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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Matemático da USP receberá R$ 1 milhão: desafio é explicar comportamentos de sistemas como o cérebro

Selecionado pelo Instituto Serrapilheira, Tiago Pereira é professor do ICMC e estuda modelos matemáticos para compreender o que acontece em sistemas dinâmicos não lineares como, por exemplo, o cérebro e as redes sociais

O professor Tiago Pereira também é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI)
(crédito da imagem: assessoria de comunicação do CeMEAI)


O professor Tiago Pereira, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foi selecionado para receber até R$ 1 milhão do Serrapilheira, instituto privado de fomento à ciência brasileira. Os recursos serão aplicados para desenvolver uma teoria matemática capaz de descrever comportamentos em sistemas dinâmicos não-lineares tais como o cérebro, as redes sociais e os sensores de cidades inteligentes. 

“Nós entendemos relativamente bem o que acontece quando um sistema está isolado. Por exemplo, sabemos o que um neurônio isolado faz. Mas na natureza as coisas interagem. Então, o comportamento de um elemento depende do que acontece em sua volta e o que esse elemento faz na rede é bastante diferente do que ele faz quando está isolado”, explica o pesquisador. “A vontade de entender como o comportamento muda devido à interação é muito antigo. Na verdade, é o problema não linear mais antigo na história da ciência moderna”, completa. 

Mas por que é tão importante construir um modelo matemático que consiga mostrar o que ocorre com um neurônio quando ele interage com os demais neurônios nessa rede complexa chamada cérebro? Tiago revela que esse estudo tem potencial para contribuir com a compreensão sobre as transformações críticas que ocorrem nas redes complexas desses sistemas e que levam, por exemplo, ao surgimento de doenças como a epilepsia. “Nosso sonho é, a partir de observações do sistema no estado saudável, prever quando e como essas transições indesejadas ocorrem. Assim, conseguiríamos desenvolver mecanismos de prevenção e tratamentos”. 

Selecionado na primeira chamada pública de apoio à pesquisa científica do Instituto Serrapilheira, Tiago já havia recebido apoio financeiro de R$ 100 mil ao longo do último ano, assim como outros 64 pesquisadores contemplados entre os 1.955 inscritos. Agora, ele está entre os 12 cientistas que receberão até R$ 1 milhão cada, conforme anunciado pelo Instituto na última sexta-feira, 17 de maio. “Vou utilizar os recursos para montar um time interdisciplinar”, diz Tiago. 

“Nosso objetivo é identificar os talentos que acabaram de entrar no sistema acadêmico. A longo prazo, criar uma rede de futuros líderes da ciência brasileira”, declarou Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Serrapilheira, no anúncio dos contemplados. “São cientistas jovens, top”, completou o presidente do Conselho Científico do Serrapilheira, Edgar Zanotto. Do financiamento de R$ 1 milhão disponibilizado aos pesquisadores selecionados, R$ 700 mil são concedidos de forma incondicional. Os R$ 300 mil restantes estão condicionados à integração e formação de pesquisadores de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa. A adesão a esse mecanismo é voluntária, ou seja, os pesquisadores podem optar por receber ou não o valor destinado às práticas de estímulo à diversidade. 

Tiago Pereira recebeu a notícia de que havia sido selecionado pelo Serrapilheira durante um evento de que participava – School and Workshop on Patterns of Synchrony – no International Centre for Theoretical Physics (ICTP), em Triste, na Itália. Na sexta-feira, ele estava ministrando um workshop sobre as pesquisas que realiza intitulado “Reconstrução da estrutura de redes a partir de dados”. Pelo telefone, Tiago comemorou a conquista: “Ser representante do grupo selecionado é um enorme prazer. Seria ótimo se isso gerasse uma discussão para criar uma sociedade mais baseada em ciência e que valorizasse o conhecimento para desenvolver novas tecnologias e para o crescimento do espírito humano”. 

Para o pesquisador, receber esse aporte de recursos no atual cenário brasileiro de cortes nos investimentos em educação, ciência e tecnologia é extremamente relevante: “É muito triste ver uma ação orquestrada contra educação, justamente num país em que a gente precisa tanto disso. Meus pais estudaram apenas até o quarto ano do ensino fundamental. No meu caso, realmente, ler um pouco mudou a minha vida”. 

Graduado em Física pelo Instituto de Física da USP, Tiago fez doutorado em matemática aplicada na Potsdam Universitaet, na Alemanha. Depois, fez cinco pós-doutorados em diferentes instituições no Brasil e no exterior. Desde 2015, é professor do ICMC. 

Anúncio dos 12 professores selecionados foi realizado na última sexta-feira, dia 17 de maio
(crédito da imagem: Raphael Gomide)

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP com informações da assessoria de comunicação do Instituto Serrapilheira

Mais informações 
Assista ao vídeo do Serrapilheira: icmc.usp.br/e/c5588
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 
E-mail: comunica@icmc.usp.br

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pesquisador do ICMC é o único brasileiro contemplado em chamada norte-americana para combate ao vírus zika

Projeto receberá US$ 500 mil pelos próximos dois anos

Uma armadilha inteligente que identifica insetos pelo bater de suas asas é um dos 21 projetos selecionadas em um desafio de combate ao vírus zika lançado pela USAID,a agência do governo dos Estados Unidos para o desenvolvimento internacional. O projeto é coordenado pelo professor Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Ele é o único pesquisador brasileiro selecionado nessa primeira etapa do desafio e receberá um financiamento de US$ 500 mil pelos próximos dois anos.

“Em momentos de crise como o que estamos vivendo, em que os recursos para a pesquisa estão cada vez mais escassos, é muito importante buscarmos oportunidades de financiamento além das agências de fomento nacionais”, ressalta o professor. A armadilha desenvolvida é capaz de identificar a espécie e o sexo do mosquito pelo movimento das asas. “Quando o mosquito se movimenta, ele bate as asas em certa frequência e isso permite distinguir uma espécie de outra”, afirma Batista. O sistema captura apenas a espécie desejada (nesse caso, o Aedes aegypti), contabiliza os mosquitos e repassa essa informação para um aplicativo de smartphone, via tecnologia Bluetooth.

O objetivo principal é chamar a atenção para que os moradores, ao saberem da presença do mosquito, tomem medidas para fazer o controle. O sistema permite que se faça um comparativo da quantidade de mosquitos capturada de cada espécie no ambiente ao longo do tempo. Segundo o pesquisador, a expectativa é de que, entre um e dois anos, já exista um protótipo de um produto que possa ser inserido no mercado.

A pesquisa teve início em 2011, quando o professor Batista estava fazendo seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos. Nessa época, o Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC) do ICMC estabeleceu uma parceria com pesquisadores da universidade norte-americana. Também nesse tempo o trabalho foi financiado pela FAPESP e pela Fundação Bill and Melinda Gates. Na ocasião, o objetivo da pesquisa era criar um sensor específico para os vetores da malária. Além disso, o projeto já recebeu recursos do Google e foi contemplado, recentemente, no programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.


Saiba mais sobre o projeto

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br