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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pesquisa realizada em parceria com ICMC possibilita que primeiro drone brasileiro voe nos EUA

Feito histórico foi possível graças à parceria entre Institutos, centros de pesquisa e iniciativa privada

 Equipe responsável pelo 1º voo de um drone brasileiro em espaço aéreo americano
Um voo pioneiro de um drone ou Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) brasileiro no espaço aéreo dos Estados Unidos foi realizado no último dia 14 de novembro, em West Lafayette (Indiana). O feito histórico é resultado de projeto de pesquisa conjunto desenvolvido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Universidade de Purdue (USA) e empresa AGX Tecnologia.

O Vant ou drone utilizado, a segunda versão do ARARA (Aeronave de Reconhecimento Assistidas por Rádio e Autônoma), foi originalmente desenvolvida em conjunto pelo ICMC, pela Embrapa – unidade do Centro Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento em Instrumentação Agropecuária (Cnpdia) e a AGX, dentro do projeto coordenado pelo pesquisador do ICMC Onofre Trindade Jr, que também coordenou a missão realizada em Purdue na primeira quinzena do mês passado. É o segundo voo pioneiro do ARARA, aeronave precursora no Brasil no voo autônomo de Vants de asa fixa em 2005.

O coronel aviador André Pierre Mattei, professor do ITA e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), participou do experimento na qualidade de principal articulador da parceria entre os centros de pesquisa envolvidos do Brasil e EUA e a AGX. “Este voo do ARARA II é histórico para a indústria nacional de drones”, ressalta Mattei. Também participaram dos trabalhos em Indiana o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da AGX Tecnologia, Luciano de Oliveira Neris e Alexandre Di Giovani, o piloto mais experiente em operação de Vants civis da América Latina.

Clima congelante - O voo pioneiro de um drone brasileiro nos EUA foi realizado na Fazenda Experimental da Universidade de Purdue, que possui o Certificate of Authorization or Waiver (CAW), uma permissão vigente nos EUA para esse tipo de voo. O feito foi realizado em condições atmosféricas complicadas com a proximidade do inverno no hemisfério norte, estação que traz ventos fortes especialmente na região do meio-oeste americano, além de temperaturas muito baixas. “O drone ARARA já havia mostrado no Brasil que pode cumprir missões em temperaturas escaldantes. Agora foi o batismo dele abaixo de zero, com um clima congelante”, comemora o presidente da AGX, o empresário Adriano Kancelkis.

Luciano Neris relatou que os pesquisadores da universidade americana ficaram impressionados com a rapidez e eficiência das soluções encontradas e implementadas pela equipe da AGX nos trabalhos da parceria. “Mostramos que temos competência técnica e não poupamos esforços para que tudo corresse da melhor maneira possível para mostrar a capacidade de voo do ARARA”, lembrou o diretor de P&D da empresa paulista, sediada no polo tecnológico e aeronáutico de São Carlos.

Na ocasião foi embarcado um sensor hiperespectral da empresa Headwall Photonics que opera como uma câmera de vídeo com 200 frames por segundo. Enquanto uma câmera comum divide a imagem em três imagens nas cores vermelho, verde e azul (RGB), a câmera utilizada nos EUA divide a imagem em 328 imagens, cada uma cobrindo uma tonalidade de cor específica. Isso possibilita a detecção de detalhes, por exemplo na área agrícola, que não podem ser obtidos com uma câmera RGB comum ou outros modelos mais simples. “O processamento dos dados obtidos por esta câmera já é um desafio para identificação de problemas na agricultura”, explica Trindade Jr.

Devido ao custo da câmera utilizada – cerca de US$ 75 mil, o piloto automático utilizado na aeronave apresenta alta confiabilidade pela utilização de três pilotos automáticos operando conjuntamente, para garantir a segurança do voo. Esse piloto automático foi desenvolvido pela AGX Tecnologia e seus parceiros dentro do INCT-SEC.

Pela Universidade de Purdue os trabalhos da parceria foram coordenados pela pesquisadora Melba Crawford, diretora do Laboratory for Applications of Remote Sensing (LARS) e atual Diretora Associada de Pesquisa em Engenharia e professora de Agronomia, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica e Computação na Universidade. O aluno mais ilustre da escola de Engenharia Aeroespacial de Purdue é o astronauta Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua.

Em visita ao Purdue Research Park, realizada no final do primeiro semestre, o presidente da AGX, Adriano Kancelkis, definiu os termos de um protocolo de intenções entre a AGX Tecnologia e a Universidade de Purdue. Segundo a professora Melba, a experiência da AGX em seu segmento foi decisiva para o estabelecimento da parceria para o uso de equipamentos brasileiros nos EUA. A equipe envolvida retornará aos EUA para a sequência dos trabalhos entre os meses de abril e junho de 2014.

Com informação da Assessoria de Imprensa da AGX Tecnologia
Crédito da imagem: divulgação

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Serviços baseados na web podem contribuir para eficiência de Veículo Aéreo Não Tripulado

Os Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) ou Unmanned Aerial Vehicle (UAV) são aviões controlados remotamente ou de forma autônoma, que foram idealizados para operar em situações de risco ou de difícil acesso para o ser humano. No Brasil, o VANT é utilizado para o combate de crimes ambientais, monitoramento de fronteiras e pode auxiliar no mapeamento de uma região de risco que esteja suscetível à queimada e ao desmatamento, por exemplo.

O avião, guiado por um piloto automático, percorre o caminho necessário para a realização de uma determinada ação através de um sistema embarcado crítico (conjunto de dados de computação ou eletrônica que fazem parte de um sistema, dedicado ao dispositivo ou sistema que o controla).

Para que os sistemas estejam alinhados e sua comunicação bem estabelecida é possível utilizar a arquitetura orientada a serviços, proposta que trata as aplicações distribuídas como um conjunto de funcionalidades bem definidas em forma de serviços disponibilizados por meio de uma rede de computadores, como a internet.

Com o objetivo de utilizar a arquitetura a esse tipo de aeronave e agregar informação ao piloto automático de forma dinâmica para melhorar a tomada de decisão, conforme cada missão, o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), Douglas Rodrigues, desenvolve o doutorado sanduíche, até março de 2014, na Universidade de Lancaster, na Inglaterra, através do programa Ciência Sem Fronteiras, do Governo Federal.

Douglas Rodrigues (foto: arquivo pessoal)
Conforme o pesquisador, que é aluno de doutorado do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, combinar a arquitetura orientada a serviços ao VANT é um desafio por exigir recursos computacionais que frequentemente são escassos.

“Esse tipo de arquitetura geralmente demanda um grande custo computacional e alguns VANTs possuem recursos computacionais, como memória e poder de processamento, limitados. Uma vez que a informação for adicionada, o piloto automático poderá realizar a missão tomando as melhores decisões e cumprí-las com êxito”, explica Rodrigues.

O trabalho intitulado Arquitetura Orientada a Serviços para Sistemas Embarcados Críticos Complexos - Um estudo de caso focado em aviônicos tem orientação da Dra. Kalinka R. L. J. Castelo Branco, diretora administrativa do INCT-SEC e professora do ICMC, no Brasil, e do Prof. Dr. Geoffrey Coulson, diretor da School of Computing and Communications, da Universidade de Lancaster, na Inglaterra.

Rodrigues afirma que “ao estudar no exterior é possível vivenciar e entender como ocorre a pesquisa científica em outros países, além de manter contato com pesquisadores renomados para aprender e utilizar suas experiências no desenvolvimento dos projetos e das áreas de pesquisa como um todo”.

Atuação do VANT

Inicialmente, produzidos apenas para aplicações militares, o VANT é empregado também, atualmente e de forma crescente, em diversos tipos de ações civis tais como o monitoramento de tráfego, inspeção de rodovias e pontes, inspeção de linhas de transmissão de energia e monitoramento de eventos em estádios, como os que serão utilizados durante a Copa das Confederações, neste ano, Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Brasil, em 2016.

Vigilância policial em áreas urbanas, aplicações em agricultura de precisão, inspeção em áreas remotas, monitoramento de vulcões, furacões, avalanches e outros desastres naturais, monitoramento em áreas de conflito e o transporte de cargas também integram o conjunto de situações que podem ser atuadas pelos VANTs.

Mais informações: imprensa@inct-sec.org

Por Flávia Cayres - Assessoria de Comunicação INCT-SEC