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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Combinação entre matemática, computação e estatística diferencia profissionais formados no curso de matemática aplicada do ICMC

Atuando no mercado ou no meio acadêmico, eles vieram de Brasília, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de diversas outras cidades para compartilharem suas experiências durante encontro de ex-alunos

Evento possibilitou que ex-alunos, atuais estudantes e professores compartilhassem suas histórias

Eles têm um pouco de computação, de matemática e de estatística percorrendo suas veias: uma combinação especial que os diferencia no mercado de trabalho. Essa foi uma das conclusões a que chegaram os ex-alunos do curso de Matemática Aplicada e Computação Científica do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, durante o encontro realizado no último sábado, 19 de setembro.

Reunidos para compartilharem histórias, trocar experiências, rever os amigos e estreitar os laços entre a Universidade e o mercado de trabalho, eles participaram do 3º Encontro de Egressos do Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica do Instituto. 

“A gente aprende no curso a unir conhecimentos de diferentes áreas e nos tornamos multidisciplinares. É isso que o mercado procura e precisa”, ressaltou o ex-aluno Leandro Mattiolli, que é assessor de unidade estratégica na Diretoria de Reestruturação de Ativos Operacionais do Banco do Brasil, em Brasília, e se formou em 2009. 

Quem também compartilha da opinião de Mattiolli é o analista sênior de risco de mercado do Banco PAN, Alan de Sousa: “O mercado tem muita carência de ferramentas de matemática e de computação capazes de resolver seus problemas.” Sousa também se formou em 2009 e diz que um dos diferenciais do curso é formar alunos com poder de abstração. “Nunca tive dificuldade para arrumar emprego e já mudei cinco vezes de trabalho, sempre em busca de melhores oportunidades”, disse o ex-aluno, que já atuou no Banco Votorantim, no Itaú Unibanco e na Serasa Experian.

“O curso é um ótimo caminho para quem deseja ter um perfil interdisciplinar. Grande parte da base da minha formação foi construída aqui”, revelou Cristiane de Faria, que é professora no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Cristiane concluiu sua graduação no ICMC em 2004 e fez parte da primeira turma de formandos do curso.

Cristiane, que está na UERJ, fez parte da primeira turma de formando dos curso

Para Rafael Lima de Melo, que é analista de riscos na Unicred do Brasil, em São Paulo, o curso vale muito a pena exatamente por fornecer uma forte base em computação e matemática: “A computação já era minha paixão. Mas a matemática me abriu muito a mente, até para eu entender melhor o mundo”.

Já a recém-formada Camila Antunes, que é analista no Itaú Unibanco, em São Paulo, recomendou aos atuais estudantes que se envolvam no maior número de atividades extracurriculares que conseguirem para enriquecerem a formação. Ela fez iniciação científica e também participou da Secretária Acadêmica do ICMC (Sacim). “O aluno USP tem esse diferencial: se você der um abacaxi no colo dele, ele consegue descascar no dente”, contou Camila.

Recém-formada, Camila está trabalhando no Itaú Unibanco

Descoberta – Cibele Russo estava decidida a se inscrever no Bacharelado em Matemática em 2011 quando, ao ler o manual de inscrições para o vestibular da FUVEST, descobriu que existia um curso de Matemática Aplicada e Computação Científica. Achou interessante a possibilidade de unir conhecimentos e resolveu arriscar. Hoje, é professora no ICMC e foi uma das coordenadoras do 3º Encontro de Egressos.

“Estudar no ICMC possibilita que a gente reúna uma caixa de ferramentas. Ao sairmos daqui, somos capazes de identificar ou desenvolver as ferramentas mais adequadas para resolver os problemas específicos que encontramos no dia a dia de trabalho”, destacou Cibele, que atuou no banco Itaú antes de optar pela carreira acadêmica. 

“Os depoimentos dos ex-alunos nos mostraram que há muito mercado de trabalho para quem se forma no curso. Como somos muito exigentes, os alunos que conseguem concluir a formação estão prontos para se dar bem em qualquer lugar”, disse o coordenador do curso, professor Leandro de Souza, que também ajudou a coordenar o 3º Encontro de Egressos.

“As oportunidades de atuação para os formandos só tendem a aumentar”, finalizou o professor Paulo da Veiga, que ajudou a criar o curso no ICMC, em 1999, e foi seu segundo coordenador.

Foram formadas duas mesas de debate durante o evento:
uma com os ex-alunos que atuam no meio acadêmico
 e outra com quem está trabalhando no mercado

Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
Email: comunica@icmc.usp.br

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Venha compartilhar suas experiências no encontro de egressos da matemática aplicada do ICMC


Compartilhar histórias, trocar experiências, rever os amigos e estreitar os laços entre a Universidade e o mercado de trabalho. Esses são os principais objetivos que vão mobilizar os participantes de um encontro que ocorrerá dia 19 de setembro, sábado, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos. É quando acontecerá o 3º Encontro de Egressos do Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica do Instituto.

O evento é voltado a egressos, alunos e professores do curso e seus familiares. A programação começará às 8h30, quando um café da manhã vai marcar o reencontro dos participantes. Logo depois, às 10 horas, acontece a abertura do evento no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano do ICMC (bloco 6), prosseguindo com um bate-papo para a troca de experiências entre os presentes. O encerramento será às 12 horas, com um almoço no hiperespaço Gilberto Loibel, no saguão térreo da Biblioteca Achille Bassi.

A taxa de inscrição no evento é de R$ 30,00 por pessoa para cobrir os custos do café e do almoço. Companheiros e filhos são bem-vindos e crianças até 10 anos pagam metade. Saiba como se inscrever e como pagar a taxa neste link: www.icmc.usp.br/e/6ffdd. “Os encontros de 2009 e 2010 foram um sucesso e, após uma pausa, queremos saber das novas experiências que os ex-alunos têm para nos contar”, finaliza a professora do ICMC Cibele Russo, que coordena o evento junto com o professor Leandro de Souza.

Mais informações
Formulário para participar: www.icmc.usp.br/e/6ffdd
Assista ao vídeo com o ex-aluno Gabriel Dias Pais: https://youtu.be/ehjKJNMxAas
Seção de eventos do ICMC: (16) 3373.9622
E-mail: cibele@icmc.usp.br

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Cenário promissor para quem assume paixão pela matemática

Dar aulas no ensino médio e fundamental é apenas uma entre as inúmeras opções que se abrem diante daqueles que amam aquela que é odiada por tantos

Matemática é uma maneira de resolver problemas que desafiam pesquisadores
nas mais diferentes áreas do conhecimento (crédito: Nilton Junior/ArtyPhotos)

Ela atormenta a vida de muitos e encanta poucos. Menor ainda é o número daqueles que, entre esses poucos, têm a coragem de assumir a paixão por ela e se tornarem matemáticos. O resultado dessa equação é simples: a escassez leva esses profissionais a serem disputados no mercado de trabalho.

Certamente, o cenário tradicional de uma escola de ensino médio e fundamental com falta de professores de matemática e baixos salários surgiu em sua mente. Certo e errado. Certo porque, de fato, esse é o cenário que será ocupado, na maioria das vezes, por quem escolhe cursar Licenciatura em Matemática. Errado porque o universo dos matemáticos vai muito além disso e, mesmo quem opta por lecionar no ensino médio e fundamental, pode alcançar uma remuneração digna. 

“Todos têm opiniões prontas sobre mercado e salário de professores. Obviamente, não direi que o salário não é um problema e que o professor não precisa ser melhor valorizado no Brasil, mas existem sim boas condições de trabalho e formas de atingir os objetivos sendo um profissional bem formado, bem capacitado e comprometido com seu trabalho”, afirma o professor Marcelo Pereira.

Em 2005, ele ingressou pela primeira vez no curso de Licenciatura em Ciências Exatas da USP São Carlos e completou a habilitação em Física em 2008. O curso é oferecido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) em parceria com os institutos de Física e de Química e possibilita obter habilitação em Física, Química e Matemática. Mas Pereira não parou aí: em 2009 ingressou no mestrado em Ensino de Física e, paralelamente, cursou a habilitação em Química. Não satisfeito, em 2012, ele iniciou a habilitação em Matemática e vai se formar no final deste ano.

Ainda quando estava no mestrado, Pereira começou a lecionar em escolas públicas da cidade e, hoje, é professor de matemática em duas escolas particulares: o Colégio Vincere e o Colégio São Carlos, onde ministra também aulas de física. Ele aconselha quem pensa em seguir esse caminho: “é preciso querer transformar, ter gosto por transmitir conhecimento e procurar pela melhor maneira de fazê-lo”.

Outra professora que sonhava em dar aulas de matemática para o ensino médio quando começou a graduação é a atual chefe do Departamento de Matemática do ICMC, Márcia Federson. “Eu queria ser professora no colégio onde eu estudava e, quando estava no segundo ano da faculdade, o diretor da escola me chamou para dar aula e desmoronou o meu sonho futuro. Então, eu precisei rever meus planos e vislumbrei o caminho do mestrado e do doutorado”, contou.

Tal como Federson, a maioria dos alunos que ingressam na matemática nem imaginam que há a possibilidade de se tornarem pesquisadores e seguirem carreira acadêmica no ensino superior. Segundo a professora, esse é um caminho totalmente desconhecido pelos alunos do ensino médio. Tanto que, no próximo ano, a professora está planejando realizar uma divulgação por meio de visitas às escolas de ensino médio de São Carlos e região: “Vamos perguntar aos estudantes: vocês gostam de matemática? Já pensaram em ser como eu?”

Tem um doutor em matemática aí?

Doutores em matemática fazem falta no ensino 
superior brasileiro (crédito: Nilton Junior/ArtyPhotos)
Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), em 2012, havia em todo o Brasil cerca de 2 mil doutores em matemática. Para se ter uma ideia do quanto esse número está aquém do necessário, a Austrália, um país que tem apenas 22 milhões de habitantes, tem aproximadamente esse mesmo número de doutores na área.

“Considerando-se o mercado de trabalho para doutor no país, por enquanto, há emprego para todo mundo. Não conseguimos formar nem o suficiente para repor aqueles que se aposentam nas universidades públicas estaduais e federais”, contou Federson. “No ICMC, por exemplo, não existe nenhum egresso de doutorado desempregado, estão todos trabalhando em universidades qualificadas”, completou. 

A carreira no ensino superior pode ser muito atraente, levando-se em conta que a remuneração aqui é bem melhor se comparada à dos professores do ensino médio e básico. “Como professor aposentado da USP, meu salário não é ruim. Se eu fosse um homem ambicioso, quisesse barco, casa na praia, não daria. Mas como filho de uma empregada doméstica que morava em um barraco que nem luz tinha, cheguei longe demais. Pude viver decentemente, meus filhos fizeram universidade. Então, meu salário não é ruim. Mas quem alfabetiza meu neto, ganha mal demais. Esse país vai ser sério não quando aumentarem meu salário, mas quando os alfabetizadores ganharem o que eu ganho como professor titular da USP”, alfineta o matemático Luiz Barco. 

Na busca por atrair os jovens para a carreira acadêmica no ensino superior, Federson mostra a possibilidade de fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado com bolsas de estudo. Atualmente, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) oferece bolsas para mestrado (R$ 1,6 mil por mês no primeiro ano do curso e 1,7 mil depois), para doutorado (R$ 2,4 mil por mês no primeiro ano e 2,9 depois) e para pós-doutorado (R$ 5,9 mil). O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e o Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também oferecem bolsas (acesse os links e verifique o valor de cada bolsa oferecida).

Em uma pesquisa realizada pelo CareerCast.com, site norte-americano especializado em empregos, as carreiras de professor universitário e de matemático estão entre as melhores profissões dos Estados Unidos: a primeira ficou em 14º lugar e a segunda em 18º em uma lista que avalia um total de 200 carreiras. Divulgado anualmente, o ranking leva em conta demandas físicas, ambiente de trabalho, renda, estresse e perspectivas de contratação.

Federson: o caminho do mestrado e do doutorado só nasceu quando
ela já estava no segundo ano da graduação (crédito: Denise Casatti)


O universo além do ensino

É comum pensarmos que, para estudar matemática, é preciso ser “especial”. Nós nos esquecemos de que, na verdade, a matemática é uma maneira de resolver problemas que desafiam pesquisadores nas mais diferentes áreas do conhecimento.

Por isso, cada vez mais, os formados nos cursos de Bacharelado em Matemática e de Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica têm sido requisitados para atuar no mercado. Na área financeira, eles contribuem, por exemplo, na avaliação de risco, na realização de pesquisas de mercado e modelagem; na indústria, efetuam simulações e otimizam processos; nas empresas de softwares, trabalham com geometria computacional, gráficos e elementos finitos e também desenvolvem pesquisas em centros de pesquisa e desenvolvimento públicos e privados.

“O Bacharel em Matemática Aplicada e Computação Científica é esse profissional que irá trabalhar na indústria, no comércio e na área de finanças. Não é que esse profissional trabalhe com a matemática concreta, isso nem é possível, mas ele vai ajudar a tratar problemas concretos através dos números, utilizando o computador como ferramenta de trabalho”, ressaltou o professor do ICMC, Oziride Manzoli Neto. 

O analista sênior de precificação e risco no Banco Bradesco, Gabriel Dias Pais, formou-se como bacharel em Matemática Aplicada e Computacional no ICMC em 2009. Desde então, ele trabalha com aplicações matemáticas e estatísticas na área de finanças, um campo também conhecido como Engenharia Financeira. “Existem diversas instituições financeiras que contratam recém-formados em matemática da USP, oferecem boas oportunidades e salários. O perfil multidisciplinar de um bacharel em Matemática Aplicada interessa bancos de investimentos e consultorias”, explica Pais.

Ele informa que o salário inicial de uma analista de risco oscila de R$ 3 mil a R$ 5 mil mensais. “É esperado do egresso, além de conhecimento técnico, capacidade de comunicação, fluência em idiomas, conhecimentos gerais e, sobretudo, capacidade de se adaptar, propor e implementar melhorias”, acrescentou.

Pais finaliza dizendo que, nesse caso, saber matemática por si só não ajuda muito. “É preciso saber interligar conhecimento, ser criativo e audacioso para aplicar as soluções matemáticas nos problemas de outras áreas”.


Confira também a reportagem especial sobre o mercado de trabalho na área de tecnologia da informação (icmc.usp.br/e/9145c) e na área de estatística (icmc.usp.br/e/6a719).


Texto: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC