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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Uma Olimpíada, 149 robôs e centenas de estudantes na corrida por aprender mais

As emoções da etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica tomaram conta do ginásio de esportes da USP, em São Carlos, no último final de semana


Ao entrar na pista de competição, robôs precisam estar prontos para enfrentar vários desafios

Cada um desses 149 robôs carrega o sonho de uma equipe. Em seus fios e circuitos estão as digitais dos estudantes que passaram meses ali mexendo para que tudo o que programaram e vislumbraram pudesse ser concretizado no momento em que ele surgisse na pista. Ao chegarem aqui na etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica, no ginásio de esportes da USP, em São Carlos, esses robôs ganham uma força adicional para enfrentar os desafios: a torcida animada das escolas que representam e dos pais que vieram apoiar seus filhos. 

Nesta manhã fria do dia dos namorados, 12 de junho, ela acordou às 3h30 em Vinhedo para acompanhar o filho, Pedro Aued, de 11 anos, na sua primeira participação na OBR. “É muito gratificante ver que ele se esforçou e, por mérito, vai passando pelas etapas”, conta Luciana Aued, que trouxe toda a família para assistir ao evento. Desde o ano passado, quando Pedro estava no sexto ano do ensino fundamental no Colégio Etapa, em Valinhos, e começou a participar das aulas de robótica, ela notou mudanças. Ele está menos introspectivo e se integrou melhor com os colegas da turma. O raciocínio lógico deu um salto: está se saindo muito melhor nas aulas de matemática e física. 

No final da tarde, quase às 18 horas, Luciana ainda tinha energia para pular e comemorar quando viu o nome da equipe do filho no telão: SuperBot. Entre as 42 equipes que competiram no nível 1 neste dia 12, a SuperBot conquistou a oitava colocação e garantiu uma vaga para participar da etapa estadual da OBR, que acontecerá em São Bernardo do Campo dia 13 de agosto, nas dependências do Centro Universitário da FEI.

A equipe de Pedro (à direita) conquistou um lugar na próxima etapa da OBR

“Não é nenhum sacrifício. A gente curte muito, é um ambiente muito saudável e vale muito a pena”, revela Cristina Israel, que já é veterana na OBR. É a segunda vez que ela acompanha o filho, Rafael Simões, no evento. No ano passado, ele chegou a competir na final nacional, em Uberlândia. Rafael sempre foi um garoto muito curioso, mas desde que começou a trabalhar com os robôs, há um ano e cinco meses, seu foco está na inovação. “Em tudo o que vai fazer, mesmo um trabalho simples do Colégio Etapa, onde estuda, ele tenta levantar muita informação e encontrar uma forma diferente de fazer aquilo”, conta o pai, Marcus Israel. Nas mãos do garoto, garrafas pet ganham motores e se transformam em carrinhos. O tempo das últimas férias foi dedicado à construção de um carro anfíbio. O resultado não poderia ser diferente: sua equipe, BatBots, conquistou a quarta colocação entre quem competiu no nível 1 no dia 12 e também garantiu uma vaga na etapa estadual.

“O plano é passar as férias inteiras programando e mexendo no hardware do robô”, conta Vinicius Gouveia, 12 anos, entusiasmado com a medalha de prata da OBR que acabou de ganhar. Ele está no oitavo ano do ensino fundamental na Escola Estadual de Ensino Integral Professor Sebastião de Oliveira Rocha, de São Carlos, e, junto com seu colega de equipe, Caio Mendonça, 11 anos, que está no sétimo ano, conquistou o segundo lugar entre as 37 equipes do nível 1 que participaram da competição no dia 11 de junho. “Foi uma surpresa superarmos tantas escolas particulares que têm recursos”, conta o diretor da escola, Geandro de Oliveira.

A vibração de Vinicius Gouveia na hora da premiação contagiou a plateia

Os dois alunos fazem parte do clube de robótica criado este ano por iniciativa dos próprios estudantes. Com um kit emprestado pela empresa PETE, a colaboração dos professores Gustavo de Souza, de Física, e Marcelo Prado, de Matemática, e a ajuda do pai de Caio, que trabalha na PETE, o clube superou as expectativas. “Nós apoiamos a iniciativa, fornecendo uma sala e os notebooks. Com esse apoio, eles se sentiram mais responsáveis e motivados. Surgiu um protagonismo juvenil que, antes, eles não tinham”, constata Oliveira.

“Tenho certeza de que quem participa dessa Olimpíada, tem um grande ganho de aprendizado. Não sai daqui da mesma forma como entrou, há um amadurecimento e isso é de grande valor. É algo que, com certeza, vai impactar nas carreiras que esses estudantes vão seguir no futuro”, destaca a coordenadora da etapa regional da OBR em São Carlos, Roseli Romero, professora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. 

Mais competidores – Este ano, em todo o Brasil, 2.968 equipes se inscreveram na modalidade prática da OBR, sendo que 640 delas são do Estado de São Paulo. No ano passado, participaram da competição 2,5 mil equipes em todo o Brasil, sendo 547 delas de São Paulo. Com o aumento no número de competidores, mais cidades passaram a realizar etapas regionais da competição, tal como Campinas e São José do Rio Preto, totalizando nove cidades-sede. 

Em São Carlos, das 184 equipes inscritas para participar da etapa regional, 149 compareceram ao evento e 12 conquistaram medalhas (ouro, prata e bronze) nos dois níveis que compõem a OBR: o nível 1, voltado aos alunos do ensino fundamental, e o nível 2; destinado a quem está no ensino médio e técnico (confira o nome dos vencedores no final desta reportagem).



“A competição ficou mais difícil este ano, está de nível internacional, tal como nos demais países que participam da Robocup. Mas as equipes estão correndo atrás e conseguindo fazer pontuações altas”, ressalta Rafael Aroca, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de São Carlos e vice-coordenador nacional da OBR. O professor explica que a principal novidade da competição regional foi a inserção de marcadores no trajeto dos robôs. A mudança foi realizada para alinhar a OBR com a regra internacional da Robocup. Os marcadores são discos da cor laranja colocados pelos competidores em dois locais na pista da competição e, conforme os robôs passam por eles, ganham pontos. Caso ocorra algum erro e eles precisem recomeçar o trajeto, é preciso voltar ao local onde está o último marcador. “Isso obriga as equipes a desenvolverem diferentes estratégias, conforme o local em que o marcador é inserido”, completa Aroca.

A etapa regional da OBR em São Carlos contou com o apoio do ICMC, da Escola de Engenharia de São Carlos, da prefeitura municipal da cidade, do Centro de Robótica de São Carlos, do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria, da escola Yadaa e das empresas PETE e Ca And Ma. "Ano que vem tem mais!", finalizou a professora Roseli, lembrando que a competição é anual e que a participação na OBR é gratuita.



Confira o nome das equipes vencedoras

Sábado, 11 de junho - Nível 1 (ensino fundamental)
Medalha de ouro: equipe Sigma II, de São Carlos.
Medalha de prata: equipe SOR-Robótica, de São Carlos.
Medalha de bronze: equipe Anglo_Primal, de São Carlos.

Sábado, 11 de junho - Nível 2 (ensino médio e técnico)
Medalha de ouro: equipe Sesi Asimov, de São Carlos.
Medalha de prata: equipe Sesi Riberdroid Generation, de São José do Rio Preto.
Medalha de bronze: equipe Sesi Thunderbóticos, de Rio Claro.

Domingo, 12 de junho - Nível 1 (ensino fundamental)
Medalha de ouro: equipe Seletivo Robóticos, de Mogi Guaçu.
Medalha de prata: equipe 9º ano/Robô acadêmico, de Limeira.
Medalha de bronze: equipe Tigers Team Three, de Novo Horizonte.

Domingo, 12 de junho - Nível 2 (ensino médio e técnico)
Medalha de ouro: equipe RoboCraft 3.0, de Valinhos.
Medalha de prata: equipe Androides Maníacos, de Valinhos.
Medalha de bronze: equipe DarkSiders 2.0, de Valinhos.

Texto e fotos: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

Mais informações
Site da OBR: http://www.obr.org.br
Confira o álbum de fotos do evento: icmc.usp.br/e/a994f
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ciências de Computação na prática: conheça alguns aplicativos desenvolvidos por alunos do ICMC

Como trabalho final da disciplina Redes de Alto Desempenho, alunos apresentam projetos para a criação de aplicativos, soluções multimídia e tecnologia de comunicação entre veículos

Grupo criou aplicativo para solucionar o problema de encontrar um táxi

Você chega à rodoviária de São Carlos no domingo à noite e desanima ao ver a fila para tomar um táxi. Cada vez que estaciona um veículo vazio no local, rapidamente ele é ocupado por uma pessoa e a fila só aumenta. “Quando vejo isso, tenho vontade de gritar para as pessoas que ali estão e perguntar se tem mais alguém indo para o mesmo lugar que eu”, explicou André Perina, que cursa Ciências de Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

Foi a partir da identificação desse problema que André formou um grupo com mais quatro colegas de curso – Francisco Cabelo, Victor Carvalho e Vinício Meira – e criaram o aplicativo Social Taxi como trabalho final da disciplina Redes de Alto Desempenho, ministrada pelo professor Edson Moreira. Trata-se de um aplicativo para o compartilhamento de táxi, em que o usuário do serviço cadastra seus dados básicos, insere as informações do local onde deseja pegar o táxi, do destino e do horário. Automaticamente, o aplicativo realiza uma busca para identificar se há outras pessoas que precisarão usar um táxi saindo das proximidades do local de origem daquele usuário, com um destino e horário similares. Se encontrar uma possibilidade de compartilhamento do táxi, o aplicativo envia uma mensagem ao usuário com os contatos da outra pessoa que também está requisitando o serviço. Assim, um pode entrar em contato com o outro e usar o serviço de forma compartilhada.

O interessante é que o aplicativo possibilita estabelecer um limite de distância para o encontro de outro usuário, pré-determinando a até quantos metros do local de partida e/ou de destino é possível efetuar as buscas. Também é possível cadastrar o tempo de tolerância em minutos para a partida do veículo. “O sistema calcula automaticamente qual o melhor local e horário para aqueles dois usuários, buscando um melhor resultado para ambos”, contou Carvalho.

15 projetos no total - O aplicativo Social Media é apenas um dos 15 projetos apresentados na tarde de 5 de dezembro, no hall da Biblioteca Achille Achille Bassi, no ICMC. Segundo o professor Edson Moreira, a ideia inicial de apresentar os projetos desenvolvidos por alunos da graduação, realizando uma espécie de “feirinha de projetos”, é da professora Solange Rezende, presidente da Comissão de Cultura e Extensão do Instituto. 

“Essa é uma oportunidade para os alunos mostrarem, na prática, o conhecimento adquirido em sala de aula. Nessa disciplina, por exemplo, o centro da questão é o papel da rede de comunicação, da internet. Os alunos são estimulados a programar utilizando a interface de rede. Aqui, estão presentes desafios como o acesso remoto à internet e a mobilidade, que é o acesso à rede de qualquer lugar, a qualquer hora e por meio de qualquer dispositivo”, explicou Moreira. Segundo o professor, ao cursarem a disciplina, os alunos tiveram a oportunidade de ter contato com a problemática de desenvolver aplicações complexas, usando recursos de vários provedores, como dados do Google, por exemplo. 

Desenvolvedores do Wireless Game

Esse é o caso do Wireless Game, um jogo de realidade virtual aumentada desenvolvido pelos alunos Bruno Orlandi, Gustavo Blanco, Marcus Silva e Nihey Takizawa. Trata-se de um jogo de conquista de territórios em que o espaço virtual interage com a realidade física. O jogador só pode ocupar um território se estiver fisicamente no local desejado. Para identificar a localização do jogador, o GPS do Wirelles Game utiliza dados do Google. “Vamos estudar mais o mercado para vermos se há a possibilidade de, no futuro, lançarmos a ideia comercialmente”, contou Orlandi. “Esse jogo é uma opção interessante para o treinamento de exércitos, por exemplo”, completou.

O potencial apresentado pelos trabalhos dos alunos surpreendeu Arnon Rambaldo, que trabalha na Siena Idea, empresa de São Carlos voltada especialmente para o desenvolvimento de aplicações de TI em geral. Ele foi convidado pelo professor Moreira especialmente para conhecer os projetos desenvolvidos no ICMC e esclarecer possíveis dúvidas dos alunos em relação ao potencial das ferramentas por eles criadas, fortalecendo assim o vínculo entre a universidade e as empresas da região.

“A Siena Idea tem muito interesse em participar de eventos como esse. A princípio, fiquei muito surpreso com os trabalhos desenvolvidos, todos os alunos foram muito profissionais e com um alto nível técnico. Alguns projetos podem ser refinados mais um pouco e se transformar em produtos muito interessantes”, afirmou Rambaldo. Segundo ele, todos os grupos que se apresentaram merecem parabéns pelo esforço dispendido: “continuem assim que o sucesso virá como consequência”.

O aluno Vinício Meira finaliza: “A experiência de desenvolver esses trabalhos é muito relevante para quem pretende atuar no mercado de trabalho no futuro. Além disso, ao fazermos um projeto assim, temos a oportunidade de mostrar os resultados do nosso trabalho para os nossos pais e eles conseguem entender o que estamos produzindo”.

Texto e fotos: Denise Casatti - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

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