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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A perspectiva do racismo na visão de três professores negros da USP

É possível tornar a matemática, a computação e a estatística mais negras? 


Confira o que pensam três professores negros do ICMC: Maristela dos Santos, Edson Moreira e Katiane Conceição
(da esquerda para a direita)

Pare para pensar: ao longo de toda a sua vida escolar e acadêmica, quantos professores negros você teve? Mesmo que a gente não se conheça, eu sei que o número que virá da sua resposta não terá muitos dígitos. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 60% da população brasileira é constituída por pessoas pardas e pretas. Apesar disso, esse número é pouco expressivo em cargos de poder e decisão, como nos ambientes acadêmicos, políticos, midiáticos e empresariais, por exemplo. 

No entanto, quando se analisam dados de violência e desigualdade, essa é a população mais vulnerável, alerta a Organização das Nações Unidas (ONU). As principais vítimas de mortes violentas no país são homens, jovens, negros e de baixa escolaridade revela o Atlas da Violência de 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Entre os 10% da população mais pobre do país, 76% são negros e, levando em conta a população mais rica (1% do total apenas), o número de negros cai para 17,4%, segundo o IBGE. 

Além disso, mais da metade da população carcerária, cerca de 61,6%, são pretos e pardos, diz o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). Vale lembrar que o Brasil abriga a quarta maior população prisional do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia 

Já a Oxfam Brasil, uma organização não-governamental, estima que a igualdade salarial entre homens e mulheres será alcançada em 2047, mas essa equiparação entre pessoas negras e brancas só deve acontecer em 2089. 

Diante das evidências trazidas por essas estatísticas e da celebração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, dá voz a três professores negros. São eles: Maristela dos Santos, que é da área de matemática aplicada; Katiane Conceição, do campo da estatística; e Edson Moreira, da computação. 

O sistema de cotas raciais é uma alternativa para equiparar as diferenças? 

Edson: Eu acredito que as cotas, tanto raciais, como sociais, são bastante inclusivas. Antes disso, os negros tinham diversas limitações para entrar no ambiente universitário, já que a maioria dessa população é pobre e a adesão tardia da USP ao sistema de política de cotas dificultou ainda mais esse acesso. Apesar disso, esse avanço nos possibilitou melhorias, mas ainda hoje a população negra tem dificuldade no ingresso à universidade. A meu ver, o sistema educacional transforma a nossa capacidade em conhecimento mensurável, e é isso que vai levar os estudantes para a universidade. Mas para fazer essa transformação o aluno precisa de um bom professor, de um ambiente adequado aos estudos, o que ainda é falho.

Para o professor Edson, apesar das cotas, ainda hoje a população negra tem dificuldade de ingressar na universidade

O fato de o Brasil ter se constituído sob uma sociedade escravagista tem algum impacto na atualidade? 

Katiane: A cota em si não é suficiente para resolver as desigualdades raciais, mas por que dizemos sim às cotas raciais? Porque o Estado tem culpa nessa desigualdade. As cotas são uma tentativa de recuperar as perdas que os negros tiveram desde a colonização. É reparação histórica. Após o processo de libertação dos escravos, muitos negros ficaram nas senzalas submissos aos senhores de engenho, pois não tinham outro lugar para trabalhar e garantir as condições para se alimentarem. Para ter uma vida melhor, qual foi a oportunidade que foi dada aos que não se submeteram a isso? Dessa forma, a cota racial deveria ter sido uma ferramenta de equiparação usada há muito tempo, mas agora que temos esse direito precisamos usá-lo para consertar os erros que foram cometidos lá atrás. Não é uma solução imediata e pode demorar séculos para essa correção, mas esse é um mecanismo temporário. A educação tem que começar na base porque não adianta o negro ingressar na universidade por meio da política de cotas e depois não ter condições de permanência.

Para Katiane, a cota em si não é suficiente para resolver as desigualdades raciais

Vocês percebem a existência do racismo no dia a dia? De que forma ele acontece? 

Maristela: Com certeza. Quantos super-heróis negros a gente conhece? São pouquíssimos. Hoje em dia, a história está começando a mudar, mas antigamente uma criança negra não tinha uma boneca do seu mesmo tom de pele para brincar. Temos que ter bons políticos negros, bons professores negros, bons empresários negros e eles precisam estar em evidência. Ver pessoas negras bem-sucedidas é um estímulo para as crianças se espelharem. Apesar disso, eu nunca senti na pele o racismo, mas isso não quer dizer que ele não exista. Em termos de capacidade intelectual, nós somos todos iguais, mas a população negra carece de educação básica de qualidade e, talvez, esse sim, seja o maior fator de desigualdade. 

Katiane: Não seria contraditório ter racismo na universidade, sendo que esse é um espaço de diálogo, de conhecimento, de pensamento crítico? Eu posso ter sofrido preconceito, mas eu jamais acho que aquela ação movida contra mim foi feita por conta da minha raça. Se uma pessoa não gosta de mim, ela pode ter os motivos que for, mas eu nunca vou associar isso ao meu tom de pele. Isso também não quer dizer que o racismo e o preconceito não existam. Eu até posso ter passado por situações discriminatórias, porém, não me lembro de ter acontecido comigo. Ter vindo de uma família pobre, negra e, agora, ser professora da melhor universidade do Brasil é muita superação. 

Edson: Existe o preconceito da sociedade, mas o que acontece bastante é a auto exclusão do negro. Se você pergunta para um adolescente negro e pobre por que ele não faz o vestibular da USP, ele fala que não tem dinheiro pra pagar. Então, eles acham que a USP é paga, que não está ao alcance deles, eles se auto excluem. Por isso, a sociedade precisa trabalhar com essas crianças de forma que estudar em uma universidade pública seja algo motivador.

Para Maristela, dar visibilidade a pessoas negras bem-sucedidas é um estímulo para as crianças

A universidade pública, muitas vezes, é conhecida como um ambiente que enaltece a necessidade de mudanças e de políticas que combatam a discriminação contra a população negra. Vocês acreditam que as políticas públicas que existem hoje são suficientes para combater a desigualdade? 

Edson: Qualquer política pública que melhore todo o sistema de educação, desde a base, vai ajudar na igualdade porque todos terão as mesmas oportunidades. O acesso à universidade, por exemplo, tem um peso muito grande na nossa sociedade e, por isso, eu acredito que políticas inclusivas podem ajudar a transformar essa realidade. Precisamos de mais educação no sentido amplo da palavra. Trabalhar com a autoestima dessa criança negra, por exemplo, pode ser uma das soluções. 

Katiane: O problema é que a desigualdade não atinge só os negros porque, além disso, em grande maioria, essa população também é pobre. Então, precisamos primeiro melhorar a educação. Para mim, essa é a solução que pode dar uma vida melhor para essas pessoas e condições para competir em igualdade com qualquer outra. Além disso, as políticas públicas devem ir muito além de dar apenas acesso à educação. A gente também precisa pensar que essa família necessita de comida na mesa, de acesso a serviços básicos de saúde, o que é fundamental para melhorar a vida dessas pessoas. 

Pensando no contexto universitário, o racismo interfere no cotidiano de vocês? De que maneira? 

Maristela: Nós vivemos em um ambiente em que as ideias são muito valorizadas. Chega um momento em que você esquece a sua cor. Às vezes, me perguntam: naquela sala tem bastante mulheres? Eu falo assim: acho que eu não percebi isso ainda, acho que tem bastante aluno. Então, a gente fica tão empolgada em discutir ideias que esses fatores acabam passando despercebidos. 

Edson: Comigo é diferente. Quando eu entro em uma sala e vejo que tem mais de dois alunos negros eu já fico admirado. Acho que nunca tive mais do que dois alunos negros em uma sala de aula. 

Como professor, você acredita no seu poder transformador em relação ao combate do racismo? Como vocês trabalham esse assunto em sala de aula? 

Katiane: Eu não trabalho diretamente com o assunto racismo em sala de aula porque eu acredito que a minha função é formar bons cidadãos. Eu sempre dou o meu melhor, quero passar o conteúdo para os alunos de forma ética, quero que eles aprendam e se tornem excelentes profissionais, que saibam das suas responsabilidades, dos seus compromissos. E formando grandes cidadãos já é uma ótima contribuição para uma sociedade melhor. 

Edson: Acho interessante também que ações aconteçam fora da sala de aula, nos espaços decisórios, na comunicação com a sociedade, na difusão cultural, mostrando que a universidade contribui ativamente para o fim do preconceito.. 

Qual recado vocês passariam para as crianças negras? 

Maristela: Desde quando eu era criança, minha meta era ter uma carreira. Esse sempre foi o meu foco, então eu penso que a gente deve sempre seguir em frente. Talvez tenhamos passado por situações racistas, mas eu nunca deixei que isso me abalasse de alguma forma. Os alunos negros não devem achar que o fator da cor da pele possa ser um impeditivo para seguir qualquer carreira. Você vai encontrar diversos obstáculos, mas é fundamental acreditar no seu potencial e seguir em frente, sempre definindo suas metas, suas prioridades. 

Texto: Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Reinaldo Mizutani

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Oportunidade de estágio na USP em São Carlos

Vagas estão abertas para alunos de ciências contábeis e administração de empresas; inscrições vão até 24 de agosto



Alunos matriculados em cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas podem se candidatar a uma vaga de estágio no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Para se inscrever, o candidato deve ter completado o 3º semestre do curso.

O estagiário vai atuar junto ao Serviço de Convênios, Bolsas e Auxílios do Instituto e realizará atividades práticas que vão complementar sua formação. As inscrições estão abertas até a próxima sexta-feira, 24 de agosto, e devem realizadas por meio do envio do currículo e histórico escolar do candidato parao e-mail tati@icmc.usp.br. A remuneração é de R$ 682,49, além de auxílio transporte diário. Já a jornada semanal de atividades é de 20 horas, no período da manhã.

O processo seletivo será composto por duas fases. Primeiro, ocorrerá a análise do histórico escolar do candidato (etapa eliminatória), por meio da avaliação do rendimento acadêmico. A seguir, vem a entrevista e a avaliação da trajetória profissional (etapa eliminatória e classificatória). As entrevistas serão agendadas a partir de segunda-feira, dia 27, por e-mail ou telefone.

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Evento do Facebook em São Carlos mostra como estudantes podem sobreviver às entrevistas técnicas

Empresa realizará iniciativa para estudantes da área de computação na próxima sexta-feira, dia 6 de abril, às 11 horas, na USP em São Carlos


Estagiar ou trabalhar em uma grande empresa de tecnologia é o sonho de muitos estudantes da área de computação. Mas as chances de alcançar essa meta são reduzidas se eles tropeçam em um dos principais obstáculos da jornada: as entrevistas. Ensinar algumas técnicas eficientes que podem salvar os estudantes nesse momento é o objetivo de uma equipe do Facebook que estará no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, na próxima sexta-feira, 6 de abril, às 11 horas. 

A equipe realizará um evento especialmente para explicar aos estudantes como podem mostrar seus pontos fortes durante uma entrevista. Os participantes também terão a oportunidade de fazer perguntas aos engenheiros da empresa e conhecer mais sobre a experiência de cada um deles no Facebook. Quem desejar poderá, ainda, trazer seu currículo (em inglês) para ser revisado pela equipe. 

O evento é aberto a estudantes da área de computação, tanto para aqueles que estão no início do curso quanto para quem já está finalizando a graduação. Para participar, basta se inscrever gratuitamente por meio deste link: fbcyci18-uspsc.splashthat.com. Há 200 vagas disponíveis. 

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Crush your coding interview
Página do evento no Facebook: fb.careers/fbcyci18-uspsc
Onde: auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, sala 6-000, no bloco 6 do ICMC
Quando: sexta-feira, 6 de abril, às 11 horas

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

De aluno a reitor: ele sempre sonhou em seguir carreira acadêmica

O reitor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Marcelo Turine, fez mestrado e doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos: “foram seis anos de aprendizagem e enriquecimento científico”

O ex-aluno do ICMC Marcelo Turine durante a cerimônia de posse como reitor da UFMS

No dia em que completou 46 anos, 8 de novembro de 2016, Marcelo Turine se tornou o reitor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Naquele momento, sentiu uma mistura de emoção, responsabilidade e amor à vida. Quando iniciou a trajetória como professor na UFMS, em 2002, ele não imaginava que um dia se tornaria reitor da Instituição, mas sonhava levar a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação do Estado de Mato Grosso do Sul ao patamar de referência nacional e internacional.

Na entrevista a seguir, ele revela, entre outras coisas, como a formação que obteve no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, contribuiu para que ele se tornasse o que é hoje.

Gostaria de compreender melhor os motivos que o levaram a fazer seu mestrado no ICMC. O senhor já conhecia o Instituto antes de estudar aqui? Lembra-se do primeiro dia em que esteve no Iocal? Quais foram as primeiras impressões?
Finalizei a minha graduação em Bacharelado em Ciência da Computação na Unesp/Ibilce em São José do Rio Preto/SP e meu sonho era continuar a vida acadêmica, ser professor, educador e cientista. Com 21 anos, eu e dois amigos, Marcus Vinicius Maltempi e Ricardo Hasegawa, decidimos fazer mestrado no ICMC em São Carlos. Como diz a música de Luiz Gonzaga “Pau de Arara”, só trazia a coragem e a cara. Nunca tinha visitado o Instituto, não conhecia nenhum professor ou a cidade de São Carlos. Cheguei em janeiro de 1992 e já fomos fazer a disciplina de Estrutura de Dados com a professora Agma Traina. Fui muito bem acolhido pela equipe da pós-graduação e colegas da disciplina e senti o potencial do Instituto nos primeiros dias: competência científica, seriedade acadêmica e qualidade do corpo docente. Entrei no mestrado logo após cursar a disciplina e conversei com vários professores para orientação. Importante destacar que as bolsas de mestrado não eram fáceis de conseguir. Somente depois de um ano que tive bolsa da Capes, um alívio e uma vitória.


Em que momento o senhor decidiu seguir carreira acadêmica e prosseguir seus estudos no mestrado, doutorado e pós-doutorado? Essa decisão foi tomada ainda quando estava na graduação?
É estranho falar sobre a programação da nossa vida. Como disse antes, já na graduação pensava em seguir a carreira acadêmica, ser professor de uma universidade pública brasileira, casar, ter filhos e ser feliz, um ingrediente essencial para a vida. O ICMC foi uma grande escola e casa cientifica para mim. Foram seis anos de aprendizagem e enriquecimento científico. Construí muitas amizades, amigos de que tenho saudades até hoje. Alguns ainda estão por São Carlos, outros se mudaram e outros já não estão no nosso meio. Não posso deixar de me lembrar do meu grande amigo, colega de república e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Mauro Biajiz, que nos deixou tão precocemente.

Como conheceu sua orientadora no mestrado, a professora Maria das Graças Volpe Nunes? Ela foi uma pessoa importante em sua jornada?
A professora Graça Nunes é uma pessoa especial e muita querida na minha vida. Me ensinou os primeiros passos de um planejamento científico, até como fazer revisão bibliográfica. Um exemplo de ética e respeito, que além de ensinar tratava com amor seus orientados. Obrigado Graça Nunes, sua orientação me acompanha ainda hoje na minha vida científica e de gestão universitária. Uma orientadora que realmente nos orientou e de início aceitou o desafio de orientar um grupo da UNESP de Rio Preto: a mim, Marcus Vinicius, Ricardo Hasegawa e Rosana Satie. Eu queria fazer um projeto na área de computação aplicada para educação e na área de Sistemas Tutores Inteligentes. Iniciei minha pesquisa com a orientação da Graça Nunes e coorientação da professora Maria Dolores Ceccato Mendes, da Matemática, e, em 1994, defendi o trabalho TEGRAM – Um sistema Tutor Inteligente Baseado no Tangram para Ensinar Conceitos de Geometria. Não posso deixar de agradecer aqui toda equipe do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), do qual fiz parte desde o seu início em 1993, em especial Graça Nunes, meu querido amigo Osvaldo Novais de Oliveira Junior (Chu), Sandra Aluísio e Maria Cristina Ferreira de Oliveira.

O professor Paulo César Masiero, que também é professor aposentado do ICMC, foi seu orientador durante o doutorado no Instituto de Física da USP, em São Carlos. Ele também foi uma pessoa marcante na sua trajetória?
Sim, o Masiero é meu ídolo, referência na Engenharia de Software e amigo. Ainda não desisti de trazê-lo para Mato Grosso do Sul como professor visitante sênior na Faculdade de Computação da UFMS. Em 1994 não tinha doutorado no ICMC e todos o faziam no Instituto de Física. Eu queria continuar minha carreira científica e procurei o professor Masiero, que disse ter um desafio de trabalhar com modelagem de aplicações web com Statecharts. A Engenharia de Software não era minha praia, mas aceitei o desafio sob sua orientação. Como coorientadora tive novamente uma grande mulher e professora na minha vida, a professora Maria Cristina Ferreira de Oliveira, a Cris, com quem aprendi muitas coisas além dos ensinamentos acadêmicos: amor ao próximo, o sentido da família e muita humildade. Obrigado Graça Nunes, Cris e Masiero, vocês são exemplos para mim e amo vocês. Concluído o mestrado, fui aprovado no doutorado, realizado no período de 1994 a 1998. O doutorado foi muito bem planejado e organizado pelos meus orientadores: o respeito ao tema científico e prazos de conclusão foram, como deve ser, respeitados, ante a existência de investimento público.

De que forma a formação obtida no ICMC, as pessoas que conheceu e as oportunidades que surgiram aqui mudaram sua visão de mundo e o ajudaram a se tornar o que é hoje? Houve algum momento em que pensou em desistir?
A pesquisa desenvolvida no ICMC mostra a importância dos resultados decorrentes do emprego de recursos públicos, buscando qualidade e efetividade, dentro de um critério de valorização do mérito e num contexto humanizado. Essa visão formatou minha conduta profissional ao demonstrar que a frutificação da competência está intimamente ligada ao respeito às características humanas, sobretudo nas áreas da educação, pesquisa, extensão e inovação. As pessoas que conheci e as com que trabalhei mais proximamente, algumas já mencionadas, e outras tantas que fizeram parte importante da minha formação, se enquadravam dentro desse contexto. O tratamento dispensado ao aluno demonstrava sua importância e potencial, o que trago para a gestão da UFMS. Eu jamais pensaria em desistir, pois otimismo, fé e persistência são partes da minha essência.

Quais são os principais desafios que o senhor enfrenta atualmente em sua gestão frente à UFMS? Estudar no ICMC contribuiu de forma significativa para enfrentar esses desafios de hoje?
Assumi a gestão da UFMS em um momento político em que mudanças estão sendo realizadas, inclusive em relação à destinação e redução de recursos públicos, o que faz com que a forma de gestão tenha que ser modificada. Para assumir a reitoria da UFMS deixei os seis anos de presidência da FUNDECT (Fundação de Amparo ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), fundação como a FAPESP, autarquia em que os recursos são escassos e o bom resultado depende de muita racionalidade, mas que tem uma estrutura reduzida. O desafio é usar criatividade na gestão e motivação, para que o uso dos recursos disponíveis possam promover o desenvolvimento e a expansão do conhecimento, alavancando a UFMS nos cenários nacional e internacional. O ICMC já tinha essa característica ao tempo de minha pós-graduação, experiência que pretendo expandir na UFMS.

O professor Marcelo Turine (à direita) foi empossado como reitor da UFMS
no dia 4 de novembro pelo Ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho.
Já a cerimônia de posse aconteceu no dia 8 de novembro

O título da sua dissertação – TEGRAM – Um sistema Tutor Inteligente Baseado no Tangram para Ensinar Conceitos de Geometria – já indica que o senhor se preocupava com a formação dos professores para a educação básica. Em seu discurso de posse como Reitor, o senhor destacou que essa é uma responsabilidade fundamental da UFMS. Em sua opinião, de que forma os professores universitários podem contribuir para transformar o atual cenário da educação básica no Brasil?
Os professores universitários são os formadores dos profissionais que atuam ou atuarão na educação básica. Os profissionais a serem formados deverão estar aptos a promover nas nossas crianças o desenvolvimento de habilidades como comunicação na língua pátria e potenciais cognitivos, artísticos, culturais, esportivos, lógicos e matemáticos. O ensino deve contribuir para o desenvolvimento na criança e no adolescente de aptidão para análise crítica, sem implantação prematura de contornos ideológicos que ofusquem sua capacidade de pensar e agir livremente. Os valores humanos a serem transmitidos na educação básica devem ser agregadores, dentro de um projeto de harmonia nacional. Tudo isso começa na Universidade.

Durante a posse, o senhor também afirmou que é um apaixonado pelo papel da educação, da ciência, da tecnologia e da inovação como pilares para o desenvolvimento do Brasil e do Mato Grosso do Sul. Como o senhor pretende, durante sua gestão, estimular esse papel transformador da Universidade, o qual o motivou a ser reitor?
Para auxiliar nossos professores e cientistas nos novos desafios de pesquisa, será criada uma agência de desenvolvimento e inovação. É nosso papel institucional criar um ambiente motivador, inovador, empreendedor e com responsabilidade social e ambiental nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação, formando profissionais cidadãos prontos para auxiliar na resolução dos problemas de nossa sociedade e para que sintam a UFMS como um bom lugar para estudar, pesquisar e trabalhar. A mudança de paradigma na gestão universitária exige do corpo diretivo a abertura ao diálogo construtivo e permanente, a pavimentação de diretrizes e planos operacionais eficientes e eficazes e a transparência de todas as ações, bem como o respeito à diversidade. Pretendo ter uma gestão pautada no diálogo, na descentralização, na transparência e na governança pública com eficiência, bem como incentivar a criatividade, a ciência, a tecnologia, a inovação, a internacionalização e a comunicação, como alicerces para mudanças na prática acadêmica e na gestão administrativa.

Quer deixar alguma mensagem especial para os leitores?
Sou casado há vinte anos com uma mulher maravilhosa, desde 1996, e tenho três filhos queridos (Dhara, de 13 anos, Iago, com 7, e Davi, com 6). Olhando meus sonhos, posso dizer que Deus já me deu tudo que sonhava. Novos desafios profissionais surgem: ser reitor de uma das 63 universidades federais do Brasil e da maior universidade de Mato Grosso do Sul é um orgulho. Nunca sonhei ser reitor da UFMS, mas sonhava levar a educação, ciência, tecnologia e inovação do Estado de Mato Grosso do Sul ao patamar de referência nacional e internacional. A educação a serviço das políticas públicas. E agora tenho esse desafio e com trabalho em equipe e dedicação vamos percorrer o caminho necessário para tal finalidade.
Quero encerrar dizendo que tenho saudades da vida de estudante de mestrado e doutorado. Os dias passam e o importante são as amizades que conquistamos. Penso que devemos viver o presente, pensar o futuro e aprender com o passado. Nesse contexto, o ICMC fez parte da minha vida e ajudou a moldar o que sou. Por isso, agradeço a todos que comigo conviveram e que não conseguiria nominar, desde o responsável pela manutenção da ordem e limpeza do local que criavam, assim, condições para o desenvolvimento das habilidades intelectuais no Instituto, os profissionais da secretaria que tanto nos auxiliavam, até os orientadores, responsáveis pela formação intelectual dos estudantes.
Por fim, reforço para nossos jovens estudantes que não podemos deixar de sonhar. Nossos sonhos são a força espiritual que deve nos mover e nos unir aos nobres objetivos da sublime missão das universidades brasileiras: ensinar para a formação integral do cidadão, pesquisar para abrir novos horizontes do conhecimento e buscar todas as oportunidades para conversão do conhecimento em geração de riqueza e da tão carente geração de emprego para a massa de jovens que buscam na universidade pública brasileira a possibilidade de ascensão social.

Para Turine, ser reitor de uma das 63 universidades federais do Brasil e
da maior universidade de Mato Grosso do Sul é um orgulho


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Divulgação UFMS


Leia mais no especial "Um instituto e suas infinitas histórias"


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quinta-feira, 13 de março de 2014

A trajetória do menino que queria ser professor de matemática

Esta é a história de como um moleque que não era nada brilhante transformou-se em um matemático, fez seis pós-doutorados e dirigiu, em São Carlos, um dos mais renomados institutos de ciências exatas do país


O ritmo que Plácido Táboas imprime à voz faz jus à origem de seu nome. Do latim, plácido quer dizer calmo, tranquilo, sossegado. Mas essa serenidade que emana das palavras do professor Plácido não condiz com as histórias das lutas por ele travadas no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Plácido é, antes de tudo, um forte. Diferentemente do sertanejo descrito por Euclides da Cunha em “Os Sertões”, os traços desse professor não são herança dos mestiços do litoral brasileiro, vieram do além-mar, mais especificamente da Espanha. Definindo-se como “um briguento, um questionador”, Plácido não se arrepende de ser assim: “A gente é feito de certo barro e não tem como mudar”.

Confira, na entrevista a seguir, a trajetória desse menino de Pirassununga que abandonou o cursinho do Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO), onde estudava para prestar o vestibular de engenharia, porque queria ser professor de matemática.



O que o levou à Licenciatura em Matemática e qual foi o estímulo para seguir esse caminho?

Eu não era um bom aluno. Era um moleque de interior, pensava em jogar bola, fazer estripulias, brincar, mas tinha um pendor para ciências exatas. Em casa, não era considerado nenhum menino precoce ou genial. Os mais inteligentes eram minha irmã, Maria Carmem, e meu irmão Celso. Ela era dez anos mais velha do que eu; já o Celso, oito anos. Havia também o Henrique, seis anos mais velho.

Maria Carmem não fez faculdade, terminou o ensino médio, estudou matemática com professores particulares e passou em um concurso para ser professora em escola pública. Eu vi isso e me entusiasmei, tinha gosto pela matemática também e achava um bom caminho me tornar professor de matemática. Na época, era uma profissão valorizada, não fazia ninguém ficar rico, mas era digno e tinha muita respeitabilidade.

Já o Celso era um rapaz brilhante. Ele também terminou o ensino médio e passou no vestibular para engenharia sem fazer cursinho, aqui na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). No entanto, ele arrumou uma namorada, começou a querer casar e abandonou a engenharia. Acabou prestando um concurso tal como minha irmã e foi ser professor de matemática em Leme.


E seus pais, em que trabalhavam?

Meu pai era comerciante, um imigrante que veio sozinho da Espanha para o Brasil com 18 anos. Ele disse que estava indo para a Argentina e parou aqui para visitar um irmão. Acabou ficando. Arrumou um emprego em São Paulo, em uma revenda da Ford. Como o irmão morava em Pirassununga, acho que ele conheceu minha mãe lá e passou a ser operário no interior. Depois, deixou a fábrica e montou um comércio de pães e doces – uma espécie de confeitaria. Em paralelo, abriu uma relojoaria e criou uma seção de ótica. Por fim, vendeu o outro comércio e ficou só com esse último.

Minha mãe era dona de casa, ajudava nos negócios e tinha formação de corte e costura. Ela chegou a ter uma escola de corte e costura. Com a evolução do negócio do meu pai, abandonou tudo e começou a trabalhar mais no comércio.

Eles não tinham férias. Trabalhavam todo final de semana, só descansavam no domingo à tarde. Era dura a vida.


O jovem Plácido ajudava nos negócios da família?

Eu dava uma mãozinha, tinha algumas tarefas. Uma delas era limpar os vidros da loja. Também ajudava a atender o balcão, mas não tinha um horário fixo de trabalho. Lembro que certa vez meu pai abriu uma sorveteria, só que a tecnologia de fazer sorvete não era tão evoluída. Minha mãe levantava-se às 4 horas da manhã para fazer as caldas e, depois, tinha de bater o sorvete. Eu ajudava nisso.


Com o abandono do cursinho do CAASO, atrasou um ano sua entrada na faculdade?

Na verdade, contando esse ano do cursinho, foram três anos no total. Meus pais descuidaram e eu entrei na escola quando estava para fazer oito anos. Isso não foi culpa minha. Depois, eu perdi mais um ano no primeiro colegial.

Nesse tempo, havia algumas disciplinas em que me dedicava com afinco, com muito amor. Eu me entusiasmei com a literatura francesa e os poetas românticos franceses. Fazia traduções literárias das poesias sozinho. O professor de francês gostava muito das traduções. Eu não pegava o dicionário e fazia a correspondência das palavras. Lia, procurava entender o que o poeta queria dizer e, então, escrevia em português uma frase que traduzia aquela ideia.

Eu gostava também de português, sempre tive facilidade para redação, e de desenho geométrico e matemática. Só estudava essas coisas. Tive notas ótimas nessas disciplinas, porém, nas outras fui reprovado.


Qual foi a reação de seus pais?

Meu pai me ameaçou não me matricular mais e eu me assustei. Ele falou que ia procurar um emprego para mim. Quando chegou o momento de fazer a matrícula, o pessoal lá em casa não foi cuidar disso. Fui escondido, fiz a matrícula e eles me deixaram estudar. Então, eu me tornei um aluno razoável. Bem, se eu tivesse entrado na época certa na escola, não sido tão relapso em algumas disciplinas no primeiro colegial e não tivesse perdido esse ano do cursinho, eu teria ganhado três anos da minha vida.


Mas será que, de alguma forma, não foram importantes esses anos “perdidos”?

Acho que sim. Tinha um professor que eu admirava muito, o Mario Tourasse Teixeira, da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro, onde me graduei em 1965. Ele me influenciou muito, não só na formação matemática, mas humanística também. Era uma pessoa fantástica. Uma vez, conversando com ele, eu disse: gostaria de voltar atrás na minha vida com a experiência que tenho agora. Eu ia estudar até latim! Não sei se meu caminho seria fazer matemática, porque eu gostava de outras coisas também, mas teria uma formação melhor. Ele falou: será que você não está enganado? Esse período que você acha que perdeu vadiando, não foi um tempo em que aprendeu muito e passou a conhecer coisas que a gente não aprende na escola? Respondi: pode ser, muitas coisas a gente aprende vivendo...


Houve outros professores relevantes na sua trajetória?

Lá de Rio Claro, uma pessoa igualmente importante é o professor Nelson Onuchic, que foi meu orientador de doutorado. Ele foi um exemplo, muito estimulante como orientador, como professor. Foi decisivo ter feito iniciação científica com ele quando eu era aluno da graduação.

Outro professor importante foi um americano, Jack Hale, com quem fiz meu primeiro pós-doutorado nos Estados Unidos. Ele faleceu há cerca de 4 anos e era uma pessoa especial, um matemático fora de série. Mas eu o conheci antes de ir para lá, o professor Nelson o trouxe para São Carlos. Aliás, o Nelson teve um papel relevante na atração de pessoas importantes para cá.


Em seu discurso de posse como diretor do ICMC, em 2002, o senhor afirma que “a principal função do diretor é criar condições, ser um facilitador das manifestações das lideranças, criando condições para que elas possam se expressar da melhor maneira”. Há algum exemplo desse tipo de atitude durante sua administração?

Fiz um grande esforço para que fosse criado o Departamento de Matemática Aplicada e Estatística (SME). Cosequentemente, foi criado o Departamento de Sistemas de Computação. Esse era um desejo de alguns grupos e eu achava justo que os estatísticos tivessem mais liberdade para se desenvolverem. Antes, o Instituto tinha dois departamentos: Matemática e Computação. Todas as discussões eram polarizadas, o departamento que tinha a maioria dos votos é que definia as decisões. Então, pensei: se nós criarmos um terceiro departamento, vai melhorar, ninguém terá maioria, teremos que negociar. Se isso tivesse acontecido antes, provavelmente, o nome do Instituto seria Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos e não ICMC. 


De fato, aconteceu uma grande discussão antes da mudança do nome do Instituto em 1998. O senhor acha que essa alteração não deveria ter ocorrido?

Não é que não deveria ter acontecido. Eu era contra a mudança do nome. Não acho isso importante, não mudou a história do Instituto. Justamente por isso não deveria mudar. É um nome inteligente, não privilegia a matemática. É um Instituto de Ciências Matemáticas, o que inclui computação, estatística, etc. Por que mudar? Eu era a favor de manter o nome porque nós temos uma dificuldade em manter tradições e elas são importantes.

Mas quando a gente fala que uma pessoa gosta de tradição, temos a impressão de que ela é retrógrada, reacionária, de direita. E não é assim. Daqui a 10, 15 anos, vamos mudar outra vez? Em vez disso, vamos tornar esse nome histórico. Que daqui a 100 anos seja o mesmo nome. Isso não quer dizer que não devemos evoluir. Continuo achando que o nome não é fundamental para definir o que se faz aqui dentro.


Outro fato marcante da sua gestão foi a ampliação das vagas do curso de Bacharelado em Ciências de Computação – de 40 para 100 – e a criação do curso de Engenharia de Computação – 50 vagas. Esse crescimento das atividades não foi acompanhado pelo aumento do quadro técnico-administrativo. Como foi lidar com esse desafio?

A gente foi se organizando. Houve um aumento no número de docentes, mas o número de funcionários não cresceu o quanto seria necessário. De certa forma, isso faz que nossos funcionários se organizem de uma forma bastante eficiente.

Mas o crescimento traz alguns prejuízos no dia a dia. A gente perde um pouco a naturalidade da convivência porque é preciso ser mais formal. E o fato de haver certa pessoalidade, por exemplo, na seleção de docentes, tornava mais fácil planejar o desenvolvimento do Instituto. Agora a gente contrata um docente por concurso, que é muito competente, mas muitas vezes não tem o perfil de que gostaríamos. Isso é muito importante em uma instituição acadêmica. Aliás, esse é um ponto sobre o qual a Universidade deveria se debruçar e resolver. 

Há, é claro, o lado positivo do crescimento: nossa inserção no contexto nacional e internacional. Quando éramos pequenos, nosso impacto era local. Agora, somos mais globais.


O que há de plácido em Plácido?

Eu passo a impressão de uma pessoa afável. Talvez eu seja afável. Mas vou ser honesto: briguei muito aqui. Eu nem sempre fui bem aceito. Quando me indicaram para diretor, eu não era da situação, mas da oposição. Na universidade, as pessoas que estão mais no começo da carreira são as que têm menos poder. E eu sempre tive muita afinidade com essa turma, então eu sempre fui oposição nesse sentido, por ser a parte mais fraca. Foi uma surpresa ter sido indicado diretor porque sempre fui muito questionador.

Mas foi bom, viu? Se eu fosse voltar atrás, não mudaria muita coisa não. Meu orientador, o Nelson, falava assim: a gente é feito de certo barro, e não tem como mudar.




Biblioteca Achille Bassi, um capítulo à parte

Houve um pequeno contratempo no início da gestão de Plácido: a obtenção de recursos para a construção do novo prédio da Biblioteca Achille Bassi. Segundo ele, o diretor anterior, professor Paulo Masiero, já havia conversado com a administração central da USP e os recursos estavam garantidos para o projeto.

No entanto, houve uma mudança institucional e o órgão que era responsável pelas construções, o Fundusp, deixou de existir. Conclusão: o dinheiro sumiu! “Eu briguei muito e, no fim, consegui a verba diretamente com o reitor, Adolpho José Melphi”, contou. No final da gestão de Plácido, a biblioteca começou funcionar parcialmente e foi inaugurado o último andar do prédio, onde está a hemeroteca. “Essa é uma das características do nosso Instituto: um diretor não procura derrubar o que o outro fez. Isso é uma das virtudes da nossa administração: a mudança de gestão não significa uma ruptura drástica na administração”, disse.

Ele também destacou o esforço pela realização do projeto de jardinagem para o entorno do novo prédio, desenvolvido pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Sílvio Macedo, um dos responsáveis pelo projeto de reforma da Praça do Relógio da USP, no campus Cidade Universitária, em São Paulo.

Plácido (último à direita) com o professor Nelson Onuchic (na cadeira de rodas):
um dos esforços de sua administração foi garantir acessibilidade aos prédios do ICMC


Dois filhos, dois netos

Casado com a também professora de matemática Carmem Maria, que conheceu quando estava fazendo faculdade em Rio Claro, Plácido tem dois filhos: Gustavo, que nasceu em 1971, logo que Plácido foi contratado pelo ICMC; e Ariane, a caçula, nascida em 1975. Formada em direito, Ariane é também psicóloga e trabalha atualmente na Prefeitura Municipal de São Carlos. Já Gustavo é formado em Engenharia Mecânica pela EESC, trabalha atualmente na AGCO, em Mogi das Cruzes, e tem dois filhos: Luca e Mateu.


Esta entrevista está disponível na revista ICMCotidi@no, edição 103, disponível eletronicamente no ISSUU (icmc.usp.br/e/488ae) ou em PDF (icmc.usp.br/e/4f79d).


Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP


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