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terça-feira, 19 de junho de 2018

Aparelho portátil visa acelerar atendimento a gestantes em risco

Protótipo integra medidores de febre, pressão e batimentos cardíacos em um único dispositivo e poderá sugerir procedimentos às enfermeiras nos hospitais

Grupo de cinco estudantes da USP foi o vencedor da 1ª SancaThon

Uma solução para agilizar o atendimento a gestantes em situações de risco atendidas em hospitais. Essa é a ideia vencedora da SancaThon, a 1ª maratona de programação da USP em São Carlos, realizada entre os dias 8 e 10 de junho, e que desafiou os participantes a criarem alternativas para problemas da cidade em 31 horas. Para ajudar a combater a mortalidade de grávidas no município, cinco estudantes da Universidade criaram um sistema portátil capaz de unir medidores de febre, pressão e batimentos cardíacos em um único dispositivo.

Com base em um diagnóstico prévio a partir dessas medições, o sistema conseguiria sugerir a profissionais de enfermagem as melhores condutas para se tomar com relação às pacientes em risco. Com isso, o equipamento poderia propor, por exemplo, a verificação de possíveis infecções, hemorragias ou, dependendo do caso, o encaminhamento imediato da gestante ao médico que, por sua vez, seria alertado sobre a gravidade da situação.

Todos os dados coletados seriam disponibilizados automaticamente na nuvem de uma rede de hospitais, dispensando o preenchimento manual de formulários e, caso a paciente precisasse ser transferida para outro local, seria feita a comunicação de informações do prontuário entre os órgãos de saúde. O design do sistema ainda será elaborado e a expectativa é de que até o final do ano o produto esteja disponível no mercado.

“O maior diferencial do aparelho é justamente integrar todas essas funções, pois facilitará muito a vida do profissional, dando a ele orientações de forma inteligente. Em complicações na gravidez, a cada hora que passa, as chances de a gestante sobreviver podem diminuir bastante”, explica Vinicius Garcia, um dos integrantes do grupo vencedor e aluno do curso de Engenharia de Computação da USP, oferecido em conjunto pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC).

Protótipo passará por testes na Santa Casa de São Carlos

Nomeado de Our life, o equipamento, que deve custar em torno de R$ 2.000,00, será composto tanto por um software quanto por um hardware e, segundo Vinicius, não será preciso treinar os profissionais que irão utilizá-lo, pois a forma de medição atual não será alterada. Ele também conta que as ponteiras dos instrumentos hospitalares frequentemente quebram e, como o protótipo desenvolvido terá os principais medidores integrados, o risco de danos será menor, gerando economia aos hospitais. Também compuseram o grupo vencedor os alunos Gabriel Cerqueira, Alexandre Bellas, Laise Cardoso e Silva e o mestrando Leonardo Moraes.

Além do título da 1ª SancaThon, o trabalho também foi reconhecido pela Santa Casa de São Carlos: “Esse projeto é de grande impacto na saúde pública e, além de evitar mortes, poderá ajudar quem está no processo de assistência no pronto-socorro a acertar mais. Nas próximas semanas pretendemos iniciar alguns testes com a equipe de ensino e pesquisa do hospital”, afirma Daniel Bonini, superintendente da Santa Casa.

Programando na USP – A 1ª SancaThon contou com 39 integrantes, divididos em 9 equipes formadas por participantes de diversas universidades e instituições, que foram desafiados a desenvolver tecnologias. “Grande parte de nossos problemas é técnico, por isso, é preciso integrar o município com os cientistas das universidades. A partir dessa união, conseguiremos avançar a outros patamares”, conta José Galiza Tundisi, secretário de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos.

Jovens tiveram 31 horas para desenvolver soluções a problemas de São Carlos

Ele afirmou, ainda, que os melhores projetos da SancaThon poderão ser financiados, tanto pela Prefeitura, caso aprovados, quanto pelos Governos Estadual e Federal. “Tenho certeza de que São Carlos terá cada vez mais um sistema avançado de desenvolvimento científico e tecnológico e será exemplo no Brasil”, conclui.

Segundo Daniel Magalhães, professor da EESC e um dos organizadores do evento, a SancaThon superou as expectativas: “A participação dos grupos foi muito efetiva e a vivacidade com que os participantes trabalharam mostra que esse tipo de evento tem público e apelo. Já recebemos, inclusive, sugestões de temas para próximas edições de hackathons na USP”, conta o docente. Segundo ele, a Prefeitura de São Carlos se mostrou bastante empolgada com os projetos e demonstrou interesse em trabalhar para implantá-los na cidade.

Mas quem pensa que a SancaThon é importante apenas ao público que irá usufruir dos projetos desenvolvidos está engando. Isso porque os participantes da Maratona têm a oportunidade de desenvolver outras habilidades ao longo de uma iniciativa como essa: “A veia empreendedora é incentivada nos jovens estudantes que, com certeza, serão os responsáveis por transformar a sociedade. A experiência durante o evento é muito rica, eles ganham autoconfiança e ainda geram benefícios ao país”, diz o chefe-geral da Embrapa Instrumentação de São Carlos, João Naime.

Outros trabalhos também foram destaque na competição da USP. Em segundo lugar, ficou o projeto “μCare”, que trouxe a proposta de utilizar um sistema capaz de localizar, em tempo real, determinados equipamentos médicos dentro dos hospitais. A equipe idealizadora do trabalho foi composta por Pedro Jeronymo, Patrick Feitosa, Guilherme Momesso, Guilherme Prearo e Bruno Stefano, todos alunos do curso de Engenharia de Computação da USP em São Carlos.

Nove equipes participaram da maratona de programação da USP

Na terceira colocação ficou o projeto Calisto, no qual os integrantes da equipe propuseram uma solução para reduzir o tempo que os pacientes passam dentro de um ambulatório ou pronto-socorro. Para isso, os participantes criaram uma espécie de totem capaz de adiantar o processo de triagem. O equipamento também atuaria para ajudar aqueles que ainda não estão no hospital, marcando consultas, solicitando ambulâncias e indicando a farmácia mais próxima ao ser consultado sobre a disponibilidade de um remédio. A equipe é composta pelo autônomo Ricardo Ferreira e pelos alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Carlos Cunha, Iago Barbosa, Matheus Lima e Fernando Guisso.

Todos os grupos tiveram três minutos para apresentar seus trabalhos, dois minutos para demonstrações e outros dois para responder perguntas dos jurados. Confira todos os projetos apresentados neste link. As três primeiras equipes ganharam kits DragonBoard 410c e Linkspirte e poderão participar da FutureCom 2018. Para dar continuidade aos projetos, as equipes terão direito a pré-acelerar seus empreendimentos na Baita Aceleradora e também a 8 horas de trabalho e orientação no Wikilab.

Além de Tundisi, João Naime e Daniel Bonini, a comissão avaliadora da SancaThon foi composta por: Paulo César Giglio, CEO da Incon Eletrônica e vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) em São Carlos; Alexandre Wellington de Souza, tenente-coronel do Comando Geral do 38º Batalhão da Polícia Militar; Mario Casale Neto, diretor de operações na Casale Equipamentos; Erwin Franieck, diretor de desenvolvimento da Bosch; Natanael Alves da Silva, coordenador do Centro de Ciência, Inovação e Tecnologia em Saúde de São Carlos e ex-presidente da Comissão Municipal de Saúde; Bruno Evangelista, diretor de desenvolvimento de negócios IOT da Qualcomm; Rodrigo Pereira do Portal Embarcados e Mirjan Schiel, representante da comunidade.

Concentração, criatividade e dedicação foram fundamentais durante a competição

A SancaThon é realizada em conjunto pela EESC, ICMC e pela Semana da Integração da Engenharia Elétrica (SIEEL). A iniciativa conta com o apoio da Agência USP de Inovação, da Agência de Inovação da UFSCar, do Portal Embarcados, da Sintesoft, da Faculdade de Tecnologia (FATEC) de São Carlos, da Semana da Engenharia de Computação da USP, do Portal Industrial, do Wikilab, do CIESP São Carlos, do Senai São Carlos, da Baita Aceleradora e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos.

 Texto e fotos: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do SEL
Mais Informações
Assessoria de Comunicação do SEL
Telefone: (16) 3373-8740
E-mail: comunica.sel@usp.br

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Inscrições abertas para curso gratuito de desenvolvimento de jogos na USP em São Carlos

Ferramenta utilizada será o GameMaker Studio 2

Curso acontece na próxima quarta-feira, das 14 às 18 horas, no ICMC


O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está com inscrições abertas para um curso de desenvolvimento de jogos utilizando a ferramenta GameMaker Studio 2. A iniciativa é gratuita e acontecerá na próxima quarta-feira, 9 de maio, das 14 às 18 horas. 

Há 50 vagas disponíveis e as inscrições podem ser realizadas até segunda-feira, 7 de maio, ou enquanto houver vagas. Para participar, é preciso acessar o Sistema Apolo da USP neste link: icmc.usp.br/e/69061.

O curso será focado no GameMaker Studio 2, uma das ferramentas mais conhecidas de desenvolvimento de jogos eletrônicos e de fácil aprendizado. Por isso, é necessário que os participantes levem seus notebooks com o software instalado (a versão gratuita pode ser obtida clicando aqui). É desejável que os participantes tenham conhecimento de lógica de programação.

Durante o curso, os participantes vão aprender sobre os componentes de um jogo e a programação de games, podendo aplicar de forma prática os conhecimentos adquiridos. Com o GameMaker, é possível organizar todos os recursos dos games em pastas dentro da ferramenta, incluindo editores de imagens, sons, scripts e fases. O GameMaker permite, ainda, salvar os recursos criados para que possam ser empregados em outros jogos ou fora do programa.

Sob coordenação do professor Fernando Osório, a atividade é uma iniciativa do grupo de extensão Fellowship of the Game (FoG), que é voltado ao estudo e desenvolvimento de jogos digitais. Quem vai ministrar o curso é o estudante William Ferreira, que cursa ciências de computação no ICMC e atua desde 2016 junto ao FoG. Ele possui experiência teórico-prática no desenvolvimento de jogos, participou de competições sobre o tema (Game Jams) e já ministrou o curso em outra oportunidade.

Texto: Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Desenvolvimento de jogos com GameMaker Studio 2
Inscrições: até 7 de maio ou enquanto houver vagas, por meio do link: icmc.usp.br/e/69061.
Quando: quarta-feira, 9 de novembro, das 14 às 18 horas.
Local: sala 5-003, no bloco 5 do ICMC.
Endereço: avenida Trabalhador são-carlense, 400, na área I do campus da USP em São Carlos.
Mais informações: (16) 3373.9146 ou ccex@icmc.usp.br

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Maratona de desenvolvimento de jogos acontece em quatro cidades brasileiras

Jovens de São Carlos, Bauru, Ourinhos e Curitiba serão desafiados a criar um jogo em apenas 48 horas
Iniciativa é do grupo Fellowship of the Game, que é ligado ao ICMC, unidade da USP em São Carlos

Quer colocar a sua criatividade à prova e descobrir como é feito um jogo? Que tal conhecer outros programadores, designers, artistas, sonoplastas, músicos e entusiastas da área em 48 horas de desenvolvimento? Então, não perca a primeira edição da Café Game Jam, uma maratona de desenvolvimento de jogos que acontecerá, entre os dias 4 e 6 de maio, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e em mais três cidades brasileiras: Bauru, Ourinhos e Curitiba.

O evento é voltado tanto para profissionais e entusiastas que já atuam na área, quanto para quem nunca desenvolveu um jogo antes. O objetivo é disseminar a criação de jogos no país e incentivar o crescimento e fortalecimento da comunidade nacional de desenvolvedores. 

Iniciativa do grupo de extensão Fellowship of the Game (FoG), sediado no ICMC, a Café Game Jam tem algumas premissas comuns para todas as cidades que realizarão a iniciativa: os participantes devem seguir o tema apresentado na abertura do evento; é preciso produzir um jogo sozinho ou em grupo, que pode ser eletrônico ou analógico (como jogos de tabuleiro ou cartas) até o fim das 48 horas de maratona, no fim da tarde do dia 6 de maio (domingo). Recomenda-se que os participantes levem seus próprios equipamentos para participarem da iniciativa, como notebooks ou mesas digitalizadoras. Para participar, basta fazer a inscrição prévia gratuita por meio deste link: icmc.usp.br/e/159b9.

Em São Carlos, os trabalhos do evento começarão às 18 horas de sexta-feira, 4 de maio, no auditório professor Fernão Stella de Rodrigues Germano (bloco 6 do ICMC). No ICMC, o evento será realizado pelo FoG em parceria com o Laboratório de Objetos de Aprendizagem (LOA) e o ONOVOLAB. O grupo LTIA, da UNESP Bauru, o Centro Acadêmico de Jogos e Entretenimento Digital (CAJEDI), da PUC Curitiba, e a Fatec de Ourinhos são os responsáveis pela realização do evento nas demais sedes.

“Participar de uma Game Jam é uma experiência quase obrigatória para todos que desejam desenvolver jogos”, conta Leonardo Pereira, membro do FoG, organizador geral do evento e pós-graduando no ICMC. “Você trabalha com pessoas de diferentes áreas para criar, em tão pouco tempo, algo especial. É um fim de semana cansativo, regado a café, mas recompensador e enriquecedor”, finaliza. 

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC
Com a contribuição de Gabriel Toschi, membro de Relações Públicas do FoG

Mais informações
Página do evento no Facebook: www.facebook.com/events/567153167003359/
Formulário de inscrições: icmc.usp.br/e/159b9
E-mail: fog@icmc.usp.br

Contato para esta pauta
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Meninas na computação: evento na USP vai estimular garotas a desenvolverem aplicativos

Uma iniciativa gratuita, que acontece dia 24 de fevereiro na USP, em São Carlos, vai mostrar que a computação não é nenhum bicho de sete cabeças e que as meninas são muito bem-vindas ao mundo da tecnologia

As participantes do evento vão desenvolver o aplicativo em equipes e poderão inscrever seus projetos
em uma competição internacional chamada Technovation Challenge

Se você é uma garota, tem de 10 a 18 anos, e está curiosa para descobrir como os aplicativos são desenvolvidos, não pode perder esta oportunidade: o Technovation HackDay, uma iniciativa gratuita que acontecerá na USP, em São Carlos, no dia 24 de fevereiro, sábado, das 9 às 18 horas. 

Para participar, basta preencher o formulário online disponível neste link icmc.usp.br/e/c6b23 até 16 de fevereiro. Não é preciso ter nenhum conhecimento prévio de computação, apenas motivação e acreditar em seu potencial criativo. “No HackDay, nós vamos ensinar às meninas técnicas para desenvolver um aplicativo, além de estimular que elas apresentem suas ideias e sejam criativas”, explica a professora Kalinka Castelo Branco, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. A professora coordena a iniciativa em conjunto com diversas alunas da área de computação.

“A ideia de eventos como desse é mostrar para as adolescentes e jovens que elas têm tanta capacidade quanto os meninos de atuarem na área de ciências exatas, ressaltando que a computação não é algo restrito ao mundo masculino”, completa a professora. Segundo ela, atividades como essa também mostram aos pais que as filhas têm condições de participarem do mundo das ciências de computação e que existem várias mulheres nessa área que podem, inclusive, ajudar as meninas a ingressarem no universo da tecnologia.

Outro objetivo do evento é auxiliar as participantes a aprimorarem suas ideias e estimular que se inscrevam em um desafio internacional, o Technovation Challenge. Trata-se de uma competição global, voltada a estudantes do ensino fundamental e médio, em que as equipes participantes devem desenvolver um aplicativo de celular que solucione um problema social. Por isso, no evento do dia 24 de fevereiro no ICMC, as meninas formarão grupos e receberão orientações para participar desse desafio. 

Quem decidir ingressar na competição trabalhará na programação e desenvolvimento de uma estratégia de negócios para seus aplicativos durante 12 semanas. Nesse período, elas contarão com a ajuda de uma mentora, uma profissional da área de tecnologia, engenharia ou negócios que orientará o grupo. As equipes finalistas viajarão para os Estados Unidos e poderão apresentar seus aplicativos e planos de negócios no Vale do Silício para investidores. Elas concorrerão a um prêmio de 10 mil dólares e suporte para finalizar e lançar o aplicativo no mercado. Além disso, passarão a contar com uma rede de contatos e recursos para ajudá-las a prosseguir na trajetória empreendedora.



Texto: Alexandre Wolf e Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC
Imagens: Technovation Challenge

Technovation HackDay
Quando: 24 de fevereiro, das 9 às 18 horas.
Onde: auditório Luiz Antonio Favaro, no bloco 4 do ICMC, na área I do campus da USP. Endereço: avenida Trabalhador São-carlense, 400. Centro.
Quem pode participar: meninas do ensino fundamental e médio (10 a 18 anos)
Formulário para inscrições: icmc.usp.br/e/c6b23
Evento no Facebook: www.facebook.com/events/1368032576634360/
Assista ao vídeo do Technovation Challenge: https://youtu.be/95MiiQ7kTuc
Site: www.technovationbrasil.org

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373. 9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Como a diplomacia da ciência pode contribuir para transformar nosso mundo

Pesquisador da USP é o único brasileiro a fazer parte de um comitê recém-criado com o objetivo de aproximar cientistas e gestores públicos na busca por solucionar problemas que afligem a América Latina e o Caribe.

Workshop sobre assessoramento científico governamental na Argentina debateu os desafios da diplomacia da ciência

Construir redes para conectar cientistas e tomadores de decisão não é tarefa simples nem para os mais experimentes cientistas da computação. Porém, esse é um dos desafios que o professor André de Carvalho decidiu enfrentar. Pesquisador do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, André foi selecionado para uma vaga no comitê criado pela Rede Internacional para Assessoramento Científico Governamental (INGSA, na sigla em inglês) especialmente para debater os desafios da diplomacia da ciência na América Latina e no Caribe.

Ele e mais cerca de 60 pesquisadores e gestores públicos se reuniram em Buenos Aires, na Argentina, de 28 a 30 de junho, para participar do Wokshop da América do Sul para Assessoramento Científico Governamental, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina em conjunto com a INGSA e a Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAI). Financiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pelo Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento, o evento analisou as contribuições que a ciência pode prover para o aprimoramento de políticas públicas em diferentes áreas, além de promover uma troca de experiências entre os participantes e discutir os desafios que devem ser enfrentados. 

Segundo o professor André, as atividades do centro estão muito ligadas a uma área conhecida por diplomacia da ciência, que tem crescido em importância nos países desenvolvido nos últimos anos: “A UNESCO possui várias iniciativas para fortalecer a diplomacia da ciência e a AAAI possui um centro dedicado ao tema. A diplomacia da ciência estimula a colaboração científica entre países, por considerá-la parte essencial da política externa na era do conhecimento”. O professor conta que, na época da Guerra Fria, era comum existirem militares como membros de embaixadas e consulados. Atualmente, em vários países, eles vêm sendo substituídos pela crescente presença de diplomatas cientistas.

No início de agosto, André recebeu a notícia de que havia sido selecionado para fazer parte do seleto comitê, que conta apenas com oito membros. Ele é o único brasileiro a fazer parte do time, do qual participam dois cientistas argentinos, dois chilenos, uma colombiana, uma peruana e uma venezuelana. Diretor do Centro de Aprendizado de Máquina em Análise de Dados (NAP-AMDA), André também é vice-diretor do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas a Indústria (CeMEAI) e faz parte da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE).

Nesta entrevista, o professor fala sobre a relevância de participar desse comitê recém-criado pela INGSA, dá exemplos de como a análise de dados pode ser relevante para a construção de políticas públicas mais bem-sucedidas e explica como pretende promover a diplomacia científica no Brasil. 

Professor André é o único brasileiro que fará parte
do comitê recém-criado pela INGSA

Qual a relevância de se tornar membro do comitê criado pela INGSA especialmente para a América Latina e para o Caribe?
A INGSA é uma instituição internacional que procura fortalecer os laços entre academia e estado. Isso é muito forte no Reino Unido, lá todo primeiro ministro tem um cientista chefe que faz essa interlocução. Ele não vai responder todas as dúvidas do primeiro ministro e aconselhá-lo sozinho. Sua função é saber quem, na comunidade científica, pode ajudar o governo a resolver certos desafios. A ideia é dar soluções científicas, baseadas em evidências, para a solução dos problemas enfrentados por um país. A INGSA também possui importantes contribuições na diplomacia da ciência. Esse tipo de diplomacia já é realizado de forma efetiva no Reino Unido, na Nova Zelândia, no Japão e no Canadá. Algumas embaixadas, pelo menos dos países mais desenvolvidos, contam com um cientista. Porque muitas discussões que ocorrem entre os países estão relacionadas a descobertas cientificas, colaborações, patentes e propriedade intelectual. 


No Workshop de que você participou na Argentina houve exemplos de como a diplomacia da ciência pode contribuir com o desenvolvimento dos países?
No Workshop, houve várias atividades práticas. Por exemplo: imagine que está acontecendo uma catástrofe em um país, como a epidemia do zika vírus. Como o cientista pode sugerir ao governo políticas para lidar com esse problema? É claro que os gestores públicos não vão, necessariamente, seguir os conselhos dos cientistas, mas pelo menos precisam saber que os cientistas podem ajudar a resolver esses problemas, com base científica. É necessário reconhecer que os governos podem tomar decisões baseadas em evidências. 

Quais são os principais desafios no começo dessa sua nova jornada?
A primeira questão é sensibilizar o governo para a importância de ouvir os cientistas e sensibilizar os cientistas para que contribuam mais com o governo na solução dos problemas que afetam a população. Não adianta convencer só uma dessas partes. Em vez de ficarem discutindo entre elas, precisam entender que uma parte precisa da outra e que, no final, é o país que se beneficia dessa relação. Então, talvez esse esforço já possa criar uma consciência maior no país da importância dessa interlocução. Nesses países onde a diplomacia da ciência é bem estabelecida, há uma forte comunicação do governo com a academia de ciências dos países. Nós temos uma academia de ciências aqui no Brasil, a Academia Brasileira de Ciências (ABC), que pode ser um importante interlocutor do estado.


Existem algumas ações que você pretende desenvolver aqui no Brasil para promover essa aproximação entre cientistas e gestores públicos?
Primeiro, minha intenção é discutir com a ABC essa iniciativa da criação do comitê da INGSA. Depois, vou procurar interlocutores no governo, não só no âmbito executivo, mas também no legislativo, para mostrar que existe essa necessidade de conectarmos academia e estado. Porque isso acaba beneficiando a população inteira, com melhores políticas públicas para a saúde, para lidar com catástrofes que possam ocorrer e para planejar o futuro também. Quer dizer, não sou eu que vou tomar decisão nenhuma, eu só quero ajudar a conectar essas duas pontas. 


Você poderia dar alguns exemplos sobre como a área científica em que você atua, o campo da ciência de dados, pode contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas mais bem-sucedidas? 
Os cientistas de dados podem, por exemplo, avaliar dados para fazer predições de catástrofes ou de epidemias. Outra possibilidade é a análise de dados educacionais, que nos permitem avaliar as ações que estão trazendo bons resultados e as que precisam ser realizadas de outra forma. É assim que podemos chegar a conclusões do tipo: “a gente está indo mal porque estamos fazendo assim e outro país está indo muito bem porque está fazendo de outro jeito”.

A análise de dados também é fundamental para planejarmos o futuro e melhorar alguma política pública que não está dando certo. Por exemplo: atualmente, a segurança no Rio de Janeiro é um problema muito grave. Então, podemos estudar os dados e empregar técnicas de ciência de dados para propor uma nova política pública. Existem várias pesquisas que aplicam técnicas de ciência de dados para analisar a segurança. Mas esses estudos ficam restritos à academia e não chegam ao conhecimento dos gestores públicos. Isso não tem que ser uma iniciativa de um governo, tem que uma atitude do estado, você não pode ficar à mercê do governante da vez. 


Qual a diferença entre uma política de governo e uma política de estado?
Quando você tem política de governo, você acaba tendo política de curto prazo. Por isso, é comum que, quando entra um novo governo, ele não continue o que o anterior fez. Já a política de estado independe de partido político, de viés ideológico. É aonde a gente quer chegar. Claro, cada um pode achar que um caminho é mais interessante que outro, mas tem que haver um método em comum com alguns submétodos no caminho. Cada um dá seu “tempero” quando está no governo, mas a política de estado deve ser uma só. Por exemplo, se estabelecermos que, em 20 anos, a gente tem que acabar com o analfabetismo, isso passa a ser uma meta independentemente de quem esteja no governo.


Você acredita que se houvesse uma política de estado para a ciência, não estaríamos passando pela atual crise de falta de recursos?
Eu acho. Porque o governo hoje está olhando a ciência como se fosse um luxo. Não enxerga a ciência a longo prazo. Isso também tem a ver com a forma como alguns políticos pensam o país, enxergando apenas o curto prazo, a próxima eleição. Precisamos pensar a longo prazo e levar em conta toda a população em vez dos nossos próprios interesses. Eu sempre penso que a gente tem que olhar primeiro para o mundo, depois para o país, a seguir para o Estado de São Paulo, para a universidade e, só então, para nós mesmos. No entanto, as pessoas fazem o contrário.


Na sua opinião, a falta dessa diplomacia da ciência contribuiu para chegarmos à crise de credibilidade que a área vive hoje em âmbito mundial?
Sim. Quando existe uma crise econômica por exemplo, os gestores públicos nem levam em conta chamar um cientista para ajudar a pensar na direção que se deve seguir. As decisões são baseadas no que o político pensa e não em conceitos sólidos da ciência, em evidências. A ideia é termos uma governança mais baseada em evidências do que em dogmas, é isso que alguns países desenvolvidos estão tentando fazer. E isso é olhar a longo prazo também. Não adianta gerar riqueza se você destrói o planeta, se as pessoas não têm boa qualidade de vida.


Muitos cientistas estão deixando o Brasil porque não estão enxergando uma perspectiva futura promissora no campo da ciência. Você vê de maneira otimista o futuro da ciência no nosso país?
Sim. A gente não pode largar nosso país para deixar que destruam ele. Eu não critico quem quer sair do Brasil, mas por outro lado você pode trabalhar para mudar o nosso país. Eu entendo os dois lados. No entanto, posso apontar exemplos bem-sucedidos como o da Nova Zelândia. O país está crescendo, a população tem qualidade de vida. Como eles estão conseguindo fazer isso? Estão usando a ciência. Quando surgiu um boato de que um vulcão entraria em erupção lá e haveria um grande terremoto em uma determinada cidade, a população entrou em pânico. O que o governo fez? Chamou o comitê de cientistas que o assessora para pedir sugestões. A proposta desse comitê foi enviar a equipe do governo para aquela cidade no dia previsto para a tragédia acontecer. Dessa forma, eles passaram a mensagem para a população de que confiavam nos cientistas, os quais diziam que não haveria erupção nem terremoto. Com todos os ministros na cidade, a população foi tranquilizada.


Durante a última reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, alguns cientistas lançaram a ideia de criar um partido político no Brasil em prol da defesa da ciência. Você acredita que essa é a melhor solução para a atual crise?
Eu acho que não. Porque esse partido político seria setorizado. Nesse caso, precisaríamos ter um partido para cada tema importante para a população. Na minha opinião, a preocupação com a ciência e o apoio aos cientistas precisa existir em todos os partidos. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Site da INGSA: www.ingsa.org
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Como a FAPESP ajudou São Paulo a se tornar uma referência em ciência, tecnologia e inovação

Pesquisadores da USP das áreas de matemática, estatística e computação explicam de que forma a  agência de fomento contribuiu para o desenvolvimento do Estado e mostram que ela continua sendo um agente fundamental nesse processo

A professora Maria Aparecida Ruas explica que São Carlos faz parte dos primórdios da história da FAPESP

Qual a importância da FAPESP para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação no Estado de São Paulo? Para responder à pergunta, a professora Maria Aparecida Ruas, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, recorre ao livro “Crônicas subversivas de um cientista”. Ela abre na página 148, onde sublinhou um pequeno trecho à lápis, e começa a ler: “a verdadeira revolução paulista aconteceu em 1960, com a criação da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Foi com a FAPESP que São Paulo saiu da Idade Média, que a universidade deixou de ser um clube onde se reuniam ilustres médicos, engenheiros e advogados para trocar ideias, que a indústria e a agricultura paulista encontraram apoio e base para um desenvolvimento tecnológico autossustentável, que a Economia, as Ciências Humanas e as Letras foram reconhecidas como atividades válidas e úteis, que, enfim, a pesquisa nas Ciências, nas Técnicas e nas Atividades Culturais foi reconhecida como elemento-chave para o progresso da sociedade”.

O livro é de autoria de Luiz Hildebrando, professor-emérito da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade Federal de Rondônia, que foi um dos mais respeitados especialistas em doenças tropicais do mundo. Na obra, ele relata uma curiosa história que está na gênese da FAPESP: era março de 1960 quando recebeu um telefonema de seu cunhado pedindo auxílio para o matemático italiano Jaurès Pacifico Cecconi. Convidado a vir ao Brasil pelo também matemático italiano Achille Bassi, Cecconi foi um dos pioneiros do Departamento de Matemática da Escola de Engenharia de São Carlos, que iniciou suas atividades em 1953 e, anos depois, deu origem ao ICMC. A vinda de Cecconi ao país foi custeada pela USP e, ao conquistar uma vaga no Istituto Matematico Universitá di Genova em 1960, ele decidiu pedir que a Universidade arcasse com os custos de transporte para que pudesse retornar à terra natal. No entanto, o Conselho Universitário da USP não aprovou a liberação dos recursos. Por isso, Luiz Hildebrando foi acionado, na esperança de que conseguisse uma solução. O fato é que, depois de algumas conversas, a situação chegou ao conhecimento do Governador do Estado, Carvalho Pinto. Ele forneceu os recursos para Cecconi, pediu desculpas pelo ocorrido e agradeceu pelos serviços prestados ao Brasil. 

“Na verdade, em certo sentido, esse problema do professor Cecconi acirrou as discussões sobre a necessidade de se criar uma fundação para o fomento à pesquisa e contribuiu para o surgimento da FAPESP. Tudo ocorreu em uma época em que estava sendo debatida a eleição para o novo reitor da USP. O grupo de Luiz Hildebrando conseguiu articular a indicação de um reitor que apoiava a criação da Fundação”, explica a professora Maria Aparecida. “É claro que a FAPESP não foi projeto de uma única pessoa, porque ninguém faz um grande projeto sozinho. Em geral, isso costuma ser o resultado do trabalho de muita gente, mas São Carlos faz parte dessa história”, completa.

Na verdade, muitos especialistas ressaltam que o embrião da FAPESP já estava se formando desde a Constituição Estadual de 1947, quando foi incluído um artigo atribuindo 0,5% da receita do Estado de São Paulo à pesquisa científica. Mas a lei que criou a FAPESP só foi promulgada em 18 de outubro de 1960 por Carvalho Pinto. Quase 30 anos depois, em 1989, o artigo da Constituição foi alterado e atribuiu-se o mínimo de 1% da receita tributária do Estado para aplicação em desenvolvimento científico e tecnológico.

“O fato de ter recursos assegurados é o que faz a diferença em São Paulo, porque você tem continuidade e pode planejar. Como construir um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), que necessita de investimentos de longo prazo, se você não sabe se terá esses recursos à disposição?”, diz o professor José Alberto Cuminato, do ICMC, que coordena o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos 17 CEPIDs apoiados atualmente pela FAPESP. 

Os CEPIDs são uma iniciativa que a agência de fomento lançou em 2000, com a missão de realizar pesquisa fundamental ou aplicada, com impacto comercial e social relevante, contribuindo para a inovação. Cada Centro pode ser apoiado por um período de até 11 anos. Aprovado em 2011 pela FAPESP, o CeMEAI começou suas atividades em junho de 2013 e o valor concedido para o Centro em seus primeiros cinco anos chegará a R$ 13 milhões. 

Criando redes de colaboração – Dos 17 CEPIDs financiados pela FAPESP, nove deles estão localizados no interior. Apenas na cidade de São Carlos existem quatro Centros: além do CeMEAI, há o Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; e o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos. Segundo o professor José Carlos Maldonado, do ICMC, esse é um dos diferenciais de São Paulo: os investimentos em ciência, tecnologia e inovação não estão concentrados apenas na capital do Estado. 

Em São Carlos, quando são comparados os recursos repassados pela USP ao ICMC com os auxílios fornecidos pela FAPESP, o impacto da agência de fomento fica ainda mais evidente. No período de 2013 a 2016, o ICMC recebeu R$ 21,3 milhões da FAPESP, sem contabilizar as 375 bolsas concedidas nesses quatro anos pela agência. Isso representa mais que o dobro do valor repassado pela USP para custeio das atividades do Instituto, que totalizou, aproximadamente, R$ 9,5 milhões no período (veja gráfico e tabela). 

Observações: No orçamento repassado pela USP ao ICMC, não estão contabilizados os valores dos 
contratos terceirizados de limpeza e vigilância. Para os valores recebidos da FAPESP em dólares, 
foi utilizada a cotação de 8/2/2017. Fonte: Área Financeira do ICMC. 


Fonte: Serviço de Bolsas, Convênios e Auxílios do ICMC

Maldonado destaca que a distribuição de competências, habilidades e investimentos em todas as regiões do Estado também é observada no caso dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCTs). O programa foi criado com o intuito de articular grupos em campos na fronteira do conhecimento e em áreas estratégicas para o país, sendo coordenado pelo CNPq em cooperação com entidades que aportam recursos financeiros ao programa, tal como a FAPESP. De acordo com Maldonado, em função dos recursos fornecidos pela fundação, São Paulo é o Estado que sedia o maior número de INCTs, cerca de 30% do total, abarcando as sete áreas do conhecimento propostas pelo programa: “É interessante observar que mais de 50% desses INCTs estão localizados no interior”.

O professor coordenou, de 2008 a 2014, o INCT-Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), que deu origem a uma rede de pesquisa na área, composta por 347 integrantes e por 30 laboratórios, além de contar com a participação de diversos parceiros empresariais. Ao unir academia e indústria, essa rede apoiou o desenvolvimento de diversas soluções e aplicações para áreas estratégicas como meio ambiente, segurança, defesa nacional e agricultura. Um exemplo dos resultados obtidos foi o desenvolvimento do primeiro carro autônomo que circulou pelas ruas de uma cidade da América Latina, o Carina II.

O professor revela que, em função da atuação da FAPESP, São Paulo é o único estado brasileiro em que os investimentos estaduais em ciência, tecnologia e inovação são comparáveis aos investimentos federais. “Todas as áreas de pesquisa, inclusive a de computação, na qual atuo, não estariam no estágio de desenvolvimento e maturidade que estão se não fossem os investimentos contínuos e de qualidade da FAPESP, em consonância com investimentos de outras agências de fomento do Brasil e do exterior”, afirma Maldonado, que redigiu um artigo sobre o assunto.

O professor ressalta que a continuidade dos investimentos foi essencial para a consolidação de interações entre os pesquisadores: “Em ciência, sem redes de colaboração você não consegue solucionar problemas complexos e multidisciplinares”. Maldonado salienta, ainda, que a FAPESP tem uma infraestrutura de avaliação muito eficiente, comparável às melhores agências de fomento internacionais. “O tempo de análise de mérito pelos pares encontra-se entre os melhores do mundo, com retorno em prazos muito razoáveis. Esse aspecto é indispensável para a aplicação de recursos de forma efetiva e com resultados de excelência”, explica.

Os projetos na área de ciência e engenharia da computação receberam  R$ 26 milhões em 2015,
o que correspondeu a 2,2% do desembolso total da agência. Fonte: Relatório de Atividades 2015

A riqueza que vem da matemática – No simpósio Desafios para a Ciência e Tecnologia no Brasil, realizado no ano passado, Cuminato foi convidado para falar sobre o estado da arte e as perspectivas para a área de ciências matemáticas no país. “Talvez muitos de vocês não acreditem que a matemática pode ser útil como geradora de riquezas”, declarou o professor no evento. Logo depois, apresentou os resultados de um estudo realizado na Inglaterra mostrando que as ciências matemáticas são responsáveis por gerar 16% do Produto Interno Bruto (PIB) inglês. Uma pesquisa similar conduzida na Holanda mostrou que 9,5% do PIB holandês corresponde à riqueza produzida pela área. “A matemática pode ser e é um gerador de riqueza nos países desenvolvidos. Infelizmente, o Brasil ainda não se deu conta disso”, ressaltou o professor na ocasião (assista ao vídeo).

Para Cuminato, é preciso continuar investindo na matemática pura, mas também é necessário valorizar a matemática que se dedica a solucionar problemas práticos: “Por meio do CeMEAI, temos a oportunidade de promover a matemática industrial no país. Mas ainda é uma gota no oceano. Não basta ter um CEPID, precisamos mudar o academicismo de nossas pós-graduações. Nossos alunos não podem ser formados apenas para se tornarem professores em universidades, eles devem ter contato com os problemas da indústria. É necessário promover uma mudança na nossa cultura.”

Além de propiciar a criação de um mestrado profissional em matemática, estatística e computação aplicadas à indústria (MECAI), o CeMEAI também propôs a realização de um workshop dentro do Programa de Pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional do ICMC com o intuito de aproximar o universo da academia e o mundo das empresas. O professor conta que a ideia do workshop é trazer empresas para apresentarem alguns problemas complexos que enfrentam a fim de promover o surgimento de projetos de mestrado e doutorado voltados a superar esses desafios. “Já fazemos workshops desse tipo no CeMEAI para resolver questões mais pontuais. Nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Alemanha é muito comum esse tipo de workshop. Porém, lá, as empresas investem mais em inovação e estão dispostas a arcar com os custos desses projetos. No Brasil, ainda não temos essa cultura e, se não houver o apoio de agências de fomento, tal como a FAPESP, muito pouco poderá ser feito”.


O total de recursos destinados à área de matemática e estatística foi de 17,5 milhões,
,5% do total desembolsado pela FAPESP em 2015. Fonte: Relatório de Atividades 2015
Da universidade para a sociedade – De acordo com o professor Francisco Louzada, do ICMC, o financiamento da FAPESP possibilita acelerar o processo de transferência de uma tecnologia criada dentro da Universidade para a sociedade. “O poder público exerce um papel essencial nesse aspecto, pois dá a oportunidade para nós, pesquisadores, aprendermos a captar um problema industrial e teorizar esse problema, gerando produtos acadêmicos – como teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos, livros – e também produtos tecnológicos”, diz o professor, que é coordenador de transferência de tecnologia do CeMEAI.

Entre os exemplos de produtos tecnológicos produzidos pelo Centro ele cita softwares e estudos específicos sobre linha de produção e sobre controle de qualidade. “Isso faz a gente levar a academia para dentro das indústrias, promovendo esse processo de transferência tecnológica e inovação”, completa.

Para Louzada, é relevante levar a academia para dentro das indústrias

Na opinião de Louzada, analisando a área de estatística, sem a FAPESP não seria possível o Estado alcançar o atual patamar científico. “A estatística tem um processo de interação muito grande com disciplinas de outras áreas e, nesse contexto, precisamos criar novas metodologias para suprir as necessidades dessas áreas”, explica o professor. Assim, conforme vão surgindo novos bancos de dados, com estruturas diferenciadas e novas pesquisas nos diversos campos do conhecimento, a estatística passa por um processo adaptativo e sequencial de desenvolvimento. 

Tal como a estatística, a matemática também precisa de recursos para continuar sua trajetória. “A matemática pura promove a evolução do conhecimento que, depois, vai ser aplicado em diversas áreas. Não investir em ciência básica é dar um tiro no pé, porque ela é o alicerce do desenvolvimento”, ressalta Maria Aparecida. “A FAPESP tem a tradição de ser uma agência de fomento muito eficiente, comparável às agências de fomento de outros países. Não é possível propor a modificação de um projeto que foi realizado com tanto sucesso”, finaliza a professora.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Site da FAPESP: www.fapesp.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Confira como foi a Global Game Jam


No último final de semana, o  Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foi uma das sedes da Global Game Jam, uma maratona de desenvolvimento de jogos eletrônicos que aconteceu ao redor do mundo.

Promovido pelo Fellowship of the Game (FoG), grupo de desenvolvimento de jogos formado por alunos do Instituto, o evento começou às 17 horas do dia 20 de janeiro e se estendeu até as 18 horas do dia 22. O evento global é um projeto da International Game Developers Association e aconteceu em 600 sedes espalhadas por 93 países.

Confira o álbum de fotos no Facebook e no Flickr!

Mais informações 
Site do Global Game Jam São Carlos: http://ggj.fog.icmc.usp.br/
Site oficial do evento: http://globalgamejam.org/
Contato: fog@icmc.usp.br

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Entre a modernidade e o desenvolvimento

Quarto evento do Ciclo de Palestras Ciência e Riqueza Social com José Galizia Tundisi mostra que, embora o Brasil tenha acesso a tecnologias, ainda está longe de ser um país desenvolvido; solução, segundo ele, está na inserção de mais ciência na educação

O Brasil atualmente está em uma encruzilhada: é um país moderno, porém não é um país desenvolvido. Mas o que deve ser feito para superar isso? Essa foi a principal questão abordada no quarto evento do Ciclo de Palestras Ciência e Riqueza Social, realizado na noite de 16 de abril, quinta-feria, no Museu da Ciência Mário Tolentino. A palestra, promovida pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo São Carlos, pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSoL) e pelo Museu da Ciência Mário Tolentino, reuniu cerca de 80 pessoas.

O palestrante, o pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia (IIE) José Galizia Tundisi, exemplificou a diferença entre desenvolvimento e modernidade com um dado bem próximo do dia a dia do público. “Temos no Brasil mais pessoas com telefone celular do que com saneamento básico. Ora, o celular é uma modernidade, mas o saneamento é desenvolvimento porque tem grande importância para a vida e para a saúde das pessoas. Essa diferença entre modernidade e desenvolvimento não está clara nem mesmo para muitas de nossas autoridades”, alertou ele.

Tundisi mostrou diversos exemplos de como o mundo está se tornando complexo. “Tudo está aumentando ao longo do tempo: a população, o consumo de água, alimentos, combustíveis, a produção, o envelhecimento, a urbanização e até a disseminação de doenças. As pessoas não estão preparadas para compreender esses aumentos exponenciais e toda essa velocidade. Se alguém com gripe estiver em um avião em deslocamento, em poucas horas a doença pode se espalhar por diversos países. O mundo muda muito e esse processo está cada vez mais rápido”, explica.

O pesquisador lembrou também que a economia mundial está completamente integrada, já que um mesmo produto pode ter cada parte fabricada em diferentes países. “Hoje, um país nem sempre detém uma cadeia produtiva completa. Um avião pode ser feito no Brasil e ter uma asa fabricada na Espanha, o motor na Inglaterra. No futuro, teremos uma economia mundial profundamente interconectada, até porque há uma rede de comunicação eletrônica de alcance global. Vemos um crescimento rápido e insustentável, mas ao mesmo tempo também há o desenvolvimento de novas tecnologias biológicas, genéticas e de ciência dos materiais – e isso depende da pesquisa e do desenvolvimento científico e tecnológico”.

A importância das pesquisas científicas na vida das pessoas, segundo Tundisi, é muito maior do que se imagina. Ele conta que quando assumiu a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), há cerca de 20 anos, solicitou aos assessores um levantamento dos recursos financeiros que eram trazidos para a cidade de São Carlos pelos professores e pesquisadores. “Naquela época, eles traziam, entre projetos, pesquisas e bolsas, cerca de 20% do orçamento municipal, que era de R$ 100 milhões. Ou seja: só os pesquisadores traziam R$ 20 milhões para São Carlos. Imagine quanto não deve ser esse valor hoje”, diz.

Para vencer o atraso do País em termos de desenvolvimento e fazer com que os brasileiros participem do que chamou de “mente global”, o pesquisador reforçou a importância da educação. “É preciso aumentar a capacidade das pessoas de entender os processos complexos que ocorrem em todo o mundo. Para isso, é necessário desenvolver o lado direito do cérebro, expandir a capacidade cognitiva. É necessário ter uma educação gerenciada, um professor que consiga transmitir essa capacidade e assim preparar crianças e jovens para entender a complexidade. Uma parte do planeta não entende nada disso e apenas sobrevive. Já a outra – muito pequena – entende e pode contribuir”, afirma.

Tundisi finalizou lembrando as palavras do atual ministro da educação Renato Janine Ribeiro, que acredita na educação como libertação. “É preciso incluir mais ciência no ensino, mais novas tecnologias e educar para que os jovens entendam os sistemas complexos. Se educarmos da forma correta, vamos liberar esse cérebro para entender melhor o mundo em que vivemos e como participar dele. Desenvolvimento é progresso intelectual, avanço e cultura. Modernização é só atualização e aumenta a dependência da sociedade”, concluiu.

Sobre o ciclo de palestras - Com o objetivo de mostrar a ciência desenvolvida nas universidades e institutos de pesquisa e como isso impacta a economia e a vida dos cidadãos, o ciclo de palestras Ciência e Riqueza Social traz, a cada quinze dias, sempre às quintas-feiras, diversos professores e pesquisadores para interagir com a comunidade. O evento é promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo São Carlos da USP, pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAPSoL), com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, e pelo Museu da Ciência Mário Tolentino.

Texto: Thaís Cardoso - Assessoria de Comunicação IEA