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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Semana da Licenciatura em Ciências Exatas da USP discute a formação docente frente à realidade escolar

Evento gratuito e aberto a todos os interessados acontecerá de 23 a 26 de setembro, das 19 às 22h40, no campus da Universidade, em São Carlos




Destinada a alunos de licenciatura, professores e profissionais da área de educação, a 14ª Semana da Licenciatura em Ciências Exatas (SeLic) da USP São Carlos começa na próxima segunda-feira, 23 de setembro, e se estenderá até quinta, dia 26. Entre as atrações do evento, que é gratuito, estão mesas redondas, oficinas, minicursos, palestras e apresentações de trabalhos. Todas as atividades acontecem das 19 às 22h40. 

Para participar, basta se inscrever no site da SeLic. No caso dos minicursos e das oficinas, o interessado deverá escolher uma das atividades oferecidas em cada período, já que são simultâneas. Por exemplo, na noite de abertura do evento, o participante poderá se inscrever em um desses três minicursos: A inclusão e seus desafios: possibilidades de materiais didáticos adaptados no ensino de ciência; Rompendo as barreiras para a aprendizagem: experiências e possibilidades; Ensino de física para deficientes visuais. Já na noite de quarta, a escolha deve ser realizada entre uma dessas três oficinas: Recursos tecnológicos em sala de aula; Adaptações curriculares para alunos com deficiência; Jogos matemáticos

A formação docente frente à realidade escolar é o tema que permeia toda a programação da SeLic deste ano, a qual pode ser consultada no site do evento. Na quinta-feira, haverá a mesa redonda Realidades da escola brasileira, com o professor Reginaldo Anselmo Teixeira e a secretária municipal de Educação de Oeiras, Tiana Tapety. A cidade, que fica no sertão do Piauí, é reconhecida por ter obtido um verdadeiro salto na educação, atestado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). 

Coordenada por alunos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas, que é oferecido em parceira pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC), a SeLic não tem taxa de inscrição. Solicita-se apenas que os participantes façam a doação de 1 kg de alimento não perecível, na abertura do evento, que será encaminhado à comunidade Divina Misericórdia, entidade que oferece apoio e abrigo a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em São Carlos. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Elas estão rompendo as barreiras das Exatas

Projeto da USP, em São Carlos, é um exemplo de como a união de forças entre universidades e escolas públicas pode gerar impactos relevantes e nortear futuras políticas públicas em prol da igualdade de gênero.

A professora Kalinka Castelo Branco durante a escola de verão que ensinou 162 garotas a desenvolverem aplicativos, a iniciativa faz parte de um amplo projeto chamada Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas, aprovado em chamado do CNPq

É sábado, hora do almoço e uma fila gigante se forma em frente à entrada do restaurante universitário da USP, em São Carlos: as camisetas brancas com mangas cor-de-rosa distinguem as meninas e mulheres que ali estão dos frequentadores rotineiros do local. Olhares curiosos perguntam: quem são elas? 162 garotas de 10 a 18 anos, 80% estudantes de escolas públicas da região. 

A maioria vive a experiência de entrar pela primeira vez em uma universidade pública e, tímidas, esforçam-se para repetir os movimentos que os mais experientes fazem: pegam suas bandejas, percorrem a bancada preenchendo os espaços com a comida, retiram os talheres e, antes de se sentarem, colocam as canecas plásticas debaixo das máquinas de suco. 

A balbúrdia se repete por mais quatro sábados, quando elas se perfilam novamente em frente ao restaurante. Mas, na quinta vez, as cenas já são visivelmente diferentes: há poucos olhares curiosos e elas sorriem, conversam ruidosamente e correm sem timidez pelo bandejão. A professora Kalinka Castelo Branco não esconde a satisfação que sente por ter acompanhado essa aventura: “Agora, elas sentem que esse espaço também é delas”. 

Kalinka sabe que as cenas no restaurante da USP revelam muito mais sobre o que aconteceu nesses cinco sábados em que as garotas participaram das atividades de uma escola de verão que ensinou a desenvolver aplicativos, a Technovation Summer School for Girls, realizada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Kalinka sabe que essas 162 meninas romperam importantes barreiras e ampliaram os campos em que podem atuar. 

O próximo capítulo da balbúrdia já tem data marcada: acontece sábado, dia 24 de agosto, das 14 às 17 horas. É quando acontecerá o evento Mude o Jogo no ICMC, em que a meta é levar as garotas a compreenderem que o mundo dos jogos eletrônicos é outro espaço que elas podem e devem ocupar. Voltado a participantes do gênero feminino, de 15 a 21 anos, o evento vai explicar como desenvolver um jogo para celular e submeter a proposta ao desafio internacional do Google Change the Game.

Evento Mude o Jogo acontece sábado, dia 24, no ICMC e ainda há vagas disponíveis, inscreva-se: icmc.usp.br/e/37802 

Empoderar para mudar – Nos cinco sábados da Technovation Summer School for Girls, as 162 garotas se dividiram em times para criar aplicativos que solucionassem problemas sociais. Formados por até 5 participantes, os grupos se dividiam em duas categorias: Sênior, para meninas de 15 a 18 anos; e Júnior, para meninas de 10 a 14 anos. 

“A ideia não foi apenas trazê-las para conhecerem o mundo da tecnologia, mas empoderá-las. Durante os cinco encontros, elas puderam colocar a mão na massa: trabalharam na ideação do projeto, no desenvolvimento do aplicativo e na apresentação da proposta (pitch). As mais velhas até fizeram um plano de negócios”, explica a professora. Em cada uma dessas fases, receberam treinamentos específicos e puderam desenvolver habilidades sociais adicionais relacionadas ao trabalho em equipe e à arte de falar em público, por exemplo. 

As participantes puderam desenvolver habilidades sociais adicionais durante o evento, tal como as relacionadas ao trabalho em equipe e à arte de falar em público
“Todas as palestras foram ministradas por mulheres que estão nesse meio, que é super restrito, e elas mostram os exemplos delas e dão apoio para a gente seguir e sempre querer aprender mais”, revela uma das participantes, Sarah Piedade de Oliveira, 16 anos. “O que tive a oportunidade de ver foi realmente um cenário de inclusão. Muitas ideias legais e funcionais criadas no evento têm grandes chances de virar realidade e, daqui a pouco, quem sabe, poderemos fazer download dos aplicativos dessas garotas”, diz Larisse Gois, gerente de tecnologia da Logicalis. Formada em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos, ela foi uma das palestrantes do evento. 



Quando a Technovation Summer School for Girls terminou, no dia 13 de abril, além da premiação aos melhores projetos, os grupos foram estimulados a inscreverem seus aplicativos no desafio global Technovation Challenge. No total, a plataforma do desafio contabilizou inscrições de 7,2 mil meninas de 57 países. Desse total, 1.226 eram brasileiras, reunidas em 216 diferentes grupos. Entre as semifinalistas do desafio, 150 equipes no total, estavam 15 times brasileiros: 9 na categoria Sênior e 6 na Júnior. As garotas que participaram do evento do ICMC conseguiram emplacar três projetos entre os semifinalistas: o aplicativo for-all-of-us (Sênior) e os aplicativos Pet Hero e SafU (ambos na categoria Júnior). Vale a pena assistir aos vídeos em que elas explicam como esses aplicativos funcionam: icmc.usp.br/e/dcfea

“Provavelmente, se não houvesse a escola de verão, essas três equipes de São Carlos não conseguiriam chegar à semifinal da competição global”, conta Kalinka. Muito além dessa conquista, estão os aprendizados que as 162 participantes da escola puderam obter. Com certeza, a experiência de criar o primeiro aplicativo a gente nunca esquece. 





Desigualdade explícita – A Technovation Summer School for Girls está sob o guarda-chuva de um grande projeto chamado Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas, aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no final de 2018. Ao todo, a iniciativa tem à disposição, ao longo deste ano, R$ 95 mil para desenvolver diversas atividades. O Mude o Jogo será a próxima e haverá, ainda, no dia 19 de outubro, o Ada Lovelace Day

“Analisando o número de ingressantes do sexo feminino nos cursos de ciências exatas e da terra nas três maiores universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp), observamos uma grande disparidade entre o número de homens e mulheres, reforçando o estigma de ser uma área majoritariamente masculina, o que vai ao encontro de diversos resultados de pesquisas publicados recentemente”, escreve a professora Kalinka no projeto. 

É fato que não faltam dados para mostrar o tamanho da desigualdade na área. Enquanto o número de cursos de computação cresceu 586% nos últimos 24 anos no Brasil, o percentual de mulheres matriculadas nesses cursos caiu de 34,8% para 15,5%, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). 

Considerando-se os profissionais atuantes na área em 2014, apenas 20% são do gênero feminino segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o CNPq fez um levantamento em 2016 mostrando que mais de 80% dos mestres e doutores em computação no nosso país são do gênero masculino. 

Esses números estão em sintonia com os apresentados no artigo Uma análise de gênero a partir dos dados da Sociedade Brasileira de Computação: 78,13% das pessoas associadas à instituição são do gênero masculino e 21,87% do feminino. O estudo foi publicado nos anais da 13ª edição do workshop Women in Information Technology (WIT), realizado em Belém, dias 15 e 16 de julho, como parte do 39º Congresso da Sociedade Brasileira de Computação. 

O WIT premiou como melhor artigo o trabalho Gênero e suas nuances no ENEM, de autoria da doutoranda Viviana Noguera e das professoras Cristina Ciferri e Kalinka, todas do ICMC. Em busca por explicar as múltiplas causas do decréscimo da participação das mulheres nas ciências exatas, as três decidiram analisar o desempenho dos participantes no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) ao longo de cinco anos (de 2013 a 2017). “De forma geral, os resultados das análises mostraram que o desempenho dos participantes masculinos foi discretamente superior ao das participantes femininas em matemática e ciências da natureza”, escrevem as pesquisadoras no artigo. 

O que mais surpreende no estudo é que o levantamento considerou também fatores como cor/raça, renda mensal, tipo de escola no ensino médio e região de residência dos participantes. Os gráficos que mostram o desempenho ano a ano, de acordo com a cor/raça dos estudantes, evidenciam um mesmo padrão: quem se autodeclara de cor/raça branca obtém as melhores notas seguido sempre pelos que se autodeclaram amarelos, pardos, pretos e indígenas. A exclusão racial fica explícita nos dados do ENEM. 

Os gráficos mostram o desempenho por raça/cor para as categorias identificadas como: (0) não declarado; (1) branca: (2) preta; (3) parda; (4) amarela: (5) indígena
(Fonte: artigo "Gênero e suas nuances no ENEM")

Outro tipo de exclusão é visível nos gráficos que mostram o desempenho dos participantes de acordo com a renda. Como era de se imaginar, conforme a renda mensal aumenta, melhoram também os resultados obtidos nas notas do ENEM. O padrão é o mesmo ano a ano: uma reta desenha um caminho ascendente, mostrando a evolução progressiva do desempenho seguindo linearmente a evolução da renda. 

Na conclusão do artigo, as pesquisadoras ressaltam que são necessários estudos mais aprofundados a fim de identificar como as instituições educacionais devem atuar para minimizar as discrepâncias entre gêneros. O que o estudo deixa evidente é que as disparidades no desempenho dos estudantes vão se perpetuando ao longo de todo processo educacional e que o combate à desigualdade de gênero no ensino superior, especialmente na área de ciências exatas, requer um esforço para alcançar quem ainda não está nas universidades. 

Os gráficos mostram o desempenho por renda salarial mensal para diversas categorias desde para aqueles participantes que declaram nenhuma renda (A) até quem informou ter renda maior que R$ 18.740,00 (Q)
(Fonte: artigo "Gênero e suas nuances no ENEM")

Desconstruindo muros – Não é à toa que parte dos R$ 95 mil fornecidos pelo CNPq para o projeto Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas está sendo investido em bolsas para estudantes e também professoras de cinco escolas estaduais de São Carlos: Aduar Kemell Dibo; Álvaro Guião; Bento da Silva Cesar; Orlando Perez; e Sebastião de Oliveira Rocha. “São escolas públicas de diferentes regiões da cidade, tanto de áreas centrais quanto periféricas, com diferentes realidades tanto em relação à infraestrutura quanto ao perfil do público atendido”, ressalta Kalinka. 

Três estudantes de cada escola recebem uma bolsa de pré-iniciação científica no valor mensal de R$ 100 e as escolas têm um professor tutor, que é o responsável por coordenar as atividades do projeto e recebe uma bolsa de R$ 400. Esse grupo, composto por 15 estudantes e 5 professoras, está participando, desde março, de um curso sobre programação usando a linguagem Python e o objetivo é que se tornem replicadoras desse conteúdo em suas respectivas escolas para ampliar o impacto da iniciativa. 

No sábado, 10 de agosto, essa turma se uniu a 12 garotas e quatro professoras de mais quatro escolas públicas da cidade – Cidade Aracy IV, Fúlvio Morganti, João Batista Gasparin e Maria Ramos – para iniciarem outro curso: dessa vez, o tema é robótica. É o início de um novo capítulo do projeto criado pela professora Kalinka que se tornou possível por meio de uma parceria estabelecida com o professor José Marcos Alves, da Escola de Engenharia de São Carlos. Coordenador do Centro de Inclusão Social USP São Carlos (CIS), o professor contou com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC) para estender a iniciativa às quatro escolas e fornecer bolsas a mais garotas. 

A jornada em prol da inclusão demanda remover os muros que separam as universidades das escolas públicas e também questionar os estereótipos de gênero que categorizam o que são as habilidades tipicamente femininas das que são tipicamente masculinas. Se os estudantes, independentemente do gênero, se unirem em prol desse processo de desconstrução, os resultados poderão ser alcançados mais rapidamente. 

Por isso, uma das iniciativas do projeto é promover atividades esportivas como campeonatos de futebol de botão e de Futebol Callejero (de rua, em português) nas escolas. Entre as características que diferenciam o Futebol Callejero da modalidade tradicional está a entrada em campo de homens e mulheres juntos e a inexistência de um juiz, pois os conflitos são resolvidos por meio do diálogo entre os jovens. Para contribuir com essas iniciativas, a professora Kalinka chamou para o jogo o professor Osmar Moreira de Souza Júnior, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 



Matemática em campo – Outra parceria que ampliou o escopo de atuação do projeto foi estabelecida com a professora Ires Dias, do ICMC. Ela acompanha, há 14 anos, a trajetória de estudantes da região premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e coordena uma das regionais do Estado de São Paulo do programa OBMEP na Escola, que tem como objetivo contribuir para a formação de professores em matemática, estimulando estudos mais aprofundados e a adoção de novas práticas em sala de aula. 

A partir da colaboração com Kalinka, Ires passou a abarcar mais uma escola pública da cidade na iniciativa, a Conde do Pinhal, onde duas professoras trabalham com 52 alunos na resolução de problemas matemáticos. Outros 90 alunos são atendidos por três professoras e um professor nas escolas Esterina Placco e Ary Pinto das Neves. “Nossa preocupação é atrair mais meninas para o programa, sem deixar de fora os meninos que querem aprender mais matemática”, conta Ires. 

A OBMEP fornece uma bolsa de R$ 756 para cada professor e também o material que usarão em sala de aula. Mensalmente, Ires se encontra com o grupo para orientá-los no que for preciso. Ela também coordena o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) na região, que oferece bolsas de R$ 100 mensais para os medalhistas da OBMEP se dedicarem aos estudos. Quem mora em São Carlos tem a oportunidade de participar de encontros presenciais, que são realizados aos sábados, no ICMC, já quem mora em outras cidades realiza as atividades por meio de uma plataforma on-line. Não são poucos os jovens medalhistas que têm o primeiro contato com uma universidade pública por meio do PIC: “Acendemos uma luz em toda a escola em que há um medalhista da OBMEP chamado para participar do programa”. 

É essa luz que as universidades públicas estão buscando acender quando lançam projetos para promover a igualdade de gênero. Aliás, enquanto muitos criticam o uso do termo “gênero” pelas ciências humanas, vale notar que “gênero” é também a palavra da vez nas ciências exatas: está mais presente do que nunca em publicações científicas da área, presente em artigos que mostram resultados de estudos rigorosamente científicos e reveladores da realidade da desigualdade na computação, na matemática, na estatística, nas engenharias e em suas ciências irmãs. Diante do déficit de profissionais qualificados nesses campos e do constante aumento da demanda, a equidade de gênero nas exatas não é mais uma insignificante questão ideológica, mas um desafio econômico que precisa ser enfrentado por qualquer país que pretenda se destacar no mundo da tecnologia. 



Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Inscreva-se no Mude o Jogoicmc.usp.br/e/37802
Site do Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE): http://grace.icmc.usp.br/index.html 
Site do Technovation Challenge: https://technovationchallenge.org/
Assista aos vídeos da escola de verão: icmc.usp.br/e/dcfea
Leia o artigo Gênero e suas nuances no ENEMicmc.usp.br/e/9da10

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Venha torcer pelos robôs: regional da Olimpíada Brasileira de Robótica será na USP São Carlos dias 15 e 16

No próximo fim de semana, além de assistir à competição, você também poderá jogar futebol com robôs, experimentar games criados por estudantes da USP e conhecer iniciativas que buscam atrair mais meninas para a área de ciências exatas

Evento é gratuito, aberto a toda a comunidade e acontece das 8h30 às 18 horas no salão de eventos da USP, em São Carlos

“Em um ambiente hostil, muito perigoso para o ser humano, um robô completamente autônomo, desenvolvido por uma equipe de estudantes, recebe uma tarefa difícil: resgatar vítimas sem interferência humana”. É assim que começa o texto que explica como funciona a modalidade prática da Olimpíada Brasileira de Robótica e você poderá assistir aos robôs realizando essas ações de resgate, ao vivo e gratuitamente, no próximo final de semana, dias 15 e 16 de junho. É quando acontecerá a etapa regional da competição no salão de eventos da USP, em São Carlos, das 8h30 às 18 horas.

Os atletas-robôs entrarão em campo para superar terrenos irregulares, transpor caminhos desconhecidos, desviar de escombros e subir montanhas para conseguir salvar vítimas, nesse caso, bolinhas de isopor prateadas, que precisam ser transportadas para uma região segura nas arenas de madeira. Nesse caso, os atletas foram treinados por equipes de estudantes, compostas por dois a quatro integrantes. 

Em São Carlos, participarão da etapa regional cerca de 200 equipes divididas em dois níveis: o nível 1 é voltado aos alunos do 1º ao 8º ano do ensino fundamental e o nível 2 aos estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental e a todos os alunos do ensino médio ou técnico. Basicamente, o que muda de um nível para outro é o grau de dificuldade a ser enfrentado pelos competidores. Além do desafio de resgatar vítimas, as equipes enfrentam desafios surpresas: tarefas especiais que são sorteadas na hora do evento para possibilitar aos participantes fazer adaptações na programação de seus robôs. 

Coordenada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, a etapa regional da OBR em São Carlos selecionará as equipes que seguirão para disputar a fase estadual da competição, que ocorrerá dia 31 de agosto, no Centro Universitário FEI, em São Bernardo do Campo. E quem obtiver bons resultados na estadual vai competir na final nacional, que acontecerá na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, de 22 a 26 de outubro. 

Equipes de estudantes são responsáveis por montar e programar os robôs, o que leva ao aprendizado de diversas habilidades relacionadas à resolução de problemas e ao trabalho em equipe 

Atrações adicionais – Quem for ao salão de eventos da USP, em São Carlos, assistir à etapa regional da OBR também poderá jogar futebol com os robôs desenvolvidos por um dos maiores grupos de extensão e pesquisa da USP, o Warthog Robotics; experimentar alguns games criados pelo grupo de desenvolvimento de jogos Fellowship of the Game; e conhecer as iniciativas do Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE), que busca atrair mais meninas para a área de ciências exatas. 

Durante os dois dias de competição, esses grupos vão mostrar os projetos que desenvolvem e esclarecer as dúvidas do público. A entrada no evento é gratuita e não demanda inscrições prévias, basta comparecer ao local. Segundo a professora Roseli Romero, que coordena a etapa regional em São Carlos, ao assistir às competições, a comunidade pode compreender como a robótica favorece o desenvolvimento de uma série de habilidades nas crianças e jovens. A OBR também contribui para a popularização da robótica, mostrando a todos que se trata de uma área acessível e que basta dedicação e persistência para obter os aprendizados que possibilitam criar e controlar robôs. 

A etapa regional da OBR em São Carlos é patrocinada pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, pelo Instituto EPTV, pelas escolas Happy Code e Yadaa e pelas empresas Ca and Ma e Pete. Tem, ainda, o apoio do Centro de Robótica de São Carlos e da Escola de Engenharia de São Carlos. Já em âmbito nacional, a competição é coordenada pela professora Tatiana Pazelli, do departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 



Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP 


Modalidade prática da Olimpíada Brasileira de Robótica (etapa regional) 
Quando: sábado e domingo, 15 e 16 de junho, das 8h30 às 18 horas 
Local: salão de eventos do campus da USP em São Carlos 
Endereço: rua dos Inconfidentes, 85 - Centro 
Mais informações: (16) 3373.9622 ou eventos@icmc.usp.br

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia Internacional da Mulher: elas celebram as exatas com todas as suas singularidades

As mulheres ainda são uma minoria nas ciências exatas, mas têm se unido para romper a invisibilidade e inspirar futuras cientistas





São muitos os substantivos femininos contidos nas ciências exatas: tem a matemática, a computação e a estatística, por exemplo. Mas a diversidade abarcada nas palavras e pesquisas realizadas na área ainda não se faz presente quando o assunto é a quantidade de mulheres que atuam nesse mundo exato, ainda tão predominantemente masculino. 

Na matemática, por exemplo, em todo o mundo, elas são aproximadamente 30% dos estudantes no início de carreira, mas, aos poucos, vão ficando pelo caminho: ocupam apenas cerca de 10% dos cargos de liderança nesse campo profissional. No Brasil, menos de 45% dos ingressantes em cursos de graduação em matemática são mulheres. Conforme subimos os degraus da carreira científica, o percentual vai diminuindo e se reduz a 15% quando a análise leva em conta os bolsistas de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

O que faz essa trajetória tomar a forma de um funil e a equação não fechar? Se é fato que elas não se interessam por ciências exatas por que, em menos de 24 horas, esgotaram-se as 200 vagas de uma escola de verão destinada a meninas que desejam desenvolver aplicativos? Oferecida pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, a escola atraiu garotas de 10 a 18 anos vindas de todo o Estado de São Paulo: há pais que estão encarando o desafio de, durante cinco sábados, percorrer quatro horas de viagem de ida e de volta apenas para possibilitar que suas filhas participem do evento. Meninas que não conseguiram uma das disputadas vagas enviavam mensagens pedindo para que fossem incluídas na iniciativa e lotaram as caixas de e-mail do Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE) do ICMC, que coordena o evento. 

A demanda urge por ser atendida: sim, as mulheres são de exatas, assim como são de humanas e de biológicas. Mas não é preciso ser versado em matemática para imaginar o que ocorre no meio do caminho que era para ser exato: tem muitas pedras, como diria Carlos Drummond de Andrade. Alivia saber que tem também poesia na jornada, pois as histórias singulares das mulheres que desbravaram esse terreno mostram que é possível superar os inúmeros percalços. São histórias para inspirar as meninas de hoje a se tornarem as pesquisadoras do amanhã em matemática, computação, estatística ou em qualquer outra área do conhecimento que elas quiserem. 

Carolina Araújo foi uma das quatro matemáticas brasileiras convidadas para ministrar uma palestra no Congresso Internacional de Matemáticos, realizado em agosto de 2018 no Rio de Janeiro
(crédito da imagem: Marcos Arcoverde/ICM 2018)

Percepção singular – “Eu não entendia, muitas vezes, o porquê das discussões sobre gênero que aconteciam especialmente nos Estados Unidos, onde havia esses debates sobre as mulheres na ciência. Até que eu comecei a estudar, a olhar os dados, a ler sobre o assunto, a ver as estatísticas e a perceber que havia algo errado”, diz a matemática Carolina Araújo. Até este ano, ela era a única mulher a fazer parte do time de cerca de 50 pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, que está efetuando a contratação de mais uma mulher. 

Mas foi só nos últimos cinco anos que Carolina começou a compreender a relevância da percepção feminina: “Todas nós somos singulares e temos que aceitar a nossa singularidade porque é daí que vai vir a inovação, a criatividade”. O ponto crucial na mudança de percepção de Carolina está localizado no princípio da linha do tempo de 2015, quando ela recebeu o convite para fazer parte do Comitê para Mulheres em Matemática da União Internacional Matemática. 

Nesse tempo, a pesquisadora já estava engajada no comitê organizador do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), que aconteceu pela primeira vez no Brasil de 1 a 9 de agosto de 2018. Por isso, o Comitê convidou Carolina para estabelecer um elo com os responsáveis pelo ICM. “Foi então que comecei a estudar e a desenvolver outra percepção sobre a questão de gênero. Passei a conversar com outras mulheres e fui ganhando consciência, em um processo que se desenvolveu junto com a organização do Encontro Mundial para Mulheres em Matemática (WM)2.” 

Realizado dia 31 de julho, um dia antes do início do ICM, o Encontro reuniu 350 mulheres de mais de 60 países. Na quinta-feira, 9 de agosto, minutos depois da cerimônia de encerramento do ICM, Carolina estava exausta, mas irradiava felicidade enquanto contava sua história sentada em uma das muitas mesas das lanchonetes instaladas no Riocentro para atender aos 3.018 congressistas de 114 países que conviveram nesse espaço nos dias do Congresso. 

Resume em uma frase a descoberta que mais a surpreendeu ao longo da construção de sua nova perspectiva de gênero na matemática: “As mulheres não percebem o quão forte elas são”. Carolina conta que, quando há uma oferta de emprego com as qualificações necessárias explícitas, se uma mulher não souber fazer metade do que está listado, normalmente não se candidata à vaga. Por outro lado, se um homem nota que pode fazer metade do que é solicitado, é natural que decida se candidatar. “Mesmo tendo consciência, às vezes caio na armadilha e me pego tomando esse tipo de atitude: dizendo que não vou conseguir, que não vou tentar. Por isso, tenho incentivado muito minhas colegas e alunas a se candidatarem a bolsas e prêmios. É algo em que posso atuar e consigo transformar”. 

Outra descoberta de Carolina é sobre a relevância das mulheres criarem redes informais de apoio para compartilharem experiências, ideias e afetos. “Muitas questões que nós achamos que são pessoais, na verdade, permeiam a vida de todas nós. Esse ganho de consciência é empoderador”, revela a pesquisadora, que tem incentivado a formação de redes locais para unir as matemáticas. 

Outro importante aprendizado da singular jornada de Carolina é a maternidade. Mãe de Iago, de três anos, Carolina diz que, ao vivenciar a maternidade, passou a compreender que é preciso criar políticas públicas para que as mulheres não abandonem a ciência para cuidar de seus filhos. Defende a necessidade das universidades disponibilizarem creches e da academia avaliar de forma diferenciada a produção científica das mulheres durante os primeiros anos da maternidade ou da adoção de um filho. “É natural que a produção caia. Mas o impacto pode ser maior ou menor dependendo de cada mulher e da rede de apoio que ela tem. Existe até uma proposta para que seja disponibilizado um espaço na Plataforma Lattes em que a mulher possa inserir os dados do nascimento ou da adoção de filhos”. 

Carolina Araújo com Iago: destaque em um dos painéis da exposição Elas, expressões de matemáticas brasileiras
(crédito da imagem: Rafael Meireles Barroso)

Vídeo para despertar – A matemática Christina Brech também se lembra do ponto crucial para sua mudança de percepção em relação a gênero: foi em 2012, quando já era professora no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, em São Paulo. “No dia do lançamento do vídeo Science it´s a girl thing, uma iniciativa da União Europeia, eu acessei a plataforma e assisti. Era catastrófico. Foi tirado do ar em menos de 24 horas. Fiquei chocada. Comecei a ver as discussões que estavam acontecendo na internet a respeito do assunto e aí comecei a pensar mais nessa questão”. 

O vídeo é de assustar: para mostrar que “a ciência é uma coisa de menina”, a área é, literalmente, toda pintada de cor-de-rosa. As meninas andam com seus saltos altos e minissaias por um laboratório de química, repleto de batons e produtos de maquiagem. 

O incômodo mobilizou Christina. Ela começou a pensar que, em todo processo de produção daquele vídeo, havia um viés repleto de estereótipos de gênero e as mulheres não podiam deixar isso acontecer. Não por acaso, Christina participou ativamente do processo de elaboração do documentário Jornadas de Mulheres na Matemática (Journey of Women in Mathematics). Produzido pelo Comitê para Mulheres em Matemática da União Matemática Internacional em parceria com a Simons Foundation, a primeira parte do filme conta a trajetória de três matemáticas: a brasileira Carolina Araújo e as matemáticas Neela Nataraj, da Índia, e Aminatou Pecha, de Camarões. Já a segunda etapa do documentário, filmada durante o (WM)², deu voz a outras seis matemáticas presentes no evento. 

Quando as gravações do documentário foram realizadas no Rio de Janeiro, Christina acompanhou tudo de perto. Para ela, o vídeo tem dois objetivos principais: mostrar que há pesquisadoras na área que podem inspirar meninas e destacar, para a própria comunidade de matemáticos, que essas mulheres existem. “A gente é invisibilizada. Talvez, muitos pensem que não existe pesquisa em matemática em Camarões, menos ainda uma mulher atuando na área. Mas há e ela está fazendo matemática apesar de todas as dificuldades”. 

Entre as inúmeras iniciativas que Christina ajudou a realizar no Brasil em prol de uma maior mobilização das matemáticas está a participação no comitê organizador do primeiro Encontro Paulista de Mulheres na Matemática, realizado em 2016 na Universidade Estadual de Campinas e do ciclo de debates Matemática: substantivo feminino, que aconteceu entre agosto de 2017 e junho de 2018 em 13 universidades de diferentes regiões do país. Ela também participou da equipe responsável pela exposição Ela está em tudo, que retratou 14 mulheres (estudantes e profissionais) que têm em comum o amor pela matemática. Além disso, Christina teve papel importante em prol da criação de uma comissão institucional para acolhimento da mulher no IME e participa de dois coletivos de mulheres na USP em São Paulo.

Christina participou ativamente do processo de elaboração do documentário Journey of Women in Mathematics
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Empatia é fundamental – “Posso adicionar você na rede Quem cala, consente?” Essa pergunta marca um ponto crucial na história da professora Thaís Jordão, do ICMC. Quando respondeu “sim” ao convite feito por Christina Brech por e-mail, no dia 1º de junho de 2015, e passou a fazer parte da rede para tratar de casos de assédio e violência sexual, Thaís começou a mudar sua perspectiva em relação à questão de gênero. “Muitos acontecimentos ao longo da minha carreira e comentários que havia ouvido até ali tinham passado despercebidos, eu não sabia nomear aquelas atitudes como assédio ou discriminação”, conta a professora. 

Com o aumento da conscientização, ela passou a compreender o quanto é fundamental colocar em pauta a discussão sobre a participação das mulheres nas ciências exatas. Quanto mais Thaís se envolve com a questão, mais garotas a procuram para compartilhar suas histórias, desabafar, solicitar um apoio ou apenas buscar um ouvido atento para seus relatos. “Algumas chegam reclamando das dificuldades que enfrentam no curso, comparando-se com algum garoto, que é considerado o gênio da turma. Então, eu tento mostrar que elas são tão capazes quanto os rapazes. Às vezes, só precisam de um toque para aumentar a autoestima e seguir adiante”. 

Um das cenas mais marcantes que a professora vivenciou foi em sala de aula, em um dia de avaliação da disciplina Cálculo III em uma turma de estudantes de Engenharia Aeronáutica. Uma das poucas garotas presentes na sala começou a chorar diante da prova, desesperada. A professora simplesmente acolheu a garota e a acalmou. Gestos simples e empáticos como esse, para Thaís, são tão relevantes e transformadores quanto iniciativas mais formais como a criação, no ano passado, de um grupo de extensão para apoiar as estudantes do ICMC e estimular que mais garotas ingressem em carreiras nas áreas de ciências exatas, o GRACE. Coordenado pela professora Kalinka Castelo Branco, Thaís também faz parte da iniciativa e já tem no currículo duas exposições de sucesso: Elas: expressões de matemáticas brasileiras, que já foi exibida em nove espaços, e Remember Maryam Mirzakhani, uma homenagem à única mulher a ganhar a Medalha Fields, a maior honraria da Matemática. 

A exposição em homenagem a Maryam foi um dos destaques do (WM)2. No encontro surgiu a ideia de criar o Dia da Mulher na Matemática. A data escolhida não poderia ser melhor: 12 de maio, dia do nascimento de Maryam. Nessa data, a mostra em homenagem à única mulher a ganhar a Medalha Fields será exibida em São Carlos, pela primeira vez, no ICMC. Não há dúvida de que a exposição será fonte de inspiração para meninas e mulheres e, talvez, até mesmo um ponto crucial na história de muitas delas.

A professora Thaís Jordão foi a curadora da exposição Remember Maryam Mirzakhani, uma homenagem à única mulher a ganhar a Medalha Fields, a maior honraria da Matemática
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Mais histórias de mulheres do ICMC – Você pode ler mais histórias motivadoras conhecendo a trajetória de algumas mulheres que fazem parte do ICMC: como a de Maria Cristina Ferreira de Oliveira, a primeira mulher a assumir a direção do ICMC; ou de Kalinka Castelo Branco, coordenadora do GRACE; ou da professora Solange Rezende; ou da professora Maria Carolina Monard; da estudante Sabrina Tridico, que despertou com o encanto da computação; ou da funcionária e artesã Marília Marino (na página 26 desta edição da revista ICMCotidi@no). Confira também a entrevista com as professoras Maria Aparecida Ruas, a primeira mulher a chefiar o Departamento de Matemática do ICMC, e com a professora Sueli Aki, uma das professoras pioneiras do ICMC 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Para saber mais 
Documentário Journey of Women in Mathematics: https://youtu.be/uNJ7riiPHOY
Projeto Pioneiras da Ciência no Brasil – http://cnpq.br/pioneiras-da-ciencia-do-brasil
Sobre o ciclo de debates Matemática: substantivo feminino – https://matematicasf.wordpress.com/
Sobre a exposição Ela Está em Tudo – http://elaestaemtudo.ime.usp.br
Comitê para Mulheres em Matemática – https://www.mathunion.org/cwm

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Computação também é coisa de menina: aprenda a fazer aplicativos na USP

Em São Carlos, garotas de 10 a 18 anos terão a oportunidade de aprender mais sobre computação e empreendedorismo em uma escola de verão que acontecerá durante cinco sábados: é a Technovation Summer School for Girls

A ideia de criar uma escola de verão surgiu depois do sucesso de uma iniciativa realizada no ano passado no ICMC, quando 74 garotas desenvolveram projetos de novos aplicativos ao longo de um sábado inteiro de trabalho

Se você é uma garota, tem de 10 a 18 anos, e está curiosa para descobrir como os aplicativos são desenvolvidos, não pode perder esta oportunidade: a USP oferecerá uma escola de verão gratuita para mostrar que computação não é um bicho de sete cabeças. O objetivo da iniciativa é ensinar as garotas a transformarem ideias em aplicativos, apresentando as diversas possibilidades de carreira nas áreas de tecnologia e empreendedorismo, além de prepará-las para participarem de uma competição global, o Technovation Challenge

As atividades da escola de verão serão realizadas durante cinco encontros aos sábados, das 9 às 18 horas, começando no dia 23 de fevereiro. Para participar, não é preciso ter nenhum conhecimento prévio de computação, apenas motivação e acreditar em seu potencial criativo. Voltada a todas as interessadas, a iniciativa é destinada, preferencialmente, para garotas da rede pública de ensino. 

Há 200 vagas disponíveis e as inscrições devem ser realizadas até 14 de fevereiro, ou enquanto houver vagas, por meio do formulário online disponível neste link icmc.usp.br/e/83ed5. Durante os encontros, serão oferecidos lanches e refeições a todas as inscritas. Quem participar das atividades concorrerá também a prêmios: as equipes que criarem os melhores projetos ganharão cursos de dois meses para aprender a desenvolver aplicativos na escola Happy Code, uma das apoiadoras do evento. 

 A professora Kalinka é a coordenadora da escola de verão e do Grupo de Alunas nas Ciências Exatas


Inclusão feminina – A ideia de promover a escola surgiu depois do sucesso de uma iniciativa realizada no ano passado no ICMC, quando 74 garotas, de 10 a 18 anos, formaram grupos e desenvolveram 15 projetos de novos aplicativos depois de um sábado inteiro de trabalho. A dedicação e a empolgação das garotas surpreenderam a professora Kalinka Castelo Branco, coordenadora do evento, que decidiu ampliar a iniciativa este ano. “Com a escola de verão, vamos aumentar o tempo dedicado às atividades: cada sábado será destinado ao aprendizado de uma temática. Assim, as garotas poderão compreender novos conceitos durante as apresentações dos especialistas e, logo depois, terão tempo hábil para colocar em prática os conhecimentos adquiridos”, explica a professora. 

Kalinka coordena o Grupo de Alunas nas Ciências Exatas (GRACE), que é responsável pela realização da escola de verão. Recém-criado, o grupo de extensão é ligado ao ICMC e tem como objetivo desenvolver atividades na área de tecnologia e ciências exatas voltadas para o público feminino. Fazem parte do grupo estudantes de graduação e de pós-graduação da USP que darão apoio às garotas inscritas na escola de verão, as quais também contarão com a ajuda de mentores voluntários: profissionais e estudantes da área de tecnologia, engenharia ou negócios que acompanharão de perto o trabalho que elas desenvolverão ao longo dos cinco encontros. 

“Queremos mostrar para as adolescentes e jovens que elas têm tanta capacidade quanto os meninos de atuar na área de ciências exatas, ressaltando que a computação não é algo restrito ao mundo masculino”, ressalta Kalinka. Na escola, as garotas terão a oportunidade de conhecer diversas mulheres que trabalham na área e que estão dispostas a ajudar quem deseja ingressar no universo das ciências exatas. 

A primeira edição da Technovation Summer School for Girls é uma das ações de um amplo projeto, que prevê a realização de diversas outras iniciativas em escolas de ensino fundamental e médio de São Carlos e região, voltadas especificamente à inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas. Recém-aprovado em uma chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para estimular a participação e a formação de meninas e mulheres para as carreiras de ciências exatas, engenharias e computação, o projeto é um dos 78 selecionados em todo o país e terá à disposição R$ 95 mil durante um ano. O projeto conta, ainda, com o apoio da Diretoria de Ensino de São Carlos e da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), por meio do programa Meninas Digitais

Kalinka apresentou projeto ao CNPq e conquistou R$ 95 mil para a realização de diversas ações voltadas à inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas

Competição global – Uma das metas da escola de verão é estimular que as equipes participem do Technovation Challenge, uma competição global, voltada a estudantes do ensino fundamental e médio, em que as equipes participantes devem desenvolver um aplicativo que solucione um problema social. Por isso, nos encontros realizados no ICMC, as meninas formarão grupos e receberão orientações para participar desse desafio. 

Quem decidir ingressar na competição global e conquistar um lugar entre as equipes finalistas poderá viajar para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde apresentará os aplicativos e planos de negócios para investidores. Já a equipe que vencer o Technovation Challenge receberá um prêmio de 10 mil dólares e suporte para finalizar e lançar o aplicativo no mercado. Em 2018, mais de 19 mil garotas em todo o mundo se inscreveram no desafio global. 

Texto e imagens: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC 
Cartaz: Fernando Mazzola - - Assessoria de Comunicação do ICMC

I Technovation Summer School for Girls 
Quem pode participar: meninas do ensino fundamental e médio (10 a 18 anos) 
Quando: aos sábados, das 9 às 18 horas, nos dias 23/02, 09/03, 16/03, 06/04 e 13/04 
Formulário para inscrições: icmc.usp.br/e/83ed5
Onde: auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC, na área I do campus da USP. Endereço: avenida Trabalhador São-carlense, 400. Centro. 
Site do Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE): http://grace.icmc.usp.br
Site do Technovation Challenge: www.technovationbrasil.org 
Setor de Eventos do ICMC: (16) 3373. 9622 

Contato com a imprensa 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373. 9666 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

As mulheres invadem as ciências exatas: participe de eventos gratuitos na USP

Contribuir para que mais mulheres sejam incentivadas a atuar na área de ciências exatas é o principal objetivo de três eventos gratuitos que acontecerão em outubro no campus da Universidade, em São Carlos

Entre as atrações está uma oficina para ensinar lógica de programação sem usar um computador

Como mudar a realidade da desigualdade de gênero em ciências exatas? Promover uma feira de ciências, oficinas, mesas redondas e palestras é uma das possibilidades. Em outubro, essas atividades acontecerão na USP, em São Carlos, para inspirar as garotas a lançarem um novo olhar para a matemática, a computação, a estatística, as engenharias e suas ciências irmãs. 

Segundo a professora Kalinka Castelo Branco, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, as meninas precisam ser motivadas a enxergar as próprias capacidades: “Assim, elas vão descobrir que, tal como os meninos, podem se dar bem seguindo uma carreira em ciências exatas”. 

Kalinka é coordenadora do Grupo de Alunas nas Ciências Exatas (GRACE), que tem como objetivo desenvolver atividades na área de tecnologia e ciências exatas voltadas para o público feminino. Recém-criado, o grupo de extensão é ligado ao ICMC e conta com 35 voluntários, homens e mulheres que são, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da USP. “É um grupo bastante interdisciplinar, que agrega estudantes de diferentes campos do conhecimento”, completa. 

Os eventos ocorrerão nos dias 9, 19 e 22 de outubro na área I do campus da USP, no centro de São Carlos. Todas as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Confira, a seguir, as informações detalhadas sobre o que acontecerá em cada um desses dias. 

Kalinka teve certeza de que havia uma demanda reprimida por eventos voltados a atrair mulheres para as ciências exatas ao realizar uma maratona de desenvolvimento de aplicativos no ICMC, no dia 24 de fevereiro deste ano. A iniciativa foi um sucesso: no total, 74 garotas, de 10 a 18 anos, participaram do evento Technovation HackDay

9 de outubro – Matemática e escritora inglesa, Ada Lovelace é conhecida como a primeira programadora da história. Na próxima terça-feira, 9 de outubro, é comemorado o Dia Internacional de Ada Lovelace, destinado a celebrar as importantes conquistas realizadas pelas mulheres no campo da ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na busca por inspirar as gerações atuais e futuras. 

Neste dia, o GRACE promoverá uma feira de ciências das 9 às 11h30, em que seis grupos de extensão e pesquisa do campus da USP receberão alunos das escolas de São Carlos para mostrar o que é possível desenvolver com conhecimentos da área de ciências exatas. Robôs e jogos estão entre as atrações, que são voltadas para crianças e jovens, de 10 a 16 anos. Não é preciso fazer inscrições prévias para participar dessa atividade, que acontecerá no Anfiteatro Jorge Caron e no Espaço Primavera, ambos localizados na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). 

Para encerrar as comemorações, a partir das 19 horas, haverá uma mesa redonda para discutir o tema Mulheres na ciência: desafios e oportunidades. Já está confirmada a presença da professora Maria Cristina Ferreira de Oliveira, diretora do ICMC; da professora Lauralice de Campos Franceschini Canale, do departamento de Engenharia de Materiais da EESC; da doutoranda Lívia Dantas, do Instituto de Física de São Carlos; e de Ana Eliza Pedroso da Silva, que é mestre em engenharia de software e trabalha com teste de software na empresa Amdocs. A atividade será no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC, e o público-alvo são alunos de graduação, pós-graduação e profissionais interessados no tema. 
Para comemorar o Dia Internacional de Ada Lovalace haverá feira de ciências e mesa redonda na USP em São Carlos
19 de outubro – Sabia que, para aprender programação, você não precisa de um computador? A oficina Programação desplugada trabalha exatamente com a ideia de que é possível ensinar a lógica da programação sem que, para isso, seja preciso ter um computador. A atividade acontecerá na sexta-feira, 19 de outubro, no terceiro andar da Biblioteca Achille Bassi, no bloco 2 do ICMC, das 9 às 12 horas, sendo aberta à participação de crianças a partir de 5 anos até jovens de 15 anos. 

Como serão oferecidas atividades para três turmas com, no máximo, 30 participantes cada, é preciso optar por um dos três horários disponíveis (9 às 10 horas; 10 às 11 horas; 11 às 12 horas) no momento de fazer a inscrição, que pode ser realizada individualmente ou em grupo, por meio deste link: www.icmc.usp.br/e/15758

A oficina surgiu a partir de um projeto de iniciação científica desenvolvido pelo aluno Kaique Lupo Leite, que cursa Ciências de Computação no ICMC. Sob orientação da professora Kalinka e com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Kaique criou um kit com peças móveis para propiciar que as crianças e jovens montem sequências lógicas, simulando a elaboração de comandos para um computador (algoritmos). Tanto que, depois de montar as sequências, as crianças podem fotografá-las com um smartphone e enviar a imagem para que tarefa seja executada por um carrinho ou um drone. 

Os cinco kits criados por Kaique foram testados com turmas do sexto ano do ensino fundamental em duas escolas públicas de São Carlos. “As crianças adoraram a proposta. As que frequentam escolas de tempo integral, por exemplo, precisam desenvolver um plano de vida, pensando no que vão ser quando crescer. Depois da oficina, ouvimos algumas meninas relatarem que antes só pensavam em trabalhar nas áreas de humanas e biológicas, mas que agora estavam propensas a pensar também nas exatas”, conta Kalinka. 

De acordo com a professora, o kit possibilita que os estudantes compreendam conceitos de matemática e física por meio de aplicações práticas: “Com o carrinho e o drone, podemos mostrar na prática conceitos abstratos de forma divertida. Isso pode mudar a forma como as crianças enxergam as ciências exatas. Vários conceitos que não são visíveis – como força, inércia, movimento – tornam-se palpáveis”. 

A oficina do dia 19 de outubro é uma das atividades que o ICMC fará durante a Semana USP de Ciência e Tecnologia, realizada como parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Estudante fotografa a sequência de programação que criou com um smartphone

22 de outubro – Outro destaque da programação de outubro é o evento Women in Tech. A iniciativa pretende discutir, por meio de uma palestra e de uma roda de conversa, a falta de interesse e de representatividade das mulheres nos cursos tecnológicos, apresentar as experiências universitárias das poucas garotas que ingressam nesse ramo e abordar as dificuldades que elas enfrentam no ambiente de trabalho. 

Segundo os organizadores do evento, que está integrado à Semana de Engenharia de Computação (SEnC), as mulheres são cerca de 17% dos programadores brasileiros e ocupam apenas 8% das vagas destinadas a desenvolvedores. Ressalta-se, ainda, que, apesar de vários avanços tecnológicos ocorrerem devido à atuação de mulheres, muitas vezes elas sequer são citadas nos livros especializados. 

O Women in Tech começa às 15h30 na segunda-feira, 22 de outubro, com a palestra de Sabrina Tridico, que faz Ciências de Computação no ICMC e participa do GRACE. Embaixadora de um movimento de empoderamento feminino na área de tecnologia chamado She++, Sabrina participou, em 2017, do maior evento do mundo voltado a mulheres na computação, o Grace Hopper Celebration

À noite, às 19 horas, haverá uma roda de conversa com Sabrina e mais três convidadas: Bárbara Bivar, Bruna Boa Sorte e Maíra Silva. As duas atividades são abertas a todos os interessados, não demandam inscrições prévias e acontecerão no anfiteatro Jorge Caron, da EESC. Para mais informações, acesse o site da SEnC ou visite a página do evento no Facebook

Palestra e roda de conversa são as atrações do Women in Tech

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Crédito das imagens: divulgação ICMC/USP

Mais informações
Sobre o Dia Internacional de Ada Lovelace (09/10): 
         - Feira de ciências: www.facebook.com/events/700634476972116
Sobre a oficina Programação Desplugada (19/10): www.icmc.usp.br/e/15758
Sobre o Women in Tech (22/10): www.facebook.com/events/231220254157980
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146 


Contato para esta pauta 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br