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terça-feira, 9 de junho de 2015

Bem-vindo à internet de 20 anos atrás

No ano em que a internet comercial comemora duas décadas no Brasil, adolescentes experimentam como era se conectar à web em 1995

Adolescentes diante da realidade de 1995: conexão discada e lentidão

Eles não imaginam como seria o mundo sem internet. Estão acostumados a ficar entre seis e oito horas por dia conectados, usando seus smartphones principalmente para falar com os amigos no WhatsApp, no Facebook ou fazendo pesquisas no Google. O estudante Enzo Locatelli, de 12 anos, escuta pela primeira vez o barulho de uma conexão à internet por meio da linha telefônica. “É uma impressora”, arrisca o adolescente na tentativa de dar significado ao som daquele modem dial-up.

“Esse é o barulho do modem tentando achar a frequência ou a velocidade que coincidia com a que estava disponível na casa das pessoas”, explica o professor Edson Moreira, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos. O barulho nostálgico é ouvido no Museu de Computação Odelar Leite Linhares, onde Enzo e mais duas estudantes, Marina Biason e Sophia Cavalcanti, ambas com 13 anos, passam pela experiência de se conectarem à internet como se estivessem em 1995, ano que marca, no Brasil, o início da conexão comercial à rede mundial de computadores.

O professor conta que o fato de precisar usar a linha telefônica para se conectar à internet era motivo de discórdia em muitos lares brasileiros. “As famílias colocavam regras para limitar o uso a alguns horários restritos a fim de que a linha telefônica ficasse livre”, lembra Moreira. 

Lembra-se do barulho do modem dial-up?
A estudante Marina logo desiste de tentar navegar com 56 kps (kilobits por segundo), à moda de 1995, em um computador iMac G3 que está no Museu. Sentada em frente à máquina, enquanto o carregamento lentamente acontece, ela tecla sem parar no celular. “A velocidade de conexão à web atualmente é, no mínimo, 100 vezes maior do que em 1995”, diz Moreira. 

O professor explica que houve também um aumento na capacidade de processamento de dados, possibilitando novas e inovadoras aplicações, como a transmissão de áudio e vídeo. Quando navegamos nos sites de 1995 e 1996, observamos que eles não usavam os mesmos recursos de hoje, o conteúdo disponível era basicamente textos (veja alguns exemplos em archive.org/web). Por isso, ao tentar acessar um site como o Youtube com um navegador empregado em 1995, você vai se deparar com a mensagem “seu navegador de web não é mais compatível”. 

Para Moreira, mudanças influenciaram a forma como as pessoas se comunicam e também a educação

De acordo com Moreira, o aumento da velocidade e da capacidade de processamento nesses últimos 20 anos levou, ainda, ao desenvolvimento do comércio eletrônico, das redes sociais e do acesso móvel, devido às tecnologias sem fio e aos smartphones. “Isso influenciou a forma como as pessoas se comunicam e impactou também a educação”, completa Moreira. Ele ministrou, em 1991, no Rio de Janeiro, um dos primeiros cursos oferecidos no Brasil sobre protocolos de internet (TCP/IP), no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

Em 1995, a rede mundial de computadores já era uma realidade nas grandes universidades brasileiras, onde as primeiras conexões aconteceram em 1988. Quem se lembra de como era a vida sem internet, provavelmente consegue resgatar na memória a cena da primeira vez que acessou a web. Uma lembrança que simplesmente não existe para a estudante Sophia Cavalcanti, que nasceu em 2001 e nunca pensou em como seria a vida sem a grande rede.

Mas será que podemos esperar uma evolução em ritmo tão acelerado nos próximos 20 anos? Na opinião de Moreira, no futuro próximo, vamos acompanhar a conexão dos nossos objetos, utensílios e veículos à internet. Será a expansão da chamada “internet das coisas”, que deverá revolucionar a forma como comandamos a nossa vida, possibilitando que o sistema de vigilância, iluminação e refrigeração das nossas casas sejam controlados remotamente, por exemplo. “Haverá novas formas de interação entre as pessoas e as máquinas, o que deve causar também um grande impacto na educação, com o advento de novas ferramentas destinadas aos alunos e professores”, finaliza Moreira.

Marina (à esquerda) e Sophia não imaginam a vida sem internet

Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ensino no ICMC: do projeto acadêmico ao protótipo para o mercado

Na tentativa de romper as barreiras que separam a academia do mercado, iniciativa realizada na USP em São Carlos propõe que estudantes construam projetos para solucionar problemas da indústria, principalmente nas áreas de saúde, educação e agronegócio

Estudantes que desenvolveram solução para gerenciamento de filas em
consultórios, com professores e empresários (crédito: Reinaldo Mizutani)

Quantas vezes você já ficou na sala de um consultório médico aguardando para ser atendido? Tornar essa cena comum uma experiência cada vez menos frequente é o desafio que move um grupo de estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Eles devolveram uma solução tecnológica simples e eficiente para o gerenciamento de filas em clínicas médicas. 

“O paciente agenda a consulta pelo site, onde é gerado um QR Code. Ao chegar à clínica, ele consegue fazer o check in pessoalmente ou por meio desse QR Code. Assim, o sistema consegue gerenciar a fila de espera para atendimento em tempo real e fornecer uma previsão do horário de atendimento de cada paciente”, explica o estudante Matheus Compri, que cursa Ciências de Computação no ICMC. 

O projeto é apenas um entre os 15 que foram desenvolvidos como trabalho final para a disciplina Tópicos Avançados em Comunicação, ministrada pelo professor Edson Moreira. Resultado de muito trabalho em equipe, Compri e seus quatro colegas – Paulo Moreno, Rodrigo Pereira, Thaís Santos e Vinicius Lovato – receberam nota 10, assim como outros sete projetos que propunham soluções para problemas encontrados no mercado. 

Para que os alunos pudessem construir seus protótipos atendendo às necessidades do mercado, o professor utilizou uma parceria que o Departamento de Sistemas de Computação do ICMC tem há algum tempo com a Siena Ideia, uma empresa que, entre outras atividades, realiza prospecção de demandas de tecnologia da informação para indústrias da região de São Carlos. “A interação com a Siena na disciplina começou em 2013, mas se consoilidou em 2014, quando seguimos uma metodologia específica para desenvolver os projetos como se faz em uma fábrica de software”, relata Moreira.



Do projeto ao protótipo – O primeiro passo foi dado ainda no final do primeiro semestre de 2014, quando os alunos cursavam a disciplina Redes de Computadores e tiveram uma palestra com o CEO da Siena Idea, Pedro Siena. Foi quando Siena relatou que as indústrias de São Carlos destacam-se nas áreas de saúde, agronegócio e educação. 

A seguir, os alunos formaram equipes com o objetivo de criar soluções tecnológicas para suprir demandas em uma dessas três áreas. Para acompanhar os 15 grupos no desenvolvimento de seus projetos, Moreira contou com a colaboração de mais dois professores do ICMC: Paulo Masiero, que procurou ajudar em assuntos relacionados à especificação e desenvolvimento de software, e José Carlos Maldonado, que contribuiu para que os desenvolvimentos seguissem padrões de software livre. O trio escolheu empregar uma plataforma de gerenciamento para os projetos chamada Redmine, muito utilizada na indústria. Assim, foi estabelecido um calendário de tarefas que possibilitou avaliar o progresso dos trabalhos realizados por cada um dos 15 grupos. Nas datas estabelecidas para o fechamento de cada tarefa, as equipes recebiam os feedbacks dos professores e da Siena Idea e podiam aprimorar seus projetos. 

O desafio de construir esses projetos possibilitou aos estudantes entenderem na prática como conceitos como mobilidade, segurança e privacidade são aplicados em projetos de aplicações para a Internet. Além disso, eles aprenderam a mostrar o potencial que suas ideias têm de se transformar num produto rentável. Para avaliar o potencial de negócio de suas ideias, eles utilizaram o Business Plan Canvas, uma ferramenta padrão na indústria. “É uma ferramenta que descreve o produto de uma maneira visual, suscinta, mostrando quais são seus objetivos, seu público-alvo, seus custos, seus parceiros potenciais, seus canais de divulgação etc.”, explica Moreira. Os alunos foram estimulados a continuar o aperfeiçoamento dos protótipos, a fazerem os devidos registros e, tanto a Siena quanto os professores estão empenhados em dar o apoio necessário para que os alunos se tornem empreendedores.

O gerente de inovação da Siena, Renato Carmona acompanhou as atividades desde o início. “Foi uma grata surpresa acompanhar todo o trabalho realizado pelos alunos. Eles se superaram e tivemos como resultado projetos bastante interessantes”, conta Carmona. Na avaliação da Siena Idea, a equipe que apresentou o melhor resultado final foi a que desenvolveu a solução para o gerenciamento de filas em clínicas médicas. Os estudantes ganharam um tablet como prêmio.

No campo agronegócio, um dos projetos que chamou a atenção do público foi o Colha Já, em que os estudantes Gabriela Duque, Pedro Anchieta e Rafel Minami criaram uma plataforma para facilitar a aproximação entre pequenos produtores e empresas. Por exemplo: um produtor está precisando alugar máquinas para realizar a colheita em sua propriedade rural. Ele informa sua demanda a possíveis fornecedores por meio de um aplicativo – marcando a área em um mapa. Por sua vez, os fornecedores podem, por meio do aplicativo, avaliam aquela e outras áreas que demandam o mesmo tipo de serviço na região, o que pode levar a preços mais acessíveis para o produtor e à otimizando dos recursos das empresas fornecedoras.

Já na área da educação, um dos destaques foi o QuizVest, um videogame baseado em perguntas e respostas de questões de vestibular. À medida que o estudante responde às questões, vai ganhando pontos e pode competir com os amigos. O projeto foi criado pelos estudantes Anaya Ferreira, Helena Aravechia, Mateus Riva e Thiago Lima.


Conectando universidade e mercado – “Todos os trabalhos apresentados se enquadram perfeitamente no mundo real. Se estivéssemos fora do Brasil, com certeza, haveria uma fila de empresários ávidos por conhecer esses projetos”, opina o diretor da Vector Tecnologia, Airton Moreno. Ele esteve presente durante a feira realizada no dia 19 de novembro, no sagão da Biblioteca Achille Bassi, no ICMC, para apresentar os resultados dos trabalhos realizados pelos alunos.

Para ele, um dos entraves que dificultam a aproximação entre academia e mercado é a visão imediatista dos empresários. “Infelizmente, o empresário brasileiro não quer saber da universidade. Ele procura um produto pronto, quer ganhar dinheiro no dia seguinte e, normalmente, os projetos desenvolvidos nas universidades estão em um nível mais conceitual, precisam de um tempo de maturação e desenvolvimento para se tornarem comercialmente viáveis”, afirma Moreno. Ele é pai de um dos estudantes que desenvolveu a solução para as clínicas médicas e está analisando, junto com o grupo, uma forma de colocar o projeto à disposição do mercado. 

“Queremos ter mais proximidade com a universidade, que prepara muito bem os alunos tecnicamente, mas eles têm dificuldade de desenvolver um produto com apelo para o mercado”, diz Carmona. Na visão dele, muitas vezes o mercado busca tirar das universidades os talentos, agindo de forma nociva. Por outro lado, falta abertura, na área acadêmica, para essa aproximação com o mercado. “A forma como a universidade é estruturada dificulta essa aproximação. Nos requisitos de avaliação acadêmica não há qualquer preocupação com a relevância de um projeto para o mercado, por exemplo”, explica. 

Na opinião do professor Edson Moreira, uma das formas de facilitar essa relação é a universidade passar a estabelecer metas ligadas à geração de novos negócios e produtos. “Um dos caminhos é institucionalizar iniciativas como a que realizamos nessa disciplina. Assim, em vez do aluno desenvolver um projeto desses ao longo de um semestre, ele poderia fazer o trabalho ao longo, por exemplo, de três disciplinas diferentes, agregando mais conhecimentos e tendo um melhor retorno pela energia empregada no projeto. Imagino que uma boa métrica de sucesso dos cursos de graduação poderia ser o número de alunos, por turma, que se tornam empreendedores”, finaliza Moreira.


Texto: Denise Casatti – Assessoria de Comunicação ICMC

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Assessoria de Comunicação do ICMC: (16) 3373.9666

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Equipe do ICMC é destaque na 30ª Volta USP

Professor do ICMC conquistou o segundo lugar
na categoria Professor USP Masculino

Uma equipe de professores, funcionários e alunos do ICMC participou neste domingo, 1 de dezembro, da 30ª Volta USP e Caminhada 2013, promovidas pela Prefeitura do Campus USP de São Carlos, por meio da Seção Técnica de Práticas Esportivas. Mais de 550 pessoas participaram dos eventos. 

No caso da corrida, além da categoria geral, os participantes puderam optar pelos seguintes grupos: Atleta São Carlos (M/F), Universitário Geral (M/F), Universitário USP (M/F), Professor USP (M/F) e Funcionário USP (M/F). O melhor resultado alcançado pela equipe do ICMC foi na categoria Professor USP Masculino, em que Edson Moreira obteve a segunda melhor colocação, ao percorrer o trajeto de 7 quilômetros em apenas 31 minutos e 44 segundos. 

Os eventos foram realizados no Campus 2 da USP, em São Carlos, e contaram com o apoio e patrocínio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão e do Santander Universidades. Para ver a classificação final de todas as categorias, clique aqui: 

Evento contou com mais de 550 participantes

Crédito das imagens: Marinho Andrade - Para ver mais fotos, acesse o álbum criado pelo professor Marinho no Facebook: icmc.usp.br/e/95998

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Assessoria de Comunicação do ICMC
Tel.: 3373.9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Docente do ICMC tem artigo premiado na Itália

Edson Moreira (foto: arquivo pessoal)
O artigo Modelling mobility-aware applications for internet-based systems, de autoria de pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP São Carlos, recebeu o prêmio de Best Paper durante o 9th Advanced International Conference on Telecommunications (AICT 2013). O evento foi realizado de 22 a 29 de junho em Roma, Itália.

O paper está relacionado ao tratamento de problemas de descontinuidade que podem acontecer em comunicação sem fio entre veículos aéreos ou terrestres. Os autores são Edson Moreira, docente do Departamento de Sistemas de Computação, e Bruno Kimura, egresso do doutorado em Ciências de Computação e Matemática Computacional.

Bruno Kimura (foto: CV Lattes)
Moreira é professor titular do ICMC, onde atua com os seguintes temas de pesquisa: redes de computadores, comunicação sem-fio segura, gerenciamento de mobilidade, tecnologia e internet. É graduado em Engenharia Elétrica e possui mestrado em Física pela USP. Fez doutorado em Ciência da Computação pela University of Manchester, no Reino Unido, país onde também fez pós-doutorado na Strathclyde University e na University of Cambridge. É atualmente diretor de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), sediado no ICMC e que apoiou a participação no evento.

Kimura é atualmente professor do Instituto de Matemática e Computação da Universidade Federal de Itajubá. Fez sua graduação em Ciência da Computação na PUC Minas e mestrado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Carlos. Em 2012, titulou-se Doutor pelo programa de pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional pelo ICMC, orientado pelo professor Moreira. Atua nos temas de redes de computadores, sistemas distribuídos e computação móvel.

A Diretoria do ICMC parabeniza os pesquisadores pelo reconhecimento.

Mais informações no site do evento: www.iaria.org/conferences2013/AICT13.html