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terça-feira, 12 de março de 2019

Será que é possível prever o futuro de um projeto de lei?

A dissertação de Danilo Oliveira, que concluiu o mestrado em janeiro no ICMC, mostra como a inteligência artificial pode contribuir para aumentar a transparência do processo legislativo

Danilo Oliveira (à direita) e seu orientador, o professor Alexandre Delbem (ao centro), após a apresentação da dissertação no dia 28 de janeiro, no ICMC

A democracia só é realmente efetiva quando existe a participação do povo em todos os processos políticos. Dessa forma, a sociedade se torna forte, crítica e menos desigual. Mas você já pensou em como a computação, mais especificamente as ferramentas da área de inteligência artificial, podem se tornar aliadas da democracia, contribuindo para aumentar a participação popular? 

Preocupado com a falta de transparência dos processos que tramitam no Congresso Nacional, Danilo Oliveira criou o sigalei, uma ferramenta de monitoramento legislativo desenvolvida no início de 2015, na versão de aplicativo. Diante dos desafios que surgiram a partir da criação da iniciativa, o empreendedor decidiu desenvolver um projeto de pesquisa para aperfeiçoar a ferramenta. Resultado: em janeiro, com a apresentação do trabalho Compreendendo e prevendo o processo legislativo via ciência de dados, Danilo conquistou o título de mestre pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

O começo - No início, o app sigalei tinha algumas limitações e o monitoramento dos projetos era bastante restrito. Apesar disso, a ideia era tão inédita que ganhou o Prêmio Nacional de Inovação INOVAPPS em 2015, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

“Eu imaginei que, se pudesse facilitar o acesso do cidadão à informação, o engajamento político poderia aumentar”, explica Danilo. Dessa forma, a ideia inicial era fazer um aplicativo destinado ao cidadão comum. Entretanto, ele percebeu que o app era utilizado, na maioria das vezes, por pessoas que estavam em Brasília e em São Paulo. Considerando esse público, o nível de engajamento político já era extremamente alto. É por isso que, hoje, o sigalei tem como público-alvo os chamados grupos de pressão (empresas, associações, sindicatos, ONGs e instituições), pois é esse segmento que mais precisa acompanhar automaticamente as atividades do poder público.

“Para essas pessoas, é muito mais fácil quando existe um mecanismo em que você pode encontrar todas as informações do seu interesse em um só lugar, sem que você precise entrar em diversos sites para achar o que procura”, explica Danilo. 

Então, o app deu origem a uma startup, sediada em São Carlos, que tem como objetivo analisar dados de diversas fontes públicas, de maneira que os grupos de pressão possam fazer um monitoramento automático dos projetos de lei em andamento e influenciar o poder legislativo em nível federal, estadual e municipal. Para isso, um software monitora e interpreta dados de 19 sites legislativos no País entre assembleias estaduais, câmaras municipais, Câmara dos Deputados e Senado Federal.


O avanço - Para aperfeiçoar o sigalei, Danilo desenvolveu um projeto de pesquisa utilizando técnicas estatísticas e de inteligência artificial, em especial da área de aprendizado de máquina, já que era necessário analisar uma grande quantidade de dados. Algoritmos foram empregados para coletar os dados e “aprender” com eles. Assim, o sistema computacional se tornou capaz de selecionar o que é relevante para determinado grupo de pressão.

Dessa forma, Danilo conseguiu que a plataforma sigalei fosse capaz de fazer um prognóstico sobre os projetos de lei. Com base no histórico de outros projetos de lei, que versam sobre temáticas similares, a plataforma identifica a trajetória futura mais provável. “Dessa forma, os grupos de pressão que estão cadastrados no nosso site podem acompanhar quais são os projetos do seu interesse que estão sendo debatidos, como eles podem afetar o grupo e, dependendo do prognóstico, quais estratégias poderiam ser adotadas”. 

Outro exemplo do uso da inteligência artificial em prol da democracia é o projeto Operação Serenata de Amor, que usa ciência de dados para fiscalizar gastos públicos e compartilhar informações de forma acessível a qualquer pessoa. A ferramenta foi criada em 2016 pelo cientista de dados Irio Musskopf. A ideia, segundo ele, era usar inteligência artificial para auditar contas públicas e auxiliar no controle social, de forma que as pessoas pudessem participar ativamente do processo democrático, fiscalizando os gastos públicos.

A busca por aprimorar a transparência na gestão dos recursos públicos motivou, ainda, a criação do portal Repasse, desenvolvido em parceira por pesquisadores do ICMC e da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ao acessar a plataforma, é possível ver detalhadamente onde foram aplicados os recursos repassados pelo governo federal a cada município, mês a mês. Por meio de gráficos coloridos e dinâmicos, o cidadão consegue verificar quanto foi investido em cada área (saúde, educação, saneamento, cultura, etc.), subárea, programa e ação, além de identificar quem foi favorecido e quanto recebeu. Projetos como esses mostram como a computação pode, de fato, se tornar uma aliada da democracia. 

Texto: Denise Casatti e Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações
Site do sigalei: https://sigalei.com.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Professores do ICMC são homenageados por alunos de Engenharia de Computação

O professor Francisco Rodrigues foi um dos homenageados

Os professores Francisco Rodrigues, Paulo de Souza e Sueli Aki, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foram homenageados pelos alunos do curso de Engenharia de Computação por sua didática, transparência, carisma e profissionalismo durante as aulas ministradas aos estudantes no primeiro semestre deste ano.

Para Rodrigues, a homenagem foi muito gratificante e traz uma sensação de dever cumprido, pois seu objetivo ao ministrar uma disciplina não é apenas ensinar, mas também fazer os alunos gostarem e se interessarem pelo estudo. Essa foi a primeira vez que o docente recebeu o reconhecimento: “Sinto-me muito feliz e lisonjeado por essa homenagem. A matemática às vezes é muita temida pelos estudantes, já que exige muito estudo. Mas além da resolução de cálculos, acredito que o essencial é entender e gostar do conteúdo aprendido”. 

A homenagem é uma iniciativa da Secretaria Acadêmica de Engenharia de Computação (SAEComp) e já está na sexta edição. De acordo com o estudante e diretor de projetos da SAEComp, Enrico Sebastiani, o evento é realizado com o objetivo de reconhecer os docentes pela prestação de serviço e pelo apoio aos alunos durante as aulas.

Para definir os professores homenageados, a SAEComp gera, no final de cada semestre, um formulário online, o qual é respondido pelos alunos. Para a escolha, só estão aptos à votação professores do semestre anterior ao atual. Os critérios de escolha são, por exemplo, o empenho do professor com a turma (que engloba o preparo de aula, preocupação do aprendizado, confecção de listas, etc.), o ensino (que abarca tanto o domínio da disciplina quanto a qualidade dos trabalhos pedidos) e características como carisma e humildade. 

A cerimônia foi realizada dia 11 de novembro, no Hiperespaço Gilberto Loibel, no vão da Biblioteca Achille Bassi, no ICMC. Como símbolo da homenagem, os alunos confeccionaram, molduraram e entregaram a cada professor escolhido um certificado de menção honrosa com palavras de agradecimento. O curso de Engenharia de Computação é oferecido em parceria pelo ICMC e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).



Com informações de Keite Marques - Assessoria de Comunicação EESC/USP
Fotos:Reinaldo Mizutani/Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Transparência na web: livro de pesquisadores da USP e da Universidade Federal de Alagoas ensina como disponibilizar dados abertos conectados

Obra é a primeira a ser lançada no Brasil sobre o assunto e, além de suprir a carência de informações na área, tem como meta aprimorar o ensino e o treinamento, contribuindo para o aumento da transparência


Imagine se qualquer cidadão pudesse acessar todos os dados sobre o transporte público urbano no Brasil via web, obtendo informações sobre horários, rotas e destinos. Agora pense na relevância desses dados se estivessem ao alcance dos gestores desse sistema, possibilitando que conseguissem otimizar o transporte local, disponibilizando mais veículos em horários com maior demanda e comparando os dados com os de municípios similares para analisar a eficiência do serviço.

Utopia? Pode até ser, mas, na verdade, muitos desses dados já existem na web, a questão é como disponibilizar essas informações de maneira que qualquer pessoa ou computador possa acessá-las, manipulá-las, reutilizá-las e redistribui-las, relacionando-as a outros dados disponíveis sobre o assunto. Explicar como fazer isso é a meta do livro Dados Abertos Conectados, que será lançado no próximo dia 23 de setembro, durante a Conferência Web.br, em São Paulo. A obra é de autoria dos professores Seiji Isotani – do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos – e de Ig Bittencourt, do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas.

Lançado pela Novatec Editora, o livro é o primeiro do Brasil a tratar desse assunto e nasceu a partir de uma parceira dos pesquisadores com o Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), que resultou também em um curso online. “Como não existiam referências consolidadas sobre o tema no Brasil, construímos o conteúdo com zelo e muita discussão, inclusive consolidando a tradução do termo Open Linked Data para Dados Abertos Conectados”, ressaltam os autores. 

Eles afirmam que o conceito de dados abertos conectados é fundamental para ampliar a transparência pública de informações divulgadas pelos órgãos dos governos federal, estadual e pelos municípios, os quais devem atender à Lei de Acesso a Informação (Lei 12.527), que entrou em vigor em março de 2012. O professor Isotani diz que já existem iniciativas importantes para disseminar os dados abertos conectados no Brasil e cita como exemplo o portal dados.gov.br, mas ressalta que ainda há muito a ser aprimorado. “A Inglaterra e os Estados Unidos estão liderando o movimento em prol da produção dos dados abertos conectados. Nossa publicação é uma forma de fomentar isso no Brasil”, diz o pesquisador.

Entre os desafios que permeiam a área, os autores citam a falta de conhecimento técnico sobre como disponibilizar os dados de forma aberta e conectada e também a falta de conhecimento tecnológico sobre as ferramentas existentes para realizar essa tarefa de forma adequada. Neste contexto, o professor Bittencourt ressalta: “A obra é voltada para pessoas de qualquer área do conhecimento interessadas em disponibilizar dados na internet, quer sejam técnicos ou gestores. Por isso, tentamos escrever da forma menos técnica possível”. 

Tal como os dados abertos conectados, em breve, a obra estará disponível e acessível gratuitamente na Web (http://ceweb.br/publicacao/livro-dados-abertos), sob a licença Creative Commons, com a atribuição uso não comercial (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/). Isso significa que, para fins não comerciais, qualquer pessoa poderá utilizar partes ou todo o livro e redistribui-lo em qualquer suporte ou formato, além de modificá-lo. Bastando, para isso, atribuir o crédito para a obra original e seus autores. “Como recursos educacionais, o livro e os cursos geram capacitação e formam pessoas aptas a utilizar essas tecnologias, que podem produzir novos negócios e novas soluções para a sociedade”, destaca Vagner Diniz, gerente do Ceweb.br. 

Seiji atua no Laboratório de Computação Aplicada à Educação do ICMC

Ranking estrelado – No livro, os pesquisadores destacam um ranking com cinco níveis para classificar os dados disponibilizados na web. O nível mais básico, que ganha somente uma estrela, são aquelas informações que apenas pessoas conseguem visualizar. Isotani cita como exemplo os dados contidos em arquivos de imagens como JPG ou BMP.

Já no nível duas estrelas, o computador consegue processar as informações. Contudo, elas são disponibilizadas em formato proprietário e precisam de software específico para acessá-las. Como exemplo, o professor cita uma planilha construída e salva no padrão Excel. Subindo um nível na escala e ganhando três estrelas, estão as informações disponibilizadas em um formato aberto, ou seja, mesmo quem não possuir o software proprietário em que o arquivo foi construído poderá acessá-lo (por exemplo, arquivos em formato CSV). 

Para chegar às quatro estrelas, além de colocar as informações no formato aberto, é preciso disponibilizá-las usando uma linguagem padronizada e recomendada pelo Consórcio World Wide Web (W3C), voltada especificamente para facilitar o compartilhamento de dados na internet: a Resource Description Framework (RDF). Com o emprego dessa linguagem, os dados ganham a propriedade de se tornarem facilmente acessíveis e processáveis por um computador de forma quase automática. Como vivemos na era do Big data, em que há um grande volume de dados gerados na web, é essencial que os sistemas sejam capazes de processar esses dados de maneira automatizada. 

O nível cinco estrelas do ranking é alcançado quando, além de colocar as informações no formato aberto e usar a linguagem RDF, os dados estão relacionados a outras informações disponíveis na web. É aí que a conexão com outras fontes se dá. Para dar um exemplo, voltemos ao início deste texto: o que aconteceria caso todos os dados sobre o transporte público urbano no Brasil estivessem disponíveis na web de forma estruturada e conectada, possibilitando que um computador pudesse processá-los? 

Um verdadeiro universo de possibilidades se abriria. Seria viável criar um aplicativo para analisar o transporte público de centenas de municípios e realizar diversas comparações e análises estatísticas, que são fundamentais para obter uma visão geral sobre a cobertura e a qualidade do serviço realizado. Em vez de demorar dias, tarefas complexas e trabalhosas poderiam ser realizadas em poucos minutos. Não é por acaso que, em busca de incentivar o leitor a pensar sobre as necessidades e potencialidades de produzir e disponibilizar dados livremente na web, Isotani e Bittencourt citam o exemplo do transporte público no livro. Agora imagine poder fazer isso com os dados referentes a todos os serviços públicos do nosso país e, por que não, do mundo.
 
A parceria de Ig e Seiji (à frente, da esquerda para a direita) também
resultou na criação da startup Meu Tutor

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Convite à imprensa para o lançamento do livro Dados Abertos Conectados
Quando: 23 de setembro, das 10h30 às 11 horas
Local: Centro de Convenções Rebouças (avenida Dr. Enéas de Aguiar, 23)
Formulário: é necessário preencher o formulário disponível neste link para obter a credencial que dá acesso ao evento: http://icmc.usp.br/e/3bf4d

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br