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terça-feira, 8 de maio de 2018

A cientista antenada

Conectando-se com as emoções humanas, uma pesquisadora mineira conseguiu aliar sua carreira acadêmica na área de inteligência artificial com as dimensões menos exatas da vida

Solange (ao centro) abraça o filho Vitor ao lado da filha Naiara e do marido Anandsing
na fazenda Pedra Branca, onde viveu a primeira infância

Uma tiara vermelha com antenas chama a atenção de um garoto que está deitado em um dos leitos da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, cidade no interior do Estado de São Paulo. Da direção da tiara surgem dedos que conversam com o menino como se fossem pequenos seres vivos animados. São aqueles dedos que tiram Vitor, 5 anos, da apatia em que se encontrava há uma semana, desde o momento em que foi internado e deixou de interagir com o mundo. 

Em silêncio, aos poucos, os dedos do garoto também passam a ganhar vida e começam a se comunicar com as mãos daquela mulher que usa tiara vermelha e se localiza no meio do palhaço e da fada, para os quais Vitor não dá a menor bola. Logo, ele se senta à cama e recebe, de presente, uma bexiga azul em formato de cachorro, esculpida pelos dedos alegres e desconhecidos. Aos poucos, aquele trio se despede e sai do quarto mudo. Só depois que cruzam a linha da porta e desaparecem, o silêncio do garoto se rompe e sua voz alcança o corredor do hospital: “Anteninha, eu te amo”. 

É nesse momento que as emoções da mulher de tiara vêm à tona, junto com a imagem de seu próprio filho, que também é Vitor, que também tem 5 anos. Em vez de doente na cama, o filho dela está saudável, brincando na casa em que vivem, a poucos quilômetros dali. Apelidada de Anteninha, Solange Rezende permite-se agora chorar, pois já está fora do quarto. Depois de se recompor, volta ao encontro do garoto. Ao rever Anteninha, Vitor pede outro presente: quer uma cadelinha cor-de-rosa para fazer companhia ao cachorro azul. 

Solange como Anteninha durante a visita que fez à Santa Casa no último domingo, 6 de maio
Ciência com emoção – O acontecimento relatado acima, vivido 13 anos atrás, está marcado na memória de Solange e, ao ressurgir no bate-papo desta manhã de sábado, 5 de maio de 2018, deixa os olhos brilhantes de Anteninha marejados. Professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desde 1991, Solange é uma das 110 voluntárias do grupo Amor em Gotas, que se dedica a levar alegria a crianças hospitalizadas. Atuando como voluntária há 16 anos, hoje ela é uma das gestoras da iniciativa e carrega com orgulho, naquela manhã, o álbum de fotos das inúmeras visitas que já fez. Em uma das imagens, aparece vestida de branca de neve. “A essência da vida está nos detalhes, quando enxergamos o poder que temos em nossas mãos”, diz Solange, e completa: “Às vezes, um pequeno gesto possibilita conexões”. 

No álbum de fotos, destaque para a Branca de Neve
Segundo ela, as experiências vividas como voluntária contribuíram efetivamente para ampliar suas percepções nas pesquisas científicas que realiza na área de inteligência artificial: “O ambiente acadêmico é muito competitivo e somos cobrados a todo tempo. Muitas vezes, ficamos correndo atrás de suprir essas demandas e nos esquecemos da essência da vida”. Ela diz que a atuação no grupo Amor em Gotas, mudou até a forma como lida com seus alunos. “Passei a dar mais abertura para os estudantes. Hoje, sempre que precisam de alguma ajuda, eles me procuram”. 

Em um mundo em que as máquinas têm a capacidade de aprender, em que é possível extrair conhecimento de uma infinidade de dados (a área de mineração de dados é a especialidade de Solange), surge a pergunta: será que um dia os computadores serão capazes de desenvolver uma sensibilidade comparável à de Anteninha e poderão promover novas conexões entre os seres humanos? Para Solange, esse é o limite do desenvolvimento da inteligência artificial. Por mais que o conhecimento avance, ela acredita que as máquinas nunca desenvolverão percepção, sensibilidade e intuição tal como os humanos.


Vida na fazenda – A história dessa pesquisadora começou no interior de Minas Gerais, na cidade de Comendador Gomes. Foi lá, a 40 quilômetros do município, na fazenda Pedra Branca, que ela estabeleceu contato com o universo do conhecimento, guiada pelas mãos de Margarida. Foi ela que lhe apresentou as primeiras letras e números no quarto construído pelo pai para ser escola de Solange, a filha mais velha, do irmão Hugo, um ano mais novo, e de José, três anos mais moço. Como a professora morava na casa da família, a turminha tinha aula 24 horas por dia, sete dias por semana. 

Só no quarto ano do ensino fundamental é que a mãe, Zilda, e as crianças precisaram ir para Frutal, cidade vizinha, e os pequenos começaram a frequentar uma escola pública. Agora, a família tinha também um novo membro: Ataídes, sete anos mais novo do que Solange. O quarteto passava a semana na cidade com a mãe e voltava à fazenda aos finais de semana, onde o pai trabalhava e continuava morando. 

No segundo ano do ensino médio, que Solange cursava pela manhã, conseguiu uma bolsa de estudos para fazer o “Normal” à noite, uma espécie de curso técnico para quem desejava dar aula no ensino fundamental. Naquele tempo, ela já começou a pensar que não queria morar a vida toda naquela região e construir um futuro igual ao da maioria de seus primos de primeiro grau – 82 no total, contando tanto os do lado materno quanto paterno. A inspiração veio, então, de duas primas que tinham prestado vestibular e estudavam na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Com a ajuda delas, Solange convenceu a família de que também deveria fazer faculdade na UFU e foi assim que começou sua trajetória acadêmica: cursando Licenciatura em Ciências, com habilitação em matemática. 

Hugo, Ataídes, a professora Margarida, José e Solange (da esquerda para a direita):
a professora mora hoje em uma fazenda a poucos quilômetros
de onde ensinou as primeiras letras e números para Solange

Da matemática à computação – No início da faculdade, Solange sabia que se tornaria professora e o sonho era fazer pós-graduação em matemática pura na Universidade de Brasília. Sempre foi a professora dos irmãos, por insistência da mãe, já que a caderneta de notas toda azul da garota contrastava com as cadernetas vermelhas dos meninos. Por isso, aos 15 anos, quando o pai perguntou o que ela queria ser quando crescesse, respondeu: “Quero dar aula para gente inteligente”. A resposta dura tinha uma justificativa: os irmãos não gostavam de estudar e ela se sentia uma professora frustrada. “Na verdade, o que eu tentei dizer é que queria dar aula para quem gostasse de aprender”, diz. 

E de gostar de aprender ela sempre gostou. Tanto que, quando o professor de topologia da UFU, Viktor Bojaczuk, voltou de uma viagem à Polônia com um computador portátil Apple em mãos e perguntou aos alunos quem desejava se aprofundar em uma nova área do conhecimento, ela topou de imediato. “Era 1985 e a gente não tinha acesso ao computador, ele ficava fechado em uma sala e quem mexia na máquina era um operador. Nas aulas de programação, nós escrevíamos os códigos em uma folha verde e mandávamos para o operador, rezando para que ele entendesse o que a gente tinha escrito e que a máquina executasse aqueles comandos de forma correta até o final do semestre”, recorda-se Solange. 

Então, quando ela viu pela primeira a oportunidade de mexer diretamente em um computador portátil, não pensou duas vezes. Solange ouviu a palavra inteligência artificial pela primeira vez na aula de Bojarkuzc, que anunciou profeticamente: “Estou aprendendo a programar com uma linguagem diferente, que é totalmente lógica e tem tudo a ver com matemática. Mas é algo muito maior, que vai estar presente na vida de todo mundo no futuro, a inteligência artificial”. 

A tal linguagem de programação é ensinada até hoje no início das disciplinas de inteligência artificial, chama-se Prolog. Depois que teve acesso a programar diretamente no computador usando Prolog, Solange sabia que seu destino não estava mais atrelado à matemática pura, o que ela queria era computação: “O professor Bojaczuk mudou o rumo da minha vida”. Dois outros professores, Sergio Schneider e Costa Pereira, falaram para a garota sobre a USP, em São Carlos, dizendo que lá havia uma professora que atuava na área de inteligência artificial: Carolina Monard. 

Assim que se formou, Solange viajou para São Carlos e conheceu Carolina. Começou a fazer mestrado em Ciências de Computação e Matemática Computacional no ICMC em 1987. Quatro anos depois, quando estava no primeiro ano do doutorado em Engenharia Mecânica, na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), prestou um concurso para se tornar professora no ICMC, onde está até hoje. 

Além de ministrar aulas e realizar pesquisas na área de inteligência artificial, Solange também ensina empreendedorismo. Aliás, ela foi uma das responsáveis, junto com o professor André de Carvalho, também do ICMC, por inserir a temática do empreendedorismo nos cursos de computação do Instituto. Sob sua orientação estão sete doutorandos, três mestrandos, quatro alunos de iniciação científica e um pós-doutorando. Nas quintas à tarde, ela atua como consultora em uma startup são-carlense chamada Itera. Ainda sobra fôlego para o Amor em Gotas e para coordenar o festival de divulgação científica Pint of Science em São Carlos, que acontecerá dias 14, 15 e 16 de maio, juntamente com outras 55 cidades brasileiras e mais 20 países do mundo. “Sou uma apaixonada pela vida e pela possibilidade de ajudar as pessoas que desejam entrar em movimento para buscar seus sonhos”, diz. 

Ao relatar sua história, Solange dá indícios de onde nasce a motivação para o seu fazer. Entre os ensinamentos do pai, seu Amador, falecido há sete anos, uma frase se destaca na memória: “Filha, a vida inteira você tem que cuidar para que o brilho dos seus olhos nunca se apague”. Talvez esse seja o segredo de Solange: manter-se antenada com o que faz os olhos brilharem. 

Encontro no fim de 2017 na casa de Solange:  confraternização reuniu alunos do Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC e seus familiares

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 

Mais informações 
Pint of Science São Carlos: https://pintofscience.com.br/events/saocarlos
Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC: http://labic.icmc.usp.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

ICMC lança programa inédito para incentivar ações de extensão universitária

Edital lançado hoje fornecerá auxílio complementar de até R$ 2 mil aos grupos de pesquisa para a realização das atividades de extensão, estimulando a cultura da socialização do saber acadêmico

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Criar um novo programa para identificar e reforçar as ações de extensão realizadas no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) a USP, em São Carlos. É com esse objetivo que a Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx) do Instituto lança nesta segunda-feira, 7 de julho, o edital do Programa de Incentivo às Ações de Extensão do ICMC (icmc.usp.br/e/1bf45). 

Os grupos de pesquisa que inscreverem seus projetos no edital poderão receber um auxílio complementar de até R$ 2 mil para realizarem suas atividades de extensão. “Estamos buscando estimular a cultura da socialização do saber acadêmico, oferecendo uma oportunidade para que os pesquisadores levem seus projetos ao conhecimento da sociedade”, explica a presidente da CCEx, Solange Rezende.

O edital estabelece três possíveis modalidades de atividades: o pesquisador poderá produzir materiais educacionais ou atuar em prol da divulgação científica (apoiando o setor de comunicação na produção de reportagens, por exemplo, ou realizando palestras e cursos) e da produção de materiais de divulgação (como folders e banners). “O Programa está disponibilizando, ainda, um estagiário da área de comunicação, especialmente designado para apoiar os pesquisadores na realização dessas atividades”, completa Rezende.

Entre os projetos inscritos, serão selecionados seis para receber até R$ 2 mil e investir nas ações de extensão. As inscrições devem ser realizadas por meio de formulário eletrônico (icmc.usp.br/e/a98d4). Podem se candidatar grupos de pesquisa ou grupo de pesquisadores do ICMC, preferencialmente aqueles que já possuam um projeto de pesquisa aprovado por uma agência de fomento. Grupos ainda não consolidados ou sem histórico de financiamentos prévios expressivos também poderão se inscrever, desde que a proposta ofereça perspectivas inovadoras e possibilidade de sucesso.

Segundo Rezende, muitos projetos do ICMC que já chegaram ao conhecimento da sociedade e da mídia possibilitaram aos pesquisadores envolvidos estabelecer novas parceiras – com empresas e universidades – expandindo os potenciais resultados do projeto e as possibilidades de financiamento. “Vale lembrar que essa repercussão gera resultados que podem ser registrados no Currículo Lattes dos pesquisadores”, reforça a professora.

Para estimular a participação no novo Programa, foi desenvolvida uma campanha de comunicação interna com o slogan “De olho na extensão”. Um e-mail marketing para gerar expectativa no público-alvo foi lançado na última quarta-feira, 2 de julho (veja a seguir). Outra peça, enviada nesta segunda-feira, 7 de julho, marcou o início da campanha, que contará com outros materiais de reforço a fim de chamar a atenção da comunidade para a relevância da extensão, uma atividade-fim da Universidade tão relevante quanto pesquisar e ensinar.


Mais informações
Edital do Programa: icmc.usp.br/e/1bf45
Formulário eletrônico para inscrição: icmc.usp.br/e/a98d4

Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC
E-mail: ccex@icmc.usp.br
Telefone: (16) 3373.9146

terça-feira, 25 de março de 2014

Professora do ICMC é homenageada na Câmara Municipal de São Carlos

Em sessão comemorativa ao Dia Internacional da Mulher, a professora Solange Rezende foi uma das 21 mulheres reconhecidas por se destacar em atividades realizadas em prol município

Rezende (ao meio) recebe homenagem do prefeito e da primeira dama

Como professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, Solange Rezende tem se destacado na atuação em prol da cultura e extensão universitária, promovendo a interação da sociedade com o que é produzido em termos de ensino e pesquisa na universidade.

Esse foi um dos motivos que levaram a professora a ser uma das 21 mulheres homenageadas pela Câmara Municipal de São Carlos na noite da última sexta-feira, 21 de março, em sessão comemorativa ao Dia Internacional da Mulher. A atuação da professora também se destaca na área social: Rezende coordena o Grupo Amor em Gotas (GAG) juntamente com Sueli Arlette.

Sem fins lucrativos, o grupo atua no município há 14 anos e presta serviços voluntários à comunidade, em especial na pediatria da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, interagindo diretamente com crianças em situação de risco (especialmente as enfermas), seus acompanhantes e profissionais da saúde. A cada domingo, dois integrantes do grupo de cuidadores são responsáveis pelas visitas à Santa Casa. Além das visitas, os voluntários do GAG promovem uma reunião mensal com os integrantes do grupo para a troca de experiências, oficinas e vivências que ampliam as possibilidades de melhor atender às crianças.

Durante a sessão na Câmara, cada vereador presenteou a mulher que indicou para ser homenageada com um prato decorativo e um ramalhete de flores. Rezende recebeu a homenagem da vereadora Cidinha do Oncológico. 

A professora (à direita) foi homenageada pela vereadora Cidinha

Em discurso, a primeira dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade Amai-Vos, Alice Altomani, citou a importância do papel da mulher na sociedade e, junto com o prefeito Paulo Altomani, presenteou as mulheres que se destacaram com uma placa decorativa e uma boneca feita por um grupo de artesãs. “Foi uma homenagem diferente, alegre, sem preconceito e com um toque especial. Quero agradecer o carinho recebido e parabenizar as 21 mulheres que foram homenageadas e representam a sociedade feminina de nossa cidade, que hoje está em festa”, afirmou a primeira dama.

Gravada na placa, salta aos olhos a frase de Cora Coralina: "O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher". 

De Minas para São Carlos – Solange Rezende nasceu em Frutal, Minas Gerais, em 7 de junho de 1964 e mudou-se para São Carlos em julho de 1987. Ela é presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC desde 2011 e foi responsável por trazer ao Instituto, em 2013, a exposição Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro. Organizada pelos museus de Ciências e de Zoologia da USP, a exposição atraiu um público de 15 mil pessoas durante o período em que permaneceu em cartaz no ICMC.

Para Rezende, esse índice de visitação é realmente alto para uma cidade do tamanho de São Carlos e faz jus ao título recebido pelo município: Cidade do Conhecimento. Itinerante, Cabeça Dinossauro passou por Coração de Jesus (em Minas Gerais), Ribeirão Preto e Bauru, onde havia sido registrado o maior número de visitantes: 12,6 mil pessoas.

"Agradeço, de coração, a todos os caminhos que me deram a oportunidade de semear e cultivar para colher, entre outras coisas, essa homenagem maravilhosa que recebi", finalizou a professora.

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Reinaldo Italiano/Prefeitura Municipal de São Carlos

Mais informações
Comissão de Cultura e Extensão do ICMC: ccex@icmc.usp.br
Telefone: (16) 3373.9146

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pesquisa do ICMC busca tornar recomendações na internet mais atraentes aos usuários

Trabalho de pós-doutorado utiliza o contexto do usuário para fazer sugestões mais precisas em sites de e-commerce, músicas e informações

Quem faz compras na internet está acostumado com as sugestões que surgem em forma de anúncio nas páginas das lojas online. Desenvolver um método para aprimorar essas sugestões, levando em conta o contexto em que o usuário está inserido enquanto navega pela internet, é o objetivo de uma pesquisa que está sendo desenvolvida no Laboratório de Inteligência Computacional (Labic) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Segundo Domingues, contexto pode tornar recomendações mais eficientes
Essas sugestões oferecidas pelos sites são chamadas no meio científico de “sistemas de recomendação” e consistem, basicamente, em um sistema computacional que tenta analisar o comportamento de um usuário na internet, identificando seus gostos, suas preferências ou qualquer outra situação que possibilite ao usuário receber algum tipo de sugestão online, como, por exemplo, uma música, um filme, um livro ou outro tipo de produto.

A pesquisa de pós-doutorado, intitulada Aquisição Automática de Informação Contextual para Sistemas de Recomendação Sensíveis ao Contexto foi desenvolvida pelo pesquisador Marcos Aurélio Domingues. Ele explica que, hoje em dia, as empresas que realizam seus negócios pela web oferecem uma vasta quantidade e variedade de conteúdos – dentre produtos, serviços e informações. Por isso, foi estabelecida uma necessidade de descobrir informações sobre o comportamento e interesse de seus clientes para recomendar coisas interessantes ao usuário.

Porém, na maioria das lojas online que encontramos na internet, essas recomendações são feitas de uma forma primitiva. Por exemplo, se você consulta o preço de um tênis em um determinado site, receberá constantes e insistentes recomendações sobre o mesmo modelo de calçado.

Domingues desenvolveu um sistema que leva em consideração diversas variáveis que buscam analisar a situação em que o usuário está inserido para tornar a recomendação mais refinada e precisa. “Se o usuário está no trabalho em uma manhã de segunda-feira, a recomendação precisa ser de uma forma. Já em um domingo à tarde, o usuário receberá outro tipo de sugestão. São esses pequenos contextos que podem fazer a recomendação ser mais eficiente”, explicou o pesquisador.

De acordo com Domingues, um dos grandes desafios para o uso de sistemas de recomendação sensíveis ao contexto é a falta de métodos para aquisição automática de informação para esses sistemas. “O objetivo do meu projeto é a pesquisa, proposta e avaliação de métodos para conseguir informações contextuais, de forma que o usuário receba uma sugestão coerente à situação em que ele está no momento”, disse.

Sugestões de nomes para bebês - Um exemplo de aplicação da pesquisa desenvolvida por Domingues foi utilizado por um site que sugere nomes para bebês aos futuros pais, o Nameling.net. O projeto chegou a ficar, inclusive, em quarto lugar em uma competição internacional de propostas de sistemas de recomendação de nomes, o ECML/PKDD Discovery Challenge 2013, que envolveu instituições de pesquisa de diversos países.

Nesse caso, Domingues explica que a recomendação leva em consideração o local e o horário que a pesquisa está sendo feita. Ou seja, os resultados de uma busca feita por um usuário no Brasil levará a recomendações de nomes que estejam de acordo com o contexto do nosso país. "Os resultados empíricos têm mostrado que podemos melhorar a recomendação de nomes utilizando a informação contextual", afirmou o pesquisador. O site pode ser acessado pelo link: nameling.net.

Nameling.net é um exemplo de aplicação da pesquisa

Doutorado em Portugal - Antes de iniciar o pós-doutorado no ICMC, Domingues realizou o seu doutorado na Universidade do Porto, em Portugal. Lá, ele participou de outro projeto de pesquisa, em que desenvolveu um sistema para recomendações de música em um site de bandas de garagem. "O interessante desse trabalho é que em um site de bandas desconhecidas, a recomendação de algo novo é fundamental para o usuário", disse.

O site é o palcoprincipal.sapo.pt, uma rede social especializada em promover e indicar novas bandas e artistas. Domingues explica que desenvolveu o sistema de recomendação combinando os dados de acesso, conteúdo e áudio do site. "Combinamos esses dados para conseguir analisar melhor o comportamento e o contexto do usuário no site".

Análise de dados - A pesquisa de Domingues no ICMC está sendo desenvolvida sob supervisão da professora Solange Rezende, coordenadora do Labic. Segundo Rezende, o trabalho de refinar a pesquisa em mineração de dados é uma exigência do constante crescimento dos serviços oferecidos na internet. "Descobrir conhecimento a partir de dados e saber interpretá-lo é fundamental para aprimorarmos essa área", finalizou a professora.

Texto e fotos: Fernanda Vilela - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC
Tel.: 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Último mês para conferir exposição Cabeça Dinossauro na USP em São Carlos

Mais de 10 mil pessoas já visitaram a exposição itinerante que fica em cartaz na cidade até o próximo dia 30 de novembro


Alunos da escola municipal Janete Maria Martinelli
Lia em visita à exposição
Na semana em que São Carlos comemora 156 anos, a exposição Cabeça Dinossauro contabilizou a marca de 10 mil visitantes. Sediada no hall da biblioteca Achille Bassi, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, a exposição itinerante permanece em cartaz até o próximo dia 30 de novembro.

“Nossa expectativa é ultrapassar a marca de 14 mil visitantes, pois atingimos nossa meta original – que era 10 mil pessoas – praticamente um mês antes do final da exposição”, contou a presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC, Solange Rezende. Ela revelou que, até o final de novembro, estão agendadas visitas de cerca de 23 grupos por semana.

A exposição itinerante já passou por Coração de Jesus (em Minas Gerais), Ribeirão Preto e Bauru, onde foi registrado o maior número de visitantes: 12,6 mil pessoas. “Com certeza, São Carlos vai ultrapassar o número de visitantes alcançado em Bauru. Esse alto índice de visitação faz jus ao título de Cidade do Conhecimento. Podemos dizer que essa exposição é também um presente para São Carlos, caracterizada por uma população que busca o saber”, acrescentou Rezende. Ela também destacou a importância da parceira estabelecida com a Secretaria Municipal de Educação e com a Diretoria Regional de Ensino, possibilitando que as escolas da região visitassem a exposição.

Organizada pelos museus de Ciências e de Zoologia da USP, Cabeça Dinossauro reúne diversos fósseis, incluindo a réplica do crânio mais completo já encontrado no Brasil do grupo de dinossauros conhecido como titanossauros. Para o monitor Renan Gebara, que está cursando o 4º ano de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o crânio é, de fato, o auge da exposição. “Os estudantes que vêm aqui costumam me perguntar se esse é o crânio de verdade do dinossauro, eu explico que aqui temos uma réplica, pois o crânio precisa ficar no laboratório do Museu de Zoologia da Universidade, onde ainda está sendo estudado pelos pesquisadores”, disse.

Gebara em frente à réplica do crânio mais completo de
titanossauro já encontrado no Brasil
Gebara contou também que, quando fez o curso preparatório para se tornar monitor da exposição, imaginou que sua maior dificuldade seria abordar o público para poder explicar os diversos conteúdos teóricos que ali são apresentados: “Eu me surpreendi muito porque as pessoas fazem questionamentos, as crianças perguntam muito e algumas têm um conhecimento prévio impressionante, já sabem o que é um fóssil, por que os dinossauros foram extintos, o que é um asteroide”.

A maioria dos visitantes se surpreende mesmo com a reprodução do Tapuiasaurus macedoi – feita em resina por um artista plástico e carinhosamente apelidado de Jesuíno –, um gigante que mede 4,5 metros de altura e 11 de comprimento. Mas esse não foi o caso da estudante Letícia Giacomo, 11 anos, que cursa o 7º ano do ensino fundamental na escola estadual Fúlvio Morganti, em Ibaté. “Eu gostei mesmo é daquela ave de ossos escuros, porque foi uma das primeiras aves, era carnívora e não voava, apenas corria”, disse Giacomo.

A colega de escola de Giacomo, Viviane Cristina Duarte, 14 anos, que cursa o 9º ano do ensino fundamental, gostou tanto da exposição que declarou: “Quero voltar com a minha família e mostrar tudo o que aprendi aqui”.

Para o estudante Alexsander Vilela, 9 anos, que está no 3º ano do ensino fundamental na escola municipal Janete Maria Martinelli Lia, em São Carlos, a grande surpresa da visita foi descobrir que os crocodilos de antigamente eram muito diferentes dos que encontramos atualmente.

Alunas da escola estadual Fúlvio Morganti vieram de Ibaté

Espaço educativo – Para aliar o lúdico ao aprendizado trazido pela exposição, criou-se um espaço educativo destinado especialmente às crianças, onde foram disponibilizados livros, desenhos e muitos papeis coloridos para origami. No dia 10 de outubro, a educadora Márcia Lourenço, do Museu de Zoologia da USP, conduziu uma oficina especialmente para os monitores da exposição no intuito de ensiná-los a arte de construir réplicas de alguns animais por meio da técnica do origami.

A educadora ministrou workshop para os monitores da exposição
“As crianças gostam de fazer trabalhos manuais e de levar algo para casa como lembrança da exposição. Essa também é uma forma de multiplicar o aprendizado, pois elas mostram o origami para os pais e os convidam para também visitar a exposição”, explicou Lourenço. Para a educadora, o origami é uma técnica rica, divertida e simples: “Pensamos em algumas opções de fácil elaboração, uma delas pode ser feita até por uma criança de cinco anos”.

Na opinião de Lourenço, apesar do gigante Jesuíno chamar muito a atenção do público devido ao seu tamanho, a riqueza da exposição está no fato de apresentar peças que, em termos científicos, são tão ou mais importantes do que o grande Tapuiasaurus macedoi. “Há uma peça valiosíssima – o Archaeopteryx – que é uma forma intermediária entre os dinossauros e as aves. Ele é pequeno e, exatamente por isso, não está no imaginário das pessoas. Mas ele nos traz marcas da existência de penas, um relevante sinal da evolução e da relação dos dinossauros com as aves”. O pequeno animal tornou-se famoso devido ao trabalho do pesquisador Thomas Huxley, publicado em 1869, no qual ele sugere, pela primeira vez, uma relação de parentesco entre as aves e os dinossauros. Huxley era amigo de Charles Darwin. Na exposição, o Archaeopteryx encontra-se exposto em uma placa.

No próximo feriado, dia 15 de novembro, sexta-feira, Cabeça Dinossauro estará aberta ao público de São Carlos e região das 9h às 17h30. Lembrando que o horário de funcionamento da exposição é de terça a sexta-feira, das 9h às 17h30, sendo que as quartas-feiras permanece aberta até as 22 horas e, aos sábados, funciona das 9h às 12h.

Exposição Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro
Onde: Hall da biblioteca Prof. Achille Bassi, no ICMC (Av. Trabalhador São Carlense, 400)
Quando: de 10/09 a 30/11
Horário: terça a sexta-feira, das 9h às 17h30; quartas até as 22 horas e sábados até as 12h.
Site: www.dino.icmc.usp.br
Mais informações: (16) 3373-9146 / apoioacad@icmc.usp.br


Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Parceria entre ICMC e Embrapa cria tecnologias com mineração de textos

Conhecimento gerado poderá ser aplicado a projetos relacionados a zoneamento agrícola, auxílio ao gerenciamento de recursos naturais e organização da informação, entre outros


Pesquisas desenvolvidas em parceria entre o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP São Carlos e a Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas, estão empregando técnicas de mineração de textos (text mining) com o objetivo de organizar e analisar a informação técnico-científica disponível para apoio à gestão do conhecimento e da inovação. Os resultados obtidos por meio dessas pesquisas poderão ser aplicados a vários projetos relacionados a zoneamento agrícola, auxílio ao gerenciamento de recursos naturais e organização da informação, entre outros.

As técnicas de mineração de textos visam auxiliar especialistas na organização, análise e descoberta de conhecimento em grandes coleções de documentos, segundo a professora do ICMC Solange Rezende. “A pesquisa em mineração de textos contribui para o avanço de todas as áreas do conhecimento, pois torna possível o acesso rápido à informação mais relevante de acordo com as necessidades dos usuários, e o acesso ao conhecimento, em geral, escondido nesses dados”, afirmou Rezende.

Segundo Rezende, pesquisa em mineração de texto contribui
para avanços em todas as áreas do conhecimento
“Com os resultados da aplicação das técnicas de mineração de textos, os especialistas serão capazes de encontrar documentos relevantes para uma determinada região e/ou temática, obtendo uma visão geral do conhecimento produzido até o momento sobre aquele assunto, o que facilita a seleção de informações específicas e relevantes, como dados socioeconômicos ou o impacto ambiental das culturas relacionadas àquela região e/ou temática”, explicou Rezende.

De acordo com a pesquisadora Maria Fernanda Moura, da Embrapa Informática Agropecuária – que fez doutorado no ICMC –, a equipe vem trabalhando com ferramentas capazes de identificar e classificar, de forma automática, tópicos textuais, cobertura geográfica dos textos e tópicos, além da cobertura temporal. As tecnologias envolvem métodos e ferramentas de análise de dados, como classificadores e técnicas de extração de informações e de desambiguação de termos e a produção de softwares adaptados para a língua portuguesa.

A desambiguação textual permite que um sistema computacional reconheça, de forma automática, palavras extraídas de uma publicação em seu contexto de abrangência. Um exemplo é a identificação correta de determinada cidade ainda que existam outras com o mesmo nome. Com o método criado pelos pesquisadores, o sistema consegue reconhecer as localidades mais próximas e indicar aquela que está sendo referida em um texto.

Um exemplo da aplicação dessas técnicas de mineração de textos é o projeto Tecnologias Inovadoras em mineração de textos para apoio à Espacialização de Notícias Agrícolas - piloto cana-de-açúcar (Tiena). Para validar as tecnologias em desenvolvimento, foi construído um protótipo de software que permitiu consultar uma base de dados de notícias agrícolas e observá-las de acordo com a região de abrangência, com classificação hierárquica dos temas abordados.

“Os resultados obtidos até agora foram muito bons, com um grau de precisão bastante elevado se compararmos com outros métodos existentes”, disse Moura. As informações extraídas são inseridas em uma base de dados para consulta. A ideia é usar esse conhecimento para aprimorar a metodologia usada e aplicar em publicações científicas. “Se tivermos bases históricas, podemos construir cenários que servirão para orientar a criação de políticas públicas, por exemplo”, complementou.

Outro exemplo é o projeto Compilação e Recuperação de Informações Técnico-científicas e Indução ao Conhecimento de Forma Ágil na Rede AgroHidro (Critic@). Resultado de uma parceria entre o ICMC, a Embrapa Informática Agropecuária, a Embrapa Monitoramento por Satélite (Campinas) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (Portugal), o projeto visa analisar a produção científica de uma rede de pesquisa para identificar temas e tendências tecnológicas.

A equipe que atua no Critic@ pretende aprofundar as pesquisas com a aplicação de classificadores, ou seja, recursos computacionais que vão permitir classificar os textos em tópicos, de forma hierárquica, conforme a sua relevância no contexto estudado. “São estratégias de business intelligence”, contou Moura. “De posse dessas informações, é possível definir cenários e inclusive estabelecer parcerias mais focadas”, finalizou.


Texto e foto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC
Com informações da Assessoria de Comunicação da Embrapa (http://www.embrapa.br/embrapa/imprensa/noticias/2013/agosto/2a-semana/pesquisadores-criam-tecnologias-com-mineracao-de-textos#)