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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Pesquisa com humanos: entenda as questões éticas e esclareça suas dúvidas na USP São Carlos


No dia 21 de novembro, cientistas terão a oportunidade de conhecer como funcionam os Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos durante duas palestras gratuitas e abertas a todos os interessados



Como um cientista deve agir para realizar uma pesquisa com seres humanos? Quais são as principais questões éticas que devem ser levadas em conta? Como funcionam os Comitês de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e quando é preciso que uma pesquisa seja aprovada por um desses comitês? Perguntas como essas serão respondidas em dois eventos que acontecerão no campus da USP, em São Carlos, na tarde de quinta-feira, 21 de novembro. 

É neste dia que a professora Ana Paula Magalhães Tacconi, assessora de programas e eventos da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, falará sobre Ética na Pesquisa com Seres Humanos em dois diferentes espaços e momentos: das 14 às 15h45, ela estará no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC); das 16h15 às 18 horas, é a vez da professora falar no auditório Paulo de Camargo e Almeida, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU). 

As duas atividades são abertas a todos os interessados, gratuitas e não demandam inscrições prévias. Além de assistir à apresentação, o público poderá esclarecer suas dúvidas diretamente com a especialista. Vinculada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Ana Paula integra o Comitê de Boas Práticas em Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade e o Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da USP. 

“A boa pesquisa não se desenvolve sem a ética. Ela é parte integrante da ciência e pressuposto da atuação de todo pesquisador”, esclarece a professora. “A ética pauta nossas relações com nossos sujeitos e objetos de pesquisa e a integridade no tratamento dos dados e das publicações. Mas também perpassa nossa interação com nossos pares e com nossa própria biografia”, completa. 

Contexto em mudança – Segundo Ana Paula, a ética na pesquisa, tanto quanto as demais manifestações da cultura humana, constituiu-se historicamente. Não é à toa que padrões de investigação empregados até bem pouco tempo atrás, nos dias de hoje, são considerados inaceitáveis. Por isso, é necessário que as instituições de ensino e pesquisa se empenhem em um trabalho de conscientização que implica informar e esclarecer os pesquisadores a respeito da agenda da ética em pesquisa. 

“A moderna investigação científica pauta-se por padrões éticos rigorosos e bem definidos. Os códigos de conduta em instituições de ensino e pesquisa ao redor do mundo pressupõem, para além da boa conduta no manejo dos dados, a preservação da integridade física e psíquica dos participantes da pesquisa”, explica a docente. 

Para ela, a relação entre ética e conhecimento comporta ao menos duas facetas: “Por um lado, na medida em que as condições para a solução de um determinado problema se encontram à disposição dos cientistas, eles têm o dever ético de empregar seu esforço no sentido de saná-lo. Por outro lado, ao passo que o conhecimento tende ao ilimitado, cabe à ética impor-lhe limites no sentido de preservar a integridade de pessoas e ecossistemas”.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Com apoio de Henrique Fontes, da Assessoria de Comunicação do IAU

Mais informações
Comissão de Pesquisa do ICMC: (16) 3373-8876 ou pesquisa@icmc.usp.br
Comissão de Pesquisa do IAU: (16) 3373-8765 ou cpqiau@sc.usp.br

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Matemático da USP receberá R$ 1 milhão: desafio é explicar comportamentos de sistemas como o cérebro

Selecionado pelo Instituto Serrapilheira, Tiago Pereira é professor do ICMC e estuda modelos matemáticos para compreender o que acontece em sistemas dinâmicos não lineares como, por exemplo, o cérebro e as redes sociais

O professor Tiago Pereira também é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI)
(crédito da imagem: assessoria de comunicação do CeMEAI)


O professor Tiago Pereira, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foi selecionado para receber até R$ 1 milhão do Serrapilheira, instituto privado de fomento à ciência brasileira. Os recursos serão aplicados para desenvolver uma teoria matemática capaz de descrever comportamentos em sistemas dinâmicos não-lineares tais como o cérebro, as redes sociais e os sensores de cidades inteligentes. 

“Nós entendemos relativamente bem o que acontece quando um sistema está isolado. Por exemplo, sabemos o que um neurônio isolado faz. Mas na natureza as coisas interagem. Então, o comportamento de um elemento depende do que acontece em sua volta e o que esse elemento faz na rede é bastante diferente do que ele faz quando está isolado”, explica o pesquisador. “A vontade de entender como o comportamento muda devido à interação é muito antigo. Na verdade, é o problema não linear mais antigo na história da ciência moderna”, completa. 

Mas por que é tão importante construir um modelo matemático que consiga mostrar o que ocorre com um neurônio quando ele interage com os demais neurônios nessa rede complexa chamada cérebro? Tiago revela que esse estudo tem potencial para contribuir com a compreensão sobre as transformações críticas que ocorrem nas redes complexas desses sistemas e que levam, por exemplo, ao surgimento de doenças como a epilepsia. “Nosso sonho é, a partir de observações do sistema no estado saudável, prever quando e como essas transições indesejadas ocorrem. Assim, conseguiríamos desenvolver mecanismos de prevenção e tratamentos”. 

Selecionado na primeira chamada pública de apoio à pesquisa científica do Instituto Serrapilheira, Tiago já havia recebido apoio financeiro de R$ 100 mil ao longo do último ano, assim como outros 64 pesquisadores contemplados entre os 1.955 inscritos. Agora, ele está entre os 12 cientistas que receberão até R$ 1 milhão cada, conforme anunciado pelo Instituto na última sexta-feira, 17 de maio. “Vou utilizar os recursos para montar um time interdisciplinar”, diz Tiago. 

“Nosso objetivo é identificar os talentos que acabaram de entrar no sistema acadêmico. A longo prazo, criar uma rede de futuros líderes da ciência brasileira”, declarou Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Serrapilheira, no anúncio dos contemplados. “São cientistas jovens, top”, completou o presidente do Conselho Científico do Serrapilheira, Edgar Zanotto. Do financiamento de R$ 1 milhão disponibilizado aos pesquisadores selecionados, R$ 700 mil são concedidos de forma incondicional. Os R$ 300 mil restantes estão condicionados à integração e formação de pesquisadores de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa. A adesão a esse mecanismo é voluntária, ou seja, os pesquisadores podem optar por receber ou não o valor destinado às práticas de estímulo à diversidade. 

Tiago Pereira recebeu a notícia de que havia sido selecionado pelo Serrapilheira durante um evento de que participava – School and Workshop on Patterns of Synchrony – no International Centre for Theoretical Physics (ICTP), em Triste, na Itália. Na sexta-feira, ele estava ministrando um workshop sobre as pesquisas que realiza intitulado “Reconstrução da estrutura de redes a partir de dados”. Pelo telefone, Tiago comemorou a conquista: “Ser representante do grupo selecionado é um enorme prazer. Seria ótimo se isso gerasse uma discussão para criar uma sociedade mais baseada em ciência e que valorizasse o conhecimento para desenvolver novas tecnologias e para o crescimento do espírito humano”. 

Para o pesquisador, receber esse aporte de recursos no atual cenário brasileiro de cortes nos investimentos em educação, ciência e tecnologia é extremamente relevante: “É muito triste ver uma ação orquestrada contra educação, justamente num país em que a gente precisa tanto disso. Meus pais estudaram apenas até o quarto ano do ensino fundamental. No meu caso, realmente, ler um pouco mudou a minha vida”. 

Graduado em Física pelo Instituto de Física da USP, Tiago fez doutorado em matemática aplicada na Potsdam Universitaet, na Alemanha. Depois, fez cinco pós-doutorados em diferentes instituições no Brasil e no exterior. Desde 2015, é professor do ICMC. 

Anúncio dos 12 professores selecionados foi realizado na última sexta-feira, dia 17 de maio
(crédito da imagem: Raphael Gomide)

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP com informações da assessoria de comunicação do Instituto Serrapilheira

Mais informações 
Assista ao vídeo do Serrapilheira: icmc.usp.br/e/c5588
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 13 de junho de 2018

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Da graduação direto para o doutorado

Na busca por economizar tempo na formação acadêmica, alguns jovens estão descobrindo que ingressar no doutorado sem passar pelo mestrado pode ser uma opção interessante

Kemilly Garcia, Filipe Verri e Luis Paulo Garcia optaram pelo doutorado direto

Tornar-se doutor aos 25 anos não é uma meta fácil de ser alcançada. Na carreira acadêmica, leva-se cerca de uma década para percorrer a trajetória tradicional que resulta na obtenção do título de doutor: some a graduação (quatro a cinco anos), o mestrado (cerca de dois anos) e o doutorado (pelo menos mais quatro anos). Mas alguns jovens têm descoberto uma alternativa interessante para adiantar esse processo e conquistar mais rápido o sonho de se tornar um professor-pesquisador nas universidades brasileiras de ponta: o doutorado direto.

“No começo, fiquei inseguro porque nunca tinha ouvido falar dessa opção. Somos instruídos a fazer o mestrado e depois o doutorado. Só me convenci de que valia a pena seguir para o doutorado direto depois de conversar com alguns alunos que já tinham escolhido esse caminho”, explica Filipe Verri. Em março de 2014, aos 22 anos, apenas dois meses depois de concluir sua graduação em Ciências de Computação, Verri se tornou um doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. A meta dele é finalizar o doutorado aos 25 anos.

“Não vejo a hora de me tornar professor em uma universidade”, revela Tiago Nazaré, que ingressou este ano no doutorado direto do Programa. Aos 23 anos, ele só decidiu que iria seguir de fato a carreira acadêmica depois de passar seis meses na Universidade do Porto, em Portugal, onde fez intercâmbio por meio de uma bolsa de Mérito Acadêmico da USP: “Foi lá que percebi o quanto a formação acadêmica aqui é equiparável à oferecida no exterior ou até melhor”.

No ICMC, 11 alunos estão hoje matriculados no doutorado direto
em Ciências de Computação e Matemática Computacional

No currículo de Nazaré e de Verri, destacam-se os projetos de iniciação científica que desenvolveram. Para ambos, o doutorado direto tornou-se uma opção natural, pois já estavam habituados à realidade da investigação científica. “Quando fiz minha primeira iniciação científica, eu me apaixonei pela pesquisa e vi que era isso que eu queria fazer”, conta Verri. Ao todo, ele desenvolveu dois projetos de iniciação científica ao longo de seu curso de graduação: foram quase três anos dedicados à pesquisa, sempre com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “A FAPESP deve me conhecer pelo nome”, brinca. 

Quando ingressou no curso de Ciências de Computação do ICMC e mudou-se de Araçatuba para São Carlos, Verri não imaginava que se dedicaria à carreira acadêmica. O que ele queria era desenvolver jogos: “Mas descobri que era muito bom em matemática e não gostava de áreas como engenharia de software e design gráfico, fundamentais para quem deseja atuar com games”. 

A história de Nazaré não é diferente. Ele veio de Monte Santo, em Minas Gerais, para São Carlos cursar Ciências de Computação no ICMC e também fez duas iniciações científicas durante a graduação. Além disso, participou de uma iniciativa que possibilita aos graduandos que estão no último ano do curso do curso assistirem às aulas de pós-graduação. Conhecida como Trilha, essa opção contribui para que os estudantes avancem mais rápido na pós-graduação.

Assim, quando Nazaré se formou, ele já tinha cursado praticamente todas as disciplinas exigidas para quem está no mestrado. Seu orientador, o professor Moacir Ponti, recomendou então que o estudante tentasse ingressar no mestrado e também no doutorado direto. Deu certo: Nazaré foi aprovado no doutorado direto e recomenda a escolha, especialmente para aqueles que já conhecem um pouco sobre a área de pesquisa à qual pretendem se debruçar.

Verri também não se arrepende da escolha e recomenda o ingresso no doutorado direto para aqueles que têm absoluta certeza de que fariam o doutorado após terminar o mestrado. “Para quem não tem essa certeza, não vale a pena. Porque se a pessoa desistir no meio do doutorado direto, não terá o título de mestre, o que já possibilitaria ingressar no mercado de trabalho em algumas universidades”, destaca. A ressalva de Verri é pertinente especialmente para os estudantes que optam pela pós-graduação simplesmente para ganhar mais tempo antes de decidir qual caminho querem de fato seguir em suas carreiras. 

Depois de percorrer a trajetória do doutorado direto por um ano e sete meses, Verri sabe que a insegurança que sentiu no começo da jornada era desnecessária: “Não é um caminho mais difícil, nem há mais pressão ou cobrança do que para quem já fez o mestrado”. Quem ingressa no doutorado direto tem até cinco anos para concluir a tese, já para quem segue o caminho tradicional esse prazo é reduzido para quatro anos. Outra diferença é que, no doutorado direto, o aluno tem seis meses a mais do que no doutorado tradicional para apresentar os resultados parciais de seu trabalho e fazer sua qualificação.

Kemilly, Filipe e Luís desenvolvem suas pesquisas no
Laboratório de Computação Bioinspirada do ICMC

Inscreva-se até 29 de outubro – As inscrições para o doutorado direto no Programa de Pós-Graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional do ICMC estão abertas até a próxima quinta-feira, 29 de outubro. Nessa fase, o candidato precisa apenas apresentar a documentação exigida no edital. Se for aprovado na pré-seleção, terá até 4 de janeiro para entregar o projeto de pesquisa. São oferecidas 10 vagas e os candidatos devem ter colado grau até a data da matrícula, que acontecerá de 26 a 29 de janeiro.

Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Edital do processo seletivo do doutorado direto: icmc.usp.br/e/bc21b
Serviço de Pós-Graduação do ICMC: (16) 3373.9638
E-mail: posgrad@icmc.usp.br