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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Como a diplomacia da ciência pode contribuir para transformar nosso mundo

Pesquisador da USP é o único brasileiro a fazer parte de um comitê recém-criado com o objetivo de aproximar cientistas e gestores públicos na busca por solucionar problemas que afligem a América Latina e o Caribe.

Workshop sobre assessoramento científico governamental na Argentina debateu os desafios da diplomacia da ciência

Construir redes para conectar cientistas e tomadores de decisão não é tarefa simples nem para os mais experimentes cientistas da computação. Porém, esse é um dos desafios que o professor André de Carvalho decidiu enfrentar. Pesquisador do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, André foi selecionado para uma vaga no comitê criado pela Rede Internacional para Assessoramento Científico Governamental (INGSA, na sigla em inglês) especialmente para debater os desafios da diplomacia da ciência na América Latina e no Caribe.

Ele e mais cerca de 60 pesquisadores e gestores públicos se reuniram em Buenos Aires, na Argentina, de 28 a 30 de junho, para participar do Wokshop da América do Sul para Assessoramento Científico Governamental, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva da Argentina em conjunto com a INGSA e a Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAI). Financiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pelo Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento, o evento analisou as contribuições que a ciência pode prover para o aprimoramento de políticas públicas em diferentes áreas, além de promover uma troca de experiências entre os participantes e discutir os desafios que devem ser enfrentados. 

Segundo o professor André, as atividades do centro estão muito ligadas a uma área conhecida por diplomacia da ciência, que tem crescido em importância nos países desenvolvido nos últimos anos: “A UNESCO possui várias iniciativas para fortalecer a diplomacia da ciência e a AAAI possui um centro dedicado ao tema. A diplomacia da ciência estimula a colaboração científica entre países, por considerá-la parte essencial da política externa na era do conhecimento”. O professor conta que, na época da Guerra Fria, era comum existirem militares como membros de embaixadas e consulados. Atualmente, em vários países, eles vêm sendo substituídos pela crescente presença de diplomatas cientistas.

No início de agosto, André recebeu a notícia de que havia sido selecionado para fazer parte do seleto comitê, que conta apenas com oito membros. Ele é o único brasileiro a fazer parte do time, do qual participam dois cientistas argentinos, dois chilenos, uma colombiana, uma peruana e uma venezuelana. Diretor do Centro de Aprendizado de Máquina em Análise de Dados (NAP-AMDA), André também é vice-diretor do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas a Indústria (CeMEAI) e faz parte da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE).

Nesta entrevista, o professor fala sobre a relevância de participar desse comitê recém-criado pela INGSA, dá exemplos de como a análise de dados pode ser relevante para a construção de políticas públicas mais bem-sucedidas e explica como pretende promover a diplomacia científica no Brasil. 

Professor André é o único brasileiro que fará parte
do comitê recém-criado pela INGSA

Qual a relevância de se tornar membro do comitê criado pela INGSA especialmente para a América Latina e para o Caribe?
A INGSA é uma instituição internacional que procura fortalecer os laços entre academia e estado. Isso é muito forte no Reino Unido, lá todo primeiro ministro tem um cientista chefe que faz essa interlocução. Ele não vai responder todas as dúvidas do primeiro ministro e aconselhá-lo sozinho. Sua função é saber quem, na comunidade científica, pode ajudar o governo a resolver certos desafios. A ideia é dar soluções científicas, baseadas em evidências, para a solução dos problemas enfrentados por um país. A INGSA também possui importantes contribuições na diplomacia da ciência. Esse tipo de diplomacia já é realizado de forma efetiva no Reino Unido, na Nova Zelândia, no Japão e no Canadá. Algumas embaixadas, pelo menos dos países mais desenvolvidos, contam com um cientista. Porque muitas discussões que ocorrem entre os países estão relacionadas a descobertas cientificas, colaborações, patentes e propriedade intelectual. 


No Workshop de que você participou na Argentina houve exemplos de como a diplomacia da ciência pode contribuir com o desenvolvimento dos países?
No Workshop, houve várias atividades práticas. Por exemplo: imagine que está acontecendo uma catástrofe em um país, como a epidemia do zika vírus. Como o cientista pode sugerir ao governo políticas para lidar com esse problema? É claro que os gestores públicos não vão, necessariamente, seguir os conselhos dos cientistas, mas pelo menos precisam saber que os cientistas podem ajudar a resolver esses problemas, com base científica. É necessário reconhecer que os governos podem tomar decisões baseadas em evidências. 

Quais são os principais desafios no começo dessa sua nova jornada?
A primeira questão é sensibilizar o governo para a importância de ouvir os cientistas e sensibilizar os cientistas para que contribuam mais com o governo na solução dos problemas que afetam a população. Não adianta convencer só uma dessas partes. Em vez de ficarem discutindo entre elas, precisam entender que uma parte precisa da outra e que, no final, é o país que se beneficia dessa relação. Então, talvez esse esforço já possa criar uma consciência maior no país da importância dessa interlocução. Nesses países onde a diplomacia da ciência é bem estabelecida, há uma forte comunicação do governo com a academia de ciências dos países. Nós temos uma academia de ciências aqui no Brasil, a Academia Brasileira de Ciências (ABC), que pode ser um importante interlocutor do estado.


Existem algumas ações que você pretende desenvolver aqui no Brasil para promover essa aproximação entre cientistas e gestores públicos?
Primeiro, minha intenção é discutir com a ABC essa iniciativa da criação do comitê da INGSA. Depois, vou procurar interlocutores no governo, não só no âmbito executivo, mas também no legislativo, para mostrar que existe essa necessidade de conectarmos academia e estado. Porque isso acaba beneficiando a população inteira, com melhores políticas públicas para a saúde, para lidar com catástrofes que possam ocorrer e para planejar o futuro também. Quer dizer, não sou eu que vou tomar decisão nenhuma, eu só quero ajudar a conectar essas duas pontas. 


Você poderia dar alguns exemplos sobre como a área científica em que você atua, o campo da ciência de dados, pode contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas mais bem-sucedidas? 
Os cientistas de dados podem, por exemplo, avaliar dados para fazer predições de catástrofes ou de epidemias. Outra possibilidade é a análise de dados educacionais, que nos permitem avaliar as ações que estão trazendo bons resultados e as que precisam ser realizadas de outra forma. É assim que podemos chegar a conclusões do tipo: “a gente está indo mal porque estamos fazendo assim e outro país está indo muito bem porque está fazendo de outro jeito”.

A análise de dados também é fundamental para planejarmos o futuro e melhorar alguma política pública que não está dando certo. Por exemplo: atualmente, a segurança no Rio de Janeiro é um problema muito grave. Então, podemos estudar os dados e empregar técnicas de ciência de dados para propor uma nova política pública. Existem várias pesquisas que aplicam técnicas de ciência de dados para analisar a segurança. Mas esses estudos ficam restritos à academia e não chegam ao conhecimento dos gestores públicos. Isso não tem que ser uma iniciativa de um governo, tem que uma atitude do estado, você não pode ficar à mercê do governante da vez. 


Qual a diferença entre uma política de governo e uma política de estado?
Quando você tem política de governo, você acaba tendo política de curto prazo. Por isso, é comum que, quando entra um novo governo, ele não continue o que o anterior fez. Já a política de estado independe de partido político, de viés ideológico. É aonde a gente quer chegar. Claro, cada um pode achar que um caminho é mais interessante que outro, mas tem que haver um método em comum com alguns submétodos no caminho. Cada um dá seu “tempero” quando está no governo, mas a política de estado deve ser uma só. Por exemplo, se estabelecermos que, em 20 anos, a gente tem que acabar com o analfabetismo, isso passa a ser uma meta independentemente de quem esteja no governo.


Você acredita que se houvesse uma política de estado para a ciência, não estaríamos passando pela atual crise de falta de recursos?
Eu acho. Porque o governo hoje está olhando a ciência como se fosse um luxo. Não enxerga a ciência a longo prazo. Isso também tem a ver com a forma como alguns políticos pensam o país, enxergando apenas o curto prazo, a próxima eleição. Precisamos pensar a longo prazo e levar em conta toda a população em vez dos nossos próprios interesses. Eu sempre penso que a gente tem que olhar primeiro para o mundo, depois para o país, a seguir para o Estado de São Paulo, para a universidade e, só então, para nós mesmos. No entanto, as pessoas fazem o contrário.


Na sua opinião, a falta dessa diplomacia da ciência contribuiu para chegarmos à crise de credibilidade que a área vive hoje em âmbito mundial?
Sim. Quando existe uma crise econômica por exemplo, os gestores públicos nem levam em conta chamar um cientista para ajudar a pensar na direção que se deve seguir. As decisões são baseadas no que o político pensa e não em conceitos sólidos da ciência, em evidências. A ideia é termos uma governança mais baseada em evidências do que em dogmas, é isso que alguns países desenvolvidos estão tentando fazer. E isso é olhar a longo prazo também. Não adianta gerar riqueza se você destrói o planeta, se as pessoas não têm boa qualidade de vida.


Muitos cientistas estão deixando o Brasil porque não estão enxergando uma perspectiva futura promissora no campo da ciência. Você vê de maneira otimista o futuro da ciência no nosso país?
Sim. A gente não pode largar nosso país para deixar que destruam ele. Eu não critico quem quer sair do Brasil, mas por outro lado você pode trabalhar para mudar o nosso país. Eu entendo os dois lados. No entanto, posso apontar exemplos bem-sucedidos como o da Nova Zelândia. O país está crescendo, a população tem qualidade de vida. Como eles estão conseguindo fazer isso? Estão usando a ciência. Quando surgiu um boato de que um vulcão entraria em erupção lá e haveria um grande terremoto em uma determinada cidade, a população entrou em pânico. O que o governo fez? Chamou o comitê de cientistas que o assessora para pedir sugestões. A proposta desse comitê foi enviar a equipe do governo para aquela cidade no dia previsto para a tragédia acontecer. Dessa forma, eles passaram a mensagem para a população de que confiavam nos cientistas, os quais diziam que não haveria erupção nem terremoto. Com todos os ministros na cidade, a população foi tranquilizada.


Durante a última reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, alguns cientistas lançaram a ideia de criar um partido político no Brasil em prol da defesa da ciência. Você acredita que essa é a melhor solução para a atual crise?
Eu acho que não. Porque esse partido político seria setorizado. Nesse caso, precisaríamos ter um partido para cada tema importante para a população. Na minha opinião, a preocupação com a ciência e o apoio aos cientistas precisa existir em todos os partidos. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Site da INGSA: www.ingsa.org
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Problemas da vida real despertam o espírito empreendedor nos alunos da USP

Ao desenvolverem projetos em sala de aula para participar de competições como Ideas for Milk, Be an Icon ou resolver problemas reais de empresas, os estudantes do ICMC passam a compreender melhor quais desafios permeiam a jornada de um empreendedor

Os alunos do ICMC Lucas e Jéssika durante a apresentação do projeto Vet24hs
na final local do Ideas for Milk

Uma solução mobile e web para que produtores rurais entrem em contato com profissionais de saúde animal como veterinários e zootecnistas a fim de agendar consultas, realizar consultorias e receber alerta da situação agropecuária na região. Essa foi uma das cinco propostas finalistas apresentadas na etapa regional da competição Ideas for Milk em São Carlos. Chamado de Vet24hs, o projeto surgiu nas salas de aula do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Apesar de não ter sido classificado para a etapa final do desafio, o grupo que desenvolveu a ideia pretende dar continuidade à iniciativa. 

“Foi uma experiência indescritível e totalmente diversa do que normalmente se faz em sala de aula. Precisamos unir nossa técnica com as necessidades do cliente e pesquisar sobre o agronegócio do leite, uma área sobre a qual não conhecíamos nada”, revela Lucas dos Santos, aluno do curso de Estatística do ICMC, um dos responsáveis pelo Vet24hs. “Foi um desafio que conciliou academia e mercado e fez a gente enxergar um universo amplo de aplicações tecnológicas no campo”, completa o estudante. Na opinião de Lucas, o Ideas for Milk possibilitou a aproximação de profissionais que não costumam dialogar: “Poucas pessoas que trabalham na área tecnológica se interessam pelos problemas enfrentados pelo homem do campo, bem como poucos que atuam no agronegócio se interessam pela tecnologia”. 

O estudante explica que, inicialmente, o Vet24hs era apenas um projeto desenvolvido para a disciplina Empreendedorismo: “Mas a professora Simone Souza nos falou sobre a competição e nos incentivou a participar”. Lucas coordenou o desenvolvimento da proposta junto com a estudante Jéssika Darambaris, que estuda Engenharia de Computação – curso oferecido em parceira pelo ICMC e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). “O Ideas for Milk me fez ter mais confiança em mim mesma e aprender a defender uma ideia como se fosse a melhor já inventada. Essa confiança e motivação contam muito na hora de conversar com os avaliadores ou futuros investidores”, conta Jéssika. Também fizeram parte da equipe a gestora de recursos humanos Lígia Rissardi e mais três estudantes de Engenharia de Computação: Guilherme Bordignon, Lais Fortes e Yuri Robin.

Para a professora Simone, os jovens se empolgam quando conseguem vislumbrar a aplicação dos conceitos que estão aprendendo em sala de aula na solução de problemas da vida real. Divulgar as competições em que eles podem inscrever seus projetos é um estímulo adicional. “Ao participar dessas iniciativas, eles têm um amadurecimento, passam a enxergar qual caminho deve ser percorrido para que uma ideia inovadora, nascida dentro da Universidade, transforme-se em um produto e chegue ao mercado”, conta Simone.

Segundo Jéssika, as aulas de empreendedorismo foram fundamentais para definir o formato da proposta, já que, inicialmente, o grupo não tinha nenhuma experiência na elaboração de um modelo de negócio: “Não sabíamos responder perguntas básicas: como você vai ganhar dinheiro? De quem vai cobrar esse dinheiro? Por que as pessoas pagariam ou investiriam na sua ideia?".

Durante as aulas, a estudante revela que houve várias apresentações e, a cada etapa, a professora Simone e os demais colegas de sala levantavam questões importantes para as equipes e faziam os grupos refletirem mais sobre o assunto e aprimorarem as propostas. “A ideia inicial foi apenas um embrião que foi se desenvolvendo ao longo da disciplina e chegou à forma que apresentamos para a Embrapa.” Na final local realizada em São Carlos dia 28 de novembro, durante os 15 minutos em que os avaliadores questionaram o grupo, não houve nenhum imprevisto porque todas as perguntas já haviam sido respondidas em sala de aula. “Acredito que o maior aprendizado foi: não basta ter uma ideia boa, ela precisa ser bem desenvolvida, é necessário estudar o mercado”, completa Jéssika.

Participantes da final local do Ideas for Milk, realizada dia 28 de novembro em São Carlos




Aproximando academia e indústria – O ICMC foi uma das instituições correalizadoras do Ideas for Milk em São Carlos e o responsável por articular a parceria com a Embrapa foi o professor José Carlos Maldonado. “No ICMC, temos visto várias iniciativas, algumas delas no âmbito de disciplinas e outras no âmbito de projetos em rede, com o intuito de trazer os problemas e demandas sociais para dentro da Universidade, procurando estabelecer redes de colaboração entre a academia e a indústria, ou com o próprio governo”, ressalta o professor. 

Na opinião de Maldonado, o aluno, enquanto cidadão, deve desenvolver, na Universidade e em sua vida profissional, um conhecimento mais amplo sobre os problemas e demandas sociais nos mais diversos domínios de aplicação: “Esse conhecimento pode motivá-lo a desenvolver habilidades e competências na busca de soluções para esses problemas e demandas”. 

Considerando-se as oito cidades-sede que realizaram o Ideas for Milk (São Carlos, Belo Horizonte, Campinas, Juiz de Fora, Lavras, Piracicaba, Porto Alegre e Viçosa), 131 propostas foram submetidas e São Carlos foi a que recebeu o maior número de projetos, 29 no total. “São Carlos e região constituem um solo rico na formação de profissionais de altíssima qualidade na área de tecnologia da informação e comunicação. Esse cenário leva, certamente, à proposição de diversas e inúmeras soluções, assim como propiciará altos investimentos, num futuro próximo, constituindo um ecossistema de inovação e empreendedorismo fértil, cenário que hoje em dia já se delineia”, esclarece Maldonado.
O professor José Carlos Maldonado no lançamento do desafio Ideas for Milk em São Carlos

A final nacional do Ideas for Milk aconteceu dia 13 de dezembro, em Brasília. A equipe SCL Rota – Sistema de Coleta de Leite, finalista de Belo Horizonte, ficou em primeiro lugar ao propor uma plataforma que acompanha e gerencia a rota do leite desde o produtor até a indústria. “O papel das universidades foi importantíssimo em unir a turma da tecnologia da informação com a das ciências agrárias. Estamos deixando um caminho sólido para que outros segmentos do agronegócio possam repetir essa experiência de acordo com suas particularidades”, diz o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins Paulo Martins.

Be an Icon – Outro estudante de Engenharia de Computação do ICMC que só ingressou em uma competição por causa das aulas de empreendedorismo foi Rafael Farah. O projeto que ele desenvolveu, SmartGuide, um guia automático destinado a auxiliar pessoas com deficiência visual a terem uma experiência mais completa em ambientes culturais, como museus e exposições, ficou entre os finalistas no concurso Be an Icon. Realizado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, sediado no ICMC, em parceria com a empresa Siena Idea, o concurso tem como objetivo promover aplicações para a tecnologia dos beacons, pequenos dispositivos físicos que emitem curtos pacotes de dados bluetooth com certa frequência e raio de alcance programáveis.

“As aulas de empreendedorismo foram de grande importância. Eu só fiquei sabendo do concurso por causa disso e precisei desenvolver um modelo de negócio em Canvas, tópico que a professora Simone ensinou em sala”, conta Rafael. Ele explica que a ideia de desenvolver uma solução voltada a pessoas com deficiência visual surgiu por ele acreditar que todos devem ter acesso a atividades culturais: “Embora esse acesso seja único para cada pessoa, ele não pode ser negligenciado a certa parcela da população. A ideia do SmartGuide é justamente essa: proporcionar uma experiência mais completa, de modo que todos possam aproveitar a ida ao museu ou a exposições de arte”.

Agora, Rafael está trabalhando no desenvolvimento do aplicativo e estudando como realizar a comunicação com os beacons físicos. Ele e os demais responsáveis pelos cinco projetos classificados para a segunda fase do concurso têm até o dia 24 de fevereiro para entregarem as propostas detalhadas de seus projetos. “A utilização de beacons para sinalização de itens de acervo em museus, de produtos para venda e em guias eletrônicas para turismo é bem conhecida. Pretende-se, com esse concurso, expandir o universo de utilização desses dispositivos dentro do que se convencionou chamar de Internet das Coisas”, explica Edson Moreira, professor do ICMC e um dos coordenadores do concurso. 
O professor Edson Moreira durante o workshop de lançamento do concurso Be an Icon

Edson é um dos pioneiros do Instituto na apresentação de problemas reais aos alunos em sala de aula, estimulando-os a propor soluções para empresas. Há seis anos o professor inclui a demonstração do protótipo de um produto e a construção de um plano de negócio na avaliação de uma das disciplinas que ministra no ICMC, Tópicos Avançados em Comunicação. “O aluno tem que demonstrar que entendeu a teoria e que conseguiu transformar essa teoria em um produto vendável, com clientes, com mercado, com a ideia da cadeia de custos e tudo mais”, conta o professor.

Chamada de Projeto como Produto, a iniciativa de Edson prevê uma feira de problemas no início do processo, quando os alunos entram em contato com desafios propostos por diversas empresas. Durante o semestre, os estudantes têm várias reuniões para avaliar o andamento do estudo do problema e, no fim da disciplina, participam de uma feira de produtos, na qual apresentam as soluções que desenvolveram. Na edição de 2016 da feira de produtos, realizada dia 9 de dezembro, 14 equipes apresentaram seus projetos no saguão da Biblioteca Achille Bassi.

Muitas dessas ideias que surgem nas salas de aula do ICMC servirão de embrião para futuros aplicativos, serviços, produtos e startups. A equipe de Jéssika e Lucas, por exemplo, pretende amadurecer mais a proposta do Vet24hs, incorporar as várias dicas recebidas dos especialistas do Ideas for Milk e dar continuidade à proposta. “Termos chegado à final local da competição já foi uma vitória”, diz Lucas. “Essa experiência acendeu uma faísca na gente. Quero seguir na linha do empreendedorismo”, finaliza o estudante.

No dia 9 de dezembro aconteceu mais uma feira de produtos no ICMC
Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Créditos das fotos - duas primeiras imagens (final local do Ideas for Milk): Renan Alcântara; imagem do professor Maldonado: Denise Casatti; imagem do professor Edson: assessoria de comunicação do CeMEAI; imagem da feira de produtos: Reinaldo Mizutani

Mais informações
Site do Ideas for Milk: www.cnpgl.embrapa.br/ideasformilk
Site do Be an Icon: www.cemeai.icmc.usp.br/beanicon
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Programar pode ser fácil e divertido: venha para a Hora do Código na USP em São Carlos

Se você nunca teve a chance de programar, o evento que acontecerá no ICMC dia 9 de dezembro é uma oportunidade para começar a entender como funciona o universo da computação

Iniciativa faz parte de um movimento global que acontecerá em 180 países

Um evento para as pessoas de todas as idades experimentarem o que é programar de uma forma prática, fácil e divertida. Esse é o objetivo da Hora do Código, iniciativa que acontecerá no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, dia 9 de dezembro. Não é preciso ter qualquer conhecimento prévio sobre o assunto para participar do evento, que é gratuito e aberto a todos os interessados. 

A iniciativa faz parte de um movimento global que já atingiu 296 milhões de pessoas em todo o mundo. O objetivo é mostrar que todos podem aprender os fundamentos básicos da computação. “É um convite para que as pessoas se dediquem, durante uma hora, a resolver uma série de desafios intuitivos e lúdicos”, explica o professor Fernando Osório, do ICMC. Ao solucionar esses desafios, a pessoa passa a entrar em contato com alguns conceitos fundamentais de ciências de computação. “Não é preciso ter nenhum conhecimento prévio porque, nos exercícios, há um passo a passo explicando o que deve ser realizado e nós também disponibilizaremos tutores para ajudar quem tiver qualquer dificuldade”, completou Osório.

Para possibilitar a participação do maior número possível de pessoas no evento, as atividades serão realizadas em dois horários no dia 9 de dezembro. Quem optar por se inscrever no período da manhã, deverá chegar ao auditório Fernão Stella Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC, campus 1 da USP em São Carlos, às 9 horas. Já aqueles que desejarem participar do evento no período da tarde deverão chegar ao local às 14 horas. No total, são oferecidas 120 vagas, 60 em cada período. 

Os laboratórios do Instituto serão usados para as atividades, recomenda-se apenas que os participantes tragam seus próprios fones de ouvido. Quem completar todos os exercícios propostos receberá um certificado de participação. Crianças menores de 10 anos poderão participar desde que venham acompanhados por um responsável. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até as vagas se esgotarem por meio do preenchimento do formulário disponibilizado neste link: http://www.icmc.usp.br/e/c0494

A atividade tem o apoio da Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx) do ICMC e está alinhada com iniciativas que ocorrerão em outras localidades espalhadas por mais de 180 países. “Nosso objetivo é trazer a comunidade para dentro da Universidade, incentivando e motivando as crianças e os jovens a seguirem carreiras na área de ciências exatas, além de mostrar que a computação e a matemática não são um bicho de sete cabeças”, esclarece o professor Seiji Isotani, vice-presidente da CCEx. No Brasil, a coordenação da Hora do Código fica a cargo da Code.org, uma organização sem fins lucrativos dedicada a expandir o ensino de ciências de computação.


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Crédito das imagens: foto 1 - Lady Adams; foto 2 - Denise Casatti

Hora do Código no ICMC
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (bloco 6 do ICMC - Av. Trabalhador São Carlense, 400)
Quando: sexta-feira, 9 de dezembro
Horário: 9 ou 14 horas.
Formulário para inscrições: http://www.icmc.usp.br/e/c0494
Mais informações: (16) 3373-9622 / eventos@icmc.usp.br

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Visitas didáticas preparam alunos do ICMC para os desafios do mercado de trabalho

Estudantes do curso de Estatística foram ver como funciona a linha de produção da Faber Castell

O que a linha de produção de uma fábrica, uma escola indígena e o centro de inovação de uma empresa têm em comum? Esses são exemplos de locais em que é possível descobrir novas áreas de atuação profissional, preparar-se para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e onde vocações podem ser despertadas. É isso que acontece durante as visitas didáticas realizadas pelos alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

“Visitar a Unilever foi como descobrir um sonho que nem ao menos sabia que existia. O pensar estratégico e a resolução de problemas são os maiores atrativos. Com certeza é uma empresa na qual eu quero trabalhar e onde me vejo daqui 10 anos”, conta Guilherme Ferreira, ex-aluno de Sistemas de Informação do ICMC. O depoimento foi dado após visita realizada na sede da Unilever, em São Paulo, no ano passado, junto com cerca de outros 30 estudantes do Instituto. As visitas à empresa são realizadas anualmente por meio do programa Unileversitário.

A viagem serve como complemento da disciplina Introdução a Sistemas de Informação, ministrada pela professora Simone Souza. Os alunos conhecem o Customer Insight and Inovation Center (CiiC), setor da empresa destinado a gerar inovações por meio do uso de tecnologias da informação. “É uma visita muito motivante, pois os alunos conseguem enxergar que não precisam atuar apenas na área de desenvolvimento de sistemas, mas também na melhoria do processo de negócio de uma companhia”, explica Simone. 

Muitas outras oportunidades de conhecer empresas surgem para os alunos do ICMC durante a graduação. “Dentro das coordenações de curso do Instituto, nós focamos muito nessa questão de motivar e auxiliar os estudantes a entenderem e descobrirem se estão no curso certo. Para isso, tentamos sempre promover essas iniciativas”, conta Simone. 

A docente cita ainda algumas visitas já realizadas pelo Instituto como a data centers em São Paulo, à HP, empresa de tecnologia de informação, e à Usina Hidrelétrica de Itaipu. Anualmente, alunos dos cursos de Sistemas de Informação e Ciências de Computação têm a oportunidade de conhecer a hidrelétrica, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai. Nessa visita, os alunos assistem a palestras ministradas por profissionais da usina, conhecem o processo de produção e distribuição de energia, a sustentabilidade da matriz energética, o desenvolvimento de sistemas abertos para o gerenciamento de recursos hídricos, além de questões relacionadas à segurança física e dos sistemas computacionais.

Anualmente, alunos dos cursos de Ciências de Computação e Sistemas de Informação visitam Itaipu

A estatística vai à indústriaA Faber Castell é outra empresa que recebeu a visita dos alunos do ICMC, dessa vez dos graduandos do curso de Estatística. Como complemento da disciplina Gestão de Qualidade, os estudantes conheceram, em maio deste ano, a Seção de Controle de Qualidade da Fábrica e as etapas de produção dos materiais desenvolvidos pela multinacional, que possui sede em São Carlos.

O objetivo foi mostrar aos alunos uma noção prática das metodologias de controle estatístico de processo, promovendo uma primeira interação com os profissionais do setor produtivo. “Eles conseguem visualizar onde aplicar aquilo que estão aprendendo na Universidade. Esse tipo de iniciativa deve ser feita de forma permanente e em todos os cursos, pois acredito que os outros estudantes também tenham essa necessidade”, diz Francisco Louzada, professor do ICMC e responsável pela visita à Faber.

“Essas visitas nos trazem uma experiência que pode ser utilizada até mesmo numa entrevista de emprego, pois vou ter uma visão melhor de como funciona uma fábrica e clarear minhas ideias”, conta a aluna Denise Rezende, que nunca havia visitado uma empresa. A estudante Natália Poles afirma que é muito importante, para um estatístico, conhecer todas as etapas de produção do produto que será disponibilizado no mercado: “Além de analisar os dados, o estatístico pode melhorar o resultado final de um produto e corrigir algum problema que venha a surgir durante seu processo de desenvolvimento”.
Natália (à esquerda) e Denize durante visita à Faber Castell

Aprendendo com outras culturasPensando em preparar os estudantes dos cursos de licenciatura do ICMC para os mais diversos cenários que terão que enfrentar quando se tornarem professores, as docentes Miriam Utsumi e Esther Prado levaram, em junho deste ano, 38 alunos para conhecerem a escola indígena da Aldeia Ekeruá, localizada em Avaí, interior de São Paulo. “Desde o ano passado, pensamos na questão da inclusão das minorias e decidimos dar uma atenção especial à educação indígena. Muitos professores ainda não estão preparados para atender o aluno índio e é importante que conheçam outra cultura”, explica Miriam.

A professora conta que, nos cursos de licenciatura, não é possível ter disciplinas mostrando todos os desafios que são enfrentados dentro de uma escola. Ao proporcionar esse tipo de visita, os licenciados podem ter um olhar diferenciado para lidar com algumas situações. “Nós fazemos várias viagens para complementar o currículo dos alunos de licenciatura. Visitamos escolas técnicas, matemotecas, para que eles conheçam os diversos ambientes de trabalho e vejam a construção de materiais didáticos diferenciados”.

Alunos dos cursos de licenciatura do ICMC conheceram as metodologias de ensino indígenas
A aluna Letícia Pradella, licencianda em Ciências Exatas, adora pesquisar sobre educação e, quando soube da visita à aldeia, resolveu participar: “Para mim, era muito abstrata a forma como o conhecimento é passado aos indígenas. A maneira de ensino não é a mesma, é outra realidade”, conta a estudante. Ou alunos gostaram tanto da experiência que convidaram os professores indígenas para ministrar palestras durante a Semana da Licenciatura, que será realizada em outubro no ICMC. 

Letícia também já fez outras viagens didáticas durante a graduação. Ela esteve presente em uma visita ao Hopi Hari, em que os estudantes aprenderam conceitos de física aplicados aos brinquedos do parque de diversões. “Na universidade, o aprendizado na sala de aula não basta. Quanto mais atividades extracurriculares a gente faz, melhor estamos preparados”, finaliza.

Para Letícia, as atividades extracurriculares são fundamentais durante a graduação

Texto: Henrique Fontes - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
Email: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 26 de março de 2015

Competição de programação da Microsoft: desafios mobilizam 73 estudantes no ICMC

Divididos em 27 equipes, eles se divertiram tentando resolver seis problemas de programação
 

Foram duas horas de muita diversão, concentração e adrenalina para os 73 estudantes que participaram da Microsoft Coding Competition na tarde da última quarta-feira, 25 de março, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

“Eu gostei bastante da competição. Para nós, estudantes da área de computação, esse é o melhor jogo que existe”, contou Douglas de Oliveira, que está no segundo ano do curso de Ciências de Computação no ICMC. “Nossos alunos gostam muito de programar e, para a maioria deles, um evento como esse é uma atividade quase lúdica”, ressaltou a vice-diretora do Instituto, Maria Cristina Ferreira de Oliveira.

Segundo ela, faz parte da missão da Universidade sediar competições como essa e favorecer o contato entre o mercado e os estudantes. “Há muitas grandes empresas que vêm até o ICMC realizar seus processos de recrutamento. Possibilitarmos que nossos alunos saibam que tipo de profissional as instituições estão buscando recrutar é fundamental”, ressaltou Maria Cristina.

O engenheiro de software da Microsoft Eduardo Miranda deixou um recado importante para os participantes do evento: “Continuem por esse caminho: mesmo que vocês não queiram participar de uma maratona de programação no futuro, é muito importante treinarem a solução de problemas de programação por meio de competições como essa”. 

De acordo com Miranda, nos processos de contratação de grandes corporações da área de tecnologia, é considerado um diferencial participar de competições de programação. “Na Microsoft, não excluímos do processo de seleção quem não participou da nossa competição. Mas, antes de selecionarmos os candidatos que vamos entrevistar, fazemos uma análise dos currículos recebidos e valorizamos a participação em iniciativas como essa”, revelou.

Segundo Miranda, a participação em competições de programação é um diferencial no currículo dos estudantes
Ele explicou que, historicamente, a Microsoft tem recrutado, a cada ano, pelo menos 10 candidatos em toda a América Latina para realizar estágio (de dois a três meses) ou se tornar funcionário da empresa no exterior. O processo de seleção envolve análise de currículo e diversas entrevistas. “Valorizamos quem consegue resolver um problema por meio de algoritmos performáticos e bem estruturados”, afirmou Miranda. Ele também destacou que, caso um estudante seja escolhido para trabalhar na empresa, é de praxe aguardar a conclusão do curso universitário antes que a contratação se efetive.

Em 2015 foi a primeira vez que a empresa realizou competições de programação no Brasil, seguindo o modelo de eventos que já costuma realizar na Europa e em outros países da América Latina. Além de São Carlos, mais quatro cidades brasileiras sediaram a Microsoft Coding Competition neste ano: Campinas (UNICAMP); São José dos Campos (Instituto Tecnológico de Aeronáutica); Rio de Janeiro (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Pernambuco (Universidade Federal de Pernambuco).

Os vencedores – Os 73 participantes não se surpreenderam quando Miranda revelou qual equipe havia ganhado a competição, que demandava tentar responder seis problemas de programação em apenas duas horas. Entre os vencedores estava Bianca Oe e Luís Fernando de Abreu, campeões da Maratona Brasileira de Programação em 2013, que também participaram da Maratona Mundial de Programação (International Collegiate Programming Contest – ICPC) em 2014. Além deles, fez parte da equipe vencedora o estudante Denilson Marques Junior, que está no terceiro ano de Engenharia de Computação.

Bianca, Luís e Denilson ganharam um videogame por terem conquistado o primeiro lugar
“Com certeza, esse desafio foi mais fácil do que o mundial de programação, em que tínhamos apenas 5 horas para resolver 10 problemas de programação. Surpreendentemente, hoje também fiquei nervosa”, explicou Bianca. “Com certeza, é um diferencial dizer que fomos os vencedores de mais essa competição”, completou.

Mestrandos no ICMC, Bianca e Abreu fazem parte do Grupo de Estudos da Maratona de Programação (GEMA) e tentam contribuir com a formação dos futuros competidores do ICMC. O trabalho do GEMA já está rendendo bons frutos: o estudante Liuri Loami, um dos membros da equipe classificada em segundo lugar na Microsoft Coding Competition, participa do GEMA. “Acredito que competições como essas sejam mais complicadas para quem não está acostumado em resolver esse tipo de problema”, disse Loami, que está no último ano do curso de Ciências de Computação.

Também fizeram parte da equipe vice-campeã a estudante Marina Coimbra, que também está no último ano do curso de Ciências de Computação, e Guilherme Bordignon, que cursa o último ano de Engenharia de Computação. Depois das duas horas trabalhando, esses incansáveis vice-campeões estavam animados para mais um round de desafios: “Agora, vamos assistir a uma aula sobre algoritmos avançados, é uma matéria optativa em que resolvemos problemas tal como os que aparecem nas competições”, finalizou, animada, Marina. 

Guilherme, Liuri e Marina: da competição direto para a aula sobre algoritmos avançados

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Reinaldo Mizutani - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Página do GEMA no Facebook: https://www.facebook.com/groups/gemaicmc/
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Hora do Código no ICMC: participe e descubra que programar pode ser fácil e divertido

Aberto à comunidade e gratuito, evento voltado para quem não tem nenhum conhecimento prévio sobre programação acontece dia 13 de dezembro na USP em São Carlos



Se você não sabe nada de programação e gostaria de entender como funcionam os programas de computador, venha participar da Hora do Código no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, no próximo dia 13 de dezembro, sábado. O evento gratuito é uma oportunidade para pessoas de todas as idades experimentarem o que é programar de uma forma prática, fácil e divertida.

A iniciativa faz parte de um movimento global que atingiu 15 milhões de pessoas em 2013 em mais de 180 países. O objetivo é desmistificar a programação e mostrar que todos podem aprender os fundamentos básicos da computação. “É um convite para que as pessoas se dediquem, durante uma hora, a resolver uma série de desafios intuitivos e lúdicos”, explica o professor Fernando Osório, do ICMC.

Ao solucionar esses desafios, a pessoa passa a entrar em contato com alguns conceitos fundamentais de ciências de computação. “Não é preciso ter nenhum conhecimento prévio porque, nos exercícios, há um passo a passo explicando o que deve ser realizado e nós também disponibilizaremos tutores para ajudar quem tiver qualquer dificuldade”, completou Osório.

Para possibilitar a participação do maior número possível de pessoas no evento, as atividades serão realizadas em dois horários no dia 13 de dezembro. Quem optar por se inscrever no período da manhã, deverá chegar ao auditório Fernão Stella Rodrigues Germano, no bloco 6 do ICMC, campus 1 da USP em São Carlos, às 10 horas.

Já aqueles que desejarem participar do evento no período da tarde deverão chegar ao local às 15 horas. No total, são oferecidas 400 vagas, 200 para cada período. Não é preciso trazer qualquer equipamento, já que os laboratórios do Instituto serão usados para as atividades, mas quem desejar poderá trazer seu próprio laptop ou tablete para usar nas atividades. Também é recomendado que os participantes tragam seus próprios fones de ouvido. Quem completar todos os exercícios propostos receberá um certificado de participação. Crianças menores de 10 anos poderão participar da iniciativa desde que venham acompanhados por um responsável.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até as vagas se esgotarem por meio do preenchimento do formulário disponibilizado neste link: icmc.usp.br/e/c798f

Desenvolvendo habilidades – Segundo Osório, ensinar programação é hoje tão importante quanto ensinar disciplinas como matemática, português e biologia, por exemplo. Tanto que o professor cita a recente inserção, nos currículos ingleses, da obrigatoriedade das aulas de computação no ensino médio. “A Inglaterra saiu na frente, mas essa é uma tendência mundial”, relatou.

“Quanto mais cedo acontecer esse contato com a programação, melhor, pois esse é um recurso imprescindível hoje em todas as áreas do conhecimento”, explicou a professora Solange Rezende, presidente da Comissão de Cultura e Extensão do ICMC. “Queremos abrir as portas da Universidade para os estudantes e a comunidade conhecerem o que é programação. Assim eles poderão sonhar em estudar conosco”, finalizou Rezende.

Hora do Código no ICMC
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano (bloco 6 do ICMC - Av. Trabalhador São Carlense, 400)
Quando: sábado, 13 de dezembro
Horário: 10h ou 15h.
Formulário para inscrições: icmc.usp.br/e/c798f
Mais informações: (16) 3373-9622 / eventos@icmc.usp.br                                    

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Competições de robótica em São Carlos alcançam recorde histórico de participantes

Uma das principais atrações foi o futebol de robôs, categoria que foi criada com a meta de, até 2050, viabilizar um jogo entre essas máquinas e os melhores jogadores de futebol do mundo


O ginásio de esportes da USP, em São Calos, parecia pequeno na tarde da última quarta-feira, 22 de outubro. Uma multidão de aproximadamente dois mil fãs de robótica vibraram durante a cerimônia de premiação das 224 equipes que participaram da Competição Latino-americana de Robótica (LARC), da Competição Brasileira de Robótica (CBR) e da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). 

A diversidade dos 27 estados brasileiros e de muitos países da América Latina estava ali representada nas bandeiras, nas músicas e no sotaque desses estudantes do ensino médio, fundamental, superior, além de professores e pesquisadores que, durante quatro dias, tiveram a oportunidade de compartilhar experiências e superar os inúmeros desafios que fazem parte dessas competições. Nas arenas da Olimpíada Brasileira de Robótica, a missão dos robôs das 80 equipes inscritas era resgatar uma vítima – sendo 40 equipes participantes da categoria voltada aos estudantes do ensino fundamental e 40 aos estudantes do ensino médio e técnico.

Já nas demais competições (LARC/CBR), 144 equipes participaram de uma grande diversidade de desafios, o que possibilitou ao público conferir vários tipos de robôs humanoides – aqueles que se parecem com os seres humanos – realizando corridas e jogando partidas de futebol. A bola também rolou no campo dos robôs pequenos (small size), de outros menores ainda (very small size) e nos telões em que podiam ser vistas as categorias de simulação 2D e 3D. Havia, ainda, robôs tentando transportar cargas entre uma plataforma flutuante e uma superfície, simulando o que acontece no mundo real em uma plataforma de petróleo, por exemplo. Este ano, criou-se ainda uma nova categoria voltada a robôs que desempenham serviços domésticos e precisam interagir com as pessoas em um ambiente simulando uma casa.

“Registramos um recorde histórico de participantes nas três competições, chegando a cerca de 2 mil pessoas. A cada ano, a LARC/CBR vem crescendo e a participação se tornando mais abrangente. Este ano, tivemos competidores que vieram do Uruguai, da Venezuela, do México, do Chile e do Peru. Houve até equipes do Irã, que participaram remotamente nas categorias simuladas”, destacou o coordenador da LARC/CBR, Marco Simões, professor da Universidade do Estado da Bahia. Ele explicou ainda que, quando a competição latino-americana (LARC) é sediada no Brasil, acontece simultaneamente com a competição brasileira, já que ambas possuem as mesmas categorias. 

“Conseguimos fazer esse ano a maior Olímpiada que já realizamos no país, dobrando o número de participantes. As equipes estavam muito mais preparadas, porque foram bem selecionadas em seus Estados, já que tivemos mais de 1,7 mil equipes competindo e só as 80 melhores vieram para a final, que teve um nível altíssimo”, afirmou o coordenador geral da OBR, Flávio Tonidandel, professor do Centro Universitário da FEI. “Com certeza, a robótica brasileira vai nos trazer muitas surpresas graças a essa meninada que se empenhou na Olímpiada”, completou.

Futebol de robôs humanoides foi uma das principais atrações

A voz dos campeões – Com o troféu de vice-campeão na categoria IEEE Open, o competidor venezuelano David Cabello, estudante de Engenharia Eletrônica da UNEFA, conta que a experiência de participar da competição é inesquecível: “Foi o reconhecimento de todo o nosso esforço. Trabalhamos muito para chegar aqui, muitas vezes o dia todo, mesmo nas férias”.

Já o doutorando em Engenharia Elétrica do Centro Universitário da FEI, Danilo Perico, campeão na categoria RoboCup Small Size League (F180), afirma que o evento contribui muito para o desenvolvimento de pesquisas na área de inteligência artificial destinadas a fazer os robôs cooperarem em campo: “Nada melhor do que o ambiente de uma competição para fazer com que algumas coisas sejam realizadas de forma mais rápida. Isso nos incentiva a ter ideias diferentes para ganhar a disputa já que muitos imprevistos podem acontecer”.

Para o aluno do curso de Engenharia Mecatrônica da Universidade Federal de Uberlândia, Mateus Araújo, as competições são uma oportunidade de conhecer áreas que não são totalmente exploradas em seu curso de graduação, tais como robótica em programação, projeto mecânico e eletrônica. “Aqui, quando surgem desafios, temos que estudar sozinhos e sermos autodidatas. Além disso, a competição também contribui muito para o aprendizado do trabalho em equipe”, declarou Araújo, que é vice-campeão na categoria RoboCup Humanoid Kid Size.

A disputa é acirrada na categoria very small size

Equipes da USP em São Carlos – Duas equipes da USP em São Carlos participaram das competições, o Warthog Robotics e o Semear. "Foram várias noites sem dormir para obter o máximo desempenho na competição e o nosso esforço foi recompensado com o 2º lugar na categoria Very Small Size e o 3º lugar na categoria Small Size League”, explicou Lucas Ferrari, aluno do curso de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Ferrari destaca ainda a participação dos calouros na competição, que conseguiram se classificar para as quartas de final na categoria Small Size League com robôs autônomos desenvolvidos totalmente por eles.

O Warthog Robotics é um grupo de pesquisa e extensão vinculado ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e à EESC. Atualmente, cerca de 50 estudantes fazem parte do grupo, que reúne alunos de outras duas unidades da USP em São Carlos: o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e o Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAU). O objetivo principal do Warthog é a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias associadas à robótica e à aplicação nos complexos ambientes de futebol e combate de robôs. 

“Participar de um evento desse porte proporciona um espírito de competitividade e, ao mesmo tempo, de colaboração entre as equipes de forma a contribuir muito para formação do aluno”, relata o estudante Allisson Spina, do curso de Engenharia Mecatrônica da EESC e integrante do grupo Semear. Outro aspecto por ele ressaltado é que muitos desafios enfrentados durante as competições demandam a pesquisa de novas soluções, estimulando a busca constante pela inovação.

Equipe do Warthog no palco das premiações
12 eventos em 1 – “Se vocês estão aqui hoje é graças ao trabalho, à dedicação e ao aprendizado que vocês tiveram para enfrentar o desafio de cada categoria de que participaram. Então todos vocês, alunos, professores, pais, estão de parabéns”, disse a professora do ICMC, Roseli Romero. Ela coordenou a maior conferência sobre robótica e sistemas inteligentes já realizada no Brasil, a Joint Conference on Robotics and Intelligent Systems (JCRIS) 2014, a qual agregou um total de 12 eventos simultâneos, incluindo as competições e a Mostra Nacional de Robótica.

“Olhar para essa juventude, sentir essa energia que vem de vocês é uma coisa muito gratificante. Sucesso é isso aí: tem que começar pela ciência”, completou a secretária municipal de educação de São Carlos, Regina Ferreira. “É uma honra para São Carlos receber todas essas equipes aqui. Considerando-se as escolas estaduais da cidade, seis equipes chegaram à etapa estadual da OBR e hoje temos uma equipe na final brasileira. Para mim, todos vocês são vencedores, campeões”, declarou a dirigente regional de ensino, Débora Blanco.

Robô lê jornal durante demonstração da categoria RoboCup@Home

Segundo a professora Eliane Botta, coordenadora da equipe da escola estadual Antônio Militão de Lima, a única do munícipio que conseguiu se classificar para participar da final da OBR, a robótica contribui para que os alunos desenvolvam habilidades como disciplina, observação, responsabilidade e trabalho em equipe. “Esse mundo aqui é maravilhoso para os alunos. Depois de vivenciarem a etapa regional e estadual da competição, é a terceira vez que eles estão vendo o que é uma olimpíada. Esse aprendizado fora da sala de aula é muito importante”, reforçou a professora.

Parte das comemorações dos 80 anos da USP, a JCRIS 2014 foi promovida conjuntamente pela USP em São Carlos – por meio do ICMC, da EESC, do Centro de Robótica de São Carlos (CRob) e do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Aprendizado de Máquina e Análise de Dados (NAP-AMDA) – e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), através do Departamento de Computação e do Departamento de Engenharia Mecânica. 

A JCRIS contou, ainda, com o apoio da Sociedade Brasileira de Automática e da Sociedade Brasileira de Computação, além de suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Clique aqui para conferir o nome de todos os premiados pela LARC/CBR: www.cbrobotica.org

Em breve, a OBR disponibilizará a lista completa dos premiados no site: www.obr.org.br

Texto: Denise Casatti (Assessoria de Comunicação do ICMC) com a colaboração de Keite Marques (Assessoria de Comunicação da EESC)

Mais informações
Site da Conferência: http://jcris2014.icmc.usp.br
Site do Warthog Robotics: www.warthog.sc.usp.br
Site do Semear: www.semear-usp.com.br
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br
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