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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Maratona de divulgação científica: iniciativa da USP São Carlos está com inscrições abertas

Pesquisadores, comunicadores e demais interessados em popularizar a ciência poderão participar de um workshop no sábado, dia 26 de outubro, para preparem suas apresentações, que serão realizadas no dia seguinte

Os responsáveis pelas melhores apresentações realizadas no dia 27 de outubro serão convidados a participar da edição local do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, em 2020

Promover uma série de apresentações rápidas e sequenciais para explicar conceitos científicos, de forma descomplicada e atraente, à população de São Carlos. Essa é a proposta do evento Divulgathon: ciência sem barreiras, uma verdadeira maratona de divulgação científica que será realizada no dia 27 de outubro, domingo, pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Antes da maratona, os atletas da divulgação científica participarão de um treinamento intensivo no dia anterior, das 9 às 18 horas. Especialistas da área explicarão conceitos relevantes para quem deseja contribuir com a popularização da ciência. Também haverá exercícios práticos para despertar a criatividade, aprimorar as habilidades de comunicação oral, o trabalho em equipe e a capacidade de autorreflexão dos participantes em relação a como fazem divulgação científica e a como poderiam fazer melhor. 

Para participar do treinamento e, depois, apresentar-se no Divulgathon: ciência sem barreiras, não é preciso ter experiência prévia, basta preencher o formulário disponível neste link: icmc.usp.br/e/9b4a9. A participação é gratuita e há apenas 70 vagas, por isso, haverá uma pré-seleção dos inscritos. Serão considerados como critérios de seleção as experiências anteriores em divulgação científica bem como a área de atuação dos inscritos, já que a ideia do evento é promover a diversidade, a pluralidade e a interdisciplinaridade. 

As inscrições vão até domingo, dia 13 de outubro, e a divulgação dos selecionados acontecerá na semana de 14 de outubro por meio do site do ICMC e por e-mail. Esta é a primeira edição do Divulgathon, um evento público em que jurados vão avaliar as apresentações de divulgação científica e selecionarão as três melhores. Como reconhecimento, os responsáveis por essas apresentações serão convidados a participar da edição local do maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que ocorrerá nos dias 11, 12 e 13 de maio de 2020. 

O Divulgathon também faz parte das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Inscreva-se no Divulgathon: icmc.usp.br/e/9b4a9 
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 14 de maio de 2019

Professor da USP cria diário para mostrar como é o dia a dia em uma universidade pública

Ele dá aulas de computação, orienta alunos e desenvolve pesquisas em processamento de imagens, coordena um projeto na área de divulgação científica, canta no Coral da USP, em São Carlos, e decidiu relatar tudo isso em textos e imagens

O diário de um professor da universidade pública brasileira: Moacir Ponti publicou o primeiro texto dia 6 de maio

A balbúrdia tomava conta da web com imagens e textos sendo compartilhados à exaustão: supostamente, todos retratavam o que acontece dentro das universidades públicas brasileiras. Foi então que o professor Moacir Ponti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, decidiu agir: na segunda-feira, dia 6 de maio, ele começou a escrever O diário de um professor da universidade pública brasileira. Mais de três mil pessoas já acessaram o conteúdo disponibilizado por Moacir na plataforma Medium, em que relatou, durante cinco dias consecutivos, os detalhes de sua rotina. 

“Essa é uma série de posts para desmistificar o dia a dia da universidade pública. Vou registrar minha semana e postar um dia por vez aqui, um tipo de Big Brother. Se você só ouviu falar sobre como é uma universidade pública, aqui vai ter uma boa amostra da realidade. Já fui professor da Universidade Federal de Viçosa também, no Campus de Rio Paranaíba-MG, e posso dizer que a rotina é parecida, guardando as devidas particularidades de cada cidade, região e universidade”. É assim que Moacir anuncia o início de sua empreitada, ressaltando que se trata de uma iniciativa individual e que as opiniões descritas não refletem, necessariamente, as da instituição para a qual trabalha. 

Ao relato, o professor agrega diversas imagens das aulas que ministra, das reuniões com os alunos que orienta e de todos os demais projetos de que participa. Há momentos em que a narrativa traz alento ao leitor, como quando ele conta a primeira ação da segunda-feira: “A primeira atividade é uma reunião na Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI-UFSCar) para discutir parcerias para o Pint of Science 2019, um evento de divulgação e popularização da ciência. A reunião foi um sucesso, e saio de lá com boas perspectivas. É fundamental divulgar a ciência para que todos saibam como a pesquisa científica nos impacta diretamente, estimulando a economia, tornando-nos mais produtivos e fortalecendo o país.” 

Este ano, Moacir é responsável pela coordenação do festival Pint of Science em São Carlos, que acontece nas noites de 20, 21 e 22 de maio. Afinal de contas, as funções de um professor universitário vão além de ensinar e pesquisar, também é preciso promover ações de cultura e extensão universitária: “Não fosse pela arte, cultura e música, não sei se conseguiria manter minha própria sanidade. São esses os principais refúgios para a mente e daí a importância de valorizar ações nessa direção, dentro e fora da universidade”. 

No fim de quarta-feira, 8 de maio, Moacir participa de uma reunião do Clube do Livro, ação promovida pelo Programa de Educação Tutorial (PET-Computação) do ICMC. Pautada pelo romance “A casa dos espíritos”, de Isabel Allende, trama que se passa no contexto do golpe militar chileno, a discussão termina com o grupo apreciando doces em forminhas brancas, vermelhas e azuis, tal como as cores da bandeira do Chile. Encerrando o relato desse dia, o professor desabafa e compartilha sua dor: “Há dias felizes, mas hoje é definitivamente triste. Com tanto potencial na universidade para educar, criar, desenvolver e inovar, constatar que essa não é uma prioridade dos nossos representantes traz desânimo e acaba por deixar amargo esse fim de quarta-feira (apesar dos doces). E esse amargor não parece que vai embora tão cedo. Apesar disso, amanhã há de ser outro dia — estão vindo várias músicas desse tipo na minha cabeça hoje, vai saber o porquê — e terá mais aula, mais trabalho e mais universidade pública resistindo”. 

O livro de Isabel Allende repousa ao lado dos doces em forminhas coloridas


Na sala de aula – Em diversos momentos do diário, Moacir conta o que acontece dentro da sala de aula e confessa o quanto gosta de ministrar disciplinas para alunos do primeiro ano do curso de Ciências de Computação. “Hoje pela manhã fiz os calouros sofrerem um pouco com os detalhes do gerenciamento dinâmico de memória e diferentes representações da informação no computador”, assim começa a narrativa de quinta-feira, 9 de maio. 

Na sequência, o professor explica um relevante conceito da área de computação: “Algumas pessoas já sabem que tudo no computador é, na verdade, armazenado, processado e transmitido em binário. Sim, tudo é codificado usando apenas 0 ou 1, o que chamamos de bit. Essa é a menor parcela de informação — 0 e 1 pode significar, respectivamente “desligado” e “ligado”, “aberto” e “fechado”, “ausente” e “presente”, etc. (tente imaginar algo que retenha menos informação que isso). Quando encadeados em sequência, escrevemos coisas mais complexas. Por exemplo, vamos combinar um código simples de 4 bits, em que: 0001 — significa a letra “A”; 0010 — significa a letra “B”; 0011 — significa a letra “C”; 0101 — significa a letra “E”. Assim, 0010 0101 0011 0001, codifica a palavra 'BECA'. Nos computadores, a codificação padrão para caracteres tem 8 bits. Chamamos 8 bits de 1 byte — e essa palavra você já deve ter ouvido falar.” 

Na lousa, o exemplo do tipo de conhecimento que se dissemina em uma sala de aula de uma universidade pública

O trecho acima é um exemplo do tipo de conhecimento que se dissemina em uma sala de aula de uma universidade pública. Moacir continua o relato completando: “Na aula de hoje usamos a representação ASCII para montar “sequências de letras”. Assim, dá para programar coisas como esse post, que nada mais é do que uma lista em que cada linha é uma sequência de letras e pontuação, formando um texto. Só que, para que a lista tenha textos com tamanhos diferentes (cada parágrafo, por exemplo, é formado por uma quantidade diferente de letras), tem que conhecer bem como funciona a memória e como gerenciá-la. Isso para que os aplicativos de seu celular ou os programas do se computador funcionem certinho, sem ficarem lentos, sem travarem, sem fecharem sozinhos. E isso tudo para permitir codificar texto — sem formatação, imagens e outras coisas que ainda serão abordadas em outras aulas ou matérias do curso.” 

Pelo conteúdo abordado nesse exemplo, já é possível perceber que uma parcela do tempo de um professor de uma universidade pública deve ser dedicada à preparação das aulas: “As aulas que eu estou ministrando esse semestre já estão na sua quarta ou quinta edição. Ainda assim, eu gasto cerca de duas a três horas de preparação por hora de aula dada. Quando é uma disciplina completamente nova, eu chego a gastar de cinco a seis horas de preparação por cada hora em sala de aula.” 

Moacir na reunião com seus orientandos de iniciação científica, mestrado e doutorado

No grupo de pesquisa – Nas tardes de quarta-feira, acontecem as reuniões com os estudantes que são orientados por Moacir para desenvolver pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado. A cada semana, um desses estudantes fica responsável por apresentar, durante cerca de 20 minutos, um seminário aos demais, abordando um novo assunto ou falando sobre algum artigo ou conceito científico que poderá interessar aos demais. Depois, todos compartilham o andamento de seus projetos para que um possa contribuir com o trabalho do outro. Afinal de contas, hoje em dia não se faz ciência sozinho, não é mesmo Moacir? 

“A ciência de hoje usa o mecanismo chamado revisão por pares. Não basta para um cientista obter conclusões sozinho, é preciso passar pela avaliação de outros pesquisadores (pares), de outras universidades e mesmo outros países.” Note que, para que um estudo científico tenha validade, é preciso divulgá-lo em publicações especializadas naquela área de conhecimento – são os chamados artigos científicos ou papers. É então que entra em cena a revisão por pares: os artigos que Moacir e seus orientandos escrevem são avaliados por outros pesquisadores antes de serem publicados, assim como Moacir avalia os artigos de outros pesquisadores. “Idealmente esse processo é anônimo (chamamos de revisão “cega”), diminuindo seu viés”, explica o professor. Por isso, em vários trechos do diário, surgem notícias sobre a revisão, a publicação, a submissão, a aprovação ou a reprovação de artigos, pois isso faz parte da rotina da vida de qualquer pesquisador. 

Entre os diversos projetos que são citados nos posts do professor, há desde trabalhos que analisam imagens de plantações – uma tecnologia que tem potencial para ajudar a diminuir o volume de agrotóxicos e herbicidas no campo –, até a recuperação de imagens relacionando conteúdos visuais distintos, algo que pode ser relevante em aplicações médicas, facilitando, por exemplo, a localização de exames de pacientes que apresentem características similares. A área de pesquisa em que Moacir atua pode, ainda, trazer relevantes contribuições para alertar sobre o risco de queda em idosos, fornecendo subsídios para que sejam efetuadas intervenções preventivas, e até mesmo auxiliar na adoção de melhores políticas públicas por meio da identificação do nível de fragilidade de idosos que são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Na imagem, podemos ver os sinais captados por um acelerômetro: aparelho mensurou a marcha de idosos

Exemplos de espectrogramas gerados a partir dos sinais de aceleração: nesse caso, o sinal captado pelo acelerômetro se transforma em uma imagem, o que pode facilitar a análise dos dados obtidos e contribuir para alertar sobre o risco de queda em idosos

No fim do diário, Moacir diz que seguirá, enquanto puder, “recebendo alunos para orientar e tirar dúvidas, preparando e ministrando aulas, pensando em novas ideias e as colocando em prática, levando o conhecimento para fora da universidade, nessa lida sem fim do professor e pesquisador”. Na opinião dele, sempre haverá “um problema para ser resolvido, e alguma coisa nova para pesquisar, sempre existirão pessoas querendo aprender, e a humanidade sempre precisará de avanços: nas exatas, humanas, biológicas e outras, porque não se constrói conhecimento isolado, os maiores impactos vêm dos estudos envolvendo todas as áreas”. Antes do ponto final, o professor conclui: “a universidade pública vai continuar necessária e relevante para uma sociedade com menos desigualdade, mais educada e preparada para os desafios de hoje e do futuro”. 

Leia o diário completo desse professor universitário: https://medium.com/@m.a.ponti

Cartaz mostra a programação do Pint of Science em São Carlos: na cidade, o evento é coordenado pelo professor Moacir Ponti

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

A ciência resiste no festival Pint of Science

Teorias e conceitos que revolucionaram a ciência continuam sendo debatidos até hoje na mesa do bar: entenda as contribuições que Einstein, Freud e tantos outros cientistas do passado e do presente têm para nos oferecer

Festival de divulgação científica propicia o contato direto entre os pesquisadores e a comunidade
(crédito da imagem: Nilton Junior)

A ciência é construída a partir do acúmulo de uma série de conhecimentos que a humanidade reúne ao longo do tempo em um processo contínuo sem fim. Há indícios de que, desde que a vida humana surgiu no planeta, já praticávamos a arte de compartilhar conhecimentos e experiências. Mas se antes o diálogo se dava no escuro das cavernas, agora temos a oportunidade de realizar esse ritual em espaços mais agradáveis. Levar os pesquisadores a compartilharem seus conhecimentos e experiências diretamente com o público em bares, restaurantes e espaços fora das universidades é exatamente o que propõe o festival de divulgação científica Pint of Science. 

Esta é a quinta vez que São Carlos, no interior de São Paulo, participa da iniciativa. Sob a coordenação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, os bate-papos científicos acontecerão nas noites de 20, 21 e 22 de maio, em sintonia simultânea com outras 86 idades brasileiras e com locais espalhados pelo mundo em 24 países. 

As contribuições que Einstein, Freud e tantos outros cientistas do passado e do presente podem oferecer à humanidade estão entre os temas que serão debatidos em três locais que sediarão a iniciativa em São Carlos: dois bares – La Casa Conveniência e Mandala – e o espaço de inovação ONOVOLAB. Cada espaço vai abrigar um bate-papo por noite, a partir das 19h30, totalizando nove oportunidades para quem quer compreender melhor como se faz ciência no Brasil. 

Os títulos da maioria dos bate-papos têm um viés divertido, já que a ideia do festival é abordar pesquisas das mais diversas áreas do conhecimento de um jeito descontraído. Na segunda, as atrações são O matemágico de 0s; Einstein não morreu: do eclipse ao buraco negro; e A ciência em campo: na vibe das AgriTechs. Já a terça é destinada a falar sobre O mito da criatividade: nem Freud explica; A tabelinha que deu certo; e Encontro marcado: como lidar com a morte. Finalmente, para encerrar as atividades, entram em cena Apertem os cintos, o cientista de dados sumiu; No meio do caminho tinha uma pegada fóssil; e Quando o ensino vai para o espaço. Para conferir a programação completa do evento, saber o que será discutido em cada bate-papo e conhecer os convidados, basta acessar o site https://pintofscience.com.br/events/saocarlos. 

São Carlos foi a primeira cidade brasileira a participar do Pint of Science em 2015, depois a ideia se espalhou pelo país (crédito da imagem: Paulo Arias)

Durante o festival, os pesquisadores vão conversar diretamente com o público e responder perguntas. Não há formalidades como inscrição ou emissão de certificados. Também não é preciso pagar entrada, apenas o que for consumido nos estabelecimentos que sediam o evento. “Realizar uma iniciativa de divulgação científica em um local menos formal do que o meio acadêmico é de extrema importância por dois motivos principais. O primeiro deles é desmistificar a figura dos cientistas, mostrando que são pessoas de carne e osso, que trabalham para gerar conhecimento e formar recursos humanos”, explica o coordenador do Pint of Science em São Carlos, professor Moacir Ponti, que preside a Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC. Ele continua: “O segundo objetivo do Pint é mostrar à sociedade os conhecimentos que são gerados dentro das universidades e dos centros de pesquisa e como isso impacta a vida das pessoas.” 

Para o professor, o Pint of Science contribui para evidenciar como as ciências básicas e as aplicadas podem contribuir para aprimorar a qualidade de vida da sociedade e para a construção de uma sociedade melhor. “Os motivos que atestam a importância do festival vão ao encontro de uma necessidade urgente da sociedade brasileira em conhecer quais seriam os impactos de uma redução nos investimentos no ensino superior e na pesquisa científica”, finaliza Moacir. 

Em São Carlos, o evento conta com o patrocínio da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar (FAI.UFSCar), da Tokenlab e do Kamzoo Cookie Shop. Além disso, a iniciativa tem o apoio de mais quatro empresas (Raccoon, Birdie, Cia Peculiar e Folhetos & Cia), da Embrapa Pecuária Sudeste, da Embrapa Instrumentação e de dois centros de pesquisa vinculados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (Certev). 



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/313624672645460/
Confira a programação em São Carlos: https://pintofscience.com.br/events/saocarlos
Você sabia que São Carlos foi a primeira cidade da América Latina a participar do Pint of Science? Conheça a história do festival: https://pintofscience.com.br/historia/
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E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Febre amarela, agricultura e empreendedorismo: saiba o que é destaque no primeiro dia do Pint of Science

Saiba o que rola nesta segunda-feira, 14 de maio, em São Carlos, durante o festival de divulgação científica Pint of Science, que vai tomar conta de 56 cidades brasileiras até quarta-feira

A primeira edição do festival no Brasil aconteceu em São Carlos, em 2015

Você já parou pra pensar em como a tecnologia pode nos ajudar a combater doenças como febre amarela, zika, chikungunya e dengue? A ciência exerce uma grande influência em nossa vida cotidiana a ponto de ser difícil imaginar com seria o mundo atual sem a sua contribuição ao longo do tempo, mas que tal discutir tudo isso em uma mesa de bar? 

Nesta segunda, o festival de divulgação científica Pint of Science acontece em três bares diferentes de São Carlos. A partir das 19h30, um bate-papo no West Brothers ajudará você a compreender o que é mito e o que é verdade quando o assunto é febre amarela. Uma das pesquisadoras convidadas para o evento é Ho Yeh Li, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Infectologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Também participarão do bate-papo: a professora do departamento de Medicina da UFSCar, Sigrid de Sousa Santos; o professor de epidemiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Afonso Dinis Costa Passos; e o professor Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP.

Ao mesmo tempo, duas discussões acontecem em outros dois bares da cidade. Na Cervejaria Kirchen, o debate é sobre implementação tecnológica na agricultura e a evolução das tradicionais técnicas à produção digital. Estarão presentes no evento o chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt; o chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Instrumentação, Wilson Tadeu Lopes da Silva; e a pesquisadora Aida Magalhães, que atua na empresa Agrorobótica Pesquisas Agrícolas.

Já no ONOVOLAB, o encontro é para discutir o potencial transformador que as instituições de ensino e as empresas podem ter se atuarem juntas no incentivo à inovação, à criatividade e ao empreendedorismo. O bate-papo tem como convidados o professor e pesquisador da Faculdade de Tecnologia de São Carlos e coordenador regional da Agência de Inovação do Centro Paula Souza, Alfredo Colenci Neto; um dos criadores do ONOVOLAB,  Anderson Criativo;  o professor André de Carvalho, do ICMC/USP; e o professor Moacir Oliveira Junior, chefe do departamento de Administração da Faculdade de Economia e Administração da USP.

Além disso, no ONOVOLAB, também terá uma atração musical imperdível: Suíte Quarteto. O estilo musical da banda é um som instrumental ligado ao jazz, groove, funk, lounge, acid. Um som leve, agradável e dançante, que combina com o festival de divulgação científica.

Em São Carlos, o Pint of Science é realizado pelo ICMC e conta com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos e das empresas Monitora e Serasa Experian.

Para conhecer os palestrantes e ver a programação completa, acesse o link:



Texto: Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Paulo Arias

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E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 8 de maio de 2018

A cientista antenada

Conectando-se com as emoções humanas, uma pesquisadora mineira conseguiu aliar sua carreira acadêmica na área de inteligência artificial com as dimensões menos exatas da vida

Solange (ao centro) abraça o filho Vitor ao lado da filha Naiara e do marido Anandsing
na fazenda Pedra Branca, onde viveu a primeira infância

Uma tiara vermelha com antenas chama a atenção de um garoto que está deitado em um dos leitos da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, cidade no interior do Estado de São Paulo. Da direção da tiara surgem dedos que conversam com o menino como se fossem pequenos seres vivos animados. São aqueles dedos que tiram Vitor, 5 anos, da apatia em que se encontrava há uma semana, desde o momento em que foi internado e deixou de interagir com o mundo. 

Em silêncio, aos poucos, os dedos do garoto também passam a ganhar vida e começam a se comunicar com as mãos daquela mulher que usa tiara vermelha e se localiza no meio do palhaço e da fada, para os quais Vitor não dá a menor bola. Logo, ele se senta à cama e recebe, de presente, uma bexiga azul em formato de cachorro, esculpida pelos dedos alegres e desconhecidos. Aos poucos, aquele trio se despede e sai do quarto mudo. Só depois que cruzam a linha da porta e desaparecem, o silêncio do garoto se rompe e sua voz alcança o corredor do hospital: “Anteninha, eu te amo”. 

É nesse momento que as emoções da mulher de tiara vêm à tona, junto com a imagem de seu próprio filho, que também é Vitor, que também tem 5 anos. Em vez de doente na cama, o filho dela está saudável, brincando na casa em que vivem, a poucos quilômetros dali. Apelidada de Anteninha, Solange Rezende permite-se agora chorar, pois já está fora do quarto. Depois de se recompor, volta ao encontro do garoto. Ao rever Anteninha, Vitor pede outro presente: quer uma cadelinha cor-de-rosa para fazer companhia ao cachorro azul. 

Solange como Anteninha durante a visita que fez à Santa Casa no último domingo, 6 de maio
Ciência com emoção – O acontecimento relatado acima, vivido 13 anos atrás, está marcado na memória de Solange e, ao ressurgir no bate-papo desta manhã de sábado, 5 de maio de 2018, deixa os olhos brilhantes de Anteninha marejados. Professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desde 1991, Solange é uma das 110 voluntárias do grupo Amor em Gotas, que se dedica a levar alegria a crianças hospitalizadas. Atuando como voluntária há 16 anos, hoje ela é uma das gestoras da iniciativa e carrega com orgulho, naquela manhã, o álbum de fotos das inúmeras visitas que já fez. Em uma das imagens, aparece vestida de branca de neve. “A essência da vida está nos detalhes, quando enxergamos o poder que temos em nossas mãos”, diz Solange, e completa: “Às vezes, um pequeno gesto possibilita conexões”. 

No álbum de fotos, destaque para a Branca de Neve
Segundo ela, as experiências vividas como voluntária contribuíram efetivamente para ampliar suas percepções nas pesquisas científicas que realiza na área de inteligência artificial: “O ambiente acadêmico é muito competitivo e somos cobrados a todo tempo. Muitas vezes, ficamos correndo atrás de suprir essas demandas e nos esquecemos da essência da vida”. Ela diz que a atuação no grupo Amor em Gotas, mudou até a forma como lida com seus alunos. “Passei a dar mais abertura para os estudantes. Hoje, sempre que precisam de alguma ajuda, eles me procuram”. 

Em um mundo em que as máquinas têm a capacidade de aprender, em que é possível extrair conhecimento de uma infinidade de dados (a área de mineração de dados é a especialidade de Solange), surge a pergunta: será que um dia os computadores serão capazes de desenvolver uma sensibilidade comparável à de Anteninha e poderão promover novas conexões entre os seres humanos? Para Solange, esse é o limite do desenvolvimento da inteligência artificial. Por mais que o conhecimento avance, ela acredita que as máquinas nunca desenvolverão percepção, sensibilidade e intuição tal como os humanos.


Vida na fazenda – A história dessa pesquisadora começou no interior de Minas Gerais, na cidade de Comendador Gomes. Foi lá, a 40 quilômetros do município, na fazenda Pedra Branca, que ela estabeleceu contato com o universo do conhecimento, guiada pelas mãos de Margarida. Foi ela que lhe apresentou as primeiras letras e números no quarto construído pelo pai para ser escola de Solange, a filha mais velha, do irmão Hugo, um ano mais novo, e de José, três anos mais moço. Como a professora morava na casa da família, a turminha tinha aula 24 horas por dia, sete dias por semana. 

Só no quarto ano do ensino fundamental é que a mãe, Zilda, e as crianças precisaram ir para Frutal, cidade vizinha, e os pequenos começaram a frequentar uma escola pública. Agora, a família tinha também um novo membro: Ataídes, sete anos mais novo do que Solange. O quarteto passava a semana na cidade com a mãe e voltava à fazenda aos finais de semana, onde o pai trabalhava e continuava morando. 

No segundo ano do ensino médio, que Solange cursava pela manhã, conseguiu uma bolsa de estudos para fazer o “Normal” à noite, uma espécie de curso técnico para quem desejava dar aula no ensino fundamental. Naquele tempo, ela já começou a pensar que não queria morar a vida toda naquela região e construir um futuro igual ao da maioria de seus primos de primeiro grau – 82 no total, contando tanto os do lado materno quanto paterno. A inspiração veio, então, de duas primas que tinham prestado vestibular e estudavam na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Com a ajuda delas, Solange convenceu a família de que também deveria fazer faculdade na UFU e foi assim que começou sua trajetória acadêmica: cursando Licenciatura em Ciências, com habilitação em matemática. 

Hugo, Ataídes, a professora Margarida, José e Solange (da esquerda para a direita):
a professora mora hoje em uma fazenda a poucos quilômetros
de onde ensinou as primeiras letras e números para Solange

Da matemática à computação – No início da faculdade, Solange sabia que se tornaria professora e o sonho era fazer pós-graduação em matemática pura na Universidade de Brasília. Sempre foi a professora dos irmãos, por insistência da mãe, já que a caderneta de notas toda azul da garota contrastava com as cadernetas vermelhas dos meninos. Por isso, aos 15 anos, quando o pai perguntou o que ela queria ser quando crescesse, respondeu: “Quero dar aula para gente inteligente”. A resposta dura tinha uma justificativa: os irmãos não gostavam de estudar e ela se sentia uma professora frustrada. “Na verdade, o que eu tentei dizer é que queria dar aula para quem gostasse de aprender”, diz. 

E de gostar de aprender ela sempre gostou. Tanto que, quando o professor de topologia da UFU, Viktor Bojaczuk, voltou de uma viagem à Polônia com um computador portátil Apple em mãos e perguntou aos alunos quem desejava se aprofundar em uma nova área do conhecimento, ela topou de imediato. “Era 1985 e a gente não tinha acesso ao computador, ele ficava fechado em uma sala e quem mexia na máquina era um operador. Nas aulas de programação, nós escrevíamos os códigos em uma folha verde e mandávamos para o operador, rezando para que ele entendesse o que a gente tinha escrito e que a máquina executasse aqueles comandos de forma correta até o final do semestre”, recorda-se Solange. 

Então, quando ela viu pela primeira a oportunidade de mexer diretamente em um computador portátil, não pensou duas vezes. Solange ouviu a palavra inteligência artificial pela primeira vez na aula de Bojarkuzc, que anunciou profeticamente: “Estou aprendendo a programar com uma linguagem diferente, que é totalmente lógica e tem tudo a ver com matemática. Mas é algo muito maior, que vai estar presente na vida de todo mundo no futuro, a inteligência artificial”. 

A tal linguagem de programação é ensinada até hoje no início das disciplinas de inteligência artificial, chama-se Prolog. Depois que teve acesso a programar diretamente no computador usando Prolog, Solange sabia que seu destino não estava mais atrelado à matemática pura, o que ela queria era computação: “O professor Bojaczuk mudou o rumo da minha vida”. Dois outros professores, Sergio Schneider e Costa Pereira, falaram para a garota sobre a USP, em São Carlos, dizendo que lá havia uma professora que atuava na área de inteligência artificial: Carolina Monard. 

Assim que se formou, Solange viajou para São Carlos e conheceu Carolina. Começou a fazer mestrado em Ciências de Computação e Matemática Computacional no ICMC em 1987. Quatro anos depois, quando estava no primeiro ano do doutorado em Engenharia Mecânica, na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), prestou um concurso para se tornar professora no ICMC, onde está até hoje. 

Além de ministrar aulas e realizar pesquisas na área de inteligência artificial, Solange também ensina empreendedorismo. Aliás, ela foi uma das responsáveis, junto com o professor André de Carvalho, também do ICMC, por inserir a temática do empreendedorismo nos cursos de computação do Instituto. Sob sua orientação estão sete doutorandos, três mestrandos, quatro alunos de iniciação científica e um pós-doutorando. Nas quintas à tarde, ela atua como consultora em uma startup são-carlense chamada Itera. Ainda sobra fôlego para o Amor em Gotas e para coordenar o festival de divulgação científica Pint of Science em São Carlos, que acontecerá dias 14, 15 e 16 de maio, juntamente com outras 55 cidades brasileiras e mais 20 países do mundo. “Sou uma apaixonada pela vida e pela possibilidade de ajudar as pessoas que desejam entrar em movimento para buscar seus sonhos”, diz. 

Ao relatar sua história, Solange dá indícios de onde nasce a motivação para o seu fazer. Entre os ensinamentos do pai, seu Amador, falecido há sete anos, uma frase se destaca na memória: “Filha, a vida inteira você tem que cuidar para que o brilho dos seus olhos nunca se apague”. Talvez esse seja o segredo de Solange: manter-se antenada com o que faz os olhos brilharem. 

Encontro no fim de 2017 na casa de Solange:  confraternização reuniu alunos do Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC e seus familiares

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Pint of Science São Carlos: https://pintofscience.com.br/events/saocarlos
Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC: http://labic.icmc.usp.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

De Macapá a Porto Alegre: a diversidade da ciência disponível no bar mais próximo

A vastidão e o impacto das pesquisas realizadas no Brasil estarão ao seu alcance durante três dias, em 56 cidades, nos 500 bate-papos científicos que compõem o Pint of Science

A cidade de São Paulo concentra o maior número de bate-papos: 63 no total

Na noite de 14 de maio, a partir das 19h30, enquanto a população de Goiânia (GO) poderá sentar em um bar para descobrir o que é um ser humano, quem estiver em Uberlândia (MG) poderá entender que dor, venenos e bruxas têm tudo a ver com ciência. É neste dia que começa o festival Pint of Science, um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo. 

No Brasil, o evento levará cientistas para conversar com o público, de forma descontraída, em bares e restaurantes de 56 cidades, animando as noites de 14, 15 e 16 de maio com informação, revelações e debates sobre pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento. Para conferir a programação na cidade mais próxima, acesse o site do festival: www.pintofscience.com.br

Para ter uma ideia da vastidão territorial e científica do evento, pense que, na noite de 15 de maio, na mesma hora que os moradores de Santo Antônio de Jesus (BA) estiverem descobrindo o que acontece com nossa memória quando envelhecemos, os participantes do Pint of Science em São José do Rio Preto (SP) terão a oportunidade de conhecer truques de “matemágica” e entender o que faz quem estuda astrobiologia. 

Já na noite de 16 de maio, será a vez dos moradores de Macapá (AP) se divertirem com o projeto Físicos da Alegria, que leva a ciência para pacientes do Hospital da Criança e do Adolescente da cidade. Na mesma noite, em Florianópolis (SC), será revelado o que bactérias em um vulcão na Antártica podem nos dizer sobre a busca de vida fora da Terra. 

É nessa noite que, em Recife (PE), a bióloga Natália Lima Oliveira falará sobre o uso de biossensores em investigações. “A ciência contribui fortemente com a polícia a partir do momento em que, utilizando-se de conceitos e demonstrações simples, pode revelar o acontecimento de um crime, o modo como ocorreu e quem foi o responsável”, argumenta a pesquisadora. Esse lado “CSI” da ciência – o termo vem da série Crime Scene Investigation – também será tema de bate-papos em Belo Horizonte, Brasília, Campinas e Santos. 

Sobre macacos e febre amarela – O festival terá ainda diversos bate-papos sobre fake news, vacinas e febre amarela. “É importante falar da febre amarela em um evento como o Pint of Science porque as pessoas têm muitas dúvidas e ainda vêem o macaco como vilão”, diz a pesquisadora Leticia Jedlicka, que conduzirá a conversa Febre amarela: e o macaco com isso?, em Marabá (PA). 

A febre amarela e as demais infecções que invadiram e assustam o país (e aquelas que ninguém dá a devida atenção) também serão tratadas pela jornalista especializada em saúde e ciência Ruth Helena Bellinghini, em São Paulo (SP). Em reportagem publicada em fevereiro, a jornalista reuniu as principais dúvidas do público a respeito da vacina da febre amarela, via redes sociais e, a partir de pesquisas e entrevistas com profissionais de saúde, respondeu uma a uma. Os paulistanos são os que terão mais bate-papos à disposição: 63 no total.

Outro tema de destaque na programação é a participação feminina na ciência. “Esse tema precisa ser tratado de forma científica”, diz Natalia Pasternak, coordenadora nacional do Pint of Science. Segundo ela, faltam pesquisas sobre esse assunto no Brasil e, por isso, a questão da igualdade de gênero tem sido discutida com base apenas em opiniões e não em evidências científicas.

Outros assuntos a serem discutidos nos bares são: o uso de animais nas pesquisas (50 tons de ética: o uso de animais na ciência), o desastre de Mariana (Quando o Rio Virou Lama: o maior desastre ambiental brasileiro aos olhos da ciência), as criptomoedas (Posso ficar rico com criptomoedas?) e os enigmas (A maneira mais difícil de ganhar um milhão de dólares!). Haverá, ainda, conversas sobre música, cerveja e muito mais. 

A entrada é gratuita – paga-se apenas o que for consumido nos estabelecimentos – e não há necessidade de inscrição. Também não são emitidos certificados de participação. Todos os bate-papos começam às 19h30 (horário local), mas recomenda-se chegar mais cedo, já que não há reserva de lugar. Com certeza, você vai se impressionar com a ciência que é feita no Brasil ao bater um papo com um dos pesquisadores que estarão à sua disposição nesses 500 bate-papos. 

A primeira edição do festival no Brasil aconteceu em São Carlos, no interior de São Paulo, em 2015 


Confira imagens de divulgação do evento no Flickr: icmc.usp.br/e/1bf73

Texto: Denise Casatti e Stefhanie Piovezan 

Contato para a imprensa
Assessoria de comunicação nacional do Pint of Science: (16) 3373-9666 (ICMC/USP) 

Jornalistas responsáveis: 
- Denise Casatti: (11) 9-9125-9459 
- Stefhanie Piovezan: (11) 9-5206-2638

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Fake news, febre amarela, Parkinson e urnas eletrônicas: confira os destaques do Pint of Science na capital da tecnologia

Festival internacional de divulgação científica acontece nas noites de 14, 15 e 16 de maio; saiba como será a programação em São Carlos

Em São Carlos, o festival que brinda a ciência vai ser realizado simultaneamente em três diferentes locais
(crédito da imagem: Henrique Fontes)

O festival internacional de divulgação científica Pint of Science vai tomar conta de 56 cidades brasileiras nas noites de 14, 15 e 16 de maio. São Carlos, a capital da tecnologia, foi o berço do evento no Brasil e realizará a iniciativa em 2018 pela quarta vez. 

Entre os destaques da programação na cidade estão o fenômeno das fake news, o surto recente de febre amarela, os desafios para diagnosticar e tratar doenças como Parkinson e a tecnologia que existe por trás das criptomoedas e das urnas eletrônicas. Serão nove bate-papos no total, que acontecerão simultaneamente em três locais diferentes. A proposta é apresentar pesquisas recentes em diversas áreas do conhecimento, esclarecer as dúvidas do público e mostrar a beleza da ciência. 

“Em São Carlos, nosso foco é mostrar como a ciência pode fazer diferença no nosso país. Vamos contar com a participação de pesquisadores da USP, da UFSCar, da EMBRAPA, além de empreendedores”, explica Solange Rezende, coordenadora da iniciativa na cidade, onde o evento é realizado desde 2015 pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. 

“Será uma oportunidade para os são-carlenses conversarem descontraidamente com os cientistas e entenderem melhor como são as pesquisas que eles realizam”, acrescenta a professora do ICMC. “O Pint of Science está contribuindo para a construção de uma cultura de ciência no Brasil e temos orgulho de pertencer à instituição responsável por trazer a iniciativa ao Brasil, que é um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo, para o país”, destaca Solange. 

A professora Solange Rezende, do ICMC, coordena o evento em São Carlos
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Programação – Na cidade, os bate-papos acontecerão no bar e restaurante West Brothers, na Cervejaria Kirchen e no espaço de inovação ONOVOLAB, onde haverá um festival de food trucks. Três temas marcarão a abertura do evento, que acontece a partir das 19h30 da segunda-feira, 14 de maio: enquanto as verdades e mitos sobre febre amarela, vacina e mosquito agitarão o público que comparecer ao West Brothers; quem for à Cervejaria Kirchen terá a oportunidade de conversar sobre os desafios de unir a produção agrícola tradicional à agricultura 4.0; ao mesmo tempo em que os visitantes do ONOVOLAB vislumbrarão o potencial transformador das instituições de ensino e das empresas que incentivam a inovação, a criatividade e o empreendedorismo. 

Na noite de terça-feira, 15 de maio, mais três temas serão debatidos: ondas tomarão conta do West Brothers, relacionadas à doença de Parkinson, ao canabidiol e ao comportamento coletivo; já a biotecnologia que vai além dos androides invadirá a Cervejaria Kirchen; e o combate às fake news dará o tom ao ONOVOLAB. 

Para encerrar o brinde à ciência, na noite de quarta-feira, 16 de maio, os temas podem ser resumidos a três questões: “posso ficar rico com criptomoedas?” é a pergunta a ser respondida no West Brothers; “por que o hidrogênio é a energia do futuro?” é o foco da discussão na Cervejaria Kirchen; e “posso confiar nas urnas eletrônicas?” é a dúvida que será lançada no ONOVOLAB. 

Vale lembrar que a programação do evento nas 56 cidades do Brasil está disponível no site www.pintofscience.com.br e, para participar, não há necessidade de fazer inscrição. A entrada é gratuita – paga-se apenas o que for consumido nos estabelecimentos – e não há emissão de certificado. 

A entrada no Pint of Science é gratuita, as pessoas só pagam o que consumirem nos locais que recebem o evento
(crédito da imagem: Rogério Gianlorenzo)

De Norte a Sul do Brasil – O Pint of Science nasceu em 2013, como uma iniciativa de pesquisadores da Inglaterra, e se expandiu graças a uma rede de voluntários. Neste ano, 21 países promoverão o evento de forma simultânea. No Brasil, a expectativa é de que 50 mil pessoas compareçam aos bate-papos. Em São Carlos, a expectativa é atrair mais de mil pessoas. 

Na cidade, o Pint of Science conta com o patrocínio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos (FAI-UFSCar). Há, ainda, o apoio da Rádio e da TV UFSCar. 

Os bate-papos começam as 19h30, como não são realizadas reservas antecipadamente,
o público deve chegar antes ao local para garantir um lugar
(crédito da imagem: Rogério Gianlorenzo)

Texto – Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC 

Mais informações 
Site do Pint of Science Brasil: www.pintofscience.com.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 19 de março de 2018

Festival de divulgação científica ganha o país e deve atrair 50 mil pessoas

Edição de 2018 do Pint of Science será realizada em 56 cidades brasileiras

Em 2017, evento foi realizado em 22 cidades; na imagem, público lota bar em Goiânia

Cientistas de 56 cidades brasileiras se preparam para participar de um dos maiores eventos dedicados à divulgação da ciência no mundo: o Pint of Science. Nos dias 14, 15 e 16 de maio, eles vão se unir a pesquisadores de outros 20 países e deixarão as bancadas dos laboratórios para ocupar mesas de bares e conversar sobre suas pesquisas com a população. Apenas no Brasil, a expectativa é de que 50 mil pessoas de todas as regiões compareçam aos bate-papos.

O objetivo é criar um canal de comunicação direto entre os cientistas e a sociedade, explica Natalia Pasternak Taschner, coordenadora do festival no país: “As pessoas querem saber, têm sede de ciência, e os cientistas querem falar”. Durante o festival, os pesquisadores conversam com o público de forma descontraída, respondem perguntas e não há formalidades como inscrição ou emissão de certificados. Também não é preciso pagar entrada, apenas o que for consumido nos estabelecimentos que sediam o evento.

Esclarecer como a ciência funciona e mostrar a beleza existente em sua capacidade de investigar e explicar o mundo estão também entre as metas dos organizadores. “É um desafio ensinar conceitos em uma conversa no bar, mas, se conseguirmos encantar as pessoas, despertar sua curiosidade, elas buscarão o conhecimento. É esse encantamento que procuramos despertar no Pint of Science”, afirma a coordenadora.

Fórmula de sucesso - Realizado pela primeira vez no Brasil em 2015, quando foi trazido da Inglaterra pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, o Pint of Science cresce a cada ano. Os 22 municípios da edição passada saltaram para mais de 50 e, com a entrada de cidades da região Norte, pela primeira vez o evento abrangerá todas as áreas do país.

“Para os municípios da região Norte, é interessante participar do Pint of Science porque podemos aumentar o intercâmbio e o fluxo de ideias, de troca de informações. Isso é fundamental para diminuir o preconceito com o trabalho de pesquisa que é realizado nessa parte do país e para ampliar a visibilidade dos nossos projetos”, afirma Adolfo Mota, professor da Universidade Federal do Amazonas que coordena o festival na região.

Além da coordenação nacional e regional, em cada um dos 56 municípios que participarão do festival há um coordenador local responsável pelo evento. A relação das cidades participantes já está disponível no site pintofscience.com.br e a programação em cada localidade poderá ser conferida a partir da segunda quinzena de abril.

Em Ribeirão Preto, festival acontece desde 2016

Confira mais imagens do evento no Flickr: icmc.usp.br/e/1bf73

Texto: Stefhanie Piovezan

Contato para a imprensa
Assessoria de comunicação nacional do Pint of Science
Telefone: (16) 3373-9666 (ICMC/USP)
E-mail: pintcomunica@gmail.com

Jornalistas responsáveis: 
- Denise Casatti ((11) 9-9125-9459)
- Stefhanie Piovezan - (11) 9-5206-2638

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Do laboratório à mesa de bar: Pint of Science registra recorde de público em São Carlos

Cerca de 1,4 mil pessoas participaram de divertidos bate-papos científicos durante as três noites do festival que chegou a sua terceira edição no município

"Socorro: fui hackeado e o drone sumiu" foi o título da bate-papo coordenado pela professora Kalinka durante a última noite do Pint of Science em São Carlos (crédito: Henrique Fontes)

É quarta-feira, 17 de maio, e as cerca de 100 pessoas que lotam um bar no centro da cidade de São Carlos, interior de São Paulo, estão correndo o risco de ter seus celulares hackeados. O sorriso no rosto e os olhares tranquilos de quem está no local não condizem com o que fizeram momentos antes: autorizaram essa invasão em seus aparelhos. Parece loucura, mas todos ficaram vulneráveis ao conectarem os telefones em uma rede de internet aberta sem ler o termo de compromisso. 

Essa experiência foi realizada durante um bate-papo sobre segurança virtual, no festival de divulgação científica Pint of Science, em São Carlos, um dos 22 municípios brasileiros que participaram da iniciativa juntamente com cidades espalhadas por outros 10 países. Antes dos clientes chegarem ao bar para o evento, a professora Kalinka Castelo Branco, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, disponibilizou uma rede Wi-Fi livre para os participantes. Porém, entre as condições para utilizá-la, estava a concordância com um termo em que os usuários permitiam que os smartphones conectados fossem invadidos, além de autorizar que um drone sobrevoasse suas cabeça. 

No final do evento, ao revelar o conteúdo do termo ao público, ficou evidente que ninguém havia lido as informações antes de clicar na caixa “aceito” e se conectar. Para exemplificar o que poderia acontecer com aquelas pessoas, um dos estudantes orientados por Kalinka hackeou o celular da professora e exibiu no telão as imagens que a câmera do aparelho captava. “Fizemos isso para mostrar como estamos vulneráveis no mundo virtual e como podemos nos prevenir de possíveis crimes”, diz Kalinka. 

No bate-papo, os convidados puderam falar um pouco sobre as pesquisas que estão sendo desenvolvidas para ajudar a proteger a população dos hackers. “É muito importante a sociedade ter a oportunidade de debater esse tema que, muitas vezes, passa por questões morais e éticas envolvendo a tecnologia”, afirma Natássya da Silva, doutoranda do ICMC e uma das participantes do debate. 

Aquela noite foi a primeira vez que a estudante teve a oportunidade de falar com o público num lugar descontraído, fora da universidade: “É mais tranquilo do que eu imaginava, o pessoal participou e deixou a gente à vontade para contar as novidades que acontecem no nosso mundo”. Além de Natássya, participaram da conversa o advogado Guilherme Guimarães, que falou um pouco sobre os diferentes tipos de crimes virtuais, e o estudante Marcelo da Silva, que faz Ciências de Computação no ICMC. 

Recorde de público: 1,4 mil pessoas participaram da iniciativa em São Carlos; nas 22 cidades
do país, o festival alcançou cerca de 20 mil brasileiros (crédito: Rogério Gianlorenzo)

Mergulhando no mundo dos vidros – “Ele brilha, tem de todas as cores, é transparente, é lindo!”, enfatiza o professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Edgar Zanotto, após sua apresentação sobre a importância e as curiosidades do universo vítreo, realizada no dia 16 de maio em outro restaurante da cidade. Coordenador do Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (CeRTEV), ele conta que, se não fosse o material, não existiriam telescópios, microscópios, celulares, óculos, entre outros objetos. Não haveria nem mesmo o projeto Sons Vítreos, criado pelo Núcleo Ouroboros de Divulgação Científica da UFSCar. No projeto, os participantes utilizam diversos instrumentos feitos do material milenar em suas apresentações. No Pint of Science, eles empolgaram o público ao encerrar a noite com seus sons singulares. 

Para Zanotto, vidros podem ser sólidos ou líquidos, depende do ponto de vista
do observador (crédito: Paulo Arias)

De acordo com Zanotto, apesar de existir uma infinidade de utilidades já conhecidas para o vidro, ainda há muito a ser explorado. Atualmente, são contabilizados cerca de 400 mil tipos de vidros no mundo, porém, segundo o especialista, é possível produzir outros 1052 modelos do material: “É um campo da ciência com seis mil anos de história, mas que ainda está na infância e existem poucas pessoas no mundo pesquisando o assunto”. 

Ao estrear no Pint of Science, Zanotto confessou à plateia: “Já dei muitas palestras no Brasil e no mundo. Mas nunca falei em um bar”. Logo depois de passar por essa primeira experiência, ele aprovou a proposta. “O desconhecimento da sociedade pela ciência é enorme. Pergunte a qualquer pessoa o nome de um jogador de futebol. A resposta, provavelmente, irá variar entre 10 e 50 atletas. Agora, se você pedir o nome de um cientista, dificilmente lembrarão de um pesquisador brasileiro”, lamenta o docente. Também estiveram na mesa sobre vidros a professora Andrea Bernardez, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), e a professora Ana Candida Rodrigues, da UFSCar. 

Projeto Sons Vítreos finalizou o bate-papo sobre a era do vidro (crédito: Paulo Arias)

Levando o Brasil à Lua – Outro bate-papo que mobilizou o público em São Carlos abordou a Missão Garatéa, a primeira missão lunar brasileira que promete levar uma sonda à Lua até 2021 para estudar a vida fora da Terra. Bactérias serão enviadas ao espaço para que os cientistas analisem possíveis alterações genéticas que um ser vivo pode sofrer após um período em órbita no nosso satélite natural. Os desafios das pesquisas nessa área foram discutidos pelo engenheiro espacial Lucas Fonseca, o jornalista Salvador Nogueira, o mestre em filosofia Alexey Dodsworth e o astrobiólogo Douglas Galante. 

Entre as pessoas que acompanharam a apresentação, que aconteceu na noite de 15 de maio, estava Duília de Mello, astrofísica e colaborada da NASA há 14 anos. Apaixonada por astronomia, a cientista exaltou o trabalho dos pesquisadores em levar o conhecimento às pessoas: “A ciência é responsável pela evolução da humanidade e conseguir transmiti-la é um dom. Quem não tem esse perfil, seria interessante que tentasse melhorar nesse aspecto e pensar em novos caminhos para divulgá-la. Isso é importante para motivar os jovens e as crianças, que são quem irão carregar o fascínio pela ciência”. 

Também fizeram parte do menu do Pint of Science em São Carlos temas como estatística no esporte (saiba mais), tecnologia no campo (saiba mais), novos medicamentos, depressão, ansiedade, autismo, hiperatividade, sustentabilidade, além de problemas matemáticos de um milhão de dólares. 

O futuro da humanidade no espaço foi um dos temas na abertura do evento (crédito: Paulo Arias)

Meu aspirador pensa – Para falar sobre a revolução das máquinas, o professor Fernando Osório, do ICMC, percorreu os cerca de 100 quilômetros que separam São Carlos de Ribeirão Preto. Lá, um dos assuntos que mobilizou o público durante o Pint of Science, na noite do dia 16 de maio, foi: “Meu aspirador pensa?”. 

Osório brincou com a plateia lançando questões instigantes: “Vocês têm ideia de quantos celulares já jogaram no lixo? E se todos esses aparelhos se revoltassem e viessem atrás de vocês?”. Ele conhece bem a dinâmica do evento, participou das duas edições anteriores do Pint of Science em São Carlos. “Para mim, é sempre um grande prazer interagir com as pessoas. É muito importante sair da zona de conforto ao expor e discutir ideias com um público diferente do que encontramos nas universidades”, afirma o pesquisador. 

O ambiente descontraído proporcionado pelo festival é o que mais encanta Osório: “Quando saímos da classe, não pensamos mais em provas, notas e avaliações. O fato de quebrar o padrão formal de uma sala de aula, colocando todos juntos em um bate-papo animado e com as perguntas mais variadas, é o que faz o Pint of Science tão especial”. 

O ambiente descontraído proporcionado pelo festival é o que mais encanta
Osório (crédito: equipe Pint of Science Ribeirão Preto)

Divulgar a ciência é preciso – Cerca de 20 mil pessoas participaram do festival de divulgação científica este ano nas 22 cidades brasileiras que realizaram a iniciativa nas noites de 15, 16 e 17 de maio. “O sucesso do festival em todo o país mostra que a população quer, de fato, saber sobre ciência e que os cientistas querem falar com a sociedade. Bastava ser criado um canal para isso, tal como o Pint of Science fez”, afirma Natalia Pasternak, coordenadora nacional do festival. 

“O Pint of Science é uma excelente oportunidade de aprendizado para os cientistas por desafiá-los a traduzirem a ciência em uma linguagem simples e acessível para todos”, explica Denise Casatti, coordenadora do evento em São Carlos. “Os cientistas estão acostumado a falar para seus pares, que já conhecem o jargão técnico e os conceitos básicos de sua linha de pesquisa. Mas falar em um bar para o cidadão comum não é fácil, especialmente porque é preciso disputar a atenção com o barulho do liquidificador e com todas as demais distrações típicas desse ambiente”. 

Para Natalia, o festival também serve de motivação para que o cientista olhe para seus projetos com outros olhos, instigando-o a imaginar como a sociedade enxerga sua pesquisa, que dúvidas teria e a importância do que faz. Para ela, o caminho para estabelecer a cultura científica da população é encontrar novos meios de divulgar a ciência: “Precisamos criar mais canais, em formatos diferentes, que atinjam públicos diversos, durante o ano todo. Falar de ciência é necessário e divertido”. 

Para realizar o festival, uma rede de voluntários foi mobilizada, unindo profissionais de diferentes áreas do conhecimento e de diversas instituições de ensino e pesquisa, que estão buscando aprimorar a iniciativa a cada ano. Na capital da tecnologia, o evento foi realizado pelo ICMC e contou com a colaboração da Embrapa, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da regional do interior paulista da Sociedade Brasileira de Química. 

Em âmbito nacional, o festival foi patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, Verakis, e por cinco Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo: o Centro de Pesquisa em Engenharia e Ciências Computacionais; o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades; e o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI). 

Para Natalia, festival contribui para mostrar que falar de ciência é necessário
e divertido (crédito: Henrique Fontes)

Texto: Henrique Fontes – Assessoria de comunicação do Pint of Science Brasil 

Mais informações 
Site do festival: www.pintofscience.com.br
Confira o vídeo com a íntegra do bate-papo “Esporte e estatística: uma parceria que dá jogo”: icmc.usp.br/e/26c71
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