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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Problemas da vida real despertam o espírito empreendedor nos alunos da USP

Ao desenvolverem projetos em sala de aula para participar de competições como Ideas for Milk, Be an Icon ou resolver problemas reais de empresas, os estudantes do ICMC passam a compreender melhor quais desafios permeiam a jornada de um empreendedor

Os alunos do ICMC Lucas e Jéssika durante a apresentação do projeto Vet24hs
na final local do Ideas for Milk

Uma solução mobile e web para que produtores rurais entrem em contato com profissionais de saúde animal como veterinários e zootecnistas a fim de agendar consultas, realizar consultorias e receber alerta da situação agropecuária na região. Essa foi uma das cinco propostas finalistas apresentadas na etapa regional da competição Ideas for Milk em São Carlos. Chamado de Vet24hs, o projeto surgiu nas salas de aula do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Apesar de não ter sido classificado para a etapa final do desafio, o grupo que desenvolveu a ideia pretende dar continuidade à iniciativa. 

“Foi uma experiência indescritível e totalmente diversa do que normalmente se faz em sala de aula. Precisamos unir nossa técnica com as necessidades do cliente e pesquisar sobre o agronegócio do leite, uma área sobre a qual não conhecíamos nada”, revela Lucas dos Santos, aluno do curso de Estatística do ICMC, um dos responsáveis pelo Vet24hs. “Foi um desafio que conciliou academia e mercado e fez a gente enxergar um universo amplo de aplicações tecnológicas no campo”, completa o estudante. Na opinião de Lucas, o Ideas for Milk possibilitou a aproximação de profissionais que não costumam dialogar: “Poucas pessoas que trabalham na área tecnológica se interessam pelos problemas enfrentados pelo homem do campo, bem como poucos que atuam no agronegócio se interessam pela tecnologia”. 

O estudante explica que, inicialmente, o Vet24hs era apenas um projeto desenvolvido para a disciplina Empreendedorismo: “Mas a professora Simone Souza nos falou sobre a competição e nos incentivou a participar”. Lucas coordenou o desenvolvimento da proposta junto com a estudante Jéssika Darambaris, que estuda Engenharia de Computação – curso oferecido em parceira pelo ICMC e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). “O Ideas for Milk me fez ter mais confiança em mim mesma e aprender a defender uma ideia como se fosse a melhor já inventada. Essa confiança e motivação contam muito na hora de conversar com os avaliadores ou futuros investidores”, conta Jéssika. Também fizeram parte da equipe a gestora de recursos humanos Lígia Rissardi e mais três estudantes de Engenharia de Computação: Guilherme Bordignon, Lais Fortes e Yuri Robin.

Para a professora Simone, os jovens se empolgam quando conseguem vislumbrar a aplicação dos conceitos que estão aprendendo em sala de aula na solução de problemas da vida real. Divulgar as competições em que eles podem inscrever seus projetos é um estímulo adicional. “Ao participar dessas iniciativas, eles têm um amadurecimento, passam a enxergar qual caminho deve ser percorrido para que uma ideia inovadora, nascida dentro da Universidade, transforme-se em um produto e chegue ao mercado”, conta Simone.

Segundo Jéssika, as aulas de empreendedorismo foram fundamentais para definir o formato da proposta, já que, inicialmente, o grupo não tinha nenhuma experiência na elaboração de um modelo de negócio: “Não sabíamos responder perguntas básicas: como você vai ganhar dinheiro? De quem vai cobrar esse dinheiro? Por que as pessoas pagariam ou investiriam na sua ideia?".

Durante as aulas, a estudante revela que houve várias apresentações e, a cada etapa, a professora Simone e os demais colegas de sala levantavam questões importantes para as equipes e faziam os grupos refletirem mais sobre o assunto e aprimorarem as propostas. “A ideia inicial foi apenas um embrião que foi se desenvolvendo ao longo da disciplina e chegou à forma que apresentamos para a Embrapa.” Na final local realizada em São Carlos dia 28 de novembro, durante os 15 minutos em que os avaliadores questionaram o grupo, não houve nenhum imprevisto porque todas as perguntas já haviam sido respondidas em sala de aula. “Acredito que o maior aprendizado foi: não basta ter uma ideia boa, ela precisa ser bem desenvolvida, é necessário estudar o mercado”, completa Jéssika.

Participantes da final local do Ideas for Milk, realizada dia 28 de novembro em São Carlos




Aproximando academia e indústria – O ICMC foi uma das instituições correalizadoras do Ideas for Milk em São Carlos e o responsável por articular a parceria com a Embrapa foi o professor José Carlos Maldonado. “No ICMC, temos visto várias iniciativas, algumas delas no âmbito de disciplinas e outras no âmbito de projetos em rede, com o intuito de trazer os problemas e demandas sociais para dentro da Universidade, procurando estabelecer redes de colaboração entre a academia e a indústria, ou com o próprio governo”, ressalta o professor. 

Na opinião de Maldonado, o aluno, enquanto cidadão, deve desenvolver, na Universidade e em sua vida profissional, um conhecimento mais amplo sobre os problemas e demandas sociais nos mais diversos domínios de aplicação: “Esse conhecimento pode motivá-lo a desenvolver habilidades e competências na busca de soluções para esses problemas e demandas”. 

Considerando-se as oito cidades-sede que realizaram o Ideas for Milk (São Carlos, Belo Horizonte, Campinas, Juiz de Fora, Lavras, Piracicaba, Porto Alegre e Viçosa), 131 propostas foram submetidas e São Carlos foi a que recebeu o maior número de projetos, 29 no total. “São Carlos e região constituem um solo rico na formação de profissionais de altíssima qualidade na área de tecnologia da informação e comunicação. Esse cenário leva, certamente, à proposição de diversas e inúmeras soluções, assim como propiciará altos investimentos, num futuro próximo, constituindo um ecossistema de inovação e empreendedorismo fértil, cenário que hoje em dia já se delineia”, esclarece Maldonado.
O professor José Carlos Maldonado no lançamento do desafio Ideas for Milk em São Carlos

A final nacional do Ideas for Milk aconteceu dia 13 de dezembro, em Brasília. A equipe SCL Rota – Sistema de Coleta de Leite, finalista de Belo Horizonte, ficou em primeiro lugar ao propor uma plataforma que acompanha e gerencia a rota do leite desde o produtor até a indústria. “O papel das universidades foi importantíssimo em unir a turma da tecnologia da informação com a das ciências agrárias. Estamos deixando um caminho sólido para que outros segmentos do agronegócio possam repetir essa experiência de acordo com suas particularidades”, diz o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins Paulo Martins.

Be an Icon – Outro estudante de Engenharia de Computação do ICMC que só ingressou em uma competição por causa das aulas de empreendedorismo foi Rafael Farah. O projeto que ele desenvolveu, SmartGuide, um guia automático destinado a auxiliar pessoas com deficiência visual a terem uma experiência mais completa em ambientes culturais, como museus e exposições, ficou entre os finalistas no concurso Be an Icon. Realizado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, sediado no ICMC, em parceria com a empresa Siena Idea, o concurso tem como objetivo promover aplicações para a tecnologia dos beacons, pequenos dispositivos físicos que emitem curtos pacotes de dados bluetooth com certa frequência e raio de alcance programáveis.

“As aulas de empreendedorismo foram de grande importância. Eu só fiquei sabendo do concurso por causa disso e precisei desenvolver um modelo de negócio em Canvas, tópico que a professora Simone ensinou em sala”, conta Rafael. Ele explica que a ideia de desenvolver uma solução voltada a pessoas com deficiência visual surgiu por ele acreditar que todos devem ter acesso a atividades culturais: “Embora esse acesso seja único para cada pessoa, ele não pode ser negligenciado a certa parcela da população. A ideia do SmartGuide é justamente essa: proporcionar uma experiência mais completa, de modo que todos possam aproveitar a ida ao museu ou a exposições de arte”.

Agora, Rafael está trabalhando no desenvolvimento do aplicativo e estudando como realizar a comunicação com os beacons físicos. Ele e os demais responsáveis pelos cinco projetos classificados para a segunda fase do concurso têm até o dia 24 de fevereiro para entregarem as propostas detalhadas de seus projetos. “A utilização de beacons para sinalização de itens de acervo em museus, de produtos para venda e em guias eletrônicas para turismo é bem conhecida. Pretende-se, com esse concurso, expandir o universo de utilização desses dispositivos dentro do que se convencionou chamar de Internet das Coisas”, explica Edson Moreira, professor do ICMC e um dos coordenadores do concurso. 
O professor Edson Moreira durante o workshop de lançamento do concurso Be an Icon

Edson é um dos pioneiros do Instituto na apresentação de problemas reais aos alunos em sala de aula, estimulando-os a propor soluções para empresas. Há seis anos o professor inclui a demonstração do protótipo de um produto e a construção de um plano de negócio na avaliação de uma das disciplinas que ministra no ICMC, Tópicos Avançados em Comunicação. “O aluno tem que demonstrar que entendeu a teoria e que conseguiu transformar essa teoria em um produto vendável, com clientes, com mercado, com a ideia da cadeia de custos e tudo mais”, conta o professor.

Chamada de Projeto como Produto, a iniciativa de Edson prevê uma feira de problemas no início do processo, quando os alunos entram em contato com desafios propostos por diversas empresas. Durante o semestre, os estudantes têm várias reuniões para avaliar o andamento do estudo do problema e, no fim da disciplina, participam de uma feira de produtos, na qual apresentam as soluções que desenvolveram. Na edição de 2016 da feira de produtos, realizada dia 9 de dezembro, 14 equipes apresentaram seus projetos no saguão da Biblioteca Achille Bassi.

Muitas dessas ideias que surgem nas salas de aula do ICMC servirão de embrião para futuros aplicativos, serviços, produtos e startups. A equipe de Jéssika e Lucas, por exemplo, pretende amadurecer mais a proposta do Vet24hs, incorporar as várias dicas recebidas dos especialistas do Ideas for Milk e dar continuidade à proposta. “Termos chegado à final local da competição já foi uma vitória”, diz Lucas. “Essa experiência acendeu uma faísca na gente. Quero seguir na linha do empreendedorismo”, finaliza o estudante.

No dia 9 de dezembro aconteceu mais uma feira de produtos no ICMC
Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Créditos das fotos - duas primeiras imagens (final local do Ideas for Milk): Renan Alcântara; imagem do professor Maldonado: Denise Casatti; imagem do professor Edson: assessoria de comunicação do CeMEAI; imagem da feira de produtos: Reinaldo Mizutani

Mais informações
Site do Ideas for Milk: www.cnpgl.embrapa.br/ideasformilk
Site do Be an Icon: www.cemeai.icmc.usp.br/beanicon
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Mais suor e menos glamour: venha conhecer os desafios da jornada das startups

Em um bate-papo na USP, em São Carlos, os empreendedores vão revelar os desafios que enfrentam durante o desenvolvimento de uma startup; a atividade é parte das comemorações dos 45 anos do ICMC


Ser um empreendedor, criar uma startup de sucesso e ganhar muito dinheiro. Esse é o sonho vislumbrado por milhares de jovens que, inspirados por histórias de sucesso, não conhecem os desafios que envolvem a criação de um modelo de negócio repetível e escalável, em um ambiente de extrema incerteza.

Trazer ao público a dimensão real (e algumas vezes sombria) desse cenário é o objetivo do bate-papo Mais suor e menos glamour: os desafios da jornada das startups, que será realizado na próxima quarta-feira, 19 de outubro, às 19h30, no campus da USP em São Carlos. 

A atividade faz parte das comemorações dos 45 anos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e acontecerá no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano. O evento é gratuito, aberto a todos os interessados e não demanda inscrição prévia.

Entre os participantes do bate-papo estão empreendedores que fundaram startups de destaque no mercado e, antes disso, passaram por algumas experiências mal sucedidas ao longo da jornada. Confira, a seguir, o nome e a trajetória de cada um dos participantes.


Danilo Oliveira - Sócio-fundador do SigaLei, solução para busca e acompanhamento da tramitação dos projetos de lei no Congresso Nacional e nas Assembleias Estaduais. O SigaLei utiliza mineração de dados e técnicas de aprendizado de máquina para realizar análises descritivas e preditivas dos cenários políticos. Engenheiro da Computação formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2012, é especialista em ficar em silêncio nos debates políticos travados nas Redes Sociais. Danilo acredita que o verdadeiro amadurecimento político do brasileiro passa pelo debate saudável e democrático entre as diferentes partes. 



Filipe Grillo - Bacharel e mestre em Ciências da Computação pelo ICMC com especialização em sistemas Web e multimídia interativos. Teve um projeto reconhecido no prêmio nacional de acessibilidade em 2013, organizado pela W3C Brasil e NIC.br. Em sua carreira, já atuou como analista de sistemas e como gerente de projetos de tecnologia no ramo de mobile payment em São Paulo durante 2 anos. É sócio da RunWeb desenvolvimento de sistemas, onde foi diretor de tecnologia durante 5 anos. Na startup Arquivei, é co-fundador e CIO, onde é responsável, no time de engenharia, pelas equipes de qualidade de software e de operações. 



Marcio Galli - Ex-aluno do ICMC e especialista em tecnologias Web, trabalhando com tecnologias para comunicação há mais de duas décadas. Mudou-se para o Vale do Silício em 2000, quando trabalhou como evangelista de tecnologia e em projetos de inovação para empresas como Netscape, Yahoo! e, ao voltar ao Brasil, na Mozilla. Hoje é empreendedor e, atualmente, trabalha para a SlideQuest, uma startup que oferece um canal de comunicação e de cocriação de conteúdo, permitindo a distribuição de apresentações animadas para WebTVs, dispositivos móveis, desktops, além da geração automática de vídeo trailers.



Rafael Libardi - Especialista em segurança digital com projetos nos setores de privacidade de dados e segurança da informação. É formado em Sistemas de Informação e possui mestrado em armazenamento seguro de dados na nuvem pelo ICMC. Seu objetivo de vida é aprimorar a privacidade e a segurança da internet. É membro global da Internet Defense League, Internet Society, IEEE e ACM. É fundador e CEO da Ukkobox, que foi nomeada uma das seis FinTech Startups a se observar pela Visa em 2015; acelerada pela Cyber London; e em 2016 foi premiada pela SC Magazine como melhor startup de cybersegurança da Europa.



Rafael Meireles - Gestor de projetos na Bridge, primeira aceleradora de startups da cidade de São Carlos, e responsável pela Builder, braço da Bridge que tem como foco receber projetos de investidores que buscam diminuir o risco de investimento através de uma equipe preparada para criar e testar modelos de negócio e levar ao mercado empresas com alta capacidade de retorno. É bacharel em design gráfico formado pelo Centro Universitário SENAC em São Paulo, com cursos em Estratégia Empresarial e Gestão de Marketing (Ibmec-SP) e MBA em Gestão Estratégica (USP - Ribeirão Preto). 



Ricardo Agostinho - Empreendedor na área de TI, co-fundador do PISO (Polo Industrial de Software de Ribeirão Preto), co-idealizador do MOVER (Movimento Empreende Ribeirão), co-organizador do Startup Weekend Ribeirão Preto e OpenCoffee Empreendedorismo, colaborador no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, colaborador no processo de criação do SUPERA International Office, investidor em startups de base tecnológica, co-diretor do Founder Institute capítulo Ribeirão Preto e CEO da aceleradora de startups SEVNA Seed.




Serviço
O que: Mais suor e menos glamour: os desafios da jornada das startups
Quando: 19 de outubro, quarta-feira, às 19h30
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano do ICMC (USP São Carlos)
Evento gratuito, sem necessidade de inscrição prévia
Página do evento: www.facebook.com/events/313659439005502/

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Do ICMC para o mundo dos games: jovens criam seus primeiros jogos e abrem o próprio negócio

Paixão que vem de infância acompanha criadores de jogos que, em 2016, planejam lançar produtos em um mercado que deve movimentar, este ano, US$ 1,45 bilhão no Brasil

Julio é o criador do jogo Run, que será lançado no próximo ano

Mario Bros, Donkey Kong, Counter Strike, Mortal Kombat são alguns nomes que fazem parte do mundo dos amantes de jogos eletrônicos. Desde cedo, eles mergulham na atmosfera dos games e, a cada jogo terminado, a ansiedade aumenta para que uma nova aventura comece. Agora imagine se, um dia, esses jogadores criassem o próprio jogo com a história que desejassem. Esse cenário está se tornando realidade para alunos e ex-alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, que estão trabalhando no desenvolvimento de jogos tanto para smartphones quanto para consoles de videogame, obtendo destaque no mercado.

Um exemplo bem-sucedido é o ex-aluno Tales Sampaio. Ele foi estudante de Sistemas de Informação do Instituto e, desde cedo, gostava de jogos eletrônicos. A possibilidade de ter uma formação sólida para poder criar o próprio game foi o que motivou o ex-aluno a ingressar no ICMC. Inspirado nos jogos de tiro Time Crisis e Virtual Cop, o artista 3D está desenvolvendo o game Grand Shooter para tablets e smartphones, que conta a história de Joan, uma ex-militar que sofreu um trauma muito grande em sua última participação no exército e vive enfrentando flashes do passado. Agora, ela deve enfrentar inimigos para encontrar e salvar a namorada que foi sequestrada, uma policial com a qual tinha um caso secreto. O roteiro foi idealizado pela empresa carioca Fableware.

Em desenvolvimento há cerca de dez meses, o jogo fez parte de um dos trabalhos de conclusão de curso do ex-aluno e está em fase final de produção, com previsão de lançamento para o início de 2016. “Nossas prioridades são saber se o game está rodando bem e se as animações estão legais. Esperamos que o primeiro capítulo esteja finalizado até dezembro”, conta Sampaio. O jogo terá quatro capítulos, com cinco fases cada e o nível de dificuldade aumentado assim que o usuário passar por cada uma delas. Para baixar a versão de teste do jogo, clique aqui.

Em Grand Shooter, a personagem principal deve enfrentar inimigos para salvar sua namorada que foi sequestrada

Inicialmente, o jogo estará disponível nas plataformas Android e IOS e será gratuito. “A base fornecida pelo ICMC foi o grande diferencial que propiciou que nosso jogo conseguisse rodar em plataformas móveis com alto desempenho em seu processamento”, conta Sampaio. Ano passado, o protótipo do jogo foi levado ao 13º Simpósio Brasileiro de Games e, segundo o ex-aluno, agradou tanto adultos quanto crianças.

O jogo também oferecerá uma opção para os jogadores que desejarem comprar a moeda oficial do game, a qual permitirá adquirir novas armas e personalizar o personagem. Além disso, outra forma de ganhar moedas é clicar em um ícone e assistir a uma propaganda com duração de 30 segundos. Dois ex-alunos da UFSCar, que são formados em Imagem e Som, ajudam Sampaio no desenvolvimento do jogo: Lucas Fonseca atua na parte de programação e game design; já Luiz Gustavo Marquetti trabalha com a modelagem 3D do cenário e dos objetos do jogo, além de atuar na questão lógica do game.

A ideia de desenvolver seu próprio game possibilitou a Sampaio abrir uma startup, empresa iniciante no ramo de tecnologia. A empresa, que recebeu o nome de Grumpy Panda Studios, foi criada depois de uma conversa que ele teve com Victor Stabile, diretor da Sanca Ventures, organização responsável por transformar novas ideias em startups, com sede em São Carlos.

Tales, Lucas e Luiz (da esquerda para a direita) são os desenvolvedores do Grand Shooter

Mercado aquecido – “Hoje, os jogos não fazem parte de um nicho, são produzidos para atender a públicos diversos e com propósitos diferentes. Por isso, diversas empresas de tecnologia possuem setores responsáveis por desenvolver jogos e frequentemente recrutam alunos do ICMC para esse fim”, explica o professor Moacir Ponti. Segundo ele, os cursos de computação do Instituto dão um bom embasamento para a formação desse profissional. “No ICMC, os estudantes também podem fazer parte do grupo Fellowship of the Game (FoG), cujo objetivo é reunir alunos com diversas habilidades como programação, arte, multimídia e roteiro para aprender a desenvolver jogos”, completa. 

Recente pesquisa realizada pela consultoria especializada no ramo de jogos Newzoo revela que o mercado brasileiro de games é o primeiro em faturamento de toda a América Latina e o 11º no mundo. Segundo a empresa, o Brasil tem uma estimativa de receita para 2015 de US$ 1,45 bilhão. 

Quem também está apostando nesse mercado em franca expansão é Julio Trasferetti, aluno de Ciências de Computação do ICMC, outro fã de videogames desde criança: “Quando era pequeno, eu já jogava, assistia a desenhos e ficava imaginando com tudo aquilo era feito, como funcionava”. Hoje, aos 21 anos, ele entende esses mecanismos muito bem e está desenvolvendo o jogo Run, que será lançado no primeiro semestre de 2016 para Playstation 4, Xbox One e PC.

O game, que foi inspirado na série japonesa de jogos Metal Gear, conta a história de Isaac Wain, um ex-agente diagnosticado com esquizofrenia que foi preso acusado de matar a esposa. Ao mesmo tempo em que convive com a doença, o personagem deve se desdobrar para conseguir fugir da prisão onde foi levado. “Eu estava de férias e um dia acordei com essa história na cabeça, até os nomes dos personagens vieram junto”, conta Trasferetti, que programa desde os 12 anos.

O primeiro passo rumo ao seu sonho aconteceu ano passado. Ele abriu a microempresa Torch Games em Indaiatuba, no interior de São Paulo, sua cidade natal. Com o roteiro de Run pronto, começou a recrutar pessoas do mundo todo para que o ajudassem no projeto. Atualmente, ele conta com oito colaboradores no total, distribuídos entre Brasil, Marrocos, Hungria, França, Grécia e Estados Unidos.

O pontapé inicial para a abertura de seu próprio negócio foi a atuação de Trasferetti com o software de desenvolvimentos de games Unreal Engine, quando fez testes de plataformas, criando vários jogos a fim de encontrar algum possível problema mecânico no funcionamento dos softwares: “Foi a partir desse trabalho que percebi que conseguiria abrir minha empresa”.

Com o Run idealizado, o projeto do jogo foi submetido à Sony e à Microsoft. As empresas possuem programas que aceitam propostas de novos games de qualquer desenvolvedor do mundo e o do estudante do ICMC foi aprovado. A versão pré-oficial (beta) do game foi exibida em grandes feiras americanas do ramo como a Game Developers Conference (GDC) e a Eletronic Entertainment Expo (E3). Segundo o aluno, a proposta obteve uma boa aceitação do público.

No game Run, ex-agente que sofre de esquizofrenia deve fugir da prisão

Trasferetti também foi membro do FoG e conta que tenta passar sua experiência para os membros do grupo. “Eu quis trazer minhas conquistas para eles, mostrar esse caminho paralelo à Universidade que eu tracei. Muitos têm vontade de criar seu jogo, mas não sabem exatamente para onde seguir”, revela. Ainda sobre o FoG, o estudante destacou a relevância do trabalho coletivo para o desenvolvimento de games: “Esse trabalho em grupo e o fato deles aprenderem a lidar com pessoas diferentes são as coisas mais importantes”.


Texto: Henrique Fontes - Assessoria de Comunicação do ICMC
Crédito das imagens: Reinaldo Mizutani (foto de Julio Trasferetti) e Henrique Fontes (foto de Tales, Lucas e Luiz)

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373-9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br