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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

De aluno a reitor: ele sempre sonhou em seguir carreira acadêmica

O reitor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Marcelo Turine, fez mestrado e doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos: “foram seis anos de aprendizagem e enriquecimento científico”

O ex-aluno do ICMC Marcelo Turine durante a cerimônia de posse como reitor da UFMS

No dia em que completou 46 anos, 8 de novembro de 2016, Marcelo Turine se tornou o reitor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Naquele momento, sentiu uma mistura de emoção, responsabilidade e amor à vida. Quando iniciou a trajetória como professor na UFMS, em 2002, ele não imaginava que um dia se tornaria reitor da Instituição, mas sonhava levar a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação do Estado de Mato Grosso do Sul ao patamar de referência nacional e internacional.

Na entrevista a seguir, ele revela, entre outras coisas, como a formação que obteve no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, contribuiu para que ele se tornasse o que é hoje.

Gostaria de compreender melhor os motivos que o levaram a fazer seu mestrado no ICMC. O senhor já conhecia o Instituto antes de estudar aqui? Lembra-se do primeiro dia em que esteve no Iocal? Quais foram as primeiras impressões?
Finalizei a minha graduação em Bacharelado em Ciência da Computação na Unesp/Ibilce em São José do Rio Preto/SP e meu sonho era continuar a vida acadêmica, ser professor, educador e cientista. Com 21 anos, eu e dois amigos, Marcus Vinicius Maltempi e Ricardo Hasegawa, decidimos fazer mestrado no ICMC em São Carlos. Como diz a música de Luiz Gonzaga “Pau de Arara”, só trazia a coragem e a cara. Nunca tinha visitado o Instituto, não conhecia nenhum professor ou a cidade de São Carlos. Cheguei em janeiro de 1992 e já fomos fazer a disciplina de Estrutura de Dados com a professora Agma Traina. Fui muito bem acolhido pela equipe da pós-graduação e colegas da disciplina e senti o potencial do Instituto nos primeiros dias: competência científica, seriedade acadêmica e qualidade do corpo docente. Entrei no mestrado logo após cursar a disciplina e conversei com vários professores para orientação. Importante destacar que as bolsas de mestrado não eram fáceis de conseguir. Somente depois de um ano que tive bolsa da Capes, um alívio e uma vitória.


Em que momento o senhor decidiu seguir carreira acadêmica e prosseguir seus estudos no mestrado, doutorado e pós-doutorado? Essa decisão foi tomada ainda quando estava na graduação?
É estranho falar sobre a programação da nossa vida. Como disse antes, já na graduação pensava em seguir a carreira acadêmica, ser professor de uma universidade pública brasileira, casar, ter filhos e ser feliz, um ingrediente essencial para a vida. O ICMC foi uma grande escola e casa cientifica para mim. Foram seis anos de aprendizagem e enriquecimento científico. Construí muitas amizades, amigos de que tenho saudades até hoje. Alguns ainda estão por São Carlos, outros se mudaram e outros já não estão no nosso meio. Não posso deixar de me lembrar do meu grande amigo, colega de república e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mauro Biajiz, que nos deixou tão precocemente.

Como conheceu sua orientadora no mestrado, a professora Maria das Graças Volpe Nunes? Ela foi uma pessoa importante em sua jornada?
A professora Graça Nunes é uma pessoa especial e muita querida na minha vida. Me ensinou os primeiros passos de um planejamento científico, até como fazer revisão bibliográfica. Um exemplo de ética e respeito, que além de ensinar tratava com amor seus orientados. Obrigado Graça Nunes, sua orientação me acompanha ainda hoje na minha vida científica e de gestão universitária. Uma orientadora que realmente nos orientou e de início aceitou o desafio de orientar um grupo da UNESP de Rio Preto: a mim, Marcus Vinicius, Ricardo Hasegawa e Rosana Satie. Eu queria fazer um projeto na área de computação aplicada para educação e na área de Sistemas Tutores Inteligentes. Iniciei minha pesquisa com a orientação da Graça Nunes e coorientação da professora Maria Dolores Ceccato Mendes, da Matemática, e, em 1994, defendi o trabalho TEGRAM – Um sistema Tutor Inteligente Baseado no Tangram para Ensinar Conceitos de Geometria. Não posso deixar de agradecer aqui toda equipe do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), do qual fiz parte desde o seu início em 1993, em especial Graça Nunes, meu querido amigo Osvaldo Novais de Oliveira Junior (Chu), Sandra Aluísio e Maria Cristina Ferreira de Oliveira.

O professor Paulo César Masiero, que também é professor aposentado do ICMC, foi seu orientador durante o doutorado no Instituto de Física da USP, em São Carlos. Ele também foi uma pessoa marcante na sua trajetória?
Sim, o Masiero é meu ídolo, referência na Engenharia de Software e amigo. Ainda não desisti de trazê-lo para Mato Grosso do Sul como professor visitante sênior na Faculdade de Computação da UFMS. Em 1994 não tinha doutorado no ICMC e todos o faziam no Instituto de Física. Eu queria continuar minha carreira científica e procurei o professor Masiero, que disse ter um desafio de trabalhar com modelagem de aplicações web com Statecharts. A Engenharia de Software não era minha praia, mas aceitei o desafio sob sua orientação. Como coorientadora tive novamente uma grande mulher e professora na minha vida, a professora Maria Cristina Ferreira de Oliveira, a Cris, com quem aprendi muitas coisas além dos ensinamentos acadêmicos: amor ao próximo, o sentido da família e muita humildade. Obrigado Graça Nunes, Cris e Masiero, vocês são exemplos para mim e amo vocês. Concluído o mestrado, fui aprovado no doutorado, realizado no período de 1994 a 1998. O doutorado foi muito bem planejado e organizado pelos meus orientadores: o respeito ao tema científico e prazos de conclusão foram, como deve ser, respeitados, ante a existência de investimento público.

De que forma a formação obtida no ICMC, as pessoas que conheceu e as oportunidades que surgiram aqui mudaram sua visão de mundo e o ajudaram a se tornar o que é hoje? Houve algum momento em que pensou em desistir?
A pesquisa desenvolvida no ICMC mostra a importância dos resultados decorrentes do emprego de recursos públicos, buscando qualidade e efetividade, dentro de um critério de valorização do mérito e num contexto humanizado. Essa visão formatou minha conduta profissional ao demonstrar que a frutificação da competência está intimamente ligada ao respeito às características humanas, sobretudo nas áreas da educação, pesquisa, extensão e inovação. As pessoas que conheci e as com que trabalhei mais proximamente, algumas já mencionadas, e outras tantas que fizeram parte importante da minha formação, se enquadravam dentro desse contexto. O tratamento dispensado ao aluno demonstrava sua importância e potencial, o que trago para a gestão da UFMS. Eu jamais pensaria em desistir, pois otimismo, fé e persistência são partes da minha essência.

Quais são os principais desafios que o senhor enfrenta atualmente em sua gestão frente à UFMS? Estudar no ICMC contribuiu de forma significativa para enfrentar esses desafios de hoje?
Assumi a gestão da UFMS em um momento político em que mudanças estão sendo realizadas, inclusive em relação à destinação e redução de recursos públicos, o que faz com que a forma de gestão tenha que ser modificada. Para assumir a reitoria da UFMS deixei os seis anos de presidência da FUNDECT (Fundação de Amparo ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), fundação como a FAPESP, autarquia em que os recursos são escassos e o bom resultado depende de muita racionalidade, mas que tem uma estrutura reduzida. O desafio é usar criatividade na gestão e motivação, para que o uso dos recursos disponíveis possam promover o desenvolvimento e a expansão do conhecimento, alavancando a UFMS nos cenários nacional e internacional. O ICMC já tinha essa característica ao tempo de minha pós-graduação, experiência que pretendo expandir na UFMS.

O professor Marcelo Turine (à direita) foi empossado como reitor da UFMS
no dia 4 de novembro pelo Ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho.
Já a cerimônia de posse aconteceu no dia 8 de novembro

O título da sua dissertação – TEGRAM – Um sistema Tutor Inteligente Baseado no Tangram para Ensinar Conceitos de Geometria – já indica que o senhor se preocupava com a formação dos professores para a educação básica. Em seu discurso de posse como Reitor, o senhor destacou que essa é uma responsabilidade fundamental da UFMS. Em sua opinião, de que forma os professores universitários podem contribuir para transformar o atual cenário da educação básica no Brasil?
Os professores universitários são os formadores dos profissionais que atuam ou atuarão na educação básica. Os profissionais a serem formados deverão estar aptos a promover nas nossas crianças o desenvolvimento de habilidades como comunicação na língua pátria e potenciais cognitivos, artísticos, culturais, esportivos, lógicos e matemáticos. O ensino deve contribuir para o desenvolvimento na criança e no adolescente de aptidão para análise crítica, sem implantação prematura de contornos ideológicos que ofusquem sua capacidade de pensar e agir livremente. Os valores humanos a serem transmitidos na educação básica devem ser agregadores, dentro de um projeto de harmonia nacional. Tudo isso começa na Universidade.

Durante a posse, o senhor também afirmou que é um apaixonado pelo papel da educação, da ciência, da tecnologia e da inovação como pilares para o desenvolvimento do Brasil e do Mato Grosso do Sul. Como o senhor pretende, durante sua gestão, estimular esse papel transformador da Universidade, o qual o motivou a ser reitor?
Para auxiliar nossos professores e cientistas nos novos desafios de pesquisa, será criada uma agência de desenvolvimento e inovação. É nosso papel institucional criar um ambiente motivador, inovador, empreendedor e com responsabilidade social e ambiental nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação, formando profissionais cidadãos prontos para auxiliar na resolução dos problemas de nossa sociedade e para que sintam a UFMS como um bom lugar para estudar, pesquisar e trabalhar. A mudança de paradigma na gestão universitária exige do corpo diretivo a abertura ao diálogo construtivo e permanente, a pavimentação de diretrizes e planos operacionais eficientes e eficazes e a transparência de todas as ações, bem como o respeito à diversidade. Pretendo ter uma gestão pautada no diálogo, na descentralização, na transparência e na governança pública com eficiência, bem como incentivar a criatividade, a ciência, a tecnologia, a inovação, a internacionalização e a comunicação, como alicerces para mudanças na prática acadêmica e na gestão administrativa.

Quer deixar alguma mensagem especial para os leitores?
Sou casado há vinte anos com uma mulher maravilhosa, desde 1996, e tenho três filhos queridos (Dhara, de 13 anos, Iago, com 7, e Davi, com 6). Olhando meus sonhos, posso dizer que Deus já me deu tudo que sonhava. Novos desafios profissionais surgem: ser reitor de uma das 63 universidades federais do Brasil e da maior universidade de Mato Grosso do Sul é um orgulho. Nunca sonhei ser reitor da UFMS, mas sonhava levar a educação, ciência, tecnologia e inovação do Estado de Mato Grosso do Sul ao patamar de referência nacional e internacional. A educação a serviço das políticas públicas. E agora tenho esse desafio e com trabalho em equipe e dedicação vamos percorrer o caminho necessário para tal finalidade.
Quero encerrar dizendo que tenho saudades da vida de estudante de mestrado e doutorado. Os dias passam e o importante são as amizades que conquistamos. Penso que devemos viver o presente, pensar o futuro e aprender com o passado. Nesse contexto, o ICMC fez parte da minha vida e ajudou a moldar o que sou. Por isso, agradeço a todos que comigo conviveram e que não conseguiria nominar, desde o responsável pela manutenção da ordem e limpeza do local que criavam, assim, condições para o desenvolvimento das habilidades intelectuais no Instituto, os profissionais da secretaria que tanto nos auxiliavam, até os orientadores, responsáveis pela formação intelectual dos estudantes.
Por fim, reforço para nossos jovens estudantes que não podemos deixar de sonhar. Nossos sonhos são a força espiritual que deve nos mover e nos unir aos nobres objetivos da sublime missão das universidades brasileiras: ensinar para a formação integral do cidadão, pesquisar para abrir novos horizontes do conhecimento e buscar todas as oportunidades para conversão do conhecimento em geração de riqueza e da tão carente geração de emprego para a massa de jovens que buscam na universidade pública brasileira a possibilidade de ascensão social.

Para Turine, ser reitor de uma das 63 universidades federais do Brasil e
da maior universidade de Mato Grosso do Sul é um orgulho


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Divulgação UFMS


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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

De aluno a professor: eles aprenderam a ensinar matemática

Em seus 45 anos de existência, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, contribuiu com a formação de mais de 300 professores para o ensino básico

Foto: Reinaldo Mizutani 

Com o giz em mãos, eles levam para a sala de aula a paixão pelo ensino e a marca do lugar que os tornou mais preparados para encarar a árdua missão de ser professor: o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. “Eu realmente amo o que eu faço e sei que posso fazer uma pessoa seguir um caminho melhor”, conta Michelle Carrara, que está entre os 337 professores de matemática formados ao longo das 45 anos de história do ICMC. Muitos dos profissionais que saem do instituto começam a se destacar cedo na carreira, atuando em instituições de ensino públicas, particulares ou abrindo suas próprias escolas.

Michele é um exemplo de quem seguiu pelo caminho do empreendedorismo. Licenciada em Matemática pelo ICMC em 2010, a professora abriu uma escola de aulas particulares, a Mapli, em Jundiaí, no interior de São Paulo, que oferece reforço em química, física e matemática. Ela também possui o site Matika que ensina matemática online. Ao mesmo tempo em que gerencia os dois projetos, ainda encontra tempo para dar aulas de matemática em um colégio particular da cidade, o Gaudí, para alunos do oitavo ano do ensino fundamental ao terceiro do ensino médio.

Sua vocação para ensinar começou cedo. Quando estava na sétima série, era uma das mais procuradas pelos companheiros de turma para tirar dúvidas: “Eu gostava de explicar para eles aquilo que eu sabia”, lembra Michelle. O reconhecimento dos amigos era inevitável e parece que aprender com a, então, jovem professora era muito mais fácil: “Com você eu entendo”, diziam seus colegas.

Depois de alguns anos como professora, Michele conta que ainda há certo receio por parte dos estudantes quando a disciplina é matemática, que traz consigo o estereótipo de ser uma matéria chata e complicada, refletindo essa rejeição até mesmo para o professor.“Por incrível que pareça meus alunos me amam”, ela brinca. A professora conta que procura manter uma amizade com os estudantes e tornar suas aulas mais descontraídas, lembrando sempre de “puxar a orelha” e ser exigente quando preciso. A fórmula vem dando certo, tanto que, desde que começou a dar aulas no colégio, sempre foi escolhida para ser paraninfa de turma ou professora homenageada.

A graduação na USP

Os anos de graduação no ICMC foram primordiais para a formação da educadora. Ela chegou em 2007 ao instituto, ainda imatura, e sua passagem por lá a fez crescer em diversos aspectos: “Cheguei muito nova, mas consegui amadurecer e evoluir tanto como profissional quanto pessoa. Algumas professoras me mostraram ideias que eu nunca havia imaginado sobre como passar conteúdos de formas diferentes, fazendo com que o aluno não tenha medo de matemática”, diz Michele.

O choque em sair do ensino médio e entrar na universidade foi amenizado aos poucos e uma pessoa muito especial em sua vida a ajudou nessa empreitada: Agilso Benet. Ele ingressou no ICMC no mesmo ano de Michelle para cursar Matemática Aplicada e Computação Científica e, depois de trilharem quatro anos universitários juntos, decidiram compartilhar o resto de suas vidas. “Fui para o ICMC, tomei um susto e ainda encontrei o meu amor”, celebra Michelle. O marido é quem desenvolve e administra os sites da Mapli e do Matika para a amada.

“Fui para o ICMC, tomei um susto e ainda encontrei o meu amor”,
celebra Michelle ao lado de Agilso - Foto: Arquivo pessoal

A escolha certa

Quando ainda era um pré-vestibulando, Everton Luna, 27 anos, sonhava em ser engenheiro, mas o destino fez com que ele descobrisse outra paixão. Depois de tentar por dois anos entrar em engenharia sem obter sucesso, resolveu prestar Licenciatura em Ciências Exatas no ICMC, curso oferecido em parceria com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e o Instituto de Química de São Carlos (IQSC), ambos da USP. “Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito”, conta Everton, que concluiu sua graduação em 2013.

Logo no ano seguinte, o ex-aluno começou a dar aulas de matemática para alunos do sétimo e oitavo anos do ensino fundamental da Escola Estadual Professor Ary Pinto das Neves, em São Carlos, onde está até hoje. “Eu gosto de dar aula, é compensador ver que os alunos estão aprendendo o que você ensina e a gente também evolui com eles”, revela.

Há quase três anos como professor, Everton se lembra de como o ICMC ajudou a prepará-lo para a profissão: “Eu tive ótimos professores que faziam a gente estudar bastante e eram bem rígidos. Minha matemática melhorou muito e, graças ao que aprendi no instituto, consigo dar minhas aulas com facilidade.” Pensando em crescer ainda mais, o educador resolveu se inscrever na pós-graduação do ICMC e ingressou no Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT), programa para capacitação de professores criado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) em 2011. (Leia mais em Ajudando o professor de matemática a se reinventar)

Everton começou o PROFMAT há cerca de um ano e já notou diferença em suas aulas: “Me aprofundei bastante em algumas áreas, principalmente na geometria. Sou um professor muito melhor do que era antes. Até mesmo para fazer desenhos na lousa, eu me sinto com um conhecimento mais amplo e bem mais à vontade”, relata o jovem, que sonha ser professor universitário.

Em sua dissertação, sob orientação da professora Esther Pacheco, Everton trabalha na aplicação de novas técnicas para o ensino de números negativos. Ele conta que seus alunos do sétimo ano têm dificuldades nesse assunto e, para ajudá-los, ele vai estudar modelos de ensino utilizados na Idade Média.

No ICMC, há dois cursos que possibilitam a formação de professores de matemática. O mais antigo é o de Licenciatura em Matemática, criado em 1987, e que já formou 232 professores. Cinco anos depois, ICMC, IQSC e IFSC se uniram para oferecer o curso de Licenciatura em Ciências Exatas, em que o aluno pode optar por fazer ênfase em matemática, física ou química. Nesse curso, já foram formado 105 profissionais com ênfase em matemática.

“Sou um professor muito melhor do que era antes”, revela Everton
depois de ingressar no PROFMAT - Foto: Reinaldo Mizutani

Texto: Henrique Fontes / Assessoria de Comunicação do ICMC


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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

De aluna a reitora: o amor à matemática a levou para a computação

Para a reitora da PUC-Campinas, a aquisição de conhecimento e o processo de formação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP foram muito sólidos, mas também prazerosos e estimulantes

Ângela fez iniciação científica com o professor Fernão Stella de
Rodrigues Germano, um dos professores pioneiros do ICMC, que também a
orientou no mestrado – Foto: Divulgação/PUC-Campinas

Ela ingressou no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, com a meta de se tornar professora de matemática. Ao longo do caminho, um novo curso nascia no Instituto: o Bacharelado em Ciências de Computação, que inicialmente era apenas uma ênfase para os estudantes que optavam pela matemática. A novidade atraiu a atenção daquela jovem para o que poderia se tornar a profissão do futuro e ela se apaixonou pela nova área, na qual se graduou em 1979. Passados 31 anos, Angela de Mendonça Engelbrecht se tornou a primeira mulher a tomar posse como Reitora da PUC-Campinas.

Na entrevista a seguir, a professora, que está em sua segunda gestão à frente da reitoria da PUC-Campinas, revela detalhes de sua trajetória e o quanto o ICMC foi relevante em sua jornada.


Gostaria de compreender melhor os motivos que a levaram a fazer sua graduação e seu mestrado no ICMC. A senhora já conhecia o ICMC antes de estudar aqui? Lembra-se do primeiro dia em que esteve no Instituto? Quais foram as primeiras impressões?


Gostar de matemática, como gosto até hoje, foi o primeiro e o principal motivo da opção, assim como o objetivo, igual ao de tantos jovens, de ser professora. Morando em São Carlos, fiz cursinho no Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO) e, nesse período de vestibular e decisão, conheci detalhes e características do ICMC suficientes para orientar minha escolha, da qual jamais me arrependi.

Quanto ao primeiro dia, provavelmente por conta ansiedade que marca o início da vida universitária, a memória não guardou detalhes. Mas lembro, ainda com a mesma intensidade, a emoção do início da vida universitária, incluindo a convivência com os colegas, o contato com docentes renomados e tudo o mais que compõe a vida acadêmica, que recordo com saudade e muita alegria.



Foi durante sua graduação em Matemática que a senhora se encantou pelas Ciências de Computação? Como foi essa decisão de migrar da Matemática para as Ciências de Computação, um curso que estava começando a ser criado no ICMC? Sua família a apoiou?


A força que a novidade exerce sobre os jovens e a influência dos colegas, mencionando a “profissão do futuro”, foram os fatores que mais pesaram na minha decisão de trocar a matemática pela computação. O gosto pela matemática, como já disse, sempre foi muito forte, mas a computação abriu novos horizontes e me tornei apaixonada pela área. Agradeço aos colegas que estimularam a decisão e também ao ICMC, oferecendo um curso bem estruturado, formando pessoas para um campo de atuação que, à época, ainda estava se consolidando.

O apoio da família esteve sempre presente, mesmo no momento em que abandonei o projeto mais tradicional de ser professora de matemática, para entrar em uma área que oferecia muitas opções, tanto no campo acadêmico de ensino e pesquisa, como no mundo empresarial.



Em que momento a senhora decidiu seguir carreira acadêmica e prosseguir seus estudos no mestrado? Como conheceu seu orientador, o professor Fernão Stella de Rodrigues Germano? Ele foi uma pessoa importante em sua jornada?


Costumo dizer aos meus alunos que a vida profissional depende, em parte, das nossas opções e escolhas, mas, em parte, também depende das oportunidades que se apresentam e cito meu caso como exemplo. Seguindo a tendência dos colegas, à medida que se aproximava a conclusão do curso, comecei a procurar colocação no mercado, encaminhando currículo para duas empresas de Campinas. Mas havia, também, uma vertente representada pelo mestrado e o fato de ter feito iniciação científica com o professor Fernão pesou muito na decisão, pois eu já conhecia suas qualidades como orientador e ele, por sua vez, me estimulou bastante.

Quanto à influência na minha formação como professora e no desenvolvimento de pesquisa, gosto de usar uma única palavra para dimensionar a importância do professor Fernão: fundamental. Docente e pesquisador que teve contato com os primeiros computadores que chegaram ao Brasil, o professor Fernão ensinava com sabedoria, orientava com segurança e eu aprendi muito com ele.



Em 31 de janeiro de 2010, a senhora se tornou a primeira mulher a tomar posse como Reitora da PUC-Campinas. Como se sentiu naquele momento? Quando a senhora iniciou sua trajetória como professora no Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias da PUC-Campinas, em 1983, imaginava que um dia se tornaria Reitora da instituição?


Ainda estava fazendo mestrado quando ingressei na PUC-Campinas, realizando aquele projeto – e sonho – de ser professora, que vinha lá dos tempos do vestibular, com a computação ocupando o lugar da matemática. O envolvimento com a sala de aula e a finalização do mestrado não deixavam muito espaço para detalhar o futuro e eu me concentrei e me dediquei em consolidar a carreira acadêmica. Entretanto, a ligação com a PUC-Campinas foi crescendo e, de 1983 até 2010, exerci funções de gestão que contribuíram para meu amadurecimento profissional, tanto quanto para ampliar meu conhecimento sobre os aspectos funcionais e administrativos da Instituição. Ainda assim, não imaginava receber um convite para ser reitora, que chegou ao final da gestão em que fui vice-reitora. Evidentemente, fiquei honrada com essa prova de confiança e avaliação positiva do meu trabalho para um cargo de tanta responsabilidade.

Quanto ao fato de ser a primeira mulher a ocupar a reitoria na PUC-Campinas, não acredito que faça diferença na exigência de desempenho e necessidade de plena dedicação. Aprendi que, mesmo em universos com predominância quantitativa masculina, como é o caso da área de computação, a mulher pode se impor com igualdade de conhecimentos, trabalho e chances de sucesso.

Em 2010, Ângela se tornou a primeira mulher a tomar posse como
Reitora da PUC-Campinas – Foto: Divulgação/PUC-Campinas

De que forma a formação obtida no ICMC, as pessoas que conheceu e as oportunidades que surgiram aqui mudaram sua visão de mundo e a ajudaram a se tornar o que é hoje? Houve algum momento em que pensou em desistir?

Atualmente, o ICMC é uma unidade de grandes proporções, que já formou milhares de graduados, mestres e doutores. Mas eu tive a oportunidade de frequentar o Instituto ainda pequeno e, portanto, com uma convivência intensa e um alto grau de integração entre alunos, professores e funcionários. Esse ambiente de coleguismo, mais a elevada capacidade como instituição de ensino e pesquisa do ICMC responderam por momentos marcantes e significativos da minha vida, talvez os mais importantes. Para mim, a aquisição de conhecimento e o processo de formação no ICMC foram muito sólidos, mas também prazerosos e estimulantes. Cursar a universidade representa um divisor de águas na vida de qualquer pessoa, contribuindo muito para torná-la adulta responsável e indivíduo independente. Comigo, não foi diferente.



Quais são os principais desafios que a senhora enfrenta atualmente em sua segunda gestão como Reitora da PUC-Campinas? Estudar no ICMC contribuiu de forma significativa para enfrentar esses desafios de hoje?


Segundo mandato em cargo de gestão é, sempre, um período de avaliação detalhada e superação de realizações anteriores. A avaliação tem que ser intensa e sincera para que sejam detectados e trabalhados pontos que exigem mudança, visando à ampliação de resultados, assim como para que os pontos que estão funcionando a contento sejam consolidados e aprimorados. O gestor precisa desdobrar-se nessa dupla atuação e a melhor ferramenta para isso são equipes dedicadas e capacitadas a tomar medidas acertadas e que façam essas medidas funcionais e administrativas fluírem por toda Instituição, envolvendo todos os seus componentes. Assim, costumo dizer que a equipe que me acompanha na PUC-Campinas torna a gestão mais leve e unida.



Raquel de Mendonça Engelbrecht, sua filha, formou-se em Engenharia de Computação no ICMC. O fato da senhora ter estudado aqui a influenciou de alguma forma nessa decisão? Ao se tornar mãe de uma aluna e, posteriormente, de uma ex-aluna do Instituto, isso mudou de alguma forma sua relação, sua visão e opinião sobre a Instituição?


Não acredito que pais que tomam a decisão pelos filhos estão agindo corretamente, como também não acredito que agem corretamente aqueles que se omitem e não aconselham nem refletem junto com os filhos sobre decisões e escolhas. Considerando a proposta de que a virtude está sempre no meio termo, procurei informar minha filha sobre o ICMC a partir da minha própria experiência, mas a decisão final partiu dela mesma.

O resultado me deixou muito feliz, seja pelo fato da Raquel ser formada em uma área bastante promissora em termos profissionais e de realização pessoal, seja pelo fato dela ter optado pelo ICMC para essa formação. Além disso, o fato de já ser formada pelo mesmo Instituto e na mesma área que eu nos torna colegas, além de mãe, filha e amigas.

Enfim, a formatura da Raquel e o acompanhamento durante o tempo em que ela cursou computação somente confirmaram minha visão, minha opinião e minha avaliação sobre a importância da área e o valor do ICMC como formador de profissionais competentes e pessoas bem preparadas.

Ingressantes da turma de Engenharia de Computação de 2003:
a filha de Ângela, Raquel, está no centro da foto, ao fundo, de
camiseta branca – Foto: Divulgação/ICMC-USP


Denise Casatti / Assessoria de Comunicação do ICMC

Leia mais no especial "Um instituto e suas infinitas histórias": jornal.usp.br/especial/icmc


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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Um Instituto de portas abertas para a comunidade

Em seus 45 anos, o ICMC vem proporcionando mudanças na vida de milhares de pessoas com cursos, eventos e diversas oportunidades

Iniciativa que ensina idosos a utilizar smartphones e tablets é um sucesso

Transformação. Objetivo que muitos almejam um dia, mas não sabem exatamente como alcançar. Transformação na rotina, na forma de pensar, na maneira de ser. Pode ser conquistada de formas diferentes e em infinitos lugares, porém, para cerca de 8 mil pessoas, ao longo dos últimos 10 anos, um local em específico foi o responsável por lhes proporcionar mudanças: o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Aprender robótica na pré-escola, a programar um computador na adolescência, a cantar em um coral ou, então, a mexer em tablets e smartphones na terceira idade. Essas são algumas experiências que o ICMC vem proporcionando para a comunidade ao longo dos últimos anos. “Ao oferecer atividades como essas, nós atuamos na educação, que pode ser medida pelas transformações que ela proporciona. Isso vai fazer a diferença, pois aqueles que recebem esse conhecimento estão num processo de evolução e também irão transformá-lo”, explica Solange Rezende, professora do ICMC.

Uma das primeiras atividades de extensão realizadas pelo ICMC foi o Programa de Verão em Matemática em 1982. O evento reuniu alunos em fase final de graduação, pós-graduandos e pesquisadores de matemática que participaram de workshops, palestras e cursos. A iniciativa existe até hoje.

Os anos se passaram e as ações de cultura e extensão foram sendo ampliadas. Só nos últimos 10 anos, contabilizam-se 307 cursos ou atividades oferecidas para a população e, em 2016, houve 1,4 mil participantes nessas atividades, um aumento de mais de 300% em relação a 2007. Um dos cursos de extensão mais recentes criados pelo ICMC foi o de Práticas com Tablets e Celulares, que ensina os idosos a lidar com essas tecnologias não tão comuns em seu dia a dia.

“A vida não se acaba com muita idade, eu quero me atualizar e aprender sempre”, conta Antonio Zanette, de 76 anos, que participa do curso. Quem também está gostando das aulas é Maria Inês Sega, 70 anos. Antes de participar da iniciativa, ela sabia apenas ligar e desligar o celular, hoje já consegue se comunicar com a família por meio das redes sociais e faz um elogio aos monitores do curso: “Fico admirada em ver a paciência com que eles nos tratam. Eles sabem tudo sobre tecnologia e conseguem descer no nosso patamar, passando uma energia muito boa”.

Para Antonio, o importante é aprender sempre

Coordenado pelas professoras Maria da Graça Pimentel e Renata Pontin, a primeira edição do curso ocorreu no primeiro semestre de 2015. Durante as aulas, alunos de mestrado e doutorado do Instituto auxiliam os idosos com as atividades propostas e analisam o desempenho obtido por eles para aplicar os resultados em suas pesquisas. Sandra Rodrigues foi monitora do curso e concluiu recentemente seu mestrado pelo ICMC, no qual estudou acessibilidade e usabilidade na web com foco em idosos. “Poder constatar a evolução dos nossos alunos e perceber que conseguimos inseri-los no mundo digital é muito gratificante”, relata.

A professora Solange destaca que muitos alunos, ao realizaram suas pesquisas durante o mestrado, o doutorado ou o pós-doutorado, têm buscado desenvolver projetos relevantes para a sociedade, que possam ter um impacto positivo na vida das pessoas. “Quando uma pesquisa proporciona um benefício para a comunidade, você vai além do artigo publicado e faz muito mais do que lhe é exigido”, conta a docente, que já contribuiu com diversas iniciativas da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.

Maria Inês ficou admirada com a paciência dos monitores do curso

Multiplicando a robótica – As atividades relacionadas à robótica também vêm sendo destaque ao longo da década. Para alunos da creche da USP, em São Carlos, e do Projeto Pequeno Cidadão, o primeiro contato com essa área de pesquisa começa cedo, por meio do curso Introdução à Robótica. Crianças de 4 a 6 anos e adolescentes de 14 a 16 aprendem, com o uso de kits robóticos, conceitos de matemática, como operações aritméticas, sequências numéricas, conceitos de distância, além de seguimentos de retas e curvas.

“Levar esse tipo de conhecimento pode despertar nas crianças e jovens o interesse por ciências exatas e engenharias, além de desenvolver nelas um espírito inovador”, explica a professora Roseli Romero do ICMC. Além dessa iniciativa, outros cursos também são oferecidos, como o preparatório para a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), evento que tem sua etapa regional realizada anualmente no ICMC.

“O público em geral se sente atraído por tecnologias e a robótica tem um atrativo a mais que é o de possibilitar a integração de conhecimento de hardware e software. As pessoas se sentem motivadas a tentar entender como a máquina funciona e desvendar isso é algo desafiador”, conta a professora.

Ação, diversão e aprendizado andam juntos nas aulas de robótica

Descobrindo vocações – “Um dos nossos objetivos é ensinar alunos do ensino médio ou cursinho a como programar um computador. Assim, eles podem decidir se é a carreira de computação que desejam seguir em suas vidas”, diz Raul Rosa, um dos 10 monitores do Projeto Codifique, promovido pelo Programa de Educação Tutorial (PET-Computação) do ICMC.

Os jovens que cursam o Codifique não são os únicos beneficiados pelo projeto. As aulas são ministradas por estudantes de graduação do ICMC, fato de grande relevância para eles: “É muito bom levar um pouco do que a gente aprende aqui para pessoas de fora da USP e serve como oportunidade para falarmos em público e organizar uma aula. Foi um crescimento pessoal”, conta Raul que está há um ano e meio no projeto.

O estudante afirma que as aulas são bem descontraídas e não existe uma separação entre professor e aluno. “Os próprios participantes dizem que não esperavam que a relação seria tão próxima”. O coordenador do Projeto, Luan Orlandi, ressalta a importância de proporcionar uma atividade como essa para os jovens: “Com o Codifique, você pode despertar o interesse da sociedade pela computação”.

Luan (à esquerda) e Raul (à direita) tentam despertar o amor pela computação em estudantes do ensino médio

Soltando a voz – “Quando soltam suas vozes sensibilizam a platéia e podem fazer a diferença na vida de muitos”. O autor dessa frase é Anderson Alexandre, presidente da Comissão de Ação e Integração Social (CAIS) do ICMC e um dos responsáveis pela criação do Coral da USP São Carlos.

Anderson conta que a idéia de criar um coral era um sonho antigo: “Eu pensava em algo que agregasse à comunidade e o Coral é uma atividade que, além de integrar, melhora a qualidade de vida e traz benefícios para a saúde física e mental”. Depois de muitos anos lutando para que o sonho se tornasse realidade, eis que chega o segundo semestre de 2015 com a abertura das primeiras inscrições. A iniciativa conta hoje com a participação de alunos, funcionários, docentes e membros da comunidade são-carlense.

“É muito importante oferecer oportunidades como essas para todos, pois abrimos a porta da Universidade, além de proporcionar um ambiente agradável e descontraído”, conta Anderson. O escolhido para reger o Coral foi o maestro Sergio de Oliveira, fundador do Coral da USP Ribeirão Preto.

Após um ano de sua criação, o sucesso da iniciativa se comprova a cada ensaio. Segundo Anderson, o grupo está mais fortalecido e conta hoje com um repertório bem eclético: “A lágrima no rosto de quem está assistindo a uma apresentação é um grande retorno e mostra que estamos no caminho certo. Para nós, concluir cada ação que desenvolvemos é a maior recompensa, pois assim deixamos uma semente para que as pessoas possam cultivar”.

O Coral aproxima a comunidade interna e externa, favorecendo a integração e o contato social
Texto: Henrique Fontes - Assessoria de Comunicação do ICMC

Crédito das imagens - três primeiras fotos (idosos): Henrique Fontes; foto da criança com o robô e do Coral da USP São Carlos: Denise Casatti; foto dos alunos que participam do Codifique: Reinaldo Mizutani.



Leia mais no especial "Um instituto e suas infinitas histórias": jornal.usp.br/especial/icmc


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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ele lançou novas bases para as ciências de computação no Peru

Na busca pelo sonho de fazer mestrado, um peruano encontrou uma segunda casa no Brasil e hoje ajuda a construir um plano nacional de infraestrutura de hardware e software para o governo do Peru


Para Ernesto, o ICMC é o ponto inicial de toda a mudança
que aconteceu na área de computação no Peru 

É dia 31 de dezembro, 21h30. A expectativa para a chegada do Ano Novo toma conta da cidade de São Carlos. Nos corredores vazios do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, um peruano chega com um sonho: fazer mestrado em computação. Depois de quatro dias viajando de ônibus e no trem da morte na Bolívia, ele está exausto e feliz a um só tempo. Concluiu a jornada, apesar de todas as dificuldades que encontrou pelo caminho, mesmo não compreendendo em que poltrona devia se sentar ao olhar para o primeiro bilhete de ônibus que comprou quando cruzou a fronteira com o Brasil, escrito em português, língua que não dominava.

O curso de verão no qual estava matriculado começava dia 2 de janeiro e Ernesto Cuadros-Vargas não fazia ideia do tempo que levaria para chegar à USP em São Carlos saindo de Arequipa, no Peru. Aliás, ele acreditava que o campus ficava em São Paulo e não no interior, a cerca de 230 quilômetros da capital do Estado. Por isso, passou o Natal com a família e embarcou em sua primeira ida ao Brasil no dia 27 de dezembro de 1995.

Naquela noite de Réveillon, quando saiu da rodoviária e pegou o táxi para o levar até a portaria principal da Universidade, não imaginava que começaria a ser desenhada ali uma história que iria impactar a vida de centenas de outros garotos peruanos. Um segurança do bloco E1 da USP lhe deu boas vindas e explicou como chegava ao ICMC, onde também só havia outro segurança. Com o carro que faz rondas na Universidade, ele deu uma carona para Ernesto e percorreram juntos os alojamentos do campus atrás de um colchão para acomodar o corpo cansado do jovem, que trazia consigo apenas US$ 400 e não queria ir para um hotel, pois sairia muito caro. Depois de encontrar o tal colchão, foi improvisado um quarto para o futuro estudante na sala de estudos da Biblioteca Achille Bassi. “Quando você está viajando quatro dias sem hotel e sem parar, aquilo é uma maravilha de colchão”, lembra Ernesto, que já percorreu o caminho entre Arequipa e São Carlos, por terra, 36 vezes.

O peruano na época em que estudava no ICMC

No dia seguinte, ao acordar, havia um sol maravilhoso e tudo brilhava. No dia 2 de janeiro, mais estudantes começaram a chegar ao Instituto e o curso teve início. Na primeira aula – Estrutura de Dados, com a professora Sandra Aluísio – ele já sentiu que havia tomado a decisão certa, embora ainda não conseguisse avaliar o impacto que isso teria em sua vida. “Nessa primeira aula do curso, eu aprendi mais do que tudo que haviam me ensinado sobre estrutura de dados na minha graduação no Peru”, revela.

A notícia de que tinha a oportunidade de fazer um curso de verão no ICMC e, depois, ingressar no mestrado, chegou a Ernesto por intermédio de um colega que trabalhava junto com ele em um instituto de informática, onde estavam desenvolvendo o projeto de um buscador de textos similar ao Google. O colega recebeu um e-mail de um rapaz peruano que estudava Ciências de Computação no Brasil. Como o amigo sabia que Ernesto tinha planos de estudar fora, encaminhou o e-mail a ele. Ao mesmo tempo, Ernesto sempre se lembrava de seu professor Wilber Ramos, que encoraja os estudantes a estudarem no exterior e a voltarem ao Peru. O professor também tinha um irmão que estudava na USP e recomendava a instituição.

Depois de tirar boas notas no curso de verão, Ernesto conseguiu um orientador, o professor André de Carvalho, mas teve problemas com o visto (que não tinha) e precisou voltar ao Peru para acertar a documentação antes de começar o mestrado. “Cheguei super feliz em Arequipa e voltei ao Brasil em agosto de 1996. Sentia que era algo fantástico que estava acontecendo comigo, eu nunca havia tido uma oportunidade como aquela”, destaca o pesquisador.

Para ele, estudar no ICMC foi uma das coisas mais importantes que aconteceu em sua vida: “É o lugar onde eu aprendi computação, é minha referência. Eu viajo muito, vou para muitos países, mas no Brasil eu sinto que continuo em casa”. Ernesto concluiu o mestrado em 1998 e já ingressou no doutorado, também no ICMC, que concluiu em 2004. No doutorado, foi orientado pela professora Roseli Romero, que também o apoiou muito. A experiência foi tão positiva que, logo depois, o irmão de Ernesto, Alex Cuardos-Vargas, veio ao Brasil e também fez mestrado, doutorado e pós-doutorado no Programa de Ciências de Computação e Matemática Computacional do ICMC.

Ao retornar ao Peru, em 2004, Ernesto tornou-se professor na Universidade Católica San Pablo (UCSP), onde criou e coordenou o curso de Ciências de Computação até este ano: “A UCSP é hoje reconhecida como a melhor universidade de computação do Peru. A maioria dos professores tem mestrado ou doutorado fora do país. Nada disso poderia ter sido feito sem aquela experiência no ICMC, o ponto inicial de toda a mudança na área de computação que aconteceu no Peru." E completa: "Agora posso dizer que mudamos a vida de muitas centenas de garotos e que estamos caminhando para sermos um país mais desenvolvido em termos de computação".

Nesse momento, Ernesto está embarcando em uma nova jornada. Ele está trabalhando na Universidade de Engenharia e Tecnologia (UTEC), em Lima, e também junto com o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski Godard, na construção de um plano nacional de infraestrutura de hardware e software para o governo do país. O objetivo é propiciar que todos os dados referentes aos serviços públicos oferecidos à população estejam disponíveis eletronicamente em tempo real e estejam conectados.

Os desafios que Ernesto tem pela frente não são poucos, será preciso criar centros de dados gigantes para armazenar todas as informações captadas bem como desenvolver novos sistemas. Mas ninguém duvida de que ele conseguirá. “Todos os problemas que tive e as dificuldades que enfrentei me fizeram ficar mais forte. A experiência de vida que tudo isso trouxe é o mais importante, não é só a conquista do diploma de mestrado e doutorado, mas o contato com as pessoas”, finaliza.

Ernesto já percorreu o caminho entre Arequipa e São Carlos, por terra, 36 vezes

Leia mais no especial "Um instituto e suas infinitas histórias": jornal.usp.br/especial/icmc

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC
Fotos: Arquivo pessoal


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Confira como foi o evento ICMC 45 anos: memórias em vozes e cenas

Um dos personagens mais conhecidos do ICMC, Sandro Colângelo,
recebeu uma homenagem durante a apresentação teatral

Os momentos marcantes das quatro décadas e meia de história do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, foram lembrados de maneira divertida e emocionante na tarde da última quinta-feira, 8 de dezembro. 

Além da apresentação do Coral da USP São Carlos, regido pelo maestro Sergio Alberto de Oliveira, os atores Miriam Fontana e André Cruz contaram diversas histórias sobre personagens que se destacaram na trajetória do ICMC durante o espetáculo 45 anos em 45 minutos: uma brincadeira teatral.

Na ocasião, também foi anunciado o resultado do concurso Infinitos Ângulos do ICMC. No final do evento, o público foi até o Museu de Computação Odelar Leite Linhares para conferir a abertura da exposição Do ábaco ao terabyte. As atividades contaram com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, do Grupo Coordenador das Atividades de Cultura e Extensão Universitária do campus da USP em São Carlos e da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC.

Apresentação do Coral da USP São Carlos emocionou a plateia


Veja o álbum de fotos no Flickr e no Facebook!

Assista ao vídeo com a íntegra do evento: icmc.usp.br/e/16be3

Confira o especial do Jornal da USP sobre os 45 anos do ICMC: jornal.usp.br/especial/icmc

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Confira o resultado do concurso fotográfico "Infinitos ângulos do ICMC"

Foto representando função matemática conquistou o primeiro lugar; outras nove imagens foram selecionadas para futura exposição no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação

Foto "Cosseno", de autoria de Guilherme Piva

Ele conseguiu unir técnica, olhar artístico e até uma função trigonométrica. Com a foto intitulada Cosseno, Guilherme Piva venceu o concurso fotográfico Infinitos ângulos do ICMC. O resultado foi anunciado durante o evento ICMC 45 anos: Memórias em vozes e cenas, realizado na última quinta-feira, 8 de dezembro.

Promovido em comemoração aos 45 anos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, o concurso contou com a colaboração de um júri técnico, que avaliou as imagens inscritas de acordo com critérios como adequação ao tema, criatividade, qualidade técnica e informativa. Além da foto vencedora, outras nove foram selecionadas para uma exposição que ficará em cartaz no ICMC no início de 2017, em data a ser definida.

Piva é egresso do curso de
Ciências de Computação
O autor da imagem vencedora, Guilherme Piva, formou-se este ano no curso de Ciências de Computação do ICMC. Ele conta que tirou essa foto com a câmera de seu smartphone, durante uma oficina promovida pelo ICMC: "Na hora que tirei a foto, não fiz a relação com o cosseno. Ao vê-la novamente, no computador, notei a semelhança e tratei a imagem para destacar a curva". O resultado foi tão bom que a foto conquistou a preferência de todos os jurados e Piva levará para casa um belo quadro com ela impressa. 

Veja a foto vencedora em alta resolução:

Confira as dez melhores fotos do concurso: 

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Evento celebra 45 anos do ICMC com música, teatro e exposição

Diversas atrações culturais abertas para a comunidade acontecerão no Instituto na próxima quinta-feira, 8 de dezembro
Coral da USP São Carlos será uma das atrações do evento

Recapitular momentos importantes das quatro décadas e meia de história do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, é um dos objetivos do evento ICMC 45 anos: memórias em vozes e cenas. Diversas atividades culturais acontecerão no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano na próxima quinta-feira, 8 de dezembro, a partir das 14 horas. 

O evento terá início com a apresentação do Coral da USP São Carlos, regido pelo maestro Sergio Alberto de Oliveira. Em seguida, uma apresentação teatral com Miriam Fontana e André Cruz contará algumas histórias interessantes sobre a trajetória do Instituto. Na sequência, o público irá até o Museu de Computação Odelar Leite Linhares para conferir a abertura da exposição Do ábaco ao terabyte.

O evento, que é gratuito e não demanda inscrição prévia, conta com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, do Grupo Coordenador das Atividades de Cultura e Extensão Universitária do campus da USP em São Carlos e da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC.

Confira a programação completa:
14 horas - Abertura 
14h15 - Apresentação do Coral da USP São Carlos 
15 horas - Anúncio dos vencedores do concurso fotográfico Infinitos ângulos do ICMC 
15h15 - 45 anos em 45 minutos: uma brincadeira teatral, com Miriam Fontana e André Cruz 
16 horas - Abertura da exposição Do ábaco ao terabyte no Museu de Computação Professor Odelar Leite Linhares 
16h15 - Café na sala de convivência Marcos José Pisani

Mais informações
Seção de Eventos do ICMC: (16) 3373.9622
E-mail: eventos@icmc.usp.br

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Concurso fotográfico “Infinitos ângulos do ICMC”: inscrições prorrogadas

Envie suas imagens até 28 de novembro para o concurso que comemora os 45 anos do Instituto

Uma simples lousa e um giz podem inspirar a produção de imagens interessantes

Instigar os amantes da fotografia a retratar a matemática, a computação e a estatística é um dos objetivos do concurso fotográfico “Infinitos ângulos do ICMC”, lançado em comemoração aos 45 anos de existência do Instituto, cujas inscrições foram prorrogadas até 28 de novembro. Também são bem-vindas imagens das pessoas, dos jardins, dos laboratórios, das salas e dos demais ambientes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Pode participar da iniciativa qualquer pessoa que se aventure com uma câmera fotográfica, quer seja um profissional da área ou um amador. Serão aceitas fotos tiradas com qualquer tipo de equipamento fotográfico, desde DSLR profissionais até smartphones. Cada participante pode enviar, no máximo, três imagens de autoria própria. Não é preciso pagar qualquer taxa de inscrição e os arquivos devem ser enviados para o e-mail fotos@icmc.usp.br até o dia 28 de novembro, juntamente com a ficha de inscrição preenchida, assinada e digitalizada.

Seleção e premiação – A avaliação das fotografias será feita por uma comissão julgadora, conforme critérios como adequação ao tema, criatividade, qualidade técnica e informativa da imagem. Os resultados serão divulgados no dia 5 de dezembro, no site do ICMC.

A foto vencedora do concurso receberá como premiação um quadro com a imagem impressa em material de primeira qualidade. Para os membros ativos da comunidade USP (alunos, professores e funcionários), a premiação poderá ser convertida em apoio financeiro para participação em congressos científicos, no limite de até R$ 400.

Com um smartphone também é possível explorar os infinitos ângulos do ICMC

Concurso fotográfico “Infinitos ângulos do ICMC”
Inscrições: de 17 de outubro a 28 de novembro de 2016
Divulgação do resultado: 5 de dezembro de 2016
Ficha de inscrição: www.icmc.usp.br/e/696cf

Crédito das imagens: giz e lousa, Reinaldo Mizutani; árvore e luz, Denise Casatti.

Mais informações:
Seção de Apoio Institucional: (16) 3373-8914 ou rinst@icmc.usp.br