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terça-feira, 19 de junho de 2018

Pesquisadores da USP desenvolvem técnica de monitoramento de enchentes por meio do Twitter

O objetivo é que, no futuro, esse mecanismo possa prever alagamentos e alertar moradores 

 Palavras relacionadas (à esquerda) e não relacionadas (à  direita) encontradas com frequência na análise dos tweets


As redes sociais estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, mas já imaginou que elas também podem ajudar a monitorar e até mesmo prever catástrofes ambientais? Foi com esse propósito que uma equipe de cinco pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, criou uma técnica computacional capaz de entender como publicações no Twitter conseguem representar fenômenos naturais, no caso chuvas e enchentes. Liderada pelo professor João Porto de Albuquerque, o principal objetivo da equipe é amplificar as áreas de monitoramento, para assim, no futuro, conseguir prever acidentes.

Ao todo, foram analisados quase 16 milhões de tweets que possibilitaram descobrir que esse tipo de análise de dados pode ser usada como método de prevenção e melhorar os sistemas de alertas já existentes, como é o caso das notificações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Climatempo. As análises de dados foram feitas em dois momentos, em relação à cidade de São Paulo. Inicialmente, houve a publicação do artigo científico que analisava tweets referentes ao mês de janeiro de 2016. Em um segundo artigo, foi analisado o mesmo período acrescido de informações de novembro do mesmo ano até fevereiro de 2017.

Cidade de São Paulo durante o período analisado. Tweets relacionados às chuvas identificados com pontos pretos, pluviômetros com triângulos azuis e a bacia de Aricanduva sombreada em cinza 

De acordo com Sidgley, doutorando do ICMC e um dos pesquisadores do projeto, o monitoramento das chuvas é feito por pluviômetros, radares meteorológicos e satélites. Por serem de alto custo, esses instrumentos possuem limitações em sua cobertura espacial. Além disso, a manutenção desses sensores físicos tem de ser regular. “Hoje em dia, existem cerca de cinco mil desses sensores no Brasil. Em São Carlos, existem três, mas só um funciona. Se chover forte em alguns desses pontos onde os sensores estão quebrados, não há informação a ser registrada. Então, a vantagem de monitorar dados de publicações do Twitter é muito maior se comparada aos sensores físicos”, esclarece Sidgley. Ele também explica que as pessoas publicam de vários lugares, portanto, esse monitoramento humano é feito de forma distribuída e tudo isso com um custo baixíssimo.

Um dos desafios do projeto é encontrar uma correlação de dados entre os sensores físicos e os sensores humanos, já que eles são estimulados de formas diferentes, ou seja, a principal dificuldade da pesquisa é conseguir transformar os dados qualitativos de um tweet em dados quantitativos e, para isso, os pesquisadores tiveram que criar critérios de avaliação. Um dos critérios utilizados é a frequência de palavras-chaves como chuva e tempestade. Um outro critério é ponderações de regiões. Ou seja, notou-se que regiões centrais tweetavam mais do que regiões periféricas, o que aumentava o número de dados.

Com os estudos dessa relação entres os dados dos sensores, pôde-se descobrir também que existe um tempo de reação de ambos em relação ao fenômeno, que pode variar de 10 minutos antes do acontecimento até 10 minutos depois. “As pessoas costumam publicar suas expectativas em relação ao clima, então, elas podem postar que o tempo está fechando, por exemplo, e esse mecanismo ajuda a identificar possíveis indícios de que algo vai acontecer em relação à chuva”, explica Sidgley.

Por que o Twitter?
De acordo com os autores, o Twitter é a melhor rede social para esse tipo de análise. Segundo eles, a coleta de dados da rede é mais simples do que a do Facebook, por exemplo. A principal função do Twitter é publicar mensagens curtas, o que facilita esse recolhimento de informações. Além disso, a rede possibilita que as contas de outras redes sociais sejam sincronizadas e essa ferramenta não é possível no Facebook.

Reconhecimento
O estudo é fruto da colaboração multidisciplinar de cinco pesquisadores. Além do professor João Porto e Sidgley, a pesquisa também foi realizada por Camilo Restrepo Estrada, doutorando da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), Alexandre Delbem, professor do ICMC, e por Eduardo Mario Mendiondo, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC.

O estudo começou a ser desenvolvido há cinco anos dentro de um projeto maior, chamado “Ágora”, que também é coordenado pelo Professor João Porto, e tem como foco desenvolver pesquisas e soluções tecnológicas que apoiem o suporte às comunidades vulneráveis na construção de propostas contra desastres naturais e eventos extremos. O primeiro artigo resultante do estudo foi publicado no início de 2017, pela Conferência Internacional Anual de Ciência da Informação Geográfica e teve foco na análise temporal das mensagens. Em fevereiro de 2018, um segundo artigo foi publicado na renomada revista científica Computers and Geosciences, explorando o uso das mensagens para alimentar modelos de monitoramento e previsão de inundações.

O sucesso das pesquisas foi tanto que já se solidificou em um projeto de larga escala. Os resultados desses dois artigos serão utilizados em um novo projeto de pesquisa internacional chamado Waterproofing Data, que tem como objetivo desenvolver métodos práticos para o engajamento de comunidades ameaçadas por enchentes em São Paulo e também no Acre, em parceria com o Cemaden. Ou seja, as atividades de monitoramento e alertas de desastres naturais, que são realizadas em regime contínuo no Cemaden, serão integradas às informações disponíveis de tempo e clima para as áreas de risco de ocorrência de desastres, no caso São Paulo e Acre. A partir da análise desses dados, será feita uma avaliação para emissão de alertas.

Atualmente, João Porto é professor visitante no grupo de Geoinformática do Instituto de Geografia da Universität Heidelberg, na Alemanha, e está afastado do ICMC


O novo projeto também está sob coordenação do professor João Porto e recebeu um financiamento de aproximadamente 1 milhão de euros do Belmont Forum, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Economics and Social Science Research Council (ESRC) do Reino Unido, que envolve a University of Warwick (Reino Unido). A pesquisa será realizada em parceria pelo ICMC, Heidelberg University (Alemanha), Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) além das seguintes organizações: Cemaden, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), British Geological Survey (BGS), Prefeitura de São Paulo, Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Acre e cidade de Eberbach, na Alemanha.

Texto: Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
Crédito das imagens: divulgação


Mais informações
Site do projeto Agora: http://www.agora.icmc.usp.br/site/language/pt/
Artigo Mining Rainfall Spatio-Temporal Patterns in Twitter: A Temporal Approach: https://link.springer.com/chapter/10.1007%2F978-3-319-56759-4_2
Artigo Geo-social media as a proxy for hydrometeorological data for streamflow estimation and to improve flood monitoring:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0098300417306118?via%3Dihub

Contato para esta pauta
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 3 de março de 2015

Computação aplicada a desastres naturais: ICMC e EESC abrem vaga para pós-doutorado

Infográfico resume como funciona projeto em que pós-doutorando atuará

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), ambos da USP, estão selecionando um bolsista de pós-doutorado para atuar em projeto de pesquisa do Edital CAPES Pró-alertas junto ao grupo interdisciplinar de pesquisa Computação aplicada a Desastres Naturais. 

O bolsista de pós-doutorado irá colaborar em projeto coordenado pelos professores João Porto de Albuquerque, do ICMC, e Eduardo Mario Mendiondo, da EESC, atuando no desenvolvimento de métodos computacionais para integração e visualização de dados de fontes heterogêneas (estações hidrológicas, pluviômetros, mapas de risco, radares, informação geográfica voluntária, mídias sociais etc.), com o objetivo de aprimorar sistemas de previsão e alertas de desastres naturais. Confira a reportagem que mostra como funciona o projeto: icmc.usp.br/e/d149c

O grupo que atua no projeto inclui alunos de mestrado e doutorado do ICMC (http://www.agora.icmc.usp.br), do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC,  e pesquisadores do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (CEMADEN) e da Universidade de Heidelberg (Alemanha).

O pós-doutorando receberá uma bolsa no valor de R$ 4.100,00 mensais da CAPES, concedida inicialmente para 12 meses e prorrogável por até 36 meses. O início das atividades acontecerá imediatamente após a seleção.

Os interessados devem entrar em contato por e-mail com o professores João Porto (jporto@icmc.usp.br) e Mario Mendiondo (emm@sc.usp.br), com a seguinte especificação no assunto "Vaga Posdoc Pró-Alertas". À mensagem, deve ser anexado o curriculum vitae (CV) do candidato ou o link para o CV Lattes, uma breve descrição sobre sua motivação e habilidades relevantes para a vaga, além do endereço de e-mail de um professor doutor que poderá atestar suas habilidades. Os candidatos mais bem qualificados serão selecionados para uma entrevista por videoconferência ou presencialmente.

Pré-requisitos e conhecimentos desejáveis - O candidato deverá dedicar-se integralmente às atividades programadas e não acumular bolsa com exercício profissional remunerado (exceto docente/pesquisador em afastamento). Deve, ainda, possuir experiência em publicações em revistas e conferências internacionais de alto nível, além de domínio da língua inglesa (escrita e fala). Também é necessário possuir uma boa recomendação de um professor doutor que conheça suas habilidades.

Além disso, é desejável que o candidato possua conhecimentos em pelo menos um dos seguintes aspectos:
  • geoprocessamento, sistemas de informações geográficas e banco de dados geográficos;
  • visualização de informação e apoio à decisão;
  • computação orientada a serviços e computação em nuvem;
  • sistemas colaborativos;
  • informação geográfica voluntária e mídias sociais;
  • modelagem hidrológica e sistemas de previsão de cheias.
Mais informações
E-mails dos professores: emm@sc.usp.br e jporto@icmc.usp.br

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Projeto une pesquisadores do Brasil e da Alemanha na busca pelo combate e prevenção às enchentes

Objetivo é construir ferramentas para melhorar a disponibilidade e a qualidade da informação destinada a monitorar e analisar riscos de inundação, contando com a participação da população por meio do Observatório Cidadão de Enchentes


Há quatro pesquisadores no Brasil atuando no projeto
O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e a Universidade de Heidelberg, na Alemanha, estão desenvolvendo um projeto conjunto que visa prevenir desastres naturais, com foco nas enchentes. Financiado pelas principais agências de fomento à pesquisa do país (FAPESP, CNPq e Capes), o projeto tem como objetivo construir ferramentas para melhorar a disponibilidade e a qualidade da informação destinada a monitorar e analisar riscos de inundação, apoiando a tomada de decisão na gestão desses riscos. 

O diferencial do projeto é a ideia de unir a perspectiva da ciência, da população e do governo, já que os dados coletados são provenientes de várias fontes, envolvendo cidadãos, pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, especialistas em gerenciamento de risco de inundação e representantes de agências governamentais. Entre as várias ferramentas que compõe o projeto está o Observatório Cidadão de Enchentes, uma plataforma colaborativa na web que pode ser usada por qualquer cidadão e da qual todos podem participar (disponível em www.agora.icmc.usp.br/enchente). Por meio dessa plataforma, a população poderá relatar o nível da água no leito dos rios e a extensão de áreas alagadas. 

“A ideia é que os cidadãos comuns possam usar a internet ou aplicativos móveis para comunicar desastres a qualquer momento”, contou o professor do ICMC e coordenador do projeto, João Porto de Albuquerque. Segundo ele, há dois tipos de dados que são coletados da população: aqueles que vêm dos cidadãos comuns por meio do Observatório e os que são provenientes de voluntários previamente cadastrados. “Os voluntários pré-cadastrados, que podem ser voluntários da defesa civil, por exemplo, receberão um treinamento para atuar na obtenção de dados de qualidade para o combate às enchentes, levantando informações sobre o nível atual de rios, áreas alagadas, pontos de bloqueio de tráfego, vítimas e infraestrutura destruída”, explicou. 

De acordo com Albuquerque, a diferença maior entre os dois grupos é a credibilidade da informação. No caso dos cidadãos comuns, os dados devem ser checados e, no segundo caso, há um treinamento para que sejam obtidas informações de qualidade.

Infográfico resume como projeto funcionará

Inspiração grega – Para compreender melhor o escopo do projeto, vale analisar seu nome completo em inglês A Geospatial Open collaboRative Architecture for Building Resilience against Disasters and Extreme Events. Ao realizar uma abreviação do nome em inglês, fazendo um jogo de palavras com suas letras iniciais, chega-se à ÁGORA, o título mais usado pelos pesquisadores ao se referirem ao projeto. É dos gregos, portanto, que vem essa palavra e também a inspiração para a criação do projeto, afinal, a “ágora” era o lugar para os cidadãos das antigas cidades gregas dedicarem-se às discussões políticas e também um centro para o desenvolvimento esportivo, artístico e espiritual. A ágora de Atenas, por exemplo, é considerada o berço da democracia.

Os pesquisadores envolvidos no projeto destacam que o ÁGORA não irá apenas prover informações para a tomada de decisões dos governantes em situações de risco, mas também vai agregar valor aos dados obtidos, que passarão a ser disponibilizados de forma padronizada e aberta a todos os interessados.

Atualmente, Albuquerque desenvolve pós-doutorado na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, com bolsa do Programa Ciência sem Fronteiras. Ele está trabalhando especificamente na construção de uma plataforma de mapas colaborativos, a partir do software livre OpenStreetMap, para identificar elementos críticos em ameaça, como em hospitais, escolas, distribuidores da rede elétrica, etc. Essa plataforma será destinada ao uso dos voluntários que receberão treinamento específico. “Quando identificamos que uma área está ameaçada de ser alagada, é importante verificar, para o combate às enchentes, se existem elementos críticos que estão ameaçados no local. É aí que entra o nosso método, pois possibilitamos às autoridades competentes a visualização do impacto que uma enchente pode causar, por exemplo, atingindo escolas ou hospitais que precisam ser evacuados. Então, é possível realizar ações de proteção adequadas para salvar vidas e evitar prejuízos”, salientou.

O ÁGORA também capta os dados dos sensores para enchentes, tecnologia desenvolvida no ICMC pelo professor Jó Ueyama. Tratam-se de equipamentos destinados a detectar enchentes em rios e córregos de São Carlos por meio de uma rede de sensores sem fio. "Os nossos sensores coletam dados sobre o nível do rio e a quantidade de chuva. Essas informações são repassadas para o banco de dados do ÁGORA", acrescentou Ueyama.

Parceria com Heidelberg – Tudo começou com uma visita técnica que Albuquerque fez à Universidade de Heidelberg, em junho de 2011, ao grupo do professor alemão Alexander Zipf, seguida de uma estada de três meses no país com financiamento da Fundação Alexander von Humboldt. Desde então, Zipf passou a ser o coordenador do ÁGORA na Alemanha.

Em 2013, Albuquerque recebeu bolsa de estágio para o exterior da FAPESP, válida até janeiro deste ano. Recentemente, o professor obteve outra bolsa, desta vez para atuar como professor visitante até 2017 no Instituto de Geografia da Universidade de Heidelberg, com recurso da própria universidade por meio da Deutsche Forschungsgemeinschaft.

Albuquerque destaca também a contribuição do ÁGORA para o projeto temático da FAPESP “Assessment of Impacts and Vulnerability to Climate Change in Brazil and Strategies for Adaptation Options” (IVA), estreita colaboração estabelecida com o grupo do professor Eduardo Mario Mendiondo, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (DHS/EESC).

Atualmente, trabalham no ÁGORA, também, estudantes de graduação e pós-graduação alemães e brasileiros: Benjamin Herfort e Svend-Jonas Schelhorn são da Universidade de Heidelberg; Caio Correia, Flávio Horita, Lívia Degrossi, Luiz Fernando de Assis, Raniéri Moreira e Raul Castanhari são do ICMC. Assis está, no momento, na Alemanha, com Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior da FAPESP. Já o doutorando Horita está construindo um sistema de apoio à decisão para monitoramento on-line dos sensores, enquanto a doutoranda Degrossi trabalha diretamente com o Observatório Cidadão de Enchentes; Castanhari desenvolve uma arquitetura de software para gerenciar as informações do projeto e o mestrando Moreira iniciou recentemente trabalho com aplicativos móveis para que a população possa fornecer dados via celular. Correia possui bolsa de iniciação científica e assessora todos os demais participantes dessa grande ágora.

Porto, Assis e Zipf no laboratório da Universidade de Heidelberg
Texto: Ronaldo Castelli – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Site do ÁGORA: www.agora.icmc.usp.br
Observatório Cidadão de Enchentes: www.agora.icmc.usp.br/enchente
Assessoria de Comunicação do ICMC
Telefone: (16) 3373-9666

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Microcóptero com rede sem fio funciona como agente de trânsito autônomo

Sistema criado por pesquisadores do ICMC utiliza veículos aéreos que monitoram o tráfego de maneira autônoma, possibilitando a integração com a rede veicular para alertar sobre situações de risco
Silenciosos, microcópteros podem ser empregados em investigações

Uma rede que estabelece comunicação entre carros e sistemas de monitoramento das vias não é uma realidade muito distante do nosso dia-a-dia. A próxima geração de veículos já prevê opcionais como sistemas de comunicação sem fio (Wi-Fi 802.11p) e tecnologia 3G ou 4G, utilizadas em redes de telefonia móvel. Mas uma pesquisa realizada no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, promete trazer uma tecnologia ainda mais sofisticada para a troca de dados entre automóveis. A ideia é empregar microcópteros como agentes de trânsito, alertando sobre possíveis situações de risco.

O responsável pela pesquisa, Jó Ueyama,  professor do ICMC, explicou que os microcópteros são pequenos helicópteros movidos à bateria e equipados com sensores, câmeras de alta resolução, GPS e tecnologias de redes sem fio. Isso possibilita ao equipamento fazer voos autônomos, apenas com uma pré-programação determinando seu percurso. Para receber e enviar dados ao microcóptero, os carros deverão ser equipados com tecnologias de redes sem fio (Wi-Fi 802.11p, 3G, 4G).

Essa tecnologia de comunicação entre veículos é conhecida como Veicular Ad Hoc Networks (VANETs). “Assim como há uma rede de telefone celular, podemos ter uma rede de veículos, onde eles são equipados com computador e rede sem fio. O microcóptero, neste caso, serviria como uma 'mula de dados', ou como uma ponte de comunicação entre os veículos”, contou Ueyama.

As aplicações VANETs possibilitam aumentar a segurança em rodovias, efetuar troca de informações para entretenimento ou comunicar sobre as condições de tráfego. Se, por exemplo, um acidente acontece em um determinado ponto e um carro está seguindo em direção a esse trecho crítico, o equipamento pode informar outros veículos que se aproximam do local para que evitem o trajeto.
Microcópteros podem contribuir para minimizar riscos de enchentes
Aplicação em enchentes – Ueyama explicou ainda que os microcópteros podem ser considerados "computadores voadores", recebendo, processando e enviando dados. O projeto é uma continuidade do sistema e-NOE, que detecta enchentes e níveis de poluição em rios e córregos urbanos através de uma rede de sensores sem fio, permitindo que a população seja avisada sobre eventuais riscos.

Os sensores do sistema e-NOE já estão instalados em três pontos: dois no córrego Monjolinho, um na avenida Trabalhador São-carlense, próximo ao campus da USP, e outro próximo ao kartódromo; o terceiro está perto da rotatória do Shopping Iguatemi. Vale salientar também que tais sensores previram a enchente que ocorreu em São Carlos na terça-feira, 22 de outubro, com quinze minutos de antecedência.

O software é capaz de prever quando uma forte chuva poderá ocasionar o transbordamento dos córregos onde os sensores estão instalados. Colocados no fundo do córrego, os sensores calculam a pressão da água do rio e enviam as informações para uma base de dados, criando um gráfico que mostra a probabilidade de ocorrer uma enchente. “O gráfico que aponta o índice de perigo ultrapassou o limite durante a chuva do dia 22, provando que o sistema já opera com precisão”, disse Ueyama.

Para aprimorar essa previsão, o sistema e-NOE calcula a largura do córrego e a velocidade de vazão da água. Quanto maior a correnteza, maior o índice de perigo do córrego em questão.

Agregados a esse sistema, os microcópteros também podem ajudar em caso de ocorrência de enchentes, comunicando-se com os sensores já presentes no solo (instalados ao longo dos rios urbanos). “Os microcópteros podem ajudar na disseminação dos dados das enchentes, auxiliando, por exemplo, no desvio do trânsito, para que os veículos evitem áreas alagadas”, explicou Ueyama.


Ueyama e estudante de iniciação científica testam equipamento na USP em São Carlos

Outras aplicações - Em situações de desastre, como deslizamentos ou fortes tempestades, o microcóptero pode captar os dados e enviá-los para centros de informações, com a finalidade de minimizar os efeitos da situação em um curto espaço de tempo.

O pesquisador também sugere que o microcóptero seja utilizado na segurança, para investigações sobre tráfico de drogas, por exemplo. “Nesses casos, o uso é adequado, pois o microcóptero é silencioso – possui motor elétrico movido a bateria. Isso faz com que, depois de voar em uma altura de aproximadamente 150 metros, possa ser confundido com um pássaro qualquer, o que facilitaria filmar e enviar tais imagens em tempo real, sem que seja abatido pelos traficantes”, explicou o professor.

Além disso, o equipamento pode ser usado para aplicação de defensivos químicos em lavouras, com o objetivo de diminuir a quantidade do produto em locais como margens do terreno e evitar contaminação da fauna e da flora.

Parcerias - Multidisciplinar, o projeto conta com a parceria de pesquisadores do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de estudantes de iniciação científica e pesquisadores do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

A pesquisa é financiada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), rede de colaboração que integra universidade e indústria, apoiando o desenvolvimento de soluções e aplicações para áreas como meio ambiente, segurança, defesa nacional e agricultura.

Texto e fotos: Fernanda Vilela - Assessoria de Comunicação ICMC/USP


Mais informações
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Tel.: 3373.9666
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terça-feira, 23 de julho de 2013

Terceiro equipamento para monitorar enchentes é instalado em São Carlos

Tecnologia desenvolvida no ICMC, sistema e-NOE chega à rotatória do shopping 

Pessin, Ueyama e Macha: equipamento dispõe de nova funcionalidade

O terceiro equipamento destinado a detectar enchentes em rios e córregos por meio de uma rede de sensores sem fio acaba de ser instalado na rotatória do shopping, um dos locais mais críticos de São Carlos na ocorrência de alagamentos. Desenvolvido pelo professor Jó Ueyama, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), na USP de São Carlos, o sistema e-NOE é composto por um sensor analógico com uma função específica: medir mudanças na pressão do rio.

Quando o nível da água sobe, há mais pressão e o sensor é capaz de identificar essa alteração. Os dados coletadas são transmitidos para um servidor na USP assim que cada leitura é realizada. Essa transmissão é efetuada via wireless Zigbee – tecnologia de comunicação sem fio com baixo consumo de bateria e com transmissões de longa distância. Automaticamente, um software converte as informações em gráficos, que são disponibilizados a toda a população pela internet (icmc.usp.br/e/4c0ef) e podem ser facilmente monitorados pela Defesa Civil.

“Se o sensor detectar uma elevação súbita na pressão do rio, significa que haverá enchente. É quando devemos tirar a população da região o mais rápido possível”, disse o professor. Em 2012, o pesquisador obteve autorização do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo para monitorar as águas dos córregos da cidade e, por meio de uma parceria com a Prefeitura Municipal de São Carlos, os equipamentos vêm sendo instalados: um deles foi colocado na Avenida Trabalhador São-carlense, próximo ao campus da USP, e o outro nas imediações do antigo kartódromo.

“A novidade é que esse terceiro equipamento dispõe de uma nova funcionalidade em relação aos dois anteriormente instalados. Devido à utilização da tecnologia 3G, agora é possível obter fotos do local, o que possibilita a observação em tempo real do que está ocorrendo na rotatória”, explicou Ueyama.

O próximo passo é ampliar a funcionalidade do sistema para monitorar também a poluição, por meio da colocação de mais três sensores analógicos. “A estimativa é de que, em um mês, já estejam instalados esses novos sensores capazes de medir a poluição dos rios”, afirmou Edmundo Macha, pesquisador colaborador do projeto.

Previsão de enchentes

Mais um serviço que deverá ser oferecido à população a partir do estudo dos dados obtidos via sistema e-NOE é o de previsão de enchentes. “Por enquanto, é possível prever apenas a ocorrência de enchentes com uma antecedência máxima de 15 minutos, pois trabalhamos com previsão de curto prazo”, contou o pesquisador colaborador Gustavo Pessin, egresso do ICMC.

Mas, segundo o pesquisador, a ideia é que, com a instalação de mais sensores – inclusive destinados a medir o índice pluviométrico – seja possível realizar previsões até 6 horas antes de uma enchente ocorrer, tempo suficiente para remover a população das áreas de risco.

“Com isso esperamos que os transtornos e prejuízos causados pelas chuvas em São Carlos não se repitam, ou que ao menos possamos avisar a população e comerciantes para que se previnam antes que a enchente ocorra”, disse Ueyama.

O começo de tudo

O projeto teve início na Inglaterra, proposto pelos professores Daniel Hughes e Geoff Coulson, o qual foi orientador de Ueyama entre 2002 e 2006, quando o pesquisador cursou doutorado na Universidade de Lancaster. Na ocasião, conheceu o projeto e pensou em adaptá-lo ao Brasil. Desde então, o pesquisador tem aperfeiçoado o sistema com vistas a otimizá-lo para a realidade brasileira. “Além disso, é de interesse nosso que o protótipo tenha um baixo custo para que as prefeituras possam replicá-lo”, afirmou.

A pesquisa foi desenvolvida com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC). Futuramente, Ueyama pretende disponibilizar o sistema como software livre para prefeituras de municípios do Estado de São Paulo e para outras cidades que têm problemas com enchentes. Também estão sendo analisadas formas de comercializar o sistema.

Recentemente, a pesquisa foi apresentada em reportagem do Jornal da EPTV. Clique aqui para conferir: 

Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC-USP