Mostrando postagens com marcador projeto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador projeto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Oportunidade: projeto de robótica do ICMC seleciona bolsistas

Estudantes de graduação da USP podem atuar em projeto voltado para educação e competições de robôs; interessados podem se inscrever até a próximo terça, 10 de dezembro

Bolsistas poderão contribuir para que mais crianças e adolescentes tenham contato com a robótica e participem de competições como a Olimpíada Brasileira de Robótica
(crédito da imagem: Denise Casatti)


Se você é estudante da USP, em São Carlos, e está cursando Ciências de Computação, Engenharia de Computação ou Engenharia Elétrica pode se candidatar a uma das quatro bolsas de iniciação científica oferecidas pelo projeto de pesquisa Robótica Social para educação e competições. 

O estudante selecionado receberá uma bolsa no valor mensal de R$ 400,00 durante um ano. Como pré-requisito, é preciso ter conhecimento e experiência em impressão 3D e também na área de robótica, mais especificamente em montar e programar kits robóticos tais como Lego Mindstorm, Kit PeTE e/ou Arduino. 

Coordenado pela professora Roseli Romero, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o projeto foi selecionado pela Pró-Reitoria de Graduação da USP por meio do programa Aprender na Comunidade. A iniciativa visa apoiar projetos já existentes ou novas propostas que tenham como objetivo promover o desenvolvimento de competências do aluno de graduação e o desenvolvimento de sua prática profissional em conexão direta com a sociedade. Das 146 propostas submetidas ao edital do programa, 104 foram aprovadas e apenas 17 pertencem à categoria de projetos consolidados e interdisciplinares, na qual se enquadra a iniciativa da professora Roseli. 

Os interessados em participar da seleção devem preencher, até a próxima terça, 10 de dezembro, o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/03028. Haverá uma pré-seleção, com base nas informações fornecidas pelos estudantes e os selecionados receberão um comunicado, via e-mail, para comparecer a uma entrevista com a professora. Todas as entrevistas estão previstas para serem realizadas no dia 12 de dezembro. 

Quem for selecionado contribuirá para que os objetivos educacionais do projeto sejam alcançados, tais como: permitir que crianças tenham um primeiro contato com a robótica, auxiliando na obtenção de novos conceitos; possibilitar que crianças e adolescentes em situação socioeconômica mais desfavorável possam ter contato com a robótica, aprender e participar de competições como a Olimpíada Brasileira de Robótica; ensinar professores da rede pública a montar e programar robôs, de forma a aplicar essa tecnologia em sala de aula. 

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Link para inscrições: icmc.usp.br/e/03028 
Departamento de Ciências de Computação: (16) 3373.9671 ou scc@icmc.usp.br

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O mais avançado Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial do Brasil terá núcleo em São Carlos

Com recursos da IBM, da FAPESP e da USP, iniciativa é resultado da maior parceria já estabelecida no País entre o setor acadêmico e uma empresa de tecnologia da informação para a colaboração em inteligência artificial

Sede principal do projeto será no Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo
(crédito da imagem: Isabella Velleda - Jornal do Campus)

Conhecida como a capital da tecnologia, São Carlos está no mapa do mais avançado Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil. Com recursos que virão da IBM, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da USP, o novo Centro terá um de seus núcleos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), localizado no campus da Universidade em São Carlos. 

“O Brasil tem hoje uma comunidade científica forte em inteligência artificial que pode fazer grandes contribuições em áreas nas quais o Brasil tem chance real de ser líder internacional ou já lidera de alguma forma. Agora, com o novo centro de pesquisa, podemos catalisar os esforços”, explicou o coordenador do projeto, Fabio Cozman, durante o evento IBM Research Brasil Colloquium 2019 – os caminhos da inteligência artificial no Brasil, em São Paulo. 

Professor da Escola Politécnica da USP, Cozman estará no ICMC na quarta-feira, 28 de novembro, para apresentar o projeto do novo Centro de Inteligência Artificial. O evento é gratuito, aberto a todos os interessados e acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, a partir das 17 horas. No evento, o público poderá compreender como funcionará o projeto e, ao final da apresentação, esclarecer as dúvidas. 

Com início das atividades previsto para o começo de 2020, o projeto terá como sede principal o Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo. A iniciativa agrega mais de 60 pesquisadores da USP e das universidades Estadual Paulista (UNESP) e Estadual de Campinas (UNICAMP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Centro Universitário FEI e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Considerando apenas os cientistas vinculados à USP, há pesquisadores de 14 unidades e expressiva participação de professores do ICMC, tornando o Instituto um dos principais polos do novo projeto. 

“Para São Carlos e para o ICMC, é extremamente relevante fazer parte do primeiro centro de inteligência artificial de grande porte do Brasil. O impacto dessa área na sociedade, especialmente considerando os empregos e o controle de informações em massa, demanda um posicionamento urgente do nosso País em relação ao assunto”, explica o professor Fernando Osório, do ICMC, que será o coordenador de difusão e comunicação do novo centro. “Os países mais desenvolvidos já estão fazendo isso e não podemos ficar para trás”, completa. 

Osório destaca que, logo após a divulgação de que a USP sediaria o novo centro, o que aconteceu em 4 de outubro durante o evento da IBM, houve também o anúncio de que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) articulava a criação de mais centros de pesquisa na área. Tal como a iniciativa da IBM-FAPESP-USP, esses futuros centros devem ser constituídos a partir de chamadas em editais, estabelecendo parcerias público-privadas, além de ficarem instalados em universidades e institutos de pesquisa em São Paulo e em outros estados do país.

O professor Fernando Osório (o quarto em pé da esquerda para a direita) com a equipe do Laboratório de Robótica Móvel do ICMC, que tem realizado vários projetos em parceria com empresas. Um exemplo é o caminhão autônomo desenvolvido junto com a Scania. Com a implantação do novo Centro de Inteligência Artificial, a ideia é que mais iniciativas como essas sejam implementadas.

Investimento – Com financiamento de até 10 anos, IBM e FAPESP reservarão, cada uma, até US$ 500 mil anualmente para implementar o projeto, que contará com avaliações periódicas das atividades. Já a USP, por sua vez, investirá até US$ 1 milhão por ano em instalações físicas, laboratórios, professores, técnicos e administradores para gerir o centro. 

O projeto foi desenvolvido para abarcar aplicações de inteligência artificial em eixos de pesquisa envolvendo aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural, recursos naturais (óleo e gás), agronegócio, meio ambiente, finanças e saúde. Essas áreas também são foco do Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil. Haverá, ainda, um eixo transversal: inteligência artificial e sociedade, que contará com a contribuição de pesquisadores das ciências humanas, ligados a áreas como ciências políticas, direito e economia. Estão previstos, por exemplo, estudos sobre as implicações socioeconômicas da inteligência artificial na sociedade, contribuindo para debates que envolvam questões sobre ética, relação homem-máquina, privacidade e trabalho. 

“Nosso objetivo é levar a pesquisa em inteligência artificial no país a um novo patamar, com o intuito de beneficiar a sociedade. Estamos interessados em discutir como essa tecnologia pode ser melhor aproveitada pela sociedade”, conclui Cozman.



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Com informações da Agência FAPESP, da Assessoria de Comunicação da IBM e da USP 


Apresentação do novo Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil 
Quando: quinta-feira, 28 de novembro, às 17 horas 
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC 
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400, São Carlos 
Atenção: o evento é aberto a todos os interessados e não demanda inscrições prévias


Saiba mais

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Workshop Intel: aprenda a criar uma solução com inteligência artificial na USP São Carlos

Em evento no ICMC, empresa mostrará como desenvolver uma solução de ponta a ponta para detectar os dez carros mais roubados nos Estados Unidos 



Se você é um estudante universitário de computação ou de áreas correlatas – tais como sistemas de informação ou matemática aplicada, por exemplo – pode se inscrever em um workshop gratuito que a Intel oferecerá dia 17 de outubro, quinta-feira, das 13 às 17 horas, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Para participar, basta fazer sua inscrição até o dia do evento, ou enquanto houver vagas, neste link: icmc.usp.br/e/d66a0. O objetivo do workshop é mostrar aos estudantes como se desenvolve uma solução com inteligência artificial, explicando todas as etapas desse processo a partir de um exemplo específico: a detecção dos dez carros mais roubados nos Estados Unidos. 

Como o campo da inteligência artificial está em franca expansão, saber criar uma solução como essa é uma habilidade fundamental para todos os profissionais que pretendem atuar nesse ramo. Além disso, a cada dia, novas plataformas são criadas, possibilitando as mais diversas aplicações na vida real. 

Os conteúdos que serão abordados no workshop abarcam desde a análise do problema proposto, a definição do conjunto de dados a ser utilizado para o treinamento da rede neural e o pré-processamento do conjunto de dados, até a definição e a análise das topologias de redes neurais mais adequadas ao projeto. Também será mostrado como avaliar, testar e exportar o modelo treinado e como usar esse modelo (inferência) empregando aceleração de hardware e suporte para computação heterogênea (CPU, VPU, GPU integrada e FPGA). 

Todos os conteúdos do workshop serão disponibilizados on-line, para que os participantes possam fazer os exercícios em seus computadores ou na nuvem Intel AI. A atividade será ministrada pelo especialista Jomar Silva, que é technical evangelist da Intel para a América Latina e todos os presentes no evento receberão certificado de participação. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Workshop Intel de Inteligência Artificial no ICMC 
Quando: quinta-feira, 17 de outubro, das 13 às 17 horas 
Inscrições: icmc.usp.br/e/d66a0
Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC 
Endereço: avenida Trabalhador São-carlense, 400 - Parque Arnold Schimidt 
Mais informações: (16) 3373.9622 ou eventos@icmc.usp.br

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Como a paisagem pode favorecer as atividades de ensino, pesquisa e extensão?

Projeto de paisagem do ICMC, que está sendo desenvolvido por pesquisadora do IAU, será apresentado à comunidade na próxima quarta-feira, dia 21



Não são poucos os visitantes que elogiam os espaços que compõem o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. A maioria relata que o encanto se relaciona à forma como a natureza permeia com exuberância os arredores dos blocos que abrigam salas de aulas, de professores, laboratórios de pesquisa, de informática e áreas administrativas. Mas será que é possível repensar essa paisagem a fim de que favoreça ainda mais as atividades de ensino, pesquisa e extensão, levando em conta práticas sustentáveis? 

Esse é um dos desafios que têm mobilizado a professora Luciana Schenk, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP. Para construir o projeto de paisagem do ICMC, ela conta com o apoio duas bolsistas: Beatriz Sousa Borges e Sophia da Rosa Siviero, ambas estudantes de arquitetura do IAU. 

A equipe já fez um levantamento técnico sobre todas as espécies que constituem a vegetação do ICMC, além de uma ampla pesquisa sobre os ambientes de instituições de ensino do mundo que são reconhecidas pelos seus projetos de paisagem. “O próximo passo é mostrar esse trabalho para a comunidade e convidá-la a responder um breve questionário on-line”, explica Luciana. 

A reunião com a comunidade do ICMC acontecerá na próxima quarta-feira, 21 de agosto, a partir das 16 horas, no auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4. Aberto a todos os interessados, o encontro explicará os objetivos do projeto e convidará a comunidade a responder um formulário on-line (disponível neste link: icmc.usp.br/e/108b0). 

“Na opinião dessa comunidade, o que, de fato, pode fazer a diferença quando andamos pelo ICMC para recarregar as baterias? Devemos privilegiar espaços de encontro ou de silêncio?”, questiona Luciana. A partir das respostas ao questionário, a equipe compreenderá melhor as percepções a respeito dos ambientes do ICMC e poderá planejar adequadamente os espaços: “O que criamos são eventos que vão compor uma narrativa do percurso que as pessoas farão por aqui”. 

A pesquisadora explica ainda que o projeto precisa manter a congruência com a paisagem local. Nesse caso, para selecionar as espécies que constituirão a vegetação, é preciso levar em conta a qualidade da vegetação presente e o tipo de fauna do local, inclusive para enriquecê-los. “Só assim, poderemos construir um meio ambiente mais rico em todos os sentidos”, diz a professora. 

Segundo Luciana, a paisagem que nos cerca passa a ser valorizada a partir do momento em que estabelecemos uma relação afetiva com o local. Quando isso ocorre, as alterações nesse ambiente são percebidas tal como as mudanças que acontecem em nossa casa, capazes de transformar nossa história e nossa cultura. Na opinião da professora, é possível notar na comunidade do Instituto esse vínculo afetivo. “Isso é o que mais me encanta no ICMC”, finaliza Luciana. 



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Fotos: Nilton Junior/ArtyPhotos

Projeto de paisagem: reunião com a comunidade 
Responda ao questionário até 2 de setembro: icmc.usp.br/e/108b0 
Quando: dia 21 de agosto, quarta-feira, às 16 horas 
Onde: auditório Luiz Antonio Favaro (4-111) 
Mais informações: (16) 3373.9622 ou eventos@icmc.usp.br

terça-feira, 25 de junho de 2019

Centro Avançado ICMC para Apoio à Inovação: apresente sua proposta até 4 de julho

Chamada visa estimular alunos, ex-alunos e professores a apresentarem projetos que favoreçam o empreendedorismo e a inovação

Propostas selecionadas poderão usar espaço disponível na área 2 do campus para pré-incubação de empresas

Estimular iniciativas que contribuam para a formação empreendedora dos estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promovendo uma aproximação com as empresas de base tecnológica e os demais atores que fazem parte do ecossistema de inovação da região. Esses são alguns dos objetivos do Centro Avançado ICMC para Apoio à Inovação. 

A primeira chamada pública de projetos está com inscrições abertas até dia 4 de julho. Os interessados podem apresentar propostas para estimular a formação empreendedora no ICMC ou elaborar projetos para angariar espaço destinado à pré-incubação de empresas. 

As propostas podem se encaixar em diversas modalidades, tais como: projetos de inovação com parcerias de empresas, institutos de pesquisa e órgãos governamentais para o desenvolvimento de protótipos ou provas de conceito de produtos ou tecnologias criadas no ICMC; projetos de preparação para participar de competições de inovação ou de editais de fomento voltados à incubação ou ao desenvolvimento de tecnologia; projetos para ensino que visem à aplicação de conhecimentos em casos reais. 

Para conhecer detalhadamente quais propostas podem ser apresentadas, acesse o edital completo: icmc.usp.br/e/5326a. Para enviar seu projeto acesse o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/36919. Pelo menos metade das iniciativas selecionadas deverão contemplar a participação de alunos de graduação. Os resultados serão divulgados até dia 25 de julho e os projetos contemplados terão início em agosto. 

Propostas podem ser enviadas até 4 de julho

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP


Mais informações
Centro Avançado ICMC para Apoio à Inovação (ICMCin): www.icmc.usp.br/institucional/icmcin
Acesse o edital completo: icmc.usp.br/e/5326a 
Formulário para envio das propostas: icmc.usp.br/e/36919 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Arduino no ICMC: participe de oficinas gratuitas sobre componentes eletrônicos

Aprenda conceitos básicos da eletrônica e produza seu primeiro circuito com as oficinas da plataforma Arduíno

Introdução à criação de componentes e circuitos elétricos é tema de maratona de oficinas no ICMC

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizará, nos dias 25 e 26 de maio, uma maratona de oficinas sobre conceitos e aplicações da área de eletrônica. Serão quatro oficinas em que os participantes aprenderão desde os conceitos básicos sobre os componentes mais utilizados no mundo da eletrônica até a confecção de placas de circuito impresso (PCB) para serem acopladas à plataforma Arduino.

Por se tratar de uma ferramenta aberta, livre e de baixo custo para a criação de projetos de hardware e software, o Arduino permite conectar, de forma descomplicada, o mundo da computação com dispositivos físicos que estão ao nosso alcance na vida real. Com o Arduino, essa conexão entre a computação e a vida real tornou-se mais simples e fácil porque não é preciso ser um especialista em eletrônica para desenvolver um projeto usando esse microprocessador, que tem conquistado estudantes, programadores e profissionais de diversas áreas ao redor do mundo. 

Por isso, se você é uma pessoa que gosta de fazer seus próprios projetos, mas cansou de assistir a tutoriais na internet, venha entender como as coisas realmente funcionam e aprofunde seus conhecimentos nas quatro oficinas que serão oferecidas pelo ICMC. Todas as atividades são promovidas pelo projeto Principia - Robôs na Escola, que desenvolve métodos e ferramentas novas para o ensino de robótica para crianças a partir de dez anos de idade, com foco, principalmente, em escolas públicas municipais e estaduais. O objetivo é aproximar os jovens da tecnologia, sempre visando o aprimoramento didático e a capacidade de replicação do conhecimento.

Para participar das oficinas, que são gratuitas, basta se inscrever, via formulário eletrônico, até a próxima quarta-feira, 22 de maio, ou enquanto houver vagas. Veja, a seguir, como fazer sua inscrição em cada atividade:
  • Circuitos elétricos e eletrônica básica para sistemas controlados com Arduino
Dia 25/05, das 10 às 14 horas
Inscrições: icmc.usp.br/e/97ecb
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/dd729
  • Conceitos e aplicações de componentes eletrônicos e introdução a sistemas controlados com Arduino
Dia 25/05 - das 14 às 18 horas
Inscrições: icmc.usp.br/e/d5d45
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/40f3e
  • Introdução a simulação de circuitos com Arduino e desenvolvimento esquemático para produção de placas de circuito impresso
Dia 26/05 - das 10 às 14 horas
Inscrições: icmc.usp.br/e/2adaa
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/972e6
  • Confecção de placas de circuito impresso e aplicação em sistemas controlados com Arduino
Dia 26/05 - das 14 às 18 horas
Inscrições: icmc.usp.br/e/a41e4
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/f00c5

Texto: Marília Calábria – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Crédito da imagem: ArduínoCC

Mais informações
Página do Principia no Facebook: https://www.facebook.com/RobosNaEscola
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146
E-mail: comunica@icmc.usp.br

    terça-feira, 12 de março de 2019

    Será que é possível prever o futuro de um projeto de lei?

    A dissertação de Danilo Oliveira, que concluiu o mestrado em janeiro no ICMC, mostra como a inteligência artificial pode contribuir para aumentar a transparência do processo legislativo

    Danilo Oliveira (à direita) e seu orientador, o professor Alexandre Delbem (ao centro), após a apresentação da dissertação no dia 28 de janeiro, no ICMC

    A democracia só é realmente efetiva quando existe a participação do povo em todos os processos políticos. Dessa forma, a sociedade se torna forte, crítica e menos desigual. Mas você já pensou em como a computação, mais especificamente as ferramentas da área de inteligência artificial, podem se tornar aliadas da democracia, contribuindo para aumentar a participação popular? 

    Preocupado com a falta de transparência dos processos que tramitam no Congresso Nacional, Danilo Oliveira criou o sigalei, uma ferramenta de monitoramento legislativo desenvolvida no início de 2015, na versão de aplicativo. Diante dos desafios que surgiram a partir da criação da iniciativa, o empreendedor decidiu desenvolver um projeto de pesquisa para aperfeiçoar a ferramenta. Resultado: em janeiro, com a apresentação do trabalho Compreendendo e prevendo o processo legislativo via ciência de dados, Danilo conquistou o título de mestre pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

    O começo - No início, o app sigalei tinha algumas limitações e o monitoramento dos projetos era bastante restrito. Apesar disso, a ideia era tão inédita que ganhou o Prêmio Nacional de Inovação INOVAPPS em 2015, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

    “Eu imaginei que, se pudesse facilitar o acesso do cidadão à informação, o engajamento político poderia aumentar”, explica Danilo. Dessa forma, a ideia inicial era fazer um aplicativo destinado ao cidadão comum. Entretanto, ele percebeu que o app era utilizado, na maioria das vezes, por pessoas que estavam em Brasília e em São Paulo. Considerando esse público, o nível de engajamento político já era extremamente alto. É por isso que, hoje, o sigalei tem como público-alvo os chamados grupos de pressão (empresas, associações, sindicatos, ONGs e instituições), pois é esse segmento que mais precisa acompanhar automaticamente as atividades do poder público.

    “Para essas pessoas, é muito mais fácil quando existe um mecanismo em que você pode encontrar todas as informações do seu interesse em um só lugar, sem que você precise entrar em diversos sites para achar o que procura”, explica Danilo. 

    Então, o app deu origem a uma startup, sediada em São Carlos, que tem como objetivo analisar dados de diversas fontes públicas, de maneira que os grupos de pressão possam fazer um monitoramento automático dos projetos de lei em andamento e influenciar o poder legislativo em nível federal, estadual e municipal. Para isso, um software monitora e interpreta dados de 19 sites legislativos no País entre assembleias estaduais, câmaras municipais, Câmara dos Deputados e Senado Federal.


    O avanço - Para aperfeiçoar o sigalei, Danilo desenvolveu um projeto de pesquisa utilizando técnicas estatísticas e de inteligência artificial, em especial da área de aprendizado de máquina, já que era necessário analisar uma grande quantidade de dados. Algoritmos foram empregados para coletar os dados e “aprender” com eles. Assim, o sistema computacional se tornou capaz de selecionar o que é relevante para determinado grupo de pressão.

    Dessa forma, Danilo conseguiu que a plataforma sigalei fosse capaz de fazer um prognóstico sobre os projetos de lei. Com base no histórico de outros projetos de lei, que versam sobre temáticas similares, a plataforma identifica a trajetória futura mais provável. “Dessa forma, os grupos de pressão que estão cadastrados no nosso site podem acompanhar quais são os projetos do seu interesse que estão sendo debatidos, como eles podem afetar o grupo e, dependendo do prognóstico, quais estratégias poderiam ser adotadas”. 

    Outro exemplo do uso da inteligência artificial em prol da democracia é o projeto Operação Serenata de Amor, que usa ciência de dados para fiscalizar gastos públicos e compartilhar informações de forma acessível a qualquer pessoa. A ferramenta foi criada em 2016 pelo cientista de dados Irio Musskopf. A ideia, segundo ele, era usar inteligência artificial para auditar contas públicas e auxiliar no controle social, de forma que as pessoas pudessem participar ativamente do processo democrático, fiscalizando os gastos públicos.

    A busca por aprimorar a transparência na gestão dos recursos públicos motivou, ainda, a criação do portal Repasse, desenvolvido em parceira por pesquisadores do ICMC e da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ao acessar a plataforma, é possível ver detalhadamente onde foram aplicados os recursos repassados pelo governo federal a cada município, mês a mês. Por meio de gráficos coloridos e dinâmicos, o cidadão consegue verificar quanto foi investido em cada área (saúde, educação, saneamento, cultura, etc.), subárea, programa e ação, além de identificar quem foi favorecido e quanto recebeu. Projetos como esses mostram como a computação pode, de fato, se tornar uma aliada da democracia. 

    Texto: Denise Casatti e Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

    Mais informações
    Site do sigalei: https://sigalei.com.br
    Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
    E-mail: comunica@icmc.usp.br

    quinta-feira, 1 de novembro de 2018

    Estudantes do ICMC e da UFSCAR convidam população para participar de plantio coletivo de árvores

    Iniciativa é aberta ao público e os interessados devem preencher formulário de inscrições


    Se você quer participar de uma iniciativa para promover a implementação de práticas ambientais sustentáveis, pode contribuir com o plantio de 126 mudas na rotatória do Cristo Redentor, no bairro Santa Mônica, em São Carlos. A ação acontece sábado, dia 10 de novembro, a partir das 8h40. Para participar, bastar preencher um formulário, disponível neste link: icmc.usp.br/e/a4780, até o dia 8 de novembro. O grupo também organizará caronas por meio de um evento no Facebook.

    “Precisamos de iniciativas como essa para que seja compensada a supressão de árvores na cidade. Com isso, também divulgamos e fomentamos a importância da arborização urbana, contribuindo com um meio ambiente mais equilibrado e, consequentemente, com a melhoria da qualidade de vida da população”, diz Gabriel Baltazar, estudante do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação. 

    Aluno do curso de Ciências de Computação, Gabriel é um dos integrantes do Projeto Reciclo, um grupo de extensão vinculado ao Programa de Educação Tutorial (PET) - Computação do ICMC e ao Programa de Educação Tutorial (PET) Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 

    O grupo começou a atuar neste segundo semestre de 2018, mas já promove diversas atividades em São Carlos. Uma delas é a ação de arborização coletiva que ocorre no dia 10 e utiliza mudas de árvores nativas doadas pela Prefeitura Municipal da cidade. Além dessa atividade, o Projeto Reciclo também realiza a arrecadação de materiais recicláveis, como plástico e papel. Com essas doações, eles vendem o que foi arrecadado para uma cooperativa de coleta seletiva e destinam o dinheiro para projetos sociais da região. 

    De acordo com Gabriel, além de conscientizar a população sobre preservação e conservação das áreas verdes da cidade, o grupo tem como objetivo estimular que mais pessoas façam parte dessas iniciativas, de maneira que a população se torne autossuficiente a ponto de não precisar mais do projeto. 

    Fazendo o bem – De acordo com um relatório divulgado pela Global Footprint Network, uma organização internacional de pesquisa ambiental, no dia 1º agosto, a humanidade usou todo o estoque de recursos naturais para o ano inteiro. Essa data é chamada Dia da Sobrecarga da Terra – o momento em que a demanda anual da humanidade em relação à natureza ultrapassa a capacidade de renovação dos ecossistemas terrestres naquele ano. “Em outras palavras, a humanidade está atualmente usando a natureza 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas do nosso planeta podem regenerar. Isso é semelhante ao uso de 1.7 Terras”, diz o relatório. 

    No site da Global Footprint Network, você pode avaliar seu impacto no meio ambiente, usando uma ferramenta para calcular a sua pegada ecológica, uma avaliação sobre quanto seu consumo está afetando o planeta (veja mais neste link: www.footprintcalculator.org). Independentemente do seu impacto, ainda há diversas maneiras de ajudar a reverter essa realidade e tornar nosso planeta um lugar menos árido e com mais diversidade ambiental. Um pequeno gesto pode mudar essa situação.

    Texto: Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

    Ação arborização coletiva
    Inscrições: As inscrições devem ser realizadas até o dia 8 de novembro, por meio deste link: icmc.usp.br/e/a4780
    Quando: A arborização coletiva acontece no dia 10 de novembro, sábado, às 8h40.
    Onde: Na rotatória do Cristo Redentor, no bairro Santa Mônica, em São Carlos
    Mais informações: (16) 3373-9703 ou petcomp@icmc.usp.br

    segunda-feira, 15 de outubro de 2018

    Ferramenta para detectar fake news é desenvolvida pela USP e pela UFSCar

    Acessível via WhatsApp e na internet, plataforma que possibilita checar se uma notícia é falsa ou verdadeira está em fase de testes e aperfeiçoamento

    Entre os pesquisadores que desenvolvem o projeto estão Roney (à esquerda), Rafael e o professor Thiago Pardo (em pé)

    Quantas vezes você já recebeu uma informação via um aplicativo de troca de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, ou leu uma notícia circulando pela internet e gostaria de checar a veracidade do conteúdo? Agora, já é possível fazer essa verificação usando uma ferramenta piloto criada por um grupo de pesquisadores da USP e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A plataforma está em fase de testes e aperfeiçoamento, mas já é possível acessá-la gratuitamente via web ou pelo WhatsApp. 

    “A gente sabe que, quando uma pessoa está mentindo, inconscientemente, isso afeta a produção do texto. Mudam as palavras que ela usa e as estruturas do texto. Além disso, a pessoa costuma ser mais assertiva e emotiva. Então, uma das formas de detectar textos enganosos é medir essas características”, explica o professor Thiago Pardo, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Pesquisador do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), Thiago é o coordenador do projeto que resultou na criação da plataforma e na publicação do artigo Contributions to the Study of Fake News in Portuguese: New Corpus and Automatic Detection Results, apresentado no final de setembro na 13ª Conferência Internacional de Processamento Computacional do Português. 

    “A ideia é que a ferramenta seja um apoio para o usuário. Ainda estamos no início desse projeto e, no estado atual, o sistema identifica, com 90% de precisão, notícias que são totalmente verdadeiras ou totalmente falsas”, pondera o professor. “No entanto, as pessoas que propagam fake news costumam embasar suas mentiras em fatos verdadeiros. Nossa plataforma ainda não tem a capacidade de separar as informações com esse nível de refinamento, mas estamos trabalhando para isso”, completa Thiago. 

    Para ver como a ferramenta funciona no WhatsApp, por exemplo, pegue seu smartphone e acesse este link: https://otwoo.app/nilc-fakenews. Automaticamente, uma janela de troca de mensagens do aplicativo se abrirá e você vai ler “Nilc-FakeNews” na tela. Basta apertar a tecla enviar e, imediatamente, você receberá outra mensagem: “Olá! Seja bem-vindo ao detector de fake news do NILC-USP – Detecção Automática de Notícias Falsas para o Português! O sistema irá utilizar o modelo de detecção para avaliar se a notícia é falsa ou verdadeira. Insira o corpo de uma notícia.” Pronto, você acabou de acessar o sistema de verificação! Agora, é só colar a notícia que deseja checar. Se forem verificados indícios de fake news, o sistema alertará: “Essa notícia pode ser falsa. Por favor, procure outras fontes confiáveis antes de divulgá-la”. 

    Após cerca de 20 minutos sem uso, é necessário reativar o acesso ao sistema. Para isso, basta digitar a palavra “Fake” e apertar enviar. Você receberá novamente a mensagem “Olá! Seja bem-vindo...”. Em seguida, pode colar outra notícia e enviar para checagem.

    Roney e Rafael explicam como funciona a plataforma no WhatsApp

    Ensinando o computador – Mas como os pesquisadores conseguiram ensinar o computador a identificar o que é mentira e o que é verdade, se essa tarefa é difícil até mesmo para nós, seres humanos inteligentes? É aí que entram as técnicas da área de inteligência artificial. Para tornar a máquina capaz de reconhecer as características dos textos mentirosos e a dos textos verdadeiros, bem como diferenciá-los, uma série de passos precisa ser realizada. 

    O primeiro desafio é construir um conjunto de notícias falsas e verdadeiras em português. É a partir do reconhecimento das características desse conjunto de dados que o computador poderá ser treinado para avaliar futuros textos. São as informações que os humanos inserem nas máquinas e os padrões criados para analisar cada conjunto de dados que modelam os sistemas computacionais para que realizem futuras tarefas. Essa é a mesma tecnologia que possibilita ao Facebook, por exemplo, reconhecer faces. Mas por que, então, quando o Facebook começou a fazer reconhecimento facial o índice de acerto era maior quando aparecia o rosto de alguém branco e ocidental? Ora, por causa do viés que havia no conjunto de faces utilizado para treinar a plataforma: a maioria eram imagens de rostos de seres humanos brancos e ocidentais. A questão gerou uma série de críticas à empresa e demandou um aprimoramento da ferramenta. 

    No caso da plataforma criada para detectar fake news, o conjunto de notícias utilizado é composto por 3,6 mil textos falsos e 3,6 mil verdadeiros, que foram publicados na web entre janeiro de 2016 e janeiro de 2018. Esses textos foram coletados manualmente e analisados para garantir que apenas os que fossem totalmente falsos ou totalmente verdadeiros compusessem o conjunto, que está disponível para utilização em outras pesquisas (veja neste link: icmc.usp.br/e/f9049). 

    Cada notícia verdadeira possui uma notícia falsa correspondente. Assim, por exemplo, do total de 4.180 notícias sobre política, metade (2.090) são falsas e metade são verdadeiras. O mesmo vale para todas as demais categorias.

    Os conhecimentos da área de inteligência artificial entram em campo na sequência: os cientistas usam técnicas computacionais para processar os textos coletados automaticamente, fazer a classificação gramatical de todas as palavras, separar cada sentença e cada termo (incluindo pontuações e números). Depois, é hora de identificar as características presentes nesses textos que poderiam ser empregadas para classificá-los em falsos ou verdadeiros. Como os textos verdadeiros costumam ser mais extensos que os falsos, a quantidade de palavras e sentenças não é um fator adequado para diferenciá-los. “Se usássemos esse critério, o sistema teria a tendência de classificar todos os textos curtos como falsos e os extensos como verdadeiros”, explica o doutorando Roney Lira, do ICMC. Para evitar isso, os pesquisadores utilizaram outros parâmetros como o número médio de verbos, substantivos, adjetivos, advérbios e pronomes presentes nos textos (veja a tabela a seguir). 

    Erro ortográfico é um dos parâmetros mais relevantes para a verificação da veracidade dos textos

    “Das 3,6 mil notícias falsas que coletamos, 36% possuíam algum erro ortográfico, enquanto apenas 3% das verdadeiras apresentavam esse problema”, pondera Roney. Por isso, a presença de um erro ortográfico passou a se tornar um parâmetro relevante para a verificação da veracidade dos textos. Afinal de contas, a probabilidade de uma notícia ser falsa é muito maior se houver um erro ortográfico. 

    Na penúltima etapa, os pesquisadores lançam mão de outra técnica de inteligência artificial: “Empregamos métodos clássicos de aprendizagem de máquina, que estão entre os mais utilizados atualmente, e conseguimos treinar o sistema com um índice de 90% de acerto na classificação das notícias”, diz Thiago. O professor explica que o índice de acerto é alto porque o sistema avalia, simultaneamente, diversas propriedades presentes nos textos. 

    O professor Thiago Pardo é o coordenador do projeto, que está sendo desenvolvido há cerca de um ano e meio

    Aprendendo e avançando – Cursando Ciências de Computação no ICMC, o estudante Rafael Augusto Monteiro é um dos colaboradores do projeto, do qual participou por meio de uma iniciação científica. Ele já sonha com os desafios futuros: “Nosso intuito inicial foi trabalhar com textos escritos, pois são uma unidade fundamental para análise em linguística computacional. Mas queremos expandir o projeto e passar a avaliar imagens, vídeos, áudios, abarcando outras mídias”. 

    Já Roney pretende, durante o doutorado, eliminar uma das principais limitações do detector de notícias: avaliar textos que contém partes falsas e verdadeiras, separando o joio do trigo. “O próximo passo é tentarmos fazer checagem de conteúdo automaticamente, algo que as agências de notícias e os jornalistas fazem hoje manualmente”, conta Thiago. O professor também quer avançar na detecção de outros tipos de conteúdos enganosos (do inglês, deception) como as revisões falsas de produtos e os textos satíricos. “A mesma tecnologia da detecção de fake news pode ser usada nesses outros casos mediante adaptações. Nas notícias falsas, o grau de emoção do texto faz diferença. Em textos satíricos, como há sempre exagero, humor, espera-se encontrar alto teor emocional. Então, talvez essa característica deixe de se tornar relevante. Por outro lado, na revisão de produtos, é necessário checar as informações técnicas, por exemplo”. 

    Financiado pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do CNPq e por outras duas agências de fomento brasileiras (CAPES e FAPESP), o projeto Detecção Automática de Notícias Falsas para o Português conta com a participação de mais três pesquisadores: Evandro Ruiz, que é ex-aluno do ICMC e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP; Tiago de Almeida, professor do departamento de Computação da UFSCar no campus Sorocaba; e de Oto Araújo Vale, professor do departamento de Letras da UFSCar no campus São Carlos. A equipe teve, ainda, o apoio do doutorando Murilo Gazzola, do ICMC, que foi responsável por disponibilizar a plataforma no WhatsApp. Todo esse trabalho tem sido realizado no âmbito de um projeto maior chamado Opinando (Opinion Mining for Portuguese: Concept-based Approaches and Beyond), que visa fornecer subsídios para a área de mineração de opinião para a língua portuguesa. 

    Com aproximadamente um ano e meio de vida, o projeto já produziu resultados relevantes e os avanços que poderão ser alcançados no futuro são ainda mais promissores. Mas o professor Thiago ressalta que, por mais que a tecnologia nos ajude na difícil tarefa de identificar as fake news, continuará sendo fundamental a obtenção de informações por meio de fontes confiáveis: “Nenhum sistema será 100% eficiente. Cada vez que se cria algo para detectar um problema, alguém vai descobrir um jeito de burlar”. 

    Se você acredita que os computadores podem nos salvar das fake news, informamos que essa notícia possivelmente é verdadeira. Mas não exagere: se você escrever que os computadores serão os salvadores da pátria no WhatsApp e enviar para o detector, vai descobrir que essa notícia pode ser falsa. Até o computador reconhece que os sistemas computacionais, tal como os seres humanos, são sujeitos a falhas e que não basta a tecnologia ou um salvador da pátria para solucionar os complexos problemas da humanidade. 

    Ao completar 25 anos de existência, NILC é uma referência em processamento de linguagem natural do Brasil.
    Os pesquisadores do Núcleo fomentaram o desenvolvimento de revisores ortográficos e gramaticais para o português,
    tal como o que é até utilizado no Word, da Microsoft

    Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
    Arte das tabelas: Fernando Mazzola

    Mais informações
    Site do detector de notícias falsas: http://nilc-fakenews.herokuapp.com/
    Link para acessar a ferramenta no WhatsApp: https://otwoo.app/nilc-fakenews
    Conjuntos de notícias verdadeiras e falsas (Fake.Br Corpus): icmc.usp.br/e/f9049
    Artigo Contributions to the Study of Fake News in Portuguese: New Corpus and Automatic Detection Results (versão pré-impressão):

    Contato para esta pauta
    Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
    E-mail: comunica@icmc.usp.br

    quinta-feira, 16 de agosto de 2018

    Participe do Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP

    Podem se inscrever no evento alunos que desenvolveram projetos de iniciação científica ou tecnológica em qualquer instituição de ensino; primeira etapa do evento no ICMC acontecerá dia 10 de outubro



    Se você é estudante de graduação e desenvolveu um projeto de iniciação científica ou tecnológica pode apresentar seu trabalho no 26º Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (SIICUSP). O evento é aberto à participação de alunos de instituições de ensino brasileiras e internacionais. 

    Para inscrever seu projeto, basta acessar o site do evento até dia 24 de agosto. Quem nunca participou do Simpósio pode acessar o manual do sistema de inscrições e ver, passo a passo, como cadastrar seu trabalho: icmc.usp.br/e/4a328. Confira também as normas do SIICUSP neste link: icmc.usp.br/e/2fa22. 

    A primeira etapa do Simpósio acontece em cada uma das unidades de ensino e pesquisa da USP, que estão espalhadas pelos diversos campi da Universidade. Quem estuda na USP deve apresentar seu trabalho na unidade em que seu orientador leciona, já os graduandos de outras instituições devem selecionar o campus e a unidade relacionadas a seus trabalhos. 

    No caso do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), essa primeira etapa será realizada no dia 10 de outubro. Nesse dia, ocorrerá uma mostra de projetos no hall da Biblioteca Achille Bassi do Instituto, na área I do campus da USP, em São Carlos. Durante a mostra, que é aberta a todos os interessados e não demanda inscrições prévias, uma comissão formada por professores e pós-doutorandos da Universidade selecionará os melhores projetos, que serão apresentados nos dias 22 e 23 de novembro na etapa internacional do Simpósio, em São Paulo. 

    Promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, o SIICUSP é um evento anual que tem como objetivo divulgar os resultados dos projetos de iniciação à pesquisa científica e tecnológica realizados por alunos de graduação da USP, bem como de outras instituições nacionais e internacionais. Visa também contribuir para o desenvolvimento de competências necessárias à pesquisa acadêmica, promovendo a oportunidade de interação entre pesquisadores de todos os níveis e áreas, bem como fomentando a colaboração e a pesquisa multidisciplinar na Universidade. 

    Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

    Mais informações
    Manual do sistema de inscrições: icmc.usp.br/e/4a328
    Comissão de Pesquisa do ICMC: (16) 3373.8876 ou pesquisa@icmc.usp.br

    quarta-feira, 13 de junho de 2018

    quinta-feira, 3 de maio de 2018

    Sábado tem Arduino Day: evento gratuito conta com a participação de professores e alunos do ICMC

    Iniciativa é aberta a todos os interessados e acontecerá a partir das 9 horas no espaço de inovação ONOVOLAB, no centro de São Carlos


    Você vai encontrar essa ferramenta em muitos projetos inovadores na área de computação

    Ela é uma famosa ferramenta aberta e livre para o desenvolvimento de projetos de hardware e software, que tem até um dia especial dedicado a comemorar seu aniversário. Arduino é o nome dessa celebridade empregada atualmente em diversos projetos inovadores e que será o foco das atenções no próximo sábado, 5 de maio, durante um evento gratuito que será realizado a partir das 9 horas no espaço de inovação ONOVOLAB, em São Carlos. 

    Professores e alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, participarão da iniciativa ministrando palestras, motivando e ensinando os participantes a criarem projetos usando o microprocessador Arduino. Além de promover um intercâmbio de conhecimento entre os entusiastas dessa ferramenta, o evento mostrará algumas pesquisas que estão sendo desenvolvidas no Instituto usando essa queridinha do movimento maker, nome do grupo de entusiastas que gosta de colocar a mão na massa. 

    Entre os destaques da programação matutina está o bate-papo Arduino no controle inteligente de robôs, que será conduzido pelo professor Eduardo Simões, do ICMC, a partir das 9 horas. Já a conversa Robótica de competição, um passo além do Arduino será tema da apresentação do grupo de extensão Warthog Robotics, que é ligado ao ICMC e à Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Outro grupo de extensão do ICMC, o ADA, falará sobre ATMega, uma abordagem empreendedora. 

    No início da tarde, a partir das 13 horas, é a vez do professor Fernando Osório, do ICMC, explicar as relações entre Arduino, robótica, inovação e movimento maker. Haverá, ainda, workshops e exposições de projetos e protótipos de grupos, pesquisadores e startups. 

    O Arduino Day é um evento que acontece simultaneamente em diversos lugares do mundo para comemorar o aniversário da ferramenta. A iniciativa que ocorrerá em São Carlos faz parta da programação oficial da Semana da Integração da Engenharia Elétrica (SIEEL). O evento é realizado em parceria pela SIEEL, pelo grupo Godzilla Hacker Club e pela Semana da Engenharia de Computação (SENC).

    Para conferir a programação completa do evento e fazer sua inscrição, acesse este link: https://www.sympla.com.br/arduino-day__282293. As vagas nos workshops são limitadas e serão preenchidas por ordem de chegada.


    Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

    Mais informações

    terça-feira, 6 de março de 2018

    Aplicativo para idosos criado na USP concorre a prêmio internacional

    Aberta ao público, a primeira etapa da votação é online e ocorre até amanhã, 7 de março 


    Uma tecnologia criada na USP está concorrendo ao SilverEco and Ageing Well International Awards 2018, premiação que coroa os melhores produtos, soluções e iniciativas criadas especialmente para os idosos. O aplicativo nasceu a partir de uma parceria estabelecida entre o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos (ICMC), da USP, em São Carlos, e a Escola de Artes e Ciências Humanas (EACH) da USP.

    Desenvolvido pelo ICMC, o sistema ESPIM, utilizado para monitoramento à distância, funciona como base do aplicativo SENSEM — um software de tarefas aplicado durante as aulas ministradas a idosos na EACH. A ideia cresceu a partir do empenho da professora do curso de Gerontologia da EACH, Meire Cachioni, e da professora responsável pelo sistema, Maria da Graça Pimentel, do ICMC. Com o sucesso da parceria entre o ICMC e a EACH, o projeto foi submetido à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e teve o financiamento aprovado.

    “Os idosos que participam do projeto têm os aplicativos instalados em seus celulares ou tablets. Eles recebem, a qualquer momento do dia, um sinal de alerta informando que naquele momento devem fazer determinada tarefa. As solicitações são enviadas aos monitores (alunos de gerontologia) e assim podemos perceber e analisar o aprendizado adquirido durante as aulas de informática”, conta Meire Cachioni.

    De acordo com a docente da EACH, todas as tarefas — como tirar uma foto, por exemplo — estão relacionadas com o conhecimento exercitado nas aulas semanais do curso de informática nos institutos. “Eles adoram executar o que é solicitado e pedem sempre por outras mais. Desta maneira, podemos perceber onde estão as maiores dificuldades do aprendizado efetivo e as peculiaridades de cada grupo de alunos, assim, melhorando a relação ensino-aprendizagem nas oficinas”, destaca Meire.

    Apesar do aplicativo ainda não estar disponível ao público em geral, atraiu a atenção do júri responsável pela premiação, que foi responsável por selecionar o projeto brasileiro para disputar a final com outros 50 concorrentes. Agora, os finalistas da premiação passam por duas etapas: uma votação aberta ao público e a avaliação de um júri composto por profissionais da área da gerontologia de todo o mundo. 

    Aberta ao público, a primeira etapa da votação do prêmio é online e ocorre até quarta-feira, dia 7 de março. A USP é a única instituição de ensino brasileira na final da competição e o anúncio do projeto vencedor será realizado no dia 29 de março em Paris, na França.


    Texto: editado a partir de notícia publicada no Jornal da USP com informações da Assessoria de Imprensa da EACH

    Mais informações
    Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
    E-mail: comunica@icmc.usp.br

    segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

    A ciência que luta contra as redes de corrupção

    Os resultados de um projeto internacional de pesquisa mostram que os computadores podem se tornar importantes aliados para investigar os escândalos de corrupção

    Esta imagem é o retrato em cores das redes de corrupção estabelecidas no Brasil de 1987 a 2014

    Operação Lava Jato, Petrolão, Mensalão, Dólares na Cueca, Anões do Orçamento, Caso Collor, Máfia da Previdência, Caso Banespa. A população brasileira está cansada de assistir ao desfile de escândalos de corrupção que assolam o país ano após ano. Mas os resultados de um projeto internacional de pesquisa nos dão esperança de que a ciência pode se tornar uma aliada eficaz no combate ao enredo das redes de corrupção.

    Empregando métodos e ferramentas computacionais, cinco pesquisadores analisaram 65 escândalos de corrupção que ocorreram no Brasil de 1987 a 2014, nos quais 404 pessoas estavam envolvidas. Uma das imagens que eles obtiveram a partir do estudo desses dados impressiona: há 404 círculos (nós) representando cada um dos indivíduos citados nos escândalos. Quando dois indivíduos são mencionados em um mesmo caso, pelo menos uma vez, os pesquisadores os conectam por meio de uma reta. Essas várias conexões estabelecidas entre os indivíduos levaram à construção de uma rede complexa, que une as 404 pessoas em 27 grupos coloridos, sendo que 14 desses grupos estabelecem relações mais próximas entre si (veja que estão dentro do círculo vermelho da imagem). No final desse processo, a tela do computador mostra uma intricada teia: o triste retrato em cores da corrupção no Brasil durante 27 anos.

    “Estudos como esse, na área de redes complexas, podem contribuir muito para agilizar as investigações criminais. Do ponto de vista prático, é fundamental criarmos ferramentas úteis para compreender as relações que as pessoas envolvidas em atividades ilícitas estabelecem entre si”, explica Luiz Alves, um dos cinco pesquisadores participantes do projeto internacional. Ele é pós-doutorando no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos. 

    Considerada um dos principais fatores que limitam o crescimento econômico no mundo, a corrupção também reduz o retorno dos investimentos públicos e contribui para aumentar a desigualdade socioeconômica. Segundo estimativas do Banco Mundial, o custo da corrupção excede 5% do Produto Interno Bruto do mundo por ano, o que equivale a cerca de um trilhão de dólares. Já de acordo com a organização não-governamental Transparência Internacional, os oficiais corruptos dos países em desenvolvimento recebem ilicitamente mais de 40 bilhões de dólares por ano.

    O pesquisador Luiz Alves faz pós-doutorado no ICMC, sob supervisão do professor Francisco Rodrigues

    Descobertas valiosas – Quem assistiu a série e filmes que mostram como os crimes são desvendados, vai se lembrar de uma cena corriqueira: os investigadores escrevendo em um quadro os nomes de todos os suspeitos e os relacionando uns aos outros conforme as pistas são coletadas. Alves explica que os estudos das redes de corrupção têm potencial para otimizar esse tipo de investigação, à medida em que possibilita identificar quais suspeitos têm maior potencial de exercer um papel de liderança no grupo criminoso, pois estão mais conectados a outros suspeitos: “Esse tipo de informação pode contribuir para agilizar as investigações, pois evita que se perca muito tempo levantando pistas de pessoas que, provavelmente, não estão no comando das ações”.

    Além disso, ao visualizar as redes de corrupção, é possível também identificar os indivíduos que estão sendo investigados em mais de um escândalo. Como a justiça divide os casos em vários processos e diferentes equipes realizam as investigações, nem sempre é possível enxergar as relações entre os diferentes esquemas criminosos. Em uma das imagens do artigo dos pesquisadores, por exemplo, podem ser vistas as relações estabelecidas entre os escândalos investigados em 2004. Note que a teia vermelha que aparece no topo da imagem a seguir mostra a ligação entre oito esquemas de corrupção que estavam sendo investigados naquele ano: Desvios de verba do TRT, Dossiê Cayman, Superfaturamento de obras em SP, Frangogate, Paubrasil, Precatórios, Máfia dos fiscais e CPI Banestado. Abaixo dessa rede, estão outras teias, em diferentes cores, que ligam outros casos. Em amarelo, por exemplo, aparecem as relações entre o Caso Waldomiro Diniz, o Caso Celso Daniel e a Operação Anaconda. Há, ainda, no rodapé da imagem, esquemas de corrupção isolados, que não se conectam a outros.

    Rede dos escândalos de corrupção investigados em 2004

    Já na imagem do ano seguinte (2005), é possível ver novas relações sendo estabelecidas. A grande teia vermelha de 2004 passa a se conectar a um novo escândalo de corrupção: o Mensalão, que é representado, na figura, pelo grande grupo de pontos pretos que formam um sólido conglomerado. Veja que há dois pontos em vermelho (nós) que unem o Mensalão aos escândalos da teia vermelha, os quais já estavam sendo investigados em 2004. Lembrando que cada ponto da teia representa uma pessoa sob investigação, conclui-se que há duas pessoas que são citadas tanto no Mensalão quanto nos Desvios de verba do TRT (primeiro escândalo representado na teia vermelha).

    Rede dos escândalos de corrupção investigados em 2005

    Relações perigosas – Observar essas estreitas relações entre diferentes escândalos também pode ser fundamental para as investigações em andamento, já que os indivíduos que são citados em mais de um caso podem fornecer pistas para chegar a outros suspeitos e à obtenção de mais provas. Por isso é tão fundamental ter uma ferramenta que consiga prever futuras relações entre suspeitos: quem tem mais probabilidade de se conectar a outros corruptos deve receber mais atenção durante as investigações. Pode ser até que essas pessoas nem tenham sido citadas em mais casos de corrupção porque a justiça simplesmente ainda não reuniu as provas necessárias.

    “Ao construir essa rede complexa, descobrimos que é possível prever, com 25% de precisão, as novas relações que serão estabelecidas no futuro por esses indivíduos investigados”, explica Alves. Ele e os demais quatro pesquisadores que realizaram o projeto divulgaram os resultados, em janeiro deste ano, em um jornal científico reconhecido internacionalmente, o Journal of Complex Networks. “Foi um dos primeiros artigos científicos publicados no mundo que analisa a relação entre pessoas envolvidas em esquemas de corrupção por meio de ferramentas da teoria de redes complexas”, revela o pós-doutorando. Não é à toa que a novidade chamou a atenção do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e foi classificada como uma das publicações científicas mais provocadoras do início deste ano.

    O estudo é fruto de um esforço internacional que uniu três instituições brasileiras e duas estrangeiras. Além de Alves, do ICMC, a pesquisa foi realizada pelos professores Haroldo Ribeiro e Alvaro Martins, ambos da Universidade Estadual de Maringá; Ervin Lenzi, da Universidade Estadual de Ponta Grossa; e Matjaz Perc, que atua na Universidade de Maribor, na Eslovênia, e no Complexity Science Hub, na Áustria. A iniciativa contou, ainda, com o apoio das seguintes agências de fomento: FAPESP, CNPq, CAPES e Slovenien Research Agency.

    Características curiosas – Os pesquisadores descobriram diversas outras características peculiares às redes de corrupção do Brasil. Por exemplo, os grupos que conduzem as ações ilícitas são compostos, na maioria das vezes, por cerca de oito integrantes. “Esse resultado é similar ao que observamos na chamada teoria das sociedades secretas, em que a evolução das redes ilegais acontece de forma a maximizar o ocultamento”, revela Alves. “Há também uma característica comum entre a rede de corrupção e a rede de terroristas, no que se refere à forma como as conexões, as relações entre as pessoas, se propagam entre os indivíduos. Nessas duas redes, as conexões estão distribuídas de forma exponencial”, completa o pós-doutorando.

    Mais um aspecto curioso revelado pela pesquisa: coincidindo com o período eleitoral, a cada quatro anos, as redes de corrupção passam por uma transformação e se observa um aumento significativo no número de pessoas envolvidas, como mostra o gráfico a seguir. “Isso nos leva a suspeitar de que as eleições não somente remodelam a elite política do país, mas também introduzem novas pessoas no poder, as quais têm a possibilidade de, em breve, explorá-lo de forma desonesta”, escrevem os especialistas. 

    O gráfico mostra que, a cada quatro anos, há um aumento significativo no número de pessoas investigadas

    Dados preciosos – Uma das maiores dificuldades enfrentadas na ciência que estuda a área criminal está na obtenção de dados confiáveis. Por isso, os dados utilizados pelos pesquisadores foram captados a partir de notícias de corrupção veiculadas em sites dos jornais e revistas mais renomados do Brasil. O processamento desses dados foi realizado de forma manual e está disponível a todos os interessados.

    “Ter o nome citado em um escândalo de corrupção não significa que a pessoa será oficialmente considerada culpada pela justiça brasileira. Os procedimentos jurídicos nos grandes casos políticos de corrupção podem levar anos, até décadas, e muitos nunca chegam a um veredito final”, lê-se no artigo. Diante dessa questão legal, os pesquisadores optaram por tornar anônimos todos os nomes das pessoas envolvidas nos escândalos.

    Ao ler este texto, é provável que você tenha se lembrado do filme Minority Report - A Nova Lei, em que é criado um sistema para prever crimes com precisão. Mas a ciência da vida real está muito longe disso. “Se tivermos acesso a dados mais completos, por meio de parcerias com instituições da justiça, por exemplo, poderemos construir ferramentas ainda mais precisas e úteis para as investigações”, ressalta Alves. Se essas parcerias se estabelecerem no futuro, a saga da luta da ciência contra as redes de corrupção pode ter um final feliz. Por enquanto, estamos apenas diante dos primeiros episódios.

    Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

    Mais informações
    Artigo The dynamical structure of political corruption networks: icmc.usp.br/e/2d69b
    Estudo do Banco Mundial: https://perma.cc/M5M8-XQDR
    Estudo da Transparência Internacional: https://perma.cc/DR6U-KPKQ

    Contato com a imprensa
    Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
    E-mail: comunica@icmc.usp.br