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terça-feira, 16 de outubro de 2018

ICMC realiza minicurso gratuito de Excel para iniciantes

O objetivo da iniciativa é apresentar as principais ferramentas do programa a todos os interessados


O Excel é uma ferramenta de extrema importância no mercado de trabalho e muito útil no dia a dia. Por esse motivo, o Programa de Educação Tutorial (PET-Computação) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizará um minicurso gratuito de Excel para iniciantes.

O Excel sem Tédio acontece no próximo sábado, 20 de outubro, das 14 às 18 horas, no bloco 6 do ICMC, no laboratório 6-303/304. O objetivo é apresentar as principais ferramentas do programa. Para se inscrever, basta acessar este link: icmc.usp.br/e/cc9b0. Há 60 vagas disponíveis e os interessados devem fazer as inscrições até as 12 horas do dia 19 de outubro ou enquanto houver vagas.

Confira, a seguir, os conteúdos que serão abordados durante o curso:
  • Soma e média 
  • Operadores lógicos 
  • Função SE 
  • Tabelas dinâmicas 
  • Gráfico 
  • Busca e referência 
  • Validação 
  • Formatação condicional 
  • Contagem 
  • Datas e horas 
  • Textos 
  • Erros 
  • Dashboards 
Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Curso Excel sem Tédio
Inscrições: até 12 horas do dia 19 de outubro ou enquanto houver vagas por meio do link: icmc.usp.br/e/cc9b0
Quando: 20 de outubro, sábado, das 14 às 18 horas
Local: laboratórios 6-303/304 no bloco 6 do ICMC. O endereço é avenida Trabalhador são-carlense, 400, na área I do campus da USP, em São Carlos.
Mais informações: (16) 3373.9146 ou ccex@icmc.usp.br

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Ferramenta para detectar fake news é desenvolvida pela USP e pela UFSCar

Acessível via WhatsApp e na internet, plataforma que possibilita checar se uma notícia é falsa ou verdadeira está em fase de testes e aperfeiçoamento

Entre os pesquisadores que desenvolvem o projeto estão Roney (à esquerda), Rafael e o professor Thiago Pardo (em pé)

Quantas vezes você já recebeu uma informação via um aplicativo de troca de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, ou leu uma notícia circulando pela internet e gostaria de checar a veracidade do conteúdo? Agora, já é possível fazer essa verificação usando uma ferramenta piloto criada por um grupo de pesquisadores da USP e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A plataforma está em fase de testes e aperfeiçoamento, mas já é possível acessá-la gratuitamente via web ou pelo WhatsApp

“A gente sabe que, quando uma pessoa está mentindo, inconscientemente, isso afeta a produção do texto. Mudam as palavras que ela usa e as estruturas do texto. Além disso, a pessoa costuma ser mais assertiva e emotiva. Então, uma das formas de detectar textos enganosos é medir essas características”, explica o professor Thiago Pardo, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Pesquisador do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), Thiago é o coordenador do projeto que resultou na criação da plataforma e na publicação do artigo Contributions to the Study of Fake News in Portuguese: New Corpus and Automatic Detection Results, apresentado no final de setembro na 13ª Conferência Internacional de Processamento Computacional do Português

“A ideia é que a ferramenta seja um apoio para o usuário. Ainda estamos no início desse projeto e, no estado atual, o sistema identifica, com 90% de precisão, notícias que são totalmente verdadeiras ou totalmente falsas”, pondera o professor. “No entanto, as pessoas que propagam fake news costumam embasar suas mentiras em fatos verdadeiros. Nossa plataforma ainda não tem a capacidade de separar as informações com esse nível de refinamento, mas estamos trabalhando para isso”, completa Thiago. 

Para ver como a ferramenta funciona no WhatsApp, por exemplo, pegue seu smartphone e acesse este link: https://otwoo.app/nilc-fakenews. Automaticamente, uma janela de troca de mensagens do aplicativo se abrirá e você vai ler “Nilc-FakeNews” na tela. Basta apertar a tecla enviar e, imediatamente, você receberá outra mensagem: “Olá! Seja bem-vindo ao detector de fake news do NILC-USP – Detecção Automática de Notícias Falsas para o Português! O sistema irá utilizar o modelo de detecção para avaliar se a notícia é falsa ou verdadeira. Insira o corpo de uma notícia.” Pronto, você acabou de acessar o sistema de verificação! Agora, é só colar a notícia que deseja checar. Se forem verificados indícios de fake news, o sistema alertará: “Essa notícia pode ser falsa. Por favor, procure outras fontes confiáveis antes de divulgá-la”. 

Após cerca de 20 minutos sem uso, é necessário reativar o acesso ao sistema. Para isso, basta digitar a palavra “Fake” e apertar enviar. Você receberá novamente a mensagem “Olá! Seja bem-vindo...”. Em seguida, pode colar outra notícia e enviar para checagem.

Roney e Rafael explicam como funciona a plataforma no WhatsApp

Ensinando o computador – Mas como os pesquisadores conseguiram ensinar o computador a identificar o que é mentira e o que é verdade, se essa tarefa é difícil até mesmo para nós, seres humanos inteligentes? É aí que entram as técnicas da área de inteligência artificial. Para tornar a máquina capaz de reconhecer as características dos textos mentirosos e a dos textos verdadeiros, bem como diferenciá-los, uma série de passos precisa ser realizada. 

O primeiro desafio é construir um conjunto de notícias falsas e verdadeiras em português. É a partir do reconhecimento das características desse conjunto de dados que o computador poderá ser treinado para avaliar futuros textos. São as informações que os humanos inserem nas máquinas e os padrões criados para analisar cada conjunto de dados que modelam os sistemas computacionais para que realizem futuras tarefas. Essa é a mesma tecnologia que possibilita ao Facebook, por exemplo, reconhecer faces. Mas por que, então, quando o Facebook começou a fazer reconhecimento facial o índice de acerto era maior quando aparecia o rosto de alguém branco e ocidental? Ora, por causa do viés que havia no conjunto de faces utilizado para treinar a plataforma: a maioria eram imagens de rostos de seres humanos brancos e ocidentais. A questão gerou uma série de críticas à empresa e demandou um aprimoramento da ferramenta. 

No caso da plataforma criada para detectar fake news, o conjunto de notícias utilizado é composto por 3,6 mil textos falsos e 3,6 mil verdadeiros, que foram publicados na web entre janeiro de 2016 e janeiro de 2018. Esses textos foram coletados manualmente e analisados para garantir que apenas os que fossem totalmente falsos ou totalmente verdadeiros compusessem o conjunto, que está disponível para utilização em outras pesquisas (veja neste link: icmc.usp.br/e/f9049). 

Cada notícia verdadeira possui uma notícia falsa correspondente. Assim, por exemplo, do total de 4.180 notícias sobre política, metade (2.090) são falsas e metade são verdadeiras. O mesmo vale para todas as demais categorias.

Os conhecimentos da área de inteligência artificial entram em campo na sequência: os cientistas usam técnicas computacionais para processar os textos coletados automaticamente, fazer a classificação gramatical de todas as palavras, separar cada sentença e cada termo (incluindo pontuações e números). Depois, é hora de identificar as características presentes nesses textos que poderiam ser empregadas para classificá-los em falsos ou verdadeiros. Como os textos verdadeiros costumam ser mais extensos que os falsos, a quantidade de palavras e sentenças não é um fator adequado para diferenciá-los. “Se usássemos esse critério, o sistema teria a tendência de classificar todos os textos curtos como falsos e os extensos como verdadeiros”, explica o doutorando Roney Lira, do ICMC. Para evitar isso, os pesquisadores utilizaram outros parâmetros como o número médio de verbos, substantivos, adjetivos, advérbios e pronomes presentes nos textos (veja a tabela a seguir). 

Erro ortográfico é um dos parâmetros mais relevantes para a verificação da veracidade dos textos

“Das 3,6 mil notícias falsas que coletamos, 36% possuíam algum erro ortográfico, enquanto apenas 3% das verdadeiras apresentavam esse problema”, pondera Roney. Por isso, a presença de um erro ortográfico passou a se tornar um parâmetro relevante para a verificação da veracidade dos textos. Afinal de contas, a probabilidade de uma notícia ser falsa é muito maior se houver um erro ortográfico. 

Na penúltima etapa, os pesquisadores lançam mão de outra técnica de inteligência artificial: “Empregamos métodos clássicos de aprendizagem de máquina, que estão entre os mais utilizados atualmente, e conseguimos treinar o sistema com um índice de 90% de acerto na classificação das notícias”, diz Thiago. O professor explica que o índice de acerto é alto porque o sistema avalia, simultaneamente, diversas propriedades presentes nos textos. 

O professor Thiago Pardo é o coordenador do projeto, que está sendo desenvolvido há cerca de um ano e meio

Aprendendo e avançando – Cursando Ciências de Computação no ICMC, o estudante Rafael Augusto Monteiro é um dos colaboradores do projeto, do qual participou por meio de uma iniciação científica. Ele já sonha com os desafios futuros: “Nosso intuito inicial foi trabalhar com textos escritos, pois são uma unidade fundamental para análise em linguística computacional. Mas queremos expandir o projeto e passar a avaliar imagens, vídeos, áudios, abarcando outras mídias”. 

Já Roney pretende, durante o doutorado, eliminar uma das principais limitações do detector de notícias: avaliar textos que contém partes falsas e verdadeiras, separando o joio do trigo. “O próximo passo é tentarmos fazer checagem de conteúdo automaticamente, algo que as agências de notícias e os jornalistas fazem hoje manualmente”, conta Thiago. O professor também quer avançar na detecção de outros tipos de conteúdos enganosos (do inglês, deception) como as revisões falsas de produtos e os textos satíricos. “A mesma tecnologia da detecção de fake news pode ser usada nesses outros casos mediante adaptações. Nas notícias falsas, o grau de emoção do texto faz diferença. Em textos satíricos, como há sempre exagero, humor, espera-se encontrar alto teor emocional. Então, talvez essa característica deixe de se tornar relevante. Por outro lado, na revisão de produtos, é necessário checar as informações técnicas, por exemplo”. 

Financiado pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do CNPq e por outras duas agências de fomento brasileiras (CAPES e FAPESP), o projeto Detecção Automática de Notícias Falsas para o Português conta com a participação de mais três pesquisadores: Evandro Ruiz, que é ex-aluno do ICMC e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP; Tiago de Almeida, professor do departamento de Computação da UFSCar no campus Sorocaba; e de Oto Araújo Vale, professor do departamento de Letras da UFSCar no campus São Carlos. A equipe teve, ainda, o apoio do doutorando Murilo Gazzola, do ICMC, que foi responsável por disponibilizar a plataforma no WhatsApp. Todo esse trabalho tem sido realizado no âmbito de um projeto maior chamado Opinando (Opinion Mining for Portuguese: Concept-based Approaches and Beyond), que visa fornecer subsídios para a área de mineração de opinião para a língua portuguesa. 

Com aproximadamente um ano e meio de vida, o projeto já produziu resultados relevantes e os avanços que poderão ser alcançados no futuro são ainda mais promissores. Mas o professor Thiago ressalta que, por mais que a tecnologia nos ajude na difícil tarefa de identificar as fake news, continuará sendo fundamental a obtenção de informações por meio de fontes confiáveis: “Nenhum sistema será 100% eficiente. Cada vez que se cria algo para detectar um problema, alguém vai descobrir um jeito de burlar”. 

Se você acredita que os computadores podem nos salvar das fake news, informamos que essa notícia possivelmente é verdadeira. Mas não exagere: se você escrever que os computadores serão os salvadores da pátria no WhatsApp e enviar para o detector, vai descobrir que essa notícia pode ser falsa. Até o computador reconhece que os sistemas computacionais, tal como os seres humanos, são sujeitos a falhas e que não basta a tecnologia ou um salvador da pátria para solucionar os complexos problemas da humanidade. 

Ao completar 25 anos de existência, NILC é uma referência em processamento de linguagem natural do Brasil.
Os pesquisadores do Núcleo fomentaram o desenvolvimento de revisores ortográficos e gramaticais para o português,
tal como o que é até utilizado no Word, da Microsoft

Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Arte das tabelas: Fernando Mazzola

Mais informações
Site do detector de notícias falsas: http://nilc-fakenews.herokuapp.com/
Link para acessar a ferramenta no WhatsApp: https://otwoo.app/nilc-fakenews
Conjuntos de notícias verdadeiras e falsas (Fake.Br Corpus): icmc.usp.br/e/f9049
Artigo Contributions to the Study of Fake News in Portuguese: New Corpus and Automatic Detection Results (versão pré-impressão):

Contato para esta pauta
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 27 de março de 2017

Aprenda a desenvolver jogos com a ferramenta GameMaker na USP em São Carlos

Curso é gratuito e acontecerá no próximo domingo, 2 de abril

Mostrar aos participantes como programar jogos eletrônicos utilizando uma das ferramentas mais conhecidas para essa finalidade e de fácil aprendizado: o GameMaker. Esse é o objetivo do curso que será oferecido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Gratuita, a iniciativa acontecerá no próximo domingo, 2 de abril, na sala 6-303 do ICMC, das 9 às 12 horas e das 14 às 19 horas. Há 30 vagas disponíveis e as inscrições podem ser realizadas até a próxima quinta-feira, dia 30 de março, ou enquanto houver vagas. Para se inscrever, basta acessar o Sistema Apolo da USP neste link: icmc.usp.br/e/91112

Durante o curso, os participantes vão aprender sobre os componentes de um jogo e a programação de games, podendo aplicar de forma prática os conhecimentos adquiridos. Com o GameMaker, é possível organizar todos os recursos dos games em pastas dentro da ferramenta, incluindo editores de imagens, sons, scripts e fases. O GameMaker permite, ainda, salvar os recursos criados para que possam ser empregados em outros jogos ou fora do programa. 

Sob coordenação do professor Fernando Osório, a atividade é uma iniciativa do grupo de extensão Fellowship of the Game (FoG), que é voltado ao estudo e desenvolvimento de jogos digitais. Quem vai ministrar o curso são os estudantes Leonardo Pereira e William Ferreira. Eles recomendam que os participantes, se puderem, levem seus notebooks para o curso com o GameMaker instalado.

Leonardo  fez Ciências de Computação no ICMC e, atualmente, é aluno de mestrado no Instituto. Ele atua desde 2012 no FoG e tem experiência teórico-prática acumulada no desenvolvimento de jogos, que inclui participação em projetos junto ao grupo, organização de competições de desenvolvimento rápido de jogos (Game Jams), além de ter realizado pesquisas temáticas sobre o assunto, bem como organizado e ministrado aulas em uma disciplina de desenvolvimento de games no ICMC. Leonardo possui, ainda, experiência no uso de diversas ferramentas usadas na área, tais como Unity3D, Stencyl e GameMaker

Já William cursa atualmente Ciências de Computação no ICMC e atua desde 2016 junto ao FoG. Assim como Leonardo, possui experiência teórico-prática no desenvolvimento de jogos, participou de Game Jams e também domina diversas ferramentas tais como Unity3D, LÖVE e GameMaker

Introdução ao desenvolvimento de jogos com GameMaker
Inscrições: até 30 de março ou enquanto houver vagas por meio do link icmc.usp.br/e/91112
Quando: dia 2 de abril, domingo, das 9 às 12 horas e das 14 às 19 horas.
Local: laboratório 6-303, no bloco 6 do ICMC.
Endereço: Avenida Trabalhador são-carlense, 400, no campus I da USP em São Carlos.
Vagas: 30.
Mais informações: (16) 3373-9146 ou ccex@icmc.usp.br

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Descubra quanto dinheiro é repassado pelo governo federal para sua cidade e como ele é investido

Um portal desenvolvido por pesquisadores da USP e da UFABC contribui para que os cidadãos avaliem a gestão dos recursos públicos nas cidades brasileiras e tenham acesso a informações relevantes antes de decidirem em quem votar nas próximas eleições

Em 2015, o governo federal repassou R$ 3,6 bilhões para a cidade de São Paulo

O que você faria se soubesse que a cidade onde mora recebeu R$ 3,6 bilhões do governo federal para manter os serviços públicos funcionando durante um ano? O montante pode impressionar à primeira vista, mas será, de fato, um valor significativo quando pensamos na cidade de São Paulo? Considerando-se que o município é o mais populoso do Brasil e dividindo esse montante pelo número de habitantes da cidade, é como se cada cidadão paulistano tivesse recebido apenas R$ 309,09 do Governo Federal durante 2015. 

Se morasse em Presidente Kennedy, município do Espírito Santo com apenas 11.221 habitantes, esse cidadão não poderia reclamar: teria recebido, no mesmo período, exatamente R$ 21.113,36, ou seja, 68 vezes o valor per capita (por pessoa) de São Paulo, devido ao repasse dos royalties do petróleo na região. Não é à toa que a cidade capixaba ocupa a primeira colocação no ranking dos municípios que mais receberam recursos per capita do governo federal em 2015, enquanto São Paulo amarga a posição 5.510, quase um lanterninha no hall dos 5.568 municípios do Brasil.

Todos esses dados estão disponíveis no portal Repasse, desenvolvido em parceira por pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e da Universidade Federal do ABC (UFABC). “A ideia veio quando imaginei minha mãe no posto de saúde. Ela chega e não tem médico, não tem medicamento, não tem agulha e pergunta: por quê?”, conta o pesquisador William Siqueira.

Gráfico mostra em que áreas foram aplicados os recursos que a prefeitura de São Paulo recebeu do governo federal em 2015

Foi durante um curso de especialização em tecnologias e sistemas de informação na UFABC que William resolveu se dedicar à criação de uma plataforma para ajudar o cidadão comum a encontrar respostas para os problemas que costuma enfrentar na hora de utilizar um serviço público: será que o Governo Federal repassou o dinheiro para a prefeitura? A prefeitura enviou ao posto de saúde? O posto gerenciou adequadamente o recurso? “Quando um cidadão tenta encontrar essas respostas e começa a pesquisar, cai em um monte de burocracia e informações picadas, que nunca lhe dão uma visão geral sobre onde está o problema”, completa William. Na UFABC, ele conheceu o professor Mário Gazziro, que se tornou o orientador de seu projeto. Para ajudar a enfrentar os diversos obstáculos que precisariam superar para colocar a proposta em prática, eles estabeleceram uma parceria com o professor José Fernando Rodrigues Júnior, do ICMC.

“A ideia do projeto se baseia no fato de que não basta ter dados. Eles precisam estar integrados, organizados e serem acessíveis de maneira interativa e amigável para a população”, revela José Fernando. O professor explica que, apesar da exigência de que os municípios apresentem seus dados de forma transparente – a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527) entrou em vigor em março de 2012 –, não há um padrão na apresentação: “Algumas cidades ainda publicam os dados somente em formatos dificilmente legíveis por máquinas, como, por exemplo, papéis digitalizados (escaneados), um artifício para dificultar o processamento automático”.

"Não basta ter dados", diz o professor José Fernando, do ICMC

É por isso que iniciativas como a do Repasse podem contribuir para ajudar a conscientizar as prefeituras sobre a necessidade de se ter mais transparência e estimular a participação da população na fiscalização das contas públicas. Ao acessar a plataforma, é possível ver detalhadamente onde foram aplicados os recursos repassados pelo governo federal a cada município, mês a mês. Por meio de gráficos coloridos e dinâmicos, o cidadão consegue verificar quanto foi investido em cada área (saúde, educação, saneamento, cultura, etc.), subárea, programa e ação, além de identificar quem foi favorecido e quanto recebeu.

A ferramenta também possibilita fazer comparações. “É possível identificar discrepâncias e irregularidades ao se comparar municípios. Esse é o intuito do projeto: estimular o cidadão comum a saber o que está acontecendo na administração de sua cidade e a ficar atento a possíveis problemas na destinação dos recursos”, ressalta o professor Mário.

“A sociedade brasileira amadureceu e vive uma fase de busca de informações, de transparência, de respeito aos seus direitos. Agora não basta a divulgação de um resultado, ela quer ter certeza do conteúdo e tem o direito de questionar. Por isso, todo e qualquer trabalho desenvolvido por entidade pública, privada ou mesmo pessoa física é muito bem-vindo”, diz o ouvidor do Ministério Público do Estado de São Paulo, Roberto Fleury de Souza Bertagni. Ele revela que muitos cidadãos entram em contato com a Ouvidoria para fazer denúncias e pedir a atuação do Ministério depois de obter informações em plataformas, sites e outros meios de divulgação. 

Fleury cita o exemplo de uma prefeitura que recebeu um repasse do governo federal de R$ 5 milhões destinados à saúde. Quando o recurso é desviado para outros fins, cabe ao Ministério Público Federal investigar o caso, pois houve prejuízo ao patrimônio da União. Mas se o montante é investido de forma inadequada ou ineficiente, cabe ao Ministério Público do Estado averiguar a prestação do serviço.

Neste exemplo, é possível ver quantos recursos foram repassados pelo governo federal ao município de São Carlos em julho de 2016 e em que áreas foram aplicados
De onde vêm os dados – Atualmente, o portal Repasse trabalha com os dados disponibilizados no Portal da Transparência. São contabilizados somente os repasses realizados pelo governo federal aos municípios e não outras fontes de recursos obtidos pelas cidades, tal como o dinheiro arrecadado diretamente pelos municípios via Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e outras taxas (água, luz, etc.). Também ficam de fora os repasses realizados pelos governos estaduais referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). 

“O próximo passo natural da ferramenta é estender a base para dados municipais de arrecadação e adicionar outras métricas, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), os resultados do Enem e dados provenientes do Datasus”, explica José Fernando. Ao acrescentar esses novos dados ao portal, será possível avaliar com mais precisão se os recursos financeiros aplicados estão trazendo resultados em áreas como educação, saúde e segurança, por exemplo. Também será necessário utilizar tecnologias mais robustas de processamento e apresentação de dados, como técnicas de inteligência artificial, aprendizado de máquina e mineração de dados.

Atualmente, existem várias ferramentas na web que possibilitam avaliar a gestão dos recursos públicos, entre elas estão o portal Meu Município e o Compara Brasil. Há, ainda, o recém-lançado Ranking de Eficiência dos Municípios – Folha (REM-F), o qual mostra que cerca de 70% dos municípios brasileiros dependem hoje, em mais de 80%, de verbas que vêm de fontes externas de sua arrecadação. Esse alto grau de dependência das prefeituras para com os recursos da União e dos Estados contribui para reforçar a relevância da população acompanhar como esses recursos são investidos localmente.

O professor Mário ressalta que é importante o cidadão avaliar as fontes de dados desses sites. Alguns deles utilizam a declaração final de renda, um documento que os municípios são obrigados a entregar para o Tesouro Nacional. “Essa não é uma fonte tão confiável quanto o Portal da Transparência, pois há casos de municípios que fraudam os dados antes de entregarem esses relatórios ou simplesmente atrasam a entrega em anos de eleição, ocultando a saúde financeira do município e impedindo que os eleitores e a mídia tenham acesso à informação”, pondera o professor.

Ranking dos municípios que mais receberam recursos do governo federal (per capita) em 2015,
com seus respectivos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH)


Movimento global – Para os pesquisadores que criaram o projeto Repasse, o principal diferencial da iniciativa é possibilitar que o cidadão explore livremente os dados. “O site permite a montagem de vários rankings e a realização de novos comparativos”, conta José Fernando. São funcionalidades que só existem porque o projeto foi construído com dados abertos e qualquer pessoa pode acessar sua Interface de Programação de Aplicações (API). “Isso facilita misturar uma fonte de dados com outra. Por exemplo, se o cidadão tem um hospital do lado da casa dele que não funciona bem, ele pode checar quanto é repassado para lá e comparar o valor com o que é recebido por outros hospitais da região. Dessa forma, qualquer pessoa pode construir sua própria aplicação”, exemplifica William.

O portal segue um movimento mundial que busca disponibilizar as informações de maneira que qualquer pessoa ou computador possa acessá-las, manipulá-las, reutilizá-las e redistribui-las, relacionando-as a outros dados disponíveis sobre o assunto. São os chamados dados abertos conectados, um conceito fundamental quando a meta é ampliar a transparência pública.

“A Inglaterra e os Estados Unidos estão liderando o movimento em prol da produção dos dados abertos conectados”, diz o professor Seiji Isotani, do ICMC. Ele lançou, junto com o professor Ig Bittencourt, do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas, o livro Dados Abertos Conectados. Entre os desafios que permeiam a área, os autores citam a falta de conhecimento técnico sobre como disponibilizar os dados de forma aberta e conectada e também a falta de conhecimento tecnológico sobre as ferramentas existentes para realizar essa tarefa de forma adequada. 

Livro explica como disponibilizar os dados de forma aberta e conectada

No Brasil, o grupo Transparência Hacker tem atuando em prol da disseminação dos dados abertos e se tornou um fórum de debates para que cidadãos, jornalistas e desenvolvedores encontrem soluções quando se deparam com informações públicas em formatos que dificultam a leitura por computadores. “Estamos caminhando para um mundo com dados abertos: eles serão algo tão imprescindível quanto qualquer outro serviço público”, destaca William. Ele cita uma conferência TED em que Tim Berners-Lee, o pai da web, afirma que os dados abertos são importantes para dar o próximo passo na evolução no mundo da Tecnologia da Informação, quando passaremos de um cenário em que as máquinas só leem os dados para um mundo em que elas começarão a entender as coisas, um mundo semântico.

Voltando à comparação entre São Paulo e Presidente Kennedy, vale lembrar que avaliar apenas os repasses per capita das duas cidades pode levar a conclusões precipitadas. Para uma adequada análise, é preciso considerar outras informações, entre elas o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e examinar a complexa e diversa realidade dos dois municípios. A leitura dos dados é apenas um ponto de partida. Para chegar à compreensão, é preciso ir além. Esse desafio cabe a cada um de nós, cidadãos.


Gráfico compara os repasses per capita para os municípios de São Paulo e Presidente Kennedy,
mostrando também os respectivos IDH


Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Crédito da foto da cidade de São Paulo: Marcos Santos/USP Imagens

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E-mail: comunica@icmc.usp.br

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Arduino: construindo novas conexões entre a computação e o mundo

Projetos apresentados no ICMC mostram porque o microprocessador Arduino é o queridinho do movimento maker

"O Arduino tem o espírito da cultura maker", diz o professor Osório

“É como se alguém tivesse aberto uma porta para o mundo, gerando um leque de possibilidades praticamente infinito”. A frase do professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, define a revolução trazida pelo Arduino para o universo da computação. Mas por que esse microprocessador não pode ser considerado somente mais um componente eletrônico disponível na prateleira?

“O Arduino nos trouxe a oportunidade de sair de dentro do computador para poder conversar e interagir com o mundo”, diz Osório, com um entusiasmo contagiante. A questão é que essa conexão entre a computação e a vida real tornou-se mais simples e fácil com o Arduino porque não é preciso ser um especialista para desenvolver um projeto usando o microprocessador. 

Professor fala com entusiasmo sobre as possibilidades da ferramenta

O professor explica que, por se tratar de uma ferramenta aberta, livre e de baixo custo para a criação de projetos de hardware e software, o Arduino permite conectar, de forma descomplicada, o mundo da computação com dispositivos físicos que estão ao nosso alcance na vida real. Isso acontece porque, depois de “sentir” o ambiente por meio de sensores variados (entradas) e processar esses dados via programas inteligentes, é possível programar a ferramenta para afetar seu entorno, controlar e agir sobre o ambiente. Essa ação pode ser realizada por meio de motores e atuadores que possibilitem, por exemplo, ligar ou desligar luzes, movimentar câmeras e outros componentes, etc. Além disso, esse microprocessador interage facilmente com os computadores, independentemente do sistema operacional empregado (Windows, Linux ou Mac).

“O Arduino tem o espírito da cultura maker, a cultura do faça você mesmo: posso olhar o que os outros estão fazendo, fazer igual ou melhorar, inovando e dando a minha contribuição”, acrescenta o professor. No dia destinado a comemorar o aniversário da ferramenta, 2 de abril, uma série de projetos tomaram conta do hall de entrada do auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC. No interior do auditório, diversas palestras destacaram o quanto o aniversariante é versátil e pode ser útil tanto para aqueles que desejam criar projetos pessoais quanto para quem desenvolve soluções industriais como a Circuitar.



“A nossa empresa tem uma característica que nos define bastante: unir a indústria mais tradicional a esse novo movimento maker”, conta Luís Fernando Chavier, sócio-diretor da Circuitar. A empresa decidiu fabricar placas que funcionam em um sistema modular e são compatíveis com o Arduino, propiciando a utilização da mesma linguagem de programação empregada na famosa ferramenta. “É interessante para a indústria poder usar as novas tecnologias para resolver os problemas que não são bem solucionados pelas tecnologias existentes ou solucioná-los de uma forma mais barata”, explica Chavier. Ele citou alguns exemplos de como as placas da empresa estão sendo empregadas para controlar vários parâmetros de processos industriais, tais como temperatura, pressão e iluminação. “Os equipamentos industriais mais tradicionais são muito caros e usam linguagens de programação bem antigas. Com o Arduino, temos a oportunidade de reduzir custos e fazer coisas mais criativas. Quem aprende a programá-lo, terá um ferramental para criar várias outras coisas”, completa.

Educando com Arduino – “Nosso principal robô foi feito com Arduino e com uma impressora 3D”, revela Roberto Arias Junior, que coordena um grupo de robótica da Associação Espírita Chico Xavier, em São Carlos. Ele convidou os cerca de 12 jovens que são atendidos pelo projeto para participar do Arduino Day no ICMC: “Acreditamos que é muito importante inseri-los na sociedade. Por isso, sempre os levamos para eventos, para participar de competições até mesmo fora de São Carlos. Queremos mostrar a eles que, se tiverem interesse e vontade, podem ir longe”.

Segundo Junior, a robótica é um excelente estímulo para os jovens, porque fornece uma visão geral sobre diversos conceitos e, ao mesmo tempo, possibilita aos estudantes verem, na prática, o resultado das ações realizadas. “Para os professores e alunos do projeto é muito interessante participar de um evento como esse, que é mundial. Isso nos traz novas ideias e conhecemos mais pessoas que podem nos ajudar”, completa.
Junior: a robótica é um excelente estímulo para os jovens

Para dois alunos do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Instituto Federal de São Paulo, campus São Carlos, o Arduino Day foi uma oportunidade de encontrar ideias para o futuro projeto de iniciação científica que pretendem desenvolver. “É muito vasto o que dá para fazer com essa ferramenta. Então, alguém sempre fala sobre um projeto que não havíamos pensado”, conta José da Silva Junior. Seu colega de curso, o estudante Alex Silva se surpreendeu a palestra que mostrou como a linguagem Python pode ser utilizada com o Arduino.

O evento contou com o apoio do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre, do Centro de Competência em Software Livre, do Centro de Robótica de São Carlos, do Laboratório de Robótica Móvel, do Warthog Robotics e do hackerspace Godzilla Hacker Clube, espaço colaborativo que está sendo montado em São Carlos com a finalidade de realizar projetos na área da tecnologia. Todas as apresentações realizadas no evento estão disponíveis no site Arduino Day @ ICMC.

Futebol de robôs do Warthog foi uma das atrações do evento

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Nunca foi tão fácil alterar uma imagem

Pesquisa desenvolvida no ICMC cria ferramenta inovadora para facilitar a vida de quem precisa segmentar uma imagem, o que pode contribuir para aprimorar a personalização artística de fotografias, a identificação de indivíduos e a análise de imagens médicas

Pesquisadores explicam como funciona a nova ferramenta
Naquela foto memorável da sua família aparece aquela ex-namorada ou ex-namorado que você adoraria eliminar da história da sua vida. E se você pudesse, usando um computador, recortar a figura indesejada, excluindo-a com um simples clique?

Esse tipo de questão não costuma atormentar apenas a vida dos ex-enamorados, sendo relevante também para quem trabalha com a análise de imagens médicas, com a edição de fotografias, com a identificação de indivíduos, de placas de carros entre tantos outros ramos. Contribuir para facilitar a segmentação de uma imagem pode, portanto, ajudar a aprimorar todos esses processos que são realizados diariamente.

Para lidar com esse desafio científico, dois pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, uniram-se a um pesquisador da Universidade Brown, nos Estados Unidos. “Conseguimos inovar ao criar uma ferramenta prática e fácil de manusear e implementar”, explica o doutorando Wallace Casaca, do ICMC.

Orientado pelo professor Luis Gustavo Nonato, também do ICMC, o doutorando obteve uma Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e passou o ano de 2013 na Universidade Brown, onde trabalhou com o professor Gabriel Taubin.

Wallace explica que a área de segmentação de imagens é uma das mais estudadas em ciências de computação quando o assunto é processamento de imagens e reconhecimento de padrões. Atualmente, existem diversos métodos que possibilitam alterar uma imagem a partir da seleção de algum elemento ali existente que se queira destacar ou excluir. A grande inovação da pesquisa realizada por Wallace, Nonato e Taubin é que eles criaram uma nova metodologia para fazer essa seleção.

Para criar o modelo inovador, os pesquisadores utilizaram uma abordagem matemática, especificamente, as coordenadas de Laplace, que já são usadas para resolver outros problemas computacionais, mas ainda não tinham sido empregadas na segmentação de imagens. A partir desse novo modelo, eles conseguiram criar uma ferramenta – nesse caso, um programa de computador – capaz de segmentar uma imagem de forma fácil e ágil.

Para exemplificar, confira as imagens a seguir. Usando o software criado pelos pesquisadores, é possível informar ao computador que desejamos selecionar – nessa imagem em que aparecem dois monges – apenas o personagem da esquerda, excluindo as demais informações. Nesse caso, primeiramente, é preciso fazer um traço (vermelho) para selecionar a imagem do monge à esquerda e, a seguir, inserir um outro traço envolta da imagem (verde), com o objetivo de informar que desejamos exclui-la do restante da foto. Automaticamente, sem que seja necessário realizar os traços com perfeição, o software reconhece o que precisa ser feito e recorta a figura do monge à esquerda.



Como se faz – Os traços realizados pelo usuário dão as pistas para que o software seja capaz de reconhecer automaticamente o que é preciso fazer. É como se fossem sementes lançadas para que a ferramenta possa propagá-las até atingir os limites do objeto, por isso, trata-se de um método chamado tecnicamente de segmentação de imagem baseada em sementes. “Ao fazer o traço vermelho, é como se o usuário dissesse para o sistema: coloca essas informações que estão aparecendo aqui na minha imagem. Já com o risco verde, é dada outra dica: só deve aparecer o que está dentro dessa área”, explica Wallace.

Uma das vantagens do novo método é que ele possibilita o recorte de objetos com alta precisão de ajuste nas bordas. Além disso, nos modelos já utilizados, é muito comum que, ao informar ao software que deseja segmentar uma imagem, o usuário se surpreenda com diferentes resultados, mesmo que sejam inseridas as mesmas informações. Na ferramenta criada pela parceira entre o ICMC e a Universidade Brown, esse problema é quase inteiramente cessado. Segundo Wallace, essa vantagem se deve ao modelo matemático empregado.

Para avaliar a nova ferramenta, os pesquisadores a empregaram em 50 imagens disponibilizadas no banco de dados que é comumente usado para esse tipo de pesquisa, o Grabcut, da Microsoft. Os resultados obtidos foram quantitativamente e qualitativamente comparáveis aos métodos que são considerados atualmente o estado da arte.

Nonato (ao fundo) e Casaca: nova metodologia deve trazer benefícios a diversas áreas
Repercussão internacional – O primeiro reconhecimento internacional à pesquisa já aconteceu: o artigo mostrando os resultados do trabalho foi selecionado para integrar a categoria full paper da mais importante conferência internacional sobre o assunto, a Conference on Computer Vision and Pattern Recognition (IEEE CVPR), que está acontecendo em Columbus, no Estado de Ohio, nos Estados Unidos, até sábado, 28 de junho. De acordo com os pesquisadores, este ano, 1.807 artigos foram inscritos nessa categoria, mas apenas 29,88% estão entre os selecionados.

Texto e fotos dos pesquisadores: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Link para fazer o download do protótipo da primeira versão da ferramenta:
icmc.usp.br/e/3dbef

Vídeo no Youtube mostrando como a ferramenta funciona:
icmc.usp.br/e/ddf4e

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