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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Além da sala de aula do amanhã: veja as fotos do evento




Como será a sala de aula do amanhã? Que impactos a inteligência artificial trará para a educação? Buscando discutir questões como essas, no 23 de outubro, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promoveu o seminário Além da sala de aula do amanhã: o impacto da inteligência artificial na educação.

Entre os convidados estiveram presentes Soong Moon Kang, da University College London, do Reino Unido; Paulo Cruvinel, da Embrapa Instrumentação; Eduardo Mendiondo, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC); além de mais três pesquisadores do ICMC: André de Carvalho, Cláudio Toledo e Roseli Romero.

A atividade fez parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e foi promovida em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, a Embrapa Instrumentação e a Prefeitura Municipal de São Carlos.


Confira o álbum de fotos no Facebook e no Google Fotos!

Crédito das imagens: Denise Casatti

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

ICMC promove atividades como parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Todas as atividades são gratuitas e apenas a oficina "Programação desplugada" demanda inscrições prévias


Apresentação do Coral da USP São Carlos, oficina de xadrez, oficina de programação e um Seminário de Coisas Legais. Essas são as atividades gratuitas que o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP promoverá durante a Semana USP de Ciência e Tecnologia, realizada como parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. 

A programação começa na quinta-feira, dia 18, às 13 horas, com a apresentação do Coral da USP São Carlos, no vão livre do prédio E1, da Escola de Engenharia de São Carlos (E1). Ainda no mesmo dia, acontece uma oficina de xadrez, das 18h30 às 21h30, na biblioteca Achille Bassi do ICMC. A atividade também será realizada no dia seguinte, no mesmo horário e local. O objetivo é aprimorar o conhecimento dos que já conhecem o jogo e ensinar àqueles que gostariam de aprender. 

Já a oficina Programação desplugada será uma das atrações da sexta-feira, 19 de outubro. A proposta dessa atividade é ensinar a lógica da programação a crianças e jovens sem que, para isso, seja necessário usar um computador. Como serão oferecidas atividades para três turmas com, no máximo, 30 participantes cada, é preciso optar por um dos três horários disponíveis (9 às 10 horas; 10 às 11 horas; 11 às 12 horas) no momento de fazer a inscrição, que pode ser realizada individualmente ou em grupo, por meio deste link: www.icmc.usp.br/e/15758. A oficina acontece no terceiro andar da Biblioteca Achille Bassi, no bloco 2 do ICMC, sendo aberta à participação de crianças a partir de 5 anos até jovens de 15 anos. 

Para encerrar as atividades, haverá ainda um Seminário de Coisas Legais na sexta-feira, dia 19. A aluna de graduação Amanda Figur, do ICMC, falará sobre “Problemas de tirar o chapéu” na apresentação que tem início às 13h13, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC. 

Desigualdades – Com o objetivo de discutir o tema Ciência para a Redução das Desigualdades, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia acontece de 15 a 21 de outubro em todo o Brasil. O tema deste ano está relacionado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estipulados pelas Nações Unidas, especificamente o de número 10 – Redução das Desigualdades. 

Oficina vai ensinar a programar sem o uso de um computador

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146
E-mail: ccex@icmc.usp.br
Confira a programação no campus da USP em São Carlos:

terça-feira, 2 de outubro de 2018

As mulheres invadem as ciências exatas: participe de eventos gratuitos na USP

Contribuir para que mais mulheres sejam incentivadas a atuar na área de ciências exatas é o principal objetivo de três eventos gratuitos que acontecerão em outubro no campus da Universidade, em São Carlos

Entre as atrações está uma oficina para ensinar lógica de programação sem usar um computador

Como mudar a realidade da desigualdade de gênero em ciências exatas? Promover uma feira de ciências, oficinas, mesas redondas e palestras é uma das possibilidades. Em outubro, essas atividades acontecerão na USP, em São Carlos, para inspirar as garotas a lançarem um novo olhar para a matemática, a computação, a estatística, as engenharias e suas ciências irmãs. 

Segundo a professora Kalinka Castelo Branco, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, as meninas precisam ser motivadas a enxergar as próprias capacidades: “Assim, elas vão descobrir que, tal como os meninos, podem se dar bem seguindo uma carreira em ciências exatas”. 

Kalinka é coordenadora do Grupo de Alunas nas Ciências Exatas (GRACE), que tem como objetivo desenvolver atividades na área de tecnologia e ciências exatas voltadas para o público feminino. Recém-criado, o grupo de extensão é ligado ao ICMC e conta com 35 voluntários, homens e mulheres que são, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da USP. “É um grupo bastante interdisciplinar, que agrega estudantes de diferentes campos do conhecimento”, completa. 

Os eventos ocorrerão nos dias 9, 19 e 22 de outubro na área I do campus da USP, no centro de São Carlos. Todas as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Confira, a seguir, as informações detalhadas sobre o que acontecerá em cada um desses dias. 

Kalinka teve certeza de que havia uma demanda reprimida por eventos voltados a atrair mulheres para as ciências exatas ao realizar uma maratona de desenvolvimento de aplicativos no ICMC, no dia 24 de fevereiro deste ano. A iniciativa foi um sucesso: no total, 74 garotas, de 10 a 18 anos, participaram do evento Technovation HackDay

9 de outubro – Matemática e escritora inglesa, Ada Lovelace é conhecida como a primeira programadora da história. Na próxima terça-feira, 9 de outubro, é comemorado o Dia Internacional de Ada Lovelace, destinado a celebrar as importantes conquistas realizadas pelas mulheres no campo da ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na busca por inspirar as gerações atuais e futuras. 

Neste dia, o GRACE promoverá uma feira de ciências das 9 às 11h30, em que seis grupos de extensão e pesquisa do campus da USP receberão alunos das escolas de São Carlos para mostrar o que é possível desenvolver com conhecimentos da área de ciências exatas. Robôs e jogos estão entre as atrações, que são voltadas para crianças e jovens, de 10 a 16 anos. Não é preciso fazer inscrições prévias para participar dessa atividade, que acontecerá no Anfiteatro Jorge Caron e no Espaço Primavera, ambos localizados na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). 

Para encerrar as comemorações, a partir das 19 horas, haverá uma mesa redonda para discutir o tema Mulheres na ciência: desafios e oportunidades. Já está confirmada a presença da professora Maria Cristina Ferreira de Oliveira, diretora do ICMC; da professora Lauralice de Campos Franceschini Canale, do departamento de Engenharia de Materiais da EESC; da doutoranda Lívia Dantas, do Instituto de Física de São Carlos; e de Ana Eliza Pedroso da Silva, que é mestre em engenharia de software e trabalha com teste de software na empresa Amdocs. A atividade será no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC, e o público-alvo são alunos de graduação, pós-graduação e profissionais interessados no tema. 
Para comemorar o Dia Internacional de Ada Lovalace haverá feira de ciências e mesa redonda na USP em São Carlos
19 de outubro – Sabia que, para aprender programação, você não precisa de um computador? A oficina Programação desplugada trabalha exatamente com a ideia de que é possível ensinar a lógica da programação sem que, para isso, seja preciso ter um computador. A atividade acontecerá na sexta-feira, 19 de outubro, no terceiro andar da Biblioteca Achille Bassi, no bloco 2 do ICMC, das 9 às 12 horas, sendo aberta à participação de crianças a partir de 5 anos até jovens de 15 anos. 

Como serão oferecidas atividades para três turmas com, no máximo, 30 participantes cada, é preciso optar por um dos três horários disponíveis (9 às 10 horas; 10 às 11 horas; 11 às 12 horas) no momento de fazer a inscrição, que pode ser realizada individualmente ou em grupo, por meio deste link: www.icmc.usp.br/e/15758

A oficina surgiu a partir de um projeto de iniciação científica desenvolvido pelo aluno Kaique Lupo Leite, que cursa Ciências de Computação no ICMC. Sob orientação da professora Kalinka e com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Kaique criou um kit com peças móveis para propiciar que as crianças e jovens montem sequências lógicas, simulando a elaboração de comandos para um computador (algoritmos). Tanto que, depois de montar as sequências, as crianças podem fotografá-las com um smartphone e enviar a imagem para que tarefa seja executada por um carrinho ou um drone. 

Os cinco kits criados por Kaique foram testados com turmas do sexto ano do ensino fundamental em duas escolas públicas de São Carlos. “As crianças adoraram a proposta. As que frequentam escolas de tempo integral, por exemplo, precisam desenvolver um plano de vida, pensando no que vão ser quando crescer. Depois da oficina, ouvimos algumas meninas relatarem que antes só pensavam em trabalhar nas áreas de humanas e biológicas, mas que agora estavam propensas a pensar também nas exatas”, conta Kalinka. 

De acordo com a professora, o kit possibilita que os estudantes compreendam conceitos de matemática e física por meio de aplicações práticas: “Com o carrinho e o drone, podemos mostrar na prática conceitos abstratos de forma divertida. Isso pode mudar a forma como as crianças enxergam as ciências exatas. Vários conceitos que não são visíveis – como força, inércia, movimento – tornam-se palpáveis”. 

A oficina do dia 19 de outubro é uma das atividades que o ICMC fará durante a Semana USP de Ciência e Tecnologia, realizada como parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Estudante fotografa a sequência de programação que criou com um smartphone

22 de outubro – Outro destaque da programação de outubro é o evento Women in Tech. A iniciativa pretende discutir, por meio de uma palestra e de uma roda de conversa, a falta de interesse e de representatividade das mulheres nos cursos tecnológicos, apresentar as experiências universitárias das poucas garotas que ingressam nesse ramo e abordar as dificuldades que elas enfrentam no ambiente de trabalho. 

Segundo os organizadores do evento, que está integrado à Semana de Engenharia de Computação (SEnC), as mulheres são cerca de 17% dos programadores brasileiros e ocupam apenas 8% das vagas destinadas a desenvolvedores. Ressalta-se, ainda, que, apesar de vários avanços tecnológicos ocorrerem devido à atuação de mulheres, muitas vezes elas sequer são citadas nos livros especializados. 

O Women in Tech começa às 15h30 na segunda-feira, 22 de outubro, com a palestra de Sabrina Tridico, que faz Ciências de Computação no ICMC e participa do GRACE. Embaixadora de um movimento de empoderamento feminino na área de tecnologia chamado She++, Sabrina participou, em 2017, do maior evento do mundo voltado a mulheres na computação, o Grace Hopper Celebration

À noite, às 19 horas, haverá uma roda de conversa com Sabrina e mais três convidadas: Bárbara Bivar, Bruna Boa Sorte e Maíra Silva. As duas atividades são abertas a todos os interessados, não demandam inscrições prévias e acontecerão no anfiteatro Jorge Caron, da EESC. Para mais informações, acesse o site da SEnC ou visite a página do evento no Facebook

Palestra e roda de conversa são as atrações do Women in Tech

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Crédito das imagens: divulgação ICMC/USP

Mais informações
Sobre o Dia Internacional de Ada Lovelace (09/10): 
         - Feira de ciências: www.facebook.com/events/700634476972116
Sobre a oficina Programação Desplugada (19/10): www.icmc.usp.br/e/15758
Sobre o Women in Tech (22/10): www.facebook.com/events/231220254157980
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146 


Contato para esta pauta 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Por que os surdos precisam enxergar a matemática?

Os surdos têm uma maneira única de mergulhar no universo da matemática, por meio do corpo e do olhar

Nas mãos de Adriana, vemos a palavra "matemática"

Imagine que você precisa ensinar matemática para uma criança ouvinte. Você pode falar, por exemplo, que “duas vezes dois é igual a quatro”, e ainda usar os dedos para mostrar essa quantidade, e ela vai aprender. Alguns anos depois, você precisa ensinar que o sinal de X naquela conta é diferente do X que representa um número desconhecido. Não parece impossível, certo? Afinal, isso é ensinado a todo o tempo nas escolas.

Entretanto, algo que pode passar despercebido no processo de aprendizagem é a língua. Ouvir e falar é natural, e é por meio dessa comunicação que aprendemos, entre outras coisas, os conceitos matemáticos. Mas se os surdos não se comunicam da mesma maneira, como ensiná-los o mesmo conteúdo? A resposta é simples, afinal existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Na prática, outros problemas afetam o aprendizado de crianças surdas, principalmente na difusão dessa língua. De acordo com a professora Adriana Bellotti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, é o acesso a essa língua que vai fazer com que o surdo conheça o mundo, a matemática ou qualquer outra coisa. “O principal desafio para se ensinar qualquer disciplina para o surdo é a língua. Somos uma sociedade majoritariamente ouvinte, e o surdo, inserido nela, tem uma diferença linguística”, afirma.

Essa diferença linguística se torna um problema quando crianças surdas não têm acesso ao aprendizado da Libras desde pequenas, causando um atraso no seu desenvolvimento. “A língua de sinais tem que ser a primeira língua para o aluno surdo, pois é por meio dela que ele forma seus conceitos no ensino de matemática. Para ele compreender o conceito, precisa ter uma língua, que o faz compreender tudo, para que a conhecimento dele também evolua. Linguagem e cognição andam sempre juntos”, explica Adriana.

Adriana ministrando o curso de ensino de matemática para surdos

As dificuldades da língua – E o que impede essas crianças de não terem a exposição ideal à língua de sinais? Um dos problemas, segundo Adriana, é a tentativa de levá-los a usar a linguagem falada, ou oralidade: “A grande maioria dos surdos são filhos de pais ouvintes. Por isso, a tendência desses pais é buscar técnicas reabilitadoras da audição e, consequentemente, da oralização. Nesse processo, que pode durar aproximadamente sete anos, a criança pode não estabelecer linguagem alguma, oral nem visual”. Com isso, é estabelecido o atraso no aprendizado por conta da linguagem.

O outro problema, de acordo com Adriana, está no formato atual da escola inclusiva. Hoje, nessas escolas, existe um intérprete em sala de aula que faz a intermediação entre as línguas – entre o professor regente e o aluno surdo. Mas a especialista afirma que esse formato não é efetivamente inclusivo, visto que o professor não possui conhecimento da outra língua. “Esse aluno está inserido num ambiente ouvinte, mas ele tem um contato mínimo com seus colegas porque muitos não sabem se comunicar com ele. Então, ele fica restrito ao intérprete”, ela afirma. E isso resulta em uma situação onde o intérprete acaba se responsabilizando pelo aluno, quando essa função deveria ser do professor. “Essa relação entre professor e aluno deveria ser mais próxima por meio de um conhecimento básico da língua de sinais. O professor não precisa ter domínio completo da língua, mas, pelo menos, um conhecimento mínimo para incluir o aluno no contexto das explicações”, diz.Imagine, então, que juntando todas essas situações, o que poderia ser um problema simples acaba se acumulando à medida que o conteúdo da escola avança. Como o aluno chega na escola sem domínio de uma língua, o intérprete precisa ensinar tanto a comunicação em Libras quanto o sinal de um conceito matemático que a criança nunca viu. “Ou seja, ele tem que, ao mesmo tempo, constituir a língua e compreender os conceitos. Isso vai gerar um atraso na aprendizagem”, explica Adriana.

Trocando números por sinais – Quando a criança já está atrasada no conteúdo, o que fazer? Até mesmo um jogo de “par ou ímpar” pode não fazer sentido para ela. Por isso, Diany Nakamura, estudante de Licenciatura em Matemática do ICMC, pesquisou algumas estratégias para ensinar um aluno do 9º ano do Ensino Fundamental. Com deficiência auditiva, o estudante teve seu ensino prejudicado pela dificuldade de acesso ao conhecimento, já que não havia um intérprete em sala de aula.

Para promover a utilização de materiais adaptados, Diany trocou os números escritos da tabuada pelo sinal equivalente em Libras: “Quem tem deficiência auditiva e sabe Libras tem um reconhecimento visuo-espacial, ou seja, quando você faz um movimento com as mãos, ele imediatamente procura na cabeça o significado daquilo. É um processo que acontece muito mais rapidamente do que se o educador mostrasse o número por escrito”.

Folha de tabuada em Libras, feita por Diany. Cada coluna representa um valor da tabuada, do 3 ao 8

De acordo com Diany, o estudante não fazia a contagem numérica usando as mãos, associando cada dedo a uma unidade. Então, na hora de jogar “par ou ímpar”, por exemplo, ele não compreendia que havia um número sendo mostrado, mas tentava interpretar se aquela disposição da mão significava um sinal em Libras. Por isso, Diany mudou o jeito de jogar “par ou ímpar”: a ideia foi usar o sinal em Libras do número desejado em vez de simplesmente contar os dedos.

Segundo ela, aos poucos, o conceito foi sendo internalizado no aluno, e ele passou a compreender até mesmo a diferença entre equações. “Hoje, ele tem menos dificuldades na escola, e o atraso não é tão evidente”, afirma.

A escola bilíngue – O desafio, hoje, é que a Libras seja uma língua em circulação na sala de aula. Por isso, o formato ideal, de acordo com Adriana, é a escola bilíngue, em que a Libras seja a primeira língua. “Essa escola valoriza a língua de sinais, tudo é ensinado em língua de sinais. Em um segundo momento, entra a língua portuguesa na modalidade escrita”, explica a professora.

Mas também é necessário que a educação em casa seja feita em Libras. “O ideal é o ensino de língua de sinais desde quando for diagnosticada a surdez. Com isso, começa todo um processo de exposição à língua, porque é assim que a criança vai aprender e, quando chegar à escola, já tem uma língua constituída”, diz a professora.

Se houver esse embasamento, até nas escolas inclusivas, com a presença de um intérprete, a intermediação será mais eficiente. “O aluno já vai ter subsídios para compreender esse conteúdo por conta da língua de sinais que já estará constituída”, afirma.

A formação do professor – Se é preciso que o professor tenha, pelo menos, uma noção básica da língua de sinais, como formar esse profissional para que ele seja ainda mais capacitado? Por meio de um decreto publicado no Brasil em 2005, os cursos de licenciatura no país devem oferecer uma disciplina curricular obrigatória de Libras, enquanto os bacharelados devem tê-la como optativa. Mas isso não é suficiente para formar um profissional na língua. “Assim como qualquer língua, nós não conseguimos aprender a Libras em seis meses nem mesmo em um ano. O professor precisa ter noção de quem é o surdo, quais são as especificidades dele, qual é a melhor forma dele aprender, como se deu todo esse processo de educação até chegar onde ele está agora”, explica.

A disciplina de ensino de Libras é ministrada por Adriana nos cursos de licenciatura em Matemática, oferecido pelo ICMC, e licenciatura em Ciências Exatas, oferecido em parceria com o Instituto de Química de São Carlos e Instituto de Física de São Carlos. Pedagoga e doutora em educação, ela dedica sua carreira acadêmica à pesquisa e docência na área de educação de surdos. A disciplina prioriza o vocabulário básico, para que o professor seja capaz de se comunicar com o aluno surdo. Assim, o educador construirá uma relação com esses alunos e, ainda que não saiba a língua por completo, poderá assumir a responsabilidade pelo ensino, a qual deixará de ser do intérprete. A partir daí, eles podem estabelecer uma parceria para pensar em práticas e estratégias que favoreçam o aprendizado dos alunos surdos.

Alunos do curso de ensino de matemática em Libras dizem “A matemática está em tudo”
Além das disciplinas regulares, Adriana ministra um curso de extensão sobre ensino de matemática para surdos, que é aberto à comunidade, onde o conteúdo é aprofundado. Por isso, o requisito básico é que os participantes tenham um curso introdutório de Libras. Entre os matriculados estão alunos que fizeram a disciplina regular e quiseram dar continuidade ao estudo, professores de outras instituições, alunos de mestrado e doutorado, professores da rede municipal e intérpretes de língua de sinais.

No curso, Adriana apresenta um tema e, durante as aulas, os participantes debatem as melhores formas de transmitir o conteúdo e os conceitos aos surdos. “Trabalhamos estratégias metodológicas, reflexões mais aprofundadas sobre o ensino de matemática para surdos, visto que os alunos já têm uma base na língua”, afirma.

Um exemplo do conteúdo abordado é a geometria. Inicialmente, achamos que é mais simples para os alunos surdos aprenderem esse conteúdo, por ser mais visual. Mas, apesar de captar a imagem com mais facilidade, eles ainda precisam compreender o conceito. Explicar o que é um triângulo, qual o seu sinal, o que é ângulo são, de acordo com Adriana, algumas das dificuldades encontradas no caminho: “temos que proporcionar atividades práticas para que ele compreenda o conceito”, explica. Segundo ela, o aspecto visual é extremamente importante, mas deve ser aliado a um suporte, como um material de apoio em Libras para o aluno estudar.

Adriana ainda explica que, em alguns casos, o intérprete pode entrar em acordo com o aluno para criar um sinal, porque a construção do conceito caminha junto com a linguagem. “Como a língua de sinais é uma língua em construção, temos muitas áreas que não têm um vocabulário oficial. Então, o intérprete vai construindo a língua junto com o aluno, na prática. Esse acordo é possível desde que, em outro momento, exista um trabalho para conhecer o sinal oficial”, conta a professora.

Segundo ela, é preciso existir uma maior valorização da língua de sinais, para que os professores compreendam sua necessidade. “Os professores têm o conhecimento específico da matemática, mas não sabem a metodologia, a didática e a prática, com esse olhar voltado para o surdo e sua especificidade”, diz Adriana.

A professora finaliza afirmando que o principal problema nessa área está relacionado à forma como as pessoas enxergam a língua de sinais: “É importante que existam as leis, mas um dos desafios é a língua sair do status de apenas obrigatória. No meio social, as pessoas precisam valorizá-la enquanto língua, em vez de gestos ou mímica. Ela tem características próprias que a definem enquanto meio de comunicação e expressão da comunidade surda, e se é importante, assim como o inglês ou espanhol, por que não ser uma disciplina curricular para as crianças? Se for assim, no momento em que elas precisarem usar a Libras, vai ser natural”.

Texto: Alexandre Wolf – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP


ESTA REPORTAGEM FAZ PARTE DO ESPECIAL DO JORNAL DA USP 

"A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO": http://jornal.usp.br/especial/matematica/

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

Vem pro ICMC: Instituto estará de portas abertas nesta quarta-feira

Atividades são gratuitas e público não precisa sequer realizar inscrições, basta aparecer

Robôs, realidade aumentada, jogos e diversas atividades matemáticas divertidas estão entre as atrações gratuitas que poderão ser conferidas pelo público nesta quarta-feira, 25 de outubro, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. É quando o Instituto estará de portas abertas para receber a comunidade pela manhã, das 9 às 12 horas, e à tarde, das 14 às 17 horas.

A iniciativa faz parte da programação que o Instituto preparou para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que tem como tema, este ano, a matemática está em tudo. Além de uma mostra tecnológica, em que serão apresentadas atividades de pesquisa e extensão realizadas nos mais de 30 laboratórios do Instituto, a programação do evento contará com palestras e bate-papo com alunos e professores. É uma oportunidade para que os estudantes esclareçam suas dúvidas e obtenham informações sobre as perspectivas para a carreira de quem escolhe um dos oito cursos de graduação oferecidos pelo ICMC.

Vale ressaltar que a USP é uma universidade pública e gratuita, reconhecida como uma das melhores Universidades do Brasil. Os estudantes podem ingressar nos cursos oferecidos pela instituição via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou pelo vestibular da Fuvest.

Mais informações
Evento no Facebook: icmc.usp.br/e/2b834
Dúvidas: escreva para ccex@icmc.usp.br ou ligue para (16) 3373.9146.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A matemática está em tudo: mergulhe no especial do Jornal da USP


Despertar um novo olhar para a matemática é o principal objetivo do Especial A matemática está em tudo. Lançado nesta segunda-feira, 23 de outubro, o Especial é uma plataforma multimídia fruto de um projeto que nasceu na área de comunicação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, em parceira com o Jornal da USP, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI).

Aliás, A matemática está em tudo é o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2017. Nesta semana, uma maratona de atividades acontecerá no ICMC, veja a programação completa: www.icmc.usp.br/e/91111

Além disso, este e o próximo ano foram instituídos como o Biênio da Matemática no Brasil. Nesses dois anos, diversos eventos tomarão conta do território nacional, incluindo o Congresso Internacional de Matemáticos, que ocorrerá pela primeira vez no país de 1 a 9 de agosto de 2018. 

A equipe que elaborou o Especial espera que, com esse material, a sociedade brasileira possa enxergar a matemática e as demais ciências com mais afeto.

Acesse e compartilhe o Especial:

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A matemática que (quase) ninguém vê: entre na barbearia

As barbearias de antigamente voltaram à moda em grande estilo, entrar em uma delas pode ajudar você a entender melhor como funciona o raciocínio matemático de uma forma divertida e inusitada



Barbeiro, quem faz sua barba? Uma pergunta matematicamente intrigante
Crédito: Fernando Mazzola

Era uma vez um barbeiro. Na cidade em que ele trabalhava, as barbearias ainda não tinham se proliferado e ele continuava, há muitos anos, fazendo o que sempre soube fazer muito bem. Dizia com orgulho a todos que entravam em sua barbearia: “barbeio todos os homens da cidade, exceto aqueles que se barbeiam a si mesmos”. O ofício que exercia aprendera com seu pai, que havia aprendido com seu avô, que havia aprendido com seu bisavô, assim por diante, de geração em geração. Um dia, um professor de matemática entrou naquela barbearia, foi recebido com a costumeira frase, e imediatamente perguntou: barbeiro, quem faz sua barba?

Apesar de não morar nessa hipotética cidade nem ter nenhuma informação adicional sobre os personagens especialmente criados para essa breve história, você há de convir, caro leitor, que não se trata de uma pergunta fácil de ser respondida. Por isso, não se surpreenda ao revelarmos que inúmeros matemáticos e filósofos vêm se dedicando a estudar questões como essas há séculos. São perguntas que, independentemente da resposta, sempre nos levam a um beco sem saída, ou, aproveitando o trocadilho, a uma barbearia sem saída. Por quê? Basta pensar logicamente! Caso o barbeiro responda ao professor que ele faz sua própria barba (já que é um profissional muito competente, ora bolas!), então, já não se pode dizer que ele barbeia apenas aqueles que não se barbeiam a si mesmos. Por outro lado, se o barbeiro responder que é outra pessoa que o barbeia, então, é mentira que ele barbeava todos aqueles que não se barbeavam a si mesmos.

Os matemáticos dão um nome a essas situações do tipo “beco sem saída”: paradoxo. Mas não se assuste, apesar de parecer complicado à primeira vista, os fenômenos inusitados que acontecem no mundo dos paradoxos não são tão complicados assim. Nesse sentido, esses fenômenos têm um comportamento em comum: aparentemente são de um jeito, no entanto, quando vamos analisá-los de perto, somos levados a conclusões contraditórias ou a situações que contradizem nossa intuição comum. É por isso que os paradoxos são capazes de dar nó na cabeça de muita gente.

É hora de nos despedirmos do barbeiro e caminhar até a casa do escritor que mora nessa hipotética cidade. Ele está sentado na varanda, diante de uma máquina de escrever porque não é afeito a computadores. Observando sua escassa produção, você notará que um computador não seria mesmo de grande utilidade. Durante toda a vida, esse escritor escreveu apenas uma frase: “Eu estou mentindo”. Está paralisado diante dessa afirmação, que seria o princípio do seu primeiro livro. Quando pensa que ao escrever “Eu estou mentindo”, ele está falando a verdade, nota que o início do livro é uma mentira, porque ele não está mentindo nessa frase. Por outro lado, quando pensa que a afirmação é falsa, o escritor também nota que está começando seu livro com uma farsa, porque se ele não é um mentiroso, então por que diz que é?

Quebrando a cabeça - Quem desejar mergulhar fundo no mundo sem saída do paradoxo do mentiroso pode ler o artigo Paradoxos Semânticos, do professor Ricardo Santos, da Universidade de Lisboa. Segundo o professor, “o paradoxo do mentiroso é conhecido desde a antiguidade e atraiu a atenção de muitos pensadores (e de algum dos mais capazes) ao longo da história. Outros não lhe atribuíram importância, ou viram-no como uma mera curiosidade, uma espécie de charada ou de quebra-cabeças sem grandes consequências”. No livro, descobrimos que a invenção do paradoxo do mentiroso é atribuída ao filósofo Eubulides de Mileto, que viveu na Grécia no século IV antes de Cristo.

A origem desse paradoxo também está ligada ao cretense Epimênides, que viveu na Grécia dois séculos depois de Mileto. Ele afirmou que todos os cretenses são mentirosos. “Dado que o próprio Epimênides era cretense, sua frase não poderia ser verdadeira, pois ele também teria que estar mentindo. Seria, então, falsa, ou seja, deveria existir ao menos um cretense que dizia a verdade, e se esse cretense fosse o próprio Epimênides sua afirmação deveria ser verdadeira”, escreve o matemático italiano Alessio Aprosio no livro Pinóquio no país dos paradoxos. Ele explica que esse tipo de paradoxo surge no momento em que se considera uma sentença qualquer que fale de si mesma, ou seja, uma sentença em que há autorreferência. “Tentando escrever outras sentenças autorreferentes, é possível construir diversas situações interessantes, ainda que nem sempre contraditórias”, acrescenta Alessio.

O matemático italiano Alessio Aprosio recria a obra clássica
“As aventuras de Pinóquio”, fazendo o popular boneco de madeira
se deparar com enigmas e problemas lógicos
Crédito: Divulgação/Editora Zahar

Tanto a obra de Alessio quanto a de Ricardo são pratos cheios para quem aprecia esse mundo repleto de contradições. Aliás, o professor Daniel Smania, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, confessa que o paradoxo do mentiroso é o seu predileto: “O desconforto causado por esse paradoxo surge quando tentamos compreendê-lo a partir da perspectiva da lógica matemática clássica”, diz o professor.

Formulada pelo filósofo grego Aristóteles, que também viveu no século IV antes de Cristo, a lógica clássica foi criada para tentar explicar como funciona o raciocínio humano e se baseia, grosso modo, em três regras básicas: o princípio de identidade; o princípio da não contradição; e o princípio do terceiro excluído. De acordo com o princípio da identidade, uma coisa é sempre idêntica e ela mesma. Já o princípio da não contradição pressupõe que uma afirmação não pode ser verdadeira e falsa simultaneamente. Por último, vem o princípio do terceiro excluído, que prevê a existência apenas de dois valores lógicos: verdadeiro ou falso, não há meio termo.

O fato é que, por mais que inúmeros matemáticos tenham se debruçado sobre o paradoxo do mentiroso tentando não romper com esses princípios aristotélicos, nenhum deles obteve pleno êxito diante da comunidade científica. Assim, pelo menos sob a perspectiva da lógica clássica, o paradoxo continua insolúvel.

O paradoxo do mentiroso é o favorito do professor Daniel Smania.
Crédito: Fernando Mazzola

Abrindo a mente - Perceba que a lógica clássica pode fazer muitos de nós nutrir certo preconceito em relação à matemática. Porque é uma lógica que nos restringe a um universo de certos e errados, de não contradições, sem meios termos. No entanto, quando observamos a trajetória humana, a todo o momento nos deparamos com situações que não podem ser classificadas como certas ou erradas, permeadas de contradições e meios termos. “A lógica clássica é linda, ninguém vai derrogá-la. Para grande parte dos fenômenos, ela é fundamental”, revela a professora Ítala D’Ottaviano, professora do departamento de filosofia da Unicamp. Em agosto, ela esteve no ICMC para falar sobre Lógica e pensamento crítico no ciclo de seminários Ciência que Elas fazem, que fez parte da programação da 20ª edição do Simpósio de Matemática para a Graduação.

A professora dá um exemplo interessante de um fenômeno presente no nosso dia a dia e que a lógica clássica é incapaz de explicar: as redes sociais. “Coisas emergem ali que não conseguimos entender, que não se resumem apenas à soma das partes. Nesse fenômeno, você lida, no mínimo, com graus distintos de verdade e com contradições”, explica Ítala.

Outro exemplo que a pesquisadora traz à tona vem da física. Nesse campo científico, existe atualmente a convivência de teorias físicas completamente contraditórias entre si. Quando um engenheiro vai construir uma ponte, precisa utilizar princípios físicos criados por Isaac Newton que, apesar de já estarem ultrapassados, ainda são essenciais nesse tipo de aplicação. Porém, esses mesmos princípios não servem para explicar como funcionam as entranhas dos átomos, um universo invisível aos olhos humanos. Nessas entranhas, há os elétrons, que têm um comportamento bastante inusitado (para não dizer contraditório): dependendo do instrumento que se usa para observá-los, eles se comportam como partículas ou como ondas. Ou seja, são, a um só tempo, uma coisa e também outra coisa.

Isso rompe com um dos princípios da lógica clássica, o da identidade. Outra complicação: os elétrons podem estar em dois lugares ao mesmo tempo. Para compreender esse universo, novas teorias foram criadas no campo da física quântica. “Se fosse pensar em mecânica quântica, o Aristóteles ficaria atrapalhadíssimo”, brinca Ítala. “Ou talvez ele seria brilhante e descobriria como resolver esse problema. O fato é que não se pode olhar para a mecânica quântica pensando nos princípios da lógica clássica”, completa a professora.

A professora Ítala explica que, atualmente, uma pluralidade de lógicas
convivem simultaneamente e algumas delas nos possibilitam viver em um
mundo cheio de teorias contraditórias
Crédito: Denise Casatti

Não é à toa que, desde o início do século XX, assistimos ao surgimento das chamadas lógicas não clássicas, já que passamos a compreender que pode existir uma pluralidade de lógicas no universo. Uma das lógicas não clássicas que possibilita vivermos em um mundo com diversas teorias contraditórias entre si, sem que uma derrube a outra, é chamada de paraconsistente. Em geral, as lógicas paraconsistentes rompem com o princípio da não contradição. “Apesar dos matemáticos desenvolverem seu trabalho baseados na suposição de que a matemática é livre de contradições, nas ciências empíricas as contradições parecem inevitáveis e a presença de contradições não é condição suficiente para que se perca o interesse pelas teorias”, diz Ítala em entrevista que concedeu à revista de Filosofia Temática Complexitas (edição de julho/dezembro de 2016).

Perceba agora que, se pensarmos em um universo com uma pluralidade de lógicas, talvez os preconceitos que muitos de nós nutrimos em relação à matemática possam cair por terra e passemos a olhar para essa ciência com mais afeto. Então, você poderá escolher seu paradoxo predileto, porque há uma variedade enorme, para todos os gostos e em todos os domínios. Afinal de contas, como escreve o matemático Marcelo Viana, diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no artigo Paradoxos estão por toda a parte, publicado no jornal Folha de S. Paulo, os paradoxos são “uma fonte inesgotável de encantamento e um instrumento para aprimorarmos o raciocínio”.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

ESTA REPORTAGEM FAZ PARTE DO ESPECIAL DO JORNAL DA USP 
"A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO": http://jornal.usp.br/especial/matematica/

Para saber mais
Artigo Paradoxos Semânticos:
Artigo Paradoxos estão por toda a parte:
Vídeos da série “Isto é Matemática”:

Contato para esta pauta
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A matemática está em tudo: venha descobrir na programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Você está convidado para participar de uma série de iniciativas gratuitas do ICMC, que vão mostrar o quanto a matemática é divertida e fundamental para o desenvolvimento da humanidade





A matemática está em tudo é o tema deste ano da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Para mostrar como a matemática está presente no nosso dia a dia e contribui para explicar a beleza, as contradições e as transformações constantes do nosso universo, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizará uma série de atividades gratuitas e abertas ao público de 23 a 29 de outubro.

Haverá mostras tecnológicas, palestras, mesas redondas, cursos e até um campeonato de xadrez. A programação completa está disponível em icmc.usp.br/e/3373e. Vale destacar que algumas atividades requerem inscrição prévia.

A abertura acontecerá no auditório Fernão Stella Rodrigues Romano a partir das 9h30 de segunda-feira, dia 23. A seguir, o professor Hildebrando Rodrigues irá mostrar como a matemática pode nos ajudar a compreender os eventos que acontecem de forma sincronizada no nosso mundo, tal como os batimentos cardíacos. 

Para quem gosta de jogos de tabuleiro, a iniciativa Xadrez no ICMC acontecerá nas noites de segunda a quinta-feira, no terceiro andar da Biblioteca Achille Bassi. O público poderá aprender a jogar ou treinar com outros jogadores e, no final, participar de um campeonato. 

As atividades prosseguem na terça-feira, dia 24, a partir das 9 horas, com uma mesa redonda sobre tecnologias para o ensino de matemática. Na quarta-feira, dia 25, o ICMC estará o dia todo de portas abertas para receber os estudantes do ensino médio da região com uma mostra tecnológica, palestras e bate-papo com professores e alunos da USP. Na quinta-feira, o destaque é a mesa redonda Mulheres na ciência e a jornada científica da Embrapa, que se estende até sexta-feira.

Mostra tecnológica será uma das atrações do dia 25 de outubro

Para encerrar as atividades de sexta, nada melhor do que uma sessão de cinema. É o que acontecerá a partir das 19h30 no cineclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP, quando a ciência vai invadir o cinema. O professor Fernando Osório, do ICMC, discutirá as relações entre robótica e matemática a partir de trechos de vários filmes. Essa será a primeira edição do Ciência com Pipoca em São Carlos.

No sábado, é a vez do minicursos Música, matemática e computação, que será ministrado pelo professor Murillo Homem, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). No domingo, a programação se encerra na Praça da XV, onde você poderá conferir, das 13 às 18 horas, algumas tecnologias desenvolvidas pela USP e outras Instituições que apoiam a iniciativa, como a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Embrapa Pecuária Sudeste e a Embrapa Instrumentação.

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Veja a programação completa do evento: icmc.usp.br/e/3373e
Confirme presença no Ciência com Pipoca pelo Facebook: icmc.usp.br/e/cc7fe
Inscreva-se no ICMC de Portas Abertas: icmc.usp.br/e/333ae
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

Ciência com Pipoca estreia em São Carlos com bate-papo sobre robótica e matemática

Sessão gratuita terá exibição de trechos de filmes e discussão sobre conceitos científicos no cineclube do Centro de Divulgação Cultural e Científica (CDCC) da USP

Professor Osório explicará as relações entre robótica e matemática

A ciência vai invadir o cinema no próximo dia 27 de outubro em São Carlos, durante a Semana Nacional de Ciências e Tecnologia. É quando acontecerá a primeira sessão do Ciência com Pipoca, a partir das 19h30, no cineclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP. 

As relações entre a robótica e a matemática serão discutidas a partir de trechos de vários filmes e animações pelo professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. O público poderá esclarecer as dúvidas com o professor Osório e descobrir o quanto conversar sobre ciência pode ser divertido.

“Os robôs e a robótica estão cada vez mais presentes em nossa sociedade e muito em breve farão parte do dia a dia de nossas vidas”, explica Osório. “O cinema e a ficção científica vêm explorando amplamente esse tema, mas será que esses filmes representam apenas obras de ficção científica ou o que eles mostram pode vir a se tornar uma realidade no futuro? Precisamos nos preocupar com uma revolução dos robôs?”, questiona o professor, que promete responder essas perguntas durante o evento.

A participação é gratuita, não é necessário fazer inscrições previamente, basta confirmar presença no evento via Facebook: icmc.usp.br/e/cc7fe. A sessão acontecerá na sexta-feira, dia 27 de outubro, a partir das 19h30. Os 110 lugares disponíveis serão preenchidos por ordem de chegada.

Essa será a primeira edição do Ciência com Pipoca em São Carlos, iniciativa realizada pela primeira vez no ano passado em Ribeirão Preto pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, Polo Ribeirão Preto (IEA-RP), pelo Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (CRID) e pelo Centro de Terapia Celular (CTC), com apoio do ICMC.



Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC

Mais informações
Página do evento no Facebook: icmc.usp.br/e/cc7fe
Local: Cinceclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP: rua Nove de Julho 1227, Centro.
Confira a programação geral da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do ICMC: icmc.usp.br/e/56c4e
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Debate conclui participação do ICMC na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em São Carlos

Com o tema “Pensando o Brasil, Pensando São Carlos: os rumos da ciência”, debate realizado no Paço Municipal marcou o encerramento da participação do Instituto nas atividades realizadas em São Carlos durante a Semana

Debate aconteceu na tarde de quinta-feira no Paço Municipal 
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, encerrou sua participação na série de atividades realizadas no município durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) ao contribuir com o debate “Pensando o Brasil, Pensando São Carlos: os rumos da ciência”, realizado no dia 24 de outubro, no Paço Municipal.

“No ICMC, criamos o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) em busca de estimular a aproximação entre academia e indústria e facilitar o processo de incubação de empresas”, ressaltou o professor do ICMC Luis Gustavo Nonato. Durante o debate, ele representou o diretor do Instituto, José Carlos Maldonado.

Nonato adiantou que, no próximo ano, o CeMEAI realizará o primeiro workshop de problemas aplicados à indústria, que terá como objetivo reunir empresas para apresentar problemas práticos por ela enfrentados juntamente com pesquisadores capazes de buscar soluções para esses problemas. O professor do ICMC também discorreu sobre um possível modelo a ser adotado pela prefeitura de São Carlos: o Centro de Estudos Urbanos.

“É um modelo que vi na Universidade de Nova York. Trata-se de um centro voltado para a análise de dados urbanos, no contexto do big data. Um centro assim, em São Carlos, poderia se tornar um polo para agregar jovens talentos. Esses pesquisadores desenvolveriam aplicativos para a população ajudar a prefeitura a resolver os principais problemas da cidade”, explicou Nonato.

O secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia, José Galizia Tundisi, solicitou a Nonato que elabore uma proposta para que a prefeitura possa estudar a criação de um futuro Centro de Estudos Urbanos. “Com a atual complexidade das cidades, ou os administradores utilizam as novas tecnologias ou não conseguiremos mais administrar os municípios”, afirmou Tundisi.

Também participaram do debate o analista administrativo da Agência USP de Inovação, Eduardo Brito, que representou o professor Vanderlei Bagnato; o consultor do Sebrae/SP, Alexander Lavelli, que representou Paulo Cereda; o presidente da Comissão de Pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos/USP, Flávio Marques; o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de São Carlos, Silvio Crestana; e o diretor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia, Clovis Biscegli.

Balanço positivo - Exposições, estandes, palestras e oficina foram as atividades nas quais o ICMC marcou presença durante SNCT. Os eventos aconteceram entre 21 e 27 de outubro, quando foram promovidas em todo o país atividades de divulgação, de difusão e de apropriação social de conhecimentos científicos e tecnológicos.

Em São Carlos, o ICMC participou de uma série de atividades realizadas no Paço Municipal, no Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP (CDCC) e na Universidade Federal de São Carlos. Na abertura da SNCT, o Instituto foi uma das instituições homenageadas devido à “inestimável contribuição ao desenvolvimento das ciências de computação no Brasil e à formação de recursos humanos”, conforme consta na placa entregue ao ICMC.

Homenagem ao ICMC aconteceu durante abertura da Semana
Em São Paulo, o Instituto esteve presente na feira promovida no Parque de Ciência e Tecnologia (CienTec) da USP, que começou na quarta-feira, 23 de outubro, e terminou no sábado, 26. Voltada para estudantes do ensino fundamental e médio, mas aberta para o público em geral, a feira no CienTec disponibilizou aos participantes mais de 30 atividades.

INCT-SEC – Sediado no ICMC, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC) realizou o primeiro teste em vias públicas do projeto Carro Autônomo de Robótica Móvel (CaRINA) na manhã do dia 22 de outubro. A demonstração pública aconteceu em frente ao SESC e possibilitou à população acompanhar o desempenho da tecnologia em desenvolvimento. 

O INCT-SEC também esteve presente no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília, estande do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília, onde atraiu a atenção do público com os robôs didáticos, produzidos pelo Laboratório de Robótica Móvel (LRM) do ICMC.

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: crédito da imagem do debate - Denise Casatti; crédito da imagem da homenagem - Paulo Celestini

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

ICMC é homenageado durante abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Prefeitura municipal reconhece contribuição do Instituto ao desenvolvimento das ciências de computação no Brasil, à formação de recursos humanos qualificados e à interação com o setor produtivo

Diretor do ICMC recebe homenagem das mãos da
professora Yvonne Mascarenhas e do prefeito municipal
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foi homenageado na tarde desta segunda-feira, 21 de outubro, durante evento realizado no auditório Bento Prado Junior, no Paço Municipal, que marcou a abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. “É uma homenagem às instituições de São Carlos que se destacam no cenário nacional e internacional do ponto de vista de produção científica de alta qualidade, formação de recursos humanos e interação com o setor produtivo”, explicou o Secretário de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos, José Galizia Tundisi.

“No Estado de São Paulo, o ICMC é o Instituto que mais forma recursos humanos de alta qualidade na área de Ciências de Computação”, afirmou o diretor do ICMC, José Carlos Maldonado. “Além de gerar conhecimento, nós buscamos encontrar domínios de aplicação, em uma perspectiva interdisciplinar, e também realizar transferência tecnológica”, disse. O diretor contou que o ICMC tem buscado fortalecer a relação academia-empresa.

"Buscamos também estimular constantemente a prática da comunicação e da difusão científica, com o objetivo de motivar e atrair novos talentos, um elemento essencial para prosseguirmos no ciclo de formação de recursos humanos de alta qualidade para o país", completou Maldonado.

Outra instituição homenageada durante o evento foi o Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa/UFSCar) pela sua contribuição ao desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil e à formação de recursos humanos. Houve também o reconhecimento a três pesquisadores: Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP); Edgar Dutra Zanotto, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Silvio Crestana, da Embrapa.

“Essas instituições e cientistas mantiveram e expandiram a tradição são-carlense de desenvolvimento tecnológico”, disse o prefeito municipal Paulo Altomani. Ele afirmou que o compromisso da prefeitura é promover uma maior integração entre academia e setor produtivo. 

O evento também contou com a presença do coordenador do programa Biota/Fapesp, Roberto Berlinck, que representou o Diretor Científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, durante a homenagem. “É uma satisfação, para a Fapesp, financiar as pesquisas de altíssimo nível que são realizadas aqui em São Carlos”, disse.

Já o presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, José Eduardo Krieger, destacou o papel da cidade no desenvolvimento da ciência e tecnologia no Estado de São Paulo. “A academia nasceu com a contribuição de pesquisadores são-carlenses”, afirmou.

Para o juiz da 2ª Vara de São Carlos, Paulo Scanavez, é muito importante que a população conheça seus cientistas, para que os estudantes sintam-se motivados a seguir o exemplo desses pesquisadores homenageados. “É necessário o diálogo entre as várias fontes do conhecimento para que possamos encontrar soluções para as grandes temáticas que nos cercam, sejam elas sociais, econômicas ou de outras esferas”, declarou.

Também estavam presentes no evento o vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, José Adolfo Melfi, o deputado estadual Roberto Massafera, o presidente da Câmara, vereador Marquinho Amaral.

Evento marcou o início da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Sobre o ICMC
Criado em 1971, o ICMC possui aproximadamente 2 mil alunos que frequentam os cursos de graduação e os programas de pós-graduação, contando com um quadro formado por cerca de 150 docentes e 110 funcionários técnico-administrativos.

O Instituto oferece hoje oito cursos de graduação: Ciências de Computação; Sistemas de Informação; Estatística; Matemática (bacharelado e licenciatura); Matemática Aplicada e Computação Científica; sendo dois cursos em parceira com outros institutos – Licenciatura em Ciências Exatas (parceira com o Instituto de Química de São Carlos/USP e com o IFSC/USP) e Engenharia de Computação (parceira com a Escola de Engenharia de São Carlos).

Entre os programas de pós-graduação, dois deles oferecem mestrado e doutorado – o de Matemática e o de Ciências de Computação e Matemática Computacional. Ambos possuem excelência de nível científico, refletida no conceito 6, numa escala de 1 a 7, atribuído pela CAPES, o que destaca sua boa inserção internacional. Há, ainda, dois mestrados profissionais: o ProfMat – Mestrado Profissional em Matemática – e o recém-criado Mecai – Mestrado Profissional em Estatística e Computação Aplicados à Indústria. Em parceira com a UFSCar, o ICMC também oferece cursos de mestrado e doutorado em Estatística. 


Confira a participação do ICMC nas atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia: icmc.usp.br/e/8e41f

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Paulo Celestini

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