Mostrando postagens com marcador diálogo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador diálogo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Setembro Amarelo no ICMC: participe das atividades e faça a vida florescer

No mês destinado à prevenção do suicídio, diversos eventos acontecerão no ICMC para promover a conscientização da comunidade, discutindo os mitos que rondam o tema

As atividades são abertas a todos os interessados, não demandam inscrições prévias e começam quinta-feira, 12 de setembro

Muitas inquietações carregam aqueles que precisam lidar com a dor do suicídio. Às vezes, sentimos não ser um ouvido que acolhe, uma voz que tranquiliza, um abraço que acalenta. A inquietação segue também quem, um dia, já tentou tirar a própria vida. Há, ainda, os que pensam sobre o assunto, mas jamais teriam coragem de dizer. Conversar sobre essas muitas inquietações – tão cheias de silêncio –, é o principal objetivo de uma série de atividades que acontecerão a partir deste mês no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Conhecido como Setembro Amarelo, o mês é dedicado à prevenção ao suicídio. A proposta surgiu em 2014 a partir de uma união de esforço do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. No ICMC, as ações da campanha serão promovidos pelo Grupo de Apoio Psicopedagógico (GAPsi) e têm como objetivo abrir possibilidades de diálogo sobre o tema e conscientizar a comunidade a respeito dos mitos que rondam o suicídio. 

Os eventos são abertos a todos os interessados, não demandam inscrições prévias e começam na próxima quinta-feira, dia 12 de setembro, com uma roda de acolhimento e conversa mediada pela professora Tais Bleicher, do Departamento de Psicologia da UFSCar. Para participar, basta comparecer ao auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC, às 9h30. 

Já o bate-papo Amigos em risco: como posso ajudar? acontece na terça-feira, 24 de setembro, a partir das 13 horas, também no auditório do bloco 4. A atividade será mediada pela funcionária Maria Fernanda Marreta, que é psicóloga e membro do GAPsi. O tema vai nortear, ainda, um minicurso sobre detecção de risco e prevenção ao suicídio, com quatro horas de duração, que ocorrerá no início de outubro. Um formulário para manifestação de interesse em participar da ação está disponível neste link: icmc.usp.br/e/105a8. A ideia é identificar a disponibilidade dos interessados, possibilitando alcançar o maior número possível de participantes. 

O que é o GAPsi – Quem não sabe como funciona o Grupo de Apoio Psicopedagógico do ICMC poderá conhecê-lo em duas oportunidades: na quarta-feira, 18 de setembro, a partir das 14 horas, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6; e no dia 9 de outubro, a partir das 18 horas, no auditório Luiz Antonio Favaro. Esses dois eventos serão mediados pela professora Simone de Souza, que é coordenadora do GAPsi. 

O Setembro Amarelo também vai colorir as telas da sessão especial do PETCult, que acontecerá na quinta, 19 de setembro, a partir das 19 horas, no auditório do bloco 6. Logo após a exibição de um filme, haverá debate mediado por alunos que participam do Programa de Educação Tutotal (PET-Computação) e por membros do GAPsi. 

Em um cenário em que, a cada 40 segundos uma pessoa coloca fim à vida em algum lugar do mundo, falar sobre suicídio é a única forma de fazer a vida florescer. Conversar sobre nossas inquietações pode tornar a vida mais leve e colorida. 


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC
Crédito da primeira imagem: Fernando Mazzola

Mais informações
Site da campanha Setembro Amarelo: www.setembroamarelo.com
Cartilha Suicídio - Informando para prevenir: icmc.usp.br/e/3f741
Setembro Amarelo no ICMC no Facebook: 
Grupo de Apoio Psicopedagógico do ICMC: (16) 3373.9146
E-mail: gapsi@icmc.usp.br

Setembro Amarelo no ICMC

Roda de acolhimento e conversa sobre suicídio 
Quando: quinta-feira, 12 de setembro, às 9h30 
Local: auditório Luiz Antonio Favaro (4-111), no bloco 4 do ICMC 
Mediadora: professora Tais Bleicher (UFSCar) 

O GAPsi te escuta! Venha conhecer o Grupo! 
Quando: quarta-feira, 18 de setembro, às 14 horas 
Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (6-001), no bloco 6 do ICMC 
Mediadora: professora Simone do Rocio Senger de Souza (ICMC) 

PETCult especial Setembro Amarelo 
Quando: quinta-feira, 19 de setembro, às 19 horas 
Local: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (6-001), no bloco 6 do ICMC 
Mediadores: membros do PET e do GAPsi 

Amigos em risco: como posso ajudar? 
Quando: terça-feira, 24 de setembro, às 13 horas 
Local: auditório Luiz Antonio Favaro (4-111), no bloco 4 do ICMC 
Mediadora: Maria Fernanda Marreta (ICMC) 

Minicurso Amigos em risco: como posso ajudar? 
Quando: a definir, de acordo com a disponibilidade dos interessados (proposta: semana de 7 a 11 de outubro) 
Formulário para manifestar interesse: icmc.usp.br/e/105a8

O GAPsi te escuta! Venha conhecer o Grupo! 
Quando: quarta-feira, 9 de outubro, às 18 horas 
Local: auditório Luiz Antonio Favaro (4-111), no bloco 4 do ICMC 
Mediadora: professora Simone do Rocio Senger de Souza (ICMC) 

Setembro amarelo no campus da USP em São Carlos 
Eventos promovidos pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC): 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Desafios e oportunidades permeiam o diálogo entre medicina e computação

A busca por construir caminhos unindo essas duas áreas do conhecimento mobiliza pesquisadores em todo o mundo

Para Antani, os especialistas das duas áreas estão aprendendo a se relacionar

“Médicos, engenheiros e cientistas da computação precisam se mover ao mesmo tempo e de forma coordenada. É como uma dança”, revelou Sameer Antani, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). O pesquisador esteve no Brasil de 22 a 25 de junho para participar do 28º Simpósio Internacional de Computação Aplicada a Sistemas Médicos (IEEE International Symposium on Computer-Based Medical Systems – CBMS 2015).

Realizado pela primeira vez na América Latina, o evento reuniu cerca de 100 pesquisadores de 19 diferentes países no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, onde aconteceram as palestras, apresentações de artigos científicos inovadores e de painéis de debate durante os três primeiros dias do Simpósio. Já a apresentação de trabalhos de pós-graduação em andamento e os minicursos voltados à qualificação profissional marcaram o encerramento do evento na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP).

Uma das coordenadoras gerais do Simpósio, professora Agma Traina,
do ICMC, durante a abertura do evento
Para Antani, o evento foi uma excelente oportunidade para que médicos e profissionais da área de computação aprendessem juntos. “Os engenheiros e cientistas de computação estão construindo ferramentas para os médicos, mas os médicos precisam entender as limitações dessas ferramentas”, explicou. 

Para Rangaraj Rangayyan, da Universidade de Calgary, do Canadá, há muitos desafios a serem enfrentados para que as técnicas da computação sejam aplicadas de forma mais ampla na medicina, apesar de profissionais de computação e de médicos estarem em busca de um único propósito: encontrar melhores formas de diagnóstico e de tratamento. “É preciso que engenheiros e cientistas de computação entendam o que os médicos precisam, o que os pacientes precisam e como devemos interpretar os sinais médicos em imagens, por exemplo”, disse.

“Nós temos muitas ideias sobre como podemos usar boas técnicas de computação para analisar imagens médicas, mas não sabemos como é a vida do médico, quanto tempo ele leva para analisar um caso, de quais ferramentas ele necessita e quanto tempo ele dispõe para nos ajudar. Por isso, é muito bom estar aqui tentando construir essa relação”, completou Leonard Rodney Long, que também é pesquisador no NIH.

Long, do NIH, também participou do Simpósio

Relação de mão dupla – Rangayyan citou como exemplo as pesquisas que realiza em busca da detecção precoce de câncer em mamografias. Em um primeiro momento, os radiologistas explicam para os profissionais da área de computação como o câncer se apresenta nas mamografias, com o que ele se parece. Depois, esses profissionais precisam traduzir isso em algoritmos, que são uma sequência de comandos passada para o computador a fim de definir uma tarefa. É assim que as máquinas são treinadas para reconhecer os sinais do câncer. O próximo passo é mostrar os resultados computacionais alcançados para os radiologistas, que vão ver se a ferramenta criada funciona de fato. “É um ciclo que requer toda uma comunicação e interação”, completou o pesquisador.

“Não é só a computação que precisa entender a medicina, mas a medicina tem que entender a computação também. Se não tivermos essa relação, não vai ter conversa e vamos continuar separados”, ponderou o professor Caetano Traina, do ICMC. Na visão de Traina, falta compreensão sobre as limitações e imposições da tecnologia. “As pessoas costumam acreditar que se o computador falou, está falado. Esse é o perigo, porque não enxergamos as limitações dos sistemas. É por isso que muitos médicos têm receio de serem confrontados com o resultado de uma ferramenta computacional”, explicou o professor.

Por outro lado, devem ser levadas em conta as consequências do uso da tecnologia: “Por exemplo, se um hospital está informatizado, os procedimentos já estão padronizados. Não adianta o médico querer fazer anotações na margem, pois o prontuário em papel já não existe mais”, detalha Traina. 

Apesar do potencial de provocarem sensações desagradáveis, a tecnologia, na maior parte das vezes, traz consequências positivas. “Hoje, na base de dados do Incor, temos informações de 1,3 milhões de indivíduos. Todas as informações relacionadas à assistência a um paciente estão lá: resultados de exames, procedimentos e medicamentos prescritos, imagens médicas e os nomes dos profissionais de saúde que o atenderam. Esses dados também são utilizados nos nossos protocolos de pesquisa”, revelou Marco Gutierrez, diretor do Serviço de Informática do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. 

A vastidão dessa base de dados possibilita aos pesquisadores investigarem, por exemplo, o efeito do uso de novos medicamentos, já que é possível acompanhar os eventos que aconteceram com o paciente a partir do momento em que o medicamento foi administrado, verificando os efeitos em seus exames laboratoriais e de imagem. Mas essa não é a realidade na maioria dos hospitais brasileiros. Segundo Gutierrez, menos de 15% dos hospitais do país estão totalmente automatizados em termos de sistemas de informação. Nos Estados Unidos, o pesquisador avalia que esse índice está em torno de 30% a 40%. 

Para Gutierrez, o grande desafio é que o investimento necessário para informatizar um hospital é muito alto: “Os hospitais brasileiros investem menos de 1% do seu faturamento anual líquido em informática. Na Europa, os grandes hospitais investem em média 5%. Mas acredito que, com o aumento da demanda e de empresas especializadas nessa área, esse índice deve aumentar no futuro”. Além disso, o diretor também reconhece a necessidade de fortalecer a relação entre profissionais da área de informática e médicos. “A área da saúde ainda requer muito esforço do ponto de vista do desenvolvimento de novas soluções. Simpósios como esse são fundamentais para oxigenar nosso pensamento”, finalizou Gutierrez. 

O CBMS foi realizado pelo ICMC, pela FMRP e pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE), a maior organização profissional do mundo em computação. No próximo ano, o evento acontecerá em Belfast, na Irlanda do Norte.

Rangayyan (à esquerda), professora Agma Traina e Gutierrez
Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br