Realizado em parceria entre USP e UFSCar, o evento ainda está com inscrições abertas para cursos, seminários e para o Workshop de Métodos Probabilísticos e Estatísticos
Participantes do Workshop de 2019, que foi sediado no ICMC (crédito: Reinaldo Mizutani)
Neste ano, as atividades já estão ocorrendo e se estendem até o dia 12 de fevereiro, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ainda é possível se inscrever para participar dos cursos de Ciência de dados musicais: lidando com dados complexos e heterogêneos relativos à música; Teoria do Aprendizado Estatístico; e Uma introdução à convergência de processos estocásticos, além do workshop.
Workshop - A oitava edição do Workshop de Métodos Probabilísticos e Estatísticos encerrará a agenda do programa, e acontece de 12 a 14 de fevereiro de 2020. O evento reúne em um período de três dias palestras plenárias, comunicações orais, sessões de pôsteres e minicursos dirigidos a estudantes, com o objetivo de discutir novos desenvolvimentos em estatística, probabilidade e suas aplicações.
As submissões de trabalhos podem ser feitas até 18 de janeiro, e as inscrições com desconto podem ser realizadas até 1º de fevereiro e variam de R$ 25,00, para estudantes de graduação, a R$ 70,00, para pesquisadores.
Texto: Gabriela Bidin – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Dia Temático do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística terá como foco um campo particular da neurociência
Gratuito e aberto a todos os interessados, evento acontecerá das 9h45 às 17h15 no auditório 3 da UFSCar
Um dos grandes desafios da
humanidade é entender como o sistema nervoso funciona e como interage com o corpo.
Já a atividade dos neurônios é um campo particular de estudo em neurociência, que
demanda a colaboração entre pesquisadores das mais variadas áreas do
conhecimento. Possibilitar a interação entre estatísticos, matemáticos, físicos
e demais cientistas que atuam no campo da neurociência é um dos objetivos do
evento Modelando a atividade neuronal, que acontecerá na sexta-feira, 13 de dezembro, em
São Carlos.
A iniciativa será realizada no auditório
3 da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ao lado da Biblioteca
Comunitária da Universidade, das 9h45 às 17h15. A palestra de abertura abordará
a forma da comunicação vocal e será ministrada pelo professor Daniel Takahashi,
do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Mais dois pesquisadores do CEPID
NeuroMat farão palestras no evento: o professor Guilherme Ost, do departamento
de Matemática e Estatística da Universidade Federal do Rio de Janeiro, falará
sobre o estudo da atividade neuronal através de processos pontuais, abordando
os Teoremas Limites; já a palestra O
Cérebro Estatístico será ministrada pela professora Aline Duarte de
Oliveira, do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Encerrando as atividades,
o professor Luciano Costa, do Instituto de Física de São Paulo, discorrerá
sobre a neurociência de redes.
Gratuito e aberto a todos os
interessados, o evento conta, ainda, com o apoio das principais agências de
fomento à pesquisa do País: FAPESP, Capes e CNPq. Para participar, basta enviar
um e-mail solicitando sua inscrição para o endereço sandro.gallo@ufscar.br.
Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
6º Dia Temático PIPGEs:
modelando a atividade neuronal
Quando: sexta-feira, 13 de dezembro, das 9h45 às 17h15
Onde: auditório 3 da UFSCar ao lado da Biblioteca
Comunitária da Universidade
No sábado, 30 de novembro, grupo de extensão DATA promoverá palestra, mostra de projetos e mesa redonda no ICMC
Quais são os desafios em ciência de dados hoje em dia? O que os especialistas pensam sobre o futuro desse campo? Como funciona um desafio em ciência de dados? Debater questões como essas e promover a integração entre alunos de graduação, pós-graduação e profissionais que atuam nessa área é o objetivo da primeira edição do DATA Day, evento que acontecerá no próximo sábado, 30 de novembro, das 13 às 16h30.
A iniciativa, que é gratuita e aberta a todos os interessados, ocorrerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no bloco 6 do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Para participar, basta fazer a inscrição neste link: icmc.usp.br/e/ebd71. Há 60 vagas disponíveis e as inscrições podem ser realizadas até o dia do evento ou enquanto houver vagas.
Promovido pelo DATA, grupo de extensão que surgiu oficialmente no ICMC no início deste ano para difundir conhecimentos sobre ciência de dados, o evento começará com a palestra do estudante Tobias Veiga, que cursa Ciências de Computação no ICMC. Ele falará sobre a experiência de participar de competições em ciência de dados. Este ano, Tobias ficou em segundo lugar no Mercado Livre Data Challenge. No ano passado, Tobias e mais três alunos do ICMC – Bruno Coelho, Gustavo Sutter e Marcello Pagano – formaram um time para participar de um concurso internacional de ciência de dados, o Data Science Game. e conquistaram o 12º lugar entre as 20 melhores equipes do mundo. Considerando-se as três equipes brasileiras que concorreram à final, o grupo ficou em 2º lugar.
Logo depois, os participantes do DATA Day poderão conferir uma mostra de projetos e, na sequência, assistir a uma mesa redonda sobre os desafios atuais em ciência de dados e as perspectivas futuras. Na mesa redonda, estarão presentes dois professores do ICMC, Luis Gustavo Nonato e Ricardo Marcondes Marcacini, além de Cristina Zabotto, que trabalha como cientista de dados na empresa Arquivei.
Entenda um pouco mais sobre essa ciência às vésperas do Dia Mundial da Estatística, que é celebrado no próximo domingo, 20 de outubro
Não é apenas quando você pensa nas chances de ganhar na loteria que a estatística invade a sua vida. Apesar de, muitas vezes, essa ciência permanecer invisível, a estatística está presente em quase todas as esferas do nosso cotidiano. Popularizar o papel dessa ciência é o objetivo do Dia Mundial da Estatística. A data, que foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 2010, é celebrada no próximo domingo, 20 de outubro.
A área tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente porque vivemos em um mundo cada vez mais cheio de dados. Hoje, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos é um produtor de dados. Em entrevista para a Rádio USP, a professora Mariana Cúri, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, explica que, normalmente, a estatística fica mais evidente para a sociedade durante as eleições, quando ganham destaque as pesquisas eleitorais. Mas ressalta que as ferramentas estatísticas permeiam nosso dia a dia, inclusive quando compramos remédios e quando fazemos uma busca na internet ou utilizamos serviços de streaming como Spotify e Netflix.
Na entrevista, Mariana destaca que a evolução tecnológica possibilitou coletar e analisar uma enorme quantidade de dados, aproximando, cada vez mais, a estatística e a computação. Essas mudanças impactaram até um dos cursos de graduação oferecidos pelo ICMC: a partir do próximo ano, o Bacharelado em Estatística estará de cara nova e passará a se chamar Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados, evidenciando a sintonia com o atual cenário em que vivemos. “O curso de Estatística do ICMC está fazendo 10 anos este ano e foi modificado para incluir essas técnicas modificadas por causa da computação”, diz a professora.
Mariana concluiu o Bacharelado em Estatística no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, em São Paulo
Ao abarcar o campo da ciência de dados (data science), o curso busca atender à crescente demanda por profissionais capazes de extrair conhecimentos úteis a partir de imensos bancos de dados. “Eu acho que a estatística, já há alguns anos, vem sendo uma ótima profissão e uma área muito importante no nosso dia a dia, na ciência, na indústria. A partir dessa aproximação com a computação, a estatística ampliou ainda mais a sua atuação. As áreas da estatística tradicionais – a estatística teórica ou a estatística aplicada a pequenas amostras – vão continuar sendo importantes. Mas com essa ampliação, a estatística vai permanecer por ainda mais tempo como uma profissão bastante interessante e relevante”, completa Mariana.
É muito provável que as previsões e análises estatísticas tornem-se cada vez mais presentes na nossa vida. O que os estatísticos sabem é que, na tarefa de encontrar respostas a partir de dados, a incerteza estará sempre presente.
A reportagem foi ao ar na edição de 16 de outubro do Jornal da USP no Ar, Edição Regional, que está disponível neste link: http://ribeirao.usp.br/?p=22731
Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Crédito da imagem: Instituto Nacional de Estatística - Moçambique
Evento realizado em parceria entre USP e UFSCar acontece de 12 a 14 de fevereiro, em São Carlos, encerrando as atividades do Programa de Verão em Estatística
Participantes do Workshop de 2019, que foi sediado no ICMC (crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)
Estão abertas as inscrições para participação e para apresentação de trabalhos (pôster ou comunicação oral) no VIII Workshop de Métodos Probabilísticos e Estatísticos, que acontece de 12 a 14 de fevereiro de 2020 em São Carlos e tem como objetivo discutir novos desenvolvimentos em estatística, probabilidade e suas aplicações. As submissões de trabalhos podem ser feitas até 18 de janeiro.
O evento é uma realização do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística (PIPGEs), oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A programação será composta por oito conferências plenárias, miniconferências e minicurso, além de sessões de apresentação de trabalhos e de duas sessões temáticas: uma sobre Aprendizado de Máquina e outro sobre Probabilidade. A agenda preliminar está disponível no site do evento.
As inscrições com desconto podem ser realizadas até 1º de fevereiro e variam de R$ 25,00, para estudantes de graduação, a R$ 70,00, para pesquisadores. Já estão confirmados participantes da Universidade de Amsterdam (Holanda); da Universidade de Connecticut (EUA); da Universidade de Washington (EUA), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e das universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN), de Pernambuco (UFPE), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do ABC (UFABC).
O Workshop tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Associação Brasileira de Estatística (ABE) e do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI).
Programa de Verão em Estatística – Esse evento encerra a agenda do Programa de Verão em Estatística, que também é uma iniciativa do PIPGEs. As atividades são organizadas nos meses de janeiro e fevereiro de cada ano na cidade de São Carlos e estão concentradas na realização de cursos de curta e média duração, seminários e o Workshop de Métodos Estatísticos e Probabilísticos.
Texto: Gabriela Bidin - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
VIII Workshop de Métodos Probabilísticos e Estatísticos
Curso, que começa em janeiro do próximo ano, terá disciplinas como aprendizado de máquina, estatística, programação, redes neurais e processamento em paralelo
Inscrições terminam em 31 de outubro ou podem ser encerradas antes, caso seja atingido o limite de 600 inscritos
Preparar profissionais para enfrentarem o desafio de obter informações úteis a partir dos enormes bancos de dados que empresas e instituições têm hoje à disposição. Esse é o principal objetivo do primeiro curso de pós-graduação a distância em ciência de dados lançado pelo Instituto de Ciência Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.
“O curso vem para suprir uma demanda de vários segmentos do mercado perante a nova era da informação digital, com bancos de dados imensos e complexos”, explica o coordenador do MBA em ciências de dados, Francisco Louzada, que é professor do ICMC e também diretor do Centro de Matemática e Estatística Aplicadas à Indústria (CeMEAI).
Planejado para atender às necessidades de quem atua em diferentes empresas e instituições, o curso de um ano é uma pós-graduação lato sensu. Pode se inscrever na especialização qualquer pessoa que queira obter mais conhecimentos em ciência de dados e tenha formação universitária em administração, economia, engenharia, estatística, ciências de computação, sistemas de informação e áreas correlatas.
“Trata-se de um novo campo de atuação, que demanda profissionais com formação interdisciplinar, capazes de solucionar os diversos problemas com os quais precisarão lidar no universo da ciência de dados”, acrescenta Louzada. Composto por módulos de disciplinas teóricas e práticas que se integram, o curso propicia aos alunos aprenderem os fundamentos da ciência de dados bem como ter contato com tópicos específicos referentes, por exemplo, à captura e tratamento de grandes bancos de dados, a metodologias estatísticas e matemáticas para análise de dados, a técnicas básicas e avançadas em aprendizados de máquina e deep learning.
“Além disso, o MBA oferece a oportunidade para os alunos trazerem um problema real da empresa ou instituição em que atuam a fim de que possam solucioná-lo no decorrer do curso. Para isso, contarão, desde o início, com o apoio de tutores com experiência em projetos que aproximam a academia do mercado”, revela o professor.
Invista em você – Para se inscrever na especialização, basta preencher o formulário e pagar a taxa de inscrição, que é de R$ 501,20, a qual não será devolvida, exceto no caso de concessão de bolsas de estudo. As inscrições terminam em 31 de outubro ou podem ser encerradas antes, caso seja atingido o limite de 600 inscritos.
Serão selecionados, no máximo, 167 participantes. O processo seletivo consistirá na análise dos documentos enviados e o resultado final será informado via e-mail. Após a divulgação, o candidato aprovado deverá manifestar interesse na vaga, também via e-mail, e efetuar o pagamento da taxa de matrícula e das mensalidades, em até 12 vezes. Os valores variam dependendo se é individual a participação no curso ou em grupo (empresas) e, se o pagamento é à vista, há um desconto de 7,5%. A mensalidade, por exemplo, varia de R$ 1.307,59 a R$ 1.499,90. Para receber a tabela, basta preencher a ficha disponível em: http://cemeai.icmc.usp.br/MBA/#investimento.
Serão oferecidas, ainda, bolsas de estudos para alguns alunos matriculados, os quais terão isenção total no pagamento da matrícula e das mensalidades. Todas as informações referentes ao acesso ao ambiente online de aprendizagem serão enviadas aos alunos logo após a confirmação da matrícula. As aulas no ambiente online começarão em janeiro e terminarão em dezembro. Ao final do curso, acontecerão dois encontros presenciais para realização de provas e defesa de monografia.
Com informações da Assessoria de Comunicação do CeMEAI/USP
Criado para suprir a crescente demanda do mercado de trabalho por estatísticos, o Bacharelado em Estatística do ICMC completa 10 anos em sintonia com recentes mudanças na área; encontro comemorativo será realizado nos dias 25 e 26 de outubro
Na foto, participantes do Encontro de Experiências em Estatística de 2016; este ano, em comemoração aos 10 anos do Bacharelado, haverá uma edição especial do evento nos dias 25 e 26 de outubro
“Acho que a beleza da estatística é que seu alcance é ilimitado, assim como a maioria das ciências. Mas, para mim, tem um significado especial: estatística é sobre a incerteza que governa a natureza. Pode ser usada para pedir uma pizza ou modelar o preço de uma ação no mercado”. É assim que Helton Graziadei define o significado da estatística, uma área com a qual teve contato ao ingressar na primeira turma do curso de Bacharelado em Estatística, oferecido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desde 2009.
Diferentemente da maioria de seus colegas de turma, que estão atuando em empresas nos mais diversos ramos de atividades, Helton optou por seguir carreira acadêmica: completou o mestrado no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, onde, agora, faz doutorado. Nesses dez anos, ele viu acontecer mudanças relevantes no campo da estatística: “A área se renova constantemente e quem não se atualiza corre o risco de perder a dinâmica da profissão. O surgimento da ciência de dados fez com que os departamentos de estatística no mundo reformulassem a estrutura dos cursos de graduação, incluindo conhecimentos mais sólidos em programação e inteligência artificial. É muito importante o ICMC ter sido pioneiro no Brasil a fazer essa modificação no curso”.
Helton se refere à alteração na grade curricular do curso oferecido pelo Instituto. A partir do ano que vem, serão adicionadas disciplinas específicas a fim de preparar os alunos para os desafios da era da ciência de dados. A mudança impactou até o nome do curso, que, a partir de 2020, passará a se chamar Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados. A reformulação está em sintonia com o novo cenário tecnológico, que está modificando a forma como nós nos relacionamento uns com os outros e com o mundo a nosso redor. Nos últimos anos, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos se tornou um produtor de dados, os quais são gerados em velocidade, volume e variedade cada vez maiores. Não é à toa que, hoje, aqueles que sabem extrair conhecimentos úteis a partir desses dados tenham se tornado tão cobiçados pelo mercado de trabalho.
Aluno da primeira turma do curso de Estatística do ICMC, Helton está terminando o doutorado no IME/USP; em 2018, fez doutorado sanduíche em Milão, na Itália
Já em 2009, o grupo de professores do ICMC que escreveu o projeto político-pedagógico do Bacharelado em Estatística vislumbrava que as instituições de ensino superior não davam conta de formar a quantidade necessária de profissionais para atuar nesse campo. “A crescente procura por estatísticos no mercado de trabalho em diversas áreas, tais como indústrias, instituições financeiras, empresas de pesquisa de mercado, instituições governamentais e de pesquisa relacionadas à saúde humana, agricultura e pecuária, entre outras, foi a principal motivação para a proposta de criação de um curso de Bacharelado em Estatística”, lê-se no projeto.
Depois de 10 anos, a demanda só aumentou e a tendência é que continue a crescer nos próximos anos. "Em 2009, essencialmente eram as grandes instituições que tinham banco de dados de seus clientes e baseavam suas decisões nas análises estatísticas desses dados. Hoje, mesmo as pequenas empresas dispõem de dados sobre seus produtos e públicos com os quais se relaciona e buscam analisá-los para tomada de decisões", diz Mariana Cúri, uma das professoras que contribuiu para a criação do curso de Estatística no ICMC.
“As grandes massas de dados disponíveis hoje requerem profissionais preparados para analisar e interpretar informações presentes em problemas de diferentes naturezas. Nesse cenário, as melhores soluções costumam surgir a partir da cooperação entre estatísticos e profissionais da área de computação e isso justifica as mudanças curriculares”, diz a professora Cibele Russo, que atualmente coordena o curso de Estatística do ICMC. “Assim, a proposta é ter um profissional que domine tanto as técnicas estatísticas quanto algoritmos eficientes e eficazes, considerando custos computacionais e diversas outras variáveis, para extrair de forma ótima as informações dos dados”, completa a professora.
Cibele usa um exemplo do cotidiano para explicar o papel do estatístico: “Se você está cozinhando, é comum pegar uma colher para experimentar a comida. Estatisticamente, o que você está fazendo? Ora, está retirando uma amostra e, a partir dessa pequena quantidade de alimento, vai conseguir inferir se toda a comida da panela está boa ou não”. Usando ferramentas estatísticas, o profissional consegue, a partir de uma amostra, extrapolar os resultados obtidos a toda a população.
A professora Cibele Russo durante o Encontro de Experiências em Estatística de 2016
Amadurecimento – “Se olhar para mim 10 anos atrás e o que sou hoje, considerando o que evoluí como ser humano, o que aprendi, o que amadureci, todas as dificuldades e também as voltas por cima, verá o quanto isso tudo impactou na minha vida. Se não fosse toda essa história, eu não seria quem sou, não faria o que faço, não teria o que tenho. Então, o que mudou? Mudou tudo para melhor”. É assim que José Fernandes de Almeida Junior resume o significado de sua trajetória no ICMC. Hoje, ele atua como estatístico na empresa Cred-System Administradora de Cartões de Crédito.
Assim como o curso mudou a vida de José, os alunos e suas diversas demandas também ajudaram a lapidar o próprio curso. Ao longo desses 10 anos, o ICMC formou um total de 75 alunos estatísticos e, hoje, 173 estudantes estão matriculados no curso. Nesse tempo, diversos acontecimentos contribuíram para o aprimoramento do projeto colocado em prática em 2009.
José Fernandes gravou um vídeo para relatar sua experiência como ex-aluno do curso de Estatística do ICMC
Entre os principais marcos dessa trajetória está a criação, em 2013, do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística, resultado de uma união de esforços entre o ICMC e o Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os projetos de mestrandos e doutorandos contribuíram para fortalecer os grupos de pesquisa em estatística das duas instituições.
Dois anos depois, no dia 5 de dezembro de 2015, aconteceu a primeira edição do Encontro de Experiências em Estágios e Projetos. A iniciativa, criada para propiciar o compartilhamento de informações sobre estágios e projetos, entre alunos e ex-alunos do curso, passou a se chamar Encontro de Experiências em Estatística. Este ano, em comemoração aos 10 anos do Bacharelado, haverá uma edição especial do evento, nos dias 25 e 26 de outubro, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (sala 6-001) do ICMC. Para participar, basta se inscrever e pagar a taxa de inscrição por meio deste link: icmc.usp.br/e/0fdd1.
Outro fato marcante dessa história foi a realização da Semana da Estatística em 2016. A iniciativa já era tradicional na UFSCar e estava em sua sexta edição, mas foi apenas em 2016 que a comissão organizadora do evento, composta apenas por estudantes, resolveu convidar os alunos do ICMC para participar. Resultado: desde então, a Semana da Estatística é realizada em conjunto pelos estudantes da UFSCar e do ICMC.
No ano seguinte, em 2017, foi lançada a primeira chamada do Núcleo de Estatística Aplicada (NEA). Desde 2009, a semente do Núcleo constava no projeto do curso, no entanto, para germinar, era preciso contar com estudantes e pesquisadores prontos para trabalhar em projetos. O cenário se concretizou em 2017, quando o NEA passou a desenvolver soluções estatísticas para problemas apresentados por empresas, fundações, indústrias, instituições de maneira geral, do setor público ou privado, assim como de pesquisadores ou pessoas físicas. "Nosso objetivo é levar problemas reais da sociedade para que nossos alunos possam resolvê-los, sob a orientação do professor, interagindo com o pesquisador e usando a metodologia estatística adequada a cada caso", explica a professora Mariana Cúri.
O ano de 2017 também marcou o início do uso de uma metodologia alternativa de ensino e aprendizagem em algumas disciplinas do curso de Estatística: o Problem Based Learning (PBL). Com o método, professores trouxeram para a sala de aula casos reais a fim de que os estudantes debatessem e investigassem possíveis soluções.
Por último, em 2018, o curso passou a oferecer uma ênfase em ciência de dados. Com o crescimento da demanda por uma formação específica, o ICMC decidiu ampliar o escopo do curso e adicionar mais disciplinas de programação – abarcando o ensino da linguagem de programação Phyton e de técnicas de aprendizado de máquina, por exemplo. Resultado: a partir de 2020, os alunos que ingressarem no curso se tonarão Bacharéis em Estatística e Ciência de Dados.
Assista ao vídeo do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, que mostra como funciona a metodologia PBL na prática: www.facebook.com/watch/?v=1838468973149296
Confira mais depoimentos de ex-alunos do curso de Estatística do ICMC
Camila Ferro é da primeira turma do curso de Estatística do ICMC e, hoje, trabalha na Whirlpool Corporation no Brasil: “Esse curso colaborou muito para o meu crescimento pessoal e profissional, pois aprendi várias ferramentas estatísticas que utilizo no meu dia a dia e também desenvolvi meu raciocínio lógico para a resolução de problemas. Tanto o curso quanto a USP contribuíram muito para o meu ingresso no mercado de trabalho. Estou há cinco anos em uma indústria multinacional, atuando no setor de qualidade, que é o que eu sempre quis.”
Aline Cristina Jacomassi se formou no curso de Estatística do ICMC em 2017 e hoje trabalha na Serasa Experian em São Carlos: “O curso de estatística me proporcionou conhecimento e maturidade para iniciar minha jornada no mercado de trabalho. A estatística é uma das profissões mais procuradas atualmente, pois vivemos em um mundo orientado a dados. O curso foi estatisticamente significante para a minha vida.”
Caio Moura Quina formou-se em Estatística no ICMC em 2017 e, hoje, faz doutorado no Instituto: “A estatística é uma ferramenta do método científico. Esta presente em áreas como a política, a saúde, a agronomia, a economia, entre diversas outras aplicações. Foi por essa multiplicidade de aplicações que decidi virar estatístico. E foi em São Carlos que tive a oportunidade de aprender com professores excelentes, que me ensinaram muitos conteúdos e também uma nova forma de ver e interpretar o mundo a minha volta”.
Helton Graziadei é da primeira turma do curso de Estatística do ICMC e, hoje, faz doutorado no IME/USP: "Um estatístico famoso chamado John Tukey certa vez disse que o melhor de ser estatístico é que ele sempre pode brincar no quintal das outras pessoas. Acho que o que me fascina na estatística é isso! Após me formar, optei por seguir carreira acadêmica. Comecei o mestrado no IME/USP em 2013 e, atualmente, estou no último semestre do doutorado nessa mesma instituição. Ademais, durante o mestrado, trabalhei com consultoria para pesquisadores e estudantes de pós-graduação, principalmente na área médica, auxiliando-os na análise de dados de suas pesquisas. Fiz doutorado sanduíche em 2018, em Milão, na Itália. A cada dia que passa me apaixono cada vez mais pela estatística."
Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Mais informações
VI Encontro de Experiências em Estatística - ICMC - 2019
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizou duas cerimônias de colação de grau no dia 30 de agosto. Familiares e amigos de 56 alunos de seis cursos de graduação do Instituto lotaram o auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano pela manhã e pela tarde para presenciar o instante em que, simbolicamente, esses estudantes se tornaram profissionais.
Três programas de pós-graduação do ICMC oferecem oportunidades para quem deseja ingressar no mestrado, no doutorado ou no doutorado direto
Pesquisadores destacam que a USP, em São Carlos, agrega qualidade de vida e excelência em ensino, pesquisa e extensão
Quem sonha fazer mestrado, doutorado ou doutorado direto na melhor universidade do Brasil nas áreas de matemática, computação ou estatística já pode se inscrever nos processos seletivos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Para ler os editais dos três programas de pós-graduação do Instituto que estão com inscrições abertas, ficar sabendo quais são os prazos e como funcionará as etapas da seleção de cada um, basta acessar este link: www.icmc.usp.br/pos-graduacao/ingresso. Os selecionados ingressarão nos programas no primeiro semestre de 2020.
A oportunidade de conciliar a escolha por uma universidade de alto padrão, classificada como a melhor da América Latina em vários rankings, com uma ótima qualidade de vida tem atraído cada vez mais estudantes para a USP, em São Carlos. Entre as vantagens que os alunos destacam está o fato de conseguirem morar perto da Universidade, gastando pouco tempo nos deslocamentos; poderem ser orientados por uma equipe de professores altamente qualificados, que atuam em mais de 30 diferentes grupos de pesquisa; e, ainda, contar com uma infraestrutura capaz de suprir todas as necessidades de um pós-graduando.
Computação – “São Carlos é uma cidade de médio porte, acolhedora e que oferece um curso de pós-graduação em Ciência da Computação e Matemática Computacional que é classificado com a melhor nota pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a nota 7. Isso permite termos o melhor dos mundo na USP em São Carlos, agregando qualidade de vida e qualidade em ensino e formação de recursos humanos”, destaca a coordenadora do de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional (PPG-CCMC) do ICMC, professora Kalinka Castelo Branco. Em todo Brasil, existem hoje 77 programas de pós-graduação na área de computação, mas apenas sete deles receberam nota máxima na última avaliação quadrienal realizada pela CAPES.
Quem deseja ingressar no mestrado do PPG-CCMC pode se inscrever gratuitamente até dia 31 de outubro; já aqueles que pretender entrar no doutorado ou no doutorado direto podem efetuar a inscrição em qualquer época do ano, já que o ingresso ocorre em fluxo contínuo. Para participar, basta acessar este link: www.icmc.usp.br/pos-graduacao/ppgccmc/ingresso.
Matemática – Um ambiente excitante para discutir e aprender matemática. É assim que o professor Daniel Smania define o ICMC. O Programa de Pós-Graduação em Matemática (PPG-Mat) do Instituto também é um dos melhores da área no país, sendo reconhecido com nota máxima (7) na última avaliação realizada pela CAPES.
“A tradição e qualidade do programa abre, ainda, oportunidades para financiamentos, parcerias e intercâmbios, com a vinda constante de pesquisadores do todo o mundo, o que contribui para a formação de nossos alunos”, explica Smania, que coordena PPG-Mat. “O custo de vida é menor do que nas grandes cidades. E o campus compacto, bem localizado e convidativo ajuda muito na integração dos alunos”, completa.
As inscrições para mestrado e doutorado no PPG-Mat estão abertas até dia 30 de outubro. Quem deseja ingressar no mestrado do Programa pode se inscrever gratuitamente por meio deste link: icmc.usp.br/e/92842. Já aqueles que pretendem entrar no doutorado podem efetuar a inscrição neste endereço: www.icmc.usp.br/e/d1234. Mais informações podem ser obtidas no site do programa: www.icmc.usp.br/pos-graduacao/ppgmat/ingresso.
Estatística – O Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística (PIPGEs) é resultado de uma parceria entre o ICMC e o Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O principal objetivo do PIPGEs é a formação de pesquisadores com atuação direta na modelagem, descrição e estimação de fenômenos aleatórios, assim como na sua aplicação na indústria e em áreas como medicina e biologia, dentre outras.
As inscrições para ingressar no mestrado, no doutorado e no doutorado direto do PIPGES podem ser realizadas até dia 28 de novembro. Saiba mais acessando este link: www.icmc.usp.br/pos-graduacao/pipges/ingresso.
No ano passado, o Instituto criou, ainda, um novo curso de pós-graduação à distância para formar especialistas em computação aplicada à educação. Qualquer pessoa com formação universitária pode se inscrever nessa iniciativa, já que não é necessário possuir conhecimento prévio na área de computação e programação.
Em São Carlos, o custo de vida é menor do que nas grandes cidades
Texto: Assessoria de comunicação do ICMC/USP
Fotos: Nilton Junior/ArtyPhotos
Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional
Extrair conhecimentos úteis a partir de dados, utilizando ferramentas estatísticas, matemáticas e computacionais. Esse é o papel do cientista de dados, para quem não faltam vagas no mercado de trabalho
O curso é oferecido no campus da USP, em São Carlos, no período noturno
(crédito da imagem: Nilton Junior/ArtyPhotos)
Nos rankings internacionais que apresentam as melhores carreiras, os cientistas de dados estão em destaque. No site glassdoor.com, aparece como a profissão número 1 dos Estados Unidos em 2019; já no site carreercast.com, está na 7ª colocação, logo depois dos estatísticos, que ficam no 5º lugar. Esses rankings refletem a crescente demanda por esses profissionais, que lidam com o desafio de extrair conhecimentos úteis a partir de dados.
No Brasil, embora não exista um levantamento que mostre o tamanho da demanda não atendida, quem atua em ensino e pesquisa na área tem se surpreendido com a falta de recursos humanos capacitados. Diante da ausência de profissionais com formação específica, as empresas têm recrutado graduados e pós-graduados em computação, matemática e estatística para ocupar cargos com nomenclaturas que vão desde o clássico “cientista de dados” até engenheiro/analista/arquiteto de dados, seguindo por variações como analista de inteligência de negócios, entre outras.
Para suprir a escassez desses profissionais, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP atualizou a grade curricular do curso de Estatística para possibilitar uma formação mais ampla aos estudantes que optarem por fazer uma graduação nessa área. As mudanças levaram à alteração no nome do curso: a partir de 2020, será chamado de Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados.
Diversos eventos são realizados pelos pesquisadores da área de estatística no ICMC para discutir temas relacionados à ciência de dados
O professor Marinho de Andrade Filho, do ICMC, explica que a espinha dorsal do curso continua sendo a estatística, que é uma profissão regulamentada no Brasil, o que se propôs foi uma ampliação no escopo de algumas disciplinas a fim de associar técnicas computacionais a técnicas estatísticas, as quais já eram abarcadas pela grade curricular: “Não existe uma competição entre a estatística e a computação pela fatia da ciência de dados. O que há é uma necessidade de unir os dois campos para tratar dos problemas que surgem a partir dos dados. É claro que existem diferenças nas abordagens, mas são conhecimentos que se completam”.
Com as alterações nas disciplinas oferecidas, houve uma vantagem adicional: a redução no tempo para obter o diploma. Em vez dos atuais 4,5 anos, a graduação poderá ser concluída em 4 anos. “Assim, o recém-formado poderá planejar mais facilmente o início das atividades do ano seguinte, quer seja no mercado de trabalho ou em um programa de pós-graduação”, completa o professor Marinho.
O professor Gustavo Nonato (último, em pé, à direita) coordena o DATA, um grupo de extensão do ICMC que surgiu oficialmente no início deste ano especialmente para difundir os conhecimentos sobre ciência de dados.
(crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)
Não se perca em dados – Não é difícil compreender o aumento da demanda por esses profissionais da área de ciências exatas. Afinal, a extração de conhecimentos úteis a partir dos dados disponíveis tem potencial para aumentar a receita das empresas, reduzir custos, aprimorar as experiências dos clientes e promover inovações.
Pense que, hoje, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos é um produtor de dados, os quais são gerados em velocidade, volume e variedade cada vez maiores. Esses bancos de dados, quando não são utilizados adequadamente pelas instituições, acabam se tornando um verdadeiro problema.
Pense em quantos recursos são consumidos e quanto espaço físico e virtual é preciso para armazenar esse arsenal complexo de números, nomes, datas, telefones, e-mails, endereços, comentários, curtidas, imagens, vídeos: é um amontoado heterogêneo que pode conter informações preciosas, capazes de levar à solução de vários problemas e permitir avanços significativos às instituições, contribuindo para a tomada de melhores decisões.
Mas de nada adianta ter à disposição esse arsenal se não for possível utilizá-lo, daí a relevância do cientista de dados, um profissional capacitado para gerar valor a partir da captura, do tratamento e da obtenção de novos conhecimentos, úteis e relevantes, com base em dados. Para se ter uma ideia do tamanho dessa demanda, nos Estados Unidos, em 2018, a escassez de cientistas de dados oscilava em torno de 140 a 190 mil profissionais, um número que só tende a crescer.
No Brasil, segundo o professor Gustavo Nonato, do ICMC, os alunos recém-formados do Instituto têm sido recrutados a preço de ouro para trabalhar nessa área. Marinho revela que os egressos do curso de estatística já têm ingressado no mercado com salários iniciais variando entre R$ 4 e R$ 6 mil, chegando a R$ 10 mil após cerca de um ano de atuação.
Inscrições para a Fuvest podem ser realizadas até as 12 horas do dia 20 de setembro
Como ingressar –O vestibular organizado pela Fuvest é responsável por selecionar a maior parte dos alunos de graduação da Universidade. A outra forma de entrar nos cursos da USP é via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), voltado aos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e gerenciado pelo Ministério da Educação.
Para o ingresso em 2020, a Fuvest oferecerá 8.317 vagas em cursos de todas as áreas do conhecimento, oferecidos em São Paulo, São Carlos, Santos, Ribeirão Preto, Piracicaba, Pirassununga, Lorena e Bauru.
Para participar do vestibular da Fuvest, é preciso se inscrever até as 12 horas do dia 20 de setembro. Vale lembrar que os cursos oferecidos pela USP se agrupam em carreiras, de acordo com as áreas de conhecimento (humanidades, ciências exatas e ciências biológicas). No total, há 106 carreiras e 182 cursos.
O Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados é oferecido no período noturno no campus da USP, em São Carlos. Oferece 12 vagas para ingresso via SISU e 28 vagas via Fuvest. No caso da Fuvest, é o curso 53 e pertence à carreira 790, que é composta por 14 cursos (veja a página 24 do Manual do Candidato da Fuvest). No momento da inscrição no vestibular, o estudante pode escolher apenas uma carreira e depois indicar os cursos em ordem de preferência (em primeiro lugar, o mais desejado), chegando ao máximo de quatro opções. A taxa de inscrição na Fuvest, neste ano, é de R$ 182. O pagamento deve ser feito em bancos ou pela internet antes do encerramento do expediente bancário do dia 24 de setembro.
Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Projeto da USP, em São Carlos, é um exemplo de como a união de forças entre universidades e escolas públicas pode gerar impactos relevantes e nortear futuras políticas públicas em prol da igualdade de gênero.
A professora Kalinka Castelo Branco durante a escola de verão que ensinou 162 garotas a desenvolverem aplicativos, a iniciativa faz parte de um amplo projeto chamada Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas, aprovado em chamado do CNPq
É sábado, hora do almoço e uma fila gigante se forma em frente à entrada do restaurante universitário da USP, em São Carlos: as camisetas brancas com mangas cor-de-rosa distinguem as meninas e mulheres que ali estão dos frequentadores rotineiros do local. Olhares curiosos perguntam: quem são elas? 162 garotas de 10 a 18 anos, 80% estudantes de escolas públicas da região.
A maioria vive a experiência de entrar pela primeira vez em uma universidade pública e, tímidas, esforçam-se para repetir os movimentos que os mais experientes fazem: pegam suas bandejas, percorrem a bancada preenchendo os espaços com a comida, retiram os talheres e, antes de se sentarem, colocam as canecas plásticas debaixo das máquinas de suco.
A balbúrdia se repete por mais quatro sábados, quando elas se perfilam novamente em frente ao restaurante. Mas, na quinta vez, as cenas já são visivelmente diferentes: há poucos olhares curiosos e elas sorriem, conversam ruidosamente e correm sem timidez pelo bandejão. A professora Kalinka Castelo Branco não esconde a satisfação que sente por ter acompanhado essa aventura: “Agora, elas sentem que esse espaço também é delas”.
Kalinka sabe que as cenas no restaurante da USP revelam muito mais sobre o que aconteceu nesses cinco sábados em que as garotas participaram das atividades de uma escola de verão que ensinou a desenvolver aplicativos, a Technovation Summer School for Girls, realizada pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Kalinka sabe que essas 162 meninas romperam importantes barreiras e ampliaram os campos em que podem atuar.
O próximo capítulo da balbúrdia já tem data marcada: acontece sábado, dia 24 de agosto, das 14 às 17 horas. É quando acontecerá o evento Mude o Jogo no ICMC, em que a meta é levar as garotas a compreenderem que o mundo dos jogos eletrônicos é outro espaço que elas podem e devem ocupar. Voltado a participantes do gênero feminino, de 15 a 21 anos, o evento vai explicar como desenvolver um jogo para celular e submeter a proposta ao desafio internacional do Google Change the Game.
Evento Mude o Jogo acontece sábado, dia 24, no ICMC e ainda há vagas disponíveis, inscreva-se: icmc.usp.br/e/37802
Empoderar para mudar – Nos cinco sábados da Technovation Summer School for Girls, as 162 garotas se dividiram em times para criar aplicativos que solucionassem problemas sociais. Formados por até 5 participantes, os grupos se dividiam em duas categorias: Sênior, para meninas de 15 a 18 anos; e Júnior, para meninas de 10 a 14 anos.
“A ideia não foi apenas trazê-las para conhecerem o mundo da tecnologia, mas empoderá-las. Durante os cinco encontros, elas puderam colocar a mão na massa: trabalharam na ideação do projeto, no desenvolvimento do aplicativo e na apresentação da proposta (pitch). As mais velhas até fizeram um plano de negócios”, explica a professora. Em cada uma dessas fases, receberam treinamentos específicos e puderam desenvolver habilidades sociais adicionais relacionadas ao trabalho em equipe e à arte de falar em público, por exemplo.
As participantes puderam desenvolver habilidades sociais adicionais durante o evento, tal como as relacionadas ao trabalho em equipe e à arte de falar em público
“Todas as palestras foram ministradas por mulheres que estão nesse meio, que é super restrito, e elas mostram os exemplos delas e dão apoio para a gente seguir e sempre querer aprender mais”, revela uma das participantes, Sarah Piedade de Oliveira, 16 anos. “O que tive a oportunidade de ver foi realmente um cenário de inclusão. Muitas ideias legais e funcionais criadas no evento têm grandes chances de virar realidade e, daqui a pouco, quem sabe, poderemos fazer download dos aplicativos dessas garotas”, diz Larisse Gois, gerente de tecnologia da Logicalis. Formada em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos, ela foi uma das palestrantes do evento.
Quando a Technovation Summer School for Girls terminou, no dia 13 de abril, além da premiação aos melhores projetos, os grupos foram estimulados a inscreverem seus aplicativos no desafio global Technovation Challenge. No total, a plataforma do desafio contabilizou inscrições de 7,2 mil meninas de 57 países. Desse total, 1.226 eram brasileiras, reunidas em 216 diferentes grupos. Entre as semifinalistas do desafio, 150 equipes no total, estavam 15 times brasileiros: 9 na categoria Sênior e 6 na Júnior. As garotas que participaram do evento do ICMC conseguiram emplacar três projetos entre os semifinalistas: o aplicativo for-all-of-us (Sênior) e os aplicativos Pet Hero e SafU (ambos na categoria Júnior). Vale a pena assistir aos vídeos em que elas explicam como esses aplicativos funcionam: icmc.usp.br/e/dcfea.
“Provavelmente, se não houvesse a escola de verão, essas três equipes de São Carlos não conseguiriam chegar à semifinal da competição global”, conta Kalinka. Muito além dessa conquista, estão os aprendizados que as 162 participantes da escola puderam obter. Com certeza, a experiência de criar o primeiro aplicativo a gente nunca esquece.
Desigualdade explícita – A Technovation Summer School for Girls está sob o guarda-chuva de um grande projeto chamado Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas, aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no final de 2018. Ao todo, a iniciativa tem à disposição, ao longo deste ano, R$ 95 mil para desenvolver diversas atividades. O Mude o Jogo será a próxima e haverá, ainda, no dia 19 de outubro, o Ada Lovelace Day.
“Analisando o número de ingressantes do sexo feminino nos cursos de ciências exatas e da terra nas três maiores universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp), observamos uma grande disparidade entre o número de homens e mulheres, reforçando o estigma de ser uma área majoritariamente masculina, o que vai ao encontro de diversos resultados de pesquisas publicados recentemente”, escreve a professora Kalinka no projeto.
É fato que não faltam dados para mostrar o tamanho da desigualdade na área. Enquanto o número de cursos de computação cresceu 586% nos últimos 24 anos no Brasil, o percentual de mulheres matriculadas nesses cursos caiu de 34,8% para 15,5%, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Considerando-se os profissionais atuantes na área em 2014, apenas 20% são do gênero feminino segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o CNPq fez um levantamento em 2016 mostrando que mais de 80% dos mestres e doutores em computação no nosso país são do gênero masculino.
O WIT premiou como melhor artigo o trabalho Gênero e suas nuances no ENEM, de autoria da doutoranda Viviana Noguera e das professoras Cristina Ciferri e Kalinka, todas do ICMC. Em busca por explicar as múltiplas causas do decréscimo da participação das mulheres nas ciências exatas, as três decidiram analisar o desempenho dos participantes no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) ao longo de cinco anos (de 2013 a 2017). “De forma geral, os resultados das análises mostraram que o desempenho dos participantes masculinos foi discretamente superior ao das participantes femininas em matemática e ciências da natureza”, escrevem as pesquisadoras no artigo.
O que mais surpreende no estudo é que o levantamento considerou também fatores como cor/raça, renda mensal, tipo de escola no ensino médio e região de residência dos participantes. Os gráficos que mostram o desempenho ano a ano, de acordo com a cor/raça dos estudantes, evidenciam um mesmo padrão: quem se autodeclara de cor/raça branca obtém as melhores notas seguido sempre pelos que se autodeclaram amarelos, pardos, pretos e indígenas. A exclusão racial fica explícita nos dados do ENEM.
Os gráficos mostram o desempenho por raça/cor para as categorias identificadas como: (0) não declarado; (1) branca: (2) preta; (3) parda; (4) amarela: (5) indígena
(Fonte: artigo "Gênero e suas nuances no ENEM")
Outro tipo de exclusão é visível nos gráficos que mostram o desempenho dos participantes de acordo com a renda. Como era de se imaginar, conforme a renda mensal aumenta, melhoram também os resultados obtidos nas notas do ENEM. O padrão é o mesmo ano a ano: uma reta desenha um caminho ascendente, mostrando a evolução progressiva do desempenho seguindo linearmente a evolução da renda.
Na conclusão do artigo, as pesquisadoras ressaltam que são necessários estudos mais aprofundados a fim de identificar como as instituições educacionais devem atuar para minimizar as discrepâncias entre gêneros. O que o estudo deixa evidente é que as disparidades no desempenho dos estudantes vão se perpetuando ao longo de todo processo educacional e que o combate à desigualdade de gênero no ensino superior, especialmente na área de ciências exatas, requer um esforço para alcançar quem ainda não está nas universidades.
Os gráficos mostram o desempenho por renda salarial mensal para diversas categorias desde para aqueles participantes que declaram nenhuma renda (A) até quem informou ter renda maior que R$ 18.740,00 (Q)
(Fonte: artigo "Gênero e suas nuances no ENEM")
Desconstruindo muros – Não é à toa que parte dos R$ 95 mil fornecidos pelo CNPq para o projeto Ações no ensino fundamental e médio: inclusão feminina no ensino superior de ciências exatas está sendo investido em bolsas para estudantes e também professoras de cinco escolas estaduais de São Carlos: Aduar Kemell Dibo; Álvaro Guião; Bento da Silva Cesar; Orlando Perez; e Sebastião de Oliveira Rocha. “São escolas públicas de diferentes regiões da cidade, tanto de áreas centrais quanto periféricas, com diferentes realidades tanto em relação à infraestrutura quanto ao perfil do público atendido”, ressalta Kalinka.
Três estudantes de cada escola recebem uma bolsa de pré-iniciação científica no valor mensal de R$ 100 e as escolas têm um professor tutor, que é o responsável por coordenar as atividades do projeto e recebe uma bolsa de R$ 400. Esse grupo, composto por 15 estudantes e 5 professoras, está participando, desde março, de um curso sobre programação usando a linguagem Python e o objetivo é que se tornem replicadoras desse conteúdo em suas respectivas escolas para ampliar o impacto da iniciativa.
No sábado, 10 de agosto, essa turma se uniu a 12 garotas e quatro professoras de mais quatro escolas públicas da cidade – Cidade Aracy IV, Fúlvio Morganti, João Batista Gasparin e Maria Ramos – para iniciarem outro curso: dessa vez, o tema é robótica. É o início de um novo capítulo do projeto criado pela professora Kalinka que se tornou possível por meio de uma parceria estabelecida com o professor José Marcos Alves, da Escola de Engenharia de São Carlos. Coordenador do Centro de Inclusão Social USP São Carlos (CIS), o professor contou com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC) para estender a iniciativa às quatro escolas e fornecer bolsas a mais garotas.
A jornada em prol da inclusão demanda remover os muros que separam as universidades das escolas públicas e também questionar os estereótipos de gênero que categorizam o que são as habilidades tipicamente femininas das que são tipicamente masculinas. Se os estudantes, independentemente do gênero, se unirem em prol desse processo de desconstrução, os resultados poderão ser alcançados mais rapidamente.
Por isso, uma das iniciativas do projeto é promover atividades esportivas como campeonatos de futebol de botão e de Futebol Callejero (de rua, em português) nas escolas. Entre as características que diferenciam o Futebol Callejero da modalidade tradicional está a entrada em campo de homens e mulheres juntos e a inexistência de um juiz, pois os conflitos são resolvidos por meio do diálogo entre os jovens. Para contribuir com essas iniciativas, a professora Kalinka chamou para o jogo o professor Osmar Moreira de Souza Júnior, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Matemática em campo – Outra parceria que ampliou o escopo de atuação do projeto foi estabelecida com a professora Ires Dias, do ICMC. Ela acompanha, há 14 anos, a trajetória de estudantes da região premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e coordena uma das regionais do Estado de São Paulo do programa OBMEP na Escola, que tem como objetivo contribuir para a formação de professores em matemática, estimulando estudos mais aprofundados e a adoção de novas práticas em sala de aula.
A partir da colaboração com Kalinka, Ires passou a abarcar mais uma escola pública da cidade na iniciativa, a Conde do Pinhal, onde duas professoras trabalham com 52 alunos na resolução de problemas matemáticos. Outros 90 alunos são atendidos por três professoras e um professor nas escolas Esterina Placco e Ary Pinto das Neves. “Nossa preocupação é atrair mais meninas para o programa, sem deixar de fora os meninos que querem aprender mais matemática”, conta Ires.
A OBMEP fornece uma bolsa de R$ 756 para cada professor e também o material que usarão em sala de aula. Mensalmente, Ires se encontra com o grupo para orientá-los no que for preciso. Ela também coordena o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) na região, que oferece bolsas de R$ 100 mensais para os medalhistas da OBMEP se dedicarem aos estudos. Quem mora em São Carlos tem a oportunidade de participar de encontros presenciais, que são realizados aos sábados, no ICMC, já quem mora em outras cidades realiza as atividades por meio de uma plataforma on-line. Não são poucos os jovens medalhistas que têm o primeiro contato com uma universidade pública por meio do PIC: “Acendemos uma luz em toda a escola em que há um medalhista da OBMEP chamado para participar do programa”.
É essa luz que as universidades públicas estão buscando acender quando lançam projetos para promover a igualdade de gênero. Aliás, enquanto muitos criticam o uso do termo “gênero” pelas ciências humanas, vale notar que “gênero” é também a palavra da vez nas ciências exatas: está mais presente do que nunca em publicações científicas da área, presente em artigos que mostram resultados de estudos rigorosamente científicos e reveladores da realidade da desigualdade na computação, na matemática, na estatística, nas engenharias e em suas ciências irmãs. Diante do déficit de profissionais qualificados nesses campos e do constante aumento da demanda, a equidade de gênero nas exatas não é mais uma insignificante questão ideológica, mas um desafio econômico que precisa ser enfrentado por qualquer país que pretenda se destacar no mundo da tecnologia.
Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP