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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Pesquisa da USP e da UFSCar para evitar quedas em idosos será apoiada pelo Google

Ideia é desenvolver um produto que monitore os padrões de caminhada dos idosos

Dois projetos da USP estão entre os selecionados no Google LARA 2017. 
(Foto: Divulgação/Google)
Quedas em idosos são consideradas um problema de saúde pública devido à gravidade das lesões que podem gerar. Diversos métodos já existem para auxiliar cuidadores e médicos a prevenir esses acontecimentos, mas eles costumam limitar a liberdade dos idosos. Por isso, uma pesquisa realizada por meio de uma parceria entre o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e o Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tenta resolver essa questão de outra perspectiva. O projeto foi premiado, no fim de agosto, com uma bolsa de estudos financiada pelo Google, com duração de um ano. 

Com a utilização de um acelerômetro, um pequeno aparelho que mede a alteração de velocidade durante um percurso, a pesquisa pretende detectar tendências que podem levar idosos saudáveis a quedas em um futuro próximo. Realizada pela mestranda de Gerontologia da UFSCar, Patrícia Bet, a pesquisa recebe a orientação do professor Moacir Ponti, do ICMC, e também conta com o apoio da professora Paula Costa Castro, da UFSCar.

Segundo Moacir, que é pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), sediado no ICMC, o diferencial do projeto é a previsão das quedas: “já existem soluções, inclusive comerciais, que detectam a queda depois que ela aconteceu, ou no momento em que ela acontece. Na nossa pesquisa, já conseguimos identificar se a pessoa tem um histórico de quedas recente. Agora, nós queremos detectar se a pessoa vai cair no futuro”.

Para isso, eles realizaram diversos testes e estabeleceram uma amostra de 74 idosos que não possuem histórico de quedas nos últimos seis meses. A avaliação consiste em um questionário sócio demográfico e outro de rastreio cognitivo, que segundo Patrícia, analisa diversos domínios: atenção, memória, orientação, capacidade de nomeação, de obediência a um comando verbal/escrito, de redação livre de uma sentença e de cópia de um desenho complexo. “Quem possui declínio cognitivo foi excluído da amostra, porque nós sabemos que isso representa um risco maior de quedas”, afirma a pesquisadora.

Esse pequeno aparelho é o acelerômetro. Smartphones que possuem esse sensor
podem ser uma alternativa para fazer os testes no futuro. (Foto: Alexandre Wolf) 

Os pesquisadores também fizeram o teste Timed Up and Go (TUG), que consiste, resumidamente, em cronometrar o tempo que o participante leva para levantar de uma cadeira, caminhar três metros em linha reta e voltar para o assento. O teste é feito com um acelerômetro colocado na altura do umbigo, que coleta os dados com os quais os pesquisadores irão trabalhar. “O desafio é, principalmente, processar os sinais e extrair características que possam indicar futuras quedas. Há uma grande quantidade de sinais brutos, o que inviabiliza fazer uma análise direta”, afirma Moacir.

Com a etapa de teste já concluída, os pesquisadores precisam, agora, de tempo para acompanhar os voluntários e analisar os resultados. “Nós vamos ligar de três em três meses para saber se os idosos caíram e, no final, vamos saber quem caiu em cada período desse tempo. Supondo que uma parte dos participantes venham a cair, nós vamos comparar os dados deles com os dos que não caíram”, ele explica.

O resultado final, segundo os pesquisadores, deve estabelecer padrões de alerta, para que cuidadores e médicos tomem as medidas necessárias que evitem uma queda. “Nós sabemos que a queda é consequência de algo, então, nós esperamos ser capazes de observar algum padrão, no presente, que indique um risco de queda no futuro. Nós vamos ver o quanto esses dados permitem predizer uma queda num prazo de um ano, e como eles vão se alterar”, diz Moacir.

O futuro do projeto - Além disso, eles pretendem avançar os estudos para desenvolver um produto que colete os dados a todo o tempo e possa ser utilizado no dia-a-dia, por qualquer idoso. Como o acelerômetro é pequeno, ele pode ser convertido em um produto dedicado para esse fim, como uma pulseira. Um smartphone que possua esse sensor também poderá ser utilizado, mas ainda existem questionamentos com relação à análise dos dados. “A princípio, o teste para saber se o idoso possui risco de cair poderia ser feito de forma manual por ele mesmo. No entanto, existe potencial para que um aparelho dedicado seja capaz de analisar os dados automaticamente. Nesse caso, ele deveria ser retirado apenas para troca ou recarga da bateria”, explica o orientador. Os códigos e dados da pesquisa estão disponíveis no Github para quem deseja se aprofundar no projeto.

Moacir e Patrícia durante a apresentação do projeto,
no campus do Google. (Foto: Arquivo pessoal)
O Google reconheceu o potencial do projeto no fim de agosto, durante o Google Latin America Research Awards (LARA), que está no quinto ano de existência. Este ano, foram selecionados 27 projetos de pesquisa em toda a América Latina. Ao todo, houve 281 submissões, vindas de nove países, e o Brasil conquistou a maioria das bolsas (17). Duas dessas bolsas de estudos financiadas pelo Google, com duração de um ano, estão relacionadas a projetos do ICMC. “Esses projetos têm que estar, de preferência, em uma área de interesse do Google. O nosso entrou na categoria de tecnologias móveis porque o projeto usa sensores móveis para adquirir dados a partir da marcha dos idosos”, explica Moacir.

A premiação foi realizada no Campus da empresa, em São Paulo, e também teve o objetivo de aproximar a academia da comunidade de empreendedores. “Algumas empresas, principalmente startups, participaram do evento para, futuramente, acompanharem o desenvolvimento dos projetos. Deu para notar que o Google quer apoiar iniciativas que, além de cientificamente sólidas, tenham apelo comercial ou social, com potencial de aplicação em médio prazo”, diz o professor. Segundo ele, não existem contrapartidas do Google para o financiamento do projeto, apenas um relatório de atividades após um ano e menção à empresa como agradecimento nas publicações. 

O outro projeto do ICMC premiado com a bolsa de estudos do Google é intitulado Ferramenta inteligente de escrita com os olhos sem interrupções para usuários sem capacidade motora, e pretende entregar um software para digitação de textos a partir do olhar. Esse produto será destinado para pessoas que tenham deficiências motoras, como a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), com adaptações específicas que ajudem a digitar mais rapidamente e reduzir a fadiga ocular.

Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de comunicação ICMC/USP


Mais informações
Artigo publicado na Plos ONE com os resultados iniciais da pesquisa: icmc.usp.br/e/929cf
Códigos e dados da pesquisa no Github: icmc.usp.br/e/f60a9
Reportagem do Google sobre os vencedores do LARA: icmc.usp.br/e/4a4e7
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666 / e-mail: comunica@icmc.usp.br

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Pesquisa desenvolvida no ICMC é destaque no Jornal Nacional

Reportagem mostrou como funciona a tecnologia que está sendo desenvolvida há quatro anos


Professor Gustavo Batista explica como funciona o sensor (assista à reportagem)

Identificar automaticamente um mosquito pelo barulho que ele faz é a proposta do projeto coordenado pelo professor Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. A pesquisa foi destaque na última edição do Jornal Nacional, exibida sábado, 12 de dezembro.

O desafio mobiliza o professor há cerca de quatro anos e os esforços já resultaram na criação de um sensor capaz de identificar, com uma acurácia de mais de 90%, as espécies e o sexo dos insetos. Isso é muito importante no caso do Aedes aegypti, em que apenas as fêmeas são vetores de doenças como a dengue, a zyka e a chikungunya. “Nossa meta, agora, é transformar esse sensor em um produto eletrônico: uma armadilha inteligente que possa ser comercializada”, diz Batista. 

Na semana passada, o projeto para construir o protótipo da armadilha foi aprovado no 3º ciclo do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O doutorando do ICMC Vinícius Souza coordenará a iniciativa e abrirá uma empresa para produzir o protótipo, tendo à disposição até R$ 200 mil nessa primeira fase.

Segundo Batista, a futura armadilha possibilitará à população realizar a contagem dos mosquitos em tempo real. Dessa forma, será viável conectar o equipamento à internet, possibilitando que os dados obtidos pelas armadilhas gerem mapas de controle para os órgãos públicos. Também será possível criar aplicativos para alertar e orientar a população no combate ao Aedes. Desenvolver esses aplicativos é o foco de outro doutorando do ICMC, André Maletzke, bolsista do Google.

Histórico do projeto - A pesquisa teve início em 2011, quando o professor Batista estava fazendo seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos. Nessa época, o Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC) do ICMC estabeleceu uma parceria, que dura até hoje, com pesquisadores da universidade norte-americana.

Naquela época, o trabalho foi financiado pela FAPESP e pela Fundação Bill and Melinda Gates, cujo objetivo é apoiar pesquisas altamente inovadoras. Na ocasião, o objetivo dos pesquisadores era criar um sensor específico para os vetores da malária. Hoje, ainda com financiamento da FAPESP, o trabalho conta com a colaboração da professora do ICMC Solange Rezende, além do professor da Universidade da Califórnia, em Riverside, Eamonn Keogh, e do fundador e presidente da Isca Technologies, Agenor Mafra-Neto. Também colaboraram para a pesquisa os seguintes alunos e ex-alunos do ICMC: Diego Silva, Denis dos Reis, Cristiano Lemes e Luan Soares. Além dos doutorandos norte-americanos Yanping Chen, Adena Why, Moses Tataw, Bing Hu e Yan Hao. O professor Gustavo Batista também faz parte do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI). 

Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Reportagem do Jornal Nacional: icmc.usp.br/e/a7e36
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Google reconhece potencial de pesquisas desenvolvidas no ICMC e fornecerá bolsas para três projetos

Única instituição que terá três projetos financiados pelo programa Bolsas de Pesquisa Google para a América Latina é o ICMC: empresa apoiará 12 projetos no total, sendo oito brasileiros e quatro da USP

A professora Sandra orientará Leandro em um
dos projetos do ICMC selecionados pela empresa

Criar ferramentas que contribuam para resolver três problemas que afetam a humanidade: o diagnóstico de demências, o combate à dengue e a tradução e classificação automática de textos. Uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, o Google, acaba de reconhecer o potencial e a relevância de três projetos com esses objetivos, que nasceram no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, a cerca de 240 quilômetros da capital paulista.

Os projetos concorreram com outras centenas de propostas no programa Bolsas de Pesquisa Google para a América Latina. Das 12 iniciativas selecionadas, o que representa menos de 5% do total de projetos inscritos, oito são brasileiros, sendo quatro da USP. Desses quatro, três pertencem ao ICMC e serão realizados por doutorandos que receberão do Google, durante pelo menos um ano, uma bolsa mensal de US$ 1,2 mil. Seus orientadores também serão contemplados com uma bolsa de US$ 750.

"Estamos vivendo uma época em que todos os dias somos surpreendidos por avanços tecnológicos incríveis. Saúde, meio ambiente, planejamento urbano: nada está fora do alcance da inovação tecnológica. Os projetos da USP São Carlos vencedores do Bolsas de Pesquisa Google para a América Latina mostram o papel crucial da pesquisa para ajudar a resolver problemas reais das nossas vidas", diz Berthier Ribeiro-Neto, diretor de Engenharia do Google para a América Latina.

O desafio do doutorando Leandro dos Santos é contribuir para o diagnóstico precoce de demências. A professora Sandra Aluísio irá apoiá-lo na jornada. Já a meta do estudante de doutorado André Maletzke é ajudar no combate à dengue, contando com a orientação do professor Gustavo Batista. Encerrando o trio de projetos contemplados, o doutorando Edilson Corrêa Júnior trabalhará na criação de um novo método que promete aprimorar as técnicas empregadas atualmente para tradução e classificação automática de textos. Como no universo da web os textos são fundamentais, tal método também tem potencial para melhorar os resultados dos mecanismos de busca empregados, por exemplo, pelo próprio Google. Corrêa Júnior será orientado pelo professor Diego Amancio.

O professor Diego (à esquerda) vai orientar Edilson

Foco nas demências – Mesmo que você não conheça ninguém com Alzheimer, já deve ter ouvido falar nessa doença. A má notícia é que, com o aumento da expectativa de vida da população, a tendência é que, a cada dia, mais e mais pessoas sejam acometidas pelo Alzheimer ou por outros tipos de síndrome menos conhecidos como o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). “Quando um paciente é diagnosticado com CCL, ainda é possível reverter a situação. Mas se nenhum tratamento for realizado, existe uma alta taxa de conversão para Alzheimer”, explica Sandra Aluísio.

Diagnosticar essas doenças é um desafio que os profissionais da área médica enfrentam diariamente em todo o mundo. Para isso, eles costumam realizar uma bateria de exames com os pacientes visando identificar as áreas mais afetadas, tais como memória, orientação, linguagem e resolução de problemas. 

É muito comum, durante esses testes, que o avaliador relate uma história para o paciente, que precisará recontá-la logo depois de ouvi-la e contá-la novamente após um período maior de tempo. A principal dificuldade, nesse caso, é que essa tarefa é aplicada manualmente e depende da avaliação subjetiva de quem relatou a história. “Criar um método computacional que automatize essa avaliação é muito bem-vindo para possibilitar a ampla utilização do teste e uniformizar a avaliação”, ressalta a professora. 

Ela explica que o projeto será realizado em colaboração com pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que a meta é criar um avaliador neuropsicológico pessoal automatizado e acessível via web ou a partir de dispositivos móveis. Com esse avaliador será possível detectar os primeiros sinais de CCL. “A ideia não é substituir psicólogos nem fonoaudiólogos, mas criar uma ferramenta da área de Processamento de Línguas Naturais que os auxilie no diagnóstico das demências”, destaca Sandra, que é pesquisadora do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC), sediado no ICMC.

Gustavo (à esquerda) orientará André na busca pelo desenvolvimento
de uma armadilha inteligente eficaz no combate à dengue

Foco na dengue – A dengue é a principal doença viral transmitida por mosquitos e um dos principais problemas de saúde pública enfrentado no Brasil e em quase todos os países localizados em áreas tropicais e subtropicais do mundo. Atualmente, devido à falta de uma vacina efetiva contra a dengue, as epidemias somente podem ser evitadas com o controle do mosquito vetor, o Aedes aegypti. 

“A verdade é que estamos perdendo a guerra contra a dengue”, afirma o professor Gustavo Batista, que faz parte do Laboratório de Inteligência Computacional do ICMC. Ele explica que, para realizar as ações de controle do mosquito, os órgãos que combatem a doença levam em conta dados referentes aos pacientes diagnosticados com dengue. Mas como esses dados demoram certo tempo para serem gerados, eles não são indicadores eficazes para mostrar onde, de fato, os mosquitos estão e onde deve ser o foco das ações de combate. 

Esse desafio mobiliza o professor Gustavo Batista há cerca de quatro anos. Seus esforços já resultaram na criação de um sensor capaz de identificar, com uma acurácia de 96,1%, as espécies e o sexo dos insetos. Isso é muito importante no caso da dengue, em que apenas as fêmeas são vetores da doença. “Nossa meta, agora, é transformar esse sensor em um produto eletrônico: uma armadilha inteligente que possa ser comercializada”, diz Batista. 

De acordo com o professor, quem possuir a armadilha em casa poderá realizar a contagem dos mosquitos em tempo real e tomar providências para o combate ao Aedes, antes da ocorrência de surtos da dengue. Também é viável conectar o equipamento à internet, possibilitando que os dados obtidos pelas armadilhas gerem mapas de controle para os órgãos públicos. Além disso, é possível criar aplicativos que poderão alertar a população sobre a presença do mosquito. 

Com o apoio do Google, a pesquisa prosseguirá com a realização de testes fora do laboratório, onde não há controle em relação à temperatura, umidade e demais condições ambientais, nem sobre as espécies de insetos que poderão adentrar a armadilha. Depois dos testes, é preciso desenvolver um protótipo do equipamento. A estimativa é de que seu custo para os consumidores não ultrapasse R$ 200,00.

Meta de um dos projetos é disponibilizar à população
armadilha inteligente para captura de insetos

Foco nos textos – Faça um simples teste e você verá o quanto é preciso aprimorar os mecanismos que usamos hoje para traduzir e classificar automaticamente textos. Neste exemplo, vamos usar os versos finais do poema Noturno à janela do apartamento, de Carlos Drummond de Andrade: “A soma da vida é nula. Mas a vida tem tal poder: na escuridão absoluta, como líquido, circula”. Use um tradutor automático e passe os versos para o chinês. Depois, converta-os novamente para o português. Provavelmente, você chegará a um resultado próximo a isso: “A soma de vida é zero. Mas há uma força na vida: na escuridão absoluta, tal como a circulação de líquido”.

Um leitor atento logo verá que os inúmeros sentidos presentes no verso original de Drummond se perderam durante o processo de tradução automática. “Uma das principais causas desse tipo de alteração de sentido é a ambiguidade presente nos textos, uma das questões que mais afetam os mecanismos de tradução automática”, explica o professor Diego Amancio. 

Chamamos de ambíguo, de forma geral, aquilo que pode ter mais do que um sentido ou significado. O poema usado como exemplo propicia várias interpretações e, por isso, a ambiguidade está ali presente tal como na maioria dos textos. Acontece que o computador não tem a habilidade que nós temos para realizar essa tarefa adequadamente e levar em conta essas inúmeras possibilidades de interpretação. 

Atualmente, para ensinar uma máquina a interpretar um texto, os pesquisadores empregam técnicas de aprendizado de máquina. Para deduzir o significado de um termo, levam-se em consideração as palavras vizinhas. Voltando ao exemplo de Drummond, “líquido” é vizinho de “circula”. Como o computador já traduziu muitas vezes essas duas palavras, ele “aprendeu” que, normalmente, as pessoas escrevem “circulação de líquido”.

“Nossa meta é criar uma estratégia complementar que não leve em conta somente as palavras vizinhas, mas também os diferentes significados que um termo pode ter e a estrutura do texto”, revela Amancio. A fim de chegar a melhores resultados, os pesquisadores usam o computador para transformar os textos em redes complexas (veja a imagem abaixo). 
Imagem exemplifica como pesquisadores transformam textos em redes complexas

Na imagem, em vez de enxergarmos um texto, observamos uma rede com vértices repletos de bolinhas coloridas (P1, P2, P3...): cada uma representa uma palavra e as diferentes cores (laranja e azul) indicam que essa palavra tem dois significados. Já os fios mostram como os termos se conectam uns com os outros. “Analisando essas redes, podemos compreender melhor como os sentidos das palavras se distribuem e descobrir maneiras de medir as relações entre elas”, completa o professor, que também faz parte do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional.

Segundo ele, a pesquisa poderá gerar resultados relevantes para aprimorar as ferramentas automáticas de tradução e classificação de textos, recuperar informações em páginas da web e melhorar as ferramentas de buscas que usamos hoje em dia. Se a pesquisa obtiver os resultados esperados, é provável que, em um futuro não muito distante, o próprio Google possa empregar a nova metodologia.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Fotos: Reinaldo Mizutani - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

Confira quais são os projetos do ICMC selecionados pelo Google

Título do projeto: ANAA-Dementia: Aplicação de testes neuropsicológicos automatizados para acompanhamento de cidadãos brasileiros durante o percurso de uma vida
Coordenadora: Sandra Aluísio
Doutorando: Leandro dos Santos

Título do projeto: Controlando mosquitos transmissores da dengue usando sensores e armadilhas inteligentes
Coordenador: Gustavo Batista
Doutorando: André Maletzke

Título do projeto: Resolvendo a ambiguidade em textos por meio da análise dinâmica e topológica de redes complexas
Coordenador: Diego Amancio 
Doutorando: Edilson Corrêa Júnior

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Semana de Computação do ICMC registra recorde de participantes

Feira de recrutamento e palestras sobre aplicativos, jogos eletrônicos e Facebook são exemplos das 40 atrações que tomaram conta do Instituto


Sempre cheio: auditório Fernão Stella Rodrigues Germano ficou pequeno para acomodar todos os participantes

Uma verdadeira maratona de atividades agitou os estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, durante a 18ª edição da Semana da Computação (SemComp). O evento registrou alguns recordes: 900 estudantes se inscreveram no site da Semcomp, sendo que 366 deles participaram também de pelo menos um dos 22 minicursos oferecidos.

“Considerando-se as universidades de referência, nossa semana é uma das mais antigas e uma das que, atualmente, oferece o maior número de atividades e agrega a maior quantidade de participantes”, disse o coordenador do evento, Moacir Ponti. Segundo ele, a comissão responsável levou cerca de 10 meses para organizar a Semcomp, buscando trazer conteúdos atraentes e relevantes para os estudantes da área de computação.

Para o diretor do ICMC, Alexandre Nolasco de Carvalho, a Semcomp tornou-se essencial para a formação dos alunos, promovendo atividades extracurriculares e a integração com profissionais da área que atuam no mercado de trabalho. “A evolução da Semcomp desde 1997, quando ela começou a ser realizada, é impressionante, assim como a evolução no número de vagas oferecidas pelo ICMC nos cursos da área de computação, que em 1997 contava com 40 vagas e hoje são 190. Nesse período, a Semcomp mais que quintuplicou o número de participantes e ampliou consideravelmente a quantidade de atividades realizadas”, contou o diretor. Essa evolução é o foco da exposição Semcomp fazendo história, que está em cartaz no Museu Odelar Leite Linhares, do ICMC, até o final de novembro.

Comissão organizadora da 18ª Semcomp
Além dos 22 minicursos, o evento contou com uma Feira de Recrutamento – patrocinada por 15 empresas –, 10 palestras, um painel de ex-alunos, um workshop, uma jornada para o desenvolvimento de games (GameJam), uma noite de jogos (Gamenight) e diversas atividades culturais como sessão de cinema, luau, sarau e feira de livros.

Aplicativos, Facebook e muito mais – Conhecer o público consumidor antes de lançar um aplicativo, buscar desenvolver algo com grande impacto na sociedade e se preocupar com fatores culturais. Essas foram algumas dicas dadas por Neto Marin, desenvolvedor executivo do Google em São Paulo, na palestra O seu aplicativo Android em todas as telas. “Não temos que pensar no dispositivo que as pessoas vão utilizar e sim nos serviços que iremos oferecer”, disse o palestrante. Segundo ele, o design de um aplicativo faz toda a diferença quando o produto vai para o mercado: “A interface difícil pode fazer o usuário parar de usar seu aplicativo”.

Já a rotina dos desenvolvedores de software no Facebook foi um dos tópicos abordados por Arthur Souza. Atuando como engenheiro de soluções do Facebook para a América Latina, Souza revelou que os desenvolvedores devem ser eficazes quando um problema precisa ser corrigido e ousados na hora da criação: “Nós temos que andar rápido e não podemos nos acomodar, se a gente não reinventar, alguém reinventa a gente”. O palestrante revelou que a empresa chega até a remunerar pesquisadores que encontram falhas no sistema da rede social. 

E quem são as mulheres na área da computação? Para responder a essa pergunta, o grupo PyLadies São Carlos realizou uma apresentação destacando alguns nomes de grandes programadoras da história como Ada Lovelace, criadora do primeiro algoritmo; Hedy Lamarr, lembrada como a “mãe do celular”; e Grace Hopper, desenvolvedora de um compilador que foi o precursor de uma das linguagens de computação mais conhecidas, o Cobol. O PyLadies é um grupo que existe em diversos países e busca ajudar as mulheres a se tornarem participantes ativas e líderes de comunidades Python de código aberto. 

Houve, ainda, palestras abordando empreendedorismo, inovação, realidade virtual e realidade aumentada, big data, inteligência artificial e a relação entre os jogos e a evolução da humanidade.

Grupo PyLadies São Carlos conta, atualmente, com 20 membros

Feira, Workshop, painel e reconhecimento – Participaram da Feira de Recrutamento, realizada no dia 19 de agosto, 13 empresas do ramo de tecnologia da informação interessadas em contratar alunos do ICMC ou em recrutá-los para estágio. Cintia Alvarenga, analista de recursos humanos da empresa Eldorado, contou de que forma o aluno escolhido para fazer parte da equipe pode crescer profissionalmente: “Buscamos propiciar o crescimento do estudante através de treinamentos, especializações, plano de carreira e a oportunidade de trabalhar em projetos desafiantes que são tendência no mercado”. 

A área de desenvolvimento de softwares foi a mais procurada pelos estudantes que passaram pelos estantes das empresas, montados no saguão da Biblioteca Achille Bassi. O aluno de Ciências da Computação do ICMC, Guilherme Piva, está estagiando há seis meses em uma empresa do ramo de TI na área de desenvolvimento de aplicativos para o sistema IOS. Ele contou como está sendo a experiência: “É muito legal ter esse contato, em pouco tempo já aprendi muita coisa e a sensação de sair da Universidade e ir para o mercado de trabalho é ótima, um desafio atrás do outro”.

Também realizado no saguão da Biblioteca Achille Bassi, o Workshop de Iniciação Científica, Tecnológica e Projetos Independentes (WICTPi) contabilizou 16 projetos expostos na manhã do dia 21 de agosto. Na tarde do mesmo dia, aconteceu o painel com seis ex-alunos do ICMC. “O fato de sermos muito cobrados quando estamos estudando aqui pode ser considerando um treinamento para o mercado de trabalho. Isso faz muita diferença no momento em que estivermos no mercado e formos cobrados por resultados”, revelou a gerente de projetos do grupo segurador Bando do Brasil e Mapfre, Alesssandra Cota Mantovani, que se formou no Bacharelado em Sistemas de Informação do ICMC em 2008. “Aproveitem as oportunidades únicas que vocês têm enquanto são estudantes. Aqui há um universo de coisas para fazer: estágio, iniciação científica, participar da ICMC Junior, do Programa de Educação Tutorial (PET)”, recomendou Jorge Cutigi, que também cursou Sistemas de Informação no ICMC. 

O encerramento da Semcomp foi marcado pelo reconhecimento aos alunos que obtiveram as maiores médias nos três cursos de computação oferecidos pelo Instituto: Ciências de Computação, Engenharia de Computação e Sistemas de Informação. “Hoje, temos 932 alunos nos nossos cursos de computação e estamos reconhecendo o esforço de cerca de 10 estudantes de cada curso”, explicou o professor Thiago Pardo, coordenador do curso de Ciências de Computação.

Ex-alunos compartilharam suas experiências no painel
Confira, a seguir, a lista dos estudantes que obtiveram o melhor desempenho acadêmico.

Texto: Denise Casatti e Henrique Fontes - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Site da 18ª Semcomp: https://semcomp.icmc.usp.br/18/
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br


Melhor desempenho acadêmico

Bacharelado em Ciências de ComputaçãoAndre Bannwart Perina
Andre Sa de Mello
Bruno Augusto dos Santos
Edesio Pinto de Souza Alcobaça Neto
Elisa Saltori Trujillo
Guilherme Zanardo Borduchi
Matheus Giovanni Soares Beleboni
Rodrigo de Andrade Santos Weigert
Sady Sell Neto
Samuel Ferreira Guimarães Santos
Tiago de Miranda Leite

Bacharelado em Sistemas de InformaçãoAndreia de Barros Carpi
Andrew Kenji Hanasiro
Bruno Henrique Rasteiro
Gabriel Biscaro Cavallari
Hicaro Rodrigues Adriano
Luis Fernando da Silva Goncalves
Rafael dos Santos Pereira
Thomás Michelena Santos
Victor Nogueira da Silva

Engenharia de ComputaçãoBruna Yukari Fujii Yoshida
Gabriel Dantas Lopes
Giuliano Barbosa Prado
Henrique de Almeida Machado da Silveira
Henrique Stramandinoli Guimarães
Iago Dantas Figueirêdo
Joao Victor Almeida de Aguiar
Luiza Vilas Boas de Oliveira
Matheus Araujo Jorge
Moisés Botarro Ferraz Silva
Rodrigo Martins Racanicci

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Google seleciona cientistas de computação e engenheiros de software no ICMC

Representantes da multinacional Google estarão no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, nos próximos dias 6 e 7 de maio para entrevistar estudantes e ex-alunos dos cursos de Ciências de Computação e Engenharia de Computação interessados em trabalhar ou estagiar na empresa. As entrevistas serão realizadas nas salas do piso 3 da Biblioteca Achille Bassi.

Para participar, é preciso enviar currículo antecipadamente para Brian Zaki (brianz@google.com). O profissional procurado pela empresa deve possuir fluência no idioma inglês, fluência em programação (Java e C++, de preferência) e ter paixão por desenvolvimento de produtos. Quem ainda está na graduação só poderá ocupar a vaga de engenheiro de software após a conclusão do curso. Antes disso, é possível optar pela realização de estágio na empresa.

Além do processo seletivo, haverá a palestra Google Search: What is behind that simple white page?, no dia 7 de maio, às 16 horas, no auditório Fernão Stela de Rodrigues Germano do ICMC. O palestrante será Lucas Vendramin, ex-aluno do ICMC que atualmente é engenheiro de software do Google. A palestra é gratuita, aberta a todos os interessados e não é preciso fazer inscrições antecipamente.

Mais informações
Seção de eventos do ICMC
Telefone: (16) 3373.9622
E-mail: eventos@icmc.usp.br