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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A estatística está em toda parte, mas nem sempre a gente vê

Entenda um pouco mais sobre essa ciência às vésperas do Dia Mundial da Estatística, que é celebrado no próximo domingo, 20 de outubro



Não é apenas quando você pensa nas chances de ganhar na loteria que a estatística invade a sua vida. Apesar de, muitas vezes, essa ciência permanecer invisível, a estatística está presente em quase todas as esferas do nosso cotidiano. Popularizar o papel dessa ciência é o objetivo do Dia Mundial da Estatística. A data, que foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 2010, é celebrada no próximo domingo, 20 de outubro. 

A área tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente porque vivemos em um mundo cada vez mais cheio de dados. Hoje, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos é um produtor de dados. Em entrevista para a Rádio USP, a professora Mariana Cúri, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, explica que, normalmente, a estatística fica mais evidente para a sociedade durante as eleições, quando ganham destaque as pesquisas eleitorais. Mas ressalta que as ferramentas estatísticas permeiam nosso dia a dia, inclusive quando compramos remédios e quando fazemos uma busca na internet ou utilizamos serviços de streaming como Spotify e Netflix. 

Na entrevista, Mariana destaca que a evolução tecnológica possibilitou coletar e analisar uma enorme quantidade de dados, aproximando, cada vez mais, a estatística e a computação. Essas mudanças impactaram até um dos cursos de graduação oferecidos pelo ICMC: a partir do próximo ano, o Bacharelado em Estatística estará de cara nova e passará a se chamar Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados, evidenciando a sintonia com o atual cenário em que vivemos. “O curso de Estatística do ICMC está fazendo 10 anos este ano e foi modificado para incluir essas técnicas modificadas por causa da computação”, diz a professora. 

Mariana concluiu o Bacharelado em Estatística no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, em São Paulo

Ao abarcar o campo da ciência de dados (data science), o curso busca atender à crescente demanda por profissionais capazes de extrair conhecimentos úteis a partir de imensos bancos de dados. “Eu acho que a estatística, já há alguns anos, vem sendo uma ótima profissão e uma área muito importante no nosso dia a dia, na ciência, na indústria. A partir dessa aproximação com a computação, a estatística ampliou ainda mais a sua atuação. As áreas da estatística tradicionais – a estatística teórica ou a estatística aplicada a pequenas amostras – vão continuar sendo importantes. Mas com essa ampliação, a estatística vai permanecer por ainda mais tempo como uma profissão bastante interessante e relevante”, completa Mariana. 

É muito provável que as previsões e análises estatísticas tornem-se cada vez mais presentes na nossa vida. O que os estatísticos sabem é que, na tarefa de encontrar respostas a partir de dados, a incerteza estará sempre presente. 

Clique e escute a entrevista: icmc.usp.br/e/7f34b

A reportagem foi ao ar na edição de 16 de outubro do Jornal da USP no Ar, Edição Regional, que está disponível neste link: http://ribeirao.usp.br/?p=22731
Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Crédito da imagem: Instituto Nacional de Estatística - Moçambique

Mais informaçõesSobre os dez anos do curso de Estatística: www.icmc.usp.br/e/ac6b3
Site do Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados do ICMC: www.icmc.usp.br/graduacao/estatistica-bacharelado

Contato com a imprensaAssessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Uma década de Estatística na USP São Carlos: curso ganha destaque na era da ciência de dados

Criado para suprir a crescente demanda do mercado de trabalho por estatísticos, o Bacharelado em Estatística do ICMC completa 10 anos em sintonia com recentes mudanças na área; encontro comemorativo será realizado nos dias 25 e 26 de outubro 

Na foto, participantes do Encontro de Experiências em Estatística de 2016; este ano, em comemoração aos 10 anos do Bacharelado, haverá uma edição especial do evento nos dias 25 e 26 de outubro 

“Acho que a beleza da estatística é que seu alcance é ilimitado, assim como a maioria das ciências. Mas, para mim, tem um significado especial: estatística é sobre a incerteza que governa a natureza. Pode ser usada para pedir uma pizza ou modelar o preço de uma ação no mercado”. É assim que Helton Graziadei define o significado da estatística, uma área com a qual teve contato ao ingressar na primeira turma do curso de Bacharelado em Estatística, oferecido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desde 2009. 

Diferentemente da maioria de seus colegas de turma, que estão atuando em empresas nos mais diversos ramos de atividades, Helton optou por seguir carreira acadêmica: completou o mestrado no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, onde, agora, faz doutorado. Nesses dez anos, ele viu acontecer mudanças relevantes no campo da estatística: “A área se renova constantemente e quem não se atualiza corre o risco de perder a dinâmica da profissão. O surgimento da ciência de dados fez com que os departamentos de estatística no mundo reformulassem a estrutura dos cursos de graduação, incluindo conhecimentos mais sólidos em programação e inteligência artificial. É muito importante o ICMC ter sido pioneiro no Brasil a fazer essa modificação no curso”. 

Helton se refere à alteração na grade curricular do curso oferecido pelo Instituto. A partir do ano que vem, serão adicionadas disciplinas específicas a fim de preparar os alunos para os desafios da era da ciência de dados. A mudança impactou até o nome do curso, que, a partir de 2020, passará a se chamar Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados. A reformulação está em sintonia com o novo cenário tecnológico, que está modificando a forma como nós nos relacionamento uns com os outros e com o mundo a nosso redor. Nos últimos anos, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos se tornou um produtor de dados, os quais são gerados em velocidade, volume e variedade cada vez maiores. Não é à toa que, hoje, aqueles que sabem extrair conhecimentos úteis a partir desses dados tenham se tornado tão cobiçados pelo mercado de trabalho. 

Aluno da primeira turma do curso de Estatística do ICMC, Helton está terminando o doutorado no IME/USP; em 2018, fez doutorado sanduíche em Milão, na Itália

Já em 2009, o grupo de professores do ICMC que escreveu o projeto político-pedagógico do Bacharelado em Estatística vislumbrava que as instituições de ensino superior não davam conta de formar a quantidade necessária de profissionais para atuar nesse campo. “A crescente procura por estatísticos no mercado de trabalho em diversas áreas, tais como indústrias, instituições financeiras, empresas de pesquisa de mercado, instituições governamentais e de pesquisa relacionadas à saúde humana, agricultura e pecuária, entre outras, foi a principal motivação para a proposta de criação de um curso de Bacharelado em Estatística”, lê-se no projeto. 

Depois de 10 anos, a demanda só aumentou e a tendência é que continue a crescer nos próximos anos. "Em 2009, essencialmente eram as grandes instituições que tinham banco de dados de seus clientes e baseavam suas decisões nas análises estatísticas desses dados. Hoje, mesmo as pequenas empresas dispõem de dados sobre seus produtos e públicos com os quais se relaciona e buscam analisá-los para tomada de decisões", diz Mariana Cúri, uma das professoras que contribuiu para a criação do curso de Estatística no ICMC. 

“As grandes massas de dados disponíveis hoje requerem profissionais preparados para analisar e interpretar informações presentes em problemas de diferentes naturezas. Nesse cenário, as melhores soluções costumam surgir a partir da cooperação entre estatísticos e profissionais da área de computação e isso justifica as mudanças curriculares”, diz a professora Cibele Russo, que atualmente coordena o curso de Estatística do ICMC. “Assim, a proposta é ter um profissional que domine tanto as técnicas estatísticas quanto algoritmos eficientes e eficazes, considerando custos computacionais e diversas outras variáveis, para extrair de forma ótima as informações dos dados”, completa a professora. 

Cibele usa um exemplo do cotidiano para explicar o papel do estatístico: “Se você está cozinhando, é comum pegar uma colher para experimentar a comida. Estatisticamente, o que você está fazendo? Ora, está retirando uma amostra e, a partir dessa pequena quantidade de alimento, vai conseguir inferir se toda a comida da panela está boa ou não”. Usando ferramentas estatísticas, o profissional consegue, a partir de uma amostra, extrapolar os resultados obtidos a toda a população. 

A professora Cibele Russo durante o Encontro de Experiências em Estatística de 2016

Amadurecimento – “Se olhar para mim 10 anos atrás e o que sou hoje, considerando o que evoluí como ser humano, o que aprendi, o que amadureci, todas as dificuldades e também as voltas por cima, verá o quanto isso tudo impactou na minha vida. Se não fosse toda essa história, eu não seria quem sou, não faria o que faço, não teria o que tenho. Então, o que mudou? Mudou tudo para melhor”. É assim que José Fernandes de Almeida Junior resume o significado de sua trajetória no ICMC. Hoje, ele atua como estatístico na empresa Cred-System Administradora de Cartões de Crédito. 

Assim como o curso mudou a vida de José, os alunos e suas diversas demandas também ajudaram a lapidar o próprio curso. Ao longo desses 10 anos, o ICMC formou um total de 75 alunos estatísticos e, hoje, 173 estudantes estão matriculados no curso. Nesse tempo, diversos acontecimentos contribuíram para o aprimoramento do projeto colocado em prática em 2009. 

José Fernandes gravou um vídeo para relatar sua experiência como ex-aluno do curso de Estatística do ICMC

Entre os principais marcos dessa trajetória está a criação, em 2013, do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Estatística, resultado de uma união de esforços entre o ICMC e o Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os projetos de mestrandos e doutorandos contribuíram para fortalecer os grupos de pesquisa em estatística das duas instituições. 

Dois anos depois, no dia 5 de dezembro de 2015, aconteceu a primeira edição do Encontro de Experiências em Estágios e Projetos. A iniciativa, criada para propiciar o compartilhamento de informações sobre estágios e projetos, entre alunos e ex-alunos do curso, passou a se chamar Encontro de Experiências em Estatística. Este ano, em comemoração aos 10 anos do Bacharelado, haverá uma edição especial do evento, nos dias 25 e 26 de outubro, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (sala 6-001) do ICMC. Para participar, basta se inscrever e pagar a taxa de inscrição por meio deste link: icmc.usp.br/e/0fdd1. 

Outro fato marcante dessa história foi a realização da Semana da Estatística em 2016. A iniciativa já era tradicional na UFSCar e estava em sua sexta edição, mas foi apenas em 2016 que a comissão organizadora do evento, composta apenas por estudantes, resolveu convidar os alunos do ICMC para participar. Resultado: desde então, a Semana da Estatística é realizada em conjunto pelos estudantes da UFSCar e do ICMC. 

No ano seguinte, em 2017, foi lançada a primeira chamada do Núcleo de Estatística Aplicada (NEA). Desde 2009, a semente do Núcleo constava no projeto do curso, no entanto, para germinar, era preciso contar com estudantes e pesquisadores prontos para trabalhar em projetos. O cenário se concretizou em 2017, quando o NEA passou a desenvolver soluções estatísticas para problemas apresentados por empresas, fundações, indústrias, instituições de maneira geral, do setor público ou privado, assim como de pesquisadores ou pessoas físicas. "Nosso objetivo é levar problemas reais da sociedade para que nossos alunos possam resolvê-los, sob a orientação do professor, interagindo com o pesquisador e usando a metodologia estatística adequada a cada caso", explica a professora Mariana Cúri. 

O ano de 2017 também marcou o início do uso de uma metodologia alternativa de ensino e aprendizagem em algumas disciplinas do curso de Estatística: o Problem Based Learning (PBL). Com o método, professores trouxeram para a sala de aula casos reais a fim de que os estudantes debatessem e investigassem possíveis soluções. 

Por último, em 2018, o curso passou a oferecer uma ênfase em ciência de dados. Com o crescimento da demanda por uma formação específica, o ICMC decidiu ampliar o escopo do curso e adicionar mais disciplinas de programação – abarcando o ensino da linguagem de programação Phyton e de técnicas de aprendizado de máquina, por exemplo. Resultado: a partir de 2020, os alunos que ingressarem no curso se tonarão Bacharéis em Estatística e Ciência de Dados. 

Assista ao vídeo do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, que mostra como funciona a metodologia PBL na prática: www.facebook.com/watch/?v=1838468973149296

Confira mais depoimentos de ex-alunos do curso de Estatística do ICMC

Camila Ferro é da primeira turma do curso de Estatística do ICMC e, hoje, trabalha na Whirlpool Corporation no Brasil: “Esse curso colaborou muito para o meu crescimento pessoal e profissional, pois aprendi várias ferramentas estatísticas que utilizo no meu dia a dia e também desenvolvi meu raciocínio lógico para a resolução de problemas. Tanto o curso quanto a USP contribuíram muito para o meu ingresso no mercado de trabalho. Estou há cinco anos em uma indústria multinacional, atuando no setor de qualidade, que é o que eu sempre quis.”  


Aline Cristina Jacomassi se formou no curso de Estatística do ICMC em 2017 e hoje trabalha na Serasa Experian em São Carlos: “O curso de estatística me proporcionou conhecimento e maturidade para iniciar minha jornada no mercado de trabalho. A estatística é uma das profissões mais procuradas atualmente, pois vivemos em um mundo orientado a dados. O curso foi estatisticamente significante para a minha vida.”


Caio Moura Quina formou-se em Estatística no ICMC em 2017 e, hoje, faz doutorado no Instituto: “A estatística é uma ferramenta do método científico. Esta presente em áreas como a política, a saúde, a agronomia, a economia, entre diversas outras aplicações. Foi por essa multiplicidade de aplicações que decidi virar estatístico. E foi em São Carlos que tive a oportunidade de aprender com professores excelentes, que me ensinaram muitos conteúdos e também uma nova forma de ver e interpretar o mundo a minha volta”. 

Helton Graziadei é da primeira turma do curso de Estatística do ICMC e, hoje, faz doutorado no IME/USP: "Um estatístico famoso chamado John Tukey certa vez disse que o melhor de ser estatístico é que ele sempre pode brincar no quintal das outras pessoas. Acho que o que me fascina na estatística é isso! Após me formar, optei por seguir carreira acadêmica. Comecei o mestrado no IME/USP em 2013 e, atualmente, estou no último semestre do doutorado nessa mesma instituição. Ademais, durante o mestrado, trabalhei com consultoria para pesquisadores e estudantes de pós-graduação, principalmente na área médica, auxiliando-os na análise de dados de suas pesquisas. Fiz doutorado sanduíche em 2018, em Milão, na Itália. A cada dia que passa me apaixono cada vez mais pela estatística." 


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
VI Encontro de Experiências em Estatística - ICMC - 2019
Site do curso de Estatística do ICMC: www.icmc.usp.br/graduacao/estatistica-bacharelado

Contato com a imprensa
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Faltam profissionais no mercado: USP oferece curso em Estatística e Ciência de Dados

Extrair conhecimentos úteis a partir de dados, utilizando ferramentas estatísticas, matemáticas e computacionais. Esse é o papel do cientista de dados, para quem não faltam vagas no mercado de trabalho

O curso é oferecido no campus da USP, em São Carlos, no período noturno
(crédito da imagem: Nilton Junior/ArtyPhotos)

Nos rankings internacionais que apresentam as melhores carreiras, os cientistas de dados estão em destaque. No site glassdoor.com, aparece como a profissão número 1 dos Estados Unidos em 2019; já no site carreercast.com, está na 7ª colocação, logo depois dos estatísticos, que ficam no 5º lugar. Esses rankings refletem a crescente demanda por esses profissionais, que lidam com o desafio de extrair conhecimentos úteis a partir de dados. 

No Brasil, embora não exista um levantamento que mostre o tamanho da demanda não atendida, quem atua em ensino e pesquisa na área tem se surpreendido com a falta de recursos humanos capacitados. Diante da ausência de profissionais com formação específica, as empresas têm recrutado graduados e pós-graduados em computação, matemática e estatística para ocupar cargos com nomenclaturas que vão desde o clássico “cientista de dados” até engenheiro/analista/arquiteto de dados, seguindo por variações como analista de inteligência de negócios, entre outras. 

Para suprir a escassez desses profissionais, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP atualizou a grade curricular do curso de Estatística para possibilitar uma formação mais ampla aos estudantes que optarem por fazer uma graduação nessa área. As mudanças levaram à alteração no nome do curso: a partir de 2020, será chamado de Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados.

Diversos eventos são realizados pelos pesquisadores da área de estatística no ICMC para discutir temas relacionados à ciência de dados

O professor Marinho de Andrade Filho, do ICMC, explica que a espinha dorsal do curso continua sendo a estatística, que é uma profissão regulamentada no Brasil, o que se propôs foi uma ampliação no escopo de algumas disciplinas a fim de associar técnicas computacionais a técnicas estatísticas, as quais já eram abarcadas pela grade curricular: “Não existe uma competição entre a estatística e a computação pela fatia da ciência de dados. O que há é uma necessidade de unir os dois campos para tratar dos problemas que surgem a partir dos dados. É claro que existem diferenças nas abordagens, mas são conhecimentos que se completam”. 

Com as alterações nas disciplinas oferecidas, houve uma vantagem adicional: a redução no tempo para obter o diploma. Em vez dos atuais 4,5 anos, a graduação poderá ser concluída em 4 anos. “Assim, o recém-formado poderá planejar mais facilmente o início das atividades do ano seguinte, quer seja no mercado de trabalho ou em um programa de pós-graduação”, completa o professor Marinho. 

O professor Gustavo Nonato (último, em pé, à direita) coordena o DATA, um grupo de extensão do ICMC que surgiu oficialmente no início deste ano especialmente para difundir os conhecimentos sobre ciência de dados.
(crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)

Não se perca em dados – Não é difícil compreender o aumento da demanda por esses profissionais da área de ciências exatas. Afinal, a extração de conhecimentos úteis a partir dos dados disponíveis tem potencial para aumentar a receita das empresas, reduzir custos, aprimorar as experiências dos clientes e promover inovações. 

Pense que, hoje, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos é um produtor de dados, os quais são gerados em velocidade, volume e variedade cada vez maiores. Esses bancos de dados, quando não são utilizados adequadamente pelas instituições, acabam se tornando um verdadeiro problema. 

Pense em quantos recursos são consumidos e quanto espaço físico e virtual é preciso para armazenar esse arsenal complexo de números, nomes, datas, telefones, e-mails, endereços, comentários, curtidas, imagens, vídeos: é um amontoado heterogêneo que pode conter informações preciosas, capazes de levar à solução de vários problemas e permitir avanços significativos às instituições, contribuindo para a tomada de melhores decisões. 

Mas de nada adianta ter à disposição esse arsenal se não for possível utilizá-lo, daí a relevância do cientista de dados, um profissional capacitado para gerar valor a partir da captura, do tratamento e da obtenção de novos conhecimentos, úteis e relevantes, com base em dados. Para se ter uma ideia do tamanho dessa demanda, nos Estados Unidos, em 2018, a escassez de cientistas de dados oscilava em torno de 140 a 190 mil profissionais, um número que só tende a crescer. 

No Brasil, segundo o professor Gustavo Nonato, do ICMC, os alunos recém-formados do Instituto têm sido recrutados a preço de ouro para trabalhar nessa área. Marinho revela que os egressos do curso de estatística já têm ingressado no mercado com salários iniciais variando entre R$ 4 e R$ 6 mil, chegando a R$ 10 mil após cerca de um ano de atuação. 

Inscrições para a Fuvest podem ser realizadas até as 12 horas do dia 20 de setembro

Como ingressar – O vestibular organizado pela Fuvest é responsável por selecionar a maior parte dos alunos de graduação da Universidade. A outra forma de entrar nos cursos da USP é via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), voltado aos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e gerenciado pelo Ministério da Educação. 

Para o ingresso em 2020, a Fuvest oferecerá 8.317 vagas em cursos de todas as áreas do conhecimento, oferecidos em São Paulo, São Carlos, Santos, Ribeirão Preto, Piracicaba, Pirassununga, Lorena e Bauru. 

Para participar do vestibular da Fuvest, é preciso se inscrever até as 12 horas do dia 20 de setembro. Vale lembrar que os cursos oferecidos pela USP se agrupam em carreiras, de acordo com as áreas de conhecimento (humanidades, ciências exatas e ciências biológicas). No total, há 106 carreiras e 182 cursos. 

O Bacharelado em Estatística e Ciência de Dados é oferecido no período noturno no campus da USP, em São Carlos. Oferece 12 vagas para ingresso via SISU e 28 vagas via Fuvest. No caso da Fuvest, é o curso 53 e pertence à carreira 790, que é composta por 14 cursos (veja a página 24 do Manual do Candidato da Fuvest). No momento da inscrição no vestibular, o estudante pode escolher apenas uma carreira e depois indicar os cursos em ordem de preferência (em primeiro lugar, o mais desejado), chegando ao máximo de quatro opções. A taxa de inscrição na Fuvest, neste ano, é de R$ 182. O pagamento deve ser feito em bancos ou pela internet antes do encerramento do expediente bancário do dia 24 de setembro. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Site da Fuvest: http://www.fuvest.br
Página do curso de Estatística e Ciência de Dados: https://www.icmc.usp.br/graduacao/estatistica-bacharelado

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Semana da Estatística acontece a partir de 29 de maio

O evento é promovido em parceira pela USP e pela UFSCar e traz novidades relacionadas à área de estatística 


Entre os dias 29 de maio e 1º de junho será realizada a 9ª edição da Semana da Estatística (SESt), com o objetivo de oferecer novos panoramas sobre a área com temas voltados à inovação e ao desenvolvimento de possibilidades dentro dos mundos acadêmico e profissional. O evento é promovido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e pelo Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Durante os quatro dias da SESt serão realizados cinco minicursos, nove palestras, sessões de pôsteres e duas mesas-redondas. Direcionado a estudantes e profissionais da área, as inscrições para o evento estão abertas e podem ser realizadas presencialmente ou pelo site https://sest.vpeventos.com até a data de início das atividades. 

Quem optar pela inscrição presencial pagará R$ 35 e deverá doar um quilo de alimento não perecível. Nesse caso, basta comparecer terça, quarta ou sexta em frente ao bloco 4 do ICMC, das 17 às 18h45, ou ir ao departamento de Estatística da UFSCar, entre 12 e 13h45.


Já as inscrições pelo site custam R$ 40. Tanto as doações quanto os R$ 5 adicionais pagos via web serão revertidos a uma instituição de caridade de São Carlos. Veja a programação completa e saiba mais acessando a página do evento no Facebook: icmc.usp.br/e/da10d.

Texto: Marília Calábria - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Para mais informações
E-mail: sest.ufscar.usp@gmail.com

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Engenheiro de computação: ser ou não ser?

Enquanto uma crise de identidade parece atormentar alguns alunos que estão cursando engenharia de computação, setores do mercado já começam a valorizar a formação híbrida desses profissionais


O que faz um engenheiro de computação? Onde esse profissional pode atuar? É muito provável que, se você fizer essas perguntas para um grupo de pessoas, a maioria não saberá responder com clareza. Nem mesmo vestibulandos e calouros do próprio curso conseguem explicar objetivamente. Mas a culpa não é deles, afinal, as graduações em engenharia de computação são bastante recentes.

“Todo mundo sabe o que faz um engenheiro civil, eletricista ou mecânico. Já o engenheiro de computação, são poucos que conhecem”, afirma o professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Segundo ele, o mesmo acontece quando a comparação é feita dentro da computação: “quando os primeiros cursos de engenharia de computação surgiram, na segunda metade da década de 1990, outros como Ciências da Computação, Tecnologia da Informação e Sistemas de Informação já estavam muito bem estabelecidos”.

O professor Osório já coordenou o curso de Engenharia de Computação da USP em São Carlos
(crédito da imagem: Denise Casatti)
E isso se torna um problema quando os alunos passam os primeiros anos da graduação sem entender onde irão atuar. Foi assim que, há alguns anos, surgiu uma crise de identidade nos estudantes, principalmente naqueles que estavam na metade do curso. “Nós fomos percebendo que não conhecíamos nossa identidade. Só começamos a entender o que era a engenharia de computação depois do terceiro ou quarto ano, e nesse caminho muita gente desistiu”, explica Tiago Daneluzzi, que está no quinto ano do curso no ICMC. Mas diversas iniciativas estão sendo tomadas, tanto por alunos como pelos professores, para divulgar a importância do engenheiro de computação e seu papel na sociedade.

Um profissional que integra duas áreas - Pense na tecnologia ao nosso redor. Nosso celular, o computador de bordo do carro, o decodificador de TV a cabo e até mesmo o controle remoto do ar-condicionado. Vá mais longe e pense nos paineis de um avião, um carro autônomo ou um sistema de irrigação. Praticamente todos os dispositivos que utilizamos são computadores que estão cada vez mais complexos. A expressão-chave nesse assunto é “sistemas embarcados”, que são aparelhos que possuem características eletrônicas próprias, e estão integrados em termos de computação e elétrica.

O CARINA é um carro autônomo desenvolvido pelo Laboratório de Robótica Móvel do ICMC.
A integração entre carro, lasers e radares é competência de um engenheiro de computação
(crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)

A engenharia de computação surgiu da união entre essas duas áreas. Mas, na verdade, ela sempre esteve presente. “Como os sistemas não eram tão sofisticados, você ‘desviava o profissional’. Era possível fazer com que um engenheiro eletricista ou cientista da computação se especializasse na área oposta”, afirma o professor Osório. Por isso, a partir do momento que as universidades perceberam uma integração cada vez mais complexa, os cursos começaram a surgir e crescer.

Por causa dessa integração, o engenheiro de computação se torna único, capaz de lidar com problemas de um setor específico. “Esse profissional coloca a mão na massa, entende tanto do hardware como do software. Ele tem um potencial diferenciado e vai além dos profissionais isolados”, explica a professora Kalinka Castelo Branco, vice-coordenadora do curso, que é oferecido em parceria do ICMC com a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

A professora Kalinka falou sobre a formação diferenciada do engenheiro de computação durante a palestra de abertura da Semana de Engenharia de Computação
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Estudantes que se perderam em duas áreas - A dúvida dos estudantes sobre onde eles podem trabalhar surge, em parte, por causa dessa integração das áreas e pela pouca idade do curso. De acordo com Kalinka, há algum tempo, as vagas eram para engenharia elétrica ou ciências da computação, então os alunos se sentiam perdidos e, muitas vezes, precisavam se engajar nessas áreas. Mas, segundo ela, nunca houve escassez de vagas: “nossos alunos de engenharia de computação são altamente procurados, nunca tivemos problema de empregabilidade”.

O professor Osório também diz que existe um problema no mercado, devido à falta de conhecimento do curso: “dependendo do ramo, as empresas não sabem que precisam desse profissional. Um banco, por exemplo, contrata qualquer engenheiro, mas não se atenta ao de computação”.

Os alunos também possuem dificuldade em enxergar a singularidade do engenheiro de computação. “Fora da faculdade não existe problema de identidade ou emprego, mas isso só ficou claro para mim no ano passado”, afirma Tiago. Segundo ele, para os estudantes, é como se uma parte do curso fosse engenharia elétrica e, a outra, ciências da computação, com poucas disciplinas integrando as duas, e que aparecem apenas na segunda metade da graduação. Como resultado, mais da metade de sua turma pediu transferência para uma das duas áreas.

Uma identidade em formação – Apesar dos problemas, alunos e professores são otimistas: a crise de identidade está diminuindo, e essas dúvidas, cada vez mais, estão ficando para trás. Isso faz parte de um esforço coletivo para mostrar aos estudantes que a engenharia de computação é uma área singular, com alta empregabilidade e uma atuação específica no mercado.

Uma das medidas foi a criação da Semana de Engenharia de Computação (SEnC), que teve sua primeira edição realizada em setembro de 2017. A iniciativa surgiu dos alunos, que, até então, eram divididos nas semanas acadêmicas de ciências da computação e de engenharia elétrica. “Nós sentimos a necessidade de ter uma semana nossa, justamente porque somos de uma área específica. A adesão dos alunos de engenharia de computação nas outras semanas sempre foi muito baixa”, afirma Tiago, que coordenou a primeira SEnC. A comissão que organizou a semana teve 18 alunos.

Tiago (ao centro em pé) e a equipe que organizou a SenC
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

“Essa semana ajuda a mostrar que eles têm uma atuação diferenciada. É importante passar a mensagem que eles agregam conhecimentos das outras áreas de uma maneira única”, explica Kalinka, que foi responsável pela palestra de abertura da SEnC, justamente com o tema “a identidade do engenheiro de computação”. De acordo com ela, o ICMC e a EESC também estão tomando medidas para desenvolver essa identidade cada vez mais. Entre elas, levar todas as aulas para o campus 2 e a criação do Espaço EngComp.

Inaugurado no ano passado, esse espaço possui um ambiente colaborativo, para estimular a inovação dos estudantes. São oito laboratórios especializados, entre eles um espaço maker, com impressoras 3D, placas de circuito e toda a infraestrutura necessária para desenvolver um projeto de eletrônica e computação.

Para Tiago, o trabalho atual deve ser mantido. Segundo ele, os Institutos, em parceria com a Secretaria Acadêmica do curso, estão aprimorando a grade curricular para deixar a graduação mais atrativa. “Também temos iniciativas extracurriculares, que são muito importantes porque dão mais clareza do que podemos fazer depois de formados”, ele explica. Entre esses projetos, estão o Warthog Robotics, grupo de pesquisa e extensão do campus sobre robótica móvel aplicada, que também participa de competições de futebol de robôs; o Ganesh, grupo de extensão sobre segurança digital; e o ADA, de projetos em engenharia de computação. “Essa crise de identidade foi muito forte até pouco tempo, com muitos problemas de desistência. Hoje, estamos cada vez mais próximos da realidade do mercado de trabalho, e não é preciso avançar tanto no curso para se encontrar. O problema deve sumir em breve”, conclui o estudante.

“A tendência é que os engenheiros de computação sejam cada vez mais requisitados pelo mercado, porque a área está diretamente ligada ao futuro da tecnologia”, afirma Osório. A crise de identidade dos engenheiros de computação pode estar acabando, mas sua importância para a sociedade está crescendo cada vez mais. E não deve parar tão cedo.

Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Cursos da USP: Estatística é considerada a profissão do futuro

Graduação é oferecida em São Paulo e São Carlos. Área possui diversas aplicações, mas carece de profissionais

O estatístico Julio Trecenti, doutorando do Instituto de Matemática e Estatística da USP
(crédito: Marcos Santos/USP Imagens)

A melhor carreira de 2017 nos Estados Unidos, segundo o site CareerCast, é também a segunda mais rentável no Brasil, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Apesar de pouco conhecida, a estatística — ciência que coleta, analisa e sumariza dados — é reconhecida como a profissão do futuro na era do Big Data.

“A demanda pela carreira é causada pela enorme quantidade de dados produzidos diariamente, contrastando com a falta de profissionais formados para lidar com eles”, explica Adilson Simonis, professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, em São Paulo, a primeira unidade a oferecer a graduação em Estatística na Universidade.

Acompanhando a tendência do mercado, foi criada, em 2009, a segunda graduação em Estatística da USP, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), em São Carlos.

 “Vivemos num mundo de dados”, reflete Jorge Luiz Bazán Guzmán, professor do ICMC. “Previsões e análises podem ser aplicadas às mais diversas áreas, como o direito, o esporte ou a medicina. Por isso, nossos alunos não encontram dificuldades em se encaixar no mercado, ajudando a consolidar novos campos e aplicações da estatística.”

Julio Trecenti é um desses estudantes que se adaptaram ao mercado desde muito cedo. Em 2012, enquanto produzia seu trabalho de conclusão de curso no IME, o estatístico participou da constituição da Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ). Iniciou os trabalhos na organização já como diretor técnico, posição que ocupa até hoje. Atualmente, também é doutorando no IME e vice-presidente do Conselho Regional de Estatística.

O curso - A base da graduação em Estatística está fundamentada na matemática e na computação. Por isso, o estudante deve ter afinidade com a área de exatas. “Além disso, deve ser uma pessoa curiosa, que saiba fazer essa conversa entre a matemática e a aplicação”, acrescenta Guzmán.

“Outra característica fundamental é gostar de áreas que envolvam ações públicas e sociais. Um estatístico trabalha com dados que tenham um significado humano e os transforma em informação compreensível para todos”, destaca o professor do ICMC.

Para ajudar os estudantes de Estatística a desenvolver essa habilidade, a grade curricular do IME inclui uma disciplina de Língua Portuguesa, oferecida pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, localizada ao lado do instituto.


Nesse ponto, as grades curriculares têm suas particularidades. Em São Carlos, a grade oferece maior contato com a computação, por exemplo, porque no campus só há institutos de exatas.

Além dessa diferença, o curso do IME, em São Paulo, é diurno — tem aulas distribuídas de manhã e à tarde, mas não chega a ser em período integral — e dura quatro anos. Já a graduação do ICMC, em São Carlos, é noturna e dura quatro anos e meio.

O ICMC também conta com uma parceria com o curso de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), próximo ao campus. Ambas as instituições coordenam um programa de pós-graduação integrado e os alunos da graduação podem ter acesso aos professores das duas universidades.

Adilson Simonis é professor de estatística do IME
(crédito: Cecília Bastos/USP Imagens)

Vida universitária e mercado de trabalho - Além dos aspectos acadêmicos, entidades estudantis também são um diferencial na experiência universitária. “Enquanto estava na graduação, participei do centro acadêmico, da empresa júnior e da atlética”, conta Julio Trecenti. “Essas entidades, em especial o centro acadêmico, foram muito importantes para a minha formação política e ajudaram a desenvolver a empatia necessária para um estatístico.”

Um dos principais projetos no qual Trecenti esteve envolvido na época da Universidade foi a descoberta de procedimentos burocráticos que adiam a chegada de crianças em orfanatos. A demora prejudica as chances de serem adotadas porque, ao término do processo, estão mais velhas do que a média de crianças mais procuradas para adoção.

O trabalho foi feito pela ABJ, que propôs algumas soluções para o problema. A jurimetria utiliza modelos estatísticos e probabilísticos para compreender processos jurídicos. Hoje, a proposta da ABJ está sendo discutida na Câmara dos Deputados.

“O estatístico está sendo valorizado pelas soluções que ele propõe”, pontua o professor Simonis. Ele acrescenta que a demanda por estatísticos aumentou após a criação da Lei de Acesso à Informação (LAI). “Agora, temos disponível um enorme volume de dados públicos que precisam ser organizados e interpretados para que se transformem em informação útil e compreensível para a população”, afirma.

Para Julio Trecenti, a estatística é um método científico e seguro para solucionar problemas da sociedade. “Você pode usá-la para a obtenção de qualquer conhecimento. Por isso, ela é tão importante para o futuro.”

Texto: Larissa Lopes  - Jornal da USP

Quer saber mais sobre o curso?
A USP oferece duas graduações em Estatística, uma no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, no campus Cidade Universitária, em São Paulo, e outra no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Confira: IME | ICMC

Formas de ingresso - Graduação em Estatística
Períodos: Diurno (IME) e Noturno (ICMC)
Vagas IME: 40 (34 pela Fuvest e seis pelo Sisu)
Vagas ICMC: 40 (32 pela Fuvest e oito pelo Sisu)
Vestibular organizado pela Fuvest: inscrição de 21 de agosto a 11 de setembro, neste site
Sisu: as inscrições para seleção de 2018 ainda não foram abertas, mas acompanhe pelo site do MEC

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Feira de Recrutamento no ICMC reúne oportunidades na área de computação

Evento permite interação entre universitários e empresas de tecnologia

No ano passado, a Feira de Recrutamento contou com a participação de 16 empresas

Proporcionar uma forma de contato direto entre quem está na universidade e quem está no mercado de trabalho. Esse é o objetivo da Feira de Recrutamento que será realizada na próxima quarta-feira, 16 de agosto, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Gratuita e aberta ao público, a feira apresentará várias oportunidades profissionais aos estudantes e faz parte da Semana de Computação do Instituto (Semcomp 20), um dos principais eventos de computação do Brasil.

Este ano, a feira vai contar com 17 empresas, que vêm para o ICMC em busca de novos talentos e, inclusive, organizam processos seletivos para vagas de estágio. Para os alunos, é uma maneira eficiente de ter acesso a essas oportunidades e conhecer de perto o que vão fazer depois de formados. Já as empresas podem apresentar quais são os perfis ideais dos profissionais de computação que elas procuram, o que também permite que a universidade se mantenha atualizada em relação às mudanças do mercado.

A Feira de Recrutamento não demanda inscrições prévias e será realizada no ICMC das 9 às 20 horas, no hall da biblioteca Achille Bassi. Além desse evento, a Semcomp 20 possui outras atividades gratuitas e abertas ao público. Para se inscrever na Semana, acesse o site do evento.

Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Feira de Recrutamento
Quando: 16 de agosto, das 9 às 20 horas.
Onde: os estandes das empresas estarão no hall da biblioteca Achille Bassi, do ICMC, na área I do campus da USP, no centro de São Carlos (veja o mapa: icmc.usp.br/e/64715). Já as palestras das empresas acontecerão no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (sala 6-001), também no ICMC.
Contatos: (16) 3373-9703 ou semcomp@icmc.usp.br

Mais informações
Site da Semcomp 20: https://semcomp.icmc.usp.br/20/
Confira o texto sobre as atividades que acontecerão no evento: www.icmc.usp.br/e/b4951

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Feira USP e as Profissões: uma experiência capaz de mudar vidas e futuros

Realizada em São Carlos, a Feira recebeu este ano 17,5 mil visitantes ávidos por conhecer os 66 cursos de graduação oferecidos pela USP em seus campi no interior

Estudantes lotaram o gramado em frente ao centro de convenções da USP, em São Carlos

“Esse momento aqui muda vidas. Muda futuros”. As frases ecoam no centro de convenções da USP, em São Carlos, na manhã ensolarada desta quinta-feira, 22 de junho. Em dois dias, esse espaço recebeu a visita de 17,5 mil jovens. Aqui, eles encontraram algumas respostas que os ajudarão a tomar uma das decisões mais fundamentais de suas vidas: a escolha profissional. 

As frases que iniciam este texto mostram a essência do que é a Feira USP e As Profissões sob a perspectiva do professor Marcelo de Andrade Roméro, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP. Para ele, a Feira é capaz de mudar vidas ao tornar possível o que parecia impossível a muitos desses jovens, que acreditavam não ter nenhuma chance de ingressar na USP e, durante o evento, deixam de enxergá-la como inatingível: “Muitos jovens e famílias acham que a USP é paga e levam um susto quando descobrem que estudar aqui é de graça”. 

A Feira também pode alterar completamente o rumo desses jovens quando apresenta a eles um leque de oportunidades que, antes, não conheciam. “Nesse evento, o que os institutos mostram são exemplos do que os estudantes podem fazer ao entrar na USP. Tem robôs, tem experiências e experimentos. Então, às vezes o jovem vê aquilo e fala: nossa, eu quero fazer isso!”, disse Roméro.

Vitor (à direita) visitou o estande do ICMC e se surpreendeu com a área de estatística
O estudante Vitor Teixeira, 17 anos, da Escola Estadual Urias Braga Costa, de Araraquara, viveu essa experiência transformadora. Ao sair do centro de convenções em direção ao ônibus que o levaria de volta à escola, ele revelou: “Acabei decidindo o curso que eu quero fazer nesta Feira. Eu até tinha uma ideia do que ia fazer, mas agora tenho um caminho”. Antes de chegar aqui, ele pensava em seguir duas carreiras bem distintas: direito ou ciências de computação. Ao sair do estande do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), a indecisão ainda existia, mas já não era entre campos diferentes do conhecimento: “Acabei decidindo fazer ciências de computação ou estatística. O que me fez mudar de ideia foi a explicação. Eu vi que uma faculdade de exatas não é um bicho de sete cabeças. No estande, me explicaram coisas que eu entendi e acabei relacionando com a minha vida”. Vitor diz que não sabia nada sobre a área de estatística e que não conhecia o curso: “Eles explicaram que a estatística está em tudo no nosso mundo e acabei me interessando.”

A estudante Tiffany Amorim, 16 anos, da Escola Técnica Estadual Francisco Garcia, de Mococa, também vislumbrou novos caminhos na Feira. Ela não pensava muito sobre fazer uma universidade no futuro, mas sentia uma atração pela área de veterinária. Porém, ao visitar o planetário itinerante do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CePOF), que é sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), mudou de ideia. Está pensando em cursar algo na área de astronomia. 

Para Tiffany (segunda à esquerda), visita ao planetário despertou encanto pela astronomia

”O ensino médio é um momento de decisões, de várias dúvidas. A Feira é uma oportunidade para esses estudantes verem, na prática, como fazer a melhor escolha da profissão”, explica o professor Cristiano Ramos, do Centro Educacional SESI 110, de Bebedouro. Ele veio de lá com dois ônibus, duas professoras e a coordenadora pedagógica da escola, trazendo alunos do 1º, 2º e 3º anos do ensino médio. “A maioria desses estudantes vai ter uma visão diferente do que é a universidade depois da visita. Para alguns, a USP é algo muito distante da realidade. Eu sempre estudei em escola pública e tive amigos que fizeram USP. Então, é algo possível, não é tão impossível como eles imaginam”, conclui o professor, que se formou em Geografia na UNESP, em Presidente Prudente.

Cristiano: depois da visita, os estudantes passam a ter uma visão diferente sobre a universidade

Interior e capital – Iniciativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU), por meio do Programa USP e as Profissões, a Feira possui, ainda, uma edição que acontece na capital, a qual também é realizada anualmente e reúne todas as unidades da USP. Neste ano, a edição da Feira em São Paulo acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de agosto, no Parque de Ciência e Tecnologia da USP.

Já a edição campi interior da Feira USP e as Profissões é itinerante e ocorre, a cada ano, em uma das cidades que abrigam um dos seis campi da Universidade: Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Carlos. Nesses municípios, são oferecidos 66 cursos de graduação, totalizando 3.545 vagas no interior do Estado de São Paulo.

“O Grupo Coordenador das Atividades de Cultura e Extensão Universitária do Campus de São Carlos recebeu com muita honra a tarefa de organizar essa Feira”, ressaltou o coordenador do evento, professor Eduardo Nobuhiro Asada, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). “Notadamente, ano a ano, há um aumento expressivo no número de participantes. Tivemos, neste evento, mais de 12 mil inscritos, sendo a maioria de grupos escolares compostos por, aproximadamente, metade de escolas privadas e a outra metade de escolas públicas. O alcance do evento também ultrapassa o Estado de São Paulo. Houve grupos inscritos oriundos de Brasília e dos estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, perfazendo um total de 128 cidades”, completou o professor, durante a abertura do evento.

Além de oferecer orientação sobre os cursos, a Feira contou com atividades como orientação profissional, palestras, apresentações artísticas e culturais e a exibição de projetos de grupos extracurriculares. Na tenda cultural montada em frente ao centro de convenções, os estudantes puderam se divertir e aprender com shows de física e de química.

Uma das atrações foi a apresentação do Projeto Guri - polo São Carlos

“Esse tipo de feira, em que a USP se coloca à disposição da sociedade e mostra a universidade, é uma das funções de extensão mais importantes que realizamos”, disse o pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Gilberto Carlotti Jr., na abertura da Feira. Ele também revelou que fez toda sua formação em escolas públicas: do jardim de infância ao pós-doutorado. Depois da cerimônia, ele falou sobre sua trajetória. Em 1978, ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, logo depois de concluir o ensino médio, sem passar pelo cursinho: “Tive grandes professores na escola pública e fico chateado com essa mudança de hoje, em que o aluno da escola particular tem mais facilidade para entrar na universidade. Acho que foi uma perda que tivemos. A minha proposição é nós nos aproximarmos muito da escola pública, porque assim vamos melhorar a qualidade dessas escolas e esses meninos e meninas vão ter maior chance de entrar na universidade”.

Enquanto circulava pelos estandes do Centro de Convenções, o Secretário Geral da USP, Ignácio Maria Poveda Velasco, contou: “O que a gente sempre vê nessas feiras é o brilho no olho dos jovens. Eu percebo que existe neles a expectativa, o desejo de um futuro melhor. É isso que a USP representa para todos os jovens no Brasil. E enxergar um futuro melhor depende do conhecimento e da informação, algo que a feira pode trazer a eles”.

Realmente, se em 1977 houvesse uma Feira como essa, o impacto na vida do pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP seria incalculável. Graduado em arquitetura e urbanismo, Marcelo de Andrade Romero conta que gostava de arqueologia, de engenharia florestal e de astronáutica. Só tomou a decisão sobre qual carreira seguir depois de conversar com a família e ouvir de seu pai: “você é arquiteto, nem tenta mudar!”. Aos cinco anos, Romero já fazia as plantas das casas e adorava isso. “Eu não me arrependo de ter estudado arquitetura. Mas se eu fosse a uma Feira e tivesse visto experimentos, poderia ter seguido para outra área. Eu sinto que talvez tivesse ido para a Física.” O relato de Romero revela, mais uma vez, o quanto a Feira USP e as Profissões é, de fato, uma experiência capaz de mudar vidas e futuros.

"Se eu fosse a uma Feira e tivesse visto experimentos, poderia ter seguido para outra área", disse Roméro.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Site do Programa USP e as Profissões: http://prceu.usp.br/programa/usp-e-as-profissoes/
Campanha #vocetambempode: http://www.prg.usp.br/?page_id=15640
Dúvidas: divisão de ação cultural da PRCEU – (11) 3091.3511/3091-3513
E-mail: uspprofi@usp.br