Mostrando postagens com marcador redes complexas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador redes complexas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Inscreva-se na 3ª Escola Avançada em Big Data Analysis

Evento será realizado em setembro no ICMC, na USP em São Carlos


O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, sediará de 2 a 6 de setembro a 3ª Escola Avançada em Big Data Analysis (EABDA 2019). O evento visa apresentar aos participantes as principais técnicas usadas para a análise de grandes volumes de dados, destacando as mais avançadas e promissoras ferramentas para análise, extração de conhecimento e visualização de dados.

A escola oferece dez cursos sobre temas como ciência de dados, aprendizado de máquina, deep learning, mineração de dados, processamento de línguas naturais, sistemas de recomendação e redes complexas. Além dos cursos, serão oferecidas cinco palestras sobre temas relacionados à área de big data. 

O público-alvo é formado por estudantes de pós-graduação e profissionais graduados nas áreas de engenharia, computação, estatística, economia e afins. Alunos de graduação podem se inscrever, desde que estejam no último ano do curso. As inscrições devem ser feitas diretamente no site oficial da Escola.

O valor da matrícula para cada curso é de R$ 100 para estudantes e R$ 150 para profissionais formados. Já o pacote com os dez cursos custa R$ 700 para estudantes e R$ 1.200 para profissionais. Esses valores são acrescidos de uma taxa de 10% referente ao uso da plataforma, e são válidos até o dia 20 de agosto, quando serão reajustados.

A Escola é organizada pelo Departamento de Ciências da Computação do ICMC e recebeu o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), do Centro de Robótica de São Carlos (CRob) e do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI-Campinas).


Com informações de Leonardo Zacarin - Comunicação CeMEAI

Mais informações
Site do evento: cemeai.icmc.usp.br/3EABDA
Assessoria de Comunicação do CeMEAI: (16) 3373-6609 / contatocemeai@icmc.usp.br

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Matemático da USP receberá R$ 1 milhão: desafio é explicar comportamentos de sistemas como o cérebro

Selecionado pelo Instituto Serrapilheira, Tiago Pereira é professor do ICMC e estuda modelos matemáticos para compreender o que acontece em sistemas dinâmicos não lineares como, por exemplo, o cérebro e as redes sociais

O professor Tiago Pereira também é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI)
(crédito da imagem: assessoria de comunicação do CeMEAI)


O professor Tiago Pereira, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foi selecionado para receber até R$ 1 milhão do Serrapilheira, instituto privado de fomento à ciência brasileira. Os recursos serão aplicados para desenvolver uma teoria matemática capaz de descrever comportamentos em sistemas dinâmicos não-lineares tais como o cérebro, as redes sociais e os sensores de cidades inteligentes. 

“Nós entendemos relativamente bem o que acontece quando um sistema está isolado. Por exemplo, sabemos o que um neurônio isolado faz. Mas na natureza as coisas interagem. Então, o comportamento de um elemento depende do que acontece em sua volta e o que esse elemento faz na rede é bastante diferente do que ele faz quando está isolado”, explica o pesquisador. “A vontade de entender como o comportamento muda devido à interação é muito antigo. Na verdade, é o problema não linear mais antigo na história da ciência moderna”, completa. 

Mas por que é tão importante construir um modelo matemático que consiga mostrar o que ocorre com um neurônio quando ele interage com os demais neurônios nessa rede complexa chamada cérebro? Tiago revela que esse estudo tem potencial para contribuir com a compreensão sobre as transformações críticas que ocorrem nas redes complexas desses sistemas e que levam, por exemplo, ao surgimento de doenças como a epilepsia. “Nosso sonho é, a partir de observações do sistema no estado saudável, prever quando e como essas transições indesejadas ocorrem. Assim, conseguiríamos desenvolver mecanismos de prevenção e tratamentos”. 

Selecionado na primeira chamada pública de apoio à pesquisa científica do Instituto Serrapilheira, Tiago já havia recebido apoio financeiro de R$ 100 mil ao longo do último ano, assim como outros 64 pesquisadores contemplados entre os 1.955 inscritos. Agora, ele está entre os 12 cientistas que receberão até R$ 1 milhão cada, conforme anunciado pelo Instituto na última sexta-feira, 17 de maio. “Vou utilizar os recursos para montar um time interdisciplinar”, diz Tiago. 

“Nosso objetivo é identificar os talentos que acabaram de entrar no sistema acadêmico. A longo prazo, criar uma rede de futuros líderes da ciência brasileira”, declarou Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Serrapilheira, no anúncio dos contemplados. “São cientistas jovens, top”, completou o presidente do Conselho Científico do Serrapilheira, Edgar Zanotto. Do financiamento de R$ 1 milhão disponibilizado aos pesquisadores selecionados, R$ 700 mil são concedidos de forma incondicional. Os R$ 300 mil restantes estão condicionados à integração e formação de pesquisadores de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa. A adesão a esse mecanismo é voluntária, ou seja, os pesquisadores podem optar por receber ou não o valor destinado às práticas de estímulo à diversidade. 

Tiago Pereira recebeu a notícia de que havia sido selecionado pelo Serrapilheira durante um evento de que participava – School and Workshop on Patterns of Synchrony – no International Centre for Theoretical Physics (ICTP), em Triste, na Itália. Na sexta-feira, ele estava ministrando um workshop sobre as pesquisas que realiza intitulado “Reconstrução da estrutura de redes a partir de dados”. Pelo telefone, Tiago comemorou a conquista: “Ser representante do grupo selecionado é um enorme prazer. Seria ótimo se isso gerasse uma discussão para criar uma sociedade mais baseada em ciência e que valorizasse o conhecimento para desenvolver novas tecnologias e para o crescimento do espírito humano”. 

Para o pesquisador, receber esse aporte de recursos no atual cenário brasileiro de cortes nos investimentos em educação, ciência e tecnologia é extremamente relevante: “É muito triste ver uma ação orquestrada contra educação, justamente num país em que a gente precisa tanto disso. Meus pais estudaram apenas até o quarto ano do ensino fundamental. No meu caso, realmente, ler um pouco mudou a minha vida”. 

Graduado em Física pelo Instituto de Física da USP, Tiago fez doutorado em matemática aplicada na Potsdam Universitaet, na Alemanha. Depois, fez cinco pós-doutorados em diferentes instituições no Brasil e no exterior. Desde 2015, é professor do ICMC. 

Anúncio dos 12 professores selecionados foi realizado na última sexta-feira, dia 17 de maio
(crédito da imagem: Raphael Gomide)

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP com informações da assessoria de comunicação do Instituto Serrapilheira

Mais informações 
Assista ao vídeo do Serrapilheira: icmc.usp.br/e/c5588
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Obra ajuda cientistas a entenderem a infinidade de redes que permeiam nosso mundo

Um dos diferenciais do livro é descrever matematicamente como analisar a estrutura das redes complexas formadas por várias camadas

Francisco Rodrigues, docente do ICMC, é um dos autores do livro livro (crédito: CEPID-CeMEAI)

Há uma infinidade de redes permeando nosso mundo e algumas podem ser constituídas por bilhões de componentes que, por sua vez, estão conectados de diversas formas. Para colaborar com os cientistas que investigam essas redes, quatro pesquisadores lançaram o livro Multiplex Networks: Basic Formalism and Structural Properties. “Na Internet, os computadores são conectados por fibra óptica assim como na sociedade as pessoas são ligadas por laços de amizade. Essas conexões são cientificamente estudadas no campo das redes complexas”, explica um dos autores da obra, o professor Francisco Rodrigues, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Embora pareça um assunto complicado, os estudos relacionados a essas redes estão se tornando cada vez mais importantes no mundo e diferentes problemas podem ser solucionados por meio dessa metodologia. Além disso, a aplicabilidade das redes complexas pode resultar em grandes avanços científicos e tecnológicos. “A partir desses estudos podemos ter uma melhor compreensão sobre o câncer e sobre o desenvolvimento de fármacos mais eficientes, por exemplo. Se considerarmos a organização dessas redes, será possível o controle de doenças infecciosas, a criação de meios de transporte mais otimizados e o estudo do cérebro, já que as redes estão presentes por toda parte, desde as interações entre os animais na natureza até as relações entre as células no nosso corpo ou entre as pessoas nas redes sociais”, comenta Francisco. Por se tratar de um tema interdisciplinar, as pesquisas nesse campo têm unido cientistas de diferentes áreas, como matemática, física, biologia, ciências de computação, sociologia, entre outras.

A novidade é que essa obra é uma das primeiras a descrever matematicamente como analisar a estrutura das redes complexas formadas por várias camadas. “Nossa colaboração vem crescendo ao longo dos anos e o livro foi uma consequência da interação entre os pesquisadores e os alunos que orientei. As colaborações internacionais são cada vez mais importantes para o intercâmbio de ideias e acredito que os alunos se beneficiam muito da experiência adquirida em realizar pesquisas em grupos internacionais de alto nível”, acrescenta Francisco.


Entre os autores da obra está o presidente da Complex Systems Society e vice-presidente da Network Science Society, Yamir Moreno. Vice-diretor do Institute for Biocomputation and Physics of Complex Systems da Universidade de Zaragoza, na Espanha, Moreno é, ainda, pesquisador líder na ISI Foundation, em Turin, na Itália. Outro pesquisador da ISI Foundation também é autor da obra: Guilherme Ferraz de Arruda, que fez mestrado e doutorado no ICMC sobre orientação do professor Francisco. Completa o time dos autores do livro Emanuele Cozzo, que é pós-doutorando no Instituto de Sistemas Complexos da Universidade de Barcelona.

Multiplex Networks: Basic Formalism and Structural Properties foi lançado em setembro de 2018, durante a Conference on Complex Systems 2018, realizada em Thessaloniki, na Grécia.

Texto: Talissa Fávero – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Adquira a obra: icmc.usp.br/e/b0d70
Saiba mais sobre as pesquisas na área de redes complexas:  icmc.usp.br/e/6b034

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A ciência que luta contra as redes de corrupção

Os resultados de um projeto internacional de pesquisa mostram que os computadores podem se tornar importantes aliados para investigar os escândalos de corrupção

Esta imagem é o retrato em cores das redes de corrupção estabelecidas no Brasil de 1987 a 2014

Operação Lava Jato, Petrolão, Mensalão, Dólares na Cueca, Anões do Orçamento, Caso Collor, Máfia da Previdência, Caso Banespa. A população brasileira está cansada de assistir ao desfile de escândalos de corrupção que assolam o país ano após ano. Mas os resultados de um projeto internacional de pesquisa nos dão esperança de que a ciência pode se tornar uma aliada eficaz no combate ao enredo das redes de corrupção.

Empregando métodos e ferramentas computacionais, cinco pesquisadores analisaram 65 escândalos de corrupção que ocorreram no Brasil de 1987 a 2014, nos quais 404 pessoas estavam envolvidas. Uma das imagens que eles obtiveram a partir do estudo desses dados impressiona: há 404 círculos (nós) representando cada um dos indivíduos citados nos escândalos. Quando dois indivíduos são mencionados em um mesmo caso, pelo menos uma vez, os pesquisadores os conectam por meio de uma reta. Essas várias conexões estabelecidas entre os indivíduos levaram à construção de uma rede complexa, que une as 404 pessoas em 27 grupos coloridos, sendo que 14 desses grupos estabelecem relações mais próximas entre si (veja que estão dentro do círculo vermelho da imagem). No final desse processo, a tela do computador mostra uma intricada teia: o triste retrato em cores da corrupção no Brasil durante 27 anos.

“Estudos como esse, na área de redes complexas, podem contribuir muito para agilizar as investigações criminais. Do ponto de vista prático, é fundamental criarmos ferramentas úteis para compreender as relações que as pessoas envolvidas em atividades ilícitas estabelecem entre si”, explica Luiz Alves, um dos cinco pesquisadores participantes do projeto internacional. Ele é pós-doutorando no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos. 

Considerada um dos principais fatores que limitam o crescimento econômico no mundo, a corrupção também reduz o retorno dos investimentos públicos e contribui para aumentar a desigualdade socioeconômica. Segundo estimativas do Banco Mundial, o custo da corrupção excede 5% do Produto Interno Bruto do mundo por ano, o que equivale a cerca de um trilhão de dólares. Já de acordo com a organização não-governamental Transparência Internacional, os oficiais corruptos dos países em desenvolvimento recebem ilicitamente mais de 40 bilhões de dólares por ano.

O pesquisador Luiz Alves faz pós-doutorado no ICMC, sob supervisão do professor Francisco Rodrigues

Descobertas valiosas – Quem assistiu a série e filmes que mostram como os crimes são desvendados, vai se lembrar de uma cena corriqueira: os investigadores escrevendo em um quadro os nomes de todos os suspeitos e os relacionando uns aos outros conforme as pistas são coletadas. Alves explica que os estudos das redes de corrupção têm potencial para otimizar esse tipo de investigação, à medida em que possibilita identificar quais suspeitos têm maior potencial de exercer um papel de liderança no grupo criminoso, pois estão mais conectados a outros suspeitos: “Esse tipo de informação pode contribuir para agilizar as investigações, pois evita que se perca muito tempo levantando pistas de pessoas que, provavelmente, não estão no comando das ações”.

Além disso, ao visualizar as redes de corrupção, é possível também identificar os indivíduos que estão sendo investigados em mais de um escândalo. Como a justiça divide os casos em vários processos e diferentes equipes realizam as investigações, nem sempre é possível enxergar as relações entre os diferentes esquemas criminosos. Em uma das imagens do artigo dos pesquisadores, por exemplo, podem ser vistas as relações estabelecidas entre os escândalos investigados em 2004. Note que a teia vermelha que aparece no topo da imagem a seguir mostra a ligação entre oito esquemas de corrupção que estavam sendo investigados naquele ano: Desvios de verba do TRT, Dossiê Cayman, Superfaturamento de obras em SP, Frangogate, Paubrasil, Precatórios, Máfia dos fiscais e CPI Banestado. Abaixo dessa rede, estão outras teias, em diferentes cores, que ligam outros casos. Em amarelo, por exemplo, aparecem as relações entre o Caso Waldomiro Diniz, o Caso Celso Daniel e a Operação Anaconda. Há, ainda, no rodapé da imagem, esquemas de corrupção isolados, que não se conectam a outros.

Rede dos escândalos de corrupção investigados em 2004

Já na imagem do ano seguinte (2005), é possível ver novas relações sendo estabelecidas. A grande teia vermelha de 2004 passa a se conectar a um novo escândalo de corrupção: o Mensalão, que é representado, na figura, pelo grande grupo de pontos pretos que formam um sólido conglomerado. Veja que há dois pontos em vermelho (nós) que unem o Mensalão aos escândalos da teia vermelha, os quais já estavam sendo investigados em 2004. Lembrando que cada ponto da teia representa uma pessoa sob investigação, conclui-se que há duas pessoas que são citadas tanto no Mensalão quanto nos Desvios de verba do TRT (primeiro escândalo representado na teia vermelha).

Rede dos escândalos de corrupção investigados em 2005

Relações perigosas – Observar essas estreitas relações entre diferentes escândalos também pode ser fundamental para as investigações em andamento, já que os indivíduos que são citados em mais de um caso podem fornecer pistas para chegar a outros suspeitos e à obtenção de mais provas. Por isso é tão fundamental ter uma ferramenta que consiga prever futuras relações entre suspeitos: quem tem mais probabilidade de se conectar a outros corruptos deve receber mais atenção durante as investigações. Pode ser até que essas pessoas nem tenham sido citadas em mais casos de corrupção porque a justiça simplesmente ainda não reuniu as provas necessárias.

“Ao construir essa rede complexa, descobrimos que é possível prever, com 25% de precisão, as novas relações que serão estabelecidas no futuro por esses indivíduos investigados”, explica Alves. Ele e os demais quatro pesquisadores que realizaram o projeto divulgaram os resultados, em janeiro deste ano, em um jornal científico reconhecido internacionalmente, o Journal of Complex Networks. “Foi um dos primeiros artigos científicos publicados no mundo que analisa a relação entre pessoas envolvidas em esquemas de corrupção por meio de ferramentas da teoria de redes complexas”, revela o pós-doutorando. Não é à toa que a novidade chamou a atenção do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e foi classificada como uma das publicações científicas mais provocadoras do início deste ano.

O estudo é fruto de um esforço internacional que uniu três instituições brasileiras e duas estrangeiras. Além de Alves, do ICMC, a pesquisa foi realizada pelos professores Haroldo Ribeiro e Alvaro Martins, ambos da Universidade Estadual de Maringá; Ervin Lenzi, da Universidade Estadual de Ponta Grossa; e Matjaz Perc, que atua na Universidade de Maribor, na Eslovênia, e no Complexity Science Hub, na Áustria. A iniciativa contou, ainda, com o apoio das seguintes agências de fomento: FAPESP, CNPq, CAPES e Slovenien Research Agency.

Características curiosas – Os pesquisadores descobriram diversas outras características peculiares às redes de corrupção do Brasil. Por exemplo, os grupos que conduzem as ações ilícitas são compostos, na maioria das vezes, por cerca de oito integrantes. “Esse resultado é similar ao que observamos na chamada teoria das sociedades secretas, em que a evolução das redes ilegais acontece de forma a maximizar o ocultamento”, revela Alves. “Há também uma característica comum entre a rede de corrupção e a rede de terroristas, no que se refere à forma como as conexões, as relações entre as pessoas, se propagam entre os indivíduos. Nessas duas redes, as conexões estão distribuídas de forma exponencial”, completa o pós-doutorando.

Mais um aspecto curioso revelado pela pesquisa: coincidindo com o período eleitoral, a cada quatro anos, as redes de corrupção passam por uma transformação e se observa um aumento significativo no número de pessoas envolvidas, como mostra o gráfico a seguir. “Isso nos leva a suspeitar de que as eleições não somente remodelam a elite política do país, mas também introduzem novas pessoas no poder, as quais têm a possibilidade de, em breve, explorá-lo de forma desonesta”, escrevem os especialistas. 

O gráfico mostra que, a cada quatro anos, há um aumento significativo no número de pessoas investigadas

Dados preciosos – Uma das maiores dificuldades enfrentadas na ciência que estuda a área criminal está na obtenção de dados confiáveis. Por isso, os dados utilizados pelos pesquisadores foram captados a partir de notícias de corrupção veiculadas em sites dos jornais e revistas mais renomados do Brasil. O processamento desses dados foi realizado de forma manual e está disponível a todos os interessados.

“Ter o nome citado em um escândalo de corrupção não significa que a pessoa será oficialmente considerada culpada pela justiça brasileira. Os procedimentos jurídicos nos grandes casos políticos de corrupção podem levar anos, até décadas, e muitos nunca chegam a um veredito final”, lê-se no artigo. Diante dessa questão legal, os pesquisadores optaram por tornar anônimos todos os nomes das pessoas envolvidas nos escândalos.

Ao ler este texto, é provável que você tenha se lembrado do filme Minority Report - A Nova Lei, em que é criado um sistema para prever crimes com precisão. Mas a ciência da vida real está muito longe disso. “Se tivermos acesso a dados mais completos, por meio de parcerias com instituições da justiça, por exemplo, poderemos construir ferramentas ainda mais precisas e úteis para as investigações”, ressalta Alves. Se essas parcerias se estabelecerem no futuro, a saga da luta da ciência contra as redes de corrupção pode ter um final feliz. Por enquanto, estamos apenas diante dos primeiros episódios.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Artigo The dynamical structure of political corruption networks: icmc.usp.br/e/2d69b
Estudo do Banco Mundial: https://perma.cc/M5M8-XQDR
Estudo da Transparência Internacional: https://perma.cc/DR6U-KPKQ

Contato com a imprensa
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 2 de maio de 2017

Conheça os projetos de iniciação científica em matemática aplicada e estatística do ICMC

No dia 12 de junho, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizará o 2º Workshop de Iniciação Científica do Departamento de Matemática Aplicada e Estatística (SME). O evento tem como objetivo mostrar os trabalhos de iniciação científica orientados por professores do Departamento em diferentes áreas de pesquisa, tais como otimização, mecânica dos fluidos, redes complexas, processamento visual e geométrico, análise aplicada e estatística.

A iniciativa é uma oportunidade para que alunos do ICMC, de outras unidades de ensino da USP e de outras instituições conheçam quem desenvolve esses projetos, já que são os próprios estudantes de graduação que farão as apresentações ao público. “Para muitos deles, essa é a primeira oportunidade que têm para falar sobre o trabalho que estão realizando. Além de ser um estímulo, o workshop promove uma maior integração entre os alunos que fazem iniciação científica”, explica a professora Cynthia Ferreira, uma das organizadoras do evento. De acordo com a professora, outro objetivo do workshop é despertar o interesse pela pesquisa nos estudantes que nunca desenvolveram um projeto de iniciação científica. 

O Workshop ocorrerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, a partir das 14 horas. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até dia 5 de junho por meio do formulário eletrônico disponível neste link: www.icmc.usp.br/e/db490. As melhores apresentações serão premiadas.

Mais informações
Seção de Eventos do ICMC: (16) 3373-9622 
E-mail: eventos@icmc.usp.br

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Esses cientistas querem capturar o mundo com redes

Dos neurônios às mudanças climáticas, há uma ciência que está tentando compreender as conexões que regem o nosso mundo. Nesse desafio, matemáticos, cientistas da computação, físicos, meteorologistas, biólogos, engenheiros e químicos trabalham juntos

Somente uma rede interdisciplinar é capaz de capturar as questões que esses pesquisadores querem compreender

Tecer uma rede é uma obra de arte. Tem a rede de pesca, a rede de balanço, a rede de computadores, a rede de telefonia, a rede elétrica, a rede de amigos no Facebook, a rede de neurônios... Há uma infinidade de redes permeando nosso mundo e algumas constituídas por bilhões de componentes. Mas o que existe em comum entre a rede que liga seus amigos no Facebook e a que conecta seus neurônios?

Para responder essa pergunta, precisamos entender como os cientistas que estudam esse tipo de fenômeno analisam as redes. Para começo de conversa, eles transformariam cada pessoa no Facebook ou cada neurônio no cérebro em um ponto. Não satisfeitos com essa nuvem de pontos, eles também avaliariam as relações e conexões que existem entre cada pessoa (são amigas ou não?) e também entre cada neurônio. A seguir, representariam essas conexões por meio de retas. Imagine, agora, o resultado desse trabalho. Perceba que, apesar das duas redes serem realmente muito diferentes, suas estruturas serão muito parecidas. 

O que os cientistas criam quando transformam essas redes em pontos no espaço e os interligam por meio de retas é chamado, tecnicamente, de grafo. Um grafo é um prato cheio para qualquer pesquisador, porque eles podem extrair desse tipo de objeto matemático uma série de informações que, se olhássemos para uma rede complexa de outra forma, seria humanamente impossível analisar. Em um grafo, fica mais fácil identificar os pontos que têm mais conexões e, portanto, são mais centrais naquela rede. 

Com um grafo, fica mais fácil extrair informações relevantes da rede que está sendo estudada

“Se você analisa um neurônio isoladamente, não consegue explicar a memória, a consciência, nada disso. Você precisa olhar como eles estão conectados, ou seja, o todo. Só assim podemos compreender como o nosso cérebro funciona”, explica o professor Francisco Rodrigues, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Essa é outra característica que conecta a rede de seus amigos no Facebook à rede de seus neurônios: eles não podem ser compreendidos de forma isolada, mas somente em relação ao todo. 

“O que acontece se eu tenho uma doença e uma parte dos meus neurônios são eliminados? Qual a consequência do desmatamento na Amazônia para o transporte de umidade ao Sudeste do Brasil? Precisamos de ferramentas que nos respondam esse tipo de pergunta, que levem em consideração os diversos agentes que interagem de forma complexa nesses sistemas, formando redes”, acrescenta Elbert Macau, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 

Há cinco anos, Elbert coordena, pelo lado brasileiro, o projeto Fenômenos Dinâmicos em Redes Complexas, que une matemáticos, biólogos, cientistas da computação, meteorologistas, físicos, engenheiros e químicos provenientes de 10 diferentes instituições de pesquisa, sendo seis delas do Brasil e quatro da Alemanha. Entre o fim de setembro e o início de outubro, esses cientistas realizaram um evento no ICMC, a quarta edição do ComplexNet – Workshop and School on Dynamics, Transport and Control in Complex Networks. A iniciativa marcou o fim da primeira jornada do projeto e o começo de um novo ciclo, que vai durar mais cinco anos.

Financiado conjuntamente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), o projeto temático já produziu bons resultados como vários artigos publicados em revistas científicas de alto fator de impacto, como a Nature, e promete ir além. Ao propiciar uma melhor compreensão sobre diversos fenômenos, a iniciativa está ajudando a fortalecer um novo campo do conhecimento, que pode gerar impactos relevantes na vida de todos nós.

Elbert é o coordenador do projeto pelo lado brasileiro

Esquizofrenia e epidemias – “O cérebro, o clima, as interações biológicas, as cidades, as redes sociais, os terremotos... O que esses sistemas têm em comum? Você pode representar a estrutura deles como um grafo e pode usar um mesmo conjunto de ferramentas para resolver os diversos problemas que surgem nesses contextos. Uma rede complexa nada mais é do que a estrutura de um sistema complexo”, descreve Francisco. 

As redes complexas têm ajudado o professor na identificação das diferenças entre os cérebros de pessoas saudáveis e daquelas que apresentam esquizofrenia, um transtorno mental que dificulta a distinção entre as experiências reais e imaginárias, interfere no pensamento lógico e tem causas ainda desconhecidas. “A partir de um scanner de ressonância magnética, mapeamos o cérebro e analisamos os dados das redes corticais. Quando a pessoa tem a doença, o cérebro é menos organizado em determinadas regiões do que o de uma pessoa que não tem”, relata Francisco. Para identificar essa desorganização cerebral, o modelo matemático desenvolvido na pesquisa extrai e analisa 54 características das redes corticais e consegue identificar, com 80% de precisão, qual ressonância pertence a um paciente que tem o distúrbio. Agora, o próximo passo é aplicar o mesmo método para diagnosticar outros tipos de transtornos como o autismo (assista ao vídeo).

Esse é apenas um exemplo do tipo de trabalho que vem sendo realizado no campo da neurociência com as redes complexas e que poderá, por meio da criação de modelos matemáticos computacionais, facilitar o diagnóstico médico futuro de uma série de distúrbios. Na biologia, as redes complexas também têm sido empregadas para construir mapas que ajudam a compreender as interações entre nossos genes, as proteínas, os processos metabólicos e outros componentes celulares.

Agora imagine o que acontece quando uma epidemia se propaga. Nesse caso, também existe toda uma rede complexa que precisa ser melhor compreendida pela humanidade para que possamos conter a disseminação de uma doença contagiosa, por exemplo. “Nesse caso, entender os tempos corretos de diagnóstico e isolamento é fundamental para a saúde da população”, conta o professor Tiago Pereira, do ICMC. Ele coorientou a pesquisa de doutorado do matemático alemão Stefan Ruschel, da Universidade de Humboldt, em Berlim. Utilizando bases de dados da Organização Mundial da Saúde sobre a gripe H1N1, os pesquisadores estudaram como extinguir a doença. A população foi dividida em três grupos: saudáveis, doentes e isolados. A partir de modelos matemáticos, foi calculado o tempo ideal para identificação da doença bem como o tempo de isolamento necessário para a cura (assista ao vídeo). 

“O mais importante, nessas doenças, é o tempo de identificação. Se você consegue rastrear todos os doentes em nove dias e curá-los ou colocá-los em quarentena, a epidemia será controlada”, revela Stefan. “No caso da H1N1, depois de 30 dias não há mais chance de se controlar a doença”, acrescenta o alemão. “O prazo de nove dias é economicamente inviável porque você teria que diagnosticar muita gente em pouco tempo”, pondera Tiago. Ele explica que, considerando-se a inviabilidade desse diagnóstico em tão pouco tempo, passa a ser decisivo, para o controle da epidemia, manter os doentes isolados no tempo ideal. “Se você isolar a pessoa por um tempo ideal, a doença é extinta, mas se você isolar a pessoa além desse tempo, a doença vai reaparecer”, conclui.

Tiago destaca que, no caso da H1N1, manter os doentes isolados no tempo ideal é decisivo

Secas, chuvas e ventos – Pense agora na atmosfera terrestre. “Ela é um fluido, não tem nenhuma fronteira a não ser a superfície e o espaço. O que acontece no Oceano Pacífico ou no Índico pode nos influenciar”, conta o pesquisador Gilvan Sampaio, do INPE. Na opinião dele, o ferramental das redes complexas possibilita avançar na compreensão dos fenômenos climáticos e meteorológicos em comparação com as técnicas tradicionais que são usadas, há pelo menos 30 anos, pelos cientistas que atuam nessa área.

O professor Henrique Barbosa, do Instituto de Física da USP, diz que os primeiros artigos científicos que tratam da aplicação das redes complexas no contexto da climatologia e da meteorologia são bastante recentes, datam de cerca de 10 anos atrás. Ele dá um exemplo para explicar como essas redes podem ser empregadas para capturar a complexidade do clima no mundo. Comece analisando a quantidade e a distribuição das chuvas em todo o planeta nos últimos anos. Uma maneira de estudar se há uma relação entre esse índice pluviométrico e a variação de temperatura na superfície do mar em todo o mundo é considerar que cada posição no globo é um nó em uma rede complexa, um pontinho no papel: “Eu só vou ligar um par de pontos se houver uma correlação alta entre a precipitação em um e a temperatura do mar no outro. No final, eu tenho muitos pontos, com muitas linhas conectadas. Então, passo a estudar esse objeto matemático”.

Esse objeto, que representa a relação entre a quantidade de chuva e a variação de temperatura na superfície do mar em todo o globo, pode ajudar os cientistas a entenderem se essas chuvas estão conectadas a fenômenos como o El Niño, que consiste na mudança da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico. Note que esse objeto é também um grafo e que as ferramentas empregadas para analisá-lo são as mesmas que outros cientistas usaram para ver como funcionam as redes que conectam os neurônios do seu cérebro e também seus amigos no Facebook.

“Nós usamos a técnica de redes complexas para entender os eventos extremos de precipitação da América do Sul. Tem uma vasta literatura científica a respeito da umidade que vem da Amazônia, que é transportada pelos jatos de baixos níveis para a região do Sudeste, os quais são ventos bem acelerados que vêm da Amazônia em direção ao Sudeste. Quando isso está acontecendo, detectamos mais chuvas e tempestades por aqui”, revela Barbosa. “Nós então construímos uma rede complexa para representar os eventos extremos de precipitação. O que descobrimos foi que esses eventos extremos se propagam de sul para norte (da Bacia do Prata em direção aos Andes Bolivianos), em direção contrária ao fluxo de umidade que vem da Amazônia. Essa análise também nos permitiu criar um modelo que, com 24 horas de antecedência, prevê a ocorrência de chuva extremas no planalto Andino”, completa o professor. As conclusões estão destacadas no artigo Prediction of extreme floods in the eastern Central Andes based on a complex networks approach, publicado em 2014 na Nature Communications.

Henrique cita, ainda, diversas outras pesquisas em que as redes complexas têm contribuído para o avanço do conhecimento, tal como o trabalho do grupo mostrando que 25% das chuvas na região sudeste é de água da floresta Amazônica, publicado em 2014 na revista Atmospheric Physics and Chemistry (On the importance of cascading moisture recycling in South America). “As redes complexas permitem a você quantificar e analisar problemas que são intrinsecamente não lineares. Por meio da análise das redes você consegue inclusive determinar se as equações que estão regendo os fenômenos observados – ainda que você não as conheça – são lineares ou não lineares. Isso é algo que a gente não consegue quando usa os métodos tradicionais”, explica o professor. 

Para Gilvan, um dos maiores desafios dos pesquisadores envolvidos no projeto é “falar a mesma língua”: “Tanto nós da área de meteorologia e climatologia precisamos entender mais sobre redes complexas, quanto os matemáticos, cientistas e engenharias de computação precisam entendem mais sobre clima”. Como as questões que esses pesquisadores querem compreender são muito complexas, não é de se surpreender que somente uma rede interdisciplinar seja capaz de capturá-las.

Henrique destaca que 25% das chuvas na região sudeste é de água da floresta Amazônica

Satélites, energia, lasers e inovação – “Estamos vivendo em um mundo em que a palavra que permeia tudo é interação”, diz Elbert Macau. Além de coordenar o projeto Fenômenos Dinâmicos em Redes Complexas, ele estuda como tornar nossos sistemas de observação mais potentes: “Quando você coloca um conjunto de instrumentos de observação, quer sejam telescópios ou radiotelescópios, cada um em um satélite, tem-se um conjunto deles que precisam se deslocar no espaço mantendo uma determinada formação para que você possa, virtualmente, compor uma antena imensa a partir dessas pequenas antenas”. Lembre-se de que a distância entre esses satélites pode ser de centenas até milhares de quilômetros. Nesse contexto, aparecem diversos problemas. “Essa geometria tem que poder ser alterada, porque você às vezes tem que substituir um satélite, alterar a resolução, dividir a formação para observar outros lados da Terra ou do universo. Para isso, tenho que saber como essa rede se estrutura e o acoplamento entre os satélites é fundamental”.

Depois de falar do que podemos enxergar a partir do acoplamento de satélites, Elbert mergulha no sistema de distribuição de energia: “No modelo tradicional, você tem geradores e consumidores estruturados em uma determinada rede. Por si só, isso já é uma coisa complicada”. A questão é que, atualmente, essa estruturação em rede está se tornando ainda mais complexa porque não existe apenas uma central elétrica geradora de energia: “Você pode ter uma fazenda que seja alimentada por um gerador eólico. Nesse caso, quando tem vento, há geração de energia para o local, mas quando não tem, a fazenda se torna consumidora. Há, ainda, residências com células fotovoltaicas e estamos começando a instalar sensores piso elétricos em pontes, estradas, viadutos, estádios para que possam gerar energia. Isso tudo cria um sistema de redes que altera a sua configuração ao longo do tempo”.

A inovação trazida para a ciência por esses pesquisadores de redes complexas é difícil de mensurar. O mestrando Felipe Eltermann, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp, ingressou na área meio por acaso. Formado em Engenharia de Computação, ele começou a atuar em uma consultoria que realiza serviços de prospecção tecnológica. “Coletar dados relacionados a patentes não é algo simples”, diz. A partir dessa experiência, ele começou a se interessar por realizar uma pesquisa científica e, em conjunto com uma professora da área de economia, passou a atuar em um projeto que tem como objetivo construir um mapa da evolução da inovação tecnológica no Brasil: “A economia evolucionária compreende a economia como um sistema em constante evolução, que se transforma por dentro, e tem a inovação tecnológica como o que guia e possibilita seu crescimento econômico. Desse ponto de vista, a gente analisa a rede de patentes. Assim, você tem as patentes, as empresas e as pessoas, tudo interconectado ao longo do tempo”.

Para Felipe, o campo das redes complexas parece muito promissor. Há muitos indícios de que ele está certo. “As redes estão no coração de algumas das mais revolucionárias tecnologias do século XXI, empoderando tudo, do Google ao Facebook”, escreve o professor Albert-László Barabási no livro Network Science. Ele lidera um centro de pesquisa em redes complexas na Universidade Northeastern, em Boston, nos Estados Unidos. Para o professor, as redes permeiam a ciência, a tecnologia, os negócios e a natureza em um grau muito mais elevado do que podemos imaginar à primeira vista e, consequentemente, nós nunca vamos entender os sistemas complexos a menos que sejamos capazes de desenvolver uma profunda compreensão sobre as redes que existem por trás deles. Não é à toa que há tantos cientistas tentando capturar o mundo com essas redes.

Para Felipe, o campo das redes complexas parece muito promissor

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Créditos das fotos: primeira imagem (grupo) - Reinaldo Mizutani; segunda imagem (grafo) - Martin Grandjean; demais imagens - Denise Casatti.

Mais informações
Site do projeto Fenômenos Dinâmicos em Redes Complexas: http://www.inpe.br/redes_complexas_e_dinamica/
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

USP São Carlos sediará, pela primeira vez, workshop e escola sobre redes complexas

Inscrições para o evento ComplexNet, que acontece no ICMC, podem ser realizadas até dia 26 de agosto


Entre os dias 28 de setembro e 6 de outubro, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, receberá a quarta edição do ComplexNet – Workshop and School on Dynamics, Transport and Control in Complex Networks. Voltado a alunos de graduação, pós-graduação, pós-doutorandos e pesquisadores, o evento multidisciplinar tem como objetivo apresentar uma visão sistêmica da área, contemplando fundamentos e aplicações, as quais se estendem desde neurociência e engenharia até sociologia e economia.

Interação entre neurônios, robôs autônomos móveis, sistemas que envolvem lasers e sistemas de distribuição de energia são exemplos de algumas aplicações que serão apresentadas. “Os estudantes que participarem do evento aprenderão não somente sobre redes complexas, mas também sobre a modelagem de processos dinâmicos como sincronização. Além disso, haverá cursos sobre aplicações de redes em climatologia, neurociências e redes de transmissão de energia elétrica”, explica o professor Francisco Rodrigues, do ICMC, que é um dos organizadores do evento. 

Segundo ele, o objetivo da escola é aprimorar o conhecimento dos participantes sobre a modelagem de sistemas complexos e apresentar as pesquisas mais recentes na área de redes. “É a primeira vez que esse evento ocorre em São Carlos. Trata-se de uma oportunidade única para a comunidade ter contato com o estudo da complexidade”, completou Francisco, que também é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CEPID-CeMEAI).

Minicursos, palestras e painéis fazem parte da programação do evento, que contará com a participação de pesquisadores de referência internacional em suas áreas de atuação. As inscrições podem ser realizadas no site do evento até a próxima sexta-feira, 26 de agosto. É possível optar por só participar da escola ou de todo o evento. Ao fazer a inscrição, o participante também pode enviar um trabalho (pôster) para ser apresentado. 

O ComplexNet é uma realização do projeto temático Fenômenos Dinâmicos em Redes Complexas, apoiado pela FAPESP. O professor Tiago Pereira, do ICMC, também faz parte do comitê organizador da iniciativa.

Mais informações
Seção de eventos do ICMC: (16) 3373.9622
E-mail: eventos@icmc.usp.br

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Matemática e estatística: assista aulas junto com estudantes da USP em São Carlos

Departamento de Matemática Aplicada e Estatística do ICMC promove a iniciativa Aulas Abertas, que permite que qualquer interessado participe de aulas da graduação


Você tem curiosidade em descobrir como é uma aula dentro da USP? O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, tornará isso possível por meio do programa Aulas Abertas. A iniciativa do Departamento de Matemática Aplicada e Estatística (SME) permite que qualquer cidadão assista a algumas aulas ministradas por professores do ICMC aos estudantes de graduação. A participação é gratuita e não requer inscrição prévia.

O objetivo do programa é promover a aproximação do ICMC com a comunidade, possibilitando que os participantes sintam na pele como é a vida acadêmica na USP e como são as aulas de um curso regular, além da interação com os alunos matriculados nesses cursos.

Segundo o professor Gustavo Buscaglia, chefe do SME, o conteúdo das aulas será adaptado para facilitar a interação dos participantes com os professores e estudantes. "Será uma descrição geral da disciplina, das técnicas a serem aprendidas, além da importância delas no curso e na vida profissional", declarou o docente. 

Alunos de outros cursos, docentes, pesquisadores, estudantes do ensino médio, vestibulandos e toda a comunidade podem participar. São sete aulas disponíveis no início do semestre, com duração de 50 minutos cada. Para participar, basta comparecer no local indicado nos dias e horários de acordo com as disciplinas abaixo:  
- Estatística (SME123)
Docente: Adriano Kamimura Suzuki
01 de agosto, segunda-feira das 08:10/09:00
Local: Auditório Luiz Antonio Favaro - sala 4-111

- Métodos do Cálculo Numérico I (SME205)
Docente: Roberto Federico Ausas
01 de agosto, segunda-feira das 16:20/17:10
Local: Auditório Luiz Antonio Favaro - sala 4-111

- Cálculo Numérico (SME892)
Docente: Elias Salomão Helou Neto
01 de agosto, segunda-feira das 21:00/21:50
Local: Sala de aula 4-001

- Álgebra Linear e Equações Diferenciais (SME141)
Docentes: Tiago Pereira da Silva/Washington Luiz Marar
02 de agosto, terça-feira das 08:10/09:00
Local: Auditório Luiz Antonio Favaro - sala 4-111

- Probabilidade I (SME800)
Docente: Pablo Martin Rodriguez
09 de agosto, terça-feira das 19:00/19:50
Local: Auditório Luiz Antonio Favaro - sala 4-111

- Processos Estocásticos (SME805)
Docente: Pablo Martin Rodriguez
11 de agosto, quinta-feira das 19:00/19:50
Local: Sala de aula 5-104

- Redes Complexas (SME130)
Docente: Francisco Aparecido Rodrigues
12 de agosto, sexta-feira das 14:00/14:50
Local: Sala de aula 5-004

Texto: Henrique Fontes / Foto: Reinaldo Mizutani (Assessoria de Comunicação do ICMC)


Mais Informações
Departamento de Matemática Aplicada e Estatística do ICMC
Telefone: (16) 3373-8121
E-mail: sme@icmc.usp.br