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terça-feira, 2 de maio de 2017

A voz de quem chega ao ICMC

Eles vêm de todas as partes do Brasil e também do exterior, atraídos pela excelência em ensino, pesquisa e extensão e também pela qualidade de vida de São Carlos



Se Ana Carolina Fainelo, de apenas 17 anos, decidisse sair de São Carlos a pé para visitar os pais, andando a uma velocidade média de 4 quilômetros por hora, ela caminharia durante 29 dias até chegar a Porto Velho, Rondônia. Mas os 2,8 mil quilômetros que separam a estudante de sua família não a impossibilitaram de realizar um sonho: estudar Ciências de Computação na melhor universidade do país, a USP. 

Quando decidiu concorrer a uma das 100 vagas do curso disponibilizado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, no campus de São Carlos, ela analisou detalhadamente a grade curricular, obteve informações sobre a estrutura do local e também sobre a qualidade de vida na cidade: “Tudo me chamou para cá e espero sair daqui com muito mais conhecimento e experiência. Não falo apenas da experiência em relação ao conteúdo que aprenderei, mas também da experiência de vida que vou ganhar, porque é a primeira vez que estou morando longe dos meus pais”.

Durante a Semana de Recepção aos Calouros do ICMC, que aconteceu de 6 a 10 de março, a estudante se surpreendeu com os grupos de extensão que existem no Instituto. “Achei interessante a integração de diversas áreas nesses grupos, há estudantes de computação e também de engenharia elétrica, mecânica, etc”, destaca Ana Carolina. “Saber que um dos maiores grupo de robótica do Brasil, o Warthog Robotics, está aqui, tão perto da gente e à disposição, é muito bom”, acrescenta.

A escolha por computação não aconteceu por acaso para Ana. O pai da estudante sempre trabalhou com tecnologia da informação, apesar de não ser formado na área. Em 2014, perguntou à filha: “Por que você não começa a aprender um pouco de programação?” A frase despertou a garota para um novo universo, que a encantou. “Não me aprofundei muito, mas o pouco que vi achei muito legal. Ele me orientou, forneceu materiais e tirou minhas dúvidas. Vi que era algo em que valia a pena mergulhar, até porque gosto de matemática e da área de exatas”.


Da engenharia à matemática – No caso de Thales Sarinho, 20 anos, seriam necessários 27 dias de caminhada, andando na mesma velocidade que Ana Carolina, para chegar à sua terra natal, em Recife, Pernambuco, onde seus pais moram. Os 2,7 mil quilômetros que separam o estudante de sua família também não o intimidaram na busca pelo sonho de estudar na melhor universidade brasileira na área de matemática. No entanto, Thales descartou estudar em São Paulo por causa da poluição: “Tenho asma, já fui a São Paulo várias vezes e sempre é um sufoco. Não tenho condições de morar lá.”

Ele sempre teve paixão por ensinar. No ensino médio, pegava o quadro branco que tinha ganhado da mãe e, com o pincel atômico em mãos, explicava conteúdos de química, física e matemática para os colegas. Quando ingressou no curso de Engenharia Mecânica em uma faculdade particular de Recife, há dois anos, não foi diferente. “Tinha gente que não entendia cálculo e geometria e eu estava amando aquelas disciplinas. Então, pegávamos uma sala que não tinha aula à tarde e a galera da minha turma ficava ouvindo as minhas explicações. Sempre havia um grupo de 10 a 15 alunos. Eu adorei essa experiência”, conta Thales. 

O cálculo e a geometria também foram responsáveis por fazer Thales enxergar sua paixão pela matemática. “Quando você vai fazer engenharia, não é apresentado a uma matemática rigorosa. Você conhece uma matemática mais superficial, para que aplique na sua área. Nesse caso, basta saber que existe uma fórmula matemática para usar naqueles casos”, diz o estudante. “No entanto, eu queria saber por que aquela fórmula existia, como ela tinha sido construída”, acrescenta. Ele até tentou ler livros de uma matemática mais avançada para ver se isso o satisfazia, mas não adiantou. Depois de um ano e meio de engenharia, Thales decidiu desistir.

“Meus pais ficaram muito preocupados. Eu estava saindo da engenharia, que é um curso muito bem aceito, que tem muitas vagas de emprego, para ser professor de matemática!” Porém, eles não tardaram a compreender a decisão do filho. Afinal de contas, os dois haviam passado por experiências similares. O pai de Thales chegou a cursar física, mas quando notou que não haveria emprego em Recife na área a não ser para dar aulas, transferiu para direito. Já a mãe do garoto cursava letras e também não gostava de dar aulas, por isso, tal como o pai, seguiu o caminho do direito. “Eles disseram que era normal que eu mudasse de ideia. Só imaginaram que eu ia ganhar pouco e não seria valorizado, tal como minha avó materna, que era professora de português”. 

O plano de Thales é ser professor universitário e, para alcançar seus objetivos, o estudante já sabe que precisará fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Vi que a professora Maria do Carmo, do ICMC, fez pós-doutorado na Polônia. Seria o máximo fazer algo assim lá na Europa, na Nova Zelândia, no Canadá...

Alejandro e Angelo durante a recepção aos calouros da pós-graduação

Mirando novos horizontes – Quem também chegou ao ICMC com o sonho de fazer um pós-doutorado fora do país ou talvez até passar uma temporada do doutorado no exterior, foi o matemático Angelo Guimaraes. Formado pela Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, onde também fez mestrado, Angelo ingressou no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Matemática do ICMC no início deste ano. Durante a cerimônia de recepção aos ingressantes da pós-graduação, realizada no dia 22 de março, ele revelou que conheceu o Instituto há dois anos, quando participou de um programa de verão em matemática na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar): “Gostei muito da estrutura do ICMC e da cidade também. Além disso, meu orientador no mestrado já tinha uns contatos aqui”. 

As primeiras impressões sobre São Carlos também foram positivas para Alejandro Penadillo: “Eu venho de Bogotá e há muitos carros, muito movimento na cidade. Aqui, o clima é diferente, as pessoas são amáveis e é mais tranquilo.” O colombiano concluiu sua graduação em matemática e seu mestrado na Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá. Escolheu o ICMC para fazer o doutorado em Matemática quando descobriu que havia uma linha de pesquisa em Teoria de Singularidades no Instituto. 

Já o estudante Conrado Graci, que ingressou em Ciências de Computação, nunca imaginou que, um dia, estudaria na USP. Aos 17 anos, ele só descobriu que isso era possível no momento em que estava escolhendo a universidade via Sistema de Seleção Unificada (SiSU). A irmã, que também é aluna da USP, em São Paulo, pediu para o irmão checar se havia vagas no curso que ele desejava e lá estava a opção pelo ICMC: “Eu tenho paixão por estudar e sempre pensei que, qualquer curso que eu fizesse, eu encararia como um desafio e iria até o fim”. Fascinado por jogos eletrônicos, Conrado quer construir uma forte base em programação durante o curso no ICMC e adquirir conhecimentos extras em design para, no futuro, atuar na área de desenvolvimento de games.

O SiSU também foi a porta de entrada para Gabriel Malta, 19 anos, que optou por cursar Matemática Aplicada e Computação Científica no ICMC. Ele veio de Anápolis, Goiás, depois de desistir do curso de Física na Universidade de Brasília (UNB): “Tenho facilidade para aprender matemática e gosto de resolver problemas usando as ferramentas da matemática.” Quando estava no cursinho, estudando para ingressar no curso de Física Médica, Gabriel descobriu que podia ingressar na USP via SiSU e decidiu tentar. “O SiSU possibilita que estudantes como eu, que não teriam a oportunidade de se deslocar até o Estado de São Paulo para prestar o vestibular, ingressem na USP”. 

No momento da matrícula, a mãe de Gabriel, Antonia Telma, estava emocionada: “Ele está aqui realizando um sonho. É tudo com ele agora. A gente vai estar lá em Anápolis torcendo e dando todo o apoio que precisar”. Tal como os pais de todos os ingressantes do ICMC, Antonia Telma sabe que seu filho fez uma boa escolha e que tem tudo para ir ainda mais longe.

Gabriel com a mãe no momento da matrícula no ICMC

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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terça-feira, 15 de março de 2016

Da África para o ICMC: calouro chega a São Carlos para estudar computação e sonha contribuir com empresa do pai

Ele recomenda que estudantes venham fazer graduação no Brasil e, depois de formado, quer voltar para o Congo e trabalhar no empreendimento criado pelo pai

Ele viajou milhares de quilômetros carregando na bagagem o sonho de um dia tornar a empresa do pai uma multinacional. “Eu escolhi Ciências de Computação porque amo essa área desde quando meu pai comprou um computador ainda na minha infância. Ele tem uma empresa do ramo de informática e tomei como objetivo me formar na área para fazer com que o negócio cresça cada vez mais”, diz, com os olhos distantes, Josué Kabongo, que veio da República Democrática do Congo, na África, estudar no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

“O nível da computação no meu país ainda é muito baixo, por isso procurei alternativas para que eu pudesse adquirir um conhecimento de qualidade”, conta o estudante, que gosta da área de desenvolvimento de software. Kabongo foi um dos selecionados do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), do Ministério da Educação, que oferece oportunidades de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais. Avisado pelo cunhado sobre a oportunidade, ele resolveu se arriscar e, mesmo sem conhecer muito sobre o país do futebol, foi incentivado pelo pai, o qual lhe disse que muitas oportunidades se abririam.

Durante o processo de inscrição, o calouro deveria escolher duas cidades do Brasil para se candidatar a estudar. Optou por São Paulo e Brasília. “Quando comecei a pesquisar sobre as universidades desses dois municípios e descobri que a USP é a melhor da América Latina, fiquei ainda mais motivado a vir para o Brasil”. Ele foi selecionado pela USP em São Paulo e direcionado ao campus de São Carlos, onde estava disponível, no período diurno, o curso por ele escolhido. 

O estudante desembarcou no Brasil em janeiro de 2015 e passou cerca de 8 meses na capital nacional aprendendo português na Universidade de Brasília (UNB). Durante esse período, ficou hospedado em um alojamento de uma igreja local, onde convivia com outros companheiros do Congo. Como a língua oficial do país africano é o francês, a maior preocupação de Kabongo era aprender português, pois só assim estaria apto para fazer a graduação. 

Nos primeiros meses em terras brasileiras, o africano descobriu algumas diferenças culturais curiosas: “Os brasileiros não são tão diretos. Por exemplo, se eu estou usando uma camisa feia, você não vai falar isso pra mim, vai dizer que estou bem. Eu sofri com isso quando cheguei ao Brasil, porque era sempre muito sincero com as pessoas e descobri, com o tempo, que algumas vezes isso poderia magoá-las”, diz Kabongo.

Há um mês no ICMC, o aluno congolês parece estar se habituando bem à nova rotina: “As pessoas aqui são muito prestativas e essa característica é muito parecida com a do meu povo, o que ajuda na minha adaptação. Apesar do pessoal da minha turma ainda estar um pouco tímido, estamos nos relacionando bem. Já fiz até trabalho de faculdade na casa de colegas”, revela Kabongo, que divide um quarto do alojamento da USP com outros dois estudantes.

Motivação dentro de casa – Kabongo é natural da cidade de Kinshasa, capital de seu país. Ele tem seis irmãos e alguns deles já foram para o exterior fazer faculdade, fato que o motivou ainda mais a procurar opções para estudar fora do Congo. A oportunidade de viver em um cenário totalmente diferente do habitual, com a possibilidade de aprendizado, é de grande valor para o estudante: “São outras pessoas, com diferentes formas de pensar. Quando você viaja, sua mente se abre, tanto no aspecto cultural quanto intelectual. Espero sair da melhor Universidade do Brasil um ótimo profissional e como um bom exemplo para o meu povo”, afirma o calouro.

Ele recomenda que outros estudantes sigam pelo mesmo caminho. “Eu convidaria a virem para o Brasil todos que pensam em fazer ensino superior no exterior. O país oferece muitas oportunidades aos estrangeiros, com a possibilidade de estudar nas melhores universidades da América Latina. Não me arrependo de ter vindo para cá, com certeza fiz a escolha certa”, finaliza.

Texto e foto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Trainee-Me 2015 discute o papel das empresas juniores na busca de sonhos

Um dos maiores eventos brasileiros relacionados ao Movimento Empresa Júnior acontecerá dias 23 e 24 de maio em São Carlos

Edição anterior do evento aconteceu em maio do ano passado

Qual é o papel do Movimento Empresa Júnior (MEJ) na busca de seus sonhos? Essa é a questão que mobilizará os participantes da 7ª edição do Trainee-Me, que será realizado nos dias 23 e 24 de maio no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Especialmente voltado aos interessados em empreendedorismo e aos trainees de empresas juniores, o Trainee-me é promovido pela ICMC Júnior, empresa gerenciada por alunos de graduação do Instituto. Para participar, é preciso pagar uma taxa de R$ 70 e realizar a inscrição por meio do site do evento até 15 de maio. Todos os inscritos têm direito à alimentação completa nos dois dias do evento e a acomodação no salão de eventos do campus I da USP, em São Carlos.

“É a primeira vez que esse evento tem um tema central. Nosso objetivo é levar os participantes a refletirem sobre como podem usar a experiência no MEJ para desenvolver suas habilidades e competências, adquirindo os meios para atingirem seus sonhos”, explica o estudante Thales Fais, coordenador de eventos da ICMC Júnior que cursa Bacharelado em Sistemas de Informação no Instituto.

O tema central do evento, sintetizando na pergunta que inicia este texto, foi subdividido em quatro subtemas: a importância de ter um sonho; o MEJ como ambiente para alcançar sonhos; a viabilidade de se alcançar sonhos; e como alcançar seus sonhos. Todos esses subtemas serão discutidos durante palestras e dinâmicas ministradas por especialistas convidados. Haverá, ainda, uma mesa redonda com ex-empresários juniores. 

Reunindo cerca de 200 participantes, o evento também é uma oportunidade para benchmarking, possibilitando a troca de experiências entre empresários juniores de diferentes instituições e de diversas cidades do Estado de São Paulo.

Sobre a ICMC Júnior - É uma associação sem fins lucrativos, criada com o objetivo de complementar a formação acadêmica do estudante de graduação do ICMC. Eleita uma das 20 melhores empresas juniores do Brasil em 2012, a ICMC Júnior atua há mais de 20 anos no mercado de tecnologia da informação e web. Formada exclusivamente por alunos do Instituto, conta com a participação de estudantes de todos os cursos do ICMC que buscam a oportunidade de gerir uma empresa quando ainda estão cursando a graduação. Além de ser reconhecida por preparar seus membros para o mercado de trabalho, a ICMC Júnior também se preocupa em desenvolver pessoalmente e socialmente seus associados.

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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