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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

ICMC oferece curso de robótica para professores

Inscrições podem ser realizadas até dia 30 de agosto

Iniciativa oferecerá aos participantes conhecimentos avançados de programação


O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está com inscrições abertas para o curso Robótica II. Direcionado para professores da rede de ensino básico, o curso será realizado de 1º a 29 de setembro, aos sábados, das 9 às 12 horas, na sala 6-305 do ICMC. 

Quem já participou da primeira edição da iniciativa, Robótica I, terá prioridade no processo seletivo, uma vez que essa edição abordará conceitos mais avançados. Mas professores que já possuam alguma experiência com kits robóticos também poderão se inscrever na iniciativa. O objetivo é complementar os conhecimentos adquiridos na primeira edição do curso, além de fornecer aos participantes recursos de programação mais avançados, que podem ser utilizados nos kits robóticos. 

Há 40 vagas disponíveis e as inscrições devem ser realizadas até dia 30 de agosto ou enquanto houver vagas, por meio do formulário eletrônico disponível neste link: icmc.usp.br/e/bdd0a. A taxa de inscrição é de R$ 30,00 e deve ser paga, via boleto bancário, que será gerado pelo sistema de inscrição. Para garantir sua vaga, o participante deve enviar o comprovante de pagamento para o e-mail ccex@icmc.usp.br até 30 de agosto. 

A aplicação de tecnologias e conhecimentos técnicos em robótica envolvendo todas as áreas do conhecimento vem galgando posição relevante tanto no segmento educacional quanto industrial, com significativa expressão econômica, atraindo diversos talentos para o campo das ciências exatas. Confira, a seguir, os tópicos que serão abordados durante o curso: 

• Variáveis e constantes; 
• Sub-rotinas; 
• Sensores adicionais: bateria e botão enter; 
• Bibliotecas próprias; 
• Servomotor e movimentação da garra. 

Texto: Assessoria de Comunicação do ICMC/USP 
Foto: Denise Casatti

Curso Robótica II 
Inscrições: até 30 de agosto ou enquanto houver vagas, por meio do link: icmc.usp.br/e/bdd0a 
Confirme a inscrição: envie o comprovante de pagamento para o e-mail ccex@icmc.usp.br 
Quando: de 1 a 29 de setembro, aos sábados, das 9 às 12 horas, na sala 6-305 do ICMC 
Local: avenida Trabalhador são-carlense, 400, na área I do campus da USP, no centro de São Carlos. 
Mais informações: (16) 3373.9146 ou ccex@icmc.usp.br

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Pesquisa da USP e da UFSCar para evitar quedas em idosos será apoiada pelo Google

Ideia é desenvolver um produto que monitore os padrões de caminhada dos idosos

Dois projetos da USP estão entre os selecionados no Google LARA 2017. 
(Foto: Divulgação/Google)
Quedas em idosos são consideradas um problema de saúde pública devido à gravidade das lesões que podem gerar. Diversos métodos já existem para auxiliar cuidadores e médicos a prevenir esses acontecimentos, mas eles costumam limitar a liberdade dos idosos. Por isso, uma pesquisa realizada por meio de uma parceria entre o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e o Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tenta resolver essa questão de outra perspectiva. O projeto foi premiado, no fim de agosto, com uma bolsa de estudos financiada pelo Google, com duração de um ano. 

Com a utilização de um acelerômetro, um pequeno aparelho que mede a alteração de velocidade durante um percurso, a pesquisa pretende detectar tendências que podem levar idosos saudáveis a quedas em um futuro próximo. Realizada pela mestranda de Gerontologia da UFSCar, Patrícia Bet, a pesquisa recebe a orientação do professor Moacir Ponti, do ICMC, e também conta com o apoio da professora Paula Costa Castro, da UFSCar.

Segundo Moacir, que é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), sediado no ICMC, o diferencial do projeto é a previsão das quedas: “já existem soluções, inclusive comerciais, que detectam a queda depois que ela aconteceu, ou no momento em que ela acontece. Na nossa pesquisa, já conseguimos identificar se a pessoa tem um histórico de quedas recente. Agora, nós queremos detectar se a pessoa vai cair no futuro”.

Para isso, eles realizaram diversos testes e estabeleceram uma amostra de 74 idosos que não possuem histórico de quedas nos últimos seis meses. A avaliação consiste em um questionário sócio demográfico e outro de rastreio cognitivo, que segundo Patrícia, analisa diversos domínios: atenção, memória, orientação, capacidade de nomeação, de obediência a um comando verbal/escrito, de redação livre de uma sentença e de cópia de um desenho complexo. “Quem possui declínio cognitivo foi excluído da amostra, porque nós sabemos que isso representa um risco maior de quedas”, afirma a pesquisadora.

Esse pequeno aparelho é o acelerômetro. Smartphones que possuem esse sensor
podem ser uma alternativa para fazer os testes no futuro. (Foto: Alexandre Wolf) 

Os pesquisadores também fizeram o teste Timed Up and Go (TUG), que consiste, resumidamente, em cronometrar o tempo que o participante leva para levantar de uma cadeira, caminhar três metros em linha reta e voltar para o assento. O teste é feito com um acelerômetro colocado na altura do umbigo, que coleta os dados com os quais os pesquisadores irão trabalhar. “O desafio é, principalmente, processar os sinais e extrair características que possam indicar futuras quedas. Há uma grande quantidade de sinais brutos, o que inviabiliza fazer uma análise direta”, afirma Moacir.

Com a etapa de teste já concluída, os pesquisadores precisam, agora, de tempo para acompanhar os voluntários e analisar os resultados. “Nós vamos ligar de três em três meses para saber se os idosos caíram e, no final, vamos saber quem caiu em cada período desse tempo. Supondo que uma parte dos participantes venham a cair, nós vamos comparar os dados deles com os dos que não caíram”, ele explica.

O resultado final, segundo os pesquisadores, deve estabelecer padrões de alerta, para que cuidadores e médicos tomem as medidas necessárias que evitem uma queda. “Nós sabemos que a queda é consequência de algo, então, nós esperamos ser capazes de observar algum padrão, no presente, que indique um risco de queda no futuro. Nós vamos ver o quanto esses dados permitem predizer uma queda num prazo de um ano, e como eles vão se alterar”, diz Moacir.

O futuro do projeto - Além disso, eles pretendem avançar os estudos para desenvolver um produto que colete os dados a todo o tempo e possa ser utilizado no dia-a-dia, por qualquer idoso. Como o acelerômetro é pequeno, ele pode ser convertido em um produto dedicado para esse fim, como uma pulseira. Um smartphone que possua esse sensor também poderá ser utilizado, mas ainda existem questionamentos com relação à análise dos dados. “A princípio, o teste para saber se o idoso possui risco de cair poderia ser feito de forma manual por ele mesmo. No entanto, existe potencial para que um aparelho dedicado seja capaz de analisar os dados automaticamente. Nesse caso, ele deveria ser retirado apenas para troca ou recarga da bateria”, explica o orientador. Os códigos e dados da pesquisa estão disponíveis no Github para quem deseja se aprofundar no projeto.

Moacir e Patrícia durante a apresentação do projeto,
no campus do Google. (Foto: Arquivo pessoal)
O Google reconheceu o potencial do projeto no fim de agosto, durante o Google Latin America Research Awards (LARA), que está no quinto ano de existência. Este ano, foram selecionados 27 projetos de pesquisa em toda a América Latina. Ao todo, houve 281 submissões, vindas de nove países, e o Brasil conquistou a maioria das bolsas (17). Duas dessas bolsas de estudos financiadas pelo Google, com duração de um ano, estão relacionadas a projetos do ICMC. “Esses projetos têm que estar, de preferência, em uma área de interesse do Google. O nosso entrou na categoria de tecnologias móveis porque o projeto usa sensores móveis para adquirir dados a partir da marcha dos idosos”, explica Moacir.

A premiação foi realizada no Campus da empresa, em São Paulo, e também teve o objetivo de aproximar a academia da comunidade de empreendedores. “Algumas empresas, principalmente startups, participaram do evento para, futuramente, acompanharem o desenvolvimento dos projetos. Deu para notar que o Google quer apoiar iniciativas que, além de cientificamente sólidas, tenham apelo comercial ou social, com potencial de aplicação em médio prazo”, diz o professor. Segundo ele, não existem contrapartidas do Google para o financiamento do projeto, apenas um relatório de atividades após um ano e menção à empresa como agradecimento nas publicações. 

O outro projeto do ICMC premiado com a bolsa de estudos do Google é intitulado Ferramenta inteligente de escrita com os olhos sem interrupções para usuários sem capacidade motora, e pretende entregar um software para digitação de textos a partir do olhar. Esse produto será destinado para pessoas que tenham deficiências motoras, como a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), com adaptações específicas que ajudem a digitar mais rapidamente e reduzir a fadiga ocular.

Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de comunicação ICMC/USP


Mais informações
Artigo publicado na Plos ONE com os resultados iniciais da pesquisa: icmc.usp.br/e/929cf
Códigos e dados da pesquisa no Github: icmc.usp.br/e/f60a9
Reportagem do Google sobre os vencedores do LARA: icmc.usp.br/e/4a4e7
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 / e-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 23 de julho de 2013

Terceiro equipamento para monitorar enchentes é instalado em São Carlos

Tecnologia desenvolvida no ICMC, sistema e-NOE chega à rotatória do shopping 

Pessin, Ueyama e Macha: equipamento dispõe de nova funcionalidade

O terceiro equipamento destinado a detectar enchentes em rios e córregos por meio de uma rede de sensores sem fio acaba de ser instalado na rotatória do shopping, um dos locais mais críticos de São Carlos na ocorrência de alagamentos. Desenvolvido pelo professor Jó Ueyama, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), na USP de São Carlos, o sistema e-NOE é composto por um sensor analógico com uma função específica: medir mudanças na pressão do rio.

Quando o nível da água sobe, há mais pressão e o sensor é capaz de identificar essa alteração. Os dados coletadas são transmitidos para um servidor na USP assim que cada leitura é realizada. Essa transmissão é efetuada via wireless Zigbee – tecnologia de comunicação sem fio com baixo consumo de bateria e com transmissões de longa distância. Automaticamente, um software converte as informações em gráficos, que são disponibilizados a toda a população pela internet (icmc.usp.br/e/4c0ef) e podem ser facilmente monitorados pela Defesa Civil.

“Se o sensor detectar uma elevação súbita na pressão do rio, significa que haverá enchente. É quando devemos tirar a população da região o mais rápido possível”, disse o professor. Em 2012, o pesquisador obteve autorização do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo para monitorar as águas dos córregos da cidade e, por meio de uma parceria com a Prefeitura Municipal de São Carlos, os equipamentos vêm sendo instalados: um deles foi colocado na Avenida Trabalhador São-carlense, próximo ao campus da USP, e o outro nas imediações do antigo kartódromo.

“A novidade é que esse terceiro equipamento dispõe de uma nova funcionalidade em relação aos dois anteriormente instalados. Devido à utilização da tecnologia 3G, agora é possível obter fotos do local, o que possibilita a observação em tempo real do que está ocorrendo na rotatória”, explicou Ueyama.

O próximo passo é ampliar a funcionalidade do sistema para monitorar também a poluição, por meio da colocação de mais três sensores analógicos. “A estimativa é de que, em um mês, já estejam instalados esses novos sensores capazes de medir a poluição dos rios”, afirmou Edmundo Macha, pesquisador colaborador do projeto.

Previsão de enchentes

Mais um serviço que deverá ser oferecido à população a partir do estudo dos dados obtidos via sistema e-NOE é o de previsão de enchentes. “Por enquanto, é possível prever apenas a ocorrência de enchentes com uma antecedência máxima de 15 minutos, pois trabalhamos com previsão de curto prazo”, contou o pesquisador colaborador Gustavo Pessin, egresso do ICMC.

Mas, segundo o pesquisador, a ideia é que, com a instalação de mais sensores – inclusive destinados a medir o índice pluviométrico – seja possível realizar previsões até 6 horas antes de uma enchente ocorrer, tempo suficiente para remover a população das áreas de risco.

“Com isso esperamos que os transtornos e prejuízos causados pelas chuvas em São Carlos não se repitam, ou que ao menos possamos avisar a população e comerciantes para que se previnam antes que a enchente ocorra”, disse Ueyama.

O começo de tudo

O projeto teve início na Inglaterra, proposto pelos professores Daniel Hughes e Geoff Coulson, o qual foi orientador de Ueyama entre 2002 e 2006, quando o pesquisador cursou doutorado na Universidade de Lancaster. Na ocasião, conheceu o projeto e pensou em adaptá-lo ao Brasil. Desde então, o pesquisador tem aperfeiçoado o sistema com vistas a otimizá-lo para a realidade brasileira. “Além disso, é de interesse nosso que o protótipo tenha um baixo custo para que as prefeituras possam replicá-lo”, afirmou.

A pesquisa foi desenvolvida com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC). Futuramente, Ueyama pretende disponibilizar o sistema como software livre para prefeituras de municípios do Estado de São Paulo e para outras cidades que têm problemas com enchentes. Também estão sendo analisadas formas de comercializar o sistema.

Recentemente, a pesquisa foi apresentada em reportagem do Jornal da EPTV. Clique aqui para conferir: 

Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC-USP