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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pesquisador do ICMC é o único brasileiro contemplado em chamada norte-americana para combate ao vírus zika

Projeto receberá US$ 500 mil pelos próximos dois anos

Uma armadilha inteligente que identifica insetos pelo bater de suas asas é um dos 21 projetos selecionadas em um desafio de combate ao vírus zika lançado pela USAID,a agência do governo dos Estados Unidos para o desenvolvimento internacional. O projeto é coordenado pelo professor Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Ele é o único pesquisador brasileiro selecionado nessa primeira etapa do desafio e receberá um financiamento de US$ 500 mil pelos próximos dois anos.

“Em momentos de crise como o que estamos vivendo, em que os recursos para a pesquisa estão cada vez mais escassos, é muito importante buscarmos oportunidades de financiamento além das agências de fomento nacionais”, ressalta o professor. A armadilha desenvolvida é capaz de identificar a espécie e o sexo do mosquito pelo movimento das asas. “Quando o mosquito se movimenta, ele bate as asas em certa frequência e isso permite distinguir uma espécie de outra”, afirma Batista. O sistema captura apenas a espécie desejada (nesse caso, o Aedes aegypti), contabiliza os mosquitos e repassa essa informação para um aplicativo de smartphone, via tecnologia Bluetooth.

O objetivo principal é chamar a atenção para que os moradores, ao saberem da presença do mosquito, tomem medidas para fazer o controle. O sistema permite que se faça um comparativo da quantidade de mosquitos capturada de cada espécie no ambiente ao longo do tempo. Segundo o pesquisador, a expectativa é de que, entre um e dois anos, já exista um protótipo de um produto que possa ser inserido no mercado.

A pesquisa teve início em 2011, quando o professor Batista estava fazendo seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos. Nessa época, o Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC) do ICMC estabeleceu uma parceria com pesquisadores da universidade norte-americana. Também nesse tempo o trabalho foi financiado pela FAPESP e pela Fundação Bill and Melinda Gates. Na ocasião, o objetivo da pesquisa era criar um sensor específico para os vetores da malária. Além disso, o projeto já recebeu recursos do Google e foi contemplado, recentemente, no programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.


Saiba mais sobre o projeto

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 24 de maio de 2016

Zika, matemática e empreendedorismo marcam abertura do Pint of Science em São Carlos

Na primeira noite do evento, que aconteceu em três diferentes bares da cidade, festival de divulgação científica atraiu cerca de 230 pessoas

Público lotou Mosaico para conversar sobre Empreendedorismo e universidades
Uma sequência rápida de imagens de ovelhas passa no telão do boteco Vila Brasil e cerca de 100 pessoas escrevem no papel quantos animais acreditam ter visto em cada imagem. Enquanto o público testa sua capacidade natural de percepção direta dos números, uma habilidade que também se apresenta em algumas espécies de animais e aves, um trecho chocante do filme E a vida continua sinaliza o início do bate-papo sobre o zika vírus no Beatniks. Ao mesmo tempo, mais 100 pessoas começam uma conversa animada sobre empreendedorismo no restaurante Mosaico. 

Essas três cenas marcaram a abertura do festival internacional de divulgação científica Pint of Science na noite da última segunda-feira, 23 de maio, em São Carlos. Realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, o evento prossegue nesta terça e quarta-feira, dias 24 e 25 de maio, com mais seis bate-papos nos três bares que sediam a iniciativa (confira a programação). 

No boteco Vila Brasil, logo depois da dinâmica com as ovelhas, a professora Esther Prado, do ICMC, levou o público a refletir sobre o surgimento dos numerais e do possível medo da matemática. Logo depois, Jackson Itikawa, pós-doutorando do ICMC que recentemente venceu o FameLab Brasil, contou sua trajetória. “Apesar do meu claro desejo em cursar matemática e de minha facilidade com essa ciência, meus pais, meus professores, meus amigos, todos me disseram que não valia a pena, que era um desperdício. Era muito melhor fazer engenharia. E foi o que fiz”. Só depois de ter cursado Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da USP e trabalhado alguns anos na área, Jackson teve coragem de assumir sua paixão pela matemática. Ele também citou exemplos de como, em nosso dia a dia, aplicamos a matemática sem sequer perceber, e falou sobre a Olimpíada Brasileira de Matemática. Segundo ele, essa iniciativa mobiliza cerca de 20 milhões de estudantes todos os anos e, mais do que fazer as crianças e jovens deixarem de ter medo da matemática, está possibilitando que elas se encantem com essa ciência.

Já Leonardo Perez, professor de matemática na Escola Sesi 108 de São Carlos e no Colégio Oca dos Curumins, e Juliana Mascioli, professora de matemática na Escola Sesi 339 de Araraquara, relataram suas experiências de sucesso e insucesso em sala de aula. “Não há fórmula mágica, mas podemos buscar estratégias para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. É possível conseguir bons resultados se buscarmos tornar os estudantes participantes ativos desse processo e se usarmos situações-problemas que contextualizem o conhecimento”, ressaltou Leonardo.



A Zika pegou o Brasil – Logo depois da exibição do trecho do filme E a vida continua, o professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos, Bento Negrini, apresentou o contexto histórico das epidemias. Ele mostrou como aconteceu a proliferações do vírus da Aids, que chegou ao Brasil em 1981, e do H1N1.

A seguir, o professor Fernando Rodrigues, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, explicou que o vírus zika pode causar sérios danos ao feto quando uma mulher grávida é infectada. “Mas não podemos afirmar que todos os bebês que nasceram com microcefalia, registrados pelo Ministério da Saúde, apresentaram a doença devido ao zika”, afirmou. Por outro lado, o professor Luiz Figueiredo, também da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, lembrou que nem todos os vírus trazem malefícios: “Vários deles estão em nossos organismos e nos protegem”.

Para encerrar, o pós-doutorando do Laboratório de Virologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP, Mario Luis de Figueiredo, falou sobre o surgimento dos mosquitos e da falta de virologistas no Brasil: “Não podemos colocar a culpa de tudo nos mosquitos. É preciso realizar mais estudos sobre esses vetores”. Quem mediou o bate-papo e também ajudou a instigar a reflexão no Beatniks foi a professora Sigrid dos Santos, do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

“Trabalho especificamente com desenvolvimento infantil. Então, eu acho que quanto mais a gente souber lidar com a epidemia da zika e entendê-la para saber o que temos que fazer daqui para frente, melhor será”, disse a enfermeira Letícia Pancieri, uma das participantes do evento. “Em um bar, a conversa fica mais descontraída, a interação é diferente da realizada no ambiente formal da universidade. Por isso, talvez algumas novas questões possam sair dessas discussões”, finalizou.

O empreendedorismo pegou São Carlos – A conversa animada sobre empreendedorismo que agitou o restaurante Mosaico na abertura do Pint of Science foi coordenada pelo gerente de projetos da Bridge, Rafael Meireles. Ele não tem dúvidas de que São Carlos está mesmo se transformando na capital das startups. 

“Está sendo criado aqui um ecossistema de startups muito bem-sucedido. As pessoas tendem a comparar muito nosso modelo com o do Vale do Silício ou o criado em Minas Gerais, no São Pedro Valley. Mas eu acho que cada local tem suas peculiaridades, embora existam pontos em comum”, disse Rafael. Segundo ele, falar sobre esse assunto em um evento como o Pint of Science é uma oportunidade para que as pessoas descubram a semente do empreendedorismo dentro delas. 

“É muito importante ver essas pessoas todas aqui, esses jovens cheios de energia, querendo transformar ideias e conhecimento em produtos e, portanto, buscando dar um retorno para a sociedade”, destacou o professor Edson Moreira, do ICMC. Ele é membro do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e mostrou a metodologia que desenvolveu para estimular seus alunos a transformarem projetos em produtos.

Também participaram do bate-papo no Mosaico o fundador da empresa Petiko, Luciano Miranda, e o professor André Di Thommazo, do Instituto Federal de São Paulo, campus São Carlos. “Eu acho que dificilmente um evento como esse poderia ser realizado dentro da universidade. A ideia de trazer essa conversa aqui para fora, em um ambiente descontraído, é um motivador, um estimulador muito importante e acho que faz parte do sucesso desse evento”, finalizou Edson.

Em São Carlos, o Pint of Science conta com o apoio do CeMEAI, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Instituto de Física de São Carlos (IFSC). Em âmbito nacional, há o patrocínio da Elsevier.

Edson destacou relevância e sucesso do evento
Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Com a colaboração de Henrique Fonte e Leonardo Zacarin

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 17 de maio de 2016

Venha brindar a ciência na capital da tecnologia

São Carlos terá nove bate-papos gratuitos em três diferentes bares nas noites dos dias 23, 24 e 25 de maio durante o festival Pint of Science

Primeira edição do evento foi tão bem-sucedida que, este ano, iniciativa se espalhou para mais seis cidades

Sentar na mesa de um bar para uma conversa descontraída sobre a epidemia de Zika, o medo da matemática, o desafio de empreender, a psicologia dos games, as mudanças climáticas, o envelhecimento, a inteligência artificial, a comunicação científica e as ondas gravitacionais. Essa é a proposta do Pint of Science em São Carlos, o festival internacional de divulgação científica que acontecerá em três bares da cidade na próxima semana, durante os dias 23, 24 e 25 de maio. 

Realizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, a iniciativa ocorreu pela primeira vez no Brasil no ano passado. A proposta de levar os cientistas para falar diretamente com o público em um ambiente descontraído deu tão certo que várias pessoas procuraram o Instituto para saber como poderiam promover o festival em suas cidades. Resultado: este ano o Pint of Science espalhou-se para mais seis cidades brasileiras e acontecerá na capital paulista, fluminense, mineira e nas cidades de Ribeirão Preto, Campinas e também em Dourados, no Mato Grosso do Sul. 

É como se fosse um grande festival de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. Só que, nesse caso, os artistas são os pesquisadores e demais participantes convidados para conversar com o público.

Durante as três noites do evento em São Carlos, o público poderá participar gratuitamente de nove debates que acontecerão em três bares: no Beatniks, no Mosaico e no Vila Brasil. A cada noite, a partir das 19h30, três temas atuais serão discutidos (veja a programação completa abaixo). O evento é gratuito e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que ocorrerá cada bate-papo. Como não são realizadas inscrições ou reservas antecipadas, para garantir um lugar é preciso chegar antes das vagas se esgotarem.

Em São Carlos, o evento conta com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em âmbito nacional, há o patrocínio da Elsevier.

São Carlos foi a primeira cidade da América Latina a participar do evento

Mais 11 países – Além do Brasil, outros 11 países vão realizar o Pint of Science nos dias 23, 24 e 25 de maio: África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Irlanda e Itália. Uma rede global com mais de 100 cidades será construída especialmente para brindar a ciência durante o festival, que começou na Inglaterra em maio de 2013. 

A ideia surgiu quando dois pesquisadores do Imperial College London, Michael Motskin e Praveen Paul, organizaram um evento chamado Encontro com pesquisadores em 2012. Nesse encontro, pessoas acometidas por Alzheimer, Parkinson, doenças neuromusculares e esclerose múltipla foram convidadas para conhecer os laboratórios dos pesquisadores e ver de perto o tipo de pesquisa que realizavam. A experiência foi tão inspiradora que os dois decidiram propor um evento em que os pesquisadores poderiam sair de seus laboratórios para conversar diretamente com as pessoas. Nasceu, assim, o Pint of Science, que rapidamente se espalhou pelo mundo.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC
Fotos: Paulo Arias
Mais informações
Site do Pint of Science: www.pintofscience.com.br

Contato para esta pauta
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

PROGRAMAÇÃO DO PINT OF SCIENCE EM SÃO CARLOS


Segunda-feira, 23/05, às 19h30



Terça-feira, 24/05, às 19h30

  • Os games na psicologia e a psicologia dos games. Onde: Beatniks.

  • Envelhecimento: o que acontece com o nosso corpo e como a tecnologia poderá nos ajudar. Onde: Mosaico.

  • Vacas, puns, arrotos e seus efeitos sobre o planeta. Onde: Vila Brasil.

Quarta-feira, 25/05, às 19h30

  • Meu emprego, minha vida: o que muda na era da Inteligência Artificial. Onde: Beatniks.

  • Surfando nas ondas gravitacionais. Onde: Mosaico.

  • Ciência com cor e sabor: comunicação científica, jornalismo literário e suas possibilidades. Onde: Vila Brasil.