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terça-feira, 4 de julho de 2017

Competições estão virando moda na área de tecnologia: da graduação ao mercado de trabalho

Hackathons e disputas de inovação invadem o setor e contribuem para o desenvolvimento de alunos e profissionais

Hackathon da Globo: evento contou com a participação de vários alunos do ICMC
(crédito: Richard Duchatsch Johansen)

Quem está por dentro da área de tecnologia tem notado que, cada vez mais, as competições estão se tornando tendência no Brasil. Influenciadas pelos ideais de inovação que tomaram conta da área nos últimos tempos, as diversas competições vêm se popularizando nas universidades e no mercado. Hackathons, programas de aceleração de startups e até mesmo competições internas nas universidades possuem vários aspectos em comum, embora tenham objetivos distintos. 

Para que houvesse essa popularização, mudanças foram acontecendo em todo o ambiente da tecnologia. “O aluno está mais conectado, a tecnologia em constante evolução, as empresas à procura de bons profissionais e o mercado aquecido. Tudo isso cria um ambiente bastante propício a esse tipo de competição”, explica a professora Ellen Francine, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

As mudanças nos alunos, em especial, se relacionam com o aumento do interesse em empreender e, segundo a professora Ellen, é observado um crescimento significativo nos últimos anos: “Lá atrás a gente não via essa ideia de próprio negócio, era ‘eu quero ir pra uma grande empresa, crescer lá dentro’. Hoje, a gente vê isso de uma forma muito mais clara, já com alunos que estão ingressando”. 

A equipe de Caio (em pé, à direita) durante o Hackathon da Globo
(crédito: Richard Duchatsch Johansen)

Criatividade e aprendizado - Mas o que são essas competições? Como elas funcionam? Passar 30 horas de um fim de semana estudando sem intervalos não é, exatamente, o plano ideal de ninguém. Mas passar o mesmo período desenvolvendo um protótipo que pode resolver um problema importante e, ao mesmo tempo, conhecer outras pessoas, aprender coisas novas e ainda ganhar uns prêmios parece interessante, não é mesmo? É assim que funcionam os hackathons. 

Esses eventos são “maratonas de programação”, organizados por empresas, órgãos públicos ou grupos independentes a fim de encontrar soluções para um problema específico por meio do desenvolvimento de protótipos. Os hackathons têm crescido, em especial, graças à cultura de softwares e hardwares livres. 

Existem diversas vantagens em participar, principalmente por causa do aprendizado. “A primeira vez que eu ouvi falar de Arduino e Raspberry Pi foi num hackathon. Então, independentemente da área, você acaba conhecendo coisas novas, ferramentas novas”, explica Eder Santana, aluno de Bacharelado em Matemática do ICMC. 

Já Caio Lopes, aluno de Engenharia de Computação do ICMC, acredita que é a intensidade do aprendizado que realmente faz a diferença. “Se você decidir experimentar um conhecimento novo, você ganha uma energia a mais no hackathon. Eu estava aprendendo Android básico em um hackathon e saiu um aplicativo legal. Foi um salto muito grande, que eu não teria se decidisse estudar em um fim de semana”, ele conta.

Caio foi um dos alunos do ICMC que participaram da edição mais recente do Hackathon da Globo, realizado em maio, em que o tema era O futuro da produção e distribuição de conteúdo em jornalismo, esportes e entretenimento. Nesse evento, um dos mentores era Bruno Lemos, formado em Bacharelado de Sistemas de Informação no ICMC e campeão da edição de 2016.

Em 2017, outro Bruno se destacou na competição da Globo. Formado em Ciências de Computação, Bruno Orlandi fez parte da equipe que ficou em segundo lugar. “No ICMC, os trabalhos em grupo e conceitos como aprendizado de máquina me ajudaram no hackathon. Foi no Instituto que comecei a reunir um time e focar para programar algo. Por isso, os alunos do ICMC se destacam nessas competições”, diz.

Seu grupo desenvolveu um chatbot para interagir com as notícias do portal G1. Ao conectar com o Facebook, o usuário poderia fazer perguntas relacionadas à Operação Lava-jato, de depoimentos de políticos a empresas envolvidas. O chatbot identificava o contexto das perguntas e buscava, no acervo de notícias, a resposta correta. “A Globo está preocupada com a inovação e traz o público jovem para ajudar a criar novas ideias para o futuro”, explica Orlandi.

Essa imersão em um ambiente de inovação e criatividade não beneficia somente quem participa de um hackathon. A rede de contatos desenvolvida nesses eventos pode ser bastante vantajosa. “Eu conheci o CEO da Motorola, por exemplo. Um amigo meu conseguiu um estágio na Motorola porque o orientador dele conhecia um dos organizadores. Nos bons hackathons, na hora de fazer a apresentação, terá uma galera que vai querer financiar seu projeto, você ganhando ou não”, explica Eder. Ele conta que dezenas de iniciativas foram financiadas durante um hackathon na última Campus Party.

Bruno Orlandi (à esquerda) e sua equipe ficaram em segundo lugar no último Hackathon da Globo
(Crédito: Richard Duchatsch Johansen)

Riscos e contratempos - Mas será que tudo é vantajoso nesse universo? Alguns organizadores distorcem os propósitos dos hackathons em benefício próprio. Uma das principais críticas dos participantes envolve a realização de um evento para solucionar um problema específico. “Tem empresa que pensa assim: vamos comprar umas pizzas com o dinheiro dos participantes para resolver nosso problema”, diz Eder. Sua opinião é compartilhada por Caio, que acrescenta a questão da propriedade intelectual. “Alguns regulamentos falam que o código é direito da empresa e não do grupo que fez. A maioria dos participantes não gosta muito disso”, explica. 

Outro aspecto que tem sido levantado sobre essas disputas é a multidisciplinaridade dos eventos. Muitos organizadores divulgam seus hackathons apenas para programadores, o que acaba limitando o potencial criativo da iniciativa. Segundo Eder, uma boa equipe é dividida em três partes: a que pensa no negócio e na aplicação da ideia no mercado; a que vai criar, desenvolver o software e o hardware; e a de design, que vai transformar a ideia em um produto de verdade. “Eu acho que pluralidade é muito bom porque nem sempre a pessoa da área de programação sabe o que realmente funciona. Eu vejo, em vários hackathons, uma equipe de cinco desenvolvedores capazes de fazer qualquer projeto que entregarem para eles, mas não conseguem pensar num projeto viável”, ele afirma. 

Apesar de concordar com a ideia, Caio é mais cauteloso com essa mistura de áreas. “Desenvolvedor pensa de um jeito muito diferente do que um usuário. Então, dependendo da área, ter uma pessoa de fora ajuda demais. Só que, querendo ou não, as 30 horas são mais voltadas para desenvolver o protótipo. Qualquer outra área vai entrar como business, porque ajudará na ideia e a vendê-la. Eu fico muito bravo quando vou a um hackathon que o cara apresenta slide e não um protótipo”, explica. 

Será que esses pontos negativos não ameaçam os hackathons? Eder acredita que os aspectos positivos são mais importantes. “Na competição da Serasa, aqui em São Carlos, eles queriam adaptar melhor o mercado de varejo aos cegos. E isso era muito legal, tinha um benefício social”. Ele conta, também, que participou de uma competição sobre agricultura urbana, em que eram buscadas alternativas para plantar comida na cidade. “No geral, os bons hackathons que eu vi têm desafios no sentido de ajudar as pessoas. Elas vão comprar essas soluções, claro, mas você está ajudando de alguma maneira”, conclui. 
Equipe da Arquivei durante atividade realizada com alunos do ICMC no ano passado
(crédito: Denise Casatti)

Startups e programas de aceleração - Formado em Ciência da Computação pelo ICMC, Filipe Grillo faz parte da equipe que criou a startup Arquivei. Ela surgiu no fim de 2013 e foi desenvolvida por um grupo do qual participam outros ex-alunos do Instituto. A startup desenvolveu uma ferramenta online que consulta e armazena todas as notas fiscais emitidas por uma empresa, facilitando a organização e evitando a perda de documentos importantes.

Neste mês de julho, Filipe vai para os Estados Unidos com mais dois funcionários da empresa passar duas semanas no Google. Essa viagem é a primeira parte do LaunchPad Accelerator, programa de aceleração de startups do Google que tem duração total de seis meses. A Arquivei tentou participar da edição anterior do programa, mas não foi selecionada. 

Participar de programas de aceleração é uma alternativa para as startups encontrarem soluções e crescerem. Esses programas são criados por grandes empresas ou bancos por meio de um processo seletivo. Eles escolhem as startups que acreditam possuir soluções inovadoras e possam gerar valor. Nem todos os programas possuem as mesmas contrapartidas: enquanto alguns exigem participação nos lucros, outros desejam apenas trazer para dentro das empresas o viés empreendedor natural das startups, além de solucionar alguns de seus problemas. Em troca, cedem especialistas em diversas áreas para aconselhar no crescimento delas e investem dinheiro. 

O programa do Google, em especial, não exige nenhuma participação acionária nas empresas. “Eles ganham tendo contato, podem trocar conhecimento entre seus engenheiros e as startups”, afirma Filipe. Mesmo assim, ele acredita que vai ser uma experiência única. “Nessas duas semanas de viagem, vamos poder conversar com os engenheiros do Google e eles vão nos apresentar mentores que nos ajudarão a acelerar. Depois, de tempos em tempos, eles nos mandam tarefas para irmos na direção do crescimento indicado”, explica. 

Mas alguns programas não são tão benéficos para as startups. Filipe, inclusive, quase participou de um: “era um programa de aceleração com um contrato extremamente agressivo. Eles se reservavam ao direito de pegar uma porcentagem grande da sua empresa por um valor baixo, algo muito vantajoso para o programa mas nem um pouco para as startups. Tem que tomar muito cuidado com esses contratos de aceleração”, afirma. 

Por isso, Filipe revela que existem outras formas para uma startup crescer sem precisar competir nesses programas. “Aceleração é importante para ter mentoria e aprender a passar pelos desafios mais rápido. Se você está precisando do dinheiro, exclusivamente, é melhor buscar um fundo de investimento ou um investidor-anjo”, conta.

O aluno do ICMC Flávio Salviano foi finalista do Prêmio Santander Empreendedorismo
e recebeu orientação da professora Ellen (crédito: Denise Casatti)

No contexto da universidade - Como a universidade se relaciona com esse universo? No Brasil, a maioria dos hackathons costumam ser organizados por empresas e órgãos públicos. O ecossistema das startups, por mais que envolva os alunos, ainda não inclui totalmente o meio acadêmico. 

“Nos Estados Unidos, a vertente de hackathon é muito mais forte. Aqui, só empresa organiza, não vejo hackathons universitários”, afirma Caio, que participou pela primeira vez de uma dessas competições enquanto fazia intercâmbio. A Major League Hacking, por exemplo, é uma organização de estudantes norte-americanos que apoia hackathons universitários em todo o país, com foco na troca de ideias e ambiente mais comunitário. 

“Eu vi que os próprios alunos e universidades têm uma movimentação com relação a isso, até ligado ao movimento maker, que tem esse espírito de querer fazer, construir as coisas. O hackathon cria esse contexto num fim de semana, de sair da inércia e botar a mão na massa. Isso que eu sinto falta na universidade”, diz. Ele acredita que, no Brasil, durante a graduação, existe pouco espaço para iniciativas como essas, já que os alunos são sobrecarregados de provas e trabalhos.  Para mudar essa cultura, Caio pretende organizar, em parceria com a Semana de Engenharia de Computação do ICMC, um hackathon durante todo o evento, aproveitando a ausência de aulas no período.

As startups também estão se relacionando mais com a universidade. “A gente sempre vem aqui dar palestra, curso, essa proximidade é muito boa, e acho que até poderia ter mais”, diz Filipe, da Arquivei. “Temos uma agência de inovação na USP, porque a tendência é trazer as startups para dentro da universidade. É isso que a gente espera: motivar a empresa a vir e ter desafios, criar esse ambiente propício para que a gente estimule o desejo de empreender no aluno”, afirma a professora Ellen.

A universidade ainda possibilita que outros tipos de competição aconteçam. Cada vez mais, os docentes estão procurando empresas para que elas proponham desafios relacionados às disciplinas. É o caso da Siena Idea que, em parceria com o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), promoveu o Be an Icon, uma competição para o desenvolvimento de softwares relacionados aos beacons, dispositivos que podem ser utilizados como sinalizadores de produtos e de locais.

Outro exemplo é o Ideas for Milk, realizado pela Embrapa no ano passado com apoio do ICMC, em que os alunos deveriam pensar em soluções para problemas na cadeia do leite. “Não era um desafio de programação, não era hackathon, mas houve a conexão da Embrapa com a disciplina de Empreendedorismo e eles tentaram resolver um problema específico. Isso motivou os alunos a pensarem fora da caixa, que é o que se incentiva nessa disciplina”, conta Ellen. A própria Arquivei já contribuiu para o desenvolvimento de projetos em uma turma de Engenharia de Computação do ICMC.

Quem também se aventura pelos desafios de tecnologia são os alunos de pós-graduação do ICMC. Orientados pelo pós-doutorando Humberto Brandão, que ministra a disciplina de Inteligência Artificial Aplicada, mestrandos e doutorandos do Instituto se classificaram para a etapa final do Data Science Game, a maior competição de ciência de dados do mundo. Ele acredita que essa área se beneficia muito com esses eventos: “Hoje em dia se tornou muito mais fácil a gente aprender conceitos novos participando dessas competições, porque existe ali uma rede social de cientistas de dados trocando informações”. 

Para Humberto, participar de desafios como esse, bem como de hackathons e outras competições, é de suma importância porque possibilita aos estudantes aplicar toda a teoria que aprendem durante o curso, vislumbrando soluções que são úteis para algum tipo de comunidade. “Isso motiva muito os alunos que estão trabalhando, porque eles veem de maneira concreta como podem ajudar o mundo”, finaliza. 

Partipantes do Ideas for Milk, realizado no ano passado (crédito: Renan Alcântara)

Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Problemas da vida real despertam o espírito empreendedor nos alunos da USP

Ao desenvolverem projetos em sala de aula para participar de competições como Ideas for Milk, Be an Icon ou resolver problemas reais de empresas, os estudantes do ICMC passam a compreender melhor quais desafios permeiam a jornada de um empreendedor

Os alunos do ICMC Lucas e Jéssika durante a apresentação do projeto Vet24hs
na final local do Ideas for Milk

Uma solução mobile e web para que produtores rurais entrem em contato com profissionais de saúde animal como veterinários e zootecnistas a fim de agendar consultas, realizar consultorias e receber alerta da situação agropecuária na região. Essa foi uma das cinco propostas finalistas apresentadas na etapa regional da competição Ideas for Milk em São Carlos. Chamado de Vet24hs, o projeto surgiu nas salas de aula do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Apesar de não ter sido classificado para a etapa final do desafio, o grupo que desenvolveu a ideia pretende dar continuidade à iniciativa. 

“Foi uma experiência indescritível e totalmente diversa do que normalmente se faz em sala de aula. Precisamos unir nossa técnica com as necessidades do cliente e pesquisar sobre o agronegócio do leite, uma área sobre a qual não conhecíamos nada”, revela Lucas dos Santos, aluno do curso de Estatística do ICMC, um dos responsáveis pelo Vet24hs. “Foi um desafio que conciliou academia e mercado e fez a gente enxergar um universo amplo de aplicações tecnológicas no campo”, completa o estudante. Na opinião de Lucas, o Ideas for Milk possibilitou a aproximação de profissionais que não costumam dialogar: “Poucas pessoas que trabalham na área tecnológica se interessam pelos problemas enfrentados pelo homem do campo, bem como poucos que atuam no agronegócio se interessam pela tecnologia”. 

O estudante explica que, inicialmente, o Vet24hs era apenas um projeto desenvolvido para a disciplina Empreendedorismo: “Mas a professora Simone Souza nos falou sobre a competição e nos incentivou a participar”. Lucas coordenou o desenvolvimento da proposta junto com a estudante Jéssika Darambaris, que estuda Engenharia de Computação – curso oferecido em parceira pelo ICMC e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). “O Ideas for Milk me fez ter mais confiança em mim mesma e aprender a defender uma ideia como se fosse a melhor já inventada. Essa confiança e motivação contam muito na hora de conversar com os avaliadores ou futuros investidores”, conta Jéssika. Também fizeram parte da equipe a gestora de recursos humanos Lígia Rissardi e mais três estudantes de Engenharia de Computação: Guilherme Bordignon, Lais Fortes e Yuri Robin.

Para a professora Simone, os jovens se empolgam quando conseguem vislumbrar a aplicação dos conceitos que estão aprendendo em sala de aula na solução de problemas da vida real. Divulgar as competições em que eles podem inscrever seus projetos é um estímulo adicional. “Ao participar dessas iniciativas, eles têm um amadurecimento, passam a enxergar qual caminho deve ser percorrido para que uma ideia inovadora, nascida dentro da Universidade, transforme-se em um produto e chegue ao mercado”, conta Simone.

Segundo Jéssika, as aulas de empreendedorismo foram fundamentais para definir o formato da proposta, já que, inicialmente, o grupo não tinha nenhuma experiência na elaboração de um modelo de negócio: “Não sabíamos responder perguntas básicas: como você vai ganhar dinheiro? De quem vai cobrar esse dinheiro? Por que as pessoas pagariam ou investiriam na sua ideia?".

Durante as aulas, a estudante revela que houve várias apresentações e, a cada etapa, a professora Simone e os demais colegas de sala levantavam questões importantes para as equipes e faziam os grupos refletirem mais sobre o assunto e aprimorarem as propostas. “A ideia inicial foi apenas um embrião que foi se desenvolvendo ao longo da disciplina e chegou à forma que apresentamos para a Embrapa.” Na final local realizada em São Carlos dia 28 de novembro, durante os 15 minutos em que os avaliadores questionaram o grupo, não houve nenhum imprevisto porque todas as perguntas já haviam sido respondidas em sala de aula. “Acredito que o maior aprendizado foi: não basta ter uma ideia boa, ela precisa ser bem desenvolvida, é necessário estudar o mercado”, completa Jéssika.

Participantes da final local do Ideas for Milk, realizada dia 28 de novembro em São Carlos




Aproximando academia e indústria – O ICMC foi uma das instituições correalizadoras do Ideas for Milk em São Carlos e o responsável por articular a parceria com a Embrapa foi o professor José Carlos Maldonado. “No ICMC, temos visto várias iniciativas, algumas delas no âmbito de disciplinas e outras no âmbito de projetos em rede, com o intuito de trazer os problemas e demandas sociais para dentro da Universidade, procurando estabelecer redes de colaboração entre a academia e a indústria, ou com o próprio governo”, ressalta o professor. 

Na opinião de Maldonado, o aluno, enquanto cidadão, deve desenvolver, na Universidade e em sua vida profissional, um conhecimento mais amplo sobre os problemas e demandas sociais nos mais diversos domínios de aplicação: “Esse conhecimento pode motivá-lo a desenvolver habilidades e competências na busca de soluções para esses problemas e demandas”. 

Considerando-se as oito cidades-sede que realizaram o Ideas for Milk (São Carlos, Belo Horizonte, Campinas, Juiz de Fora, Lavras, Piracicaba, Porto Alegre e Viçosa), 131 propostas foram submetidas e São Carlos foi a que recebeu o maior número de projetos, 29 no total. “São Carlos e região constituem um solo rico na formação de profissionais de altíssima qualidade na área de tecnologia da informação e comunicação. Esse cenário leva, certamente, à proposição de diversas e inúmeras soluções, assim como propiciará altos investimentos, num futuro próximo, constituindo um ecossistema de inovação e empreendedorismo fértil, cenário que hoje em dia já se delineia”, esclarece Maldonado.
O professor José Carlos Maldonado no lançamento do desafio Ideas for Milk em São Carlos

A final nacional do Ideas for Milk aconteceu dia 13 de dezembro, em Brasília. A equipe SCL Rota – Sistema de Coleta de Leite, finalista de Belo Horizonte, ficou em primeiro lugar ao propor uma plataforma que acompanha e gerencia a rota do leite desde o produtor até a indústria. “O papel das universidades foi importantíssimo em unir a turma da tecnologia da informação com a das ciências agrárias. Estamos deixando um caminho sólido para que outros segmentos do agronegócio possam repetir essa experiência de acordo com suas particularidades”, diz o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins Paulo Martins.

Be an Icon – Outro estudante de Engenharia de Computação do ICMC que só ingressou em uma competição por causa das aulas de empreendedorismo foi Rafael Farah. O projeto que ele desenvolveu, SmartGuide, um guia automático destinado a auxiliar pessoas com deficiência visual a terem uma experiência mais completa em ambientes culturais, como museus e exposições, ficou entre os finalistas no concurso Be an Icon. Realizado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, sediado no ICMC, em parceria com a empresa Siena Idea, o concurso tem como objetivo promover aplicações para a tecnologia dos beacons, pequenos dispositivos físicos que emitem curtos pacotes de dados bluetooth com certa frequência e raio de alcance programáveis.

“As aulas de empreendedorismo foram de grande importância. Eu só fiquei sabendo do concurso por causa disso e precisei desenvolver um modelo de negócio em Canvas, tópico que a professora Simone ensinou em sala”, conta Rafael. Ele explica que a ideia de desenvolver uma solução voltada a pessoas com deficiência visual surgiu por ele acreditar que todos devem ter acesso a atividades culturais: “Embora esse acesso seja único para cada pessoa, ele não pode ser negligenciado a certa parcela da população. A ideia do SmartGuide é justamente essa: proporcionar uma experiência mais completa, de modo que todos possam aproveitar a ida ao museu ou a exposições de arte”.

Agora, Rafael está trabalhando no desenvolvimento do aplicativo e estudando como realizar a comunicação com os beacons físicos. Ele e os demais responsáveis pelos cinco projetos classificados para a segunda fase do concurso têm até o dia 24 de fevereiro para entregarem as propostas detalhadas de seus projetos. “A utilização de beacons para sinalização de itens de acervo em museus, de produtos para venda e em guias eletrônicas para turismo é bem conhecida. Pretende-se, com esse concurso, expandir o universo de utilização desses dispositivos dentro do que se convencionou chamar de Internet das Coisas”, explica Edson Moreira, professor do ICMC e um dos coordenadores do concurso. 
O professor Edson Moreira durante o workshop de lançamento do concurso Be an Icon

Edson é um dos pioneiros do Instituto na apresentação de problemas reais aos alunos em sala de aula, estimulando-os a propor soluções para empresas. Há seis anos o professor inclui a demonstração do protótipo de um produto e a construção de um plano de negócio na avaliação de uma das disciplinas que ministra no ICMC, Tópicos Avançados em Comunicação. “O aluno tem que demonstrar que entendeu a teoria e que conseguiu transformar essa teoria em um produto vendável, com clientes, com mercado, com a ideia da cadeia de custos e tudo mais”, conta o professor.

Chamada de Projeto como Produto, a iniciativa de Edson prevê uma feira de problemas no início do processo, quando os alunos entram em contato com desafios propostos por diversas empresas. Durante o semestre, os estudantes têm várias reuniões para avaliar o andamento do estudo do problema e, no fim da disciplina, participam de uma feira de produtos, na qual apresentam as soluções que desenvolveram. Na edição de 2016 da feira de produtos, realizada dia 9 de dezembro, 14 equipes apresentaram seus projetos no saguão da Biblioteca Achille Bassi.

Muitas dessas ideias que surgem nas salas de aula do ICMC servirão de embrião para futuros aplicativos, serviços, produtos e startups. A equipe de Jéssika e Lucas, por exemplo, pretende amadurecer mais a proposta do Vet24hs, incorporar as várias dicas recebidas dos especialistas do Ideas for Milk e dar continuidade à proposta. “Termos chegado à final local da competição já foi uma vitória”, diz Lucas. “Essa experiência acendeu uma faísca na gente. Quero seguir na linha do empreendedorismo”, finaliza o estudante.

No dia 9 de dezembro aconteceu mais uma feira de produtos no ICMC
Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Créditos das fotos - duas primeiras imagens (final local do Ideas for Milk): Renan Alcântara; imagem do professor Maldonado: Denise Casatti; imagem do professor Edson: assessoria de comunicação do CeMEAI; imagem da feira de produtos: Reinaldo Mizutani

Mais informações
Site do Ideas for Milk: www.cnpgl.embrapa.br/ideasformilk
Site do Be an Icon: www.cemeai.icmc.usp.br/beanicon
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br