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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Pesquisa propõe a criação de plataforma de jogos acessíveis para idosos

Proporcionar maior inclusão e qualidade de vida na terceira idade são alguns dos objetivos do projeto

O grupo de pesquisadores estabeleceu uma parceria com a empresa Aptor e o projeto
foi aprovado no Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP

Conforme envelhecemos, vamos perdendo nossa capacidade motora, visual e cognitiva. Idosos convivem com esses problemas diariamente e muitos não têm conhecimento sobre alternativas que possam amenizar esse processo de transformação natural. Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), estão desenvolvendo uma plataforma de jogos digitais para idosos, ferramenta que poderá trazer mais qualidade de vida a esse público.

Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que existem no país aproximadamente 20 milhões de brasileiros com idade igual ou superior a 60 anos e espera-se que, em 20 anos, esse número triplique. Isso se dá devido a fatores como aumento da expectativa de vida e queda das taxas de fecundidade, natalidade e mortalidade. “Jogos digitais têm sido desenvolvidos especialmente para a população jovem, habituada a essas interações e com aprendizagem mais rápida. Adequar e proporcionar esse tipo de conteúdo aos idosos ainda é um desafio que, se vencido, será um importante instrumento de inclusão social”, explica Leandro do Amaral, que faz doutorado no ICMC.

“Os idosos de hoje já estão inseridos no mundo da tecnologia, mas devemos trazê-los ainda para mais perto dessa nova cultura. Muitos deles já jogavam games quando eram mais novos, mas atualmente não há preocupação da indústria de jogos com essas pessoas. Games não são somente para jovens e crianças”, conta Gabriel Lima, que se formou em Ciências de Computação no ICMC. Hoje, Gabriel trabalha na Aptor Consultoria e Desenvolvimento de Software, empresa parceira dos pesquisadores no projeto Ambiente lúdico adaptativo como ferramenta para proporcionar treinamento cognitivo ao público senescente

Para desenvolver uma ferramenta com jogos acessíveis a quem tem mais de 60 anos, os pesquisadores precisam levar em conta o déficit cognitivo e motor que os idosos costumam apresentar. É recomendado evitar movimentos muito rápidos durante o jogo, excesso de informações na tela e o tamanho das letras deve ser maior do que o tradicionalmente empregado nos games destinados a outros públicos. “A maior dificuldade é entender a necessidade do idoso. Ele não pode se sentir frustrado por não conseguir jogar. Ao mesmo tempo, a experiência não deve ser entediante como acontece em games que não apresentam desafios”, diz Gabriel.

Leandro explica também que, no Brasil, não há muitos jogos para idosos e os que existem não se preocupam com acessibilidade. Outro fator importante que deve ser levado em conta no momento de criar um game para essas pessoas é que o projeto precisa se relacionar com o universo cultural de quem tem mais de 60 anos. Por isso, foi realizada uma pesquisa prévia com 50 idosos para obter mais informações sobre as características desse público a fim de propor jogos com uma temática atrativa.

Ao criar a plataforma, também será possível, segundo os pesquisadores, contribuir com a evolução das habilidades e técnicas cognitivas dessa população, retardando uma série de declínios, como, por exemplo, o comprometimento da memória. De acordo com Leandro, pesquisas sobre o desenvolvimento motor dessa população têm ganhado destaque, tendo em vista as transformações já esperadas durante as fases do envelhecimento e por ser um nicho de mercado que deverá ser cada vez mais explorado. 

“É uma área de pesquisa muito promissora e que está se desenvolvendo não só no Brasil como no mundo todo. Os idosos são muito atuantes e desejam participar”, conta Renata Pontin, professora do ICMC e orientadora de Leandro. 

Nos jogos para idosos, o tamanho das letras deve ser maior do que o
tradicionalmente empregado nos games voltados a outros públicos

Importância reconhecida – Para viabilizar a criação da plataforma, os pesquisadores estabeleceram uma parceria com a Aptor e apresentaram uma proposta para o Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O projeto foi aprovado pela agência de fomento e receberá até R$ 200 mil nos primeiros nove meses de pesquisa (chamados de fase 1). Ao final do período, os pesquisadores apresentarão um relatório técnico sobre o andamento do projeto. Caso obtenham resultados satisfatórios, o financiamento pode ser renovado por mais dois anos (fase 2), com a garantia de que um produto final seja entregue ao final do prazo. 

“É muito importante receber esse recurso da FAPESP, que nos possibilita arriscar. Hoje em dia, com o atual cenário econômico do país, talvez não fosse possível produzirmos esse trabalho”, diz Leandro. O projeto está sendo realizado em parceria com Marcos Hortes e Paula Castro, professores do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e com os alunos de pós-graduação Lucas de Carvalho e Francine Golghetto, ambos da UFSCar. A iniciativa recebe, ainda, a contribuição de Thiago Bittar, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), regional Catalão. Além de Gabriel, o projeto conta com a participação de mais três desenvolvedores da Aptor: Marcelo Petrucelli e Felipe Padula, ex-alunos do ICMC, e Janaina Pertile, aluna do curso de graduação em Imagem e Som da UFSCar. 

Segundo Renata, essa pesquisa possibilita o envolvimento dos jovens com os idosos, um aspecto fundamental não somente para o crescimento profissional dos estudantes, mas também por outros fatores: “Do ponto de vista acadêmico, os alunos formados em computação saem do curso falando apenas com a máquina. Agora, eles estão começando a ter contato com as pessoas e entender as necessidades do ser humano. Isso trará muitos benefícios e humanizará os cursos da área”. 

Empolgado com o projeto, Gabriel confirma o que diz a professora: “Quando você vê que está preenchendo uma lacuna e fazendo alguém se sentir melhor, isso faz diferença e se torna uma grande recompensa”, finaliza.

Texto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Créditos das fotos: imagem do grupo de pesquisadores - Reinaldo Mizutani/Assessoria de Comunicação ICMC/USP;
imagem de idoso manipulando tablete - Marcos Santos - USP Imagens

Mais informações
Site da FAPESP:
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 23 de março de 2016

Palestra explica como programa da FAPESP pode contribuir para gerar inovação e criar startups em São Carlos

Evento gratuito acontecerá dia 30 de março, às 15 horas, no ICMC

Palestra será ministrada por Fabio Kon

Apoiar a execução de pesquisa científicas ou tecnológicas em micro, pequenas e médias empresas no Estado de São Paulo. Esse é o objetivo do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP. Na próxima quarta-feira, 30 de março, uma palestra no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, mostrará por que o PIPE pode ser uma oportunidade excelente para auxiliar pós-graduandos recém-formados na criação de suas startups. 

A palestra será ministrada pelo professor Fabio Kon, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, que também é coordenador adjunto de pesquisa para inovação da FAPESP. Com o título O Programa PIPE da FAPESP e a sua startup são-carlense, a palestra acontecerá às 15 horas, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (sala 6-001) do ICMC. No evento, serão apresentados o histórico e os objetivos do Programa, bem como discutidas as características que um bom projeto deve ter para ser submetido ao PIPE. A plateia também terá a oportunidade de tirar suas dúvidas. 

No mesmo auditório, às 18 horas, o professor falará sobre Modelo de maturidade para ecossistemas de startups de software: onde sua cidade se encaixa e o que você pode fazer por ela? Nessa palestra, Kon apresentará um modelo resultante de pesquisas de campo realizadas em Tel Aviv (Israel), Nova Iorque (Estados Unidos) e na capital de São Paulo. O trabalho foi desenvolvido pelo Grupo de Empreendedorismo Digital do IME. Ele também discutirá como esse modelo pode trazer subsídios para que as cidades definam diretrizes e planos de ação para o desenvolvimento de um ambiente favorável à criação de empresas nascentes de cunho tecnológico.

Sobre o palestrante - Nos últimos anos, Fabio Kon tem trabalhado para consolidar o ecossistema de startups de São Paulo e apoiado um grande número de empresas nascentes de cunho tecnológico. Graduado em Ciências da Computação pela USP (1990) e em Música (Instrumento - Percussão) pela UNESP (1992), Kon possui mestrado em Matemática Aplicada pela USP (1994) e doutorado em Ciências da Computação pela University of Illinois At Urbana-Champaign (2000). Atua pesquisando principalmente os seguintes temas: sistemas distribuídos, computação em grade, middleware reflexivo, métodos ágeis de desenvolvimento de software, informática em saúde, multimídia e computação musical. É também avaliador de propostas altamente inovadoras do programa Horizon 2020 da Comissão Europeia. 

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Gerando inovação nas pequenas empresas

Ex-alunos do ICMC receberão recursos da FAPESP para desenvolver projetos de pesquisa na área médica e agrícola

Um dos projetos propõe a criação de um sistema para auxiliar os médicos no tratamento radioterápico

Contribuir para aprimorar o tratamento radioterápico oferecido a pacientes com câncer e auxiliar pequenos produtores de tomate a reduzir o uso de fungicidas. Esses dois problemas serão enfrentados por pesquisadores que usarão a tecnologia de forma inovadora em pequenas empresas depois de frequentarem os laboratórios do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Os projetos de pesquisa por eles propostos foram selecionados no 2º ciclo de 2015 do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O PIPE financia até R$ 1,2 milhão por projeto, não prevê contrapartida da empresa, mas exige que o pesquisador principal esteja vinculado à empresa.

“Queremos auxiliar os médicos, possibilitando aumentar a precisão e aperfeiçoar o processo de tratamento em radioterapia nos hospitais públicos e privados do Brasil”, revela o pesquisador Diego de Carvalho, coordenador do projeto SIPRAD: Sistema de Planejamento Radioterápico e um dos fundadores da empresa i-Medsys, sediada em Ribeirão Preto. 

Carvalho formou-se em Sistemas de Informação no ICMC em 2005 e concluiu seu mestrado no Instituto em 2008. “Na área de ciências exatas, acredito que não tenha outro lugar no Brasil que seja tão interessante para o fomento tecnológico quanto São Carlos”, conta o ex-aluno. Ele morou na cidade durante 10 anos e trabalhou em várias empresas são-carlenses de base tecnológica. “Em São Carlos, não importa onde você está, as pessoas estão sempre falando sobre novas tecnologias, novos projetos e o estado da arte das áreas de pesquisa”. Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicada pela revista Inovação, São Carlos está entre as dez cidades brasileiras que possuem o maior potencial inovador.

Para Carvalho, foi o ambiente da cidade e do ICMC que estimularam sua veia empreendedora. “A computação é uma atividade transformadora. Quando o estudante começa a ver alguns processos industriais, ele passa a enxergar soluções. E os professores do ICMC sempre foram muito acessíveis. Se um estudante batesse na porta do especialista e perguntasse se dava para resolver certo problema, ele sempre indicava um livro e dava algumas ideias de possíveis caminhos para seguir”, completa o ex-aluno.

Antes mesmo de finalizar seu mestrado no Instituto, em 2008, Carvalho criou a DFIORI Informática e, em 2010, já teve um projeto contemplado por um programa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Logo depois, uniu-se a outro ex-aluno do ICMC, José Antonio Camacho Guerrero, para criar sua vertente na área médica, a i-Medsys. Juntos, eles desenvolveram um sistema de arquivamento e distribuição de imagens para hospitais chamado LyriaPacs, que foi implantado há mais de 4 anos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e já ajudou a economizar US$ 10 milhões.

Agora, com o projeto aprovado no PIPE, a ideia é implementar um módulo adicional ao LyriaPacs, voltado especificamente para o tratamento em radioterapia. Para isso, os pesquisadores da área de tecnologia da informação contarão com o apoio de médicos da FMRP para criar softwares capazes de ajudar nos sistemas de planejamento radioterápico. “Utilizando esses sistemas, é possível definir de forma mais precisa as regiões que precisam receber a radiação, evitando que ela incida em estruturas sadias, além de encontrar a melhor distribuição dos campos de tratamento e da dose prescrita”, explica Carvalho.
Diego participou da cerimônia em que a FAPESP anunciou os projetos selecionados 
De olho no tomate – A engenheira agrônoma Adimara Colturato nunca tinha atuado na área de computação antes de realizar seu pós-doutorado no ICMC. Ao desenvolver um estudo sobre a utilização dos veículos aéreos não tripulados (VANTs) para a detecção precoce de doenças em plantações de eucaliptos, começou a vislumbrar quanto a tecnologia poderia beneficiar os agricultores. 

No final de 2014, quando estava finalizando seu pós-doutorado, surgiu uma ideia inovadora: usar sensores nas plantações de tomate para captar dados de temperatura, umidade e molhamento. Esses dados, por sua vez, poderiam ser enviados para os aparelhos celulares dos produtores e, através de um aplicativo, eles conseguiriam identificar se há o risco da lavoura ser atacada por uma das doenças mais temidas nesse tipo de cultivo, a requeima. Caso as condições informadas pelo aplicativo demonstrassem que havia risco, o agricultor poderia pulverizar um fungicida. 

“A intenção é auxiliar os pequenos produtores na tomada de decisão sobre o melhor momento para começar o controle da doença, evitando assim pulverizações desnecessárias”, explica Adimara. Ela conta que, dessa forma, o sistema reduz os custos de produção, os riscos de poluição ambiental e a ocorrência de epidemias severas. 

A requeima é uma das doenças mais destrutivas do tomateiro

De acordo com a pesquisadora, a utilização desses sistemas de previsão ainda é restrita ao mundo acadêmico e, muitas vezes, para obter essas informações, o produtor precisa acessar sites estrangeiros: “Geralmente, são utilizados dados de estações meteorológicas distantes de onde a plantação de tomate está localizada, os quais podem ser divergentes das condições ali presentes”. Para desenvolver o projeto, Adimara estabeleceu uma parceria com a empresa Circuitar, sediada em São Carlos.

“Os projetos aprovados devem ter potencial de retorno comercial, aumentar a competitividade da empresa e estimular a criação de uma cultura de inovação permanente”, disse o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, durante o anúncio dos projetos aprovados no 2º ciclo de 2015 do PIPE, em cerimônia realizada no último dia 8 de outubro na sede da Fundação. A 4ª chamada do PIPE está com o edital aberto e o prazo para a apresentação de propostas encerra-se em 27 de novembro.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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E-mail: comunica@icmc.usp.br