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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Espaço na USP estimula futuros engenheiros de computação a inovar

Estudantes do campus de São Carlos agora têm à disposição um ambiente criado especialmente para estimular a inovação e a colaboração: o Espaço EngComp

Inauguração contou com a presença do diretor da EESC, do diretor do ICMC e
do pró-reitor de Pós-Graduação da USP (da esquerda para a direita)

A área de engenharia de computação vem passando por uma profunda transformação. Capacidade de inovar, de trabalhar em colaboração e de empreender são competências cada vez mais exigidas nesse campo, que já nasceu transdisciplinar, na intersecção entre a eletrônica e a computação.

“Apesar de termos um curso muito bem estruturado pedagogicamente, considerando a grade curricular, com professores qualificados e laboratórios bem equipados, faltava esse algo a mais que, hoje, está sendo solicitado nesse campo de atuação”, explica o professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). Ele é coordenador do curso de Engenharia de Computação, oferecido em parceria pelo ICMC e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

Segundo o professor, nesse novo cenário, não basta propiciar aos estudantes aulas seguindo o modelo clássico: “É preciso ter um espaço onde se possa inovar de verdade, experimentar, sair do currículo que está pré-definido e desenvolver projetos que possam levar à criação de novos produtos”. Para atender a essa necessidade, nasceu o projeto Espaço EngComp. “É um ambiente colaborativo, no estilo de coworking, um lugar para inovar e empreender. Isso é indispensável em um curso moderno na área de engenharia de computação”, completa Osório.

Inaugurado no dia 22 de junho, o Espaço EngComp foi concebido desde o início levando em conta os princípios da gestão participativa. A partir da criação de uma Comissão Gestora Administrativa da Engenharia de Computação, que conta com a participação de professores, funcionários e alunos do ICMC e da EESC, o espaço foi ganhando forma. “São vários laboratórios que têm ambientes compartilhados e podem ser utilizados por todos os atores envolvidos no processo. A missão desse lugar é gerar inovação, ampliar as relações interpessoais e, principalmente, integrar-se aos projetos de graduação”, revelou o professor Ivan Nunes da Silva, da EESC, que coordena a Comissão.

Além de um vão livre, que conecta o Espaço EngComp ao prédio onde hoje acontece a maioria das atividades do curso de Engenharia de Computação, na área II do campus da USP, em São Carlos, o ambiente também abriga um auditório no andar térreo. Subindo as escadas, é possível acessar os oito laboratórios especializados, o laboratório multiuso, a sala de reuniões e os espaços de convivência. Na sala 8-117, está o Espaço Maker. “Nesse ambiente temos impressora 3D, diversos kits, osciloscópios, placas de circuitos e toda a infraestrutura necessária para desenvolver um projeto de eletrônica e computação”, explica Osório, que coordena o local junto com o professor Maximiliam Luppe, da EESC.

A criação do Espaço foi toda pautada pela perspectiva do aprendizado ativo, em que os estudantes aprendem fazendo. É um lugar propício para a prática do aprendizado a partir da resolução de problemas e para abordagens do tipo mão na massa.

Durante a inauguração, projetos realizados por grupos de pesquisa e de extensão foram apresentados

Superação em parceria – A história de superação e parceria que habita esse espaço foi relatada pelo professor Alexandre Nolasco de Carvalho, diretor do ICMC. De volta a 2014, lembrou-se do dia em que ele e o professor Geraldo Roberto Martins da Costa, na época diretor da EESC, visitaram o espaço. Eles foram acompanhados pelo vice-reitor da USP, Vahan Agopyan, pelo Superintendente de Espaço Físico, Oswaldo Nakao, e pelo arquiteto Sérgio Assumpção, que já faleceu. Era um momento difícil, início da atual gestão reitoral da USP e a crise financeira da Universidade impunha a paralisação de diversas obras que estavam por concluir.

“A estrutura básica do prédio estava pronta, mas ainda restava uma parte significativa para que o edifício pudesse ser utilizado. Essa visita sensibilizou a reitoria da USP sobre a necessidade de conclusão da obra”, contou o diretor do ICMC. Apesar do apoio da reitoria, a escassez de recursos impôs cortes ao orçamento. “Demos andamento à licitação da obra, que se iniciou em dezembro de 2014. Em julho do ano seguinte, ela foi entregue. Porém, em função dos cortes, faltava realizar a instalação elétrica e lógica, o condicionamento térmico, mobiliar o local, adquirir os equipamentos para os laboratórios, além de fazer toda a jardinagem do entorno”.

Esses desafios não interromperam o projeto: “O ICMC e a EESC fizeram o que se deve fazer em tempos de crise”. Nolasco explicou passo a passo as parcerias estabelecidas para superar as dificuldades: “com o apoio dos servidores da EESC construímos parte da mobília que equipa os laboratórios; com o apoio dos servidores do ICMC, fizemos a instalação elétrica e lógica; com o apoio da Prefeitura do Campus, equipamos o auditório e alguns laboratórios com carteiras e também fizemos esse lindo gramado que cerca o edifício; com o apoio da Pró-Reitoria de Graduação, adquirimos parte dos equipamentos dos laboratórios”.

Sem deixar a emoção de lado, Nolasco falou do orgulho que sente de toda a equipe que ajudou nessa construção. “Quando, diante de adversidades, conseguimos nos unir para atuar no seu enfrentamento, ganhamos a confiança necessária para solucionar a maioria das dificuldades.” Segundo ele, será preciso ainda muito trabalho até que o prédio esteja em condições ideais de uso: “Apesar de todas as restrições orçamentárias, não tenho medo: acredito que seremos bem sucedidos porque fomos capazes de trabalhar em parceria”.

O diretor da EESC, professor Paulo Sergio Varoto, recordou que a união entre EESC e ICMC começou em 2003, quando foi criado o curso de Engenharia de Computação. “No começo, tínhamos certa angústia por se tratar de uma ação em parceria: como o curso vai funcionar? Onde os alunos vão estudar? Porém, em pouco tempo, pela fortíssima empatia que temos com o ICMC, percebemos que as ações de gestão e acadêmicas seriam facilitadas”, disse Varoto. Para ele, essa parceria reflete uma vocação do campus da USP em São Carlos: “Essa é uma ação integradora, multidisciplinar. Embora a Engenharia de Computação já seja uma graduação consolidada ou em fase final de consolidação no país, no âmbito do nosso campus foi uma atitude, de certa forma, pioneira e mostra nossa vocação de trabalhar nas áreas de interface entre as unidades”.

Representando o reitor da USP, o pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Gilberto Carlotti Jr., encerrou a cerimônia de inauguração do Espaço EnComp ressaltando a relevância do estabelecimento dessas parcerias: “Sem a interdisciplinaridade, a transdisciplinaridade, não vamos conseguir resolver problemas realmente profundos da sociedade e chegar a uma ciência de primeiro mundo. Essa interação que vocês estão fazendo entre o ICMC e a EESC é o único caminho para resolvermos esses problemas. Já foi a época em que uma área resolvia tudo sozinha”.

O pró-reitor estimulou todas as unidades a seguirem o exemplo: “Acho que é isso que a Universidade espera dos nossos grupos de pesquisa, dos nossos professores: essa busca pelo conhecimento, pelo trabalho em conjunto e pela solução de problemas de uma grandeza maior do que aqueles que resolvíamos até pouco tempo. Exemplos como esse, em que mesmo em momento de crise temos inaugurações e inovações, refletem o espírito da USP. E só conseguimos fazer isso por causa da qualidade de nossos professores, alunos e servidores”, finalizou.

Pró-reitor de Pós-Graduação estimulou todas as unidades da USP a realizarem parcerias

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Fotos: Fernando Mazzola – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Arduino: construindo novas conexões entre a computação e o mundo

Projetos apresentados no ICMC mostram porque o microprocessador Arduino é o queridinho do movimento maker

"O Arduino tem o espírito da cultura maker", diz o professor Osório

“É como se alguém tivesse aberto uma porta para o mundo, gerando um leque de possibilidades praticamente infinito”. A frase do professor Fernando Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, define a revolução trazida pelo Arduino para o universo da computação. Mas por que esse microprocessador não pode ser considerado somente mais um componente eletrônico disponível na prateleira?

“O Arduino nos trouxe a oportunidade de sair de dentro do computador para poder conversar e interagir com o mundo”, diz Osório, com um entusiasmo contagiante. A questão é que essa conexão entre a computação e a vida real tornou-se mais simples e fácil com o Arduino porque não é preciso ser um especialista para desenvolver um projeto usando o microprocessador. 

Professor fala com entusiasmo sobre as possibilidades da ferramenta

O professor explica que, por se tratar de uma ferramenta aberta, livre e de baixo custo para a criação de projetos de hardware e software, o Arduino permite conectar, de forma descomplicada, o mundo da computação com dispositivos físicos que estão ao nosso alcance na vida real. Isso acontece porque, depois de “sentir” o ambiente por meio de sensores variados (entradas) e processar esses dados via programas inteligentes, é possível programar a ferramenta para afetar seu entorno, controlar e agir sobre o ambiente. Essa ação pode ser realizada por meio de motores e atuadores que possibilitem, por exemplo, ligar ou desligar luzes, movimentar câmeras e outros componentes, etc. Além disso, esse microprocessador interage facilmente com os computadores, independentemente do sistema operacional empregado (Windows, Linux ou Mac).

“O Arduino tem o espírito da cultura maker, a cultura do faça você mesmo: posso olhar o que os outros estão fazendo, fazer igual ou melhorar, inovando e dando a minha contribuição”, acrescenta o professor. No dia destinado a comemorar o aniversário da ferramenta, 2 de abril, uma série de projetos tomaram conta do hall de entrada do auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, do ICMC. No interior do auditório, diversas palestras destacaram o quanto o aniversariante é versátil e pode ser útil tanto para aqueles que desejam criar projetos pessoais quanto para quem desenvolve soluções industriais como a Circuitar.



“A nossa empresa tem uma característica que nos define bastante: unir a indústria mais tradicional a esse novo movimento maker”, conta Luís Fernando Chavier, sócio-diretor da Circuitar. A empresa decidiu fabricar placas que funcionam em um sistema modular e são compatíveis com o Arduino, propiciando a utilização da mesma linguagem de programação empregada na famosa ferramenta. “É interessante para a indústria poder usar as novas tecnologias para resolver os problemas que não são bem solucionados pelas tecnologias existentes ou solucioná-los de uma forma mais barata”, explica Chavier. Ele citou alguns exemplos de como as placas da empresa estão sendo empregadas para controlar vários parâmetros de processos industriais, tais como temperatura, pressão e iluminação. “Os equipamentos industriais mais tradicionais são muito caros e usam linguagens de programação bem antigas. Com o Arduino, temos a oportunidade de reduzir custos e fazer coisas mais criativas. Quem aprende a programá-lo, terá um ferramental para criar várias outras coisas”, completa.

Educando com Arduino – “Nosso principal robô foi feito com Arduino e com uma impressora 3D”, revela Roberto Arias Junior, que coordena um grupo de robótica da Associação Espírita Chico Xavier, em São Carlos. Ele convidou os cerca de 12 jovens que são atendidos pelo projeto para participar do Arduino Day no ICMC: “Acreditamos que é muito importante inseri-los na sociedade. Por isso, sempre os levamos para eventos, para participar de competições até mesmo fora de São Carlos. Queremos mostrar a eles que, se tiverem interesse e vontade, podem ir longe”.

Segundo Junior, a robótica é um excelente estímulo para os jovens, porque fornece uma visão geral sobre diversos conceitos e, ao mesmo tempo, possibilita aos estudantes verem, na prática, o resultado das ações realizadas. “Para os professores e alunos do projeto é muito interessante participar de um evento como esse, que é mundial. Isso nos traz novas ideias e conhecemos mais pessoas que podem nos ajudar”, completa.
Junior: a robótica é um excelente estímulo para os jovens

Para dois alunos do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Instituto Federal de São Paulo, campus São Carlos, o Arduino Day foi uma oportunidade de encontrar ideias para o futuro projeto de iniciação científica que pretendem desenvolver. “É muito vasto o que dá para fazer com essa ferramenta. Então, alguém sempre fala sobre um projeto que não havíamos pensado”, conta José da Silva Junior. Seu colega de curso, o estudante Alex Silva se surpreendeu a palestra que mostrou como a linguagem Python pode ser utilizada com o Arduino.

O evento contou com o apoio do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre, do Centro de Competência em Software Livre, do Centro de Robótica de São Carlos, do Laboratório de Robótica Móvel, do Warthog Robotics e do hackerspace Godzilla Hacker Clube, espaço colaborativo que está sendo montado em São Carlos com a finalidade de realizar projetos na área da tecnologia. Todas as apresentações realizadas no evento estão disponíveis no site Arduino Day @ ICMC.

Futebol de robôs do Warthog foi uma das atrações do evento

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br