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segunda-feira, 6 de maio de 2019

A ciência resiste no festival Pint of Science

Teorias e conceitos que revolucionaram a ciência continuam sendo debatidos até hoje na mesa do bar: entenda as contribuições que Einstein, Freud e tantos outros cientistas do passado e do presente têm para nos oferecer

Festival de divulgação científica propicia o contato direto entre os pesquisadores e a comunidade
(crédito da imagem: Nilton Junior)

A ciência é construída a partir do acúmulo de uma série de conhecimentos que a humanidade reúne ao longo do tempo em um processo contínuo sem fim. Há indícios de que, desde que a vida humana surgiu no planeta, já praticávamos a arte de compartilhar conhecimentos e experiências. Mas se antes o diálogo se dava no escuro das cavernas, agora temos a oportunidade de realizar esse ritual em espaços mais agradáveis. Levar os pesquisadores a compartilharem seus conhecimentos e experiências diretamente com o público em bares, restaurantes e espaços fora das universidades é exatamente o que propõe o festival de divulgação científica Pint of Science. 

Esta é a quinta vez que São Carlos, no interior de São Paulo, participa da iniciativa. Sob a coordenação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, os bate-papos científicos acontecerão nas noites de 20, 21 e 22 de maio, em sintonia simultânea com outras 86 idades brasileiras e com locais espalhados pelo mundo em 24 países. 

As contribuições que Einstein, Freud e tantos outros cientistas do passado e do presente podem oferecer à humanidade estão entre os temas que serão debatidos em três locais que sediarão a iniciativa em São Carlos: dois bares – La Casa Conveniência e Mandala – e o espaço de inovação ONOVOLAB. Cada espaço vai abrigar um bate-papo por noite, a partir das 19h30, totalizando nove oportunidades para quem quer compreender melhor como se faz ciência no Brasil. 

Os títulos da maioria dos bate-papos têm um viés divertido, já que a ideia do festival é abordar pesquisas das mais diversas áreas do conhecimento de um jeito descontraído. Na segunda, as atrações são O matemágico de 0s; Einstein não morreu: do eclipse ao buraco negro; e A ciência em campo: na vibe das AgriTechs. Já a terça é destinada a falar sobre O mito da criatividade: nem Freud explica; A tabelinha que deu certo; e Encontro marcado: como lidar com a morte. Finalmente, para encerrar as atividades, entram em cena Apertem os cintos, o cientista de dados sumiu; No meio do caminho tinha uma pegada fóssil; e Quando o ensino vai para o espaço. Para conferir a programação completa do evento, saber o que será discutido em cada bate-papo e conhecer os convidados, basta acessar o site https://pintofscience.com.br/events/saocarlos. 

São Carlos foi a primeira cidade brasileira a participar do Pint of Science em 2015, depois a ideia se espalhou pelo país (crédito da imagem: Paulo Arias)

Durante o festival, os pesquisadores vão conversar diretamente com o público e responder perguntas. Não há formalidades como inscrição ou emissão de certificados. Também não é preciso pagar entrada, apenas o que for consumido nos estabelecimentos que sediam o evento. “Realizar uma iniciativa de divulgação científica em um local menos formal do que o meio acadêmico é de extrema importância por dois motivos principais. O primeiro deles é desmistificar a figura dos cientistas, mostrando que são pessoas de carne e osso, que trabalham para gerar conhecimento e formar recursos humanos”, explica o coordenador do Pint of Science em São Carlos, professor Moacir Ponti, que preside a Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC. Ele continua: “O segundo objetivo do Pint é mostrar à sociedade os conhecimentos que são gerados dentro das universidades e dos centros de pesquisa e como isso impacta a vida das pessoas.” 

Para o professor, o Pint of Science contribui para evidenciar como as ciências básicas e as aplicadas podem contribuir para aprimorar a qualidade de vida da sociedade e para a construção de uma sociedade melhor. “Os motivos que atestam a importância do festival vão ao encontro de uma necessidade urgente da sociedade brasileira em conhecer quais seriam os impactos de uma redução nos investimentos no ensino superior e na pesquisa científica”, finaliza Moacir. 

Em São Carlos, o evento conta com o patrocínio da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar (FAI.UFSCar), da Tokenlab e do Kamzoo Cookie Shop. Além disso, a iniciativa tem o apoio de mais quatro empresas (Raccoon, Birdie, Cia Peculiar e Folhetos & Cia), da Embrapa Pecuária Sudeste, da Embrapa Instrumentação e de dois centros de pesquisa vinculados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (Certev). 



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/313624672645460/
Confira a programação em São Carlos: https://pintofscience.com.br/events/saocarlos
Você sabia que São Carlos foi a primeira cidade da América Latina a participar do Pint of Science? Conheça a história do festival: https://pintofscience.com.br/historia/
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 25 de abril de 2018

De Macapá a Porto Alegre: a diversidade da ciência disponível no bar mais próximo

A vastidão e o impacto das pesquisas realizadas no Brasil estarão ao seu alcance durante três dias, em 56 cidades, nos 500 bate-papos científicos que compõem o Pint of Science

A cidade de São Paulo concentra o maior número de bate-papos: 63 no total

Na noite de 14 de maio, a partir das 19h30, enquanto a população de Goiânia (GO) poderá sentar em um bar para descobrir o que é um ser humano, quem estiver em Uberlândia (MG) poderá entender que dor, venenos e bruxas têm tudo a ver com ciência. É neste dia que começa o festival Pint of Science, um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo. 

No Brasil, o evento levará cientistas para conversar com o público, de forma descontraída, em bares e restaurantes de 56 cidades, animando as noites de 14, 15 e 16 de maio com informação, revelações e debates sobre pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento. Para conferir a programação na cidade mais próxima, acesse o site do festival: www.pintofscience.com.br

Para ter uma ideia da vastidão territorial e científica do evento, pense que, na noite de 15 de maio, na mesma hora que os moradores de Santo Antônio de Jesus (BA) estiverem descobrindo o que acontece com nossa memória quando envelhecemos, os participantes do Pint of Science em São José do Rio Preto (SP) terão a oportunidade de conhecer truques de “matemágica” e entender o que faz quem estuda astrobiologia. 

Já na noite de 16 de maio, será a vez dos moradores de Macapá (AP) se divertirem com o projeto Físicos da Alegria, que leva a ciência para pacientes do Hospital da Criança e do Adolescente da cidade. Na mesma noite, em Florianópolis (SC), será revelado o que bactérias em um vulcão na Antártica podem nos dizer sobre a busca de vida fora da Terra. 

É nessa noite que, em Recife (PE), a bióloga Natália Lima Oliveira falará sobre o uso de biossensores em investigações. “A ciência contribui fortemente com a polícia a partir do momento em que, utilizando-se de conceitos e demonstrações simples, pode revelar o acontecimento de um crime, o modo como ocorreu e quem foi o responsável”, argumenta a pesquisadora. Esse lado “CSI” da ciência – o termo vem da série Crime Scene Investigation – também será tema de bate-papos em Belo Horizonte, Brasília, Campinas e Santos. 

Sobre macacos e febre amarela – O festival terá ainda diversos bate-papos sobre fake news, vacinas e febre amarela. “É importante falar da febre amarela em um evento como o Pint of Science porque as pessoas têm muitas dúvidas e ainda vêem o macaco como vilão”, diz a pesquisadora Leticia Jedlicka, que conduzirá a conversa Febre amarela: e o macaco com isso?, em Marabá (PA). 

A febre amarela e as demais infecções que invadiram e assustam o país (e aquelas que ninguém dá a devida atenção) também serão tratadas pela jornalista especializada em saúde e ciência Ruth Helena Bellinghini, em São Paulo (SP). Em reportagem publicada em fevereiro, a jornalista reuniu as principais dúvidas do público a respeito da vacina da febre amarela, via redes sociais e, a partir de pesquisas e entrevistas com profissionais de saúde, respondeu uma a uma. Os paulistanos são os que terão mais bate-papos à disposição: 63 no total.

Outro tema de destaque na programação é a participação feminina na ciência. “Esse tema precisa ser tratado de forma científica”, diz Natalia Pasternak, coordenadora nacional do Pint of Science. Segundo ela, faltam pesquisas sobre esse assunto no Brasil e, por isso, a questão da igualdade de gênero tem sido discutida com base apenas em opiniões e não em evidências científicas.

Outros assuntos a serem discutidos nos bares são: o uso de animais nas pesquisas (50 tons de ética: o uso de animais na ciência), o desastre de Mariana (Quando o Rio Virou Lama: o maior desastre ambiental brasileiro aos olhos da ciência), as criptomoedas (Posso ficar rico com criptomoedas?) e os enigmas (A maneira mais difícil de ganhar um milhão de dólares!). Haverá, ainda, conversas sobre música, cerveja e muito mais. 

A entrada é gratuita – paga-se apenas o que for consumido nos estabelecimentos – e não há necessidade de inscrição. Também não são emitidos certificados de participação. Todos os bate-papos começam às 19h30 (horário local), mas recomenda-se chegar mais cedo, já que não há reserva de lugar. Com certeza, você vai se impressionar com a ciência que é feita no Brasil ao bater um papo com um dos pesquisadores que estarão à sua disposição nesses 500 bate-papos. 

A primeira edição do festival no Brasil aconteceu em São Carlos, no interior de São Paulo, em 2015 


Confira imagens de divulgação do evento no Flickr: icmc.usp.br/e/1bf73

Texto: Denise Casatti e Stefhanie Piovezan 

Contato para a imprensa
Assessoria de comunicação nacional do Pint of Science: (16) 3373-9666 (ICMC/USP) 

Jornalistas responsáveis: 
- Denise Casatti: (11) 9-9125-9459 
- Stefhanie Piovezan: (11) 9-5206-2638

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A cientista que nos protege

Conheça a história de Kalinka Castelo Branco, professora da USP que desenvolve pesquisas para aprimorar a segurança na internet. Durante o festival de divulgação científica Pint of Science, o público terá a oportunidade de conhecer mais sobre os estudos realizados nessa área e verificar o quanto ainda estamos vulneráveis

A professora Kalinka (à esquerda) e alguns de seus orientandos realizam testes usando drones

Ela acorda todos os dias para entrar na “montanha russa” que é a sua rotina. Diante dos altos e baixos dessa aventura, a passageira Kalinka Castelo Branco dedica todo seu trabalho como cientista para ajudar a nos proteger de criminosos virtuais. Os desafios diários desse campo de atuação é o que mais a motiva na empreitada: “Não existe nada desenvolvido com 100% de segurança. É uma área que exige muita criatividade e que a gente tente imaginar o que os outros estão tramando. Sempre terá alguém propondo um novo ataque virtual e isso estimula a pesquisa, pois a torna contínua”.

Desde muito pequena, Kalinka foi apaixonada pelos estudos e, talvez por isso, a opção pela carreira acadêmica não tenha sido tão difícil de ser escolhida. Ela se graduou em Tecnologia em Processamento de Dados pela Fundação Paulista de Tecnologia e Educação (FPTE), em Lins, no interior do Estado de São Paulo. Durante a pós-graduação, especializou-se em Ciências de Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, onde é professora desde 2008. 

Para Kalinka, o ensino é um complemento à atuação como cientista. “Quando estamos em sala de aula, conseguimos respirar e ter mais ideias, pois os alunos nos trazem novos questionamentos. É um ciclo que se completa ao levarmos essas dúvidas às atividades de pesquisa e, posteriormente, trazer os resultados de volta aos estudantes”, ensina a professora-cientista. “Esperamos que nossos alunos sejam melhores do que a gente”, completa.

Já são 22 anos de contribuições científicas que, se depender de Kalinka, estão longe de terminar. Há uma década trabalha com segurança e sistemas embarcados críticos, área de pesquisa que estuda as vulnerabilidades de sistemas ligados à internet. Dessa forma, é possível propor meios de impedir possíveis invasões de criminosos virtuais. 

Para Kalinka, sensibilidade e dedicação são primordiais para um pesquisador. A rotina é dinâmica, não existe feriado ou finais de semana e uma nova ideia pode surgir nas situações mais imprevisíveis. “Um dia estava em casa com minha filha na piscina e passou um avião com sistema de som fazendo propaganda de um circo. Achei curioso e resolvi testar aquele sistema em um drone para propor uma possível campanha de marketing. Isso é ciência”, relata Kalinka. 

Em sua área de pesquisa, a professora começou a investigar uma nova vertente chamada internet das coisas voadoras: “Imagine que drones, por exemplo, estejam conectados à internet. Se essa rede não for segura, qualquer um pode ter acesso e fazer um grande estrago”. A cientista explica que, antigamente, não se dava muita importância à segurança virtual, mas, de alguns anos para cá, com as pessoas cada vez mais conectadas, a área passou a ser enxergada como essencial e inovadora. 

Aliás Socorro: fui hackeado e o drone sumiu é o título de um dos bate-papos que acontecerão durante o festival de divulgação científica Pint of Science, no dia 17 de maio, em São Carlos. Além da professora Kalinka, participarão da conversa a doutoranda Natássya da Silva e o aluno de graduação Marcelo da Silva, ambos do ICMC, e o advogado Guilherme Guimarães. “Vamos dar uma dimensão do quanto todos nós estamos sem privacidade e vulneráveis. Também vamos mostrar que, nas universidades, existem pessoas trabalhando para diminuir os problemas que isso acarreta”, diz Kalinka.

Nova regulamentação da ANAC para drones foi aprovada dia 2 de maio

Regulamentação – Uma nova regulamentação aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) no último dia 2 de maio evita o uso indiscriminado dos drones, delimitando o escopo de uso comercial e recreativo dessas e de outras aeronaves não tripuladas, incluindo aeromodelos. Na opinião da professora, a regulamentação é positiva, já que, quando são estabelecidas regras onde antes não havia, isso contribuiu para que a sociedade olhe para o setor de forma mais cuidadosa. 

“Antes, as pessoas compravam um drone, não importa de que tamanho, e podiam usar para filmar uma multidão em uma passeata ou em um casamento, por exemplo. Agora, isso é crime se for realizado com uma aeronave que pesa mais de 250 gramas sem cadastro prévio na ANAC”, explica a especialista. 

Além de demandar cadastro na ANAC, aeronaves que pesam mais de 250 gramas devem respeitar os 30 metros horizontais de distância das pessoas não envolvidas com a operação ou que não autorizaram aquela ação. Os drones também só podem ser pilotados por maiores de 18 anos: “Com a regulamentação, os pais não podem mais comprar um drone sem se importar com seu tamanho e dá-lo de presente para uma criança como se fosse um simples brinquedo, sem se preocupar com as consequências”.

De qualquer forma, a professora ressalta que o regulamento é apenas um primeiro passo em prol da promoção do desenvolvimento sustentável e seguro do setor. Há, por exemplo, dúvidas em relação ao tipo de curso que a ANAC exigirá dos pilotos. Mas Kalinka ressalta que as novas regras contribuem para preservar a segurança das pessoas.

Sobre o Pint of Science – Na opinião da professora, ainda há uma grande distância separando a sociedade e a ciência. Para ela, eventos como o festival Pint of Science podem ser importantes ferramentas de aproximação. Como nos dias de hoje a maioria das pessoas possuem um celular, promover uma conversa com especialistas que darão dicas para as pessoas aumentaram a segurança ao navegarem em seus dispositivos eletrônicos também pode contribuir para promover essa aproximação.

Este ano, o festival acontecerá em 22 cidades brasileiras nas noites de 15, 16 e 17 de maio. Diversos pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento estarão à disposição para conversar com o público nos bares e restaurantes onde a iniciativa ocorrerá. A participação no evento é gratuita e os interessados só pagarão o que consumirem nos locais. 

Em São Carlos, o evento é realizado pelo ICMC e conta com o apoio de diversas instituições como a Embrapa, a regional do interior paulista da Sociedade Brasileira de Química, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a rádio UFSCar e o Laboratório de Aprendizagem Humana Multimídia Interativa e Ensino Informatizado (LAHMIEI) da UFSCar.

Em âmbito nacional, o festival é patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, eScience Unicamp, Verakis e por quatro Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; e o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades. Confira a programação completa no site www.pintofscience.com.br.

Convidados do bate-papo Socorro: fui hackeado e o drone sumiu, que acontece dia 17 em São Carlos

Texto: Denise Casatti e Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do Pint of Science Brasil


Mais informações
Confira a entrevista da pesquisadora na Rádio UFSCar: icmc.usp.br/e/8f9a1
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O engenheiro que disse não à NASA

Conheça a história de Lucas Fonseca, ex-aluno da USP e coordenador da missão Garatéa-L, que pretende colocar a primeira espaçonave brasileira na órbita da Lua em 2021. Durante o festival de divulgação científica Pint of Science, o público terá a oportunidade de conversar com ele


Um salto gigantesco para o setor aeroespacial brasileiro foi dado em São Carlos em dezembro, quando um balão estratosférico foi lançado da área II do campus da USP

Ele disse “não” a uma vaga de emprego na maior agência espacial do mundo: a NASA. Mas antes que você encontre motivos para a negativa do engenheiro espacial Lucas Fonseca à agência norte-americana, saiba que existe uma ótima explicação: ele só disse “não” porque preferiu participar do que considera “a maior conquista do espaço dos últimos 30 anos”, a missão Rosetta. O projeto da Agência Espacial Europeia enviou uma sonda ao espaço para estudar e, posteriormente, pousar no cometa 67P, que orbita nosso Sistema Solar.

Essa história começou quando Lucas era criança. Ele sempre foi fascinado pelos mistérios do Universo e carregava o sonho de ser astronauta. Visitou por duas vezes a base da NASA no Cabo Canaveral, na Flórida, onde se encantou com os foguetes e traçou como objetivo que um dia trabalharia naquele lugar. Os anos foram se passando e o sonho ficando cada vez mais aceso. Como na época não existia no Brasil cursos de graduação voltados à área aeroespacial, Lucas decidiu estudar engenharia mecatrônica na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) na USP.

Foi durante esse período que o então estudante começou as tentativas de, despretensiosamente, realizar seu desejo. “Eu enviei meu currículo para a NASA inúmeras vezes, mas nunca fui chamado”. Isso não abalou Lucas, que manteve a persistência. Depois de concluir a graduação, resolveu se aproximar mais da sua área de interesse e ingressou no mestrado em engenharia espacial no Instituto Superior de Aeronáutica e Espaço de Toulouse, na França. Eis que, após o término do curso e de diversas tentativas frustradas, o momento mais aguardado de sua vida chegou: o convite da NASA.

Mas o que era para ser um instante de extrema felicidade tornou-se uma incógnita. Ele não esperava que, junto ao convite da agência americana, receberia a oportunidade do governo alemão de trabalhar para a ESA na missão Rosetta. A grandeza e a importância do projeto fez com que Lucas optasse por ficar na Europa, decisão de que não se arrepende: “Fui o único brasileiro a participar da equipe, isso me dá bastante credibilidade nos dias de hoje”.

Lucas sempre foi fascinado pelos mistérios do Universo

Novos desafios – A sede pela exploração espacial dificilmente será saciada por Lucas algum dia, tanto que, quando voltou ao Brasil em 2013, já trazia na bagagem uma nova ambição: executar uma missão no país que ultrapassasse a órbita terrestre. Junto com Douglas Galante, pesquisador graduado em Ciências Moleculares pela USP e especialista em astrobiologia, elaborou um experimento. “Vamos estudar como alguns seres vivos reagem a ambientes extremos. Para isso, enviaremos bactérias dentro de um pequeno satélite que irá circular por um ano na órbita da Lua. Dessa forma, poderemos descobrir se elas sofrem algum tipo de alteração genética”, explica Lucas.

O projeto do satélite lunar recebeu o nome de Garatéa-L e é coordenado por Lucas. Além de receber suporte de empresas e institutos europeus, conta com a participação do Grupo Zenith, da EESC, o qual Lucas ajudou a fundar. Também contribuem com o projeto pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do Instituto Mauá de Tecnologia e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

A ideia da missão coordenada atualmente por Lucas é colocar um experimento científico na órbita da Lua

Amor pelo desconhecido – Um pequeno passo para a Garatéa-L e um salto gigantesco para o setor aeroespacial brasileiro foi dado em São Carlos no dia 19 de dezembro do ano passado, quando um balão estratosférico foi lançado da área II do campus da USP. Havia uma sonda acoplada a esse balão, que foi batizada de Garatéa II – assim chamada por ser o segundo voo da série a levar experimentos a uma altitude de até 30 km. A essa distância do chão, a pressão atmosférica é um centésimo da encontrada ao nível do mar e a camada de ozônio já começa a ficar para trás, permitindo a alta incidência de raios ultravioleta do Sol. Os experimentos e componentes enviados por esse balão serão incorporados, mais tarde, ao satélite lunar Garatéa-L.

Esse será o tema do bate-papo De São Carlos para o espaço: a fronteira final, que acontecerá durante o festival de divulgação científica Pint of Science, na noite de 15 de maio, em São Carlos. É quando o público poderá conhecer detalhadamente o projeto, saber mais sobre as novas tecnologias aeroespaciais que estão sendo desenvolvidas e esclarecer as dúvidas diretamente com Lucas, Douglas e mais dois convidados: o filósofo Alexey Dodsworth e o jornalista Salvador Nogueira.

Lucas e Douglas também participarão do festival em Campinas, durante o bate-papo Da poeira às estrelas, como a humanidade pode conquistar o universo?, na noite de 17 de maio. Quem estiver presente, descobrirá que tipo de tecnologias devem ser desenvolvidas para que possamos habitar outros planetas.

“O Brasil não investe muito no campo aeroespacial e se não começarmos a falar mais sobre o tema e motivar as pessoas a entender e até mesmo querer trabalhar no ramo, vai chegar um momento em que será inviável correr atrás do tempo perdido”, conta o engenheiro, que é proprietário de uma empresa de tecnologia espacial, a Airvantis. Enquanto luta por maior visibilidade da pesquisa espacial, Lucas prosseguirá em busca de novas descobertas: “Fazer o que ainda ninguém fez me motiva muito. Por isso, eu amo o desconhecido”.

Sobre o Pint of Science – 22 cidades brasileiras vão sediar o Pint of Science este ano no Brasil, nas noites de 15, 16 e 17 de maio. Em São Carlos, o evento é realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP; já em Campinas, a iniciativa é realizada pela NuminaLabs. Diversos pesquisadores brasileiros, de diferentes áreas do conhecimento, estarão à disposição para conversar com o público nos bares e restaurantes onde a iniciativa ocorrerá. A participação no evento é gratuita e os interessados só pagarão o que consumirem nos locais. Confira a programação completa no site www.pintofscience.com.br.

Texto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do Pint of Science Brasil

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Site do Pint of Science Brasil: www.pintofscience.com.br
Página no Facebook: https://www.facebook.com/pintbrasil
Assista ao vídeo da missão Garatéa II: https://youtu.be/QoqiUDDEepY
Assessoria de imprensa: (16) 3373-8171
E-mail: pintcomunica@gmail.com

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Confira a programação do festival de divulgação científica que vai invadir 22 cidades brasileiras

Evento será realizado simultaneamente em mais 11 países do mundo nos dias 15, 16 e 17 de maio



As 22 cidades brasileiras que vão realizar o Pint of Science já definiram os temas de seus bate-papos científicos, que acontecerão durante as noites de 15, 16 e 17 de maio. A participação no Brasil é gratuita e os interessados só pagarão o que consumirem nos bares e restaurantes que sediarão o evento. Como não são realizadas inscrições ou reservas antecipadas, recomenda-se que as pessoas cheguem antes para garantir seu lugar. Confira a programação completa no site www.pintofscience.com.br.

Entre as cidades que participarão da iniciativa, 10 são municípios paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, o festival será realizado em cidades localizadas no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste do país: Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Brasília (DF), Curitiba (PR), Dourados (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Teresina (PI). 

O Pint of Science nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP realizou o evento em São Carlos, colocando o Brasil no mapa do evento. Em âmbito nacional, o festival é patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, eScience Unicamp, Galoá e por quatro Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; e o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades. 

No ano passado, 7,3 mil pessoas participaram do evento, que aconteceu em sete cidades brasileiras

Texto: Assessoria de imprensa do Pint of Science Brasil

Mais informações
Site do evento: www.pintofscience.com.br
Assessoria de imprensa do Pint of Science Brasil: (16) 3373-8171
E-mail: pintcomunica@gmail.com

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Festival de divulgação científica invade São Carlos: confira a programação

Viagens ao espaço, novos medicamentos, depressão, autismo, tecnologia no campo e estatística no esporte são alguns dos temas a serem servidos nas mesas de bares e restaurantes da capital da tecnologia dias 15, 16 e 17 de maio

São Carlos foi a primeira cidade da América Latina a realizar o festival

Pense em um casamento perfeito e você chegará à seguinte conclusão: São Carlos mais divulgação científica. A cidade do interior do Estado de São Paulo que possui o maior número de doutores por habitante do Brasil, conhecida como capital da tecnologia, foi a primeira da América Latina a realizar o Pint of Science, um dos maiores festivais de divulgação científica do mundo. O evento leva pesquisadores para falar diretamente com o público em ambientes descontraídos como bares e restaurantes. 

Durante a terceira edição do evento na cidade, que acontecerá dias 15, 16 e 17 de maio, o público poderá participar de nove debates que começam a partir das 19h30 em três locais simultaneamente: Água Doce Cachaçaria, Mosaico e West Brothers. No cardápio deste ano, estão temas como viagens ao espaço, novos medicamentos, depressão, autismo, tecnologia no campo, estatística no esporte, sustentabilidade, materiais feitos com vidro, problemas matemáticos de um milhão de dólares, além de segurança na internet. Confira o menu completo neste link icmc.usp.br/e/ae66c.

Realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o evento é gratuito e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que ocorrerá cada bate-papo. Como não são realizadas inscrições ou reservas antecipadas, recomenda-se que as pessoas cheguem antes para garantir seu lugar. 

Um dos objetivo do evento é levar os cientistas para falar diretamente com o público fora das universidades

Pioneiros – O festival nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o ICMC realizou o evento em São Carlos, colocando o Brasil no mapa do Pint of Science. A proposta de levar os cientistas para falar diretamente com o público fora dos laboratórios de pesquisa deu tão certo que várias instituições procuraram o ICMC para saber como poderiam promover a iniciativa em suas cidades. Em 2016, sete municípios participaram do evento e, este ano, o Pint of Science espalhou-se para 22 cidades brasileiras.

Em âmbito nacional, o festival é patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, eScience Unicamp, Galoá e por quatro Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; e o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades. Na capital da tecnologia, o evento conta, ainda, com a colaboração da Embrapa, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da rádio UFSCar e do Laboratório de Aprendizagem Humana Multimídia Interativa e Ensino Informatizado (LAHMIEI) da UFSCar.

Texto: Denise Casatti e Henrique Fontes




Programação Pint of Science em São Carlos

Segunda-feira, 15/05, às 19h30
  • De São Carlos para o espaço: a fronteira final
    Onde: West Brothers (Avenida Trabalhador sãocarlense, 964 - Parque Arnold Schimidt)
  • Depressão, ansiedade, hiperatividade e autismo: as diferentes formas de perceber o mundo
    Onde: Água Doce Cachaçaria (rua Nove de Julho, 1625 - Centro, São Carlos)
  • Esporte e estatística, uma parceria que dá jogo
    Onde: Mosaico (rua Aquidaban, 1342 – Centro, em frente à praça XV)
Terça-feira, 16/05, às 19h30
  • Bem-vindo à era do vidro: um sólido ou um líquido?
    Onde: West Brothers
  • Ciência para a vida: a tecnologia invade o campo e está na sua mesa
    Onde: Água Doce Cachaçaria
  • Super Mario + matemática = um desafio que vale um milhão de dólares
    Onde: Mosaico
Quarta-feira, 17/05, às 19h30
  • Como desenvolver novos medicamentos a partir da nossa biodiversidade?
    Onde: West Brothers
  • Minha casa, minha cidade, um laboratório sustentável
    Onde: Água Doce Cachaçaria
  • Socorro: fui hackeado e o drone sumiu
    Onde: Mosaico 
Mais informações
Site do Pint of Science Brasil: www.pintofscience.com.br
Programação de São Carlos: icmc.usp.br/e/ae66c
Confirme presença no evento no Facebook:  icmc.usp.br/e/aca72
Assessoria de imprensa do ICMC: (16) 3373-9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um festival de divulgação científica sem fronteiras

Os cientistas vão invadir bares e restaurantes de 22 cidades brasileiras, conectados a um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo, que acontecerá simultaneamente em mais 10 países



Divulgar a ciência para o público em geral é o fio condutor de uma iniciativa que vai unir Brasil, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, França, Irlanda, Itália e Reino Unido. Mais de 100 cidades espalhadas por esses 10 países realizarão simultaneamente, nos dias 15, 16 e 17 de maio, um dos maiores festivais de divulgação científica do mundo: o Pint of Science.

“Este ano, o evento se expandiu e alcançará 22 cidades em todo o Brasil”, revela a coordenadora nacional da iniciativa, Natalia Pasternak. O Pint of Science pode ser comparado a um grande festival de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. Só que, nesse caso, em vez de artistas, há pesquisadores conversando com o público em restaurantes, cafés e bares. No lugar da música, a melodia que será ouvida nesses palcos está relacionada a biologia, computação, engenharia, estatística, filosofia, física, história, matemática, química, sociologia e muito mais. 

“O Brasil é o primeiro país sul-americano a fazer parte do festival e o sucesso estrondoso de 2016 mostra que os brasileiros amam ciência e querem realmente matar sua sede de conhecimento”, destaca Michael Motskin, diretor e fundador do Pint of Science. O festival nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP realizou o evento em São Carlos, no interior paulista, colocando o Brasil no mapa do Pint of Science.

Em 2016, a faísca da divulgação científica se espalhou por sete municípios brasileiros e, este ano, atingirá 10 cidades paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, a iniciativa chegará a municípios brasileiros localizados no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste: Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Brasília (DF), Curitiba (PR), Dourados (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Teresina (PI).

Em 2016, o evento contabilizou um público de aproximadamente 7,3 mil pessoas no Brasil

O evento é gratuito no Brasil e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que acontecerão os bate-papos científicos. “A ciência brasileira enfrenta uma de suas maiores crises de financiamento e credibilidade. Por isso, divulgá-la nunca foi tão importante e tão urgente quanto agora”, explica a coordenadora nacional, que é doutora em genética molecular pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Rede de voluntários – Em cada uma das 22 cidades brasileiras que realizarão o Pint of Science, existe um grupo de voluntários trabalhando para organizar os diversos bate-papos com os pesquisadores. Há um coordenador em cada cidade, bem como coordenadores regionais. O desafio deles é levar o conhecimento científico à população, de uma forma descomplicada, possibilitando que as pessoas esclareçam suas dúvidas diretamente com quem faz ciência. “Restaurantes, cafés e bares também são lugares adequados para os cientistas divulgarem suas pesquisas. Nosso objetivo é mostrar que, sem ciência, tecnologia e inovação, não existe desenvolvimento”, acrescenta Natalia.

Em 2016, o festival mobilizou 118 especialistas brasileiros e 110 voluntários

De acordo com a coordenadora, o Pint of Science possibilita, ainda, que a população conheça como é o trabalho de um pesquisador, uma jornada repleta de encantos e desencantos, tal como a trajetória de qualquer outro profissional. Dessa forma, cria-se a oportunidade para o estabelecimento de uma comunicação mais informal, descontraída e humana entre os cientistas e a população: “É um momento para nos unirmos e fazermos um brinde à ciência, rompendo todas as fronteiras”. 

A programação dos bate-papos que acontecerão nas 22 cidades brasileiras será disponibilizada no site do evento a partir do dia 27 de março. O Pint of Science conta com o apoio de várias instituições e já confirmaram patrocínio em âmbito nacional a Elsevier, a empresa Galoá e três Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades; e o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros.

Programação das cidades será divulgada a partir de 27 de março


Texto: Denise Casatti
Coordenadora da Assessoria de Comunicação do Pint of Science Brasil e Analista de Comunicação no ICMC/USP

Fotos: equipe Pint Ribeirão Preto

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Zika, matemática e empreendedorismo marcam abertura do Pint of Science em São Carlos

Na primeira noite do evento, que aconteceu em três diferentes bares da cidade, festival de divulgação científica atraiu cerca de 230 pessoas

Público lotou Mosaico para conversar sobre Empreendedorismo e universidades
Uma sequência rápida de imagens de ovelhas passa no telão do boteco Vila Brasil e cerca de 100 pessoas escrevem no papel quantos animais acreditam ter visto em cada imagem. Enquanto o público testa sua capacidade natural de percepção direta dos números, uma habilidade que também se apresenta em algumas espécies de animais e aves, um trecho chocante do filme E a vida continua sinaliza o início do bate-papo sobre o zika vírus no Beatniks. Ao mesmo tempo, mais 100 pessoas começam uma conversa animada sobre empreendedorismo no restaurante Mosaico. 

Essas três cenas marcaram a abertura do festival internacional de divulgação científica Pint of Science na noite da última segunda-feira, 23 de maio, em São Carlos. Realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o evento prossegue nesta terça e quarta-feira, dias 24 e 25 de maio, com mais seis bate-papos nos três bares que sediam a iniciativa (confira a programação). 

No boteco Vila Brasil, logo depois da dinâmica com as ovelhas, a professora Esther Prado, do ICMC, levou o público a refletir sobre o surgimento dos numerais e do possível medo da matemática. Logo depois, Jackson Itikawa, pós-doutorando do ICMC que recentemente venceu o FameLab Brasil, contou sua trajetória. “Apesar do meu claro desejo em cursar matemática e de minha facilidade com essa ciência, meus pais, meus professores, meus amigos, todos me disseram que não valia a pena, que era um desperdício. Era muito melhor fazer engenharia. E foi o que fiz”. Só depois de ter cursado Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da USP e trabalhado alguns anos na área, Jackson teve coragem de assumir sua paixão pela matemática. Ele também citou exemplos de como, em nosso dia a dia, aplicamos a matemática sem sequer perceber, e falou sobre a Olimpíada Brasileira de Matemática. Segundo ele, essa iniciativa mobiliza cerca de 20 milhões de estudantes todos os anos e, mais do que fazer as crianças e jovens deixarem de ter medo da matemática, está possibilitando que elas se encantem com essa ciência.

Já Leonardo Perez, professor de matemática na Escola Sesi 108 de São Carlos e no Colégio Oca dos Curumins, e Juliana Mascioli, professora de matemática na Escola Sesi 339 de Araraquara, relataram suas experiências de sucesso e insucesso em sala de aula. “Não há fórmula mágica, mas podemos buscar estratégias para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. É possível conseguir bons resultados se buscarmos tornar os estudantes participantes ativos desse processo e se usarmos situações-problemas que contextualizem o conhecimento”, ressaltou Leonardo.



A Zika pegou o Brasil – Logo depois da exibição do trecho do filme E a vida continua, o professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos, Bento Negrini, apresentou o contexto histórico das epidemias. Ele mostrou como aconteceu a proliferações do vírus da Aids, que chegou ao Brasil em 1981, e do H1N1.

A seguir, o professor Fernando Rodrigues, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, explicou que o vírus zika pode causar sérios danos ao feto quando uma mulher grávida é infectada. “Mas não podemos afirmar que todos os bebês que nasceram com microcefalia, registrados pelo Ministério da Saúde, apresentaram a doença devido ao zika”, afirmou. Por outro lado, o professor Luiz Figueiredo, também da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, lembrou que nem todos os vírus trazem malefícios: “Vários deles estão em nossos organismos e nos protegem”.

Para encerrar, o pós-doutorando do Laboratório de Virologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP, Mario Luis de Figueiredo, falou sobre o surgimento dos mosquitos e da falta de virologistas no Brasil: “Não podemos colocar a culpa de tudo nos mosquitos. É preciso realizar mais estudos sobre esses vetores”. Quem mediou o bate-papo e também ajudou a instigar a reflexão no Beatniks foi a professora Sigrid dos Santos, do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

“Trabalho especificamente com desenvolvimento infantil. Então, eu acho que quanto mais a gente souber lidar com a epidemia da zika e entendê-la para saber o que temos que fazer daqui para frente, melhor será”, disse a enfermeira Letícia Pancieri, uma das participantes do evento. “Em um bar, a conversa fica mais descontraída, a interação é diferente da realizada no ambiente formal da universidade. Por isso, talvez algumas novas questões possam sair dessas discussões”, finalizou.

O empreendedorismo pegou São Carlos – A conversa animada sobre empreendedorismo que agitou o restaurante Mosaico na abertura do Pint of Science foi coordenada pelo gerente de projetos da Bridge, Rafael Meireles. Ele não tem dúvidas de que São Carlos está mesmo se transformando na capital das startups. 

“Está sendo criado aqui um ecossistema de startups muito bem-sucedido. As pessoas tendem a comparar muito nosso modelo com o do Vale do Silício ou o criado em Minas Gerais, no São Pedro Valley. Mas eu acho que cada local tem suas peculiaridades, embora existam pontos em comum”, disse Rafael. Segundo ele, falar sobre esse assunto em um evento como o Pint of Science é uma oportunidade para que as pessoas descubram a semente do empreendedorismo dentro delas. 

“É muito importante ver essas pessoas todas aqui, esses jovens cheios de energia, querendo transformar ideias e conhecimento em produtos e, portanto, buscando dar um retorno para a sociedade”, destacou o professor Edson Moreira, do ICMC. Ele é membro do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e mostrou a metodologia que desenvolveu para estimular seus alunos a transformarem projetos em produtos.

Também participaram do bate-papo no Mosaico o fundador da empresa Petiko, Luciano Miranda, e o professor André Di Thommazo, do Instituto Federal de São Paulo, campus São Carlos. “Eu acho que dificilmente um evento como esse poderia ser realizado dentro da universidade. A ideia de trazer essa conversa aqui para fora, em um ambiente descontraído, é um motivador, um estimulador muito importante e acho que faz parte do sucesso desse evento”, finalizou Edson.

Em São Carlos, o Pint of Science conta com o apoio do CeMEAI, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC). Em âmbito nacional, há o patrocínio da Elsevier.

Edson destacou relevância e sucesso do evento
Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Com a colaboração de Henrique Fonte e Leonardo Zacarin

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Venha brindar a ciência na capital da tecnologia

São Carlos terá nove bate-papos gratuitos em três diferentes bares nas noites dos dias 23, 24 e 25 de maio durante o festival Pint of Science

Primeira edição do evento foi tão bem-sucedida que, este ano, iniciativa se espalhou para mais seis cidades

Sentar na mesa de um bar para uma conversa descontraída sobre a epidemia de Zika, o medo da matemática, o desafio de empreender, a psicologia dos games, as mudanças climáticas, o envelhecimento, a inteligência artificial, a comunicação científica e as ondas gravitacionais. Essa é a proposta do Pint of Science em São Carlos, o festival internacional de divulgação científica que acontecerá em três bares da cidade na próxima semana, durante os dias 23, 24 e 25 de maio. 

Realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, a iniciativa ocorreu pela primeira vez no Brasil no ano passado. A proposta de levar os cientistas para falar diretamente com o público em um ambiente descontraído deu tão certo que várias pessoas procuraram o Instituto para saber como poderiam promover o festival em suas cidades. Resultado: este ano o Pint of Science espalhou-se para mais seis cidades brasileiras e acontecerá na capital paulista, fluminense, mineira e nas cidades de Ribeirão Preto, Campinas e também em Dourados, no Mato Grosso do Sul. 

É como se fosse um grande festival de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. Só que, nesse caso, os artistas são os pesquisadores e demais participantes convidados para conversar com o público.

Durante as três noites do evento em São Carlos, o público poderá participar gratuitamente de nove debates que acontecerão em três bares: no Beatniks, no Mosaico e no Vila Brasil. A cada noite, a partir das 19h30, três temas atuais serão discutidos (veja a programação completa abaixo). O evento é gratuito e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que ocorrerá cada bate-papo. Como não são realizadas inscrições ou reservas antecipadas, para garantir um lugar é preciso chegar antes das vagas se esgotarem.

Em São Carlos, o evento conta com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em âmbito nacional, há o patrocínio da Elsevier.

São Carlos foi a primeira cidade da América Latina a participar do evento

Mais 11 países – Além do Brasil, outros 11 países vão realizar o Pint of Science nos dias 23, 24 e 25 de maio: África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Irlanda e Itália. Uma rede global com mais de 100 cidades será construída especialmente para brindar a ciência durante o festival, que começou na Inglaterra em maio de 2013. 

A ideia surgiu quando dois pesquisadores do Imperial College London, Michael Motskin e Praveen Paul, organizaram um evento chamado Encontro com pesquisadores em 2012. Nesse encontro, pessoas acometidas por Alzheimer, Parkinson, doenças neuromusculares e esclerose múltipla foram convidadas para conhecer os laboratórios dos pesquisadores e ver de perto o tipo de pesquisa que realizavam. A experiência foi tão inspiradora que os dois decidiram propor um evento em que os pesquisadores poderiam sair de seus laboratórios para conversar diretamente com as pessoas. Nasceu, assim, o Pint of Science, que rapidamente se espalhou pelo mundo.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC
Fotos: Paulo Arias
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Site do Pint of Science: www.pintofscience.com.br

Contato para esta pauta
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

PROGRAMAÇÃO DO PINT OF SCIENCE EM SÃO CARLOS


Segunda-feira, 23/05, às 19h30



Terça-feira, 24/05, às 19h30

  • Os games na psicologia e a psicologia dos games. Onde: Beatniks.

  • Envelhecimento: o que acontece com o nosso corpo e como a tecnologia poderá nos ajudar. Onde: Mosaico.

  • Vacas, puns, arrotos e seus efeitos sobre o planeta. Onde: Vila Brasil.

Quarta-feira, 25/05, às 19h30

  • Meu emprego, minha vida: o que muda na era da Inteligência Artificial. Onde: Beatniks.

  • Surfando nas ondas gravitacionais. Onde: Mosaico.

  • Ciência com cor e sabor: comunicação científica, jornalismo literário e suas possibilidades. Onde: Vila Brasil.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Um brinde à ciência: sete cidades, três noites e um festival que vai tirar os cientistas das universidades

Levar os pesquisadores para conversarem sobre ciência em restaurantes, cafés e bares é o objetivo do Pint of Science, evento que vai mobilizar sete cidades brasileiras nos dias 23, 24 e 25 de maio e acontecerá simultaneamente em mais 11 países

Nas três noites do festival, mais de 100 cidades em todo o mundo vão brindar a ciência

Os cientistas vão invadir restaurantes, cafés e bares de sete cidades brasileiras nos dias 23, 24 e 25 de maio. Serão três noites dedicadas a brindar a ciência durante o festival internacional de divulgação científica Pint of Science, que acontecerá este ano em Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Dourados (MS), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Carlos (SP) e São Paulo (SP). O Brasil é o único país da América Latina a participar da iniciativa, que será realizada simultaneamente em mais 11 países.

Em cada uma das sete cidades brasileiras, um grupo de voluntários está trabalhando para organizar diversos bate-papos com pesquisadores. O desafio deles é levar à população o conhecimento sobre questões que têm desafiado os cientistas, possibilitar que as pessoas esclareçam suas dúvidas diretamente com quem faz ciência e mostrar que a jornada de um pesquisador é repleta de encantos e desencantos, tal como toda trajetória humana.

“Nesta época de obscurantismo e acesso fácil à desinformação, o Pint of Science surge como uma oportunidade de ser uma vela na escuridão, diminuindo o abismo entre os cientistas e a sociedade”, ressalta a coordenadora da iniciativa no Brasil, Natalia Pasternak. “O evento também cria a oportunidade de estabelecermos uma comunicação mais informal, descontraída e humana, a fim de que possamos, todos juntos, oferecer um brinde à ciência”, acrescenta.

A iniciativa segue o modelo dos grandes festivais de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. Só que, nesse caso, os artistas são os pesquisadores e demais participantes convidados para conversar com o público em cada restaurante, café e bar que vai abrigar o Pint of Science. Em vez de música, a sinfonia que será ouvida nesses palcos está ligada a átomos, genes, vírus, cérebro, sociedade, tecnologia, sustentabilidade, planetas, galáxias e muito mais. Haverá uma verdadeira orquestra de temas, que serão discutidos por um coral de vozes. Para conferir a programação de cada cidade, basta acessar o site www.pintofscience.com.br. No Brasil, o evento é gratuito e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que acontecerão os bate-papos científicos, que começam sempre às 19h30.

Evento é gratuito e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais que vão abrigar o festival

Da Inglaterra para o mundo – A primeira edição do Pint of Science aconteceu na Inglaterra em maio de 2013. A ideia surgiu um ano antes, quando dois pesquisadores do Imperial College London, Michael Motskin e Praveen Paul, organizaram um evento chamado Encontro com pesquisadores. Nesse encontro, pessoas acometidas por Alzheimer, Parkinson, doenças neuromusculares e esclerose múltipla foram convidadas para conhecer os laboratórios dos pesquisadores e ver de perto o tipo de pesquisa que realizavam. A experiência foi tão inspiradora que os dois decidiram propor um evento em que os pesquisadores poderiam sair de seus laboratórios para conversar diretamente com as pessoas. Nasceu, assim, o Pint of Science. 

A iniciativa rapidamente foi se espalhando para outros países e, no ano passado, o evento aconteceu pela primeira vez no Brasil, na cidade de São Carlos. Em 2016, voluntários das sete cidades brasileiras que abrigarão o festival abraçaram a ideia e contam com o apoio de várias instituições. Em âmbito nacional, a Elsevier está apoiando o Pint of Science.

Além do Brasil, os outros 11 países que vão participar da iniciativa nos dias 23, 24 e 25 de maio são: África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Irlanda e Itália. Nas três noites do festival, uma rede global com mais de 100 cidades será construída especialmente para brindar a ciência.



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Paulo Arias

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