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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Modelando a atividade neuronal: evento da USP e da UFSCar acontece dia 13


Dia Temático do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística terá como foco um campo particular da neurociência

Gratuito e aberto a todos os interessados, evento acontecerá das 9h45 às 17h15 no auditório 3 da UFSCar

Um dos grandes desafios da humanidade é entender como o sistema nervoso funciona e como interage com o corpo. Já a atividade dos neurônios é um campo particular de estudo em neurociência, que demanda a colaboração entre pesquisadores das mais variadas áreas do conhecimento. Possibilitar a interação entre estatísticos, matemáticos, físicos e demais cientistas que atuam no campo da neurociência é um dos objetivos do evento Modelando a atividade neuronal, que acontecerá na sexta-feira, 13 de dezembro, em São Carlos.

A iniciativa será realizada no auditório 3 da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ao lado da Biblioteca Comunitária da Universidade, das 9h45 às 17h15. A palestra de abertura abordará a forma da comunicação vocal e será ministrada pelo professor Daniel Takahashi, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Takahashi é membro do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat), uma das instituições que estão promovendo o evento em parceria com o ProgramaInterinstitucional de Pós-Graduação em Estatística (PIPGEs) – oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP e pela UFSCar.

Mais dois pesquisadores do CEPID NeuroMat farão palestras no evento: o professor Guilherme Ost, do departamento de Matemática e Estatística da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falará sobre o estudo da atividade neuronal através de processos pontuais, abordando os Teoremas Limites; já a palestra O Cérebro Estatístico será ministrada pela professora Aline Duarte de Oliveira, do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Encerrando as atividades, o professor Luciano Costa, do Instituto de Física de São Paulo, discorrerá sobre a neurociência de redes.

Gratuito e aberto a todos os interessados, o evento conta, ainda, com o apoio das principais agências de fomento à pesquisa do País: FAPESP, Capes e CNPq. Para participar, basta enviar um e-mail solicitando sua inscrição para o endereço sandro.gallo@ufscar.br.

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

6º Dia Temático PIPGEs: modelando a atividade neuronal
Quando: sexta-feira, 13 de dezembro, das 9h45 às 17h15
Onde: auditório 3 da UFSCar ao lado da Biblioteca Comunitária da Universidade
Site do evento: icmc.usp.br/e/1d012
Solicitação de inscrições: sandro.gallo@ufscar.br


Mais informações
Seção de eventos do ICMC: (16) 3373.9622
E-mail: eventos@icmc.usp.br

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Ferramenta para análise de big data auxilia tomada de decisão na área médica

Professora do ICMC coordena projeto que reúne cientistas da computação, médicos, matemáticos e outros pesquisadores

Rangaraj Rangayyan (à esquerda), Agma Traina e Marco Gutierrez: três dos 25 pesquisadores que fazem parte do projeto temático Mineração, indexação e visualização de Big Data no contexto de sistemas de apoio à decisão clínica (MIVisBD)
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Sistemas computacionais sofisticados, capazes de armazenar, indexar, analisar e dar sentido a grandes conjuntos de dados não processáveis por softwares tradicionais, poderão se tornar ferramentas essenciais para apoiar a tomada de decisão na área médica.

Pesquisas direcionadas a esse objetivo têm sido conduzidas pelo Grupo de Bases de Dados e de Imagens (GBdI) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP) em São Carlos. O tema foi abordado pela professora Agma Traina, em palestra apresentada na FAPESP Week France.

“Um dos maiores desafios no campo da Ciência da Computação é integrar, organizar e aproveitar grandes volumes de dados multimodais de plataformas diversificadas para impulsionar processos de tomada de decisão. Ou seja, tornar possível usar dados de fontes variadas, como exames, monitoramento e tratamento de pacientes, para coletar informações de casos semelhantes e construir uma melhor compreensão sobre um determinado caso”, disse Traina.

As pesquisas feitas no laboratório do GBdI lidam com grandes quantidades de dados complexos, oriundos de hospitais públicos do Estado de São Paulo. O grupo trabalha principalmente com imagens e vídeos capazes de fornecer aos médicos informações sobre casos similares tratados no passado.

“Quando um especialista analisa, por exemplo, a radiografia do tórax de um paciente, ele pode até se lembrar de ter visto um resultado semelhante no passado, mas dificilmente saberá quando ou onde foi e com qual paciente. Mas, se puder buscar instantaneamente em uma base de dados por casos similares, exames, resultados e tratamentos indicados no passado, poderá tomar decisões com menos esforço e mais confiança”, disse Traina à Agência FAPESP.

Parte da pesquisa tem apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático coordenado por Traina. Ela conta que o projeto envolve organização de bases de dados, métodos de acessos métricos (empregados para acelerar a avaliação de consultas semelhantes), processamento e visualização de imagens que permitem oferecer a médicos especialistas ferramentas, algoritmos e métodos para reunir e acessar informações muito valiosas de casos antigos e atuais.

“Precisamos para isso reunir profissionais em aprendizado de máquina, base de dados, linhagem de dados [sobre a origem dos dados], visualização e processamento de imagens. Em nosso grupo, temos cientistas da computação, médicos, matemáticos e outros pesquisadores que trabalham integrados, de modo a resolver os problemas propostos”, disse a pesquisadora, que também é membro da Coordenação de Área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

Traina destaca que o tamanho e a complexidade das bases de dados de registros eletrônicos de pacientes oferecem grandes desafios de processamento, tanto em termos de desenvolvimento e de aplicação de técnicas de análise e de extração de conhecimento, como no apoio ao desenvolvimento de ferramentas práticas para uso clínico.

“No entanto, também incorporam uma infinidade de oportunidades para criar algoritmos e métodos capazes de exibir informações relevantes relacionadas com um paciente particular ou grupos de pacientes, que estariam usualmente ocultas pelo grande volume de dados”, disse.

“Além disso, a manipulação eficiente desses dados ajuda a tornar os registros eletrônicos de pacientes em uma plataforma mais úteis para apoiar os profissionais de saúde, lidando com aplicações médicas de rápida demanda, bem como decisões governamentais estratégicas em saúde”, disse.

O simpósio FAPESP Week France foi realizado entre os dias 21 e 27 de novembro, graças a uma parceria entre a FAPESP e as universidades de Lyon e de Paris, ambas da França. Leia outras notícias sobre o evento em www.fapesp.br/week2019/france.



Texto: Heitor Shimizu, de Lyon – Agência FAPESP

Acesse aqui a reportagem original da Agência FAPESP. A Agência FAPESP licencia notícias via Creative Commons (CC-BY-NC-ND) para que possam ser republicadas gratuitamente e de forma simples por outros veículos digitais ou impressos. A Agência FAPESP deve ser creditada como a fonte do conteúdo que está sendo republicado e o nome do repórter deve ser atribuído.

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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Simulação computacional ajuda a entender o transporte de partículas suspensas na atmosfera

Pesquisadores da USP usam simulações computacionais para entender como ocorre o transporte de partículas microscópicas, conhecidas como aerossóis, entre as diferentes camadas atmosféricas

As queimadas florestais, como as ocorridas em agosto, na Amazônia, estão entre as fontes antropogênicas de aerossol (crédito da imagem: NASA)

Além de influenciar o clima, as chuvas e a agricultura, o material particulado suspenso na atmosfera pode afetar a saúde humana, favorecendo doenças respiratórias, cardiovasculares e até mesmo câncer. Por esse motivo, tem sido objeto de estudos em diversos países.

No Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), um grupo coordenado pela professora Livia Freire tem usado simulações computacionais para entender como ocorre o transporte dessas partículas microscópicas, também conhecidas como aerossóis, entre as diferentes camadas atmosféricas. As fontes de aerossol podem ser naturais (como os compostos orgânicos voláteis emitidos pelas árvores) ou antropogênicas (como a fumaça emitida por veículos, fábricas e queimadas florestais). 

A pesquisa tem apoio da FAPESP e foi apresentada por Freire durante o simpósio FAPESP Week France. “Nosso interesse é saber como os aerossóis são transportados pelo escoamento atmosférico, um movimento muito complicado de simular e de compreender por ser turbulento. Estamos desenvolvendo modelos numéricos que simulam o escoamento da atmosfera e como ele transporta partículas. O objetivo é chegar a equações simples, que pesquisadores em outras áreas possam usar para entender a concentração de partículas na atmosfera”, disse Freire à Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora, para prever o comportamento das partículas e determinar, por exemplo, sua concentração em um determinado local e hora, é necessário entender o escoamento turbulento presente na camada-limite atmosférica, como é chamada a região que corresponde às primeiras centenas de metros da atmosfera. “É uma região que concentra todas as trocas de energia, gases e partículas entre a atmosfera e os elementos que compõem a superfície do planeta”, explicou.

“O problema dos escoamentos turbulentos [em que as partículas se misturam de forma caótica, com turbulência e redemoinhos] é muito complexo, pois envolve várias escalas, desde a escala da própria atmosfera até outras muito pequenas, como os vórtices turbulentos que transportam partículas. Para simular isso em computador, precisamos representar todas essas escalas, o que implica um aumento significativo nos custos de computação. É um grande desafio representar todos os diferentes componentes da atmosfera em um sistema computacional com custo viável”, disse Freire.



Large-Eddy Simulation - De acordo com Freire, a camada-limite atmosférica possui um escoamento turbulento cuja representação computacional mais fiel é obtida pela técnica chamada de Large-Eddy Simulation (LES).

“Por sua natureza complexa, o estudo da turbulência tem como base o uso de simulações numéricas combinadas com a análise de dados experimentais. Para o escoamento atmosférico, o uso da técnica LES fornece indicadores importantes sobre o comportamento único da turbulência. Progressos significativos têm sido feitos no desenvolvimento de modelos para o transporte de matéria e energia na atmosfera em condições simplificadas”, disse.

“Por exemplo, a concentração média de partículas finas emitidas de uma região de solo plano e nu pode ser representada por uma simples relação de fluxo-perfil, um resultado encontrado a partir do uso de LES”, acrescentou.

Segundo Freire, os avanços na capacidade computacional oferecem uma oportunidade para investigar problemas mais complexos, como o transporte de partículas na presença de florestas e cidades.

“Estamos usando o LES, uma ferramenta numérica avançada, para desenvolver novos modelos que permitam explicar o transporte de partículas na atmosfera. Isso poderá aumentar nossa compreensão e nossa capacidade de prever seu papel no meio ambiente”, disse.

Na pesquisa com o LES, Freire tem trabalhado com os professores Leandro Franco de Souza, do ICMC, e Amauri Pereira de Oliveira, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, ambos da USP, e com David Richter, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.

O simpósio FAPESP Week France foi realizado entre os dias 21 e 27 de novembro, graças a uma parceria entre a FAPESP e as universidades de Lyon e de Paris, ambas da França. Leia outras notícias sobre o evento em www.fapesp.br/week2019/france.

Texto: Heitor Shimizu, de Lyon - Agência FAPESP

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O mais avançado Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial do Brasil terá núcleo em São Carlos

Com recursos da IBM, da FAPESP e da USP, iniciativa é resultado da maior parceria já estabelecida no País entre o setor acadêmico e uma empresa de tecnologia da informação para a colaboração em inteligência artificial

Sede principal do projeto será no Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo
(crédito da imagem: Isabella Velleda - Jornal do Campus)

Conhecida como a capital da tecnologia, São Carlos está no mapa do mais avançado Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil. Com recursos que virão da IBM, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da USP, o novo Centro terá um de seus núcleos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), localizado no campus da Universidade em São Carlos. 

“O Brasil tem hoje uma comunidade científica forte em inteligência artificial que pode fazer grandes contribuições em áreas nas quais o Brasil tem chance real de ser líder internacional ou já lidera de alguma forma. Agora, com o novo centro de pesquisa, podemos catalisar os esforços”, explicou o coordenador do projeto, Fabio Cozman, durante o evento IBM Research Brasil Colloquium 2019 – os caminhos da inteligência artificial no Brasil, em São Paulo. 

Professor da Escola Politécnica da USP, Cozman estará no ICMC na quarta-feira, 28 de novembro, para apresentar o projeto do novo Centro de Inteligência Artificial. O evento é gratuito, aberto a todos os interessados e acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, a partir das 17 horas. No evento, o público poderá compreender como funcionará o projeto e, ao final da apresentação, esclarecer as dúvidas. 

Com início das atividades previsto para o começo de 2020, o projeto terá como sede principal o Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo. A iniciativa agrega mais de 60 pesquisadores da USP e das universidades Estadual Paulista (UNESP) e Estadual de Campinas (UNICAMP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Centro Universitário FEI e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Considerando apenas os cientistas vinculados à USP, há pesquisadores de 14 unidades e expressiva participação de professores do ICMC, tornando o Instituto um dos principais polos do novo projeto. 

“Para São Carlos e para o ICMC, é extremamente relevante fazer parte do primeiro centro de inteligência artificial de grande porte do Brasil. O impacto dessa área na sociedade, especialmente considerando os empregos e o controle de informações em massa, demanda um posicionamento urgente do nosso País em relação ao assunto”, explica o professor Fernando Osório, do ICMC, que será o coordenador de difusão e comunicação do novo centro. “Os países mais desenvolvidos já estão fazendo isso e não podemos ficar para trás”, completa. 

Osório destaca que, logo após a divulgação de que a USP sediaria o novo centro, o que aconteceu em 4 de outubro durante o evento da IBM, houve também o anúncio de que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) articulava a criação de mais centros de pesquisa na área. Tal como a iniciativa da IBM-FAPESP-USP, esses futuros centros devem ser constituídos a partir de chamadas em editais, estabelecendo parcerias público-privadas, além de ficarem instalados em universidades e institutos de pesquisa em São Paulo e em outros estados do país.

O professor Fernando Osório (o quarto em pé da esquerda para a direita) com a equipe do Laboratório de Robótica Móvel do ICMC, que tem realizado vários projetos em parceria com empresas. Um exemplo é o caminhão autônomo desenvolvido junto com a Scania. Com a implantação do novo Centro de Inteligência Artificial, a ideia é que mais iniciativas como essas sejam implementadas.

Investimento – Com financiamento de até 10 anos, IBM e FAPESP reservarão, cada uma, até US$ 500 mil anualmente para implementar o projeto, que contará com avaliações periódicas das atividades. Já a USP, por sua vez, investirá até US$ 1 milhão por ano em instalações físicas, laboratórios, professores, técnicos e administradores para gerir o centro. 

O projeto foi desenvolvido para abarcar aplicações de inteligência artificial em eixos de pesquisa envolvendo aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural, recursos naturais (óleo e gás), agronegócio, meio ambiente, finanças e saúde. Essas áreas também são foco do Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil. Haverá, ainda, um eixo transversal: inteligência artificial e sociedade, que contará com a contribuição de pesquisadores das ciências humanas, ligados a áreas como ciências políticas, direito e economia. Estão previstos, por exemplo, estudos sobre as implicações socioeconômicas da inteligência artificial na sociedade, contribuindo para debates que envolvam questões sobre ética, relação homem-máquina, privacidade e trabalho. 

“Nosso objetivo é levar a pesquisa em inteligência artificial no país a um novo patamar, com o intuito de beneficiar a sociedade. Estamos interessados em discutir como essa tecnologia pode ser melhor aproveitada pela sociedade”, conclui Cozman.



Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Com informações da Agência FAPESP, da Assessoria de Comunicação da IBM e da USP 


Apresentação do novo Centro de Pesquisa em Engenharia em Inteligência Artificial do Brasil 
Quando: quinta-feira, 28 de novembro, às 17 horas 
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC 
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400, São Carlos 
Atenção: o evento é aberto a todos os interessados e não demanda inscrições prévias


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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ex-aluno do ICMC é reconhecido pela melhor tese de doutorado em matemática, defendida no IMPA

Ele concluiu a graduação em matemática em São Carlos e, depois, partiu para o Rio de Janeiro, onde defendeu o doutorado no IMPA; hoje, está na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, fazendo pós-doutorado

Pedro deu os primeiros passos da carreira acadêmica no ICMC, onde desenvolveu projetos de iniciação científica por três anos
(crédito da imagem: Assessoria de Comunicação do IMPA)

Quando o garoto mineiro, de 17 anos, entrou pela primeira vez na sala do professor Fernando Manfio, estava cursando o primeiro semestre do Bacharelado em Matemática. Recém-chegado da pequena cidade de Muzambinho, no sul de Minas Gerais, Pedro Henrique Gaspar Marques da Silva visitaria aquela mesma sala do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, inúmeras outras vezes. 

Mas, desde a primeira vez, ele não bateu naquela porta tal como outros alunos costumam fazer no início de um curso de graduação. Pedro sequer conhecia Manfio e não queria esclarecer dúvidas, aliás, o professor nem ministrava aulas para a turma dos calouros naquele início de 2010. Só que os ouvidos atentos do garoto captaram uma valiosa informação: Manfio tinha uma bolsa de iniciação científica disponível. O melhor é que o professor pesquisava geometria, uma área da matemática que já encantava o garoto. 

“Desde muito cedo, percebemos que o mundo de Pedrinho era o mundo científico”, revela Manfio, na tarde de quarta-feira, 7 de agosto. Na mesma sala em que acolheu Pedro pela primeira vez, o professor conta que recebeu com felicidade, mas sem surpresa, a notícia de que o ex-aluno é o ganhador, este ano, do Prêmio Carlos Gutierrez de Teses de Doutorado. O Prêmio reconhece, a cada ano, a melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior. 

Sob orientação de Manfio, Pedro percorreu o início de sua jornada acadêmica: foram três anos de iniciação científica, todos com bolsas de estudo, um ano com recursos provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e dois com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “É o típico aluno que todo professor sonha ter: educado, pontual, escreve formidavelmente bem e com uma maturidade matemática excepcional. Ele está, com certeza, entre os melhores estudantes que tivemos em nosso Instituto nos últimos 10 anos, considerando a capacidade intelectual de compreender a matemática moderna”, ressalta o professor do ICMC. 

Como resultado da pesquisa que realizou na iniciação científica, Pedro conheceu, em novembro de 2012, pela primeira vez, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), quando foi participar da sexta edição do Simpósio Nacional Jornadas de Iniciação Científica no Rio de Janeiro. O garoto já surpreendeu o público na apresentação do trabalho Fibrações Localmente Triviais e os Grupos Fundamentais de Grupos de Lie Clássicos, realizada durante o evento (disponível no Youtube). Talvez ele já soubesse, naquele tempo, que seria apenas a primeira das inúmeras vezes que percorreria os corredores do IMPA. 

Rumo ao doutorado – Quando estava finalizando a graduação, angustiado com o futuro, Pedro consultou Manfio. “Se você gosta de geometria diferencial, tem um pesquisador fenomenal nessa área lá no IMPA, o Fernando Codá”, respondeu o professor. Em janeiro de 2013, Pedro participou do Programa de Verão do IMPA e, logo depois de concluir a graduação no ICMC, o garoto de Minas partiu para o IMPA fazer seu doutorado sob supervisão de Codá. 

“Passei diretamente da graduação ao doutorado. Os projetos de iniciação científica tiveram um papel fundamental na minha formação e em minhas escolhas acadêmicas", conta Pedro. "Em tais projetos, tive um primeiro contato com a atividade de fazer matemática, do ponto de vista da pesquisa, e logo me decidi pela área em que gostaria de trabalhar. Acredito que o suporte de meu orientador, nessa época, foi essencial para que eu desenvolvesse o gosto por aprender e por investigar”, completa.

Passados cinco anos depois da chegada ao IMPA, em 4 de julho de 2018, Pedro se despediu da instituição apresentando mais um trabalho: a defesa da tese de doutorado A equação de Allen-Cahn e aspectos variacionais de hipersuperfícies mínimas. O estudo garantiu a ele a conquista do Prêmio Professor Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon 2019, destinado à melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior à premiação, nos quesitos originalidade e qualidade. Ele receberá a premiação em uma cerimônia que acontecerá dia 27 de agosto, às 14 horas, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC. O evento é parte da programação do Workshop de Teses e Dissertações em Matemática do Instituto. 

“Pedro nunca teve medo de enfrentar um problema matemático. Quando me procurava para tirar alguma dúvida, era porque já tinha esgotado todas as possibilidades de encontrar uma resposta”, conta Manfio. “É o tipo de aluno excepcional e o orientador deve tomar cuidado, nesse caso, para não exercer um papel de desorientador. É preciso fornecer desafios à altura, que façam o estudante se sentir motivado”, completa. 

Ao recordar a história de Pedro, Manfio se lembra de sua trajetória e traça um paralelo: foi também um projeto de iniciação científica que o motivou a ingressar na carreira acadêmica. Sob orientação do professor João Batista Peneireiro, Manfio deu os primeiros passos na ciência quando ainda era um estudante de matemática na Universidade Federal de Santa Maria: “Todos os alunos deveriam ter a oportunidade de fazer um projeto de iniciação científica”. Ao finalizar, ele diz que os benefícios de um projeto desses não são colhidos apenas pelos estudantes: “Para mim, foi um privilégio ter o Pedro como aluno durante três anos. Com certeza, aprendi muito”.

Para Manfio, todos os alunos deveriam ter a oportunidade de fazer um projeto de iniciação científica
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Sobre o Prêmio – Com a finalidade de homenagear o pesquisador Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon, o Prêmio foi criado pelo ICMC em 2009 em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática. Atualmente, concede R$ 3 mil ao vencedor. 

Gutierrez faleceu no dia 3 de dezembro de 2008, depois de atuar como professor titular no ICMC, onde contribuiu, a partir de 1999, com a fundação e consolidação do grupo de pesquisa em sistemas dinâmicos. Originário do Peru, sua chegada ao Brasil aconteceu em 1969, quando veio estudar no IMPA, onde se titulou mestre e doutor em matemática. Nessa instituição, na qual trabalhou até 1999, começou como professor assistente e chegou à posição de titular. Durante o período, visitou vários importantes centros em matemática como a University of California, em Berkeley, nos Estados Unidos, e o California Institute of Technology. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Apresentação do trabalho Fibrações Localmente Triviais e os Grupos Fundamentais de Grupos de Lie Clássicos: www.youtube.com/watch?v=QhWuvKr9huE
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 2 de abril de 2019

USP abre inscrições em mestrado profissional com ênfase em ciência de dados


Voltado a profissionais com formação em matemática, estatística ou computação, programa está com inscrições abertas até 30 de abril

Pós-graduado se especializará em extrair conhecimentos a partir de dados disponíveis em áreas como agricultura, saúde, finanças e infraestrutura

Aplicar o conhecimento gerado na Universidade para criar soluções inovadoras em empresas e indústrias. Esse é um dos objetivos do Mestrado Profissional em Matemática, Estatística e Computação Aplicadas à Indústria (MECAI), que está com inscrições abertas para ingresso no segundo semestre de 2019. 

O programa oferece 20 vagas e a ênfase em ciência de dados pode ser voltada a aplicações em agricultura, saúde, finanças e infraestrutura. “O MECAI tem um perfil diferente de um mestrado acadêmico, porque é voltado para profissionais da indústria com formação em estatística, matemática ou computação. A intenção é utilizar a ciência de dados para gerar inovação nas empresas”, afirma o coordenador do mestrado, Antônio Castelo, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

De acordo com Ellen Francine, professora do ICMC e ex-coordenadora do MECAI, um dos principais diferenciais dos mestrados profissionais é possibilitar que quem já está inserido no mercado de trabalho possa voltar para o contexto da universidade e da pesquisa. Dessa forma, surgem oportunidades para o desenvolvimento de projetos destinados a resolver problemas existentes dentro das empresas. “Por isso, um dos requisitos para inscrição no mestrado é escrever um projeto para ser aplicado na indústria, que deve ser compatível com a atividade profissional do candidato”, complementa Castelo. 

Oferecido pelo ICMC, o MECAI é vinculado ao Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. “O objetivo é que o aluno melhore a qualidade do setor produtivo da empresa em que atua, seja gerando produtos, patentes ou novos processos, por exemplo”, explica Castelo. 

Lançado em 2014, o MECAI formou o primeiro aluno em setembro de 2017. Analista de risco no Itaú-Unibanco, Daniel Rodrigues desenvolveu uma metodologia estatística voltada para cálculos de risco no setor financeiro. No início do programa, a ênfase era oferecida apenas para a área de finanças. Com a expansão da iniciativa, o MECAI passou a incluir na ênfase aplicações nos campos da saúde, agricultura, infraestrutura e políticas públicas. Atualmente, o programa já contabiliza 19 mestres formados. 

As inscrições para o MECAI podem ser realizadas até dia 30 de abril por meio deste link: icmc.usp.br/e/5b617. A divulgação do resultado final está programada para o dia 30 de maio, na página do programa. Para obter mais informações sobre processo seletivo e critérios de avaliação, acesse o edital: icmc.usp.br/e/ed846. 

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC 

Mais informações
Sistema de inscrição para pós-graduação do ICMC: icmc.usp.br/e/5b617
Conheça os outros programas de pós-graduação do ICMC: icmc.usp.br/e/66a4d
Serviço de pós-graduação do ICMC: (16) 3373.9638 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Startup desenvolve recursos computacionais para tecnologias de fala

Sistema é voltado para empresas de serviços baseados em tecnologias de fala, como e-commerce, e-learning e e-banking
(crédito da imagem: espectograma da voz humana/Dvortygirl, Mysid/Wikimedia Commons)

Quando Vanessa Marquiafável Serrani ingressou no curso de Licenciatura em Letras na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em 2000, seu futuro profissional já parecia definido: seria professora de inglês. Mas sua trajetória mudou ainda na graduação durante um projeto de iniciação científica, quando conheceu o Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Acabou trocando a carreira acadêmica pelo empreendedorismo.

Hoje Vanessa Serrani é sócia-proprietária da empresa SpeechTera Desenvolvimento de Programas para Computadores e desenvolve, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, um projeto de criação de recursos computacionais para tecnologias de fala voltadas ao português no Brasil. O projeto já passou pela fase 1 do PIPE – teste de viabilidade -– em 2016 e está na fase 2 – que compreende o desenvolvimento da iniciativa propriamente dita –, com término previsto para 2019, quando a SpeechTera espera colocar no mercado recursos computacionais essenciais ao desenvolvimento de sistemas para síntese e reconhecimento de fala.

A linguista explica que existem diversas aplicações para esse ramo da tecnologia: criação de comandos de voz para dispositivos eletrônicos, aperfeiçoamento de pronúncia na área do ensino de idiomas, tradutores automáticos, sistemas terapêuticos para pessoas com patologias de fala, inclusão digital de pessoas com deficiências visuais ou motoras, entre outras. Para pessoas que sofrem de distúrbios da fala é possível até criar vozes personalizadas. “A voz constitui traço identitário de um indivíduo”, diz Vanessa. No entanto, por causa do alto custo dos sistemas de síntese de voz desenvolvidos no exterior, as empresas de tecnologia tendem a criar poucos tipos de vozes sintéticas – o que pode causar insatisfação e até rejeição por parte do usuário.

O desenvolvimento de uma tecnologia nacional, reduzindo os custos, pode trazer novas alternativas de vozes customizadas masculinas, femininas e infantis. “É possível, inclusive, extrair traços acústicos de pequenas amostras de fala para construir uma voz sintética personalizada para indivíduos que, dadas as dificuldades motoras, conseguem articular apenas algumas palavras ou até mesmo algumas poucas vogais”, acrescenta a pesquisadora.

Segundo Serrani, o modelo de negócios da SpeechTera será, sobretudo, business-to-business, tendo como clientes empresas desenvolvedoras de serviços baseados em tecnologias de fala, como e-commerce, e-learning e e-banking, além de hospitais, clínicas e centros de saúde. A empresa está investindo em quatro diferentes produtos: corpora de fala, modelos acústicos, modelos de pronúncia e conversores grafema-fonema. A linguista explica que os corpora (plural do latim corpus, conjunto) são as bases de dados de voz utilizadas pelos sintetizadores. “Coletamos vozes de pessoas entre 18 e 65 anos, de diversos perfis e sotaques brasileiros. Assim, quanto maior a variabilidade, melhor poderá ser o desempenho de um reconhecedor de fala.”

Já os modelos acústicos são responsáveis por determinar as características acústicas dos fonemas da língua. E os modelos de pronúncia são os dicionários fonéticos, listas de palavras às quais são associadas suas respectivas pronúncias, de acordo com um alfabeto fonético legível pelo computador. “Esses dicionários são transcritos conforme 13 diferentes sotaques brasileiros que elegemos dentre a enorme variedade existente no país”, explica Serrani.

Há, ainda, o conversor grafema-fonema: o algoritmo que transforma o texto de entrada que está no formato ortográfico convencional numa sequência de símbolos fonéticos tratáveis por computador. Segundo a pesquisadora, esses produtos poderão ser comercializados de forma individual ou separadamente.

Coleção de vozes - “Essa é uma área relativamente nova, ainda bastante carente de pesquisas. Quando descobri essa vertente fiquei muito motivada a trabalhar com tecnologia de voz”, diz Serrani. Segundo a linguista, o NILC concentra o maior grupo de pesquisa em linguística computacional no país, reunindo uma equipe multidisciplinar que inclui linguistas e cientistas da computação.

Foram pesquisadores desse laboratório que desenvolveram o corretor ortográfico do Word, processador de texto da Microsoft, num amplo projeto que contou com investimento da empresa Itautec e da FAPESP, por meio de apoio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), projeto desenvolvido entre 1997 e 1998 (leia mais em http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/22/id%C3%A9ia-ou-ideia/). Mais tarde, no ano de 2000, a Microsoft comprou os direitos de usar a ferramenta desenvolvida pelo laboratório, adicionando-a ao pacote Office.

O primeiro contato de Serrani com a linguística computacional foi na graduação. Depois, no intervalo entre o mestrado (concluído em 2007) e o doutorado (iniciado em 2011), a linguista teve a oportunidade de trabalhar em um projeto PIPE do engenheiro eletricista Luis Felipe Uebel, que visava ao desenvolvimento de um navegador de internet com reconhecimento e síntese de fala. “Desenvolvi um dicionário fonético para esse projeto. Eu precisava abordar pessoas na USP de São Carlos pedindo para gravar suas vozes.”

Graças a esse trabalho, Serrani adquiriu experiências que lhe foram bastante úteis quando decidiu abrir a SpeechTera em abril de 2015. Coletar vozes, por exemplo, ficou bem mais fácil: em vez de sair abordando pessoas para coletar gravações, a empresa desenvolveu um aplicativo para gravação e envio das vozes pelo smartphone.

“Basta eu enviar o link, que a pessoa pode baixar no celular para fazer a gravação”, explica. “Coletamos as vozes de 400 pessoas. Cada uma gravou um áudio de 100 frases curtas e ganhou uma ajuda de custo de R$ 30. Esse investimento (R$ 12 mil no total) foi menor do que o que gastaríamos com o pagamento de profissionais e deslocamentos no trabalho presencial e ainda economizou tempo.”

Para o desenvolvimento dos recursos computacionais, a empresa conta com uma equipe multidisciplinar que, além de linguistas, inclui profissionais de Engenharia Elétrica e Ciências da Computação.

A SpeechTera é uma startup em estruturação: não tem uma sede própria – a equipe de seis pessoas trabalha em esquema de home office, nos municípios paulistas de Araras, Hortolândia, São Carlos e Araraquara – e o site da empresa ainda não está no ar. Totalmente focada no desenvolvimento dos produtos, a empresa ainda não tem receita, além do apoio da FAPESP. E mesmo antes de ter adotado qualquer estratégia de divulgação (está elaborando agora um projeto de marketing), a empresa já recebeu contatos de duas grandes empresas interessadas em adquirir recursos para o desenvolvimento de tecnologias de fala. Por isso, as expectativas são muito positivas: “Estamos cumprindo o cronograma e os objetivos propostos inicialmente para o projeto, graças à excelente equipe multidisciplinar que conseguimos construir ao longo dessa caminhada.”

No dia 4 de maio, um workshop marcou a comemoração dos 25 anos do NILC

Texto adaptado de Suzel Tunes, publicado originalmente no boletim FAPESP Pesquisa para a Inovação.


Saiba mais sobre o NILC
Site do Núcleo: http://www.nilc.icmc.usp.br/nilc/index.php
Lei mais: Ancestrais da inteligência artificial: rastros de uma história que está em construção 

Contato para esta pauta
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terça-feira, 6 de março de 2018

Aplicativo para idosos criado na USP concorre a prêmio internacional

Aberta ao público, a primeira etapa da votação é online e ocorre até amanhã, 7 de março 


Uma tecnologia criada na USP está concorrendo ao SilverEco and Ageing Well International Awards 2018, premiação que coroa os melhores produtos, soluções e iniciativas criadas especialmente para os idosos. O aplicativo nasceu a partir de uma parceria estabelecida entre o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos (ICMC), da USP, em São Carlos, e a Escola de Artes e Ciências Humanas (EACH) da USP.

Desenvolvido pelo ICMC, o sistema ESPIM, utilizado para monitoramento à distância, funciona como base do aplicativo SENSEM — um software de tarefas aplicado durante as aulas ministradas a idosos na EACH. A ideia cresceu a partir do empenho da professora do curso de Gerontologia da EACH, Meire Cachioni, e da professora responsável pelo sistema, Maria da Graça Pimentel, do ICMC. Com o sucesso da parceria entre o ICMC e a EACH, o projeto foi submetido à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e teve o financiamento aprovado.

“Os idosos que participam do projeto têm os aplicativos instalados em seus celulares ou tablets. Eles recebem, a qualquer momento do dia, um sinal de alerta informando que naquele momento devem fazer determinada tarefa. As solicitações são enviadas aos monitores (alunos de gerontologia) e assim podemos perceber e analisar o aprendizado adquirido durante as aulas de informática”, conta Meire Cachioni.

De acordo com a docente da EACH, todas as tarefas — como tirar uma foto, por exemplo — estão relacionadas com o conhecimento exercitado nas aulas semanais do curso de informática nos institutos. “Eles adoram executar o que é solicitado e pedem sempre por outras mais. Desta maneira, podemos perceber onde estão as maiores dificuldades do aprendizado efetivo e as peculiaridades de cada grupo de alunos, assim, melhorando a relação ensino-aprendizagem nas oficinas”, destaca Meire.

Apesar do aplicativo ainda não estar disponível ao público em geral, atraiu a atenção do júri responsável pela premiação, que foi responsável por selecionar o projeto brasileiro para disputar a final com outros 50 concorrentes. Agora, os finalistas da premiação passam por duas etapas: uma votação aberta ao público e a avaliação de um júri composto por profissionais da área da gerontologia de todo o mundo. 

Aberta ao público, a primeira etapa da votação do prêmio é online e ocorre até quarta-feira, dia 7 de março. A USP é a única instituição de ensino brasileira na final da competição e o anúncio do projeto vencedor será realizado no dia 29 de março em Paris, na França.


Texto: editado a partir de notícia publicada no Jornal da USP com informações da Assessoria de Imprensa da EACH

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Workshop discute os desafios da ciência na agricultura e na produção de alimentos

Jovens pesquisadores do Brasil, do Uruguai e do Reino Unido podem solicitar que a FAPESP e o British Council cubram os custos de participação no evento, incluindo viagens, acomodação e refeições

Público do evento são pesquisadores que estudam matéria mole
(crédito da imagem: revista Soft Matter)

Matemáticos, físicos e biólogos se reunirão no Brasil, de 19 a 23 de março, para discutir como transformar o conhecimento que produzem em inovações para a agricultura e a produção de alimentos. Eles participarão do workshop internacional Translating knowledge into innovation: exploring the potential of biological soft matter science in agrifood challenges, que vai debater como a ciência pode ajudar o Brasil e o Uruguai a enfrentar os desafios que têm em comum na área agroalimentar.

A falta de saneamento básico, o crescimento da resistência das bactérias e o uso extensivo de antibióticos e hormônios são exemplos de alguns dos temas que surgirão no workshop. Essas questões são pesquisadas por cientistas que estudam matéria mole (soft matter), a qual abrange todos os materiais biológicos existentes, incluindo os tecidos e órgãos de animais e vegetais. Micróbios, organismos que podem causar doenças, plásticos, borrachas e fluidos complexos também são classificados como matéria mole, um termo criado pelo físico francês Pierre-Gilles de Gennes para identificar os compostos que sofrem deformações devido a variações de temperatura.

De acordo com o site do workshop, o impacto dos estudos sobre matéria mole na agricultura e na produção de alimentos é incontestável. Por isso, um dos objetivos do evento é justamente identificar descobertas e avanços cruciais nessa área científica nos próximos 10 anos, bem como analisar os desafios prioritários a serem enfrentados nos próximos anos. O workshop é promovido pelo programa Newton Fund Researcher Links, do Fundo Newton. No Brasil, a iniciativa é coordenada pelo professor José Cuminato, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, que é diretor do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CEPID-CeMEAI). 

Inscrições - Os interessados em participar do workshop – que ocorrerá no hotel Blue Tree Towers, no Guarujá, litoral de São Paulo – podem se inscrever, até 19 de fevereiro, no site do evento. Os jovens pesquisadores do Brasil, do Uruguai e do Reino Unido podem solicitar que a FAPESP e o British Council cubram os custos de participação no workshop, incluindo viagens, acomodação e refeições. A divulgação da relação dos pesquisadores selecionados será no dia 26 de fevereiro.

Durante o evento, os jovens pesquisadores poderão realizar breves apresentações orais sobre seus estudos e conversar com pesquisadores já estabelecidos do Brasil, do Uruguai, do Reino Unido e de outros países. Assim, terão a oportunidade de compartilhar conhecimentos e estabelecer redes de colaboração. A expectativa é de que o evento reúna especialistas de diferentes campos do saber como biologia matemática, biofísica, mecânica de fluidos, mecânica sólida e elasticidade, sistemas estocásticos e dinâmicos, ciências da água, ciência reprodutiva e pecuária, ciência vegetal e animal (incluindo sistemas marinhos), produção de biocombustíveis, formação de biofilmes, produção de carne ou peixe, crescimento bacteriano e resistência antibiótica.

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Oportunidade: pós-doutorado em aprendizado de máquina com bolsa da FAPESP

Pós-doutorando atuará em projeto destinado a construir armadilhas e sensores inteligentes

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está com uma vaga aberta para pós-doutorado na área de aprendizado de máquina e mineração de dados com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O prazo de inscrição termina em 31 de janeiro.

O bolsista irá trabalhar no projeto intitulado Armadilhas e sensores inteligentes: uma abordagem inovadora para controle de insetos peste e vetores de doenças, que tem como pesquisador responsável o professor Gustavo Batista, do ICMC. Os interessados devem enviar e-mail para gbatista@icmc.usp.br com o assunto post-doctoral application - machine learning, contendo currículo e carta de apresentação com nomes e informações para contato de dois profissionais que possam recomendar o candidato, ambos em formato PDF.

É necessário que o candidato tenha o título de doutor em ciência de computação ou áreas afins, com experiência em aprendizado de máquina e mineração de dados, além de ter finalizado seu doutorado nos últimos cinco anos. O valor da bolsa para pós-doutor da FAPESP é de R$ 7.174,80.

O pesquisador trabalhará com as técnicas de aprendizado de máquina aplicadas a fluxos de dados para classificação e quantificação. A oportunidade está publicada no site da FAPESP no link icmc.usp.br/e/62b89. 

Saiba mais sobre o projeto:
Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Foto: Reinaldo Mizutani - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Software detecta difamação fraudulenta em sites de comércio eletrônico

Método desenvolvido por pesquisadores do ICMC é capaz de identificar
ação coordenada de avaliação negativa de produtos por falsos usuários em lojas on-line

As empresas de comércio eletrônico (e-commerce) que utilizam recomendações feitas por seus clientes em seus sites para promover seus produtos e serviços estão sujeitas a ação de falsos usuários. Em um plano coordenado, eles podem avaliar negativamente um determinado produto, por exemplo, com o intuito de desestimular sua compra por novos consumidores.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, campus de São Carlos, desenvolveu um software que promete detectar de forma mais eficiente essas ações de difamação fraudulenta em sistemas de recomendação on-line.

Denominado Orfel (sigla em inglês de Online-Recommendation Fraud ExcLuder), o sistema foi desenvolvido durante o mestrado do estudante Gabriel Perri Gimenes e dos projetos de pesquisa Divisão relacional por similaridade em banco de dados e Processamento analítico de grandes grafos, realizados com o apoio da FAPESP. Os resultados da aplicação do novo método foram descritos em um artigo publicado na revista Information Sciences. 

“O algoritmo foi capaz de detectar mais de 95% de potenciais ataques maliciosos em sistemas de recomendação on-line e com maior eficiência do que um dos principais algoritmos usados hoje para essa finalidade”, disse Gimenes à Agência FAPESP.

De acordo com o estudante, que realiza doutorado também com Bolsa da FAPESP, o novo método é voltado a identificar um comportamento, chamado de lockstep, em sistemas de recomendação de lojas on-line, como o Google Play e a Amazon.

Com o intuito de aumentar sua base de clientes, essas empresas utilizam um sistema de recomendação em que os usuários fazem reviews (avaliações) sobre os produtos ou serviços que adquiriram e dão uma nota que varia de 0 a 5 estrelas, por exemplo.

Esses sistemas de recomendação, contudo, são suscetíveis ao comportamento de lockstep em que, em uma ação coordenada, um grupo de usuários com perfis falsos atribui, ao mesmo tempo, uma mesma nota baixa a um conjunto de produtos com o intuito de rebaixar sua reputação.

“Suponhamos que um grupo de cinco usuários de uma loja de aplicativos on-line dê uma nota baixa para um determinado aplicativo às 22 horas de um dia qualquer e esse mesmo grupo de pessoas faz reviews negativos de outro aplicativo um dia depois. Isso são indícios do comportamento de lockstep”, explicou Gimenes.

A dificuldade de identificar esses ataques de múltiplos usuários falsos interagindo com vários produtos em momentos aleatórios é que eles ocorrem em meio a milhões de avaliações de produtos por usuários por segundo e, por isso, podem ser camuflados. O ponto fraco desses ataques, entretanto, é que eles costumam ocorrer em uma mesma janela de tempo e em fluxos ou bursts, como denominam os pesquisadores.

A fim de identificar esses padrões de comportamento, o algoritmo desenvolvido por Gimenes, em parceria com os professores Robson Leonardo Ferreira Cordeiro e José Fernando Rodrigues Júnior, do ICMC, acompanha as avaliações feitas pelos usuários em um sistema de recomendação on-line e verifica, por exemplo, se elas foram feitas em um mesmo intervalo de tempo e se têm as mesmas notas. Se isso ocorrer, o software indica esses comportamentos suspeitos para que possa avaliar tratar-se ou não de ações fraudulentas. Confirmadas as suspeitas, a empresa pode banir os autores das avaliações e remover todas as interações que tiveram em sua base de dados.

“A ideia é que uma empresa de comércio eletrônico olhe para as listas de comportamentos suspeitos detectados pelo sistema e faça uma análise manual ou automatizada a fim de confirmar tratar-se ou não de lockstep”, um comportamento muito mais raro, porém mais fácil de ser detectado do que um ataque individual à reputação de um produto”, comparou Gimenes.

Um só computador - A eficiência do novo algoritmo em detectar potenciais ataques lockstep foi avaliada por meio de dados sintéticos de interações entre usuários e produtos em um sistema hipotético de recomendação on-line. Os pesquisadores geraram artificialmente ataques no sistema e rodaram o algoritmo em um único computador para avaliar sua capacidade de detecção em comparação com um algoritmo chamado CopyCatch.

Considerado o estado da arte, o algoritmo desenvolvido por pesquisadores americanos utiliza uma abordagem semelhante à do Orfel para detectar comportamentos artificiais entre usuários e páginas no Facebook – como curtidas fraudulentas –, usando, porém, clusters computacionais (conjunto de computadores que trabalham de forma coordenada).

Os resultados das análises de desempenho indicaram que, mesmo sendo executado em único computador, o Orfel foi capaz de detectar mais de 95% dos ataques simulados e em período de tempo comparável ao que o CopyCatch levou para executar a mesma tarefa usando mil computadores.

“Demonstramos que a combinação de técnicas de computação, como o processamento paralelo centrado em disco, pode ser uma alternativa aos clusters computacionais para solucionar problemas como o de detecção de difamação fraudulenta”, afirmou Gimenes. De acordo com os pesquisadores, o algoritmo também pode ter outras aplicações, como para caracterizar a promoção ilegítima de publicações (posts) e páginas no Facebook e identificar citações cruzadas por revistas científicas.

O artigo Orfel: Efficient detection of defamation or illegitimate promotion in online recommendation (doi: 10.1016/j.ins.2016.09.006), de Gimenes e outros, pode ser lido por assinantes da revista Information Sciences em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0020025516307320.

Texto: Elton Alisson - Agência FAPESP

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Confira a programação do festival de divulgação científica que vai invadir 22 cidades brasileiras

Evento será realizado simultaneamente em mais 11 países do mundo nos dias 15, 16 e 17 de maio



As 22 cidades brasileiras que vão realizar o Pint of Science já definiram os temas de seus bate-papos científicos, que acontecerão durante as noites de 15, 16 e 17 de maio. A participação no Brasil é gratuita e os interessados só pagarão o que consumirem nos bares e restaurantes que sediarão o evento. Como não são realizadas inscrições ou reservas antecipadas, recomenda-se que as pessoas cheguem antes para garantir seu lugar. Confira a programação completa no site www.pintofscience.com.br.

Entre as cidades que participarão da iniciativa, 10 são municípios paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, o festival será realizado em cidades localizadas no Sul, no Nordeste e no Centro-Oeste do país: Belo Horizonte (MG), Blumenau (SC), Brasília (DF), Curitiba (PR), Dourados (MS), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Teresina (PI). 

O Pint of Science nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP realizou o evento em São Carlos, colocando o Brasil no mapa do evento. Em âmbito nacional, o festival é patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, eScience Unicamp, Galoá e por quatro Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; e o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades. 

No ano passado, 7,3 mil pessoas participaram do evento, que aconteceu em sete cidades brasileiras

Texto: Assessoria de imprensa do Pint of Science Brasil

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Site do evento: www.pintofscience.com.br
Assessoria de imprensa do Pint of Science Brasil: (16) 3373-8171
E-mail: pintcomunica@gmail.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Pesquisa propõe a criação de plataforma de jogos acessíveis para idosos

Proporcionar maior inclusão e qualidade de vida na terceira idade são alguns dos objetivos do projeto

O grupo de pesquisadores estabeleceu uma parceria com a empresa Aptor e o projeto
foi aprovado no Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP

Conforme envelhecemos, vamos perdendo nossa capacidade motora, visual e cognitiva. Idosos convivem com esses problemas diariamente e muitos não têm conhecimento sobre alternativas que possam amenizar esse processo de transformação natural. Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), estão desenvolvendo uma plataforma de jogos digitais para idosos, ferramenta que poderá trazer mais qualidade de vida a esse público.

Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que existem no país aproximadamente 20 milhões de brasileiros com idade igual ou superior a 60 anos e espera-se que, em 20 anos, esse número triplique. Isso se dá devido a fatores como aumento da expectativa de vida e queda das taxas de fecundidade, natalidade e mortalidade. “Jogos digitais têm sido desenvolvidos especialmente para a população jovem, habituada a essas interações e com aprendizagem mais rápida. Adequar e proporcionar esse tipo de conteúdo aos idosos ainda é um desafio que, se vencido, será um importante instrumento de inclusão social”, explica Leandro do Amaral, que faz doutorado no ICMC.

“Os idosos de hoje já estão inseridos no mundo da tecnologia, mas devemos trazê-los ainda para mais perto dessa nova cultura. Muitos deles já jogavam games quando eram mais novos, mas atualmente não há preocupação da indústria de jogos com essas pessoas. Games não são somente para jovens e crianças”, conta Gabriel Lima, que se formou em Ciências de Computação no ICMC. Hoje, Gabriel trabalha na Aptor Consultoria e Desenvolvimento de Software, empresa parceira dos pesquisadores no projeto Ambiente lúdico adaptativo como ferramenta para proporcionar treinamento cognitivo ao público senescente. 

Para desenvolver uma ferramenta com jogos acessíveis a quem tem mais de 60 anos, os pesquisadores precisam levar em conta o déficit cognitivo e motor que os idosos costumam apresentar. É recomendado evitar movimentos muito rápidos durante o jogo, excesso de informações na tela e o tamanho das letras deve ser maior do que o tradicionalmente empregado nos games destinados a outros públicos. “A maior dificuldade é entender a necessidade do idoso. Ele não pode se sentir frustrado por não conseguir jogar. Ao mesmo tempo, a experiência não deve ser entediante como acontece em games que não apresentam desafios”, diz Gabriel.

Leandro explica também que, no Brasil, não há muitos jogos para idosos e os que existem não se preocupam com acessibilidade. Outro fator importante que deve ser levado em conta no momento de criar um game para essas pessoas é que o projeto precisa se relacionar com o universo cultural de quem tem mais de 60 anos. Por isso, foi realizada uma pesquisa prévia com 50 idosos para obter mais informações sobre as características desse público a fim de propor jogos com uma temática atrativa.

Ao criar a plataforma, também será possível, segundo os pesquisadores, contribuir com a evolução das habilidades e técnicas cognitivas dessa população, retardando uma série de declínios, como, por exemplo, o comprometimento da memória. De acordo com Leandro, pesquisas sobre o desenvolvimento motor dessa população têm ganhado destaque, tendo em vista as transformações já esperadas durante as fases do envelhecimento e por ser um nicho de mercado que deverá ser cada vez mais explorado. 

“É uma área de pesquisa muito promissora e que está se desenvolvendo não só no Brasil como no mundo todo. Os idosos são muito atuantes e desejam participar”, conta Renata Pontin, professora do ICMC e orientadora de Leandro. 

Nos jogos para idosos, o tamanho das letras deve ser maior do que o
tradicionalmente empregado nos games voltados a outros públicos

Importância reconhecida – Para viabilizar a criação da plataforma, os pesquisadores estabeleceram uma parceria com a Aptor e apresentaram uma proposta para o Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O projeto foi aprovado pela agência de fomento e receberá até R$ 200 mil nos primeiros nove meses de pesquisa (chamados de fase 1). Ao final do período, os pesquisadores apresentarão um relatório técnico sobre o andamento do projeto. Caso obtenham resultados satisfatórios, o financiamento pode ser renovado por mais dois anos (fase 2), com a garantia de que um produto final seja entregue ao final do prazo. 

“É muito importante receber esse recurso da FAPESP, que nos possibilita arriscar. Hoje em dia, com o atual cenário econômico do país, talvez não fosse possível produzirmos esse trabalho”, diz Leandro. O projeto está sendo realizado em parceria com Marcos Hortes e Paula Castro, professores do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e com os alunos de pós-graduação Lucas de Carvalho e Francine Golghetto, ambos da UFSCar. A iniciativa recebe, ainda, a contribuição de Thiago Bittar, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), regional Catalão. Além de Gabriel, o projeto conta com a participação de mais três desenvolvedores da Aptor: Marcelo Petrucelli e Felipe Padula, ex-alunos do ICMC, e Janaina Pertile, aluna do curso de graduação em Imagem e Som da UFSCar. 

Segundo Renata, essa pesquisa possibilita o envolvimento dos jovens com os idosos, um aspecto fundamental não somente para o crescimento profissional dos estudantes, mas também por outros fatores: “Do ponto de vista acadêmico, os alunos formados em computação saem do curso falando apenas com a máquina. Agora, eles estão começando a ter contato com as pessoas e entender as necessidades do ser humano. Isso trará muitos benefícios e humanizará os cursos da área”. 

Empolgado com o projeto, Gabriel confirma o que diz a professora: “Quando você vê que está preenchendo uma lacuna e fazendo alguém se sentir melhor, isso faz diferença e se torna uma grande recompensa”, finaliza.

Texto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Créditos das fotos: imagem do grupo de pesquisadores - Reinaldo Mizutani/Assessoria de Comunicação ICMC/USP;
imagem de idoso manipulando tablete - Marcos Santos - USP Imagens

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