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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Quando a matemática das bolhas de sabão ajuda a explicar os problemas da vida real

Ao estudar uma simples bolha de sabão, os matemáticos abrem caminhos para compreender, por exemplo, o que acontece em volta dos buracos negros e também no interior das ligas metálicas

Calcular matematicamente o tamanho dessas diferentes estruturas que nascem a partir de uma experiência com água e sabão não é algo trivial
(crédito da imagem: Pinterest)
O que há em comum entre a bolha de sabão que uma criança assopra no ar, as ligas metálicas que sustentam uma construção e os arredores dos buracos negros que nos rondam? Há um elo invisível que os conecta: a matemática, uma ciência capaz de aproximar os mais diferentes fenômenos na busca por compreendê-los. 

Os primeiros matemáticos que se dedicaram ao estudo das bolhas de sabão não imaginavam que seus conhecimentos um dia poderiam ser utilizados para investigar fenômenos celestes tão inusitados quanto os buracos negros, mas essa é outra característica dessa ciência: a imprevisibilidade de suas futuras aplicações. Com a suspeita de que a matemática das bolhas de sabão se assemelha à que permeia os arredores dos buracos negros, há ainda mais motivos para pesquisar as bolhas de sabão, muito mais acessíveis e seguras. 

Essas superfícies que encantam as crianças podem ser estudadas em praticamente todo lugar: basta misturar água e sabão em uma concentração tal que, ao pegar um arame com o formato clássico do círculo, e mergulhá-lo na solução, uma película fina, flexível e resistente surgirá. Ao assoprar essa película, que está grudada nas bordas do arame, você poderá formar uma bolha de sabão e, se tiver alguma habilidade, ela se desprenderá e voará pelo espaço até estourar. Continue a experiência matemática usando sua criatividade para moldar o arame em diversos formatos. Note que uma película surge unida às bordas toda vez que o objeto metálico é mergulhado na solução e, à medida que você muda o formato do arame, altera-se também o formato da película. 

No entanto, calcular matematicamente o tamanho dessas diferentes estruturas que nascem a partir da experiência com água e sabão não é algo trivial. “A tentativa de entender essas superfícies mínimas foi o que motivou a construção de áreas novas de pesquisa”, explica Pedro Henrique Gaspar Marques da Silva, 27 anos, formado em matemática pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. “Os matemáticos têm sido desafiados a pensar sobre essas superfícies mínimas há mais de um século”, completa o rapaz, que está fazendo pós-doutorado na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. 

Ele voltou ao ICMC no dia 27 de agosto para receber o Prêmio Carlos Gutierrez de Teses de Doutorado, que reconhece, a cada ano, a melhor tese em matemática defendida no Brasil no ano anterior: “Meu trabalho está no meio do caminho entre a geometria e as equações diferenciais. Aliás, os matemáticos construíram a ponte entre essas duas áreas exatamente para tentar entender as superfícies mínimas”. 

Pedro durante sua palestra no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Depois de receber a premiação, Pedro ministrou uma palestra no auditório Fernão Stella Rodrigues Germano, em que abordou os principais resultados de sua tese. Na plateia, professores e participantes do Workshop de Teses e Dissertações do ICMC acompanhavam atentos às explicações técnicas. A seguir, subimos até o terceiro andar da Biblioteca Achille Bassi para admirar, de perto, o Ipê Amarelo florido. Ao nos sentarmos em uma das mesas, Pedro volta a explicar, pacientemente, alguns conceitos matemáticos com os quais trabalha. Diante de uma jornalista, depara-se com a impossibilidade de usar os mesmos termos e equações que apresentou na palestra. Mas isso não o incomoda: perspicaz, Pedro encontra metáforas e exemplos para compartilhar o que sabe. 

Aliás, ele tem essa facilidade para ensinar desde criança, revela o avô materno, Paulo Afonso Marques. Presente na cerimônia de premiação, Paulo conta que, quando o neto estava no ensino fundamental e o semestre próximo do fim, o garoto continuava indo à escola. Então, o avô perguntava: “Pedro, você já eliminou todas as matérias, pra que está indo à escola?” O garoto respondia: “Meus colegas não terminaram ainda, tenho que ajudá-los”. 

A mãe, Ana Paula Gaspar Marques da Silva, completa: “Ele sempre gostou muito de ensinar. Quando estava no ensino médio, minha casa vivia cheia de amigos e colegas”. Para ela, a qualidade mais marcante do garoto, desde sempre, é a humildade.

Pedro abraçado à mãe, Ana Paula, acompanhado pelo pai e os avós
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Forças em equilíbrio – Mas o que torna as películas de sabão atraentes aos olhos dos matemáticos e aos olhos de Pedro, em especial? “Essas superfícies são resultado de um estado de equilíbrio de forças físicas: há pressão de um lado e de outro da película. E a forma final adquirida pela superfície é resultado do equilíbrio dessas forças”. Nesse estado de equilíbrio, a película adquire também uma interessante propriedade geométrica: possui a menor área entre todas as superfícies que são limitadas por uma curva fechada. É daí que vem o nome desses objetos matemáticos: superfícies mínimas. 

Há muitas situações do cotidiano em que as superfícies mínimas aparecem e os conhecimentos matemáticos da área podem ser aplicados. Pedro cita como exemplo o desafio de unir várias antenas, receptores ou radares, de maneira a otimizar a captação de sinais. Outro exemplo vem da arquitetura: “Imagine que você tem um palito na mão e vai girá-lo, sem completar a volta, e deslocá-lo para cima. A superfície que será criada pela trajetória descrita por esse palito é uma superfície mínima. Então, se eu fizer uma casa cujo telhado tem esse formato, terei que calcular matematicamente onde colocar as vigas para manter a estrutura em equilíbrio”. 

O nome dessa simpática superfície descrita por Pedro é helicoide e, para recriá-la, basta modelar um arame em formato de espiral e mergulhá-lo no mesmo recipiente com água e sabão usado para produzir as bolhas. Se você quiser pesquisar ainda mais as interessantes propriedades matemáticas desse estranho objeto, pode construí-lo usando palitos de picolé. Os palitos farão você visualizar com clareza que, em cada ponto do helicoide, passa uma reta, a qual está inteiramente contida nessa superfície mínima. 

Helicoide: modele um arame em formato de espiral e o mergulhe em um recipiente com água e sabão
(Crédito da imagem: Paul Nylander)

O helicoide de palitos de picolé foi um dos muitos experimentos que encantou um grupo de estudantes do segundo ano do ensino médio da Escola Antonio Raimundo de Melo, na cidade de Carnaubal, no Ceará. A pesquisadora Lucimara Andrade realizou uma série de atividades com esses alunos para discutir as propriedades básicas das superfícies mínimas. O projeto é fruto do mestrado profissional em matemática (PROFMAT) que Lucimara desenvolveu na Universidade Federal do Ceará, sob orientação do professor Marcelo Melo. O trabalho resultou também na publicação do artigo Superfícies mínimas e bolhas de sabão no Ensino Médio, na revista Thema. 

“O estudo contribuiu muito para a formação educacional dos estudantes, possibilitando a eles um contato teórico e prático com tópicos matemáticos voltados quase exclusivamente para alunos de pós-graduação em matemática”, ressaltam Marcos e Lucimara no artigo. “Esta experiência comprova que com iniciativa e criatividade, a matemática (mesmo aquela matemática que aparentemente faz parte apenas da rotina de pesquisadores de alto nível) pode deixar de ser temida e rejeitada por muitos estudantes, e passar a ser vista como uma ferramenta indispensável e presente no dia a dia dos alunos do ensino médio”, concluem os autores. 

Imagem da helicoide com palitos de sorvete feita pelos alunos da professora Lucimara Andrade
(crédito da imagem: arquivo da professora)

Dimensões além – Se estudar as superfícies mínimas no planeta Terra já é desafiador, imagine só fazer isso em outro planeta. A questão parece totalmente fora de propósito, mas é usando essa brincadeira que Pedro nos lança para outras dimensões: “Uma criança entediada, que está em outro planeta, no qual há várias dimensões, resolve fazer uma bolha de sabão. Em vez de sair uma esfera voando, a bolha tem um formato estranho, que se parece com o que a gente chama de hipersuperfíceis”. 

Para entender uma hipersuperfície, precisamos mesmo usar nossa imaginação. Isso acontece porque, aqui na Terra, bastam três números para definirmos matematicamente os objetos tridimensionais que vemos. Pense em uma caixa, para saber o espaço que ela ocupa, é só identificar a largura, a profundidade e a altura, ou seja, suas três dimensões. Então, por que os matemáticos insistem em pensar em mais dimensões se no nosso mundo tem só três? 

Pedro explica: “Cada dimensão pode ser considerada como uma quantidade que a gente quer medir. Imagine que vamos estudar o problema de uma empresa: ela quer minimizar o quanto gasta para produzir um produto e tem um monte de fatores para levar em consideração – custo de materiais, das pessoas, do transporte do material, do transporte do produto final até o local de venda, etc. Bem, cada um desses fatores pode ser considerado como se fosse uma dimensão. Para tentar achar um valor ótimo, temos que estudar mais dimensões além de três”. 

Se você achava que bastavam três dimensões para resolver os problemas do nosso mundo, acaba de descobrir que já vivemos em um planeta que demanda pesquisar muitas outras dimensões, mesmo que elas sejam invisíveis. O que Pedro estudou em sua tese é como o calcular o espaço ocupado pelas superfícies mínimas quando temos mais do que três dimensões: “Para criar uma liga de metal, por exemplo, várias substâncias são unidas e, olhando para o interior desse material, podemos localizar espaços em que as substâncias estão em equilíbrio. A superfície que aparece entre esses diferentes materiais se parece com aquelas que ocorrem nas bolhas de sabão.” 

Para compreender as hipersuperfícies, é preciso usar a imaginação
(Crédito da imagem: Paul Nylander)

De volta ao começo – Ao receber o Prêmio Gutierrez pela tese de doutorado A equação de Allen-Cahn e aspectos variacionais de hipersuperfícies mínimas, defendida no IMPA e orientada pelo professor Fernando Codá, Pedro se lembrou de seus primeiros passos em matemática: “Voltar para o ICMC é quase como voltar para casa. Foi realmente onde eu comecei a gostar de fazer matemática. Um dos fatores fundamentais que construíram a ponte para o que aconteceu depois – o meu doutorado – foi a iniciação científica”. 

Sob orientação do professor Fernando Manfio, do ICMC, Pedro desenvolveu projetos de iniciação científica durante três anos, todos com bolsas de estudo: um ano com recursos provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e dois com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “A iniciação científica me abriu várias portas, possibilitando ir a eventos, simpósios, conferências, workshops”. 

Quando visitou o ICMC pela primeira vez, um pouco antes de ficar sabendo que havia sido aprovado no vestibular da Fuvest, Pedro se encantou pelo ambiente acolhedor. “Algo que se confirmou ao longo da graduação: é um ambiente quase familiar, os professores são muito acessíveis e os colegas de turma dispostos a ajudar”. Foram as forças desse espaço, em equilíbrio, que possibilitaram a Pedro explorar muitas superfícies matemáticas. 

A professora Maria Aparecida Soares Ruas falou sobre a relevância do pesquisador Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon durante a cerimônia de premiação; à esquerda, estão o professor Daniel Smania, Pedro e o professor Fernando Manfio
(crédito da imagem: Denise Casatti)

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Leia mais 
Ex-aluno do ICMC é reconhecido pela melhor tese de doutorado em matemática, defendida no IMPA: 
Pedro Gaspar defende tese na área de Análise Geométrica:
Dissertação Superfícies mínimas e bolhas de sabão no ensino médio:
Artigo Superfícies mínimas e bolhas de sabão no ensino médio:
Vídeo sobre superfícies mínimas:
Vídeo sobre a quarta dimensão (Isto É Matemática):

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Aqueça seus conhecimentos matemáticos na USP São Carlos: inscreva-se nos cursos de inverno


Atividades acontecerão no ICMC, com início dia 10 de julho


O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizará três cursos especiais de inverno de introdução a conceitos matemáticos. As atividades acontecerão a partir da próxima quarta-feira, 10 de julho. 

Ministrados por alunos do programa de pós-graduação do ICMC, os conteúdos são introdutórios, com abordagem diferenciada, direcionados aos estudantes de graduação na área de ciências exatas. Para participar, basta manifestar interesse, até o início das aulas, por este formulário eletrônico: icmc.usp.br/e/ae384. Quem comparecer às aulas será cadastrado no sistema Apolo da USP e receberá certificado de participação nos cursos de extensão. 

As atividades são coordenadas pelo professor Leandro Aurichi e serão realizadas no auditório Luiz Antonio Favaro (sala 4-111) nos dias 10 e 11/07 e na sala 4-001 nas outras datas. Há 30 vagas disponíveis para cada curso, que tem duração de duas horas por dia cada um. Escolha um, dois ou todos e venha aquecer seus neurônios no ICMC:

● Introdução à teoria dos grafos
De 10 a 18/07 – segunda a quinta, das 10 às 12 horas
Ministrante: Maira Duran Baldissera
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/9d695

● Estruturas lineares em geometria
De 10 a 25/07 – segunda a quinta, das 14 às 16 horas
Ministrante: Hugo Cattarucci Botós
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/8bcb2

● Introdução à teoria dos jogos
De 10 a 25/07 – segunda a quinta, das 16 às 18 horas
Ministrante: José Kling
Programa completo do curso: icmc.usp.br/e/a8459

Texto: Marília Calábria – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Crédito da imagem: (edição) Admiral Potato/Tumblr

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Estude na USP em São Carlos: inscreva-se na pós-graduação em Matemática

Programa reconhecido em todo o país está com inscrições abertas para mestrado e doutorado

O Programa tem conceito máximo (7) na avaliação da Capes: inscrições estão abertas até 6 de junho

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está com inscrições abertas para o ingresso no Programa de Pós-Graduação em Matemática (PPG-Mat). O programa é um dos melhores e mais tradicionais da área no Brasil, reconhecido com nota máxima (7) nas últimas avaliações trienais realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

Segundo o professor Daniel Smania, coordenador do PPG-Mat, o ICMC é um ambiente estimulante para discutir e aprender matemática: “São Carlos é prática e hospitaleira, com mais de vinte mil jovens estudando em universidades públicas, vindos de todo o país. É uma experiência única”. Além disso, a cidade oferece algumas facilidades como custo de vida menor frente às grandes cidades e regiões metropolitanas, um campus pequeno e convidativo e a possibilidade de morar próximo à Universidade.

Entre os critérios de avaliação para o ingresso no mestrado, além da formação acadêmica e currículo, está a maior nota do candidato na Prova Extramuros ou no Programa de Verão do ICMC. Os participantes podem escolher linhas de pesquisa em todas as grandes áreas da matemática: álgebra; análise; geometria e topologia.

Para o mestrado (icmc.usp.br/e/9de2d) e o doutorado (icmc.usp.br/e/aa698), as inscrições podem ser realizadas até dia 6 de junho no sistema da pós-graduação do Instituto: https://vagas.icmc.usp.br. O Programa oferece 20 vagas para quem deseja ingressar no mestrado e 20 para aqueles que optarem pelo doutorado. Para obter mais detalhes sobre o processo de inscrição e os critérios de seleção, confira os editais disponíveis na página do programa: icmc.usp.br/e/b7da5.

Texto: Marília Calábria – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Marcos Santos / USP Imagens


Mais informações
Edital do mestrado: icmc.usp.br/e/9de2
Edital do doutorado: icmc.usp.br/e/aa698
Serviço de Pós-Graduação do ICMC: (16) 3373-8882
E-mail: ppgmat@icmc.usp.br

quinta-feira, 18 de abril de 2019

ICMC oferece curso de introdução à topologia de singularidades complexas

Com início na próxima quarta-feira, 24 de abril, curso será realizado até dia 5 de junho, sempre às quartas-feiras, das 10 às 12 horas

Imagens mostram variedades de fibrações no tubo de Milnor, um dos tópicos abordados no curso
(crédito da imagem: Sobre a topologia das fibrações de Milnor, de Rafaella de Souza Martins)

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está com inscrições abertas para o curso Uma introdução à topologia de singularidades complexas. O objetivo é fornecer aos alunos de pós-graduação e jovens pesquisadores conhecimentos sobre a chamada Fibração de Milnor, uma ferramenta que tem sido utilizada em vários ramos de pesquisa matemática, principalmente por aqueles que trabalham com a geometria e a topologia das singularidades. 

Gratuito e aberto a todos os interessados, o curso será ministrado pela professora Taciana Oliveira Souza, da Universidade Federal de Uberlândia. As atividades acontecerão às quartas-feiras, das 10 às 12 horas, no período de 24 de abril a 5 de junho, na sala 3-104, no bloco 4 do ICMC. 

As inscrições podem ser efetuadas até a próxima terça-feira, 23 de abril, ou enquanto houver vagas, no sistema Apolo da USP, por meio deste link: icmc.usp.br/e/91daf. Para conferir todos os tópicos a serem abordados no curso, acesse o programa disponível no site do ICMC: icmc.usp.br/e/13645

Os estudos de John Willard Milnor o levaram a conquistar a Medalha Fields em 1962
(crédito da imagem: Encyclopedia Britannica)

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP


Mais informações
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Workshop de Geometria de Poisson está com inscrições abertas

Evento acontecerá no ICMC de 13 a 15 de junho



O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizará o VI Workshop sobre Geometria de Poisson e Tópicos Relacionados de 13 a 15 de junho. O objetivo do evento é reunir especialistas que trabalham nessas áreas de pesquisa matemática.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia do evento neste link: icmc.usp.br/e/b155a. As palestras acontecem no auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC, a partir das 14 horas do dia 13 e vão até às 16 horas do dia 15. Ao todo, 15 palestrantes foram convidados para o evento, sendo dois deles estrangeiros: Jonas Schnitzer, da Università di Salermo, e Pier Paolo la Pastina, da Università di Roma.

Entre os temas que serão abordados estão Geometria de Poisson, grupóides de Lie, algebroides de Lie, foliações, quantização, física matemática, estruturas de homotopia, mecânica geométrica, entre outros. Para conferir a programação completa do evento, acesse o site: http://poisson.icmc.usp.br.

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Seção de Eventos: (16) 3373.9622
E-mail: eventos@icmc.usp.br

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por que é preciso repensar as técnicas de ensino da matemática?

Pesquisas têm mostrado que a aversão à matemática pode estar intimamente relacionada à maneira como ela é apresentada

O origami pode tornar as aulas de geometria mais interessantes
(crédito da imagem: Reinaldo Mizutani)

É bastante comum vermos pessoas afirmando que não gostam de matemática. Provavelmente, você conhece várias – e pode até mesmo ser uma delas. Claro, não há problema algum em não ter afinidade com a matemática (ou com qualquer outra área do conhecimento). A questão é que, muitas vezes, esse desinteresse é causado pela forma como o conteúdo nos é ensinado e isso faz com que muitos estudantes se distanciem dessa ciência sem sequer terem a chance de conhecê-la com mais profundidade.

Professor da University of Frankfurt, David Kollosche pesquisou, na Alemanha, as razões desse distanciamento, quais seus riscos e como esses estudantes se sentem com relação à matemática. Ele apresentou seu estudo, intitulado Auto-exclusion in mathematics education (auto-exclusão na educação matemática), no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, no fim de setembro. Apesar de ter sido aplicado na Alemanha, o professor afirma que os resultados obtidos na pesquisa podem ser semelhantes em outros lugares do mundo.

Segundo ele, o medo que muitos estudantes estabelecem com a matemática pode até resultar em uma relação de dominação. “Um grande grupo de pessoas aprende que a matemática não é para elas. Silenciar pessoas dessa forma pode servir como função sociopolítica e econômica”, afirma.

Em sua pesquisa, realizada com 199 estudantes do ensino fundamental, ele constatou que mais de um terço dos estudantes têm uma relação negativa com a matemática. Essa negatividade pode levar à chamada auto-exclusão, que inclui três categorias de distanciamento do aluno da educação matemática: a exclusão física, quando o aluno deixa de ir às aulas; a passividade intelectual, quando ele apenas “passa” pelas aulas; e a de incapacidade, que é quando o estudante assume que não tem habilidade matemática.

Com o questionário aplicado aos estudantes durante a pesquisa, David identificou as razões pelas quais os alunos não gostam da área e, consequentemente, os motivos pelos quais se auto-excluem da matemática. “Uma prática de ensino humilhante ou sua falta de individualização pode levar à auto-exclusão, que acaba sendo intensificada pela forma de ensino”, explica David.

Então, se o problema está na escola, como pensar em formas de melhorar o ensino e deixar a matemática mais interessante para os estudantes? O que está sendo estudado nessa área para que os alunos não se auto-excluam antes de terem a chance de conhecê-la?

David veio ao ICMC em setembro e apresentou os resultados
de sua pesquisa sobre auto-exclusão na matemática
(crédito da imagem: Alexandre Wolf)

Explorar sem sair da escola - Quando uma professora do ensino fundamental sentiu que seus alunos estavam pouco participativos nas aulas, percebeu que era hora de agir e mudar. Estamos falando de Lucimar Mascarin, que é professora de matemática em uma escola estadual de Divinolândia, no interior de São Paulo, e formou-se no Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), no ICMC, em setembro deste ano.

Em sua tese, ela realizou uma pesquisa-ação com alunos do 9º ano de sua escola, em que desenvolveu técnicas lúdicas e exploratórias para melhorar o ensino matemática. Mais do que mostrar que é preciso mudar algumas técnicas de ensino, sua tese demonstra que não precisam ser realizadas atividades complexas para aumentar o engajamento dos alunos. A escolha da classe foi feita com base em dois motivos: a dificuldade em aprender matemática e o desejo de ter aulas diferentes. “No geral, eram alunos que, em questão de aprendizagem, apresentavam grande potencial de evolução. A sala iniciou o ano letivo com pouca participação, mas após alguns meses já conseguiam se organizar melhor e participar da rotina”, afirma Lucimar.

O enfoque de sua pesquisa foi a trigonometria e, para isso, ela desenvolveu diversas iniciativas. Entre elas, estava a criação de triângulos em papel para compreender os conceitos de relação entre triângulos e a realização de atividades experimentais fora da sala de aula. Ela levou os alunos para diversos lugares da escola com o objetivo de medirem a altura das construções e postes, utilizando um teodolito confeccionado pelos próprios estudantes. Com as informações adquiridas, eles voltaram à sala de aula para realizarem os cálculos e, assim, comprovarem teorias.

Lucimar também convidou o pai de um dos alunos, que é marceneiro, para explicar como utiliza conceitos matemáticos em sua profissão. “Com essas atividades, os alunos puderam relacionar a trigonometria com problemas da vida prática, gerando significados culturais para os conhecimentos escolares. Além disso, com as entrevistas, puderam confirmar o uso da matemática na prática profissional”, explica.

Fora da sala de aula, a professora também fez com que os alunos medissem superfícies circulares, para que calculassem circunferência e diâmetro e, assim, compreendessem a teoria na prática. Já dentro da sala de aula, Lucimar levou o jogo “trigominó”, uma espécie de dominó onde as peças possuem funções trigonométricas.

Entretanto, apesar dos resultados positivos, Lucimar alerta para a forma com os métodos devem ser empregados: “esse tipo de abordagem toma um tempo considerável para trabalhar os conteúdos matemáticos. Por isso, devem ser mesclados a outras metodologias, pois cada uma tem seu benefício. Cabe ao bom professor diagnosticar, avaliar e tomar essas decisões”.

Alunos de Lucimar jogam o trigominó
(crédito da imagem: arquivo pessoal)

Geometria na palma da mão - Outra pesquisa que apresentou técnicas alternativas de ensino e também foi realizada no ICMC durante o PROFMAT foi a de Marília Tridapalli. Ela se formou no mestrado em março deste ano e apresentou um trabalho com práticas de ensino de geometria utilizando origami modular.

Para promover a aprendizagem da geometria, ela utilizou o origami, que pode ser um recurso manipulável bastante eficaz. “O aluno precisa ter o contato com as formas geométricas que constam nos livros didáticos para que concretize aquela ideia que, até então era abstrata, pois estava apenas desenhada”, diz a pesquisadora, que montou os chamados poliedros de Platão utilizando origamis modulares, que são formados pelo encaixe de vários papéis iguais ou simétricos.

Marília acredita que os resultados obtidos com o origami modular podem contribuir muito para o ensino da geometria no ensino fundamental, porque desperta o interesse e a curiosidade dos alunos por meio de objetos manipuláveis e elaborados por eles mesmos. “O professor pode criar suas próprias práticas e diversificar suas aulas. As sugestões são uma pequena parte do grande leque de possibilidades de aplicação desses objetos”, conclui a professora.

Marília durante a defesa de seu mestrado no PROFMAT
(crédito da imagem: Denise Casatti)
Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de Comunicação do ICMC

ESTA REPORTAGEM FAZ PARTE DO ESPECIAL DO JORNAL DA USP
"A MATEMÁTICA ESTÁ EM TUDO": http://jornal.usp.br/especial/matematica/

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 5 de abril de 2017

ICMC abre inscrições para pós-graduação em matemática

Candidatos podem se inscrever no mestrado, no doutorado e no doutorado direto em programa que é reconhecido com nota máxima (7) pela Capes

Inscrições para mestrado e doutorado vão até 16 de maio;
no caso do doutorado direto, as inscrições são em fluxo contínuo

Estão abertas as inscrições para mestrado, doutorado e doutorado direto no Programa de Pós-Graduação em Matemática do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Os candidatos podem escolher uma das seguintes linhas de pesquisa: álgebra; análise; geometria e topologia. 

Para se inscrever no mestrado e no doutorado, basta acessar o sistema de inscrição para pós-graduação do ICMC até o dia 16 de maio, já para o doutorado direto, as inscrições são em fluxo contínuo, podendo ser realizadas em qualquer época do ano até fevereiro de 2018, quando um novo edital será lançado.

O programa oferece 20 vagas para quem deseja ingressar no mestrado, 20 para aqueles que optarem pelo doutorado e 10 para o doutorado direto. Para obter mais detalhes sobre o processo de inscrição e os critérios de seleção, confira os editais disponíveis no site do programa: icmc.usp.br/e/9905a

Mais informações
Edital do mestrado: icmc.usp.br/e/64d04
Edital do doutorado: icmc.usp.br/e/ce936
Edital do doutorado direto: icmc.usp.br/e/e286e
Serviço de Pós-Graduação do ICMC: (16) 3373.9638
E-mail: posgrad@icmc.usp.br

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Robô professor ensina geometria a adolescentes

Pesquisas realizadas na USP, em São Carlos, mostram como a tecnologia pode tornar as aulas de matemática mais atrativas


Proposta não é substituir o professor em sala de aula, 
mas usar o robô como uma ferramenta de apoio ao ensino

Entrar em uma sala de aula e ser recebido por um robô humanoide que ensina geometria. Como será que adolescentes reagem a esse novo professor e a suas diferentes formas de ensinar? Esse é o foco de diversas pesquisas que estão sendo realizadas no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Entre os trabalhos relacionados ao tema está um projeto de mestrado que utilizou o Robô NAO para ensinar geometria a 62 adolescentes entre 13 e 14 anos de escolas públicas e particulares de São Carlos. Por meio de um sistema de visão computacional, o robô foi programado para reconhecer figuras geométricas planas. Com a ajuda de professores da área de educação e de matemática, o pesquisador Adam Moreira propôs diversas atividades aos alunos. Os estudantes foram desafiados, por exemplo, a descobrir o nome de uma figura geométrica a partir de dicas fornecidas pelo robô. No caso do retângulo, o professor robô dava as seguintes pistas: “qual destas figuras geométricas na sua frente tem quatro lados? A fórmula da área da figura que eu procuro é base vezes altura. A fórmula do perímetro dessa figura é duas vezes a soma de sua base com a altura”. 

Em caso de acerto da resposta, o NAO abria os braços para o alto e piscava as luzes LED de seus olhos em sinal de felicidade. Mas se o jovem errasse, o robô abaixava a cabeça e ficava com os olhos vermelhos. Adam, que hoje é doutorando do ICMC, explica que as reações do robô foram programadas com o objetivo de torná-lo mais humano, o que facilita a criação de uma relação de empatia com os jovens. 

Em outra atividade, os estudantes seguravam em suas mãos a imagem de um gato feito com peças de tangram e deveriam adivinhar a quantidade de triângulos da figura. O aluno digitava a resposta no teclado que estava ligado ao robô e, em caso de erro, o NAO poderia dar até duas dicas, tais como “O triângulo é uma figura com três lados, você consegue encontrá-los agora?” ou “As orelhas do gato são formadas por triângulos.” Novamente, em caso de acerto, o NAO ficava feliz, mas, se o aluno persistisse no erro, o humanoide se entristecia. 

No final das atividades, Adam aplicou um questionário sobre figuras geométricas aos jovens e os estudantes que participaram das aulas com o NAO tiveram um desempenho melhor (84.61% de acertos) em relação aos que não tiveram contato com o robô (60% de acertos). “Os pesquisadores da área da educação estão buscando novas ferramentas de ensino com a inserção de tecnologia em sala de aula. Hoje em dia, nota-se que a simples exposição de conteúdo na lousa não atrai toda a atenção dos alunos e a robótica pode tornar a aula mais atrativa”, afirma Roseli Romero, professora do ICMC e orientadora do trabalho. 

Roseli conta que a robótica educacional é muito bem recebida pelos jovens e aceita por todas as classes sociais. Os cenários em que essa área de pesquisa pode ser aplicada são diversos: “Nós optamos por trabalhar conceitos matemáticos utilizando os robôs, mas é possível programá-lo para ensinar física, geografia ou português”. Segundo a docente, em breve, o Centro de Robótica de São Carlos (CROB) oferecerá um curso de difusão sobre o tema para a preparação de professores. Ela ressalta, ainda, que a inclusão do robô em sala de aula não visa substituir o professor, e sim propor novas alternativas de trabalho.

No total, 92 adolescentes já participaram dos testes

Dupla personalidade – Outra pesquisa que se destaca é a de Daniel Tozadore, que também foi orientado por Roseli. Ele programou o NAO para reconhecer figuras geométricas em 3D e receber as respostas dos alunos por meio de voz. Os adolescentes escolhidos para participar do trabalho tinham entre 10 e 14 anos e eram do Projeto Pequeno Cidadão, um programa pós-escola desenvolvido pela USP com aulas de reforço, artes e atividades esportivas para estudantes da rede pública. 

Daniel dividiu os jovens em dois grupos a fim de comparar o comportamento e o rendimento dos estudantes. Em uma das turmas, o pesquisador programou o robô para ser mais simpático: “Quando as crianças chegavam, o NAO se levantava, acenava com as mãos e, depois de cumprimentá-las, perguntava pelo nome da criança. Ele também fazia movimentos como coçar a cabeça enquanto reconhecia a figura geométrica e um "toca-aqui", quando o aluno acertava a resposta. Em caso de erro, o robô alterava o LED de seus olhos para vermelho e baixava a cabeça”.

Já com a outra turma, o NAO era mais seco e pouco interagia com os jovens. Ele ficava sentado em suas próprias pernas e dava apenas boas vindas aos alunos, sem nenhum tipo de movimento, fazendo somente o reconhecimento das figuras. “Quando comparados, os alunos que tiveram contato com o robô mais interativo se sentiram mais motivados a estudar para as próximas sessões, além de demonstrarem uma maior capacidade de concentração e assimilação do conteúdo”, explica o atual doutorando do ICMC. 

Para classificar a interação dos grupos de estudantes com o robô, o pesquisador aplicou o método Continuous Audience Response, que é utilizado na área de marketing. A técnica permite, por exemplo, transformar em números as reações do ser humano a algum estímulo. Todas as sessões de atividades com os alunos foram gravadas e, posteriormente, cinco vídeos de cada turma passaram pela análise de uma comissão de 11 estudantes das áreas de psicologia e matemática, que atribuíram notas a essas dinâmicas. 

“O maior desafio da pesquisa foi sua interdisciplinaridade. Empregar os principais métodos das áreas de pedagogia e tecnologia, que iniciaram sua fusão recentemente, exige domínio e controle em ambas os campos. É essencial que especialistas de cada área estejam sempre presentes”, conta Daniel. O pesquisador revela, ainda, que todos os estudantes alegaram ser indispensável a presença de um professor humano em sala de aula.

A professora Roseli diz que o grande diferencial dos trabalhos de Adam e Daniel é o uso de um robô humanoide: “Enquanto a maioria das pesquisas vem sendo desenvolvidas com kits robóticos, eles utilizaram o NAO, que possui recursos muito mais ricos, como a capacidade de fala, reconhecimento de imagens e de fazer gestos, ou seja, a interação social é muito maior”. 

Segundo Adam, os experimentos apresentaram resultados promissores, mas são necessários mais testes para se obter uma conclusão definitiva a respeito do uso do robô em sala de aula. Em relação ao trabalho de Daniel, o pesquisador afirma que outras técnicas para o reconhecimento mais rápido de voz devem ser testadas e comparadas, além de novos parâmetros para classificação de imagens. A busca por robôs financeiramente mais acessíveis também é um desafio. O doutorando destaca, ainda, que estes projetos chamaram a atenção de alunos da graduação do ICMC: “Hoje temos uma equipe com cerca de oito alunos de iniciação científica bastante motivados, e queremos expandir esta pesquisa para alunos de outros cursos relacionados, como a psicologia e pedagogia”. 

Para o futuro da robótica educacional, Roseli vislumbra uma grande revolução no ensino. Ela acredita que, à medida que esses robôs forem se tornando cada vez mais sociáveis e inteligentes, teremos grandes mudanças: “Hoje em dia, a maioria dos professores prepara suas aulas utilizando computadores, então, por que não pensar, no futuro, em prepará-las utilizando robôs?”.



Texto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Inscrições abertas para pós-graduação em matemática no ICMC


Estão abertas as inscrições para mestrado, doutorado e doutorado direto no Programa de Pós-Graduação em Matemática do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Os candidatos podem escolher uma das seguintes linhas de pesquisa: álgebra; análise; geometria e topologia. Para se inscrever no mestrado, basta acessar o site do ICMC até o dia 30 de setembro, já para o doutorado e doutorado direto, o prazo vai até 24 de outubro. O ingresso dos candidatos selecionados acontecerá no primeiro semestre de 2017.

Reconhecido com nota máxima (7) pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última avaliação trienal realizada pela instituição, o programa oferece 20 vagas para quem deseja ingressar no mestrado e 20 para aqueles que optarem pelo doutorado ou doutorado direto. Os processos seletivos para o ingresso no programa consideram critérios amplos, tais como a formação acadêmica, o currículo e o desempenho no Programa de Verão ou na Prova Extramuros.

Um dos diferencias da Prova Extramuros é que o candidato pode escolher o lugar mais conveniente para realizá-la, já que é aplicada em 42 diferentes polos no Brasil e no exterior. “A Prova Extramuros é organizada anualmente pelos programas de pós-graduação em matemática do ICMC e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, oferecendo uma oportunidade às universidades parceiras de utilizá-la como parte do processo seletivo de seus programas de pós-graduação em matemática”, explica o professor Sérgio Monari, do ICMC. 

Este ano, a prova acontecerá no dia 8 de outubro, às 12 horas (horário de Brasília). Para se inscrever, o candidato deve preencher, até 30 de setembro, o formulário disponível no site. A prova contém questões dissertativas e de múltipla escolha sobre análise, topologia, álgebra e álgebra linear.

Os candidatos ao mestrado do ICMC também podem participar do Programa de Verão em Matemática do ICMC. O Programa reúne alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores, agregando uma série de atividades, tais como cursos, minicursos, palestras e o Workshop do Verão, uma oportunidade para os estudantes fazerem exposições orais e apresentarem pôsteres sobre seus projetos. O desempenho dos participantes nas disciplinas do Programa de Verão e a apresentação de pôsteres no Workshop são aspectos que podem contar significativos pontos no processo seletivo para o mestrado. Para se inscrever, acesse o site do Programa.

Pós-graduação no ICMC – Criado em 1971, o ICMC é reconhecido como um centro de excelência nacional e internacional na formação de pesquisadores e profissionais nos campos da matemática, matemática aplicada, computação, estatística e de suas áreas relacionadas, por intermédio dos cursos de graduação, pós-graduação e extensão.

Os programas de pós-graduação estão entre os melhores do país, tendo formado um número expressivo de mestres e doutores que hoje ocupam posições em prestigiadas empresas e em unidades de ensino e pesquisa no Brasil e no exterior. Além do Programa de Pós-Graduação em Matemática, o ICMC oferece pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional e, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, pós-graduação em Estatística. Há, ainda, dois mestrados profissionais: o Mestrado Profissional em Matemática, Estatística e Computação Aplicadas à Indústria (MECAI), oferecido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), e o Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (ProfMat), oferecido em parceria com a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). 

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Edital para ingresso no mestrado: icmc.usp.br/e/8c3a3
Edital para ingresso no doutorado: icmc.usp.br/e/68e25
Serviço de Pós-graduação do ICMC: (16) 3373.9638
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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Aprendendo matemática com a ajuda da tecnologia: professor entusiasma alunos com projeto e se surpreende com resultados

Esta é a história de um professor de matemática de São Carlos que conseguiu tornar o ensino de geometria mais atraente para jovens do 7º ano do ensino fundamental usando jogos digitais e outros instrumentos tecnológicos

Para professor, jovens estão cada vez mais resistentes a aprender geometria nos moldes tradicionais

“Além de skatista também sou ligado na matemática. Por que será que os giros que nós fazemos são medidos em graus? Eles são ângulos? De onde vem essa medida?” Perguntas como essas surgem na tela do computador, instigando os estudantes do 7º ano do ensino fundamental a pesquisarem mais sobre geometria. Estamos em uma das aulas de matemática ministradas pelo professor Leonardo Perez em uma das escolas da rede SESI de ensino em São Carlos.

“Nos últimos anos, percebi que as crianças e jovens estão cada vez mais resistentes a aprender geometria nos moldes tradicionais, ou seja, através de giz e lousa, usando livros didáticos ou mesmo material concreto manipulativo”. Essa constatação do professor, que é chamado de Léo pelos alunos, gerava uma inquietação incômoda, que se somou aos novos conceitos que ele aprendeu ao cursar uma disciplina no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, onde fez seu mestrado profissional em matemática (PROFMAT). O resultado dessa equação repercutiu na sala de aula: Léo colocou em prática o projeto Avaliação + tecnologia: é possível

“Ao cursar a disciplina Avaliação educacional, conheci diversos instrumentos tecnológicos que podem favorecer a aprendizagem como WebQuests, objetos educacionais virtuais, softwares educativos, jogos digitais, entre outros”, conta o professor. Então, ele propôs à coordenação pedagógica de uma das escolas em que trabalha o uso desses instrumentos em suas aulas de geometria. Adicionou também às novas técnicas métodos mais tradicionais como rodas de conversas, listas de exercícios, relatórios de pesquisa, questões dissertativas e objetivas, além de autoavaliações.

“Aprendi com essa experiência que a avaliação não é só para servir ao professor, mas também ao aluno, favorecendo suas aprendizagens e dando-lhe a oportunidade de reconhecer seus erros e superá-los”, revela Léo. Ele é um daqueles professores que acreditam que a aprendizagem faz parte de um processo que nunca tem fim: “Aprender para mim é uma felicidade muito grande e todos os dias tento passar isso para as crianças, jovens e colegas. Se não fosse assim, nada teria sentido.”

Foi o novo sentido que Léo deu às aulas de geometria que o levaram a ficar entre os 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10. Criado em 1988, o Prêmio recebe cerca de três mil inscrições de projetos de diferentes áreas do conhecimento todos os anos e reconhece as iniciativas bem-sucedidas realizadas por professores da educação infantil, do ensino fundamental e de gestores escolares de todo o Brasil. 

Em dezembro, Léo apresentou sua dissertação de mestrado, intitulada Um estudo sobre o uso de avaliações apoiadas pelas tecnologias, que teve a orientação da professora Miriam Utsumi, do ICMC. Aprovado, o novo mestre sabe que sua jornada não acabou: “Acredito que sempre devo continuar estudando e me aperfeiçoando, não pensando em benefício próprio, mas tendo em mente que devo ser cada dia melhor para meus alunos”.

Léo ficou entre os 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10

Por dentro do projeto – O objetivo do projeto criado por Léo foi apresentar aos alunos situações práticas envolvendo conceitos geométricos. Antes de começar as atividades efetivamente, o professor aplicou uma sondagem com questões dissertativas para avaliar como estavam os conhecimentos dos alunos sobre assuntos que eles já deviam ter aprendido em séries anteriores. Os estudantes também indicaram quais questões consideravam as mais fáceis e onde estavam suas maiores dificuldades. O levantamento serviu de base para o planejamento das ações. 

Depois, o professor iniciou uma sequência de atividades didáticas para trabalhar com o tema ângulos e polígonos, usando tanto a sala de aula quanto o laboratório de informática. “A ideia foi colocá-los diante de situações de aprendizagem ativa e autônoma, para que se sentissem parte do processo avaliativo e valorizassem a construção do conhecimento, motivando-os para aprender mais”, explica.

Uma das primeiras atividades que o professor propôs aos estudantes foi a realização de uma pesquisa orientada na internet utilizando a ferramenta WebQuest, seguindo as recomendações de um site criado por Léo. Logo na introdução do site, eles tinham o desafio de responder a perguntas fictícias feitas por skatistas brasileiros. Para cumprir o desafio proposto, os jovens precisaram, em grupos, realizar uma série de tarefas que envolveram, por exemplo, pesquisa orientada sobre as ideias de ângulos, resolução de situações-problema no site da Educopedia e construção de figuras geométricas com auxílio do software SuperLogo.

Para motivar, o professor mostrou conceitos matemáticos usando exemplos do universo do skate

O professor propôs, ainda, uma segunda atividade de pesquisa e exploração no laboratório, em que os alunos pesquisaram em duplas a classificação dos triângulos de acordo com as medidas dos lados e ângulos e, logo em seguida, acessaram arquivos do software de geometria dinâmica Geogebra, que permite a manipulação das figuras. Para avaliar a atividade, os alunos foram convidados a jogar Olimpíadas e Polígonos, um game digital construído por Léo que conta um pouco da história dos Jogos Olímpicos, desafiando os estudantes a superarem uma série de desafios. “Um ponto marcante da atividade com o jogo digital foi quando disse aos alunos que eu lhes mostraria como elaborei o game em PowerPoint para que eles pudessem criar um jogo semelhante. Alguns utilizaram esse conhecimento para elaborar seus próprios jogos digitais”, lembra o professor.

O interesse que Léo despertou nos estudantes por novas aprendizagens é um dos resultados obtidos com o projeto, bem como uma melhora nas avaliações, em especial no caso daqueles alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem e algumas vezes até certo medo das provas de matemática. “Acredito que evolui também como docente, pois refleti bastante sobre minha prática durante o processo”, afirma Léo. 

“Foi uma experiência inovadora e muito legal. Contribuiu para a aprendizagem, pois é uma forma de aprender que me atrai”, diz o aluno Gabriel Cordeiro. No final do semestre de 2015, Perez e seus alunos perceberam que, quando se fala em usar a tecnologia na sala de aula, todo o tempo investido no planejamento e no desenvolvimento das atividades não é em vão. Porque não é tempo que se perde, mas que se ganha.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Leonardo Perez

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Aplicativo vai facilitar ensino e compreensão da geometria

Sistema propõe novo modelo de interação com softwares de ensino de geometria

Para tornar o aprendizado da geometria mais atraente e menos complicado, cientistas do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desenvolveram um aplicativo que pode ser usado por estudantes de diversos níveis, desde aqueles com idade entre 13 e 14 anos até os que já estão na universidade. O Geotouch, como foi denominado, funciona em dispositivos móveis (smartphones e tablets) por meio de gestos simples, deslizando os dedos na tela do aparelho.

O novo aplicativo foi desenvolvido pela pesquisadora Helena Macedo em sua dissertação de mestrado Concepção de um Software de Geometria Interativa Utilizando Interfaces Gestuais para Dispositivos Móveis apresentada no ICMC, e que teve a orientação do professor Seiji Isotani. “Nosso sistema propõe um novo modelo de interação com softwares de ensino de geometria e faz uma síntese das funcionalidades de outros já existentes, como o Sketchometry, Geometry Pad e o Geogebra”, explica a pesquisadora. Aliás, os três sistemas citados foram analisados em seu trabalho.

Ela explica que as diferenças avaliadas foram as funcionalidades e os problemas de interação que estes aplicativos possuem. “No caso do Geotouch não há, por exemplo, um menu fixo. Isso iria gerar problemas de espaço e navegação na tela dos tablets e smartphones. Os aplicativos avaliados usam menus fixo, alguns até com figuras, como linhas retas, triângulos, circunferências, etc.

Geotouch é acionado com toque e deslizamento dos dedos na tela

“A diferença é que, além de não ter o menu em nenhum espaço da tela, o Geotouch é acionado com o toque e o deslizamento dos dedos na tela”, explica Helena. Ela exemplifica como pode ser desenhada uma circunferência utilizando-se o aplicativo: “Como toda circunferência parte de um centro, o usuário deve construir o ponto central com um breve toque de um dos dedos na tela. Em seguida, basta fazer o gesto de uma circunferência”. Comparando-se o mesmo movimento num desktop, utilizando-se um mouse, dificilmente a circunferência seria precisa. “No Geotouch, mesmo que o movimento não seja perfeito, a circunferência será exata”, garante a pesquisadora.

Movimentos também podem determinar figuras e cálculos de medidas, como a distância entre dois pontos, intersecção para achar uma mediatriz, além de funcionalidades básicas da geometria, como segmento de reta, semi reta, perpendicular e triângulos, entre outros. Veja neste vídeo uma demonstração de uso do Geotouch.

Interatividade - Outra vantagem destacada por Helena é que o Geotouch pode ser utilizado por mais de uma pessoa, em aparelhos diferentes, interagindo no mesmo desenho. “Por meio de uma conexão wi-fi, dois ou mais usuários poderão trabalhar colaborativamente num mesmo desenho. E não há limite para o número de pessoas, desde que estejam conectados via wi-fi”, garante a pesquisadora. Estas opções podem ser usadas no modo somente de visualização e também de edição simultânea.

Entre as vantagens do seu protótipo, Helena destaca que a ausência de menus na tela facilitam a interação e podem contribuir com o aprendizado. “É sabido que interfaces com muitos botões ou ícones fazem com que o aluno direcione mais a atenção para o aprendizado da interface do que para o aprendizado da geometria”, afirma.

Aplicativo disponibiliza um manual que permite o rápido aprendizado

O aplicativo passou por um teste de usabilidade com cinco estudantes de pós-graduação do ICMC, especialistas em análise de interfaces. O resultado foi satisfatório. “Usuários iniciantes podem demorar mais tempo para aprender os gestos, principalmente se não possuem conhecimentos de geometria. Mas o Geotouch disponibiliza um manual que permite o rápido aprendizado”, ressalta a pesquisadora, lembrando que entre todos os aplicativos avaliados, o Geotouch é o único a ter um manual.

O projeto de Helena recebeu o prêmio de melhor dissertação de mestrado no 4º Congresso Brasileiro de Informática na Educação, que aconteceu em outubro, em Maceió, Alagoas.

Texto: Antonio Carlos Quinto - Agência USP de Notícias
Fotos: Divulgação

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Um dia dedicado à geometria dos fibrados de Higgs

Evento reúne quatro palestras sobre assuntos relacionados aos fibrados de Higgs, apresentando algumas linhas de pesquisa da área e suas diferentes aplicações


Era 1987 e um famoso artigo do matemático britânico Nigel Hitchin apresenta pela primeira vez o conceito dos fibrados de Higgs. Logo, o conceito ganha importância e passa a exercer um papel fundamental em várias áreas da matemática. Com o objetivo de discorrer sobre algumas linhas de pesquisa que surgiram a partir dos fibrados de Higgs e suas diferentes aplicações, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promove na próxima segunda-feira, 10 de novembro, um evento especial com quatro palestras sequenciais.

“A meta é mostrar a riqueza da matemática nesse campo e atualizar os experts sobre esse relevante tópico”, afirma o coordenador do evento, Pietro Tortella, pós-doutorando no ICMC. O evento é gratuito, aberto a todos os interessados, não demanda inscrição prévia e acontecerá no auditório Luiz Antonio Favaro.

A primeira palestra – Higgs bundles and the nonabelian Hodge corrrespondence – será ministrada por Tortella e começa às 10h15. Às 11h30 é a vez do professor Emilio Franco, da Unicamp, falar sobre The Schottky brane inside the moduli space of Higgs bundles. Na sequência, às 13h45, o professor Marcos Jardim, também da Unicamp, ministrará a palestra Derived categories and Fourier-Mukai transform for quiver sheaves. Por último, às 15 horas, o professor Alessio Lo Giudice, da Scuola Internazionale Superiore di Studi Avanzati e pós-doutorando na Unicamp, discorrerá sobre Restricted Higgs bundles on curves. Veja o resumo das palestras no site do ICMC: icmc.usp.br/e/de3f4

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