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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Domingo é dia de maratona na USP São Carlos: venha saciar sua sede de ciência

Das 15 às 18 horas, público poderá conferir uma sequência de apresentações rápidas sobre ciência e ajudar a escolher os vencedores do Divulgathon, uma maratona de divulgação científica

Os responsáveis pelas três melhores apresentações de domingo serão convidados para participar da edição são-carlense do festival internacional de divulgação científica Pint of Science em 2020

Compartilhar os conhecimentos que são gerados pelos pesquisadores das universidades brasileiras diretamente com o público, de um jeito atraente e descomplicado. Este é um dos objetivos de um evento gratuito que acontecerá no próximo domingo, 27 de outubro, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Será uma verdadeira maratona de divulgação científica, que vai começar às 15 horas e prosseguirá por três horas, tempo em que o público poderá assistir a uma sequência de apresentações rápidas sobre os mais diversos conceitos científicos. Esta será a primeira edição do Divulgathon: ciência sem barreiras, em que 57 maratonistas vão se revezar no palco do auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do Instituto, para compartilhar seus conhecimentos com o público. 

Durante o evento, uma banca de jurados vai acompanhar as apresentações e avaliá-las. O público também poderá ajudar a escolher os vencedores da maratona de divulgação científica. No final do evento, os responsáveis pelas três melhores apresentações serão convidados a participar da edição são-carlense do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que já tem data marcada: 11, 12 e 13 de maio de 2020. 

Aquecimento – No sábado, 26 de outubro, um dia antes das apresentações públicas, os 57 inscritos no Divulgathon participarão de um workshop para preparem suas apresentações. Será um treinamento intensivo, das 9 às 18 horas, que será ministrado no auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC. Diversos especialistas foram convidados para abordar conteúdos relacionados à comunicação pública da ciência. Também haverá exercícios práticos para despertar a criatividade, aprimorar as habilidades de comunicação oral, o trabalho em equipe e a capacidade de autorreflexão dos participantes em relação a como fazem divulgação científica e a como poderiam fazer melhor. 

O resultado desse treinamento intensivo poderá ser conferido na tarde de domingo, durante o Divulgathon. Além de preparar os atletas para a maratona, o treinamento tem como objetivo estimular que mais pessoas se dediquem à popularização do conhecimento científico. 

O evento é realizado pelo ICMC com apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, marcando o encerramento das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que acontece de 21 a 27 de outubro. Ainda como parte da SNCT, o ICMC realizará na próxima quarta-feira, 23 de outubro, o seminário Além da sala de aula do amanhã: o impacto da inteligência artificial na educação. O seminário também é gratuito, aberto a todos os interessados e será realizado no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano a partir das 15 horas. 

Seminário vai debater as ferramentas de inteligência artificial que já estão sendo aplicadas no meio educacional e abordará também o estado da arte na pesquisa da área e as futuras possibilidades

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Confira a programação completa da SNCT na USP São Carlos: icmc.usp.br/e/25073
Confira quem são os 57 maratonistas: icmc.usp.br/e/3305f
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Maratona de divulgação científica: iniciativa da USP São Carlos está com inscrições abertas

Pesquisadores, comunicadores e demais interessados em popularizar a ciência poderão participar de um workshop no sábado, dia 26 de outubro, para preparem suas apresentações, que serão realizadas no dia seguinte

Os responsáveis pelas melhores apresentações realizadas no dia 27 de outubro serão convidados a participar da edição local do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, em 2020

Promover uma série de apresentações rápidas e sequenciais para explicar conceitos científicos, de forma descomplicada e atraente, à população de São Carlos. Essa é a proposta do evento Divulgathon: ciência sem barreiras, uma verdadeira maratona de divulgação científica que será realizada no dia 27 de outubro, domingo, pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Antes da maratona, os atletas da divulgação científica participarão de um treinamento intensivo no dia anterior, das 9 às 18 horas. Especialistas da área explicarão conceitos relevantes para quem deseja contribuir com a popularização da ciência. Também haverá exercícios práticos para despertar a criatividade, aprimorar as habilidades de comunicação oral, o trabalho em equipe e a capacidade de autorreflexão dos participantes em relação a como fazem divulgação científica e a como poderiam fazer melhor. 

Para participar do treinamento e, depois, apresentar-se no Divulgathon: ciência sem barreiras, não é preciso ter experiência prévia, basta preencher o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/9b4a9. A participação é gratuita e há apenas 70 vagas, por isso, haverá uma pré-seleção dos inscritos. Serão considerados como critérios de seleção as experiências anteriores em divulgação científica bem como a área de atuação dos inscritos, já que a ideia do evento é promover a diversidade, a pluralidade e a interdisciplinaridade. 

As inscrições vão até domingo, dia 13 de outubro, e a divulgação dos selecionados acontecerá na semana de 14 de outubro por meio do site do ICMC e por e-mail. Esta é a primeira edição do Divulgathon, um evento público em que jurados vão avaliar as apresentações de divulgação científica e selecionarão as três melhores. Como reconhecimento, os responsáveis por essas apresentações serão convidados a participar da edição local do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que ocorrerá nos dias 11, 12 e 13 de maio de 2020. 

O Divulgathon também faz parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Inscreva-se no Divulgathon: icmc.usp.br/e/9b4a9 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 6 de maio de 2019

A ciência resiste no festival Pint of Science

Teorias e conceitos que revolucionaram a ciência continuam sendo debatidos até hoje na mesa do bar: entenda as contribuições que Einstein, Freud e tantos outros cientistas do passado e do presente têm para nos oferecer

Festival de divulgação científica propicia o contato direto entre os pesquisadores e a comunidade
(crédito da imagem: Nilton Junior)

A ciência é construída a partir do acúmulo de uma série de conhecimentos que a humanidade reúne ao longo do tempo em um processo contínuo sem fim. Há indícios de que, desde que a vida humana surgiu no planeta, já praticávamos a arte de compartilhar conhecimentos e experiências. Mas se antes o diálogo se dava no escuro das cavernas, agora temos a oportunidade de realizar esse ritual em espaços mais agradáveis. Levar os pesquisadores a compartilharem seus conhecimentos e experiências diretamente com o público em bares, restaurantes e espaços fora das universidades é exatamente o que propõe o festival de divulgação científica Pint of Science

Esta é a quinta vez que São Carlos, no interior de São Paulo, participa da iniciativa. Sob a coordenação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, os bate-papos científicos acontecerão nas noites de 20, 21 e 22 de maio, em sintonia simultânea com outras 86 idades brasileiras e com locais espalhados pelo mundo em 24 países. 

As contribuições que Einstein, Freud e tantos outros cientistas do passado e do presente podem oferecer à humanidade estão entre os temas que serão debatidos em três locais que sediarão a iniciativa em São Carlos: dois bares – La Casa Conveniência e Mandala – e o espaço de inovação ONOVOLAB. Cada espaço vai abrigar um bate-papo por noite, a partir das 19h30, totalizando nove oportunidades para quem quer compreender melhor como se faz ciência no Brasil. 

Os títulos da maioria dos bate-papos têm um viés divertido, já que a ideia do festival é abordar pesquisas das mais diversas áreas do conhecimento de um jeito descontraído. Na segunda, as atrações são O matemágico de 0s; Einstein não morreu: do eclipse ao buraco negro; e A ciência em campo: na vibe das AgriTechs. Já a terça é destinada a falar sobre O mito da criatividade: nem Freud explica; A tabelinha que deu certo; e Encontro marcado: como lidar com a morte. Finalmente, para encerrar as atividades, entram em cena Apertem os cintos, o cientista de dados sumiu; No meio do caminho tinha uma pegada fóssil; e Quando o ensino vai para o espaço. Para conferir a programação completa do evento, saber o que será discutido em cada bate-papo e conhecer os convidados, basta acessar o site https://pintofscience.com.br/events/saocarlos

São Carlos foi a primeira cidade brasileira a participar do Pint of Science em 2015, depois a ideia se espalhou pelo país (crédito da imagem: Paulo Arias)

Durante o festival, os pesquisadores vão conversar diretamente com o público e responder perguntas. Não há formalidades como inscrição ou emissão de certificados. Também não é preciso pagar entrada, apenas o que for consumido nos estabelecimentos que sediam o evento. “Realizar uma iniciativa de divulgação científica em um local menos formal do que o meio acadêmico é de extrema importância por dois motivos principais. O primeiro deles é desmistificar a figura dos cientistas, mostrando que são pessoas de carne e osso, que trabalham para gerar conhecimento e formar recursos humanos”, explica o coordenador do Pint of Science em São Carlos, professor Moacir Ponti, que preside a Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC. Ele continua: “O segundo objetivo do Pint é mostrar à sociedade os conhecimentos que são gerados dentro das universidades e dos centros de pesquisa e como isso impacta a vida das pessoas.” 

Para o professor, o Pint of Science contribui para evidenciar como as ciências básicas e as aplicadas podem contribuir para aprimorar a qualidade de vida da sociedade e para a construção de uma sociedade melhor. “Os motivos que atestam a importância do festival vão ao encontro de uma necessidade urgente da sociedade brasileira em conhecer quais seriam os impactos de uma redução nos investimentos no ensino superior e na pesquisa científica”, finaliza Moacir. 

Em São Carlos, o evento conta com o patrocínio da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar (FAI.UFSCar), da Tokenlab e do Kamzoo Cookie Shop. Além disso, a iniciativa tem o apoio de mais quatro empresas (Raccoon, Birdie, Cia Peculiar e Folhetos & Cia), da Embrapa Pecuária Sudeste, da Embrapa Instrumentação e de dois centros de pesquisa vinculados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (Certev). 



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/313624672645460/
Confira a programação em São Carlos: https://pintofscience.com.br/events/saocarlos
Você sabia que São Carlos foi a primeira cidade da América Latina a participar do Pint of Science? Conheça a história do festival: https://pintofscience.com.br/historia/
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

USP oferece oportunidade de estágio em jornalismo em São Carlos

Estagiário selecionado poderá aprimorar os conhecimentos na área de jornalismo científico e comunicação pública

Estudante selecionado também atuará na cobertura de eventos

Alunos matriculados em cursos de graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, podem se candidatar a uma vaga de estágio no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Válido por dois anos, o resultado do processo de seleção poderá ser utilizado por outras unidades da USP que necessitarem de estagiários com o mesmo perfil.

O edital completo está disponível no site do ICMC. As inscrições vão até 20 de fevereiro, devendo ser realizadas por meio deste link: www.icmc.usp.br/e/6cc2e. A remuneração é uma bolsa no valor de R$ 682,49, além de auxílio transporte diário no valor de R$ 7,60. A jornada semanal de atividades é de 20 horas. 

“O ICMC foi o lugar que despertou meu encanto pelo jornalismo científico, campo que até então pouco conhecia, mas que percebi, ao longo do estágio, que era o caminho que gostaria de seguir na carreira”, explica o jornalista Henrique Fontes, que fez estágio na área de comunicação do Instituto entre 2015 e 2017. “Além disso, durante a experiência no Instituto, pude aperfeiçoar e aprender diversas técnicas e abordagens de entrevista, o que, sem dúvida, me preparou ainda mais para os desafios do mercado. Desde que saí do ICMC, felizmente, as portas não pararam de se abrir para mim”, completa Henrique, que atua na rádio UFSCar e também no Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). 

Já para Talissa Fávero, estagiar na USP foi a oportunidade que encontrou para mostrar seu potencial: “A equipe de profissionais, desde o início, valorizou o meu trabalho e sempre me deram a chance de colaborar com minhas próprias experiências, habilidades e conhecimentos”. Segundo ela, que acaba de concluir o curso de jornalismo, o estágio na USP possibilitou não apenas colocar em prática o que aprendeu na universidade, mas obter novos conhecimentos, que vão além dos aspectos técnicos da profissão. 

Processo de seleção - O estagiário selecionado apoiará a divulgação das atividades realizadas pela área de comunicação do Instituto, atuando especialmente na área de divulgação científica. Também dará suporte ao atendimento de jornalistas e veículos de comunicação e à cobertura de eventos. Por isso, é preciso ter conhecimentos sobre técnicas de entrevista, redação jornalística, fotografia e inglês em nível intermediário. 

As habilidades serão avaliados durante o processo seletivo, que será composto por duas fases: uma prova dissertativa e uma avaliação do rendimento acadêmico e da trajetória profissional do candidato. A prova será realizada no dia 24 de fevereiro, domingo, às 10 horas, na sala 4-001 no ICMC, no campus I da USP em São Carlos, localizado na Avenida do Trabalhado são-carlense, 400. Já a segunda etapa acontecerá em data, horário e local a serem divulgados oportunamente no site www.icmc.usp.br

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Formulário para inscrições: www.icmc.usp.br/e/6cc2e
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Um Brinde ao Museu: confira como foi o evento em São Carlos

Bate-papo e visita monitorada foram as atrações no Museu da Ciência Mario Tolentino

Na tarde do último sábado, 10 de novembro, 55 adultos e crianças tiveram a oportunidade de fazer Um Brinde ao Museu em São Carlos, no evento realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em parceria com a Prefeitura Municipal da cidade. 

As atividades começaram às 15 horas no Museu da Ciência Mario Tolentino com um bate-papo descontraído. A roda de conversa contou com a presença do professor José Carlos Maldonado, do ICMC, do paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da bibliotecária Lourdes de Souza Moraes, que participou do projeto de criação do Museu, e do educador Paulo Milanez, diretor do Museu. 

A seguir, o público se divertiu com as atrações do lugar, que dispõe de uma exposição permanente de paleontologia que é referência nacional. Entre os destaques da exposição está um fóssil com vestígios de xixi de dinossauro (Urólito) e diversos fósseis com inúmeras pegadas de dinossauro, desde a menor já encontrada no Brasil até a segunda maior. Há, ainda, um exemplar de tatu gigante com 12 mil anos, que é considerado o exemplar mais completo do país, e réplicas de um Abelissauro e de um Pterossauro.

O público também se encantou com a outra exposição permanente do museu, que dispõe de 156 experimentos interativos de física, os quais apresentam, de foram divertida, conceitos de mecânica, eletricidade, magnetismo e ótica. Um dos destaques dessa exposição é o Girotec, um simulador de falta de gravidade desenvolvido pela NASA.

Professor José Carlos Maldonado (à esquerda) explicou como a tecnologia pode contribuir para facilitar o acesso aos conhecimentos disponibilizados pelos museus e destacou alguns exemplos bem-sucedidos de museus virtuais
Sobre o evento - A ideia de realizar Um Brinde ao Museu surgiu depois do incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, dia 2 de setembro. Além de São Carlos, sete cidades brasileiras se engajaram na iniciativa: Araraquara (SP), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Diamantina (MG) e Marabá (PA). 

A maioria das atividades aconteceu no sábado, 10 de novembro, no Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2001 para sublinhar o papel da ciência na construção de um mundo melhor. Este ano, o tema da data foi Ciência, um direito humano, marcando a comemoração do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O evento contribuiu para mostrar ao público o quanto o conhecimento científico contribui para o desenvolvimento de uma sociedade, o quanto a ciência está presente na vida diária das pessoas e o quanto é preciso estimular o pensamento crítico sobre o direito humano de participar e se beneficiar da ciência. A iniciativa foi inspirada no festival internacional de divulgação científica Pint of Science, um verdadeiro brinde à ciência que acontece em bares, cafés e restaurantes no mês de maio.

Simulador de falta de gravidade desenvolvido pela NASA é uma das atrações do Museu

Confira o álbum de fotos no Flickr e no Facebook!


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Paulo Arias

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Um Brinde ao Museu: cidades se unem para celebrar o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento

Eventos gratuitos acontecerão em oito municípios brasileiros para discutir a relevância dos museus na geração e preservação dos conhecimentos da humanidade

Proposta é que as discussões levantadas a partir do incêndio do Museu Nacional estimulem reflexões em outros espaços museológicos, favorecendo a preservação do patrimônio material e imaterial do Brasil
(crédito da imagem: Vitor Abdala/Agência Brasil)

As chamas que consumiram o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no dia 2 de setembro, acenderam uma luz de alerta na comunidade que busca divulgar a ciência no Brasil. Foi quando surgiu a ideia de mobilizar uma rede de voluntários para organizar o evento Um Brinde ao Museu. Oito cidades brasileiras se engajaram na iniciativa e realizarão atividades para celebrar o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento: Araraquara (SP), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Campos dos Goytacazes (RJ), Curitiba (PR), Diamantina (MG), Marabá (PA) e São Carlos (SP).

Cada cidade terá uma programação especial, que envolve desde bate-papos entre pesquisadores e a comunidade da região até visitas guiadas pelos museus, lançamento de livro e feira de ciências. A maioria das atividades acontecerá no sábado, 10 de novembro, ou em datas próximas (dias 7 e 9). A data foi escolhida porque 10 de novembro é o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2001 para sublinhar o papel da ciência na construção de um mundo melhor. Além disso, anualmente, a UNESCO define um tema para a data: Ciência, um direito humano é o mote de 2018, em comemoração ao 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na opinião dos voluntários responsáveis por organizar Um Brinde ao Museu, a data é uma oportunidade para mostrar ao público em geral o quanto o conhecimento científico contribui para o desenvolvimento de uma sociedade, o quanto a ciência está presente na vida diária das pessoas e o quanto é preciso estimular o pensamento crítico sobre o direito humano de participar e se beneficiar da ciência. A iniciativa é inspirada no festival internacional de divulgação científica Pint of Science, um verdadeiro brinde à ciência que acontece em bares, cafés e restaurantes no mês de maio.

“O evento é um brinde aos museus que existem e àqueles que existirão na nossa memória para sempre. Esses locais de preservação do patrimônio material e imaterial de um povo são também espaços informais de educação. São lugares para vivenciar e transformar o saber, interagir com o pensamento e refletir sobre a condição humana neste planeta”, ressalta o paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e um dos participantes da iniciativa.

Para Marcelo, os museus são locais que agregam valores à história e à ciência, que transformam o conhecimento em uma viagem no tempo: "É um espaço de conhecimento, lazer e cultura, alimentos essenciais para a alma e fundamentais para a manutenção de uma sociedade sadia"
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Para conferir a programação do evento, basta acessar o site umbrindeaomuseu.wordpress.com, clicar em “Programação” e escolher o município. Vale lembrar que os eventos são gratuitos e abertos a todos os interessados, incluindo as crianças. Ao participar das atividades, o público poderá descobrir que a ciência vive no museu e que cada um de nós pode contribuir para que esses espaços continuem cada vez mais ativos.

Confira a programação no site umbrindeaomuseu.wordpress.com

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Um Brinde ao Museu: umbrindeaomuseu.wordpress.com
Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento: en.unesco.org/commemorations/worldscienceday

Contato com a imprensa
Assessoria de Comunicação do ICMC/USP: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Ferramentas computacionais facilitam a visualização do universo biológico

Enxergar nitidamente o que está acontecendo no interior dos seres vivos e identificar as principais substâncias relacionadas aos processos biológicos pode significar um importante passo rumo ao tratamento de diversas doenças que desafiam os cientistas, tal como o câncer

O doutorando Henry está desde março no Canadá, participando de um programa de intercâmbio
na Faculdade de Ciências de Computação da Universidade de Dalhousie, na cidade de Halifax

Ao mesmo tempo em que surge uma nova era de exploração espacial, este início do século XXI é marcado também pelo nascimento de uma nova era de investigação do interior do corpo humano. Nesse caso, em vez da ciência remeter nosso olhar para além do planeta, a ideia é lançá-lo para dentro de nós e enxergar de perto genes, proteínas e as inúmeras relações estabelecidas entre as moléculas que nos habitam. 

Esse é um dos objetivos dos cientistas que atuam no campo da biologia molecular. Para eles, cada ser vivo é como um gigantesco quebra-cabeça, com inúmeras moléculas se encaixando para construir a vida. Nos últimos anos, diversos estudos estão sendo realizados para rastrear uma ampla gama de interações físicas, genéticas e químicas, o que trouxe novas perspectivas para os biólogos, ávidos por encontrar pistas sobre o papel de genes e proteínas e por entender como são os processos que acontecem no interior dos seres vivos. Essas pistas podem facilitar o encontro de potenciais alvos para, por exemplo, o desenvolvimento de novos tratamentos terapêuticos. 

O problema é que visualizar parcial ou totalmente o emaranhado de peças desse quebra-cabeça é cada vez mais desafiador. A cada novo estudo os biólogos encontram mais e mais pistas e, conforme os métodos científicos e os equipamentos evoluem, vão sendo gerados milhares de dados. É aí que a computação entra em cena para exercer um papel fundamental: contribuir para a separação, a análise e a visualização adequada desses dados. “Há uma carência de ferramentas computacionais para a biologia”, esclarece a professora Rosane Minghim, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Uma das ferramentas desenvolvidas sob supervisão da professora em parceria com mais quatro pesquisadores brasileiros está sendo empregada por diversos biólogos mundo afora. Participaram do desenvolvimento da solução os pesquisadores Henry Heberle, doutorando no ICMC; Guilherme Telles, professor do Instituto de Computação da UNICAMP; Gabriela Meirelles, do Laboratório Nacional de Biociências; e Felipe da Silva, da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas). 

O grupo foi responsável por criar o InteractiVenn, uma ferramenta gratuita e aberta, disponível na web, destinada a facilitar a visualização de conjuntos, com design visual e funcionalidades projetados para se adequar às atividades que os biólogos realizam. Por meio do InteractiVenn, um biólogo consegue enxergar com facilidade as relações estabelecidas entre conjuntos de genes, moléculas, proteínas, o que contribui para identificar similaridades e diferenças dentro do corpo humano. 

De onde vem – Se você cursou o ensino médio, deve se lembrar de um método de organização de conjuntos ensinado nas aulas de matemática para agrupar elementos de vários conjuntos dentro de figuras geométricas: o diagrama de Venn. Nesse diagrama, note que as relações de união e de intersecção entre os conjuntos ficam evidentes (veja a imagem 1). 

Quando há apenas três conjuntos, é fácil visualizar as relações entre eles por meio do diagrama de Venn 

Imagine a confusão que surge quando você precisa comparar conjuntos e realizar operações de união entre eles usando o diagrama de Venn. Por exemplo: para comparar três conjuntos (A, B, C), temos um diagrama com três círculos. Você identifica uma forte ligação entre A e B e quer comparar a união desses dois conjuntos (A e B) contra C. É necessário, então, criar um novo diagrama, formado por dois círculos. Provavelmente, esse novo desenho do diagrama faria você se esquecer da configuração inicial dos conjuntos. Pense, agora, em como o diagrama se torna complexo à medida em que o número de conjuntos aumenta, principalmente quando levamos em consideração as possíveis combinações desses múltiplos conjuntos. 

Foi a partir da constatação dessa dificuldade que nasceu a ideia do InteractiVenn, uma ferramenta flexível que se baseia no diagrama de Venn, possibilitando a qualquer pesquisador visualizar, de maneira fácil e clara, até seis conjuntos simultaneamente, executando operações de união entre eles, e mantendo o formato geométrico do diagrama mesmo depois de realizarmos as intersecções (veja imagem 2). 

Não é por acaso que, de acordo com a plataforma Web of Science, o artigo sobre o InteractiVenn (InteractiVenn: a web-based tool for the analysis of sets through Venn diagrams), publicado em 2015 na revista BMC Bioinformatics, contabiliza mais de 90 citações, ocupando posição de destaque em âmbito internacional, desde meados de 2017, entre os trabalhos mais citados no campo das ciências de computação. 

Nas imagens geradas por meio do InteractiVenn, é fácil visualizar os seis conjuntos genômicos da banana.
No nível 0 (imagem F), vê-se apenas a união de todos os conjuntos.
À medida que a ferramenta apresenta a delimitação de cada conjunto, é possível enxergar também as interseções entre eles. O esquema apresentado em "A" corresponde a uma árvore (filogenética) que guia o processo de união entre os conjuntos.
As subfiguras seguintes correspondem aos níveis dessa árvore.

Ver para conhecer – O doutorando Henry Heberle conta que, inicialmente, foi difícil entender porque uma ferramenta como o InteractiVenn poderia ser tão importante para os biólogos: “Para quem trabalha na área de computação, um diagrama de Venn é um conceito muito básico. Mas à medida que fui interagindo com os biólogos, percebi o quanto eles necessitavam visualizar mais facilmente as interações entre conjuntos e o quanto um projeto com essa finalidade era importante”. 

Estabelecer esse encontro científico entre a biologia e a computação não costuma ser sempre uma tarefa fácil. As expectativas dos pesquisadores dos dois campos do conhecimento precisam estar alinhadas. Se a ferramenta de que os biólogos precisam não demandar nenhum desafio científico ou tecnológico, a parceria não será produtiva para os cientistas da computação. Por outro lado, os cientistas da computação devem construir ferramentas acessíveis aos biólogos. Henry não teve dificuldade em construir as pontes entre esses dois lados. Quando ingressou no curso de Ciências de Computação no ICMC, onde também fez mestrado, ele já adorava biologia, pensava até em cursar biotecnologia. “O Henry conseguiu enxergar como o biólogo queria ver os dados na tela do computador”, revela a professora Rosane. 

Segundo ela, essa habilidade para compreender a demanda do outro campo do conhecimento é um diferencial importante para quem atua na computação. O interessante é que, depois de trabalhar no projeto do InteractiVenn, Henry passou a gostar ainda mais de biologia e prosseguiu na construção de mais uma ferramenta de visualização para facilitar a vida dos biólogos. Foi assim que nasceu o CellNetVis, desenvolvido juntamente com a professora Rosane, Guilherme Telles, Gabriela Meirelles e Marcelo Carazzolle, do Instituto de Biologia da UNICAMP. 

No caso do CellNetVis, o objetivo é propiciar aos biólogos visualizar a interação das moléculas no interior das células. É como se o pesquisador estivesse, agora, munido de uma poderosa máquina fotográfica computacional, mas que – diferentemente dos microscópios – não demanda a utilização de uma lente para captação da imagem. No CellNetVis, basta o pesquisador inserir os dados coletadas durante sua pesquisa. Por exemplo, o biólogo que está estudando as proteínas presentes nas células em certo estágio de desenvolvimento de um tipo de câncer insere esses dados na ferramenta e, automaticamente, eles são compilados pelo computador e apresentados por meio de uma imagem. 

Cada ponto da imagem corresponde a uma proteína e as retas que as conectam representam as relações que as proteínas estabelecem entre si. “As proteínas têm interações: uma ativa a outra, uma se junta a outra para formar um complexo, uma transforma um pigmento verde em amarelo, outra transforma amarelo em vermelho”, explica Henry. Para simplificar, ele cita como exemplo os pimentões, que podem ser verdes, amarelos e vermelhos. “Há diversos tipos de interações entre as proteínas, formando vias metabólicas, formando o sistema biomolecular. Essas interações também podem representar uma informação mais genérica. Por exemplo, se duas proteínas participam de um mesmo processo biológico, elas poderiam ser conectadas numa estrutura de rede. Por conta disso, os diversos tipos de interações podem formar diferentes tipos de redes”, completa o pesquisador. 

Dessa forma, nas imagens produzidas por meio do CellNetVis, os biólogos conseguem enxergar um mapa mostrando a atuação das proteínas. Tal como os antigos navegantes que, em suas incursões pelo mar desconhecido, eram guiados pelo posicionamento das estrelas no céu, os biólogos são, agora, guiados pelas imagens que surgem no computador. Esses mapas dão indícios sobre os caminhos que devem ser percorridos ao longo da jornada de pesquisa. Mais um exemplo: se as proteínas presentes em uma célula cancerígena se concentram no núcleo, é provável que estejam relacionadas a processos de replicação celular, já que isso costuma acontecer no núcleo. Por outro lado, se as proteínas aparecem predominantemente na membrana celular, é possível que tenham papel relevante no transporte de moléculas ou no estabelecimento de relações entre o meio extracelular e o meio intracelular. Uma das vantagens do CellNetVis é exatamente propiciar que o biólogo visualize e explore, de maneira flexível, as relações entre a localização celular e as funções das proteínas. Por meio de filtros e interações com o gráfico, o usuário consegue obter diversas configurações para uma mesma rede. 

“Uma visualização adequada dos dados é crucial para a compreensão dessas redes, uma vez que as vias estão relacionadas a funções que ocorrem em regiões específicas da célula”, conta Guilherme. “O avanço da ciência biológica caminha nessa direção: tentar explicar, com mais precisão, porque os processos ocorrem de determinada forma. Se você souber por que eles acontecem e como, conseguirá interferir, quer seja para inibi-los, para acelerá-los ou, ainda, para introduzir novos processos”, adiciona o professor da Unicamp. 

O trabalho apresentando a ferramenta CellNetVis (CellNetVis: a web tool for visualization of biological networks using force-directed layout constrained by cellular componentes) foi premiado como melhor artigo no simpósio BioVis, que aconteceu durante o maior evento de biologia computacional do mundo, a Conferência Internacional da Sociedade de Biologia Computacional, realizada em Praga, na República Tcheca, no ano passado. 

A imagem do CellNetVis mostra a célula e os locais em que as proteínas estão presentes:
os pontos representam as proteínas e as linhas mostram as relações estabelecidas entre elas

Ver para confirmar – Outro papel fundamental da visualização computacional é propiciar a confirmação das hipóteses levantadas pelos pesquisadores durante suas investigações. Guilherme explica que os métodos utilizados para a identificação das proteínas que atuam nos processos biológicos resultam atualmente em listas com milhares de proteínas. Nesse sentido, um dos desafios é reduzir esse conjunto a fim de viabilizar a realização de futuros experimentos apenas com aquelas que têm maior potencial de serem as protagonistas dos processos. Diversas técnicas são empregadas para encontrar quais proteínas são protagonistas, mas é difícil discernir a confiabilidade dos resultados. Assim, usar o computador para visualizar a rede das relações entre as proteínas pode ajudar os pesquisadores a confirmarem se as técnicas foram apropriadas. 

Guilherme, Henry, Rosane e mais 19 pesquisadores são autores de outro artigo (Integrative analysis to select cancer candidate biomarkers to targeted validation) apresentando os resultados de uma pesquisa que analisou três métodos para selecionar proteínas. Nesse caso, o objetivo era construir um ranking de proteínas, identificando quais teriam maior probabilidade de exercer papel relevante nos processos que ocorrem nas células cancerígenas (carcinoma e melanoma). A visualização da rede de interações das proteínas contribuiu para os pesquisadores confirmarem os processos e interações envolvidas entre as proteínas identificadas por meio do ranking. 

Mas por que encontrar essa lista de proteínas é tão importante para a busca de tratamentos mais eficazes contra o câncer? Ora, as proteínas funcionam tal como outros biomarcadores amplamente conhecidos: por exemplo, a temperatura do corpo é um biomarcador da febre; já os índices de colesterol indicam maior ou menor risco para ocorrência de doenças do coração. Da mesma forma, a presença e/ou a ausência de certas proteínas nas células pode ser um indicativo relevante para a ocorrência de câncer. 

É por isso que a visualização computacional tem potencial para ser uma forte aliada na luta contra as doenças: suas ferramentas têm o poder de transformar o modo como os pesquisadores enxergam seus dados e conduzem seus experimentos. “A visualização ajuda a confirmar o esperado e a descobrir o inesperado”, conclui a professora Rosane. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP 

Mais informações 
Site da ferramenta InteractiVenn: http://www.interactivenn.net/

Links para os artigos citados na reportagem
1. InteractiVenn: a web-based tool for the analysis of sets through Venn diagrams:
2. CellNetVis: a web tool for visualization of biological networks using force-directed layout constrained by cellular componentes:
3. Integrative analysis to select cancer candidate biomarkers to targeted validation:

Contato com a imprensa 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Febre amarela, agricultura e empreendedorismo: saiba o que é destaque no primeiro dia do Pint of Science

Saiba o que rola nesta segunda-feira, 14 de maio, em São Carlos, durante o festival de divulgação científica Pint of Science, que vai tomar conta de 56 cidades brasileiras até quarta-feira

A primeira edição do festival no Brasil aconteceu em São Carlos, em 2015

Você já parou pra pensar em como a tecnologia pode nos ajudar a combater doenças como febre amarela, zika, chikungunya e dengue? A ciência exerce uma grande influência em nossa vida cotidiana a ponto de ser difícil imaginar com seria o mundo atual sem a sua contribuição ao longo do tempo, mas que tal discutir tudo isso em uma mesa de bar? 

Nesta segunda, o festival de divulgação científica Pint of Science acontece em três bares diferentes de São Carlos. A partir das 19h30, um bate-papo no West Brothers ajudará você a compreender o que é mito e o que é verdade quando o assunto é febre amarela. Uma das pesquisadoras convidadas para o evento é Ho Yeh Li, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Infectologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Também participarão do bate-papo: a professora do departamento de Medicina da UFSCar, Sigrid de Sousa Santos; o professor de epidemiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Afonso Dinis Costa Passos; e o professor Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP.

Ao mesmo tempo, duas discussões acontecem em outros dois bares da cidade. Na Cervejaria Kirchen, o debate é sobre implementação tecnológica na agricultura e a evolução das tradicionais técnicas à produção digital. Estarão presentes no evento o chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt; o chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Instrumentação, Wilson Tadeu Lopes da Silva; e a pesquisadora Aida Magalhães, que atua na empresa Agrorobótica Pesquisas Agrícolas.

Já no ONOVOLAB, o encontro é para discutir o potencial transformador que as instituições de ensino e as empresas podem ter se atuarem juntas no incentivo à inovação, à criatividade e ao empreendedorismo. O bate-papo tem como convidados o professor e pesquisador da Faculdade de Tecnologia de São Carlos e coordenador regional da Agência de Inovação do Centro Paula Souza, Alfredo Colenci Neto; um dos criadores do ONOVOLAB,  Anderson Criativo;  o professor André de Carvalho, do ICMC/USP; e o professor Moacir Oliveira Junior, chefe do departamento de Administração da Faculdade de Economia e Administração da USP.

Além disso, no ONOVOLAB, também terá uma atração musical imperdível: Suíte Quarteto. O estilo musical da banda é um som instrumental ligado ao jazz, groove, funk, lounge, acid. Um som leve, agradável e dançante, que combina com o festival de divulgação científica.

Em São Carlos, o Pint of Science é realizado pelo ICMC e conta com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos e das empresas Monitora e Serasa Experian.

Para conhecer os palestrantes e ver a programação completa, acesse o link:



Texto: Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Paulo Arias

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 8 de maio de 2018

A cientista antenada

Conectando-se com as emoções humanas, uma pesquisadora mineira conseguiu aliar sua carreira acadêmica na área de inteligência artificial com as dimensões menos exatas da vida

Solange (ao centro) abraça o filho Vitor ao lado da filha Naiara e do marido Anandsing
na fazenda Pedra Branca, onde viveu a primeira infância

Uma tiara vermelha com antenas chama a atenção de um garoto que está deitado em um dos leitos da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, cidade no interior do Estado de São Paulo. Da direção da tiara surgem dedos que conversam com o menino como se fossem pequenos seres vivos animados. São aqueles dedos que tiram Vitor, 5 anos, da apatia em que se encontrava há uma semana, desde o momento em que foi internado e deixou de interagir com o mundo. 

Em silêncio, aos poucos, os dedos do garoto também passam a ganhar vida e começam a se comunicar com as mãos daquela mulher que usa tiara vermelha e se localiza no meio do palhaço e da fada, para os quais Vitor não dá a menor bola. Logo, ele se senta à cama e recebe, de presente, uma bexiga azul em formato de cachorro, esculpida pelos dedos alegres e desconhecidos. Aos poucos, aquele trio se despede e sai do quarto mudo. Só depois que cruzam a linha da porta e desaparecem, o silêncio do garoto se rompe e sua voz alcança o corredor do hospital: “Anteninha, eu te amo”. 

É nesse momento que as emoções da mulher de tiara vêm à tona, junto com a imagem de seu próprio filho, que também é Vitor, que também tem 5 anos. Em vez de doente na cama, o filho dela está saudável, brincando na casa em que vivem, a poucos quilômetros dali. Apelidada de Anteninha, Solange Rezende permite-se agora chorar, pois já está fora do quarto. Depois de se recompor, volta ao encontro do garoto. Ao rever Anteninha, Vitor pede outro presente: quer uma cadelinha cor-de-rosa para fazer companhia ao cachorro azul. 

Solange como Anteninha durante a visita que fez à Santa Casa no último domingo, 6 de maio
Ciência com emoção – O acontecimento relatado acima, vivido 13 anos atrás, está marcado na memória de Solange e, ao ressurgir no bate-papo desta manhã de sábado, 5 de maio de 2018, deixa os olhos brilhantes de Anteninha marejados. Professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desde 1991, Solange é uma das 110 voluntárias do grupo Amor em Gotas, que se dedica a levar alegria a crianças hospitalizadas. Atuando como voluntária há 16 anos, hoje ela é uma das gestoras da iniciativa e carrega com orgulho, naquela manhã, o álbum de fotos das inúmeras visitas que já fez. Em uma das imagens, aparece vestida de branca de neve. “A essência da vida está nos detalhes, quando enxergamos o poder que temos em nossas mãos”, diz Solange, e completa: “Às vezes, um pequeno gesto possibilita conexões”. 

No álbum de fotos, destaque para a Branca de Neve
Segundo ela, as experiências vividas como voluntária contribuíram efetivamente para ampliar suas percepções nas pesquisas científicas que realiza na área de inteligência artificial: “O ambiente acadêmico é muito competitivo e somos cobrados a todo tempo. Muitas vezes, ficamos correndo atrás de suprir essas demandas e nos esquecemos da essência da vida”. Ela diz que a atuação no grupo Amor em Gotas, mudou até a forma como lida com seus alunos. “Passei a dar mais abertura para os estudantes. Hoje, sempre que precisam de alguma ajuda, eles me procuram”. 

Em um mundo em que as máquinas têm a capacidade de aprender, em que é possível extrair conhecimento de uma infinidade de dados (a área de mineração de dados é a especialidade de Solange), surge a pergunta: será que um dia os computadores serão capazes de desenvolver uma sensibilidade comparável à de Anteninha e poderão promover novas conexões entre os seres humanos? Para Solange, esse é o limite do desenvolvimento da inteligência artificial. Por mais que o conhecimento avance, ela acredita que as máquinas nunca desenvolverão percepção, sensibilidade e intuição tal como os humanos.


Vida na fazenda – A história dessa pesquisadora começou no interior de Minas Gerais, na cidade de Comendador Gomes. Foi lá, a 40 quilômetros do município, na fazenda Pedra Branca, que ela estabeleceu contato com o universo do conhecimento, guiada pelas mãos de Margarida. Foi ela que lhe apresentou as primeiras letras e números no quarto construído pelo pai para ser escola de Solange, a filha mais velha, do irmão Hugo, um ano mais novo, e de José, três anos mais moço. Como a professora morava na casa da família, a turminha tinha aula 24 horas por dia, sete dias por semana. 

Só no quarto ano do ensino fundamental é que a mãe, Zilda, e as crianças precisaram ir para Frutal, cidade vizinha, e os pequenos começaram a frequentar uma escola pública. Agora, a família tinha também um novo membro: Ataídes, sete anos mais novo do que Solange. O quarteto passava a semana na cidade com a mãe e voltava à fazenda aos finais de semana, onde o pai trabalhava e continuava morando. 

No segundo ano do ensino médio, que Solange cursava pela manhã, conseguiu uma bolsa de estudos para fazer o “Normal” à noite, uma espécie de curso técnico para quem desejava dar aula no ensino fundamental. Naquele tempo, ela já começou a pensar que não queria morar a vida toda naquela região e construir um futuro igual ao da maioria de seus primos de primeiro grau – 82 no total, contando tanto os do lado materno quanto paterno. A inspiração veio, então, de duas primas que tinham prestado vestibular e estudavam na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Com a ajuda delas, Solange convenceu a família de que também deveria fazer faculdade na UFU e foi assim que começou sua trajetória acadêmica: cursando Licenciatura em Ciências, com habilitação em matemática. 

Hugo, Ataídes, a professora Margarida, José e Solange (da esquerda para a direita):
a professora mora hoje em uma fazenda a poucos quilômetros
de onde ensinou as primeiras letras e números para Solange

Da matemática à computação – No início da faculdade, Solange sabia que se tornaria professora e o sonho era fazer pós-graduação em matemática pura na Universidade de Brasília. Sempre foi a professora dos irmãos, por insistência da mãe, já que a caderneta de notas toda azul da garota contrastava com as cadernetas vermelhas dos meninos. Por isso, aos 15 anos, quando o pai perguntou o que ela queria ser quando crescesse, respondeu: “Quero dar aula para gente inteligente”. A resposta dura tinha uma justificativa: os irmãos não gostavam de estudar e ela se sentia uma professora frustrada. “Na verdade, o que eu tentei dizer é que queria dar aula para quem gostasse de aprender”, diz. 

E de gostar de aprender ela sempre gostou. Tanto que, quando o professor de topologia da UFU, Viktor Bojaczuk, voltou de uma viagem à Polônia com um computador portátil Apple em mãos e perguntou aos alunos quem desejava se aprofundar em uma nova área do conhecimento, ela topou de imediato. “Era 1985 e a gente não tinha acesso ao computador, ele ficava fechado em uma sala e quem mexia na máquina era um operador. Nas aulas de programação, nós escrevíamos os códigos em uma folha verde e mandávamos para o operador, rezando para que ele entendesse o que a gente tinha escrito e que a máquina executasse aqueles comandos de forma correta até o final do semestre”, recorda-se Solange. 

Então, quando ela viu pela primeira a oportunidade de mexer diretamente em um computador portátil, não pensou duas vezes. Solange ouviu a palavra inteligência artificial pela primeira vez na aula de Bojarkuzc, que anunciou profeticamente: “Estou aprendendo a programar com uma linguagem diferente, que é totalmente lógica e tem tudo a ver com matemática. Mas é algo muito maior, que vai estar presente na vida de todo mundo no futuro, a inteligência artificial”. 

A tal linguagem de programação é ensinada até hoje no início das disciplinas de inteligência artificial, chama-se Prolog. Depois que teve acesso a programar diretamente no computador usando Prolog, Solange sabia que seu destino não estava mais atrelado à matemática pura, o que ela queria era computação: “O professor Bojaczuk mudou o rumo da minha vida”. Dois outros professores, Sergio Schneider e Costa Pereira, falaram para a garota sobre a USP, em São Carlos, dizendo que lá havia uma professora que atuava na área de inteligência artificial: Carolina Monard. 

Assim que se formou, Solange viajou para São Carlos e conheceu Carolina. Começou a fazer mestrado em Ciências de Computação e Matemática Computacional no ICMC em 1987. Quatro anos depois, quando estava no primeiro ano do doutorado em Engenharia Mecânica, na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), prestou um concurso para se tornar professora no ICMC, onde está até hoje. 

Além de ministrar aulas e realizar pesquisas na área de inteligência artificial, Solange também ensina empreendedorismo. Aliás, ela foi uma das responsáveis, junto com o professor André de Carvalho, também do ICMC, por inserir a temática do empreendedorismo nos cursos de computação do Instituto. Sob sua orientação estão sete doutorandos, três mestrandos, quatro alunos de iniciação científica e um pós-doutorando. Nas quintas à tarde, ela atua como consultora em uma startup são-carlense chamada Itera. Ainda sobra fôlego para o Amor em Gotas e para coordenar o festival de divulgação científica Pint of Science em São Carlos, que acontecerá dias 14, 15 e 16 de maio, juntamente com outras 55 cidades brasileiras e mais 20 países do mundo. “Sou uma apaixonada pela vida e pela possibilidade de ajudar as pessoas que desejam entrar em movimento para buscar seus sonhos”, diz. 

Ao relatar sua história, Solange dá indícios de onde nasce a motivação para o seu fazer. Entre os ensinamentos do pai, seu Amador, falecido há sete anos, uma frase se destaca na memória: “Filha, a vida inteira você tem que cuidar para que o brilho dos seus olhos nunca se apague”. Talvez esse seja o segredo de Solange: manter-se antenada com o que faz os olhos brilharem. 

Encontro no fim de 2017 na casa de Solange:  confraternização reuniu alunos do Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC e seus familiares

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Pint of Science São Carlos: https://pintofscience.com.br/events/saocarlos
Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC: http://labic.icmc.usp.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666