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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Alunos da USP são campeões em competição na maior feira de games da América Latina

Três estudantes de Ciências de Computação do ICMC conquistaram o primeiro lugar criando um jogo para celular sobre um tema nada trivial: educação financeira


A equipe Geleia de FoG comemora a vitória: eles criaram o jogo Pescando Sonhos

Falar sobre finanças com as crianças pode ser uma tarefa difícil para pais e professores, mas para a equipe Geleia de FoG foi um desafio e tanto. Selecionada entre as dez melhores do país para participar da Brasil Game Jam, uma das maiores competições de desenvolvimento de games da América Latina, a equipe criou um jogo sobre educação financeira infantil em apenas 48 horas. Representando o The Fellowship of the Game (FoG), um grupo de extensão vinculado ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, o time conquistou o primeiro lugar com um jogo de pesca para celular chamado Pescando Sonhos. 

O objetivo é que o jogador acumule R$ 200 para comprar o barco dos sonhos. Mas, para isso, ele deve controlar um anzol e pescar coisas no fundo do mar como peixes, algas e até baús de tesouros. Cada um dos itens pescados rende dinheiro, que será usado na loja para comprar novas ferramentas, como mais anzóis ou linhas de pesca maiores, aprimorando a capacidade de pesca. 

Além disso, é possível também que o jogador faça investimento em pérolas. Ou seja, ele compra uma ostra que fabrica pérolas dentro de si e, quanto mais tempo o jogador deixar a ostra no fundo do mar, maior será o tamanho da pérola e o seu retorno financeiro, simulando uma poupança. De acordo com os desenvolvedores do jogo, ensinar a criança a tomar decisões de como deve gastar seu dinheiro pode fazê-la aprender a investir seus recursos e saber em que momento deve gastá-los.

"A ideia é a criança jogar e aprender sobre educação financeira de forma natural”, explica Anayã Ferreira, uma das desenvolvedoras do jogo. Mais dois estudantes fizeram parte da equipe: Rafael Gallo e Gabriel Simmel. Os três são estudantes do curso de Ciências de Computação do ICMC. "Não teria conseguido sem ajuda dos meus colegas de equipe e a experiência que tive no FoG", conta Gabriel. 

Anayã, Gabriel e Rafael (da esquerda para a direita) criaram um jogo sobre educação financeira infantil em apenas 48 horas

A Brasil Game Jam aconteceu durante a Brasil Game Show, uma feira que reúne as principais empresas do setor, em que são apresentadas as novidades do mercado de PC, console, mobile, realidade virtual, card games e jogos de tabuleiro. Realizada na cidade de São Paulo, a feira ocorreu de 10 a 14 de outubro. 

Além da Geleia FoG, o ICMC também foi representando pela Vórtex Jelly, outra equipe classificada entre as dez melhores. Formada por Lui Franco, Oliver Becker e Willian Gonzaga, eles desenvolveram o jogo Hall If Streamers. No game, você deve virar um YouTuber de sucesso. “A ideia do nosso jogo é ser um streaming grande. O jogador começa com uma câmera e um microfone do notebook e precisa evoluir seu equipamento. A cada visualização, o jogador ganha uma quantidade de moedas e pode aplicar o dinheiro em cursos extras, como carisma e informática”, finaliza Lui.

Equipe Vórtex Jelly também representou o FoG durante a Brasil Game Jam

Texto: Talissa Fávero - Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Matemática financeira: alunos do ensino médio vão aprender o valor do dinheiro em curso oferecido pelo ICMC


O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está com inscrições abertas, até o dia 5 de maio, para o curso Matemática financeira: aprendendo o valor do dinheiro. O curso, que é gratuito, busca incentivar e divulgar o estudo dessa área de ampla aplicação no cotidiano preferencialmente para alunos do ensino médio. As aulas acontecerão aos sábados, das 10 às 12 horas, na sala 3-009 do ICMC.

Durante o curso, que será realizado entre os dias 7 de maio e 18 de junho, haverá aulas teóricas, exercícios e oficinas sobre progressão aritmética e geométrica, juros simples e compostos, inflação e poupança. Os ministrantes do curso serão os alunos de graduação do ICMC Leonardo Martins, Victor do Amaral, Marco Siriani e Gisele Sandrin. Há 40 vagas disponíveis e os interessados devem se inscrever por meio do Sistema Apolo clicando neste link: icmc.usp.br/e/77f00.

Mais informações
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC: (16) 3373.9146

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Projeto desenvolvido no ICMC ensina economia doméstica para crianças


Um ditado muito popular diz que dinheiro na mão é vendaval. Mas se depender da professora de matemática Lizlane Aparecida Trevelin, esse ditado não será válido para seus alunos. Tudo isso graças à pesquisa Economia doméstica: uma aplicação prática para alunos concluintes do ensino fundamental que ela apresentou no último dia 9 de dezembro ao Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT), do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, sob a orientação do professor Luiz Augusto da Costa Ladeira.

A dissertação teve o objetivo de verificar a aprendizagem da matemática por meio do ensino da economia doméstica para as crianças: elas deveriam aprender a lidar com dinheiro, aprender a fazer orçamento familiar e a controlar os gastos, e adquirir noções de consumo consciente. O projeto foi aplicado em uma escola pública de ensino fundamental da cidade de São Carlos onde Lizlane atua como docente. Participaram do projeto 108 alunos, sendo 3 turmas com 36 alunos cada, do 9° ano do ensino fundamental.

“O projeto foi um sucesso não apenas entre os alunos, mas também em algumas famílias que decidiram abraçar a iniciativa”, conta a pesquisadora. Além disso, os próprios alunos tiveram a iniciativa de criar o grupo Embaixadores da Saúde Financeira: por meio de cartazes e de outros recursos, eles transmitiram o conteúdo aprendido para os outros estudantes da escola.

A ideia de desenvolver o projeto surgiu quando a pesquisadora leu uma matéria jornalística na internet que apontava que o número de famílias endividadas havia passado de 58,3% para 62,5% entre 2012 e 2013, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. “Percebi que havia a necessidade de a escola trabalhar com seus alunos essa questão de uso do dinheiro e controle de gastos”, explica. Como Lizlane estava cursando o mestrado profissional, decidiu realizar o projeto de economia doméstica com seus alunos. A experiência durou cerca de um ano.

Para realizar o projeto, a pesquisadora utilizou como fonte materiais na internet que abordassem o tema economia doméstica; planilhas do Excel; textos sobre o assunto; além da ferramenta educacional WebQuest.

No WebQuest, ela criou uma página com o sugestivo nome de “Para onde vai meu rico dinheirinho” onde disponibilizou várias atividades. A professora ainda compartilhou com os alunos uma cartilha do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que ensina a calcular o Índice de Custo de Vida (IPC) das famílias.

Inicialmente os alunos precisaram assistir a um vídeo de um programa de televisão onde um economista apresentava várias dicas e estratégias sobre como lidar com dinheiro. Esse vídeo foi discutido em sala de aula com os alunos.

No vídeo, um consultor financeiro aponta para a necessidade de as pessoas terem sonhos e sempre separarem uma quantia mensal para realizá-los. Também é preciso ter sonhos de curto (1 ano), médio (1 a 5 anos) e longo prazo (acima de 5 anos). O vídeo também fala das diversas formas de pagamento (em dinheiro, débito, crédito e cheque) e dos problemas que envolvem as compras parceladas. Além de outros apontamentos sobre planejamento financeiro.

Depois de assistir ao vídeo, os alunos trabalharam com uma planilha onde era preciso preencher com os gastos ao longo de um mês, sempre com a orientação da professora Lizlane. Segundo a pesquisadora, alguns alunos tinham mesada, outros não. Por isso, em muitos casos, a planilha foi preenchida com os gastos da família e a atividade acabou por envolver todos da casa.

A anotação dos gastos foi feita durante um mês. Depois os alunos analisaram os gastos, as entradas e o saldo e, a partir dessa análise, apresentaram algumas conclusões, incluindo os gastos onde poderia haver economia.

Reflexão - Na etapa seguinte, os alunos precisaram estabelecer sonhos de médio, curto e longo prazo. Os alunos ainda tiveram que fazer uma reflexão sobre esses sonhos e de como poderiam realizá-los, e elaborar um plano de ação. “Isso fez com que os alunos percebessem a importância do planejamento e da organização para alcançar esses sonhos”, destaca a pesquisadora. No final, tiveram de realizar uma autoavaliação. Também foi feito um vídeo com alguns depoimentos dos estudantes onde eles contam o quanto foi importante aprender sobre planejamento financeiro e, principalmente, ter sonhos e lutar por eles.

A pesquisadora acredita que é possível reproduzir o trabalho em outras salas de aula. Entretanto, ela ressalta que o projeto elaborado por ela é apenas um ponto de partida e que talvez seja necessário fazer adaptações para as diferentes realidades encontradas nas escolas no que se refere aos alunos, aos próprios professores e também às próprias escolas. Parte do projeto está disponível no WebQuest neste link.

Texto: Valéria Dias - Agência USP de Notícias