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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Como a robótica desperta o encanto pelo conhecimento

OParticipar da Olimpíada Brasileira de Robótica é uma experiência que promove descobertas não só às crianças e aos jovens, mas que reacende sonhos em professores, pais e voluntários


As participantes mais jovens: Sarah e Valentine participaram no nível zero da competição

Uma tem seis anos e a outra oito. Juntas, correm pelo salão de eventos da USP, em São Carlos, conduzindo nas pequenas mãos um robô neste domingo ensolarado de outono. Ao chegarem à arena de competição, a expressão no rosto das duas se transforma conforme o robô percorre seu caminho: obstáculos superados, lá vêm muitos sorrisos; fugas ou interrupções na pista, tensão nos semblantes. Ao redor delas, os olhares curiosos acompanham a cena: incontáveis smartphones tiram fotos e gravam vídeos. Certo momento, as meninas quase não resistem à tentação, mexem as mãos rapidamente no ar e assopram a pista na vã tentativa de dar uma forcinha na subida da ladeira. Quando o percurso do robô termina, Sarah Palmieri e Valentine Flório Ouchi recebem, orgulhosas, os broches marcando a primeira participação na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). 

A trajetória do robô das garotas chega ao fim depois de passar três vezes nas estradas das arenas, mas é muito provável que a jornada de Sarah e Valentine pela OBR esteja apenas começando. Os pais as inscreveram na etapa regional da OBR em São Carlos no nível zero, que é voltado a estudantes do 1º ao 3º ano do ensino fundamental e foi criado no ano passado para favorecer o contato, cada vez mais cedo, com o mundo da robótica. Nesse caso, não há pontuação e concorrência entre equipes, todos são premiados com broches e medalhas, pois a ideia é incentivar a participação na OBR nos próximos anos.

No nível zero, não há pontuação e concorrência entre equipes, todos são premiados com broches e medalhas

A proposta já está gerando bons resultados: a primeira equipe nível zero que participou de uma OBR no ano passado – formada por Caleb e João – voltou à competição este ano, dessa vez para competir no nível 1, que é voltado a alunos do 1º ao 8º ano do ensino fundamental. Tal como no ano passado, o técnico foi o pai deles, o desenvolvedor de software Jefferson Pereira Cezar, que inscreveu o time na categoria equipe de garagem, destinada à participação de grupos independentes, que não estão vinculados a uma escola.

João e Caleb: primeira equipe a participar da OBR no nível zero voltou à competição este ano no nível 1
(veja o depoimento dos dois na reportagem da EPTV:  icmc.usp.br/e/9bd74)

“Diferente de muitos outros times, nós somos uma equipe de garagem, limitada a um espaço com área de pouco mais de 10 metros quadrados que, nos dias de sol, é quente pra chuchu e, nos dias de chuva, temos que desviar das goteiras. Mas nada disso impede que a gente se reúna todos os sábados para desenvolver alguma coisa que seja útil e divertida”, explica o torneiro mecânico Carlos Renato da Silva. Ele criou o clube de ciências “O mundo das invenções”, em Batatais, no interior de São Paulo, e formou uma equipe que participou da OBR este ano pela primeira vez também na categoria equipe de garagem. Fazem parte do time o filho de Carlos – José Renato Pereira da Silva, 11 anos – e mais três amigos: Henrique Ferreira de Carvalho e Heitor Silva Santana, ambos com 11 anos, e Matheus Henrique Ferrão, 12 anos. 

Sentados em uma mesa no salão de eventos da USP, logo depois que o simpático robô que criaram participa da terceira rodada da OBR, explicam entusiasmados todos os componentes que usaram para construir Simprão, nome que deram ao robô porque ele é simples, mas nem tanto: resultado de um ano de muito trabalho e de aprimoramentos em versões desenvolvidas anteriormente. O que mais chama a atenção em Simprão é uma peça redonda: “Tentamos usar baterias menores, mas não davam conta. Então, compramos uma parafusadeira e retiramos a bateria de lítio de 12 volts para usar no robô”, explica José Renato. “Assim, depois a gente pode desmontar, colocar a bateria de volta na parafusadeira e usá-la normalmente”, completa Henrique.

Simprão e sua bateria proveniente de uma parafusadeira (é o cilindro à direita com a foto do He-Man)


Os garotos contam ainda que a estrutura amarela que sustenta Simprão foi construída em uma impressora 3D que Carlos comprou. “É feita em plástico ABS, que é um derivado do petróleo. Se usássemos um plástico biodegrável, como o PLA, teríamos problemas para fazer os furos e encaixar as peças porque o calor faria o material derreter”, revela José Renato. É assim durante toda a conversa: os garotos vão apresentando os componentes que fazem parte do robô e, quando usam um termo técnico, logo tentam encontrar um jeito de explicá-lo usando comparações de forma que até alguém formado na área de humanas – tal como a jornalista que os ouve – possa compreender. Mal sabem esses garotos quanto conhecimento compartilharam ali, nos poucos minutos que conversamos. Conceitos da área de eletrônica, mecânica, programação e até de sustentabilidade são, para eles, tão básicos quanto quaisquer outros que aprendemos nos primeiros anos do ensino fundamental. 

Aliás, há um aspecto comum que permeia o relato de todas as crianças e jovens que participam da OBR: eles têm habilidades para explicar conceitos científicos de um jeito descomplicado, defendem seus pontos de vista com afinco e carregam nas expressões faciais e no olhar os sinais típicos de quem vibra e se empolga diante das descobertas e da superação de desafios. De fato, entre os maiores legados da OBR está esse potencial para despertar, nas crianças e jovens, o encanto pela busca do conhecimento, levando-os a se divertir nesse processo de uma maneira que jamais vão querer interrompê-lo. Professores, pais, parentes e voluntários que têm o prazer de acompanhar as crianças e jovens nessa jornada sabem o quanto ela é emocionante.

Equipe Mundos das Invenções e o robô Simprão

Uma nova cultura desperta – Adam Moreira é voluntário da OBR desde a primeira edição da etapa regional em São Carlos, em 2014. Naquele ano, 99 equipes de escolas públicas e privadas da região se inscreveram na competição e 70 compareceram ao evento. Na época, Adam fazia mestrado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, e destacava, na reportagem publicada no site do Instituto, que participar da competição ajudava as crianças a desenvolverem o raciocínio lógico. 

Depois de seis anos, Adam conta que as mudanças que viu aconteceram na região vão muito do evidente aprimoramento na organização local do evento e das alterações implantadas nacionalmente, tal como a criação do nível zero, a abertura à participação de equipes de garagem, a inserção de novas regras à competição, incluindo marcadores e desafios surpresa. Para ele, ao longo dos anos houve uma verdadeira transformação cultural: “A robótica deixou de ser um diferencial. Hoje, as escolas da região que não oferecem atividades nessa área estão ficando para trás.” 

Adam diz que a realização da etapa regional da OBR em São Carlos contribuiu muito para o desenvolvimento de uma cultura ligada à robótica na cidade, a qual se espalhou por outros municípios do entorno. A competição se tornou, assim, uma indutora da cultura robótica nas escolas de ensino básico da região. A etapa regional é um evento em que assistimos aos benefícios que podem ser alcançados quando os conhecimentos gerados nas universidades públicas de uma cidade – nesse caso, na USP e na UFSCar – são compartilhados com as escolas públicas e particulares.

Tabela mostra o número de equipes inscritas na OBR desde 2014, quando aconteceu a primeira etapa regional da competição em São Carlos

“Em 2014, quem participava da competição tinha muito pouco conhecimento sobre robótica, não questionava os juízes e não argumentava. Agora, o nível de conhecimento das crianças e jovens é muito maior: eles querem saber tudo, perguntam detalhes técnicos sobre as provas e sabem explicar conceitos muito mais complexos”, conta a professora Roseli Romero, do ICMC, que coordena a etapa regional da OBR em São Carlos desde 2014. 

Atuando como chefe da equipe de juízes da competição em São Carlos, Adam sentiu na pele essa transformação. “Eu tive que me qualificar para poder acompanhar o desenvolvimento das crianças. Em 2014, por exemplo, eu não tinha conhecimentos avançados sobre o kit Arduino. Ao longo dos anos, muitas equipes passaram a usar esse kit e eu precisei estudar mais”, diz o pós-graduando, que está prestes a concluir o doutorado no ICMC. Para poder solucionar todas as dúvidas dos times durante a competição, ele precisou fazer várias reuniões preparatórias com a equipe de juízes, já que, agora, qualquer equívoco no registro dos pontos é questionado, pois muitas crianças leem o manual de regras e instruções da OBR e o carregam debaixo do braço para a arena.

Aprendendo novas estratégias – Repleto de post-its coloridos e frases destacadas com canetas marca-texto fluorescentes amarelas, verdes, laranjas, rosas e azuis, o manual de regras e instruções que Sara Casatti levou à etapa regional da competição em São Carlos é um exemplo do quanto as crianças se esforçam para obter bons resultados. Segundo ela, a conquista do primeiro lugar no nível 1 da competição no domingo, dia 16 de junho, só foi possível por causa da estratégia adotada pela equipe. “Um robô nunca é perfeito. Então, você precisa conhecer no que ele é bom e no que ele é ruim. Assim, você pode pensar nos locais mais estratégicos para colocar os marcadores ao longo da pista”, ensina.

Sara colocando os marcadores estrategicamente na arena

Para quem nunca competiu na OBR, tal como eu, não é simples compreender o que essa garota de 11 anos está explicando. Confesso que fiz muitas perguntas a ela, enquanto comemorávamos a conquista tomando um sorvete, e no dia seguinte, enquanto a levava à escola. Nesses bate-papos, fui entendendo que o robô pode tentar superar um desafio três vezes – como passar por um ponto em que a pista desaparece ou em que há um redutor de velocidade. Se ele não conseguir, pode desistir e continuar andando na pista a partir do ponto em que a equipe colocou a marcação. Cada desafio ultrapassado rende pontos e, ao transpor o local onde a marcação foi colocada, o time ganha 60 pontos automaticamente. 

Então, a equipe de Sara chegava à arena sorteada para competir alguns minutos antes de entrarem em campo. Discutiam juntos onde deveriam colocar os marcadores a fim de maximizar o ganho de pontos. Como o robô já estava programado para identificar a linha a ser percorrida bem como ultrapassar falhas e outros desafios, o grupo optava por inserir os marcadores logo depois de obstáculos que o robô não havia sido programado para superar. Assim, se conseguisse ultrapassar esses pontos críticos, o time ganharia automaticamente 60 pontos. Por outro lado, se não fosse capaz de superá-los, após três tentativas, o grupo podia tocar no robô e colocá-lo depois do obstáculo, no local indicado pelo marcador, de onde era possível continuar a trajetória. 

Fiquei pensando em quanto a estratégia usada pela equipe de Sara estava relacionada com os mecanismos que usamos para ensinar nossos filhos. Eles também não são perfeitos, têm habilidades e limitações como qualquer outro ser humano. Se a gente os estimula a enfrentar novos desafios, eles podem seguir adiante na vida e ganhar muitos novos conhecimentos. Mas não adianta insistir para que ultrapassem obstáculos maiores do que aqueles que são capazes de superar. Se notarmos um grau elevado de dificuldade, podemos pegá-los nas mãos e levá-los até a próxima fase da jornada. De lá, eles prosseguirão pela estrada da vida e vão enfrentar novos desafios. Conhecendo-os bem, seremos capazes de dar as mãos a eles, caso precisem de um apoio para seguir adiante. Está aqui mais um exemplo do quanto a robótica pode despertar em nós novos conhecimentos: ser uma melhor educadora é só um deles.

Este ano, as escolas públicas que tiveram times melhor classificados no nível 1 e 2 da etapa regional da OBR em São Carlos ganharam kits robóticos Arduino, que foram doados pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria e pela EPTV. A escola estadual Antonio Militão de Lima foi uma das contempladas, já que uma das equipes treinadas pela professora Eliane Botta conquistou o oitavo lugar no nível 1 e se classificou para a etapa estadual da competição, que ocorrerá dia 31 de agosto no Centro Universitário da FEI, em São Bernardo do Campo. Os alunos de Eliane Botta participam do evento desde 2014, ano em que um dos times da escola chegou à final nacional da OBR (leia mais).

Leia mais histórias da OBR: 


Veja o álbum de fotos disponível no Facebook e no Google Fotos 

Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 


Confira as equipes medalhistas na etapa regional da OBR em São Carlos 

Sábado, 15 de junho (veja todos os resultados no site da OBR) 
Nível 1 
Medalha de ouro: Pull_Down – Yadaa (São Carlos) 
Medalha de prata: O round já começou (Araras) 
Medalha de bronze: Legonel – Yadaa (São Carlos) 

Nível 2 
Medalha de ouro: Iron Robots (Franca) 
Medalha de prata: Tigers Team 1 (Novo Horizonte) 
Medalha de bronze: Duck to Space – Yadaa (São Carlos) 

Domingo, 16 de junho (veja todos os resultados no site da OBR) 
Nível zero 
Grok Team (Equipe de garagem – São Carlos) 

Nível 1 
Medalha de ouro: Oca Robótica I (São Carlos) 
Medalha de prata: Atomikos Jr. 2 (Limeira) 
Medalha de bronze: Super Genius 1 (Indaiatuba) 

Nível 2 
Medalha de ouro: Orc Alfa (Rio Claro) 
Medalha de prata: Atomikos Jr. (Limeira) 
Medalha de bronze: Akomitos (Limeira) 

Leia todas as reportagens sobre as etapas regionais da OBR em São Carlos 





2014

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Divulgação científica: oficina no ICMC mostra ingredientes da área e modos de fazer

Gratuita, iniciativa tem como objetivo levar os participantes a compreenderem os principais conceitos da área e estimular a realização de mais iniciativas para divulgar conteúdos científicos



Desvalorização das evidências científicas, cortes em bolsas e orçamentos. Diante do cenário de crise que atinge a pesquisa, o ensino e a extensão, aumenta a percepção sobre a necessidade de divulgar a importância do conhecimento científico, tão presente em nosso dia a dia, estreitando as relações entre as universidades e a sociedade. Um dos caminhos para isso é a realização de iniciativas de divulgação científica. 

Mas você sabe definir o que é divulgação científica? Já pensou em quais ingredientes compõem as ações mais bem-sucedidas realizadas nessa área? Será que existem receitas prontas para quem deseja atuar divulgando conteúdos científicos? 

Responder essas e outras questões é o objetivo da oficina Divulgação científica: ingredientes e modos de fazer, que será realizada no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, na noite da próxima terça-feira, 18 de junho, das 18h30 às 22h30. Voltada para estudantes de graduação, de pós-graduação, professores, funcionários e demais interessados, a oficina gratuita apresentará os principais conceitos relacionados à divulgação científica. O intuito é estimular a realização de mais ações destinadas a divulgar conteúdos de diversas áreas do conhecimento, empregando estratégicas criativas e atraentes para os mais diferentes públicos. 

Para se inscrever, basta acessar o Sistema Apolo da USP neste link: icmc.usp.br/e/106ea. Há 100 vagas disponíveis e as inscrições podem ser realizadas enquanto houver vagas ou até a próxima segunda-feira, 17 de junho. 

Coordenado pelo professor Moacir Ponti, presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitário do ICMC, a oficina será ministrada pela jornalista Denise Casatti, analista de comunicação no ICMC e doutorando em psicologia na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A atividade acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC. Por se tratar de um curso de extensão, haverá certificados a todos os inscritos. 

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Divulgação científica: ingredientes e modos de fazer 
Quando: 18 de junho, terça-feira, das 18h30 às 22h30 
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC 
Como se inscrever: icmc.usp.br/e/106ea
Mais informações: ccex@icmc.usp.br ou (16) 3373.9146
Link para o evento no Facebook: w.facebook.com/events/383575682505502

sexta-feira, 10 de março de 2017

Robótica e inclusão digital nas escolas: projeto da USP São Carlos recebe apoio da IBM

Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação é uma das quatro instituições de São Carlos selecionadas para receber consultoria de funcionários da empresa

Sucata se transforma em robôs no laboratório coordenado pelo professor Eduardo Simões

Ele tem um sonho: mostrar aos jovens que é possível estudar em uma universidade pública e se tornar um cientista. Esse sonho foi se tornando realidade nos últimos anos, quando, voluntariamente, o professor Eduardo Simões, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, se uniu a alguns alunos e começaram a construir robôs com sucata e a apresentá-los a crianças que estudam em quatro escolas na cidade de São Carlos, a cerca de 240 quilômetros da capital do Estado de São Paulo. Ao ver a transformação provocada naqueles jovens com a iniciativa, o professor compreendeu que era preciso ampliar o alcance de seu projeto. Agora, com o apoio de um programa internacional de cidadania corporativa da IBM, o Corporate Service Corps (CSC), Simões pretende disseminar a robótica e a inclusão digital para mais jovens brasileiros.

“Nós temos o conhecimento, os equipamentos e as ferramentas. No entanto, faltam recursos humanos para que possamos desenvolver um plano de ação e um modelo de escalabilidade que possibilite expandir esse projeto piloto. Queremos alcançar mais escolas, mais cidades e impactar mais jovens”, revela o professor. Segundo ele, para que o plano se concretize, é preciso uma união de forças entre Universidade, empresas, prefeituras, escolas públicas e privadas.

Por meio do programa da IBM, que está em sua 21ª edição no Brasil, serão oferecidas consultorias à equipe do professor, promovendo o desenvolvimento de lideranças que possibilitarão a expansão da iniciativa. O programa seleciona funcionários da empresa em todo o mundo para atuar em projetos que integram planos de crescimento econômico, gestão de processos e tecnologia. Todos os projetos são desenvolvidos para alavancar organizações de cidades em desenvolvimento.

Para Simões, o apoio da IBM é uma oportunidade
de crescimento para todos os envolvidos no projeto
Em 2017, além do ICMC, três instituições de São Carlos – Departamento de Apoio à Educação Ambiental da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Federação das APAES do Estado de São Paulo (FEAPAES-SP) e Instituto Inova – foram selecionadas para receber a consultoria dos funcionários da IBM, que irão ajudar na construção coletiva de soluções para os problemas apontados por essas organizações. Ao todo, atuarão nos projetos 12 funcionários da IBM vindos de 10 países (China, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Irlanda, República Checa e Turquia).

O time será subdividido em quatro equipes para mergulhar nas problemáticas pelo período de 30 dias. O início dos trabalhos será marcado por um painel sobre tecnologia e inovação social, que acontecerá na próxima segunda-feira, 13 de março, na sede do Instituto Inova, em São Carlos. Na ocasião, cada parceiro compartilhará sua percepção de como a tecnologia pode gerar inovação, além de melhorar a eficiência em processos e gestão. O programa prevê que, ao final do período de consultoria, as equipes da IBM apresentem um relatório apontando as transformações que podem ser realizadas para que as organizações tenham uma atuação mais eficiente.

“Os robôs despertam uma curiosidade nos jovens e a consequência dessa brincadeira com a tecnologia é o aprendizado, que acontece naturalmente. Nas oficinas em que controlam, desconstroem e constroem esses equipamentos, eles passam a entender conceitos importantes da área de computação, matemática e física de uma forma divertida”, conta Simões. O aprendizado também acontece para os alunos de graduação e pós-graduação da USP que participam da iniciativa como voluntários e, agora, poderão conhecer pessoalmente alguns funcionários da IBM. “Será uma excelente oportunidade de crescimento para todos nós”, finaliza o professor.

Uma das vantagens dos robôs fabricados com sucata é o baixo custo

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Com informações da Assessoria de Imprensa da IBM

Créditos das imagem: fotos dos robôs - Denise Casatti/ICMC; foto do professor Simões - Reinaldo Mizutani/ICMC

Mais informações
Sobre a IBM: www.ibm.com/br
Sobre o ICMC: www.icmc.usp.br
Descomplicando a tecnologia: www.timaissimples.com.br

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Assessoria de Imprensa ICMC/USP
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Robótica e computação: professores podem se inscrever em cursos gratuitos na USP em São Carlos

Em um dos cursos, os participantes terão oportunidade de conhecer os componentes que constituem um robô móvel e manipular um kit robótico; no outro, aprenderão noções básicas para programação de computadores

Em um dos cursos, haverá atividades práticas usando um kit robótico

Estão abertas as inscrições para dois cursos gratuitos que serão oferecidos pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Um deles será sobre computação e o outro sobre robótica. O público-alvo são os professores do ensino médio da rede pública, mas a participação é aberta a todos os interessados.

Os dois cursos acontecerão de 4 de março a 27 de maio, aos sábados. O curso Computação I será oferecido das 8 às 12 horas e tem como objetivo apresentar ao aluno conceitos de programação, mostrando estruturas de construção de algoritmos e de linguagens de programação. Para se inscrever, basta acessar o Sistema Apolo da USP por meio deste link: icmc.usp.br/e/550ad.

Já o curso Robótica I ocorrerá das 14 às 18 horas e vai explicar como é a estrutura básica de um robô, apresentando os vários componentes que o compõe, como sensores e atuadores. Os participantes também aprenderão conceitos de montagem e programação de robôs, com atividades práticas usando um kit robótico. As inscrições também devem ser efetuadas por meio do Sistema Apolo no seguinte link: icmc.usp.br/e/98852.

Em cada curso há 40 vagas disponíveis e as inscrições podem ser realizadas até 1 de março ou enquanto houver vagas. “Faça sua inscrição de forma consciente. Quando uma pessoa se inscreve e não comparece às atividades, está ocupando a vaga de alguém que poderia aproveitar essa oportunidade”, lembra Maria Fernanda Marreta, secretária da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC.

Os dois cursos estão sob a coordenação da professora Roseli Romero, do ICMC, e as aulas acontecerão na sala 6-303, no bloco 6 do Instituto, localizado no campus I da USP em São Carlos, na Avenida do Trabalhado são-carlense, 400. Os professores Fernando Osório e Kalinka Castelo Branco também contribuirão ministrando aulas. A iniciativa conta, ainda, com o apoio da Diretoria de Ensino da Região de São Carlos.

Conceitos de programação, de construção de algoritmos e de linguagens
de programação será o tema do curso Computação I
Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Inscrições para o curso Computação I: icmc.usp.br/e/550ad
Inscrições para o curso Robótica I: icmc.usp.br/e/98852
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um festival de divulgação científica sem fronteiras

Os cientistas vão invadir bares e restaurantes de 22 cidades brasileiras, conectados a um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo, que acontecerá simultaneamente em mais 10 países



Divulgar a ciência para o público em geral é o fio condutor de uma iniciativa que vai unir Brasil, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, França, Irlanda, Itália e Reino Unido. Mais de 100 cidades espalhadas por esses 10 países realizarão simultaneamente, nos dias 15, 16 e 17 de maio, um dos maiores festivais de divulgação científica do mundo: o Pint of Science.

“Este ano, o evento se expandiu e alcançará 22 cidades em todo o Brasil”, revela a coordenadora nacional da iniciativa, Natalia Pasternak. O Pint of Science pode ser comparado a um grande festival de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. Só que, nesse caso, em vez de artistas, há pesquisadores conversando com o público em restaurantes, cafés e bares. No lugar da música, a melodia que será ouvida nesses palcos está relacionada a biologia, computação, engenharia, estatística, filosofia, física, história, matemática, química, sociologia e muito mais. 

“O Brasil é o primeiro país sul-americano a fazer parte do festival e o sucesso estrondoso de 2016 mostra que os brasileiros amam ciência e querem realmente matar sua sede de conhecimento”, destaca Michael Motskin, diretor e fundador do Pint of Science. O festival nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP realizou o evento em São Carlos, no interior paulista, colocando o Brasil no mapa do Pint of Science.

Em 2016, a faísca da divulgação científica se espalhou por sete municípios brasileiros e, este ano, atingirá 10 cidades paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, a iniciativa chegará a municípios brasileiros localizados no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste: Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Brasília (DF), Curitiba (PR), Dourados (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Teresina (PI).

Em 2016, o evento contabilizou um público de aproximadamente 7,3 mil pessoas no Brasil

O evento é gratuito no Brasil e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que acontecerão os bate-papos científicos. “A ciência brasileira enfrenta uma de suas maiores crises de financiamento e credibilidade. Por isso, divulgá-la nunca foi tão importante e tão urgente quanto agora”, explica a coordenadora nacional, que é doutora em genética molecular pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Rede de voluntários – Em cada uma das 22 cidades brasileiras que realizarão o Pint of Science, existe um grupo de voluntários trabalhando para organizar os diversos bate-papos com os pesquisadores. Há um coordenador em cada cidade, bem como coordenadores regionais. O desafio deles é levar o conhecimento científico à população, de uma forma descomplicada, possibilitando que as pessoas esclareçam suas dúvidas diretamente com quem faz ciência. “Restaurantes, cafés e bares também são lugares adequados para os cientistas divulgarem suas pesquisas. Nosso objetivo é mostrar que, sem ciência, tecnologia e inovação, não existe desenvolvimento”, acrescenta Natalia.

Em 2016, o festival mobilizou 118 especialistas brasileiros e 110 voluntários

De acordo com a coordenadora, o Pint of Science possibilita, ainda, que a população conheça como é o trabalho de um pesquisador, uma jornada repleta de encantos e desencantos, tal como a trajetória de qualquer outro profissional. Dessa forma, cria-se a oportunidade para o estabelecimento de uma comunicação mais informal, descontraída e humana entre os cientistas e a população: “É um momento para nos unirmos e fazermos um brinde à ciência, rompendo todas as fronteiras”. 

A programação dos bate-papos que acontecerão nas 22 cidades brasileiras será disponibilizada no site do evento a partir do dia 27 de março. O Pint of Science conta com o apoio de várias instituições e já confirmaram patrocínio em âmbito nacional a Elsevier, a empresa Galoá e três Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades; e o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros.

Programação das cidades será divulgada a partir de 27 de março


Texto: Denise Casatti
Coordenadora da Assessoria de Comunicação do Pint of Science Brasil e Analista de Comunicação no ICMC/USP

Fotos: equipe Pint Ribeirão Preto

Mais informações
Página no Facebook: www.facebook.com/pintbrasil
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

quarta-feira, 23 de março de 2016

Aos nossos futuros mestres e doutores, boas-vindas!

Uma cerimônia de recepção marcou simbolicamente o início da trajetória dos 166 alunos que ingressaram em um dos cinco programas de pós-graduação do ICMC


Ele trabalha há quatro anos como professor na Universidade Federal de Roraima e agora dá os primeiros passos para obter seu doutorado no Instituto de Ciência Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. É quarta-feira, 16 de março, e Silvestre Monteiro está no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, aguardando o início da cerimônia de recepção aos alunos ingressantes nos programas de pós-graduação do Instituto. Antes que comece o evento que marca simbolicamente o princípio dessa nova etapa de sua vida, ele já sabe o destino que o aguarda quando obtiver o título de doutor: “Pretendo voltar a Roraima e ficar lá. O norte do Brasil ainda tem uma defasagem muito grande de profissionais qualificados. Com uma boa formação, a gente pode fazer uma diferença muito grande lá.”

Tal como Silvestre, muitos dos 166 alunos que ingressaram em um dos cinco programas de pós-graduação do ICMC desde julho do ano passado têm a nítida clareza sobre o impacto que sua formação poderá trazer em suas diversas áreas de atuação, quer optem por dar aulas em universidades e seguir a carreira acadêmica, quer prefiram trabalhar em empresas ou até mesmo abrir o próprio negócio. Independentemente do caminho que decidam seguir, para o diretor do ICMC, Alexandre Nolasco de Carvalho, esses ingressantes têm agora uma nova missão: tornarem-se novos agentes da produção e transmissão do conhecimento. “Como todos sabem, o conhecimento é a maior riqueza de um povo. Sendo assim, essa nossa nobre missão é das mais importantes em uma sociedade. Mais do que lhes dar as boas-vindas ao ICMC, quero lhes dar boas-vindas à essa missão”, disse o diretor na abertura do evento.

Uma missão que Silvestre pretende exercer ainda melhor quando voltar a Roraima. Nos próximos quatro anos, ele ficará afastado de suas atividades para se dedicar exclusivamente ao doutorado no Programa de Pós-Graduação em Matemática, em que será orientado pelo professor Igor Mencattini, do ICMC. O plano é estudar muito. Com o título de doutor, ele espera que será mais fácil conseguir financiamento para suas pesquisas e bolsas de estudo para os alunos que orienta. 

Voltar também é a meta do colombiano Jarlinton Zea: “Estou muito agradecido pela USP ter aberto suas portas para mim. Quando terminar meu mestrado, quero voltar ao meu país e retribuir todo o conhecimento para minha região, ajudando a criar empresas e a desenvolver projetos sociais”. Jarlinton conta que participou de um concurso na Colômbia para obtenção de bolsas. Ele poderia escolher fazer mestrado nas melhores universidades do mundo e optou pela USP em São Carlos: “É a melhor universidade da América Latina e eu me impressionei com a quantidade de publicações que os professores daqui têm na área de inteligência artificial”. Durante seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional, o estudante será orientado pelo professor Gustavo Batista. 

Jarlinton: meta é contribuir para criar empresas e o desenvolver projetos sociais na Colômbia

Outro latino-americano que escolheu fazer mestrado no ICMC é o peruano Juan Fuentes. “A infraestrutura aqui é muito boa, a biblioteca, as aulas. E os professores têm muita disposição para ensinar os alunos. Além disso, São Carlos é uma cidade muito tranquila”, diz. Foi por causa de um amigo, que é aluno do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística, que Fuentes conheceu o ICMC e decidiu sair de Lima para se tornar aluno do Programa de Pós-Graduação em Matemática.

Já para Katon Faria, a decisão de que era necessário fazer o mestrado foi tomada apenas em janeiro, quando participou do Programa de Verão em Estatística do ICMC e da UFSCar. “Eu notei que não sabia tanto quanto achei que soubesse e vi que tinha muita coisa para aprender ainda”, conta o ingressante do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística.

Katon ingressou o Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística

Dicas e oportunidades – Representando a Comissão de Pós-Graduação do ICMC, o professor Sérgio Zani deu algumas dicas aos ingressantes e mostrou oportunidades que eles terão à disposição. Zani destacou a importância dos estudantes conhecerem o Regimento da Pós-Graduação da USP, o regulamento específico do programa de pós-graduação em que ingressaram, além de acompanharem seu desempenho via Sistema Janus. 

Entre as oportunidades, ele destacou a possibilidade de receber apoio para participar de eventos no Brasil e no exterior; de realizar estágios no exterior; de obter uma dupla-titulação e de participar do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE). 

Depois, foi a vez do professor Sergio Monari apresentar o panorama histórico do Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC, do qual é coordenador: “Desde o início do Programa, em 1970, até hoje formamos 295 mestres e 217 doutores”. 

Em seguida, o professor Adenilso Simão destacou os dados do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional, do qual é coordenador: “Até o final de 2015, contabilizávamos 1.132 mestres formados e 290 doutores”. Segundo ele, a vocação do Programa daqui em diante será, cada vez mais, aumentar a inserção na formação de doutores. 

Antes do encerramento da cerimônia, os ingressantes também tiveram a oportunidade de saber mais sobre o Programa ICMC de Gestão Socioambiental e de conhecer seus representantes discentes: Victor Barbosa (representante na comissão coordenadora da Pós-Graduação em Matemática), Maria Lydia Fioravanti (representante na comissão coordenadora da Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional) e Leonildo de Azevedo (representante na comissão de Pós-Graduação do ICMC). 

Entre as diversas mensagens marcantes do evento, uma se destaca, proferida pelo diretor do Instituto em nome de todos os professores e funcionários do ICMC: “Desejamos que os laços a serem construídos nesses anos que vocês vão permanecer conosco sejam perenes. A todos vocês, nossos votos de uma carreira muito bem-sucedida e capaz de transformar muitas vidas”.

Nolasco de Carvalho: votos de uma carreira bem-sucedida e capaz de transformar muitas vidas

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Reinaldo Mizutani – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Desafios e oportunidades permeiam o diálogo entre medicina e computação

A busca por construir caminhos unindo essas duas áreas do conhecimento mobiliza pesquisadores em todo o mundo

Para Antani, os especialistas das duas áreas estão aprendendo a se relacionar

“Médicos, engenheiros e cientistas da computação precisam se mover ao mesmo tempo e de forma coordenada. É como uma dança”, revelou Sameer Antani, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). O pesquisador esteve no Brasil de 22 a 25 de junho para participar do 28º Simpósio Internacional de Computação Aplicada a Sistemas Médicos (IEEE International Symposium on Computer-Based Medical Systems – CBMS 2015).

Realizado pela primeira vez na América Latina, o evento reuniu cerca de 100 pesquisadores de 19 diferentes países no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, onde aconteceram as palestras, apresentações de artigos científicos inovadores e de painéis de debate durante os três primeiros dias do Simpósio. Já a apresentação de trabalhos de pós-graduação em andamento e os minicursos voltados à qualificação profissional marcaram o encerramento do evento na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).

Uma das coordenadoras gerais do Simpósio, professora Agma Traina,
do ICMC, durante a abertura do evento
Para Antani, o evento foi uma excelente oportunidade para que médicos e profissionais da área de computação aprendessem juntos. “Os engenheiros e cientistas de computação estão construindo ferramentas para os médicos, mas os médicos precisam entender as limitações dessas ferramentas”, explicou. 

Para Rangaraj Rangayyan, da Universidade de Calgary, do Canadá, há muitos desafios a serem enfrentados para que as técnicas da computação sejam aplicadas de forma mais ampla na medicina, apesar de profissionais de computação e de médicos estarem em busca de um único propósito: encontrar melhores formas de diagnóstico e de tratamento. “É preciso que engenheiros e cientistas de computação entendam o que os médicos precisam, o que os pacientes precisam e como devemos interpretar os sinais médicos em imagens, por exemplo”, disse.

“Nós temos muitas ideias sobre como podemos usar boas técnicas de computação para analisar imagens médicas, mas não sabemos como é a vida do médico, quanto tempo ele leva para analisar um caso, de quais ferramentas ele necessita e quanto tempo ele dispõe para nos ajudar. Por isso, é muito bom estar aqui tentando construir essa relação”, completou Leonard Rodney Long, que também é pesquisador no NIH.

Long, do NIH, também participou do Simpósio

Relação de mão dupla – Rangayyan citou como exemplo as pesquisas que realiza em busca da detecção precoce de câncer em mamografias. Em um primeiro momento, os radiologistas explicam para os profissionais da área de computação como o câncer se apresenta nas mamografias, com o que ele se parece. Depois, esses profissionais precisam traduzir isso em algoritmos, que são uma sequência de comandos passada para o computador a fim de definir uma tarefa. É assim que as máquinas são treinadas para reconhecer os sinais do câncer. O próximo passo é mostrar os resultados computacionais alcançados para os radiologistas, que vão ver se a ferramenta criada funciona de fato. “É um ciclo que requer toda uma comunicação e interação”, completou o pesquisador.

“Não é só a computação que precisa entender a medicina, mas a medicina tem que entender a computação também. Se não tivermos essa relação, não vai ter conversa e vamos continuar separados”, ponderou o professor Caetano Traina, do ICMC. Na visão de Traina, falta compreensão sobre as limitações e imposições da tecnologia. “As pessoas costumam acreditar que se o computador falou, está falado. Esse é o perigo, porque não enxergamos as limitações dos sistemas. É por isso que muitos médicos têm receio de serem confrontados com o resultado de uma ferramenta computacional”, explicou o professor.

Por outro lado, devem ser levadas em conta as consequências do uso da tecnologia: “Por exemplo, se um hospital está informatizado, os procedimentos já estão padronizados. Não adianta o médico querer fazer anotações na margem, pois o prontuário em papel já não existe mais”, detalha Traina. 

Apesar do potencial de provocarem sensações desagradáveis, a tecnologia, na maior parte das vezes, traz consequências positivas. “Hoje, na base de dados do Incor, temos informações de 1,3 milhões de indivíduos. Todas as informações relacionadas à assistência a um paciente estão lá: resultados de exames, procedimentos e medicamentos prescritos, imagens médicas e os nomes dos profissionais de saúde que o atenderam. Esses dados também são utilizados nos nossos protocolos de pesquisa”, revelou Marco Gutierrez, diretor do Serviço de Informática do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. 

A vastidão dessa base de dados possibilita aos pesquisadores investigarem, por exemplo, o efeito do uso de novos medicamentos, já que é possível acompanhar os eventos que aconteceram com o paciente a partir do momento em que o medicamento foi administrado, verificando os efeitos em seus exames laboratoriais e de imagem. Mas essa não é a realidade na maioria dos hospitais brasileiros. Segundo Gutierrez, menos de 15% dos hospitais do país estão totalmente automatizados em termos de sistemas de informação. Nos Estados Unidos, o pesquisador avalia que esse índice está em torno de 30% a 40%. 

Para Gutierrez, o grande desafio é que o investimento necessário para informatizar um hospital é muito alto: “Os hospitais brasileiros investem menos de 1% do seu faturamento anual líquido em informática. Na Europa, os grandes hospitais investem em média 5%. Mas acredito que, com o aumento da demanda e de empresas especializadas nessa área, esse índice deve aumentar no futuro”. Além disso, o diretor também reconhece a necessidade de fortalecer a relação entre profissionais da área de informática e médicos. “A área da saúde ainda requer muito esforço do ponto de vista do desenvolvimento de novas soluções. Simpósios como esse são fundamentais para oxigenar nosso pensamento”, finalizou Gutierrez. 

O CBMS foi realizado pelo ICMC, pela FMRP e pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE), a maior organização profissional do mundo em computação. No próximo ano, o evento acontecerá em Belfast, na Irlanda do Norte.

Rangayyan (à esquerda), professora Agma Traina e Gutierrez
Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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terça-feira, 19 de maio de 2015

Um brinde à ciência: Pint of Science estreia no Brasil

Tecnologia na educação e conhecimento livre foram os temas debatidos na abertura do festival internacional de divulgação científica


Para Monaco, pão francês é um exemplo de sucesso do conhecimento livre

“Não adianta o professor lutar contra a tecnologia em sala de aula, pois isso, de alguma forma, irá atrapalhar o aprendizado”. A frase do professor Seiji Isotani, normalmente ouvida nas salas de aula do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, ecoou em um ambiente diferente na noite da última segunda-feira, 18 de maio. Desta vez, ele falava para uma plateia sentada nas mesas de um restaurante, em frente à praça XV de Novembro, em São Carlos. Todos ali estavam ávidos por saber como a tecnologia pode facilitar o processo de ensino e aprendizagem.

Ao mesmo tempo, a menos de um quilômetro dali, o professor do ICMC Francisco José Monaco explicava para outra plateia – também sentada nas mesas de um restaurante – por que o pão francês pode ser considerado um produto do conhecimento livre. “A receita do pão francês está disponível livremente para todos nós. Não precisaríamos ir à padaria para comprá-lo, mas nós vamos porque, se fizéssemos pão em nossas casas, não sobraria tempo para as outras coisas que temos que resolver”, explicou o professor. 

Essas duas cenas marcaram a estreia do Pint of Science no Brasil, tornando São Carlos a primeira cidade da América Latina a participar do festival de divulgação científica que está mobilizando mais de 50 cidades espalhadas por oito países. O evento prossegue até a próxima quarta-feira, 20 de maio (confira a programação completa). Durante as três noites do festival, cientistas de várias partes do mundo vão sair de seus laboratórios para mostrar o que eles estão pesquisando e qual o impacto disso na vida das pessoas.

Yvonne, Leonardo, Seiji e Edson (da esquerda para a direita):
múltiplas perspectivas sobre o uso da tecnologia na educação

O papo é tecnologia na educação – Para Isotani, o professor atrapalha o processo de aprendizagem quando luta contra a tecnologia em sala de aula: o aluno poderá acessar o conteúdo disponível na internet de uma maneira ilegal ou, se optar por não acessá-lo, provavelmente ficará disperso durante a aula. “Muitos dos problemas que vemos hoje na educação acontecem porque os professores não abraçaram a tecnologia. Precisamos integrar tecnologia e educação. O professor precisa aprender a utilizar as ferramentas tecnológicas a seu favor”, argumenta Isotani.

Entre os convidados para o debate estava a coordenadora de projetos do Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo São Carlos, Yvonne Mascarenhas. Para ela, a curiosidade das crianças e jovens é uma vantagem que os educadores devem valorizar: “Se mostrarmos a eles que existe um mundo de coisas interessantes a ser explorado por meio da tecnologia, eles poderão se divertir e aprender”.

Já o professor do ICMC Edson Moreira, explicou como tem usado as redes sociais em sala de aula para aumentar o interesse dos alunos e diminuir a distância entre professores e estudantes. “Utilizar as redes sociais para criar um espaço de discussão sobre conteúdos extracurriculares pode ser muito interessante”, ressaltou. Ele citou como exemplo os grupos fechados no Facebook que cria para promover a troca de informações por meio de enquetes ou postagens de notícias. “Percebemos que os alunos mais ativos nas redes sociais não são os mais ativos em sala de aula. Ou seja, essa é uma ferramenta muito útil para os mais tímidos e possibilita que os estudantes se conheçam”.

O psicólogo Leonardo Marques completou o debate mostrando como os jogos podem ser úteis para promover o engajamento dos estudantes. Ele também abordou a relevância de adaptar as ferramentas de ensino ao perfil de cada aluno.

Objetivo do evento é promover debates sobre ciência em
ambientes descontraídos como restaurante e bares

O papo é conhecimento livre – O inusitado exemplo de sucesso de conhecimento livre, o pão francês, chamou a atenção do público que acompanhava o debate coordenador pelo professor Monaco. Ele focou sua apresentação em uma das possibilidades do conhecimento sem proprietário: o software livre.

Segundo o professor, para um software ser assim classificado, é preciso existir liberdade para utilizá-lo, modificá-lo e distribui-lo. “O software nasceu livre, em um modelo de gestão de conhecimento baseado no valor da geração do conhecimento. Depois, passamos a ter o software proprietário, em que o modelo é diferente: baseado no valor do comércio”, contou.

Entre os vários convidados para a mesa de debate estavam desenvolvedores de software livre, pesquisadores e estudantes. “A inclusão digital passa pelo software livre”, defendeu Priscila Gutierres, que está cursando Matemática Aplicada e Computação Científica no ICMC. Ela explicou que a vantagem da utilização do software livre na educação não se restringe a sua gratuidade: “Ao usar um software livre, os estudantes podem modificá-lo e participar de comunidades e fóruns que apoiam a utilização dessa ferramenta. Assim, eles passam a ter acesso a um conhecimento que não possuiriam caso comprassem um software em que ninguém pode mexer”, finalizou.

Eventos acontecem até a próxima quarta, 20 de maio

Sobre o Pint of Science – No Brasil, o Pint of Science está sendo realizado pelo ICMC e conta com o apoio dos restaurantes Mosaico e Espaço Sete, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), do Núcleo de Apoio ao Software Livre (NAPSoL) e do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.
Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Com o apoio de Keite Marques - Assessoria de Comunicação da EESC/USP

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Site do evento: www.pintofscience.com.br
Veja o álbum de fotos no Facebook: www.facebook.com.br/pintofsciencebrasil
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