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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Pesquisa sobre prognóstico de câncer de boca vence prêmio Fleury de Inovação

Artigo científico foi elaborado em colaboração com pesquisadores do ICMC 

A pesquisa abre caminho para aperfeiçoar as decisões de tratamentos para pacientes com câncer de boca

Uma professora e um doutorando do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, fazem parte de um grupo de pesquisadores reconhecidos durante o 4º Prêmio de Inovação do Grupo Fleury (PIF). O trabalho desenvolvido pela equipe conquistou tanto a preferência do júri técnico quanto a maioria dos votos populares na categoria “artigo científico”.

Coordenado por pesquisadoras do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), situado em Campinas, o artigo Combining discovery and targeted proteomics reveals a prognostic signature in oral câncer foi originalmente publicado na revista Nature Communications, em setembro, e contou com a contribuição da professora Rosane Minghim e do doutorando Henry Heberle, ambos do ICMC. 

“O estudo descobriu uma assinatura de prognóstico para câncer de boca, por meio de exames clínicos e de imagens, que apresenta um grande potencial de orientar os profissionais da saúde a superarem as limitações do prognóstico realizado atualmente, assim como permite guiar as estratégias de tratamento personalizadas para pacientes com câncer de boca e, com isso, reduzir recorrências e metástases cervicais do câncer”, explica a primeira autora do trabalho, a pesquisadora Carolina Moretto Carnielli, do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio-CNPEM).

Ao contribuir para identificar, quantificar e compreender a relação entre abundância de proteínas, progressão de tumores e tratamentos, a pesquisa conseguiu abrir caminho para aperfeiçoar as decisões de tratamentos relacionados a esse tipo de câncer. Essa decisão é um grande desafio para os profissionais de saúde, levando em conta que as respostas aos tratamentos convencionais apresentam uma variação muito grande. Para se ter uma ideia, as taxas de recorrência dos tumores podem variar entre 18 e 76% entre pacientes. Estudos mostram que, a cada ano, são diagnosticados cerca de 300 mil novos casos da doença em todo o mundo, período em que se registra também uma taxa de mortalidade de 145 mil pacientes. 

Além da participação do ICMC, o projeto contou, ainda, com a contribuição de pesquisadores do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), entre outras instituições nacionais e internacionais, e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com a coordenadora do projeto, Adriana Paes Leme, pesquisadora do LNBio-CNPEM, estudos futuros pretendem ser desenvolvidos para compreender os mecanismos de ação das proteínas distribuídas pelas diferentes áreas do tumor. 

A cerimônia de premiação do IV Prêmio de Inovação do Grupo Fleury aconteceu dia 21 de novembro de 2018, em São Paulo.


Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC com informações da Assessoria de Comunicação do CNPEM e da Assessoria de Imprensa do Grupo Fleury 


Mais informações 
Assista à reportagem da EPTV sobre a pesquisa: 
Compreenda mais detalhes sobre o estudo: 
Acesse o artigo original: 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Desafios e oportunidades unem pesquisadores paulistas da área de computação

Fortalecer as parcerias científicas no Estado de São Paulo e potencializar o impacto das pesquisas em computação em âmbito nacional e internacional estão entre as metas dos participantes de uma iniciativa inovadora


No Salão de Eventos da USP, em São Carlos, foram expostos 177 pôsteres

São Carlos, cidade do interior de São Paulo conhecida como a capital da tecnologia, tornou-se também a capital dos pós-graduandos paulistas em computação no dia 4 de dezembro. Nesse dia, o campus da USP abrigou o primeiro Encontro Paulista dos Pós-Graduandos em Computação, que reuniu 206 mestrandos e doutorandos dos 11 programas do Estado de São Paulo. 

“O evento faz parte de uma iniciativa inovadora no Brasil, que busca fomentar a integração dos programas de pós-graduação do Estado na área de computação”, explica o coordenador do encontro, Adenilso Simão, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Um dos participantes do evento é Jalasaya Bhattarai, que está visivelmente entusiasmado com a iniciativa. Do primeiro andar do Salão de Eventos da USP, que está tomado pelos 177 pôsteres dos mestrandos e doutorandos, ele registra o momento em uma selfie e diz que nunca viu algo similar acontecer no programa em que está matriculado, o mestrado em tecnologia da informação e segurança do Instituto de Tecnologia da Universidade de Ontário, no Canadá. “Quando esses estudantes apresentam o que estão pesquisando para outros pesquisadores, eles têm uma grande oportunidade de aprendizado”, diz Jalasaya. 

A experiência não poderia ser mais rica para ele, que está apenas há duas semanas no Brasil, participando de um intercâmbio na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, em São Paulo. Natural do Nepal, Jalasaya emigrou para o Canadá em novembro de 2013 e sabe o quanto ter contato com outras culturas e tecnologias favorece o espírito científico. Ele até usa uma imagem para ilustrar a relevância das possíveis colaborações que encontros como esse propiciam: “É como fazer chá ou café. Para termos um bom resultado, precisamos misturar as substâncias com a água. Em pesquisa também é assim, precisamos integrar os conhecimentos e produzir uma mistura de inteligências para construir ciência”.

Mestrando em computação no Canadá, Jalasaya está fazendo intercâmbio no Brasil

Mas será que os ingredientes que os pós-graduandos utilizam para fazer ciência na academia são idênticos aos que precisarão empregar caso optem por atuar no mercado? Ao relatar sua trajetória profissional durante o evento, o cientista de dados Eduardo Hruschka explicou que há muitas diferenças entre esses dois universos, mas enfatizou o quanto a aproximação entre academia e mercado pode gerar bons frutos para ambos. 

Ninguém melhor do que Eduardo para falar sobre esse assunto, já que tem extensa experiência tanto na academia quanto no mercado. Começou ministrando aulas em universidades particulares e, em 2007, tornou-se professor no ICMC. Sete anos depois, afastou-se do Instituto para atuar no mercado. Este ano, assumiu a superintendência do Centro de Excelência em Big Data Analytics do Itaú-Unibanco.

Adenilso e Eduardo no palco do auditório onde as duas palestras do evento aconteceram

Estímulo à colaboração – Como coordenador do Programa de Pós-Graduação em Computação do ICMC, Adenilso conhece bem quais são as oportunidades que podem surgir a partir do fomento às parcerias científicas. Há muitas pontes que podem ser construídas entre os cerca de 800 mestrandos e 600 doutorandos matriculados atualmente nos 11 programas de pós-graduação em computação do Estado de São Paulo. 

Na tentativa de estimular essas colaborações, o professor construiu uma metodologia especialmente para o evento: um simples código capaz de identificar similaridades entre as palavras-chaves contidas nos resumos dos 177 trabalhos que foram expostos na mostra de pôsteres. Assim, os projetos que tinham algum tipo de relação foram apresentados em uma mesma área do salão, propiciando mais oportunidades para que os autores daqueles estudos interagissem entre si.

Além disso, durante a mostra, metade dos alunos ficava diante dos pôsteres para a apresentação enquanto a outra metade circulava pelo local. Uma hora depois, a dinâmica se invertia: a metade que tinha apresentado passava a circular e quem estava circulando tornava-se expositor.

“Até onde tenho conhecimento, nenhum estado brasileiro tentou fazer algo assim antes: integrar os programas de pós-graduação”, explica Osvaldo de Oliveira, coordenador do Programa de Mestrado em Ciência da Computação da Faculdade Campo Limpo Paulista (FACCAMP). Para ele, os programas têm muito a ganhar não só com as colaborações científicas que podem surgir a partir desse primeiro encontro, mas também a partir da realização de ações conjuntas futuras como a oferta integrada de disciplinas. “Estamos discutindo várias possibilidades, são iniciativas que trarão benefícios para os programas, para os alunos e também para a sociedade”, acrescenta Osvaldo.

Iniciativa estimulou colaborações científicas 

Desafios comuns – De 2013 a 2016, 316 doutores e 891 mestres em computação foram formados em São Paulo. “O Estado é responsável por cerca de 15% de todos os programas de pós-graduação em computação existentes no Brasil, que formam aproximadamente 15% dos mestres e 30% dos doutores do país nessa área”, ressalta Adenilso.

De fato, há diversos resultados positivos no Estado que merecem ser comemorados, mas o professor Roberto Cesar Junior, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, também chama a atenção para o fato dos brasileiros estarem muito aquém do restante do mundo quando o assunto é excelência em pesquisa: “Temos muitos problemas quando analisamos os dados referentes aos impactos científicos e às colaborações internacionais”.

Conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) desde 2006, Roberto foi um dos palestrantes do evento e mostrou uma série de dados para fundamentar a afirmação. Por exemplo, o Brasil aparece muito abaixo da média mundial quando se leva em conta o impacto dos artigos científicos publicados. 

Para aumentar o impacto intelectual da ciência feita no país, Roberto diz é preciso seguir um princípio básico desde a fase de concepção dos projetos: os pesquisadores devem avaliar o conhecimento de ponta que está sendo produzido no mundo em seu campo de estudo, identificar lacunas e gerar ideias que possam resolver os problemas ainda não solucionados no mundo. Segundo ele, é necessário, ainda, estabelecer mais cooperações internacionais, criar mecanismos eficientes para atrair, selecionar e manter talentos, além de desenvolver ferramentas para avaliar a excelência da pesquisa e da formação. 

Para enfrentar desafios como esses, nada melhor do que unir forças. “Quando colaboramos com quem está a nosso redor, todos crescem. Nesse caso, um mais um é mais do que dois”, finaliza Osvaldo.

Para o professor Roberto, é preciso aumentar o impacto intelectual da ciência feita no Brasil

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Espaço na USP estimula futuros engenheiros de computação a inovar

Estudantes do campus de São Carlos agora têm à disposição um ambiente criado especialmente para estimular a inovação e a colaboração: o Espaço EngComp

Inauguração contou com a presença do diretor da EESC, do diretor do ICMC e
do pró-reitor de Pós-Graduação da USP (da esquerda para a direita)

A área de engenharia de computação vem passando por uma profunda transformação. Capacidade de inovar, de trabalhar em colaboração e de empreender são competências cada vez mais exigidas nesse campo, que já nasceu transdisciplinar, na intersecção entre a eletrônica e a computação.

“Apesar de termos um curso muito bem estruturado pedagogicamente, considerando a grade curricular, com professores qualificados e laboratórios bem equipados, faltava esse algo a mais que, hoje, está sendo solicitado nesse campo de atuação”, explica o professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). Ele é coordenador do curso de Engenharia de Computação, oferecido em parceria pelo ICMC e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

Segundo o professor, nesse novo cenário, não basta propiciar aos estudantes aulas seguindo o modelo clássico: “É preciso ter um espaço onde se possa inovar de verdade, experimentar, sair do currículo que está pré-definido e desenvolver projetos que possam levar à criação de novos produtos”. Para atender a essa necessidade, nasceu o projeto Espaço EngComp. “É um ambiente colaborativo, no estilo de coworking, um lugar para inovar e empreender. Isso é indispensável em um curso moderno na área de engenharia de computação”, completa Osório.

Inaugurado no dia 22 de junho, o Espaço EngComp foi concebido desde o início levando em conta os princípios da gestão participativa. A partir da criação de uma Comissão Gestora Administrativa da Engenharia de Computação, que conta com a participação de professores, funcionários e alunos do ICMC e da EESC, o espaço foi ganhando forma. “São vários laboratórios que têm ambientes compartilhados e podem ser utilizados por todos os atores envolvidos no processo. A missão desse lugar é gerar inovação, ampliar as relações interpessoais e, principalmente, integrar-se aos projetos de graduação”, revelou o professor Ivan Nunes da Silva, da EESC, que coordena a Comissão.

Além de um vão livre, que conecta o Espaço EngComp ao prédio onde hoje acontece a maioria das atividades do curso de Engenharia de Computação, na área II do campus da USP, em São Carlos, o ambiente também abriga um auditório no andar térreo. Subindo as escadas, é possível acessar os oito laboratórios especializados, o laboratório multiuso, a sala de reuniões e os espaços de convivência. Na sala 8-117, está o Espaço Maker. “Nesse ambiente temos impressora 3D, diversos kits, osciloscópios, placas de circuitos e toda a infraestrutura necessária para desenvolver um projeto de eletrônica e computação”, explica Osório, que coordena o local junto com o professor Maximiliam Luppe, da EESC.

A criação do Espaço foi toda pautada pela perspectiva do aprendizado ativo, em que os estudantes aprendem fazendo. É um lugar propício para a prática do aprendizado a partir da resolução de problemas e para abordagens do tipo mão na massa.

Durante a inauguração, projetos realizados por grupos de pesquisa e de extensão foram apresentados

Superação em parceria – A história de superação e parceria que habita esse espaço foi relatada pelo professor Alexandre Nolasco de Carvalho, diretor do ICMC. De volta a 2014, lembrou-se do dia em que ele e o professor Geraldo Roberto Martins da Costa, na época diretor da EESC, visitaram o espaço. Eles foram acompanhados pelo vice-reitor da USP, Vahan Agopyan, pelo Superintendente de Espaço Físico, Oswaldo Nakao, e pelo arquiteto Sérgio Assumpção, que já faleceu. Era um momento difícil, início da atual gestão reitoral da USP e a crise financeira da Universidade impunha a paralisação de diversas obras que estavam por concluir.

“A estrutura básica do prédio estava pronta, mas ainda restava uma parte significativa para que o edifício pudesse ser utilizado. Essa visita sensibilizou a reitoria da USP sobre a necessidade de conclusão da obra”, contou o diretor do ICMC. Apesar do apoio da reitoria, a escassez de recursos impôs cortes ao orçamento. “Demos andamento à licitação da obra, que se iniciou em dezembro de 2014. Em julho do ano seguinte, ela foi entregue. Porém, em função dos cortes, faltava realizar a instalação elétrica e lógica, o condicionamento térmico, mobiliar o local, adquirir os equipamentos para os laboratórios, além de fazer toda a jardinagem do entorno”.

Esses desafios não interromperam o projeto: “O ICMC e a EESC fizeram o que se deve fazer em tempos de crise”. Nolasco explicou passo a passo as parcerias estabelecidas para superar as dificuldades: “com o apoio dos servidores da EESC construímos parte da mobília que equipa os laboratórios; com o apoio dos servidores do ICMC, fizemos a instalação elétrica e lógica; com o apoio da Prefeitura do Campus, equipamos o auditório e alguns laboratórios com carteiras e também fizemos esse lindo gramado que cerca o edifício; com o apoio da Pró-Reitoria de Graduação, adquirimos parte dos equipamentos dos laboratórios”.

Sem deixar a emoção de lado, Nolasco falou do orgulho que sente de toda a equipe que ajudou nessa construção. “Quando, diante de adversidades, conseguimos nos unir para atuar no seu enfrentamento, ganhamos a confiança necessária para solucionar a maioria das dificuldades.” Segundo ele, será preciso ainda muito trabalho até que o prédio esteja em condições ideais de uso: “Apesar de todas as restrições orçamentárias, não tenho medo: acredito que seremos bem sucedidos porque fomos capazes de trabalhar em parceria”.

O diretor da EESC, professor Paulo Sergio Varoto, recordou que a união entre EESC e ICMC começou em 2003, quando foi criado o curso de Engenharia de Computação. “No começo, tínhamos certa angústia por se tratar de uma ação em parceria: como o curso vai funcionar? Onde os alunos vão estudar? Porém, em pouco tempo, pela fortíssima empatia que temos com o ICMC, percebemos que as ações de gestão e acadêmicas seriam facilitadas”, disse Varoto. Para ele, essa parceria reflete uma vocação do campus da USP em São Carlos: “Essa é uma ação integradora, multidisciplinar. Embora a Engenharia de Computação já seja uma graduação consolidada ou em fase final de consolidação no país, no âmbito do nosso campus foi uma atitude, de certa forma, pioneira e mostra nossa vocação de trabalhar nas áreas de interface entre as unidades”.

Representando o reitor da USP, o pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Gilberto Carlotti Jr., encerrou a cerimônia de inauguração do Espaço EnComp ressaltando a relevância do estabelecimento dessas parcerias: “Sem a interdisciplinaridade, a transdisciplinaridade, não vamos conseguir resolver problemas realmente profundos da sociedade e chegar a uma ciência de primeiro mundo. Essa interação que vocês estão fazendo entre o ICMC e a EESC é o único caminho para resolvermos esses problemas. Já foi a época em que uma área resolvia tudo sozinha”.

O pró-reitor estimulou todas as unidades a seguirem o exemplo: “Acho que é isso que a Universidade espera dos nossos grupos de pesquisa, dos nossos professores: essa busca pelo conhecimento, pelo trabalho em conjunto e pela solução de problemas de uma grandeza maior do que aqueles que resolvíamos até pouco tempo. Exemplos como esse, em que mesmo em momento de crise temos inaugurações e inovações, refletem o espírito da USP. E só conseguimos fazer isso por causa da qualidade de nossos professores, alunos e servidores”, finalizou.

Pró-reitor de Pós-Graduação estimulou todas as unidades da USP a realizarem parcerias

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Fernando Mazzola – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um festival de divulgação científica sem fronteiras

Os cientistas vão invadir bares e restaurantes de 22 cidades brasileiras, conectados a um dos maiores eventos de divulgação científica do mundo, que acontecerá simultaneamente em mais 10 países



Divulgar a ciência para o público em geral é o fio condutor de uma iniciativa que vai unir Brasil, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, França, Irlanda, Itália e Reino Unido. Mais de 100 cidades espalhadas por esses 10 países realizarão simultaneamente, nos dias 15, 16 e 17 de maio, um dos maiores festivais de divulgação científica do mundo: o Pint of Science.

“Este ano, o evento se expandiu e alcançará 22 cidades em todo o Brasil”, revela a coordenadora nacional da iniciativa, Natalia Pasternak. O Pint of Science pode ser comparado a um grande festival de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. Só que, nesse caso, em vez de artistas, há pesquisadores conversando com o público em restaurantes, cafés e bares. No lugar da música, a melodia que será ouvida nesses palcos está relacionada a biologia, computação, engenharia, estatística, filosofia, física, história, matemática, química, sociologia e muito mais. 

“O Brasil é o primeiro país sul-americano a fazer parte do festival e o sucesso estrondoso de 2016 mostra que os brasileiros amam ciência e querem realmente matar sua sede de conhecimento”, destaca Michael Motskin, diretor e fundador do Pint of Science. O festival nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP realizou o evento em São Carlos, no interior paulista, colocando o Brasil no mapa do Pint of Science.

Em 2016, a faísca da divulgação científica se espalhou por sete municípios brasileiros e, este ano, atingirá 10 cidades paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, a iniciativa chegará a municípios brasileiros localizados no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste: Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Brasília (DF), Curitiba (PR), Dourados (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Teresina (PI).

Em 2016, o evento contabilizou um público de aproximadamente 7,3 mil pessoas no Brasil

O evento é gratuito no Brasil e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que acontecerão os bate-papos científicos. “A ciência brasileira enfrenta uma de suas maiores crises de financiamento e credibilidade. Por isso, divulgá-la nunca foi tão importante e tão urgente quanto agora”, explica a coordenadora nacional, que é doutora em genética molecular pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Rede de voluntários – Em cada uma das 22 cidades brasileiras que realizarão o Pint of Science, existe um grupo de voluntários trabalhando para organizar os diversos bate-papos com os pesquisadores. Há um coordenador em cada cidade, bem como coordenadores regionais. O desafio deles é levar o conhecimento científico à população, de uma forma descomplicada, possibilitando que as pessoas esclareçam suas dúvidas diretamente com quem faz ciência. “Restaurantes, cafés e bares também são lugares adequados para os cientistas divulgarem suas pesquisas. Nosso objetivo é mostrar que, sem ciência, tecnologia e inovação, não existe desenvolvimento”, acrescenta Natalia.

Em 2016, o festival mobilizou 118 especialistas brasileiros e 110 voluntários

De acordo com a coordenadora, o Pint of Science possibilita, ainda, que a população conheça como é o trabalho de um pesquisador, uma jornada repleta de encantos e desencantos, tal como a trajetória de qualquer outro profissional. Dessa forma, cria-se a oportunidade para o estabelecimento de uma comunicação mais informal, descontraída e humana entre os cientistas e a população: “É um momento para nos unirmos e fazermos um brinde à ciência, rompendo todas as fronteiras”. 

A programação dos bate-papos que acontecerão nas 22 cidades brasileiras será disponibilizada no site do evento a partir do dia 27 de março. O Pint of Science conta com o apoio de várias instituições e já confirmaram patrocínio em âmbito nacional a Elsevier, a empresa Galoá e três Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades; e o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros.

Programação das cidades será divulgada a partir de 27 de março


Texto: Denise Casatti
Coordenadora da Assessoria de Comunicação do Pint of Science Brasil e Analista de Comunicação no ICMC/USP

Fotos: equipe Pint Ribeirão Preto

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Página no Facebook: www.facebook.com/pintbrasil
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

terça-feira, 10 de maio de 2016

Workshop de pós-doutorandos do ICMC acontece dia 16 de junho

No ano passado, foi realizada a primeira edição do evento
Incentivar a interação e colaboração entre os pós-doutorandos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, é o objetivo do segundo Workshop de Pós-Doutorandos. O evento acontecerá dia 16 de junho, das 9 às 18 horas, e contará com apresentações orais, apresentações de pôsteres e mesa redonda. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até dia 10 de junho. 

O Workshop é uma iniciativa da Comissão de Pesquisa (CPq) do Instituto para possibilitar que os participantes divulguem seus projetos e apresentem os recentes avanços científicos na área de interesse. Todos os pós-doutorandos do ICMC estão convidados a submeterem resumos de seus trabalhos para apresentação oral ou pôster. As apresentações podem ser feitas em português ou inglês.

Para se inscrever, basta acessar o formulário online. O Workshop também é aberto à participação de alunos de graduação, pós-graduação e professores do ICMC. As apresentações orais ocorrerão durante a manhã simultaneamente nos dois auditórios do ICMC: Fernão Stella de Rodrigues Germano (bloco 6) e Luiz Antonio Favaro (bloco 4). Já as apresentações de pôsteres e mesa redonda acontecerão no período da tarde, no hall da biblioteca Achille Bassi.

Mais informações
Formulário para inscrições: icmc.usp.br/e/3a5d9
Comissão de Pesquisa do ICMC: (16) 3373.8876

terça-feira, 5 de maio de 2015

Pesquisadores do ICMC ajudam a mapear áreas destruídas do Nepal

Grupo de pesquisadores do Instituto usa programa de mapeamento para orientar as forças humanitárias que atuam em Katmandu

Os mapas produzidos são disponibilizados em um banco mundial de dados
Identificar ruas, prédios, pontes e estradas no Nepal por meio de imagens de satélite, contribuindo para ajudar as forças humanitárias que estão atuando no local. Esse é o objetivo de um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Após ser atingido por um terremoto que devastou grande parte do território e afetou 8 milhões de pessoas, o Nepal prioriza agora o atendimento aos sobreviventes. O número de desalojados que precisam receber mantimentos e remédios é enorme e o mapeamento realizado pelos pesquisadores é importante para otimizar o trabalho das forças humanitárias e, a longo prazo, para ajudar na futura reconstrução do país.

O professor João Porto de Albuquerque, coordenador da iniciativa no ICMC, explica que o mapeamento está relacionado a um projeto que o Instituto desenvolve em parceria com a Universidade de Heidelberg, na Alemanha, desde 2011. Essa parceira possibilitou a utilização de uma plataforma de mapas colaborativos, a partir do software livre OpenStreetMap, que é capaz de mapear regiões em situação de risco. “Através da plataforma, nós produzimos mapas colaborativos e conseguimos colocar no território os elementos que, antes, existiam ali, como, por exemplo, prédios. Isso ajuda a fazer a coordenação logística das operações de resgate e assistência às pessoas”, revela Albuquerque.

A parceira entre o ICMC e a Universidade de Heidelberg deu origem a um grande projeto, chamado Geospatial Open collaboRative Architecture for Building Resilience against Disasters and Extreme Events (ÁGORA), que atua em prol da gestão de sistemas de informação colaborativos aplicados em desastres. Financiado pelas principais agências de fomento à pesquisa do país (FAPESP, CNPq e Capes), o ÁGORA dedica-se especialmente ao estudo das enchentes que atingem o Brasil.

Outra relevante ferramenta desenvolvida em Heildelberg como parte desse projeto e que está sendo empregada agora no Nepal é um sistema de roteamento que possibilita considerar, no planejamento de uma rota, ruas que estejam bloqueadas por escombros ou estradas que racharam devido aos tremores, ressaltando os elementos críticos existentes no local, tais como hospitais e escolas.

“Esse roteamento considera as informações do OpenStreetMap e consegue traçar uma rota alternativa, caso algum caminho esteja bloqueado”, afirma Albuquerque. Dessa forma, o programa de alimentação das Nações Unidas (World Food Program) e o Kathmandu Living Labs, grupos que atuam no local e com os quais os pesquisadores estão frequentemente em contato, podem ter acesso a essas informações por meio da ferramenta, que reúne um banco mundial de dados.

Considerando que o Nepal é uma área com grande risco de abalos sísmicos, a parceira entre os pesquisadores do projeto ÁGORA e o Kathmandu Living Labs começou há três anos, quando passaram a ser realizados mapeamentos colaborativos preventivos na região. Após o desastre, essa ação se intensificou.
Os pesquisadores mapeiam o território nepalês e indicam a melhor logística de atuação das forças humanitárias
Quem são eles - No grupo de pesquisadores do ICMC que está atuando no mapeamento do Nepal, há alunos de graduação e de pós-graduação. Além de todo o aspecto humanitário do trabalho que estão realizando, a iniciativa ajuda os estudantes a compreenderem como essa tecnologia pode ser aplicada em outras situações semelhantes de catástrofes no cenário nacional e internacional. 

O aluno de doutorado Roberto Rocha está empolgado com o aprendizado obtido: “Foi uma ótima missão ajudar as vítimas dessa tragédia. É muito importante trabalharmos com pesquisa aplicada”, conta o aluno.

As redes sociais também são monitoradas. Se algum usuário, por exemplo, postar uma foto que mostre estragos, é possível fazer a geolocalização da imagem e adicionar a informação ao mapa. Desde a catástrofe, no dia 25 de abril, milhares de estradas e prédios foram registrados pelo programa. 

No mundo, já são mais de quatro mil voluntários que, assim como os pesquisadores do ICMC, ajudam a fazer o mapeamento. No ICMC já existem mais de 50 voluntários integrando essa rede mundial de solidariedade que realiza eventos de mapeamento no mundo inteiro.

Os trabalhos prometem continuar por muitos dias. Mas se depender do estudante de mestrado do ICMC Raul Castanhari, não vai faltar disposição para continuar ajudando: “É prazeroso estar num projeto desses, ver os resultados do seu trabalho levando benefícios à sociedade é muito motivador”, finaliza o estudante.

Texto: Denise Casatti e Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Sobre o mapeamento no ICMC: http://www.agora.icmc.usp.br/site/noticias/
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br