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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Como as universidades podem estimular o desejo de empreender?

Incentivar os estudantes a criarem novas soluções e orientá-los no desenvolvimento de projetos são iniciativas que têm gerado bons resultados

Grupo que desenvolveu o Tagzit é composto por estudantes
de Ciências da Computação e Sistemas de Informação do ICMC
(crédito da imagem: Alexandre Wolf)
Você já deve ter ouvido histórias de empresas que surgiram em universidades, como o Facebook e o Google, por exemplo. Geralmente, os estudantes que criam esses projetos têm pouco dinheiro, mas conseguem emplacar uma ideia ao enxergarem um problema e desenvolverem uma solução inovadora. O que muitas pessoas não percebem, entretanto, é a importância das universidades no estímulo a esses alunos.

É claro que nem todas essas histórias de sucesso contaram com o apoio de instituições de ensino. Entretanto, algumas universidades têm se esforçado cada vez mais para criar um ambiente de inovação e, mais do que isso, garantir as ferramentas necessárias para que seus alunos sejam bem-sucedidos. “Nós temos a responsabilidade de amadurecer a vontade de empreender nos alunos que já entram com esse desejo e de despertá-lo naqueles que ainda não enxergam essa possibilidade”, explica a professora Simone Souza, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

De acordo com Simone, que já ministrou a disciplina Empreendedorismo, o perfil desses alunos têm mudado em função das startups que surgem com cada vez mais frequência no mercado e da proliferação de exemplos de sucesso: “eles sentem que o projeto deles também pode dar certo”. O trabalho realizado no ICMC nos últimos anos já tem gerado resultados. É o caso de dois grupos que participaram da última edição do Empreenda Santander, uma competição que envolveu estudantes de todo o país. Os dois grupos foram finalistas na categoria Universitário Empreendedor, cujo objetivo é apoiar novas ideias para que se tornem futuros negócios.

Estudantes que solucionam problemas - Os integrantes dos dois grupos decidiram participar voluntariamente da competição: nenhum dos projetos estava vinculado a uma disciplina ou pesquisa. Além disso, ambos nasceram de maneira semelhante, já que as ideias surgiram nas repúblicas em que os estudantes moram.

Um dos grupos, composto somente por alunos do ICMC, criou o Tagzit - uma solução para facilitar a manutenção de equipamentos em grandes empresas. A ideia é que cada aparelho possua uma tag, que é uma espécie de etiqueta e vai registrar todos os consertos realizados no equipamento. Por meio de um aplicativo, o técnico de manutenção só precisa aproximar o celular dessa tag para receber todas as informações sobre o equipamento. “Com esse sistema, você vê no celular quais peças já foram trocadas, quantas vezes e quando a troca foi feita. A tag pode ser colocada em um ar-condicionado ou um computador, por exemplo. Atualmente, se perde muito tempo nesse processo”, explica Pedro Goulart, estudante de Sistemas de Informação.

De acordo com os alunos, uma das maiores dificuldades do projeto foi entender os detalhes técnicos da área de manutenção, que não conheciam. A responsável por orientá-los foi a professora Simone: “eles já tinham a ideia. Então, apenas dei sugestões e questionei alguns aspectos, somente para que pudessem concluir o projeto”.

Outro grupo que também foi finalista do Empreenda Santander é composto por dois estudantes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e pela aluna Laís Paiva, do curso de Engenharia de Computação, que é oferecido em parceria pelo ICMC e pela EESC. Eles desenvolveram o Ciclarte, uma solução para melhorar o processo de reciclagem, gerando benefícios para os consumidores, empresas, artesãos e cooperativas. De acordo com Laís, a ideia surgiu quando sua colega de república, Marina Nicoletti, que cursa Engenharia Ambiental, fez uma disciplina sobre resíduos e elas enxergaram problemas no ciclo de reciclagem.

Laís Paiva, Marina Nicoletti e Vitor Uema desenvolveram o Ciclarte
(Crédito da imagem: arquivo pessoal)
A ideia é que o Ciclarte ajude as cooperativas a otimizarem as rotas de recolhimento dos resíduos, ao mesmo tempo que facilita a compra desse material por empresas parceiras. Os usuários receberão dinheiro pelos resíduos por meio de um aplicativo e, ao comprarem produtos dessas empresas parceiras, receberão parte do valor de volta, o chamado cashback. Além disso, parte dos resíduos serão destinados a artesãos locais, que terão um espaço dentro do aplicativo para vender seus produtos. “Um dos problemas é que são muitos envolvidos: o consumidor, a cooperativa, as empresas e os artesãos. Foi difícil juntar todos em um só processo e pensar em algo que possa funcionar. O maior desafio é a rentabilidade do negócio”, afirma Laís.

O próximo passo - A competição do Santander não requer a apresentação de um produto, mas que os participantes desenvolvam a ideia e consigam mostrar a importância dela para o mercado. Por isso, tanto o Tagzit como o Ciclarte ainda não saíram, propriamente, do papel. Entretanto, os estudantes dos dois grupos querem concluir a graduação com os projetos já disponíveis no mercado.

“Precisamos conversar com pessoas que conhecem todos os processos de um empreendimento: desde abrir uma empresa até a parte técnica de manutenção. Vamos buscar apoio financeiro, mentoria e, principalmente, um parceiro para utilizar nosso protótipo”, afirma Carlos Barbosa, estudante de Ciências da Computação que faz parte do Tagzit.

“Pretendemos ir aos poucos, sem dinheiro é complicado. Vamos desenvolver o aplicativo e procurar empresas para descobrir a viabilidade do projeto”, explica Laís, ressaltando que o Ciclarte precisa do apoio de investidores e aceleradoras. 

O que a universidade têm feito - Tanto alunos como professores concordam que as universidades têm um papel fundamental no fomento à inovação. No ICMC, uma das ferramentas de estímulo são as disciplinas de empreendedorismo. Laís cursou uma dessas disciplinas e revela que diversos ensinamentos obtidos em sala de aula foram utilizadas na criação do Ciclarte, principalmente porque ela precisou fazer um plano de negócio durante o semestre. Com esse plano, Laís conseguiu chegar à semifinal do Ideas for Milk, um concurso realizado pela Embrapa em que estudantes buscaram soluções para a cadeia de produção e distribuição de leite. “Aprendemos muito na prática, foi quando eu percebi que queria empreender novamente. Tivemos que fazer coisas bem parecidas nos dois projetos”, ela explica.

Carlos, do Tagzit, afirma que o suporte das disciplinas é mais técnico e que influenciou muito na hora de trabalhar no projeto: “nós aprendemos a apresentar e defender nossa ideia, montar um plano de negócio, coisas que ficaram na cabeça e ajudaram a desenvolver esse projeto. Mas falta algo como um evento consolidado de empreendedorismo, por exemplo”.

A professora Simone acredita que, no ICMC, o trabalho de fomento ao empreendedorismo está gerando bons resultados. “Os alunos do Instituto saem preparados, possuem conhecimento, e existem exemplos que provam isso. Nós tratamos do assunto não só nas disciplinas, mas com eventos e palestras”, afirma. Entretanto, ela diz que a universidade pode – e deve – fazer mais: “a universidade oferece várias oportunidades, mas ainda falta um canal mais fácil para o aluno empreender. Eu acho que falta um grupo para discutir empreendedorismo e um espaço para eles colocarem em prática suas ideias. Isso também faz com que novas ideias surjam. Precisamos criar essas demandas porque elas são muito positivas”.

Com o apoio do ICMC e o potencial dos alunos, os membros do Tagzit e do Ciclarte podem se tornar, no futuro, exemplos de sucesso em que as próximas gerações de estudantes irão se espelhar.

Texto: Alexandre Wolf - Assessoria de Comunicação do ICMC

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Ideia inovadora para realização de pagamentos mais rápidos e seguros concorre a R$ 100 mil no Prêmio Santander Empreendedorismo

Estudante do ICMC é um dos 15 finalistas no Prêmio, que reconhecerá as cinco melhores propostas fornecendo recursos para o desenvolvimento dos projetos, bolsas de estudos, mentorias e cursos on-line

Flávio e Ellen: aluno e orientadora estão entre os 15 melhores projetos

Quanto vale uma ideia? No caso do estudante Flávio Salviano Junior, a resposta é exatamente R$ 100 mil. Ele está no terceiro ano do curso de Sistemas de Informação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e é um dos finalistas do Prêmio Santander Empreendedorismo. A proposta de Salviano propõe uma mudança no modelo que usamos para realizar pagamentos: ele quer desenvolver um sistema em que, para efetuar uma compra, você precisará apenas fornecer o número de seu telefone celular.

“O objetivo é propor uma nova tecnologia para efetuar o pagamento, tornando o processo mais seguro, pois as pessoas não precisarão repassar informações de seus cartões aos estabelecimentos comerciais”, explica o estudante. Aumentar a confiabilidade nas compras online e evitar o tráfego de informações confidenciais na rede são algumas das vantagens adicionais do sistema que Salviano pretende desenvolver, que já tem nome: PayCloud.

A proposta funciona de uma forma bastante simples: os compradores precisarão cadastrar os dados de seus cartões e demais informações pessoais uma única vez na plataforma PayCloud. Por sua vez, os vendedores também deverão se cadastrar na plataforma para poderem utilizar o sistema. Ao realizarem esse cadastro, compradores e vendedores poderão se comunicar por meio da plataforma usando um aplicativo. Assim, quando for efetuar uma compra, bastará os compradores fornecerem o número do celular aos vendedores cadastrados. Com o número em mãos, os vendedores enviarão uma solicitação de pagamento para aquele telefone por meio do PayCloud. Ao receber a solicitação, basta o comprador acessar o aplicativo, inserir sua senha e autorizar o pagamento com um dos cartões já cadastrados no sistema. Automaticamente, o PayCloud enviará um comprovante de pagamento para o lojista.

“É um sistema que pretende solucionar o problema de quem não efetua compras pela internet porque tem receio de disponibilizar informações confidenciais em qualquer site e o dilema de quem sai de casa para ir a uma loja e fica com medo de ter sua carteira ou cartão roubados”, destaca Salviano. Por ter conquistado uma colocação entre os 15 projetos finalistas no Prêmio Santander Empreendedorismo, nesta terça-feira, 17 de novembro, o estudante vai apresentar sua proposta em São Paulo para um grupo de especialistas que o ajudará a aprimorar sua apresentação. No dia seguinte, será o momento de mostrar sua ideia para uma comissão julgadora composta por executivos brasileiros e, na quinta, Salviano saberá se está na lista dos cinco projetos vencedores. Além de receber R$ 100 mil, os vencedores e os professores que os orientaram terão direito a uma bolsa de estudos na Babson College, em Boston, nos Estados Unidos, e a mentoria e licenças online fornecidas por uma empresa brasileira reconhecida na área de empreendedorismo.

“Desde quando ele me apresentou a ideia, achei que tinha potencial porque era algo simples e inovador”, conta Ellen Francine, professora do ICMC que orientou Salviano durante o desenvolvimento do projeto. “É um sistema totalmente viável computacionalmente. É claro que ele precisará tratar especialmente os aspectos de segurança, mas qualquer método de pagamento exige isso”, completou a professora. Para ela, o projeto de Salviano está em sintonia com a tendência de ampliação no uso dos dispositivos móveis: “Antes, não vivíamos sem o cheque. Agora, pagamos no cartão. Mas daqui a pouco, faremos tudo via celular. Essa é uma tendência e ele traz essa visão de futuro em seu projeto”.

Comerciantes e usuários que possuem cartões de crédito e de débito
são os clientes potenciais da ferramenta

Perfil empreendedor – Salviano é analista de sistemas em uma empresa da área de tecnologia em Araraquara e descobriu a oportunidade de participar do Prêmio Santander Empreendedorismo por causa de um e-mail que recebeu com o título “Links da semana”, enviado todas as sextas-feiras pelo ICMC. Quando leu o edital do Prêmio, faltavam apenas duas semanas para as inscrições acabarem. Mas notou que não era preciso desenvolver o projeto, bastava apresentar uma ideia. Então, resolveu tentar. Enviou uma mensagem para a coordenadora do curso, professora Simone Souza, que imediatamente encaminhou a solicitação para a docente responsável por ministrar a disciplina de empreendedorismo. Foi assim que o estudante conheceu a professora Ellen.

Há cerca de 10 anos, Ellen é uma das responsáveis pela disciplina de empreendedorismo, oferecida aos alunos dos cursos de Sistemas de Informação e Engenharia de Computação. “Temos cada vez mais alunos interessados em empreender e o ICMC busca estimulá-los. Mas muitos estudantes não sabem como começar, por isso, nas aulas, busco mostrar quais são os passos iniciais para empreender”. A professora conta que usa o modelo de sumário executivo do Prêmio Santander Empreendedorismo durante as aulas e que sua intenção é motivar a vertente empreendedora também nos estudantes da pós-graduação do Instituto: “Queremos incentivar os alunos a desenvolverem suas pesquisas já pensando em criar produtos com inovação”.

Segundo Ellen, Salviano tem o perfil de um empreendedor: mesmo ainda não sendo aluno da disciplina de empreendedorismo, a qual só cursará no próximo ano, ele foi proativo e correu atrás de todas as informações de que precisava para construir o sumário executivo de seu projeto, requisito básico para participar da competição. Depois, precisou contar com o mesmo autodidatismo para desenvolver o plano de negócios. “Para ser um empreendedor, não basta ter uma boa ideia, é preciso também enxergar as oportunidades”, revela a professora. “Ele tem essa inquietação típica de quem quer empreender”, acrescenta. 

E a inquietação de Salviano já mobilizou a família. Ele conquistou dois sócios: a própria namorada, Caroline dos Santos, que cursa Ciências de Computação na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); e seu irmão, Henrique Salviano, que cursa Estatística na UFSCar. Na próxima quinta-feira, todos estarão torcendo para que Salviano comece a trilhar uma nova etapa de sua vida. “Quero ter algo meu e trabalhar para mim mesmo”, finaliza. 

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Mais informações
Lista dos finalistas no Prêmio Santander Empreendedorismo: icmc.usp.br/e/233a4
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br