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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Descobrindo a robótica na pré-escola: crianças da creche da USP em São Carlos aprendem a montar e controlar robôs

Os princípios básicos da robótica e da programação já não são um mistério para 28 crianças que têm entre 4 e 6 anos e participam de um projeto piloto criado por uma professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação

Ação, diversão e aprendizado andam juntos nas aulas de robótica

Ele tem apenas quatro anos e está eufórico. Ao ver o professor na porta da sala com um robô e suas demais ferramentas de trabalho, não resiste: vai logo explorando aquela máquina com as mãos ansiosas. “Leandro, onde está o cérebro do robô?”. O garoto aponta certeiro para a central de comando do objeto. “E as pernas dele, onde estão?” De novo, o menino movimenta rapidamente as mãos em direção as rodas que fazem o robô andar.

É segunda-feira, quase 15 horas, e as nove crianças que compõem a Turma do Vulcão, todas com quatro ou cinco anos, voltam do lanche afoitas para aprender mais sobre robôs. Não estamos em uma escola primária inglesa, onde desde o ano passado as crianças a partir de cinco anos passaram a ter aulas de programação. Estamos na creche da USP em São Carlos, a cerca de 230 quilômetros da capital do Estado de São Paulo. É aqui que, desde março, o projeto idealizado pela professora Roseli Romero, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, ganha vida.

“Prender a atenção deles é o meu maior desafio”, revela o estudante Isaak Machado, que abraçou a ideia do projeto criado por Roseli e ministra aulas de robótica para duas turmas da creche nas segundas à tarde. Isaak sempre gostou de ensinar e, ainda no ensino médio, ministrava aulas de reforço para seus colegas. Ele também já participou, como voluntário, de uma iniciativa para ensinar pré-adolescentes de baixa renda, mas nunca havia trabalhado com crianças na educação infantil. “Aqui, eu preciso de ação, não posso ficar na teoria”, diz o estudante, que cursa Engenharia Mecatrônica na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). 

Aliás, ação é a palavra que melhor sintetiza o que acontece nessa aula de robótica. Agitadas para tocar e mexer no robô que elas mesmas montaram ao longo do projeto, as crianças não ficam quietas um minuto sequer. Com a ajuda das professoras da creche, Isaak vai aos poucos conseguindo explicar alguns conceitos importantes: “Vamos fazer nosso robô andar seguindo uma faixa?”. Ele logo angaria um grupo de voluntários que ajudam a fixar a fita adesiva no chão. “E agora, como vamos ensinar esse robô a andar na faixa? O que eu usei para falar com o robô na outra aula?”, pergunta o professor. “Um computadorzinho!”, responde imediatamente Leandro Pascual. Então, Isaak liga o laptop e entra em uma plataforma de programação chamada LEGAL.

De novo, o professor lança outra pergunta para seus alunos: “Qual palavra usamos para começar a ensinar o robô?”. As crianças respondem em coro: “Por favor”. E lá vai Isaak escrevendo “Por favor” no computadorzinho. “Mas eu preciso falar para o robô seguir a faixa por quanto tempo? Vamos contar quantos passos ele precisa dar?”. Magicamente, os pequenos atendem ao pedido e fazem um trenzinho, andando sobre a faixa que está no chão. Os números surgem naturalmente para contar os movimentos dos pés: 1, 2, 3... 16. Alguns contam um pouco mais, mas a maioria termina no 16. Isaak explica às crianças que o robô não sabe o que são passos, mas que ele entende o que são segundos e que vai dizer para o robô andar durante 16 segundos. Antes de finalizar, o professor pergunta: “O que a gente fala para o robô, no final, para ele obedecer a gente?”. Outra vez, ouvimos o coro das crianças: “Obrigado”. 

A disputa agora é para ver quem aperta o botão “Ensinar” na plataforma LEGAL. A cada aula, é vez de uma criança. Felizes, os pequenos acompanham atentos os passos do robô sobre aquela linha branca. Tal como eles, o robô parece feliz em sua trajetória pelo jardim da infância. 

Leandro (ao centro) e seus amigos explorando o robô que montaram

Múltiplos aprendizados – “É a primeira vez que temos a oportunidade de trazer essa tecnologia existente na USP para os nossos alunos”, conta a coordenadora da creche, Beatriz Boriollo. Três turmas de crianças entre 4 e 6 anos participam da iniciativa, totalizando 28 alunos que têm uma aula de robótica por semana. Isaak é o professor em duas turmas e o estudante Guilherme Moreira, também da EESC, ministra aulas para o outro grupo.

“As crianças não estão apenas entrando em contato com um equipamento sofisticado, estão investigando como um robô funciona, explorando as possibilidades de montagem. É um processo investigativo em que diversos conceitos são trabalhados como a coordenação motora fina, a importância da concentração, o trabalho em equipe e questões matemáticas como ordens de grandeza, formatos e encaixes”, explica Beatriz. A brincadeira de montar o robô foi tão fascinante para as crianças que algumas passaram a procurar pela caixa de ferramentas quando estavam em casa.

Porém, as descobertas realizadas nesse trabalho não se restringem ao universo infantil. Quando os quatro kits de robótica chegaram à creche, também surpreenderam as professoras. “O maior aprendizado foi durante a montagem dos robôs, muitas delas não conheciam as ferramentas”, diz Fabrícia Bedinotto, que é coordenadora de módulo de 4 a 6 anos na creche. 

“Precisamos realizar várias adaptações no projeto, pois nunca havíamos trabalhado com crianças nessa faixa etária. Desenvolvemos uma nova forma de passar o conhecimento para elas e investimos mais tempo na montagem dos robôs do que havíamos planejado inicialmente, porque elas adoraram fazer isso”, explica Isaak. Comparar as partes de um robô com o corpo humano é uma das técnicas empregadas por ele, além de dar mais foco na ação do que na teoria. 

“O mais interessante é que as crianças deixam de enxergar o robô como uma máquina misteriosa. Elas entendem que, para que o robô deixe de ser apenas um monte de peças e passe a interagir com o meio ambiente, é preciso colocar sensores e programá-lo”, conta Roseli, que é vice-coordenadora do Centro de Robótica de São Carlos (CROB) e pretende dar prosseguimento ao projeto que começou a ser realizado em março na creche.

O projeto realizado na creche faz parte do Programa Aprender com Cultura e Extensão da USP e recebeu o apoio da empresa Pete, que forneceu os kits de robótica, além de recursos da FAPESP e do CNPq. “Esse tipo de iniciativa é um estímulo fantástico para as crianças. Essa geração assimila muito rápido as questões tecnológicas, já nasceram com o dedo pronto para as telas sensíveis ao toque. Por isso, é muito bom que eles sejam apresentados a conhecimentos mais avançados porque, lá na frente, tudo isso já será muito natural para eles”, aprova o físico Rogério Pascual, que é pai de Leandro Pascual e funcionário do ICMC.

Isaak (ao fundo) aperta o comando do "computadorzinho"

Se você gosta de robôs, não perca a oportunidade de assistir gratuitamente às provas práticas da Olimpíada Brasileira de Robótica. A etapa regional da competição contará com a participação de mais de 200 equipes e acontecerá no próximo sábado e domingo, dias 13 e 14 de junho, no ginásio de esportes da USP em São Carlos. Saiba mais!

Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 22 de abril de 2014

Inscrições abertas para o Programa Aprender com Cultura e Extensão

Até o dia 14 de maio estão abertas as inscrições para a edição 2014/2015 do Programa Aprender com Cultura e Extensão, uma iniciativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP. Ao todo, serão oferecidas 1,2 mil bolsas aos alunos de graduação no valor de R$ 400,00 mensais para um período de 40 horas mensais de atividades nos projetos aprovados pelo Programa. As bolsas serão concedidas durante 12 meses, compreendendo o período de 1 de agosto de 2014 a 31 de julho de 2015.

O Programa integra a Política de Apoio à Permanência e Formação Estudantil da Universidade e tem o objetivo de fomentar as ações de cultura e extensão por meio da interação das atividades de pesquisa do corpo discente da graduação em projetos, de forma a contribuir para a sua formação.

Para participar, os alunos de graduação dos cursos da USP  devem obrigatoriamente estar inscritos no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) da Superintendência de Assistência Social da USP. É possível realizar inscrições em até dois projetos homologados por meio do Sistema Júpiter Web, seguindo as orientações disponíveis na página do Programa.

No ICMC, foram aprovados 14 projetos no âmbito do Programa Aprender com Cultura e Extensão e existem 17 oportunidades de bolsa para atuar em um desses projetos (confira, abaixo, a lista completa dos projetos e os professores responsáveis por cada um).

Para mais informações, consulte o Edital 2014/2015 ou o folder digital produzido pela PRCEU.

Mais informações
Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC
E-mail: ccex@icmc.usp.br
Tel.: (16) 3373-9641


Projetos do ICMC aprovados no âmbito do Programa Aprender com Cultura e Extensão

Projeto: Aplicação e avaliação da utilização de jogos digitais no ensino de matemática na educação básica
Professora responsável: Renata Cristina Geromel Meneghetti 

Projeto: Disponibilização de informações sobre campanhas eleitorais em formato aberto (Open Data) na web
Professor responsável: Dilvan de Abreu Moreira 

Projeto: Educação matemática junto ao Recriart: um empreendimento em economia solidária de produção de artesanatos com papel reciclado
Professora responsável: Renata Cristina Geromel Meneghetti 

Projeto: Elaboração de jogos através da adaptação e do aprimoramento de ferramentas gratuitas para a matemática no ensino fundamental
Professora responsável: Esther Pacheco de Almeida Prado 

Projeto: Elaboração de jogos através da adaptação e do aprimoramento de ferramentas gratuitas para a matemática no ensino médio
Professora responsável: Esther Pacheco de Almeida Prado

Projeto: IRIS: produção de material multimídia e interfaces para mostra interativa de tecnologias robóticas (Intelligent Robotics Interactive Show)
Professor responsável: Fernando Santos Osório

Projeto: Material didático acessível na web - o que é preciso saber?
Professora responsável: Renata Pontin de Mattos Fortes

Projeto: Memória virtual: evolução para dispositivos móveis
Professora responsável: Elisa Yumi Nakagawa

Projeto: Museu de Computação do ICMC/USP
Professora responsável: Elisa Yumi Nakagawa
Preparação para a Olimpíada Brasileira de Robótica
Professora responsável: Roseli Aparecida Francelin Romero
Projeto: Sessão ANIMaldita: exibição de animações japonesas
Professor responsável: Pablo Martin Rodriguez

Projeto: Território do bixo - O portal do vestibulando que ama matemática e computação 
Professora responsável: Solange Oliveira Rezende 

Projeto: Um sistema de apoio à decisão espacial para auxiliar no monitoramento e resposta às inundações
Professor responsável: João Porto de Albuquerque Pereira 

Projeto: Uso de técnicas de jogos de computador para o ensino online de linguagens de programação
Professor responsável: Dilvan de Abreu Moreira