artificial na educação.

Entre os convidados estiveram presentes Soong Moon Kang, da University College London, do Reino Unido; Paulo Cruvinel, da Embrapa Instrumentação; Eduardo Mendiondo, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC); além de mais três pesquisadores do ICMC: André de Carvalho, Cláudio Toledo e Roseli Romero.

A atividade fez parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e foi promovida em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, a Embrapa Instrumentação e a Prefeitura Municipal de São Carlos.


Confira o álbum de fotos no Facebook e no Google Fotos!

Crédito das imagens: Denise Casatti

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Semana da Licenciatura em Ciências Exatas da USP discute a formação docente frente à realidade escolar

Evento gratuito e aberto a todos os interessados acontecerá de 23 a 26 de setembro, das 19 às 22h40, no campus da Universidade, em São Carlos




Destinada a alunos de licenciatura, professores e profissionais da área de educação, a 14ª Semana da Licenciatura em Ciências Exatas (SeLic) da USP São Carlos começa na próxima segunda-feira, 23 de setembro, e se estenderá até quinta, dia 26. Entre as atrações do evento, que é gratuito, estão mesas redondas, oficinas, minicursos, palestras e apresentações de trabalhos. Todas as atividades acontecem das 19 às 22h40. 

Para participar, basta se inscrever no site da SeLic. No caso dos minicursos e das oficinas, o interessado deverá escolher uma das atividades oferecidas em cada período, já que são simultâneas. Por exemplo, na noite de abertura do evento, o participante poderá se inscrever em um desses três minicursos: A inclusão e seus desafios: possibilidades de materiais didáticos adaptados no ensino de ciência; Rompendo as barreiras para a aprendizagem: experiências e possibilidades; Ensino de física para deficientes visuais. Já na noite de quarta, a escolha deve ser realizada entre uma dessas três oficinas: Recursos tecnológicos em sala de aula; Adaptações curriculares para alunos com deficiência; Jogos matemáticos. 

A formação docente frente à realidade escolar é o tema que permeia toda a programação da SeLic deste ano, a qual pode ser consultada no site do evento. Na quinta-feira, haverá a mesa redonda Realidades da escola brasileira, com o professor Reginaldo Anselmo Teixeira e a secretária municipal de Educação de Oeiras, Tiana Tapety. A cidade, que fica no sertão do Piauí, é reconhecida por ter obtido um verdadeiro salto na educação, atestado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). 

Coordenada por alunos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, que é oferecido em parceira pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC), a SeLic não tem taxa de inscrição. Solicita-se apenas que os participantes façam a doação de 1 kg de alimento não perecível, na abertura do evento, que será encaminhado à comunidade Divina Misericórdia, entidade que oferece apoio e abrigo a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em São Carlos. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Evento na USP São Carlos estimula crianças a desenvolverem soluções na área de tecnologia

Voltado para quem tem de 7 a 12 anos, desafio busca incentivar novos talentos criativos na área digital; inscrições gratuitas estão abertas até dia 26 de junho

A ideia da competição é que os pequenos criem o projeto de um aplicativo, em grupos com 2 a 4 participantes

Um desafio de tecnologia para crianças de 7 a 12 anos acontecerá no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, no dia 29 de junho, sábado. Não se espante: nessa idade as crianças já são capazes de pensar em soluções criativas. Além disso, os pequenos precisam, cada vez mais cedo, ter acesso a informações relevantes sobre segurança digital, um assunto que costuma preocupar pais e responsáveis. 

Pois o objetivo do desafio do dia 29 é exatamente possibilitar que as crianças conversem sobre esse tema e criem projetos de aplicativos para resolver problemas de segurança digital. Organizada pela Happy Code São Carlos em parceria com o ICMC, a etapa local do desafio está com inscrições abertas até dia 26, ou enquanto uma das 180 vagas ainda estiver disponível. Para participar, basta se inscrever gratuitamente neste link: icmc.usp.br/e/ee9f0. 

Além de São Carlos, diversas outras cidades brasileiras vão realizar a iniciativa – chamada de Hackathon Authentic Games. Na abertura do evento, em âmbito nacional, o youtuber Marco Túlio, o Authentic Games, vai revelar exatamente qual a questão de segurança digital que deverá ser atacada pelas crianças. A ideia da competição é que os pequenos criem o projeto de um aplicativo, em grupos com 2 a 4 participantes, para resolver um problema. Eles só precisam pensar na proposta do aplicativo, não é necessário que desenvolvam a parte técnica do projeto. Por isso, não é preciso ter qualquer conhecimento prévio sobre computação ou programação para participar do evento. 

Vale lembrar que, enquanto as crianças estiverem trabalhando no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC, os pais e responsáveis serão convidados a fazer um tour pelo Instituto e a assistir palestras sobre educação digital. O evento acontecerá das 8 às 18 horas. Das 12 às 14 horas, crianças e pais terão horário livre para almoçar, já que os organizadores não oferecerão refeições no local. 

Como o desafio é em grupo, as crianças podem se inscrever junto com suas equipes ou buscar estabelecer parcerias com colegas que também estão sem equipe. Para isso, o ICMC organizará um encontro entre as crianças na tarde do dia 26 de junho, das 16 às 18 horas, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano. Quem não puder comparecer, poderá acompanhar virtualmente o encontro via Facebook neste link: icmc.usp.br/e/f513e. 

Além disso, todos que desejarem se inscrever no desafio e esclarecer dúvidas poderão ir ao salão de eventos da USP, em São Carlos, no próximo final de semana, dias 15 e 16. É quando acontecerá a etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica no local e haverá um estande da Happy Code no primeiro andar para atender a todos os interessados das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas. Inclusive, as equipes de estudantes que têm de 7 a 12 anos e estiverem participando da OBR poderão aproveitar a oportunidade para se inscrever no desafio. 

Prêmios - As crianças contarão com o apoio de mentores que ajudarão a organizar as ideias do grupo e a apresentar os projetos. Ao final do evento, os projetos serão avaliados por uma banca de jurados que analisará a qualidade da solução proposta. A equipe que ficar em 1º lugar em São Carlos estará habilitada a participar da avaliação nacional e concorrerá a diversos prêmios. Além disso, cada integrante da equipe vencedora poderá participar de uma colônia de férias na Happy Code São Carlos. 

Já cada participante da equipe vencedora em âmbito nacional ganhará um X Box One e conhecerá pessoalmente o youtuber Marco Túlio. Para conhecer todas as regras da competição, basta acessar o regulamento, que está disponível no site do Hackathon Authentic Games. 



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Faça sua inscrição: icmc.usp.br/e/ee9f0 
Assista ao vídeo: https://youtu.be/UMR5X89FVsI
Dúvidas: (16) 3419.2294

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Um Brinde ao Museu: cidades se unem para celebrar o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento

Eventos gratuitos acontecerão em oito municípios brasileiros para discutir a relevância dos museus na geração e preservação dos conhecimentos da humanidade

Proposta é que as discussões levantadas a partir do incêndio do Museu Nacional estimulem reflexões em outros espaços museológicos, favorecendo a preservação do patrimônio material e imaterial do Brasil
(crédito da imagem: Vitor Abdala/Agência Brasil)

As chamas que consumiram o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no dia 2 de setembro, acenderam uma luz de alerta na comunidade que busca divulgar a ciência no Brasil. Foi quando surgiu a ideia de mobilizar uma rede de voluntários para organizar o evento Um Brinde ao Museu. Oito cidades brasileiras se engajaram na iniciativa e realizarão atividades para celebrar o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento: Araraquara (SP), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Diamantina (MG), Marabá (PA) e São Carlos (SP).

Cada cidade terá uma programação especial, que envolve desde bate-papos entre pesquisadores e a comunidade da região até visitas guiadas pelos museus, lançamento de livro e feira de ciências. A maioria das atividades acontecerá no sábado, 10 de novembro, ou em datas próximas (dias 7 e 9). A data foi escolhida porque 10 de novembro é o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2001 para sublinhar o papel da ciência na construção de um mundo melhor. Além disso, anualmente, a UNESCO define um tema para a data: Ciência, um direito humano é o mote de 2018, em comemoração ao 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na opinião dos voluntários responsáveis por organizar Um Brinde ao Museu, a data é uma oportunidade para mostrar ao público em geral o quanto o conhecimento científico contribui para o desenvolvimento de uma sociedade, o quanto a ciência está presente na vida diária das pessoas e o quanto é preciso estimular o pensamento crítico sobre o direito humano de participar e se beneficiar da ciência. A iniciativa é inspirada no festival internacional de divulgação científica Pint of Science, um verdadeiro brinde à ciência que acontece em bares, cafés e restaurantes no mês de maio.

“O evento é um brinde aos museus que existem e àqueles que existirão na nossa memória para sempre. Esses locais de preservação do patrimônio material e imaterial de um povo são também espaços informais de educação. São lugares para vivenciar e transformar o saber, interagir com o pensamento e refletir sobre a condição humana neste planeta”, ressalta o paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e um dos participantes da iniciativa.

Para Marcelo, os museus são locais que agregam valores à história e à ciência, que transformam o conhecimento em uma viagem no tempo: "É um espaço de conhecimento, lazer e cultura, alimentos essenciais para a alma e fundamentais para a manutenção de uma sociedade sadia"
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Para conferir a programação do evento, basta acessar o site umbrindeaomuseu.wordpress.com, clicar em “Programação” e escolher o município. Vale lembrar que os eventos são gratuitos e abertos a todos os interessados, incluindo as crianças. Ao participar das atividades, o público poderá descobrir que a ciência vive no museu e que cada um de nós pode contribuir para que esses espaços continuem cada vez mais ativos.

Confira a programação no site umbrindeaomuseu.wordpress.com

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Um Brinde ao Museu: umbrindeaomuseu.wordpress.com
Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento: en.unesco.org/commemorations/worldscienceday

Contato com a imprensa
Assessoria de Comunicação do ICMC/USP: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Na sala de aula do futuro, somos todos inteligentes

Personalizar o ensino, propiciar um acompanhamento constante e contribuir para a formação de grupos capazes de gerar mais aprendizados. Esses são apenas alguns benefícios que as ferramentas de inteligência artificial podem trazer para a área da educação

Especialistas da USP discutem os impactos da inteligência artificial na educação: confira o que diz Seiji, André e Cláudio
(crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)

Uma sala de aula sem fronteiras, em que os novos conhecimentos chegam aos alunos respeitando o tempo de aprender de cada um. Quando há uma dificuldade, o apoio vem de maneira oportuna por meio de uma intervenção que auxilia o aluno a superar os desafios da aprendizagem ou redireciona o caminho do aprendizado, tentando encontrar a abordagem mais adequada para a construção do conhecimento. Quando não há mais dúvidas, conteúdos avançados se apresentam para desafiar o aprendiz. O avanço do estudante em suas descobertas é avaliado em tempo real, à medida que interage com os demais alunos e vai construindo o próprio conhecimento com as pequenas conquistas do dia a dia. O professor acompanha de perto a evolução e vai ajustando, de acordo com as características daquele ser humano, o conteúdo que ensina e a forma como ensina.

Será assim a sala de aula do futuro, dizem os especialistas em inteligência artificial. Mas olhando para a situação presente do sistema educacional brasileiro, parece que essa é uma utopia inalcançável até mesmo em longo prazo. É realmente viável empregar as novas tecnologias para criar um ensino mais personalizado, flexível, inclusivo e motivador? 

De acordo com o professor Seiji Isotani, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, as ferramentas da área de inteligência artificial permitem amplificar a inteligência humana: “A gente já consegue verificar, por exemplo, para conjuntos de milhares de alunos, abordagens de ensino que tem maior potencial de auxiliar a aprendizagem e, assim, apoiar o professor na tomada de decisão pedagógica”. Mas como essas ferramentas são construídas para se tornarem capazes de identificar qual a melhor metodologia de ensino? 

Aprendendo a aprender – Em primeiro lugar, é preciso entender o que é inteligência artificial, uma área de pesquisa que não é tão nova quanto muitos imaginam. “O termo foi criado oficialmente há mais de 60 anos, pelo cientista da computação norte-americano John McCarthy”, revela o professor André de Carvalho, vice-diretor do ICMC. Ele conta que, em 1956, a ideia foi lançada em um workshop de verão que acontecia no Dartmouth College, em Hanover, nos Estados Unidos. “Alguns professores fizeram uma proposta, baseados na ideia de que toda característica da inteligência humana ou aspecto de aprendizado pode, a princípio, ser tão precisamente descrito que é viável construir uma máquina para simular essa característica ou aspecto”, explica André. 

O professor conta, ainda, que a área já era investigada anteriormente, apesar do termo nunca ter sido usado até 1956. Por exemplo, em uma palestra na Sociedade de Matemática de Londres, em 1947, o matemático britânico Alan Turing falou publicamente, pela primeira vez, sobre a possibilidade de criar uma máquina que aprendesse a partir de suas próprias experiências. “Quando um comportamento é realizado, mas não somos capazes de afirmar se está sendo gerado por uma máquina ou pelas mãos de um ser humano, podemos dizer que há inteligência artificial”, completa o professor Cláudio Toledo, do ICMC, fazendo referência ao famoso Teste de Turing, que já foi tema de diversos filmes como X-Machina (2015), por exemplo. 

André explica que o termo inteligência artificial foi criado oficialmente há mais de 60 anos

Criado para você – É hora de visitar novamente a sala de aula do futuro. O fato é que continuaremos sem condições de disponibilizar um professor para cada aluno, mas poderemos simular essa realidade com as ferramentas da inteligência artificial, criando ambientes de ensino e aprendizado personalizados para cada aluno. “Plataformas que empregam tecnologias como a dos sistemas tutores inteligentes já são capazes de fazer isso”, diz Seiji, que coordena um novo curso de especialização em computação aplicada à educação, cujas inscrições foram prorrogadas até dia 10 de outubro. 

Ele explica que, para criar um sistema tutor inteligente, é necessário construir um passo a passo (algoritmos) para ensinar o computador a lidar com informações provenientes de três diferentes fontes: o conteúdo que será ensinado (modelo do domínio); o modo como aquele conteúdo será ensinado (modelo pedagógico); e os conhecimentos que o estudante já possui (modelo do aluno). Essas informações iniciais são os modelos que vão nutrir o sistema computacional (veja o infográfico a seguir). 

Infográfico desenvolvido pela doutoranda Paula Toledo Palomino, do ICMC, a partir de imagem disponibilizada no livro Intelligence Unleashed: An argument for AI in Education

Quando o estudante começa a interagir com a plataforma de ensino e acessa os conteúdos iniciais que foram disponibilizados, os dados dessa interação estabelecida com o sistema, com o conteúdo, com os demais alunos e com o professor vão sendo capturados. “A partir de todas as interações do aluno com o ambiente de ensino, o próprio sistema atualiza os modelos. Com essas novas informações, é possível identificar o que aquele aluno já sabe e o que ainda não sabe sobre um determinado domínio do conhecimento, quais suas principais dificuldades e é viável até mesmo prever qual será a próxima resposta que o estudante dará em um exercício”, completa Seiji. 

Imagine, agora, a quantidade enorme de dados que são gerados em uma plataforma educacional acessada por milhares de alunos. Para extrair as informações relevantes dessa infinidade de dados (chamada Big Data), é preciso usar ferramentas da área de inteligência artificial como aprendizado de máquina, por exemplo. 

“Com essas informações, as plataformas não só podem se adaptar às necessidades dos estudantes, mas também ajudar o professor a entender o comportamento dos alunos, oferecendo a ele potenciais recomendações de como amenizar ou reduzir as dificuldades encontradas pelos educandos, o que pode evitar a evasão”, ressalta Seiji. O professor completa: “A inteligência artificial não é algo que surgiu apenas para tornar as máquinas mais inteligentes, mas também pode ajudar a gente a ser mais inteligente. Nesse caso, é possível contribuir para que o professor tome decisões mais assertivas na hora de apoiar a aprendizagem do aluno”. 

Muitas pesquisas têm sido realizadas nesse campo a fim de ampliar a compreensão sobre o comportamento dos alunos durante a aprendizagem, utilizando interfaces capazes de reconhecer palavras, captar gestos, verificar o movimento dos olhos e de diversos indicadores fisiológicos (tais como batimentos cardíacos e tensão muscular). Quanto mais dados os pesquisadores conseguirem obter para inserir nos sistemas tutores inteligentes, maior será a probabilidade de que essas plataformas de ensino se tornem cada vez mais personalizadas e capazes de motivar e atrair a atenção dos usuários. 

Para o professor Claudio, no futuro, as plataformas de ensino funcionarão como jogos: “Ou seja, para manter o aluno engajado, se o jogo/atividade for muito difícil e o jogador/aluno não estiver ganhando/acompanhando nada, o próprio sistema reduzirá o nível de dificuldade para que ele não perca o interesse. Agora se o jogo/atividade estiver muito fácil e o jogador/aluno começar a ganhar sempre, o nível de dificuldade vai aumentar para que ele se sinta desafiado". Segundo o professor, esse processo, muito comum nos games, mantém os jogadores motivados, interessados e contribui para que desenvolvam diversas habilidades sociais, cognitivas e motoras. Para ele, tanto os jogos educacionais quanto a gamificação são campos muito promissores. 

Claudio diz que, no futuro, as plataformas de ensino funcionarão como jogos

Companhia para aprender – Os quatro professores autores do estudo Intelligence Unleashed: An argument for AI in Education, trazem um interessante relato à tona: “É dito que, na China antiga, cada príncipe real estudava com a companhia de um professor real. Talvez os imperadores chineses já soubessem que seus filhos aprenderiam mais efetivamente na presença de outra pessoa”. A seguir, os autores escrevem que a inteligência artificial deu uma nova vida a essa antiga história por meio do desenvolvimento dos sistemas “companheiros de aprendizagem”. Eles seriam como os professores dos príncipes chineses, mas em versão eletrônica, é claro. 

Por não serem mortais, esses companheiros inteligentes de aprendizagem (ou agentes inteligentes) estariam presentes durante toda a trajetória de vida de um ser humano, auxiliando-o na obtenção de novos conhecimentos. Diferentemente dos sistemas tutores inteligentes, que já são uma realidade, ainda há muitas pesquisas para serem realizadas antes que esses companheiros possam dividir a vida com a gente. Os especialistas da área estimam que isso levará cerca de 10 anos. 

Já os estudos sobre formação de grupos de alto desempenho estão bem mais avançados. Foram criados vários modelos computacionais que possibilitam, a partir da inserção de dados sobre os estudantes que compõem uma turma, criar grupos que têm maior potencial para trabalharem em grupo de forma produtiva. 

O estudo Intelligence Unleashed: An argument for AI in Education destaca que, ao longo das décadas, vários pesquisadores têm mostrado que o aprendizado colaborativo costuma gerar melhores resultados do que o aprendizado solitário. Isso porque o aprendizado colaborativo encoraja os participantes a articularem de forma mais adequada o que pensam, a justificarem as ideias, a refletirem sobre suas explicações, a resolverem as diferenças por meio de um diálogo construtivo e a construírem conhecimentos e novos significados de maneira compartilhada. Se as ferramentas da inteligência artificial forem realmente capazes de estimular esse tipo de aprendizado, talvez as salas de aula do futuro sejam, de fato, ambientes muito mais motivadores e atraentes, onde um novo mundo poderá surgir. 

Inscrições no novo curso de especialização oferecido pelo ICMC podem ser realizadas até 10 de outubro

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Site do curso de especialização em computação aplicada à educação: http://especializacao.icmc.usp.br/index.php
Link para ler o estudo Intelligence Unleashed: An argument for AI in Education:

Contato para esta pauta 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 23 de julho de 2018

USP cria novo curso para formar especialistas em computação aplicada à educação

As inscrições já estão abertas e as disciplinas serão oferecidas na modalidade ensino a distância; alunos só precisarão comparecer a dois encontros presenciais, no início e no fim do curso

Novidade atende demanda por formação de especialistas na área de tecnologias educacionais

Propiciar um contato direto com diferentes tecnologias computacionais que têm potencial para revolucionar a educação brasileira. Esse é o principal objetivo do primeiro curso de pós-graduação a distância lançado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos: uma especialização em computação aplicada à educação. Qualquer pessoa com formação universitária pode se inscrever na iniciativa, já que não é necessário possuir conhecimento prévio na área de computação e programação. 

Durante os 23 meses do curso, os participantes conhecerão as técnicas, práticas e ferramentas mais avançadas na área de computação que dão apoio aos processos de ensino e aprendizagem. Entre os tópicos que serão abordados estão, por exemplo, métodos motivacionais que podem ser utilizados no ambiente computacional para reduzir a evasão de alunos e técnicas da computação que permitem personalizar a aprendizagem, de acordo com as necessidades dos estudantes e dos professores. Além disso, serão apresentadas tecnologias abertas, colaborativas e de imersão – tais como as que já são utilizadas em jogos e as que possibilitam criar realidade aumentada ou virtual –, e também técnicas e ferramentas baseadas em inteligência artificial. 

“Todas essas tecnologias têm potencial para mudar radicalmente a interação do estudante com o ambiente educacional, aumentando a interação com o conteúdo que é ensinado. Consequentemente, é possível aprimorar a qualidade do ensino bem como os resultados de aprendizagem em todos os âmbitos, quer seja no ensino fundamental, médio ou superior”, explica o professor Seiji Isotani, do ICMC, coordenador do novo curso. 

O professor ressalta que o campo de trabalho e pesquisa na área de computação aplicada à educação tem crescido fortemente no Brasil e no mundo. Segundo o The Boston Consulting Group, só em 2015 foram mais de 4,5 bilhões de dólares investidos em tecnologias educacionais apenas no setor privado. Atualmente, centenas de startups (empresas de base tecnológica) com foco em desenvolvimento de tecnologia atuam nesse setor e grandes empresas também estão investindo a fim de propor, desenvolver e aplicar tecnologias computacionais para apoiar as atividades de ensino e aprendizagem. “O próprio Ministério da Educação tem atuado fortemente para criar políticas públicas que fomentem o desenvolvimento e uso adequado das tecnologias, principalmente na educação básica. Cito como exemplo o edital do Guia de Tecnologias e a Plataforma Integrada MEC de Recursos Educacionais Digitais”, completa Isotani. 

Seiji Isotani é o coordenador do novo curso oferecido pelo ICMC

Como participar – Para se inscrever na especialização, basta realizar o cadastro no sistema online de inscrição disponível no site do curso até dia 30 de setembro. A taxa de inscrição é de R$ 150. Serão selecionados, no máximo, 300 candidatos de todo o Brasil. O processo seletivo consistirá na análise dos documentos enviados durante a inscrição e o resultado final será informado via e-mail. Após a divulgação do resultado, o candidato aprovado deverá manifestar interesse na vaga, também via e-mail, e efetuar o pagamento da taxa de matrícula (R$ 390) em até sete dias. O valor da taxa é idêntico ao da mensalidade do curso, que totaliza 23 parcelas de R$ 390. 

Serão oferecidas, ainda, algumas bolsas de estudos para os alunos matriculados, os quais terão isenção total no pagamento da matrícula e das mensalidades. A seleção dos bolsistas também será realizada por meio da análise dos documentos enviados na inscrição. Haverá prioridade para a concessão de bolsas a professores, gestores e funcionários de rede pública que trabalham no ensino fundamental e médio (veja os demais critérios de seleção no site). 

Todas as informações referentes ao acesso ao ambiente online de aprendizagem e também em relação ao primeiro encontro presencial serão enviadas aos selecionados logo após a confirmação da matrícula. As aulas no ambiente online começarão dia 15 de outubro e o primeiro encontro presencial já está agendado: acontecerá nos dias 20 e 21 de outubro no ICMC, no campus da USP, em São Carlos. Conhecida como a capital da tecnologia, São Carlos está localizada no centro do Estado de São Paulo, a apenas 244 quilômetros da capital paulista, 146 quilômetros de Campinas e 101 de Ribeirão Preto. 

Ambiente diferenciado – O ambiente de ensino a distância em que a especialização será oferecida está em total sintonia com a proposta da iniciativa. Personalizado, o ambiente oferecerá uma ampla gama de atividades, tais como vídeo-aulas, atividades de leitura, avaliação pelos pares, trabalhos em grupo, discussões em fóruns, webinários, escrita de resenhas, criação de conteúdos educacionais, desenvolvimento de projetos e provas. 

Os títulos de algumas das disciplinas que serão oferecidas dão pistas sobre o conteúdo que será abordado em cada uma: “Gamificação da aprendizagem”; “Inteligência artificial na educação”; “A revolução das tecnologias da computação e o potencial de aplicação na educação”. Além do professor Seiji Isotani e da professora Ellen Francine, ambos do ICMC, o corpo docente do curso é multidisciplinar e agrega profissionais qualificados, todos com doutorado, que atuam em diferentes centros de pesquisa e ensino como a Escola Politécnica da USP, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a Universidade Federal de Alagoas, a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos. 

A especialização conta, ainda, com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e da Fundação de Apoio à Física e à Química (FAFQ). 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Telefone: (16) 3373-9146 
E-mail: especializacao@icmc.usp.br 

Contato para esta pauta 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Ciência para a educação: uma ponte entre dois mundos

Livro sobre as contribuições da ciência para a educação será lançado nesta terça em São Paulo; um dos capítulos da obra é de autoria de dois pesquisadores da USP, em São Carlos

Publicação é uma iniciativa da Rede Nacional de Ciência para Educação

Um grupo com mais de 100 pesquisadores brasileiros comprometidos em fazer ciência para melhorar a educação brasileira lançará o primeiro livro nesta terça-feira, 5 de dezembro, em São Paulo. A obra Ciência para educação: uma ponte entre dois mundos é resultado do esforço da Rede Nacional de Ciência para Educação. Entre os 25 autores do livro, todos associados à Rede, dois são vinculados ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos: o professor André de Carvalho e o pós-doutorando Isvani Blanco. 

Em parceria, professor e pós-doutorando redigiram o capítulo Máquinas que aprendem: o que nos ensinam, em que explicam como as ferramentas da área de aprendizado de máquina podem ser aplicadas em vários processos de ensino-aprendizagem. Esse é um dos 12 capítulos da obra, que tem foco multidisciplinar e linguagem acessível. Entre os demais assuntos abordados estão temas como o desenvolvimento do cérebro ao longo do crescimento e seu papel no aprendizado; a importância da educação infantil; o aprendizado das palavras e a participação familiar no desenvolvimento da aprendizagem dos alunos; o ensino da matemática tendo como embasamento os fundamentos da neurociência e da psicologia cognitiva; os transtornos mais comuns que afetam o ensino; e o papel das tecnologias na sala de aula.

A obra foi organizada pelos pesquisadores Roberto Lent, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Augusto Buchweitz, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; e Mailce Borges Mota, da Universidade Federal de Santa Catarina. Entre os autores do livro estão neurocientistas, psicólogos, economistas, cientistas da informação, fonoaudiólogos, psiquiatras, médicos, biólogos e linguistas de 12 instituições públicas e privadas do Brasil.

Criada em novembro de 2014, a Rede Nacional de Ciência para Educação tem por objetivo unir pesquisadores do país com estudos de potencial aplicação em educação, fomentar pesquisas na área e dar lastro para políticas e práticas educacionais baseadas em evidências. O lançamento do livro, pela editora Atheneu, acontece em São Paulo, nesta terça-feira, 5 de dezembro, às 18h30 na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, com um bate-papo com alguns dos autores. Já no Rio de Janeiro, o evento ocorrerá na sexta-feira, 8 de dezembro, às 18h30 na livraria Argumento do Leblon.

Professor André, do ICMC, é um dos 25 autores do livro

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Com informações da Assessoria da Rede Nacional de Ciência para Educação

Mais informações
Lançamento do livro “Ciência para educação: uma ponte entre dois mundos” em São Paulo: 5/12 às 18h30 na Livraria Cultura do Shopping Bourbon (com palestras de alguns autores). Rua Palestra Itália, 500 - Piso 3 - Loja 211 Perdizes .
No Rio de Janeiro: 8/12 às 18h30 na Livraria Argumento do Leblon. Rua Dias Ferreira, 417 – Leblon.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Veja como foi a viagem didática do ICMC à Fundação Dorina Nowill para Cegos

Estudantes de licenciatura do campus de São Carlos visitam a Fundação Dorina Nowill
Alunos de licenciatura do campus de São Carlos participaram de uma viagem didática à Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo, no dia 23 de outubro. Realizada pelo Laboratório de Educação Matemática do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o objetivo da visita foi apresentar aos estudantes os trabalhos realizados pela instituição.

A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, que há 70 anos se dedica à inclusão social de pessoas com deficiência visual. A instituição oferece, gratuitamente, serviços especializados para pessoas com deficiência visual e suas famílias, nas áreas de educação especial, reabilitação, clínica de visão subnormal e empregabilidade.

Veja o álbum de fotos no Flickr e no Facebook!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Por que os surdos precisam enxergar a matemática?

Os surdos têm uma maneira única de mergulhar no universo da matemática, por meio do corpo e do olhar

Nas mãos de Adriana, vemos a palavra "matemática"

Imagine que você precisa ensinar matemática para uma criança ouvinte. Você pode falar, por exemplo, que “duas vezes dois é igual a quatro”, e ainda usar os dedos para mostrar essa quantidade, e ela vai aprender. Alguns anos depois, você precisa ensinar que o sinal de X naquela conta é diferente do X que representa um número desconhecido. Não parece impossível, certo? Afinal, isso é ensinado a todo o tempo nas escolas.

Entretanto, algo que pode passar despercebido no processo de aprendizagem é a língua. Ouvir e falar é natural, e é por meio dessa comunicação que aprendemos, entre outras coisas, os conceitos matemáticos. Mas se os surdos não se comunicam da mesma maneira, como ensiná-los o mesmo conteúdo? A resposta é simples, afinal existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Na prática, outros problemas afetam o aprendizado de crianças surdas, principalmente na difusão dessa língua. De acordo com a professora Adriana Bellotti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, é o acesso a essa língua que vai fazer com que o surdo conheça o mundo, a matemática ou qualquer outra coisa. “O principal desafio para se ensinar qualquer disciplina para o surdo é a língua. Somos uma sociedade majoritariamente ouvinte, e o surdo, inserido nela, tem uma diferença linguística”, afirma.

Essa diferença linguística se torna um problema quando crianças surdas não têm acesso ao aprendizado da Libras desde pequenas, causando um atraso no seu desenvolvimento. “A língua de sinais tem que ser a primeira língua para o aluno surdo, pois é por meio dela que ele forma seus conceitos no ensino de matemática. Para ele compreender o conceito, precisa ter uma língua, que o faz compreender tudo, para que a conhecimento dele também evolua. Linguagem e cognição andam sempre juntos”, explica Adriana.

Adriana ministrando o curso de ensino de matemática para surdos

As dificuldades da língua – E o que impede essas crianças de não terem a exposição ideal à língua de sinais? Um dos problemas, segundo Adriana, é a tentativa de levá-los a usar a linguagem falada, ou oralidade: “A grande maioria dos surdos são filhos de pais ouvintes. Por isso, a tendência desses pais é buscar técnicas reabilitadoras da audição e, consequentemente, da oralização. Nesse processo, que pode durar aproximadamente sete anos, a criança pode não estabelecer linguagem alguma, oral nem visual”. Com isso, é estabelecido o atraso no aprendizado por conta da linguagem.

O outro problema, de acordo com Adriana, está no formato atual da escola inclusiva. Hoje, nessas escolas, existe um intérprete em sala de aula que faz a intermediação entre as línguas – entre o professor regente e o aluno surdo. Mas a especialista afirma que esse formato não é efetivamente inclusivo, visto que o professor não possui conhecimento da outra língua. “Esse aluno está inserido num ambiente ouvinte, mas ele tem um contato mínimo com seus colegas porque muitos não sabem se comunicar com ele. Então, ele fica restrito ao intérprete”, ela afirma. E isso resulta em uma situação onde o intérprete acaba se responsabilizando pelo aluno, quando essa função deveria ser do professor. “Essa relação entre professor e aluno deveria ser mais próxima por meio de um conhecimento básico da língua de sinais. O professor não precisa ter domínio completo da língua, mas, pelo menos, um conhecimento mínimo para incluir o aluno no contexto das explicações”, diz.Imagine, então, que juntando todas essas situações, o que poderia ser um problema simples acaba se acumulando à medida que o conteúdo da escola avança. Como o aluno chega na escola sem domínio de uma língua, o intérprete precisa ensinar tanto a comunicação em Libras quanto o sinal de um conceito matemático que a criança nunca viu. “Ou seja, ele tem que, ao mesmo tempo, constituir a língua e compreender os conceitos. Isso vai gerar um atraso na aprendizagem”, explica Adriana.

Trocando números por sinais – Quando a criança já está atrasada no conteúdo, o que fazer? Até mesmo um jogo de “par ou ímpar” pode não fazer sentido para ela. Por isso, Diany Nakamura, estudante de Licenciatura em Matemática do ICMC, pesquisou algumas estratégias para ensinar um aluno do 9º ano do Ensino Fundamental. Com deficiência auditiva, o estudante teve seu ensino prejudicado pela dificuldade de acesso ao conhecimento, já que não havia um intérprete em sala de aula.

Para promover a utilização de materiais adaptados, Diany trocou os números escritos da tabuada pelo sinal equivalente em Libras: “Quem tem deficiência auditiva e sabe Libras tem um reconhecimento visuo-espacial, ou seja, quando você faz um movimento com as mãos, ele imediatamente procura na cabeça o significado daquilo. É um processo que acontece muito mais rapidamente do que se o educador mostrasse o número por escrito”.

Folha de tabuada em Libras, feita por Diany. Cada coluna representa um valor da tabuada, do 3 ao 8

De acordo com Diany, o estudante não fazia a contagem numérica usando as mãos, associando cada dedo a uma unidade. Então, na hora de jogar “par ou ímpar”, por exemplo, ele não compreendia que havia um número sendo mostrado, mas tentava interpretar se aquela disposição da mão significava um sinal em Libras. Por isso, Diany mudou o jeito de jogar “par ou ímpar”: a ideia foi usar o sinal em Libras do número desejado em vez de simplesmente contar os dedos.

Segundo ela, aos poucos, o conceito foi sendo internalizado no aluno, e ele passou a compreender até mesmo a diferença entre equações. “Hoje, ele tem menos dificuldades na escola, e o atraso não é tão evidente”, afirma.

A escola bilíngue – O desafio, hoje, é que a Libras seja uma língua em circulação na sala de aula. Por isso, o formato ideal, de acordo com Adriana, é a escola bilíngue, em que a Libras seja a primeira língua. “Essa escola valoriza a língua de sinais, tudo é ensinado em língua de sinais. Em um segundo momento, entra a língua portuguesa na modalidade escrita”, explica a professora.

Mas também é necessário que a educação em casa seja feita em Libras. “O ideal é o ensino de língua de sinais desde quando for diagnosticada a surdez. Com isso, começa todo um processo de exposição à língua, porque é assim que a criança vai aprender e, quando chegar à escola, já tem uma língua constituída”, diz a professora.

Se houver esse embasamento, até nas escolas inclusivas, com a presença de um intérprete, a intermediação será mais eficiente. “O aluno já vai ter subsídios para compreender esse conteúdo por conta da língua de sinais que já estará constituída”, afirma.

A formação do professor – Se é preciso que o professor tenha, pelo menos, uma noção básica da língua de sinais, como formar esse profissional para que ele seja ainda mais capacitado? Por meio de um decreto publicado no Brasil em 2005, os cursos de licenciatura no país devem oferecer uma disciplina curricular obrigatória de Libras, enquanto os bacharelados devem tê-la como optativa. Mas isso não é suficiente para formar um profissional na língua. “Assim como qualquer língua, nós não conseguimos aprender a Libras em seis meses nem mesmo em um ano. O professor precisa ter noção de quem é o surdo, quais são as especificidades dele, qual é a melhor forma dele aprender, como se deu todo esse processo de educação até chegar onde ele está agora”, explica.

A disciplina de ensino de Libras é ministrada por Adriana nos cursos de licenciatura em Matemática, oferecido pelo ICMC, e licenciatura em Ciências Exatas, oferecido em parceria com o Instituto de Química de São Carlos e Instituto de Física de São Carlos. Pedagoga e doutora em educação, ela dedica sua carreira acadêmica à pesquisa e docência na área de educação de surdos. A disciplina prioriza o vocabulário básico, para que o professor seja capaz de se comunicar com o aluno surdo. Assim, o educador construirá uma relação com esses alunos e, ainda que não saiba a língua por completo, poderá assumir a responsabilidade pelo ensino, a qual deixará de ser do intérprete. A partir daí, eles podem estabelecer uma parceria para pensar em práticas e estratégias que favoreçam o aprendizado dos alunos surdos.

Alunos do curso de ensino de matemática em Libras dizem “A matemática está em tudo”
Além das disciplinas regulares, Adriana ministra um curso de extensão sobre ensino de matemática para surdos, que é aberto à comunidade, onde o conteúdo é aprofundado. Por isso, o requisito básico é que os participantes tenham um curso introdutório de Libras. Entre os matriculados estão alunos que fizeram a disciplina regular e quiseram dar continuidade ao estudo, professores de outras instituições, alunos de mestrado e doutorado, professores da rede municipal e intérpretes de língua de sinais.

No curso, Adriana apresenta um tema e, durante as aulas, os participantes debatem as melhores formas de transmitir o conteúdo e os conceitos aos surdos. “Trabalhamos estratégias metodológicas, reflexões mais aprofundadas sobre o ensino de matemática para surdos, visto que os alunos já têm uma base na língua”, afirma.

Um exemplo do conteúdo abordado é a geometria. Inicialmente, achamos que é mais simples para os alunos surdos aprenderem esse conteúdo, por ser mais visual. Mas, apesar de captar a imagem com mais facilidade, eles ainda precisam compreender o conceito. Explicar o que é um triângulo, qual o seu sinal, o que é ângulo são, de acordo com Adriana, algumas das dificuldades encontradas no caminho: “temos que proporcionar atividades práticas para que ele compreenda o conceito”, explica. Segundo ela, o aspecto visual é extremamente importante, mas deve ser aliado a um suporte, como um material de apoio em Libras para o aluno estudar.

Adriana ainda explica que, em alguns casos, o intérprete pode entrar em acordo com o aluno para criar um sinal, porque a construção do conceito caminha junto com a linguagem. “Como a língua de sinais é uma língua em construção, temos muitas áreas que não têm um vocabulário oficial. Então, o intérprete vai construindo a língua junto com o aluno, na prática. Esse acordo é possível desde que, em outro momento, exista um trabalho para conhecer o sinal oficial”, conta a professora.

Segundo ela, é preciso existir uma maior valorização da língua de sinais, para que os professores compreendam sua necessidade. “Os professores têm o conhecimento específico da matemática, mas não sabem a metodologia, a didática e a prática, com esse olhar voltado para o surdo e sua especificidade”, diz Adriana.

A professora finaliza afirmando que o principal problema nessa área está relacionado à forma como as pessoas enxergam a língua de sinais: “É importante que existam as leis, mas um dos desafios é a língua sair do status de apenas obrigatória. No meio social, as pessoas precisam valorizá-la enquanto língua, em vez de gestos ou mímica. Ela tem características próprias que a definem enquanto meio de comunicação e expressão da comunidade surda, e se é importante, assim como o inglês ou espanhol, por que não ser uma disciplina curricular para as crianças? Se for assim, no momento em que elas precisarem usar a Libras, vai ser natural”.

Texto: Alexandre Wolf – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP


ESTA REPORTAGEM FAZ PARTE DO ESPECIAL DO JORNAL DA USP 

"A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO": http://jornal.usp.br/especial/matematica/

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Exposição sobre as escolas de São Carlos contribui para formação de futuros professores

Em cartaz até o final de junho na Biblioteca Achille Bassi, no ICMC, exposição ajuda a compreender o desenvolvimento da educação em São Carlos nos primeiros anos da República

Exposição é composta por oito painéis que destacam a implantação do modelo
de grupo escolar no Estado de São Paulo (crédito: Denise Casatti)

As transformações pelas quais passaram a área de educação no Estado de São Paulo e seus reflexos nas escolas de São Carlos durante a Primeira República são o tema de uma exposição que está em cartaz na Biblioteca Achille Bassi, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Aberta ao público e gratuita, a exposição é resultado de uma parceria entre a Fundação Pró-Memória de São Carlos e a prefeitura municipal da cidade.

“Os estudantes que estão frequentando nossos cursos de Licenciatura em Matemática e Licenciatura em Ciências Exatas vão se inserir em um sistema educacional que tem uma história e eles precisam conhecê-la”, ressalta a professora Esther Prado, que foi responsável por trazer a exposição ao Instituto. Visitar a exposição é uma das atividades que ela inseriu na disciplina “História da Educação e das Orientações Curriculares de Matemática Brasileiras”. A disciplina se tornou obrigatória este ano para os alunos de Licenciatura em Matemática do ICMC. 

Na opinião da professora, conhecer o que aconteceu nos primeiros anos da República é fundamental para que os estudantes possam compreender a situação da educação nos dias atuais e projetar as mudanças futuras: “Quando eles se tornarem professores vão vivenciar outras mudanças curriculares. Por isso, é importante que saibam como esse tipo de alteração pode afetar a educação”.

A exposição é composta por oito painéis que retratam, entre outros fatos, a implantação do modelo de grupo escolar no Estado de São Paulo. Esse modelo provocou uma inovação no sistema de ensino adotado no fim do século XIX e início do século XX no Brasil, transformando a organização administrativa e pedagógica das escolas, além de provocar mudanças na didática adotada. 

O grupo escolar Coronel Paulino Carlos foi o primeiro de São Carlos e começou a funcionar no dia 1º de abril de 1905. “Para atender às escolas unidas no grupo escolar, edifícios específicos foram construídos em lugares de destaque no cenário urbano, de modo que a arquitetura destacasse a República”, explica um dos painéis. “Além da imponência dos prédios, seus espaços foram criados para atingir às exigências da mais moderna pedagogia, como museus, laboratórios, auditórios, bibliotecas”, destaca o material. 

Situado na rua Dona Alexandrina, 1087, o edifício desse primeiro grupo escolar da cidade teve como engenheiro responsável Euclides da Cunha e foi tombado, em 2010, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. Hoje, no local, funciona a Escola Estadual Coronel Paulino Carlos.

A exposição fica em cartaz até o dia 30 de junho na Biblioteca Achille Bassi, que se localiza na área I do campus da USP, no centro de São Carlos. As visitas podem ser realizadas de segunda a sexta, das 8 às 21h30, e aos sábados, das 9 às 12 horas.

Grupo escolar Coronel Paulino Carlos foi o primeiro de São Carlos (crédito: Condephaat)

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC


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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Confira a íntegra da palestra “Processo de acesso à universidade: sistemas de avaliação, equidade e ações afirmativas”

Renato Pedrosa ministrou a palestra no ICMC

O vídeo com a íntegra da palestra do professor Renato Pedrosa, da UNICAMP, sobre o processo de acesso à universidade, está disponível no canal do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) no Youtube: icmc.usp.br/e/b3568.

Coordenador do Laboratório de Estudos de Educação Superior da UNICAMP, Pedrosa vem se dedicando, recentemente, ao estudo de políticas relacionadas à educação superior, incluindo temas como: a transição do ensino médio ao ensino superior e equidade no acesso, incluindo ações afirmativas e sistemas de avaliação (Enem/Sinaes/Enade); o impacto da educação sobre o desenvolvimento econômico; a qualidade da formação para as áreas de ciências, tecnologias, engenharias e matemática; a governança e a diversidade institucional das instituições de ensino superior. 

O professor esteve no ICMC dia 30 de março, quando ministrou a palestra no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano.

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Vídeo na íntegra: icmc.usp.br/e/b3568
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quarta-feira, 29 de março de 2017

Seja um voluntário e ajude a levar robótica e inclusão digital para jovens

Estudantes e profissionais das áreas de administração, comunicação, educação, finanças, psicologia e recursos humanos podem contribuir com a iniciativa que pretende estimular crianças e adolescentes a construir e programar robôs

O professor Eduardo Simões (à direita) e os funcionários da Microsoft explicam
os objetivos do projeto para estudantes do ICMC

Inspirar jovens de escolas públicas, abrindo novas perspectivas de carreira é o objetivo de um projeto coordenado pelo professor Eduardo Simões, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Ele e sua equipe constroem robôs que costumam encantar crianças e adolescentes por onde passam, estimulando aprendizados. Mas ele tem um desafio pela frente: expandir a iniciativa para além das quatro escolas são-carlenses que já participaram do projeto piloto. Isso só poderá ser realizado com o auxílio de um time de voluntários de diferentes campos do conhecimento.

“Tecnicamente, sabemos como fazer os robôs, temos os equipamentos, as ferramentas e muitos estudantes de computação e engenharia como voluntários. No entanto, faltam recursos humanos de outras áreas para desenvolvermos um modelo replicável, que possibilite alcançar mais escolas e impactar mais jovens”, explica Simões. 

Neste mês de março, foi dado um dos primeiros passos para que esse plano de expansão se concretize. Três funcionários de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a IBM, chegaram a São Carlos no dia 13 de março e permanecerão na cidade até 6 de abril. Nesse período, eles estão ajudando a construir um plano de ação para o projeto. Na próxima segunda-feira, 3 de abril, às 19 horas, o professor Simões e esses três funcionários da IBM apresentarão o plano para os voluntários interessados. O evento acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germanos, no ICMC. 

“O time já está desenvolvendo um novo projeto piloto para o ensino de robótica e inclusão digital. A ideia é que, a partir dos resultados alcançados, eles consigam construir um programa de quatro semanas que possa ser replicado e levado a mais escolas públicas. A meta é crescer de forma sustentável, aumentando, aos poucos, o alcance do projeto para mais escolas e regiões”, revela Scott Frei, gerente de tecnologia de circuitos da IBM nos Estados Unidos. 

Scott está no Brasil porque o projeto de Simões foi um dos escolhidos pelo programa internacional de cidadania corporativa da IBM, o Corporate Service Corps (CSC). O programa seleciona funcionários da empresa em todo o mundo para atuar em projetos que integram planos de crescimento econômico, gestão de processos e tecnologia, oferecendo consultorias gratuitas. Além da contribuição de Scott, o projeto está recebendo o apoio de Zerrin Çitkaya, gerente de projetos da IBM na Turquia, e Lynn Wan Jiang, líder de teste de software no laboratório de desenvolvimento da empresa na China.

A iniciativa piloto a que Scott se refere está acontecendo com 20 jovens, entre 10 e 14 anos, que participam do Pequeno Cidadão, um programa pós-escola desenvolvido pela USP, em São Carlos, que oferece aulas de reforço, artes e atividades esportivas para estudantes da rede pública. “Os robôs despertam uma curiosidade nos jovens e a consequência dessa brincadeira com a tecnologia é o aprendizado, que acontece naturalmente. Nossa ideia é realizar oficinas para que eles construam, desconstruam e controlem esses equipamentos, passando a entender conceitos importantes da área de computação, matemática e física de uma forma divertida”, conta Simões. 

Os voluntários que participarem da iniciativa também terão a oportunidade de obter um grande aprendizado. Quem desejar contribuir deve se inscrever, até 9 de abril, por meio deste formulário eletrônico: www.icmc.usp.br/e/e25a5. Para participar do processo seletivo, basta ser um estudante ou profissional das áreas de administração, comunicação, educação, finanças, psicologia ou recursos humanos. No caso de estudantes de graduação, é recomendável estar cursando os últimos dois anos do curso. Também é necessário ter entre duas e quatro horas semanais disponíveis para se dedicar à iniciativa. 

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Da esquerda para a direita: Zerrin, Lynn, Scott, Simões (ao centro) e estudantes
do ICMC no evento que marcou o início das consultorias da IBM ao projeto

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Com informações da Assessoria de Imprensa da IBM

Crédito das fotos: reunião com alunos - Denise Casatti; equipe no início do projeto - Neylor Fabiano

Apresentação do projeto Robótica e Inclusão Digital
Quando: 3 de abril, segunda-feira, às 19 horas
Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (sala 6-001) no ICMC
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400, no campus I da USP em São Carlos
Inscrições para voluntários: até 9 de abril por meio do link www.icmc.usp.br/e/e25a5
Mais informações: professor Eduardo Simões – diro.icmc@gmail.com

Contato com a imprensa
Assessoria de Imprensa ICMC/USP: comunica@icmc.usp.br
Telefone: (16) 3373.9666

sexta-feira, 10 de março de 2017

Robótica e inclusão digital nas escolas: projeto da USP São Carlos recebe apoio da IBM

Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação é uma das quatro instituições de São Carlos selecionadas para receber consultoria de funcionários da empresa

Sucata se transforma em robôs no laboratório coordenado pelo professor Eduardo Simões

Ele tem um sonho: mostrar aos jovens que é possível estudar em uma universidade pública e se tornar um cientista. Esse sonho foi se tornando realidade nos últimos anos, quando, voluntariamente, o professor Eduardo Simões, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, se uniu a alguns alunos e começaram a construir robôs com sucata e a apresentá-los a crianças que estudam em quatro escolas na cidade de São Carlos, a cerca de 240 quilômetros da capital do Estado de São Paulo. Ao ver a transformação provocada naqueles jovens com a iniciativa, o professor compreendeu que era preciso ampliar o alcance de seu projeto. Agora, com o apoio de um programa internacional de cidadania corporativa da IBM, o Corporate Service Corps (CSC), Simões pretende disseminar a robótica e a inclusão digital para mais jovens brasileiros.

“Nós temos o conhecimento, os equipamentos e as ferramentas. No entanto, faltam recursos humanos para que possamos desenvolver um plano de ação e um modelo de escalabilidade que possibilite expandir esse projeto piloto. Queremos alcançar mais escolas, mais cidades e impactar mais jovens”, revela o professor. Segundo ele, para que o plano se concretize, é preciso uma união de forças entre Universidade, empresas, prefeituras, escolas públicas e privadas.

Por meio do programa da IBM, que está em sua 21ª edição no Brasil, serão oferecidas consultorias à equipe do professor, promovendo o desenvolvimento de lideranças que possibilitarão a expansão da iniciativa. O programa seleciona funcionários da empresa em todo o mundo para atuar em projetos que integram planos de crescimento econômico, gestão de processos e tecnologia. Todos os projetos são desenvolvidos para alavancar organizações de cidades em desenvolvimento.

Para Simões, o apoio da IBM é uma oportunidade
de crescimento para todos os envolvidos no projeto
Em 2017, além do ICMC, três instituições de São Carlos – Departamento de Apoio à Educação Ambiental da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) e Instituto Inova – foram selecionadas para receber a consultoria dos funcionários da IBM, que irão ajudar na construção coletiva de soluções para os problemas apontados por essas organizações. Ao todo, atuarão nos projetos 12 funcionários da IBM vindos de 10 países (China, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Irlanda, República Checa e Turquia).

O time será subdividido em quatro equipes para mergulhar nas problemáticas pelo período de 30 dias. O início dos trabalhos será marcado por um painel sobre tecnologia e inovação social, que acontecerá na próxima segunda-feira, 13 de março, na sede do Instituto Inova, em São Carlos. Na ocasião, cada parceiro compartilhará sua percepção de como a tecnologia pode gerar inovação, além de melhorar a eficiência em processos e gestão. O programa prevê que, ao final do período de consultoria, as equipes da IBM apresentem um relatório apontando as transformações que podem ser realizadas para que as organizações tenham uma atuação mais eficiente.

“Os robôs despertam uma curiosidade nos jovens e a consequência dessa brincadeira com a tecnologia é o aprendizado, que acontece naturalmente. Nas oficinas em que controlam, desconstroem e constroem esses equipamentos, eles passam a entender conceitos importantes da área de computação, matemática e física de uma forma divertida”, conta Simões. O aprendizado também acontece para os alunos de graduação e pós-graduação da USP que participam da iniciativa como voluntários e, agora, poderão conhecer pessoalmente alguns funcionários da IBM. “Será uma excelente oportunidade de crescimento para todos nós”, finaliza o professor.

Uma das vantagens dos robôs fabricados com sucata é o baixo custo

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Com informações da Assessoria de Imprensa da IBM

Créditos das imagem: fotos dos robôs - Denise Casatti/ICMC; foto do professor Simões - Reinaldo Mizutani/ICMC

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