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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Workshop internacional em engenharia de software para a saúde: prazo para submissão de trabalhos termina em janeiro

O evento acontece de 16 a 20 de março de 2020 em Salvador, na Bahia



Termina no dia 13 de janeiro de 2020 o prazo para submeter trabalhos à segunda edição do International Workshop on Software Engineering for Healthcare (SEH), que acontece de 16 a 20 de março, em Salvador, na Bahia. A iniciativa é parte da programação de uma das maiores conferências internacionais da área: IEEE International Conference on Software Engineering (ICSE)

A ideia do Workshop é exatamente estimular a interação entre estudantes, pesquisadores e profissionais de engenharia de software, informática em saúde e domínios médicos. Entre os tópicos que serão discutidos no evento estão padrões, métodos, modelos e técnicas que moldarão a próxima geração dos sistemas de software na área da saúde, especialmente em relação à qualidade, segurança, proteção, governança de dados e sustentabilidade. 

O workshop também pretende abordar o papel que a engenharia e a arquitetura de software desempenham na criação de novas soluções de assistência médica e tendências emergentes na prática atual, inclusive nos países em desenvolvimento. Por meio da troca de experiências bem-sucedidas, os participantes poderão analisar o impacto de soluções alternativas, incentivando a inovação. 

“O principal objetivo do Workshop é estabelecer uma agenda de pesquisa no campo da engenharia de software para dar suporte ao projeto e desenvolvimento de sistemas para a área de saúde”, explica a professora Elisa Yumi Nakagawa, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) USP, em São Carlos, que é uma das coordenadoras do evento. 

A comissão organizadora do Workshop conta ainda com a participação de Lina Garcés e Milena Guessi, pós-doutorandas que fazem parte do Laboratório de Engenharia de Software (LabES) do ICMC. Para se inscrever e submeter trabalhos no evento, basta acessar o site do Workshop.

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

International Workshop on Software Engineering for Healthcare 
E-mail: seh2020@googlegroups.com

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Modelando a atividade neuronal: evento da USP e da UFSCar acontece dia 13


Dia Temático do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística terá como foco um campo particular da neurociência

Gratuito e aberto a todos os interessados, evento acontecerá das 9h45 às 17h15 no auditório 3 da UFSCar

Um dos grandes desafios da humanidade é entender como o sistema nervoso funciona e como interage com o corpo. Já a atividade dos neurônios é um campo particular de estudo em neurociência, que demanda a colaboração entre pesquisadores das mais variadas áreas do conhecimento. Possibilitar a interação entre estatísticos, matemáticos, físicos e demais cientistas que atuam no campo da neurociência é um dos objetivos do evento Modelando a atividade neuronal, que acontecerá na sexta-feira, 13 de dezembro, em São Carlos.

A iniciativa será realizada no auditório 3 da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ao lado da Biblioteca Comunitária da Universidade, das 9h45 às 17h15. A palestra de abertura abordará a forma da comunicação vocal e será ministrada pelo professor Daniel Takahashi, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Takahashi é membro do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat), uma das instituições que estão promovendo o evento em parceria com o ProgramaInterinstitucional de Pós-Graduação em Estatística (PIPGEs) – oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e pela UFSCar.

Mais dois pesquisadores do CEPID NeuroMat farão palestras no evento: o professor Guilherme Ost, do departamento de Matemática e Estatística da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falará sobre o estudo da atividade neuronal através de processos pontuais, abordando os Teoremas Limites; já a palestra O Cérebro Estatístico será ministrada pela professora Aline Duarte de Oliveira, do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Encerrando as atividades, o professor Luciano Costa, do Instituto de Física de São Paulo, discorrerá sobre a neurociência de redes.

Gratuito e aberto a todos os interessados, o evento conta, ainda, com o apoio das principais agências de fomento à pesquisa do País: FAPESP, Capes e CNPq. Para participar, basta enviar um e-mail solicitando sua inscrição para o endereço sandro.gallo@ufscar.br.

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

6º Dia Temático PIPGEs: modelando a atividade neuronal
Quando: sexta-feira, 13 de dezembro, das 9h45 às 17h15
Onde: auditório 3 da UFSCar ao lado da Biblioteca Comunitária da Universidade
Site do evento: icmc.usp.br/e/1d012
Solicitação de inscrições: sandro.gallo@ufscar.br


Mais informações
Seção de eventos do ICMC: (16) 3373.9622
E-mail: eventos@icmc.usp.br

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Oportunidade: projeto de robótica do ICMC seleciona bolsistas

Estudantes de graduação da USP podem atuar em projeto voltado para educação e competições de robôs; interessados podem se inscrever até a próximo terça, 10 de dezembro

Bolsistas poderão contribuir para que mais crianças e adolescentes tenham contato com a robótica e participem de competições como a Olimpíada Brasileira de Robótica
(crédito da imagem: Denise Casatti)


Se você é estudante da USP, em São Carlos, e está cursando Ciências de Computação, Engenharia de Computação ou Engenharia Elétrica pode se candidatar a uma das quatro bolsas de iniciação científica oferecidas pelo projeto de pesquisa Robótica Social para educação e competições. 

O estudante selecionado receberá uma bolsa no valor mensal de R$ 400,00 durante um ano. Como pré-requisito, é preciso ter conhecimento e experiência em impressão 3D e também na área de robótica, mais especificamente em montar e programar kits robóticos tais como Lego Mindstorm, Kit PeTE e/ou Arduino

Coordenado pela professora Roseli Romero, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o projeto foi selecionado pela Pró-Reitoria de Graduação da USP por meio do programa Aprender na Comunidade. A iniciativa visa apoiar projetos já existentes ou novas propostas que tenham como objetivo promover o desenvolvimento de competências do aluno de graduação e o desenvolvimento de sua prática profissional em conexão direta com a sociedade. Das 146 propostas submetidas ao edital do programa, 104 foram aprovadas e apenas 17 pertencem à categoria de projetos consolidados e interdisciplinares, na qual se enquadra a iniciativa da professora Roseli. 

Os interessados em participar da seleção devem preencher, até a próxima terça, 10 de dezembro, o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/03028. Haverá uma pré-seleção, com base nas informações fornecidas pelos estudantes e os selecionados receberão um comunicado, via e-mail, para comparecer a uma entrevista com a professora. Todas as entrevistas estão previstas para serem realizadas no dia 12 de dezembro. 

Quem for selecionado contribuirá para que os objetivos educacionais do projeto sejam alcançados, tais como: permitir que crianças tenham um primeiro contato com a robótica, auxiliando na obtenção de novos conceitos; possibilitar que crianças e adolescentes em situação socioeconômica mais desfavorável possam ter contato com a robótica, aprender e participar de competições como a Olimpíada Brasileira de Robótica; ensinar professores da rede pública a montar e programar robôs, de forma a aplicar essa tecnologia em sala de aula. 

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Link para inscrições: icmc.usp.br/e/03028 
Departamento de Ciências de Computação: (16) 3373.9671 ou scc@icmc.usp.br

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O mais avançado Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial do Brasil terá núcleo em São Carlos

Com recursos da IBM, da FAPESP e da USP, iniciativa é resultado da maior parceria já estabelecida no País entre o setor acadêmico e uma empresa de tecnologia da informação para a colaboração em inteligência artificial

Sede principal do projeto será no Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo
(crédito da imagem: Isabella Velleda - Jornal do Campus)

Conhecida como a capital da tecnologia, São Carlos está no mapa do mais avançado Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil. Com recursos que virão da IBM, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da USP, o novo Centro terá um de seus núcleos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), localizado no campus da Universidade em São Carlos. 

“O Brasil tem hoje uma comunidade científica forte em inteligência artificial que pode fazer grandes contribuições em áreas nas quais o Brasil tem chance real de ser líder internacional ou já lidera de alguma forma. Agora, com o novo centro de pesquisa, podemos catalisar os esforços”, explicou o coordenador do projeto, Fabio Cozman, durante o evento IBM Research Brasil Colloquium 2019 – os caminhos da inteligência artificial no Brasil, em São Paulo. 

Professor da Escola Politécnica da USP, Cozman estará no ICMC na quarta-feira, 28 de novembro, para apresentar o projeto do novo Centro de Inteligência Artificial. O evento é gratuito, aberto a todos os interessados e acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, a partir das 17 horas. No evento, o público poderá compreender como funcionará o projeto e, ao final da apresentação, esclarecer as dúvidas. 

Com início das atividades previsto para o começo de 2020, o projeto terá como sede principal o Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo. A iniciativa agrega mais de 60 pesquisadores da USP e das universidades Estadual Paulista (UNESP) e Estadual de Campinas (UNICAMP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Centro Universitário FEI e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Considerando apenas os cientistas vinculados à USP, há pesquisadores de 14 unidades e expressiva participação de professores do ICMC, tornando o Instituto um dos principais polos do novo projeto. 

“Para São Carlos e para o ICMC, é extremamente relevante fazer parte do primeiro centro de inteligência artificial de grande porte do Brasil. O impacto dessa área na sociedade, especialmente considerando os empregos e o controle de informações em massa, demanda um posicionamento urgente do nosso País em relação ao assunto”, explica o professor Fernando Osório, do ICMC, que será o coordenador de difusão e comunicação do novo centro. “Os países mais desenvolvidos já estão fazendo isso e não podemos ficar para trás”, completa. 

Osório destaca que, logo após a divulgação de que a USP sediaria o novo centro, o que aconteceu em 4 de outubro durante o evento da IBM, houve também o anúncio de que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) articulava a criação de mais centros de pesquisa na área. Tal como a iniciativa da IBM-FAPESP-USP, esses futuros centros devem ser constituídos a partir de chamadas em editais, estabelecendo parcerias público-privadas, além de ficarem instalados em universidades e institutos de pesquisa em São Paulo e em outros estados do país.

O professor Fernando Osório (o quarto em pé da esquerda para a direita) com a equipe do Laboratório de Robótica Móvel do ICMC, que tem realizado vários projetos em parceria com empresas. Um exemplo é o caminhão autônomo desenvolvido junto com a Scania. Com a implantação do novo Centro de Inteligência Artificial, a ideia é que mais iniciativas como essas sejam implementadas.

Investimento – Com financiamento de até 10 anos, IBM e FAPESP reservarão, cada uma, até US$ 500 mil anualmente para implementar o projeto, que contará com avaliações periódicas das atividades. Já a USP, por sua vez, investirá até US$ 1 milhão por ano em instalações físicas, laboratórios, professores, técnicos e administradores para gerir o centro. 

O projeto foi desenvolvido para abarcar aplicações de inteligência artificial em eixos de pesquisa envolvendo aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural, recursos naturais (óleo e gás), agronegócio, meio ambiente, finanças e saúde. Essas áreas também são foco do Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil. Haverá, ainda, um eixo transversal: inteligência artificial e sociedade, que contará com a contribuição de pesquisadores das ciências humanas, ligados a áreas como ciências políticas, direito e economia. Estão previstos, por exemplo, estudos sobre as implicações socioeconômicas da inteligência artificial na sociedade, contribuindo para debates que envolvam questões sobre ética, relação homem-máquina, privacidade e trabalho. 

“Nosso objetivo é levar a pesquisa em inteligência artificial no país a um novo patamar, com o intuito de beneficiar a sociedade. Estamos interessados em discutir como essa tecnologia pode ser melhor aproveitada pela sociedade”, conclui Cozman.



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Com informações da Agência FAPESP, da Assessoria de Comunicação da IBM e da USP 


Apresentação do novo Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil 
Quando: quinta-feira, 28 de novembro, às 17 horas 
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC 
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400, São Carlos 
Atenção: o evento é aberto a todos os interessados e não demanda inscrições prévias


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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Pesquisa com humanos: entenda as questões éticas e esclareça suas dúvidas na USP São Carlos


No dia 21 de novembro, cientistas terão a oportunidade de conhecer como funcionam os Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos durante duas palestras gratuitas e abertas a todos os interessados



Como um cientista deve agir para realizar uma pesquisa com seres humanos? Quais são as principais questões éticas que devem ser levadas em conta? Como funcionam os Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e quando é preciso que uma pesquisa seja aprovada por um desses comitês? Perguntas como essas serão respondidas em dois eventos que acontecerão no campus da USP, em São Carlos, na tarde de quinta-feira, 21 de novembro. 

É neste dia que a professora Ana Paula Magalhães Tacconi, assessora de programas e eventos da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, falará sobre Ética na Pesquisa com Seres Humanos em dois diferentes espaços e momentos: das 14 às 15h45, ela estará no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC); das 16h15 às 18 horas, é a vez da professora falar no auditório Paulo de Camargo e Almeida, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU). 

As duas atividades são abertas a todos os interessados, gratuitas e não demandam inscrições prévias. Além de assistir à apresentação, o público poderá esclarecer suas dúvidas diretamente com a especialista. Vinculada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Ana Paula integra o Comitê de Boas Práticas em Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade e o Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da USP. 

“A boa pesquisa não se desenvolve sem a ética. Ela é parte integrante da ciência e pressuposto da atuação de todo pesquisador”, esclarece a professora. “A ética pauta nossas relações com nossos sujeitos e objetos de pesquisa e a integridade no tratamento dos dados e das publicações. Mas também perpassa nossa interação com nossos pares e com nossa própria biografia”, completa. 

Contexto em mudança – Segundo Ana Paula, a ética na pesquisa, tanto quanto as demais manifestações da cultura humana, constituiu-se historicamente. Não é à toa que padrões de investigação empregados até bem pouco tempo atrás, nos dias de hoje, são considerados inaceitáveis. Por isso, é necessário que as instituições de ensino e pesquisa se empenhem em um trabalho de conscientização que implica informar e esclarecer os pesquisadores a respeito da agenda da ética em pesquisa. 

“A moderna investigação científica pauta-se por padrões éticos rigorosos e bem definidos. Os códigos de conduta em instituições de ensino e pesquisa ao redor do mundo pressupõem, para além da boa conduta no manejo dos dados, a preservação da integridade física e psíquica dos participantes da pesquisa”, explica a docente. 

Para ela, a relação entre ética e conhecimento comporta ao menos duas facetas: “Por um lado, na medida em que as condições para a solução de um determinado problema se encontram à disposição dos cientistas, eles têm o dever ético de empregar seu esforço no sentido de saná-lo. Por outro lado, ao passo que o conhecimento tende ao ilimitado, cabe à ética impor-lhe limites no sentido de preservar a integridade de pessoas e ecossistemas”.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Com apoio de Henrique Fontes, da Assessoria de Comunicação do IAU

Mais informações
Comissão de Pesquisa do ICMC: (16) 3373-8876 ou pesquisa@icmc.usp.br
Comissão de Pesquisa do IAU: (16) 3373-8765 ou cpqiau@sc.usp.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

USP lidera força-tarefa para descobrir as conexões entre as espécies

Dois professores da USP se uniram a pesquisadores brasileiros e estrangeiros para construir um novo modo de compreender a teia da vida; estudo poderá prever consequências de desastres ecológicos como o que está ocorrendo no Nordeste

O professor Francisco Rodrigues, do ICMC, explica que as ferramentas computacionais e matemáticas desenvolvidas para estudar as relações entre os morcegos e as plantas podem ser aplicadas a qualquer outro ecossistema

O que leva um grupo de pesquisadores das instituições mais qualificadas do planeta a se unirem para estudar morcegos e suas relações com plantas? As descobertas desses cientistas – à primeira vista, sem muita importância – ganharam as páginas de uma das revistas mais relevantes do mundo nas áreas de ecologia e evolução, a Nature Ecology & Evolution

Para compreender o trabalho dessa força-tarefa da ciência, formada por dois professores da USP e mais oito pesquisadores, três brasileiros e cinco estrangeiros, basta esquecer os morcegos e as plantas (temporariamente), e pensar no desastre ecológico que está ocorrendo agora no litoral do Nordeste. Hoje, é impossível calcular as consequências que o óleo pode trazer ao ecossistema da região. 

No entanto, o impacto da contaminação poderia ser calculado se houvesse um banco de dados com informações sobre os animais que vivem no local bem como as relações que são estabelecidas entre as diferentes espécies. Foram dados desse tipo, nesse caso mostrando as interações entre morcegos e plantas registradas ao longo de 70 anos por centenas de naturalistas, que deram origem ao estudo Compreendendo as regras de montagem de uma rede multicamadas continental (Insights on the assembly rules of a continente-wide multilayer network). 

“Nosso estudo mostra que é possível analisar como a extinção de espécies de animais e plantas afeta o equilíbrio de um ecossistema, alterando a biodiversidade em diversas regiões do planeta”, explica o professor Marco Mello, do Instituto de Biociências da USP, que liderou a força-tarefa do estudo. 

“As ferramentas computacionais e matemáticas que desenvolvemos para estudar as relações entre os morcegos e as plantas podem ser aplicadas a qualquer outro ecossistema”, completa o professor Francisco Rodrigues, do Instituto de Ciências Matemática e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Então, imagine se esses cientistas tivessem à disposição dados sobre as tartarugas-marinhas, os peixes, as aves, os corais e os demais animais que habitam as áreas contaminadas do litoral do Nordeste ao longo de muitos anos. Ora, eles poderiam utilizar as mesmas ferramentas empregadas no estudo sobre morcegos e plantas. Assim, seriam capazes de prever as consequências que o óleo traria à teia da vida nordestina, incluindo aí os seres humanos. 

Mello revela que, no mundo, quase 70% dos morcegos se alimentam de insetos em maior ou menor grau. Nas Américas, metade das espécies se alimenta de plantas, só que muitas delas também são capazes de comer insetos. Ou seja, os morcegos têm a dieta mais diversificada entre os mamíferos.

Uma teia com muitas camadas – “Com efeito, um dos aspectos inovadores do trabalho é analisar a miríade de relações entre espécies de morcegos e plantas com ferramentas computacionais, mais ou menos como quem estuda as múltiplas conexões entre pessoas num aplicativo de rede social”, escreve o jornalista José Reinaldo Lopes no artigo Morcegos são cruciais para a saúde dos ecossistemas em que vivem. Publicado pela Folha de S. Paulo dia 3 de novembro, o artigo destaca como funciona a teia que une 73 espécies de morcegos e 439 espécies de plantas, estudadas pela equipe de pesquisadores de que Mello e Rodrigues fazem parte. 

O jornalista conta que os pesquisadores usaram dados coletados em campo sobre a dieta dos bichos para montar as várias camadas de redes de interação: “Uma dessas camadas corresponde às mais de 900 interações morcego-planta em que há frugivoria (consumo de frutas); outra equivale a 301 interações em que há consumo de néctar; e assim por diante.” Para relatar esses processos, os pesquisadores consideram, ainda, a história evolutiva, o grau de parentesco e a distribuição geográfica das diferentes espécies. 

“O mapeamento multicamadas que resultou desse esforço mostra, entre outras coisas, quais as espécies que funcionam como as figuras mais “populares” da “rede social” ecológica – mais ou menos como o sujeito com milhares de amigos ou seguidores cuja conta conecta as pessoas mais disparatadas entre si”, escreve Lopes. 

Nesse caso, vale lembrar que os morcegos mais populares são os que estão no centro da rede. “Isso significa que os animais dessa espécie se alimentam de uma variedade maior de frutos e propagam uma maior diversidade de sementes pelo ecossistema. Se essa espécie é extinta, afetará mais o todo, porque esses animais têm uma função mais relevante na manutenção do ecossistema. Por isso, é fundamental determinar quem são essas espécies porque elas podem levar à extinção de outras”, conta o professor Francisco Rodrigues. “Com a análise dessas redes complexas multicamadas, o que estamos mostrando é como as conexões entre as espécies são formadas, como são as estruturas dessas redes e qual impacto pode ter a extinção de algumas espécies”, adiciona Rodrigues. 

Ele foi um dos responsáveis por desenvolver as soluções matemáticas e computacionais que possibilitam a análise de redes multicamadas juntamente com a pesquisadora iraniana Nastaran Lotfi. Vinda da Universidade de Zanjan, Irã, Nastaran foi aluna visitante de doutorado no ICMC, sob orientação de Rodrigues, e hoje é pós-doutoranda na Universidade Federal de Pernambuco. Já os doutorandos Rafael Pinheiro, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Gabriel Félix, da Unicamp, desenvolveram novos métodos para entender a estrutura de cada camada das redes. 

Segundo Rodrigues, a análise de redes multicamadas é bastante nova e os primeiros estudos começaram a ser produzidos há cerca de seis anos. No ano passado, o professor lançou um livro sobre o assunto em parceria com mais três pesquisadores intitulado An Introduction to Multiplex Networks: Basic Formalism and Structural Properties

Na imagem, uma síntese do processo de pesquisa realizado pela força-tarefa


Um caminho com muitas redes – “A ciência das redes complexas tem mais de 300 anos, mas foi em 2016 que nosso grupo de pesquisa, hoje na USP, publicou um dos primeiros estudos na área da ecologia levando em conta múltiplas camadas de redes”, destaca Mello. A equipe de cientistas lideradas pelo professor têm na bagagem várias pesquisas anteriores publicadas ao longo dos últimos dez anos. 

Para chegar este ano às páginas de uma das revistas científicas mais importantes do mundo nas áreas de ecologia e evolução, a Nature Ecology & Evolution, foram necessários três anos de pesquisa. O início dessa trajetória está registrado em uma imagem datada de 2016, quando seis pesquisadores que estavam na Conferência Internacional de Pesquisa sobre Morcegos (International Bat Research Conference), em Durban, na África do Sul, foram almoçar juntos e se propuseram a construir um projeto. Ao longo do caminho, mais quatro cientistas se uniram ao grupo. 

Nessa época, já fazia cerca de sete anos que Mello havia pedido autorização para usar o banco de dados on-line criado pela pesquisadora Cullen Geiselman, do Centro de Conservação de Morcegos de Austin, nos Estados Unidos. Ao longo desse tempo, o pesquisador brasileiro e sua equipe refinaram as informações disponibilizadas por Geiselman e adicionaram estudos brasileiros. Esses dados, que compreendem cerca de 70 anos de trabalhos de campo feitos por centenas de pesquisadores na região, foram utilizados no artigo publicada na Nature Ecology & Evolution

“Começamos estudando conjuntos de organismos de diferentes espécies (isto é, comunidades) e hoje analisamos também sistemas no sentido estrito, formados por interações entre esses organismos (isto é, redes). Entender essas regras é crucial para compreendermos a arquitetura da biodiversidade, melhorarmos a produtividade de sistemas agroflorestais e controlarmos doenças emergentes, entre muitas outras aplicações”, escreve Mello na introdução da sua tese de livre-docência apresentada em agosto deste ano à USP. 

No texto, o professor faz uma síntese do caminho que percorreu ao longo de suas descobertas científicas. Um caminho que é similar ao percorrido por tantos outros pesquisadores na extensa e gratificante jornada da ciência: “Em uma floresta, ou mesmo em uma lavoura ou jardim urbano, o que começa com um par de organismos escalona para múltiplos pares, chegando ao nível das respectivas populações. E delas, ao nível de todo o ecossistema. Isso é que o poeticamente chamamos de ‘a teia da vida’. O mais incrível é que diferentes cientistas ao redor do mundo, ao longo de séculos e perpassando diferentes gerações, encontraram padrões muito interessantes nessa teia. Ou seja, coisas que se repetem regularmente, desde a forma de partes dela até os processos que geram essas formas. É extremamente empolgante tentar entender o que mantém unidos esses emaranhados de organismos e interações, também conhecidos como sistemas complexos.” 

Para finalizar, Rodrigues destaca que os sistemas complexos são estudados no ICMC tanto no campo da ecologia como em medicina, epidemiologia, ciências sociais e economia. Em todas essas áreas, os pesquisadores buscam entender, por exemplo, como os neurônios estão organizados no cérebro ou como as doenças se propagam em nossa sociedade. 

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Marco Mello, Cullen Geiselman, Sharlene Santana, Ana Vogler, Marco Tschapka e Jan

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Domingo é dia de maratona na USP São Carlos: venha saciar sua sede de ciência

Das 15 às 18 horas, público poderá conferir uma sequência de apresentações rápidas sobre ciência e ajudar a escolher os vencedores do Divulgathon, uma maratona de divulgação científica

Os responsáveis pelas três melhores apresentações de domingo serão convidados para participar da edição são-carlense do festival internacional de divulgação científica Pint of Science em 2020

Compartilhar os conhecimentos que são gerados pelos pesquisadores das universidades brasileiras diretamente com o público, de um jeito atraente e descomplicado. Este é um dos objetivos de um evento gratuito que acontecerá no próximo domingo, 27 de outubro, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Será uma verdadeira maratona de divulgação científica, que vai começar às 15 horas e prosseguirá por três horas, tempo em que o público poderá assistir a uma sequência de apresentações rápidas sobre os mais diversos conceitos científicos. Esta será a primeira edição do Divulgathon: ciência sem barreiras, em que 57 maratonistas vão se revezar no palco do auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do Instituto, para compartilhar seus conhecimentos com o público. 

Durante o evento, uma banca de jurados vai acompanhar as apresentações e avaliá-las. O público também poderá ajudar a escolher os vencedores da maratona de divulgação científica. No final do evento, os responsáveis pelas três melhores apresentações serão convidados a participar da edição são-carlense do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que já tem data marcada: 11, 12 e 13 de maio de 2020. 

Aquecimento – No sábado, 26 de outubro, um dia antes das apresentações públicas, os 57 inscritos no Divulgathon participarão de um workshop para preparem suas apresentações. Será um treinamento intensivo, das 9 às 18 horas, que será ministrado no auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC. Diversos especialistas foram convidados para abordar conteúdos relacionados à comunicação pública da ciência. Também haverá exercícios práticos para despertar a criatividade, aprimorar as habilidades de comunicação oral, o trabalho em equipe e a capacidade de autorreflexão dos participantes em relação a como fazem divulgação científica e a como poderiam fazer melhor. 

O resultado desse treinamento intensivo poderá ser conferido na tarde de domingo, durante o Divulgathon. Além de preparar os atletas para a maratona, o treinamento tem como objetivo estimular que mais pessoas se dediquem à popularização do conhecimento científico. 

O evento é realizado pelo ICMC com apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, marcando o encerramento das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que acontece de 21 a 27 de outubro. Ainda como parte da SNCT, o ICMC realizará na próxima quarta-feira, 23 de outubro, o seminário Além da sala de aula do amanhã: o impacto da inteligência artificial na educação. O seminário também é gratuito, aberto a todos os interessados e será realizado no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano a partir das 15 horas. 

Seminário vai debater as ferramentas de inteligência artificial que já estão sendo aplicadas no meio educacional e abordará também o estado da arte na pesquisa da área e as futuras possibilidades

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Confira a programação completa da SNCT na USP São Carlos: icmc.usp.br/e/25073
Confira quem são os 57 maratonistas: icmc.usp.br/e/3305f
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A estatística está em toda parte, mas nem sempre a gente vê

Entenda um pouco mais sobre essa ciência às vésperas do Dia Mundial da Estatística, que é celebrado no próximo domingo, 20 de outubro



Não é apenas quando você pensa nas chances de ganhar na loteria que a estatística invade a sua vida. Apesar de, muitas vezes, essa ciência permanecer invisível, a estatística está presente em quase todas as esferas do nosso cotidiano. Popularizar o papel dessa ciência é o objetivo do Dia Mundial da Estatística. A data, que foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 2010, é celebrada no próximo domingo, 20 de outubro. 

A área tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente porque vivemos em um mundo cada vez mais cheio de dados. Hoje, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos é um produtor de dados. Em entrevista para a Rádio USP, a professora Mariana Cúri, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, explica que, normalmente, a estatística fica mais evidente para a sociedade durante as eleições, quando ganham destaque as pesquisas eleitorais. Mas ressalta que as ferramentas estatísticas permeiam nosso dia a dia, inclusive quando compramos remédios e quando fazemos uma busca na internet ou utilizamos serviços de streaming como Spotify e Netflix. 

Na entrevista, Mariana destaca que a evolução tecnológica possibilitou coletar e analisar uma enorme quantidade de dados, aproximando, cada vez mais, a estatística e a computação. Essas mudanças impactaram até um dos cursos de graduação oferecidos pelo ICMC: a partir do próximo ano, o Bacharelado em Estatística estará de cara nova e passará a se chamar Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados, evidenciando a sintonia com o atual cenário em que vivemos. “O curso de Estatística do ICMC está fazendo 10 anos este ano e foi modificado para incluir essas técnicas modificadas por causa da computação”, diz a professora. 

Mariana concluiu o Bacharelado em Estatística no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, em São Paulo

Ao abarcar o campo da ciência de dados (data science), o curso busca atender à crescente demanda por profissionais capazes de extrair conhecimentos úteis a partir de imensos bancos de dados. “Eu acho que a estatística, já há alguns anos, vem sendo uma ótima profissão e uma área muito importante no nosso dia a dia, na ciência, na indústria. A partir dessa aproximação com a computação, a estatística ampliou ainda mais a sua atuação. As áreas da estatística tradicionais – a estatística teórica ou a estatística aplicada a pequenas amostras – vão continuar sendo importantes. Mas com essa ampliação, a estatística vai permanecer por ainda mais tempo como uma profissão bastante interessante e relevante”, completa Mariana. 

É muito provável que as previsões e análises estatísticas tornem-se cada vez mais presentes na nossa vida. O que os estatísticos sabem é que, na tarefa de encontrar respostas a partir de dados, a incerteza estará sempre presente. 

Clique e escute a entrevista: icmc.usp.br/e/7f34b

A reportagem foi ao ar na edição de 16 de outubro do Jornal da USP no Ar, Edição Regional, que está disponível neste link: http://ribeirao.usp.br/?p=22731
Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Crédito da imagem: Instituto Nacional de Estatística - Moçambique

Mais informaçõesSobre os dez anos do curso de Estatística: www.icmc.usp.br/e/ac6b3
Site do Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados do ICMC: www.icmc.usp.br/graduacao/estatistica-bacharelado

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Programa de Verão em Matemática promove formação especializada e interação entre pesquisadores

Iniciativa ocorrerá de 6 de janeiro a 14 de fevereiro, e as inscrições estão abertas até 15 de novembro

O ICMC Summer Meeting on Differencial Equations faz parte do Programa de Verão em Matemática do ICMC

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promoverá de 6 de janeiro a 14 de fevereiro de 2020 o Programa de Verão em Matemática. As atividades são gratuitas, destinadas a todos os interessados, e as inscrições estão abertas até o dia 15 de novembro. 

Realizado anualmente desde 1983, o Programa é um catalisador de interações entre os pesquisadores de diversos grupos do Brasil e do exterior. Também oferece atualização e formação por meio de reuniões científicas e cursos de nivelamento e avançados. 

Além disso, o desempenho dos participantes nas disciplinas do Programa pode contar significativos pontos no processo seletivo para ingresso no Mestrado em Matemática do ICMC, que está com inscrições abertas até 30 de outubro (saiba mais). 

As atividades são promovidas pelo Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC, contando com a participação de pesquisadores visitantes, alunos de graduação e de pós-graduação. 

Equações Diferenciais – Integrando a agenda do Programa de Verão ocorre, de 3 a 5 de fevereiro, o ICMC Summer Meeting on Differential Equations que visa debater as novas pesquisas que estão sendo desenvolvidas nessa área. 

O encontro faz parte do calendário científico nacional e internacional e é promovido anualmente pelo Instituto desde 1996. A programação contará com palestras, seções especiais temáticas e seções de pôsteres, em que pesquisadores já experientes e estudantes de pós-graduação de diversas partes do mundo apresentarão seus trabalhos. 

Quem deseja submeter trabalhos para ICMC Summer Meeting pode enviar os resumos até 16 de dezembro por meio do site do evento. Já as inscrições para ouvintes podem ser realizadas até dia 10 de janeiro no mesmo site. 

Participantes da edição de 2019 do ICMC Summer Meeting on Differencial Equations


Texto: Gabriela Bidin - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Programa de Verão em Matemática 2020 
Data máxima para inscrições: 15 de novembro 
Data do evento: 6 de janeiro a 14 de fevereiro de 2020
Inscrições: icmc.usp.br/e/f6e36

ICMC Summer Meeting on Differential Equations 
Data máxima para submissão de trabalhos: 16 de dezembro 
Data do evento: 3 a 5 de fevereiro de 2020 

Mais informações 
Sobre a Pós-Graduação do ICMC: https://www.icmc.usp.br/pos-graduacao 
Serviço de Pós-Graduação do ICMC: (16) 3373.9638 
E-mail: posgrad@icmc.usp.br

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Quando a matemática das bolhas de sabão ajuda a explicar os problemas da vida real

Ao estudar uma simples bolha de sabão, os matemáticos abrem caminhos para compreender, por exemplo, o que acontece em volta dos buracos negros e também no interior das ligas metálicas

Calcular matematicamente o tamanho dessas diferentes estruturas que nascem a partir de uma experiência com água e sabão não é algo trivial
(crédito da imagem: Pinterest)
O que há em comum entre a bolha de sabão que uma criança assopra no ar, as ligas metálicas que sustentam uma construção e os arredores dos buracos negros que nos rondam? Há um elo invisível que os conecta: a matemática, uma ciência capaz de aproximar os mais diferentes fenômenos na busca por compreendê-los. 

Os primeiros matemáticos que se dedicaram ao estudo das bolhas de sabão não imaginavam que seus conhecimentos um dia poderiam ser utilizados para investigar fenômenos celestes tão inusitados quanto os buracos negros, mas essa é outra característica dessa ciência: a imprevisibilidade de suas futuras aplicações. Com a suspeita de que a matemática das bolhas de sabão se assemelha à que permeia os arredores dos buracos negros, há ainda mais motivos para pesquisar as bolhas de sabão, muito mais acessíveis e seguras. 

Essas superfícies que encantam as crianças podem ser estudadas em praticamente todo lugar: basta misturar água e sabão em uma concentração tal que, ao pegar um arame com o formato clássico do círculo, e mergulhá-lo na solução, uma película fina, flexível e resistente surgirá. Ao assoprar essa película, que está grudada nas bordas do arame, você poderá formar uma bolha de sabão e, se tiver alguma habilidade, ela se desprenderá e voará pelo espaço até estourar. Continue a experiência matemática usando sua criatividade para moldar o arame em diversos formatos. Note que uma película surge unida às bordas toda vez que o objeto metálico é mergulhado na solução e, à medida que você muda o formato do arame, altera-se também o formato da película. 

No entanto, calcular matematicamente o tamanho dessas diferentes estruturas que nascem a partir da experiência com água e sabão não é algo trivial. “A tentativa de entender essas superfícies mínimas foi o que motivou a construção de áreas novas de pesquisa”, explica Pedro Henrique Gaspar Marques da Silva, 27 anos, formado em matemática pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. “Os matemáticos têm sido desafiados a pensar sobre essas superfícies mínimas há mais de um século”, completa o rapaz, que está fazendo pós-doutorado na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. 

Ele voltou ao ICMC no dia 27 de agosto para receber o Prêmio Carlos Gutierrez de Teses de Doutorado, que reconhece, a cada ano, a melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior: “Meu trabalho está no meio do caminho entre a geometria e as equações diferenciais. Aliás, os matemáticos construíram a ponte entre essas duas áreas exatamente para tentar entender as superfícies mínimas”. 

Pedro durante sua palestra no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Depois de receber a premiação, Pedro ministrou uma palestra no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano, em que abordou os principais resultados de sua tese. Na plateia, professores e participantes do Workshop de Teses e Dissertações do ICMC acompanhavam atentos às explicações técnicas. A seguir, subimos até o terceiro andar da Biblioteca Achille Bassi para admirar, de perto, o Ipê Amarelo florido. Ao nos sentarmos em uma das mesas, Pedro volta a explicar, pacientemente, alguns conceitos matemáticos com os quais trabalha. Diante de uma jornalista, depara-se com a impossibilidade de usar os mesmos termos e equações que apresentou na palestra. Mas isso não o incomoda: perspicaz, Pedro encontra metáforas e exemplos para compartilhar o que sabe. 

Aliás, ele tem essa facilidade para ensinar desde criança, revela o avô materno, Paulo Afonso Marques. Presente na cerimônia de premiação, Paulo conta que, quando o neto estava no ensino fundamental e o semestre próximo do fim, o garoto continuava indo à escola. Então, o avô perguntava: “Pedro, você já eliminou todas as matérias, pra que está indo à escola?” O garoto respondia: “Meus colegas não terminaram ainda, tenho que ajudá-los”. 

A mãe, Ana Paula Gaspar Marques da Silva, completa: “Ele sempre gostou muito de ensinar. Quando estava no ensino médio, minha casa vivia cheia de amigos e colegas”. Para ela, a qualidade mais marcante do garoto, desde sempre, é a humildade.

Pedro abraçado à mãe, Ana Paula, acompanhado pelo pai e os avós
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Forças em equilíbrio – Mas o que torna as películas de sabão atraentes aos olhos dos matemáticos e aos olhos de Pedro, em especial? “Essas superfícies são resultado de um estado de equilíbrio de forças físicas: há pressão de um lado e de outro da película. E a forma final adquirida pela superfície é resultado do equilíbrio dessas forças”. Nesse estado de equilíbrio, a película adquire também uma interessante propriedade geométrica: possui a menor área entre todas as superfícies que são limitadas por uma curva fechada. É daí que vem o nome desses objetos matemáticos: superfícies mínimas. 

Há muitas situações do cotidiano em que as superfícies mínimas aparecem e os conhecimentos matemáticos da área podem ser aplicados. Pedro cita como exemplo o desafio de unir várias antenas, receptores ou radares, de maneira a otimizar a captação de sinais. Outro exemplo vem da arquitetura: “Imagine que você tem um palito na mão e vai girá-lo, sem completar a volta, e deslocá-lo para cima. A superfície que será criada pela trajetória descrita por esse palito é uma superfície mínima. Então, se eu fizer uma casa cujo telhado tem esse formato, terei que calcular matematicamente onde colocar as vigas para manter a estrutura em equilíbrio”. 

O nome dessa simpática superfície descrita por Pedro é helicoide e, para recriá-la, basta modelar um arame em formato de espiral e mergulhá-lo no mesmo recipiente com água e sabão usado para produzir as bolhas. Se você quiser pesquisar ainda mais as interessantes propriedades matemáticas desse estranho objeto, pode construí-lo usando palitos de picolé. Os palitos farão você visualizar com clareza que, em cada ponto do helicoide, passa uma reta, a qual está inteiramente contida nessa superfície mínima. 

Helicoide: modele um arame em formato de espiral e o mergulhe em um recipiente com água e sabão
(Crédito da imagem: Paul Nylander)

O helicoide de palitos de picolé foi um dos muitos experimentos que encantou um grupo de estudantes do segundo ano do ensino médio da Escola Antonio Raimundo de Melo, na cidade de Carnaubal, no Ceará. A pesquisadora Lucimara Andrade realizou uma série de atividades com esses alunos para discutir as propriedades básicas das superfícies mínimas. O projeto é fruto do mestrado profissional em matemática (PROFMAT) que Lucimara desenvolveu na Universidade Federal do Ceará, sob orientação do professor Marcelo Melo. O trabalho resultou também na publicação do artigo Superfícies mínimas e bolhas de sabão no Ensino Médio, na revista Thema. 

“O estudo contribuiu muito para a formação educacional dos estudantes, possibilitando a eles um contato teórico e prático com tópicos matemáticos voltados quase exclusivamente para alunos de pós-graduação em matemática”, ressaltam Marcos e Lucimara no artigo. “Esta experiência comprova que com iniciativa e criatividade, a matemática (mesmo aquela matemática que aparentemente faz parte apenas da rotina de pesquisadores de alto nível) pode deixar de ser temida e rejeitada por muitos estudantes, e passar a ser vista como uma ferramenta indispensável e presente no dia a dia dos alunos do ensino médio”, concluem os autores. 

Imagem da helicoide com palitos de sorvete feita pelos alunos da professora Lucimara Andrade
(crédito da imagem: arquivo da professora)

Dimensões além – Se estudar as superfícies mínimas no planeta Terra já é desafiador, imagine só fazer isso em outro planeta. A questão parece totalmente fora de propósito, mas é usando essa brincadeira que Pedro nos lança para outras dimensões: “Uma criança entediada, que está em outro planeta, no qual há várias dimensões, resolve fazer uma bolha de sabão. Em vez de sair uma esfera voando, a bolha tem um formato estranho, que se parece com o que a gente chama de hipersuperfíceis”. 

Para entender uma hipersuperfície, precisamos mesmo usar nossa imaginação. Isso acontece porque, aqui na Terra, bastam três números para definirmos matematicamente os objetos tridimensionais que vemos. Pense em uma caixa, para saber o espaço que ela ocupa, é só identificar a largura, a profundidade e a altura, ou seja, suas três dimensões. Então, por que os matemáticos insistem em pensar em mais dimensões se no nosso mundo tem só três? 

Pedro explica: “Cada dimensão pode ser considerada como uma quantidade que a gente quer medir. Imagine que vamos estudar o problema de uma empresa: ela quer minimizar o quanto gasta para produzir um produto e tem um monte de fatores para levar em consideração – custo de materiais, das pessoas, do transporte do material, do transporte do produto final até o local de venda, etc. Bem, cada um desses fatores pode ser considerado como se fosse uma dimensão. Para tentar achar um valor ótimo, temos que estudar mais dimensões além de três”. 

Se você achava que bastavam três dimensões para resolver os problemas do nosso mundo, acaba de descobrir que já vivemos em um planeta que demanda pesquisar muitas outras dimensões, mesmo que elas sejam invisíveis. O que Pedro estudou em sua tese é como o calcular o espaço ocupado pelas superfícies mínimas quando temos mais do que três dimensões: “Para criar uma liga de metal, por exemplo, várias substâncias são unidas e, olhando para o interior desse material, podemos localizar espaços em que as substâncias estão em equilíbrio. A superfície que aparece entre esses diferentes materiais se parece com aquelas que ocorrem nas bolhas de sabão.” 

Para compreender as hipersuperfícies, é preciso usar a imaginação
(Crédito da imagem: Paul Nylander)

De volta ao começo – Ao receber o Prêmio Gutierrez pela tese de doutorado A equação de Allen-Cahn e aspectos variacionais de hipersuperfícies mínimas, defendida no IMPA e orientada pelo professor Fernando Codá, Pedro se lembrou de seus primeiros passos em matemática: “Voltar para o ICMC é quase como voltar para casa. Foi realmente onde eu comecei a gostar de fazer matemática. Um dos fatores fundamentais que construíram a ponte para o que aconteceu depois – o meu doutorado – foi a iniciação científica”. 

Sob orientação do professor Fernando Manfio, do ICMC, Pedro desenvolveu projetos de iniciação científica durante três anos, todos com bolsas de estudo: um ano com recursos provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e dois com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “A iniciação científica me abriu várias portas, possibilitando ir a eventos, simpósios, conferências, workshops”. 

Quando visitou o ICMC pela primeira vez, um pouco antes de ficar sabendo que havia sido aprovado no vestibular da Fuvest, Pedro se encantou pelo ambiente acolhedor. “Algo que se confirmou ao longo da graduação: é um ambiente quase familiar, os professores são muito acessíveis e os colegas de turma dispostos a ajudar”. Foram as forças desse espaço, em equilíbrio, que possibilitaram a Pedro explorar muitas superfícies matemáticas. 

A professora Maria Aparecida Soares Ruas falou sobre a relevância do pesquisador Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon durante a cerimônia de premiação; à esquerda, estão o professor Daniel Smania, Pedro e o professor Fernando Manfio
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

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Dissertação Superfícies mínimas e bolhas de sabão no ensino médio:
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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Marcelo Viana explica o sucesso brasileiro na pesquisa matemática em Aula Magna no ICMC

Diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada falará sobre “A matemática brasileira: dos anos 1950 aos anos 2020” dia 16 de outubro, às 14h30; evento é gratuito e aberto a todos os interessados 

“É um prazer e uma honra poder dar essa Aula Magna no ICMC, uma de nossas mais destacadas instituições de ensino e pesquisa, que tanto tem contribuído para a matemática brasileira, e onde tenho tantos amigos”, destaca Viana
(crédito da imagem: IMPA)

O Brasil se tornou referência em pesquisa matemática nos últimos anos. Um marco dessa história de sucesso é a ascensão do país ao grupo de elite da matemática mundial em 2018, anunciada pela União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês). Como ocorreu esse processo? Quais são os desafios para o futuro? Essas são algumas perguntas que o diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Marcelo Viana, responderá durante a Aula Magna que vai ministrar no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

“É um prazer e uma honra poder dar essa Aula Magna no ICMC, uma de nossas mais destacadas instituições de ensino e pesquisa, que tanto tem contribuído para a matemática brasileira, e onde tenho tantos amigos”, destaca Viana, que foi o primeiro brasileiro e matemático a receber, em 2016, o Prêmio Louis D. do Institut de France, maior honraria científica da França. 

Concebida como uma aula inaugural em cursos de graduação, a Aula Magna é realizada, tradicionalmente, por uma personalidade representativa da área de atuação da unidade de ensino e pesquisa em que é ministrada. Trata-se, portanto, de uma atividade relevante para os estudantes, que têm a oportunidade de conhecer mais a fundo o campo profissional em que atuarão. 

“Em março deste ano teve lugar na sede da UNESCO, em Paris, um evento intitulado Matemática e Desenvolvimento. O exemplo brasileiro ocupou uma posição de destaque na programação”, explica o diretor do IMPA. “Esse processo de desenvolvimento da pesquisa matemática decolou no Brasil nos anos 1950. Não é certamente coincidência que essa tenha sido também a década em que o país se lançou de forma definitiva no processo de industrialização, na sequência do resultado da Segunda Guerra Mundial. E o caminho da constituição de uma comunidade matemática de primeiro nível fechou um ciclo em 2018”, completa Viana. 

Além da promoção do Brasil ao grupo de elite da União Matemática Internacional em 2018, a matemática brasileira ganhou destaque mundial com a realização, pela primeira vez em uma cidade da América Latina, do Congresso Internacional de Matemáticos no Rio de Janeiro. Maior encontro mundial da comunidade, o evento reuniu 2,5 mil matemáticos na cidade e integrou o Biênio da Matemática no Brasil (2017-2018), projeto concebido e liderado por Viana, que foi proclamado pelo Congresso Nacional por meio da Lei 13.358, e gerou um sólido movimento para desmistificar e popularizar a disciplina em todo território nacional. 

No primeiro dia do Congresso Internacional de Matemáticos, aconteceu também a premiação dos medalhistas da OBMEP; na imagem, além de Marcelo Viana (último à direita), estão presentes dois professores do ICMC: José Alberto Cuminato (último à esquerda) e Ires Dias (em pé, ao fundo)
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Trajetória – Nascido no Rio de Janeiro, Viana mudou-se para Portugal ainda na infância, onde concluiu a graduação em matemática pela Universidade do Porto. Em 1990, voltou ao Brasil para fazer doutorado no IMPA, instituição que dirige desde 2016. Pesquisador das áreas de sistemas dinâmicos e teoria do caos, fez pós-doutoramento em Princeton e na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos. 

Viana também dirigiu a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), foi vice-presidente da União Matemática Internacional e é membro das Academias de Ciências do Brasil, do Chile, de Portugal e do Mundo em Desenvolvimento (TWAS). Juntamente com Hilário Alencar, idealizou e liderou o Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional. Viana é também um dos principais idealizadores da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), promovida pelo IMPA desde 2005, com apoio da SBM. 

A Aula Magna A matemática brasileira: dos anos 1950 aos anos 2020 é gratuita, aberta a todos os interessados e não demanda inscrições prévias. O evento acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano do ICMC na quarta-feira, 16 de outubro, a partir das 14h30.

Congresso Internacional de Matemáticos reuniu 2,5 mil matemáticos no Rio de Janeiro em 2018
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Com informação da Assessoria de Comunicação do IMPA


“A matemática brasileira: dos anos 1950 aos anos 2020” – Aula Magna com Marcelo Viana 
Quando: quarta-feira, 16 de outubro, às 14h30 
Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, sala 6-001, bloco 6 do ICMC 
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400, área I do campus da USP, no centro de São Carlos 
Mais informações: (16) 3373.9622 ou eventos@icmc.usp.br

Saiba mais
Colunas de Marcelo Viana no jornal Folha de S. Paulo: www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/
Sobre a OBMEP: www.obmep.org.br
Sobre o Congresso Internacional de Matemáticos: www.icm2018.org
Sobre o Biênio da Matemática: www.bieniodamatematica.org.br