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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Empresas conhecem veículos autônomos desenvolvidos no ICMC

Aproximação entre a universidade e iniciativa privada marcou evento de demonstração das tecnologias desenvolvidas pelo Laboratório de Robótica Móvel 

Veículos autônomos desenvolvidos no ICMC foram exibidos durante evento
Aproximar as empresas da universidade pode ter papel fundamental no desenvolvimento da pesquisa e da tecnologia. Foi pensando nisso que o Laboratório de Robótica Móvel (LRM) do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizou um evento para apresentar algumas das tecnologias desenvolvidas na área de veículos autônomos. O encontro contou com cerca de 50 participantes de 20 empresas interessadas em conhecer de perto essa área de pesquisa, e também em estudar a possibilidade de firmar parcerias com a USP.

Os representantes das empresas foram recebidos na área 2 do campus pelos professores Denis Wolf, do ICMC, e Edson Kitani, da Fatec de Santo André, outra instituição que organizou o evento juntamente com a Escola Politécnica da USP. Wolf fez uma breve apresentação dos projetos desenvolvidos no LRM, como o CaRINA e o Caminhão Autônomo. “A pesquisa desenvolvida pelo LRM tem um grande potencial de contribuição social, reduzindo acidentes e ampliando a mobilidade de idosos e portadores de necessidades especiais. Considerando o interesse da indústria automotiva nesse assunto, é fundamental estabelecer um contato com os representantes desse segmento”, explica Wolf.

Wolf apresenta projetos para representantes de 19 empresas

Em sua apresentação, o professor Kitani debateu com os convidados fatos históricos que aceleraram o desenvolvimento da eletrônica veicular e de veículos inteligentes. O docente também comentou sobre os novos desafios da tecnologia na atualidade e a importância de estabelecer novas parcerias com as empresas.

“Esses acordos são interessantes pois conseguimos ter um bom intercâmbio de informações e ideias. Essas tecnologias vão agregar muito porque esse é o futuro do transporte. Poderemos traçar melhores rotas, distribuir melhor os pontos de parada e determinar quantos passageiros podemos levar”, conta Eduardo Iwai, chefe de produtos da Easy Taxi.

Após as palestras, os participantes puderam testar o carro e o caminhão nas ruas do campus. “Eventos como este são importantes para entender como a empresa pode se aproximar da universidade e contribuir nos aspectos que ela necessita. Quem ganha com isso é a tecnologia e a sociedade", revela Felipe Albaladejo, instrutor de treinamento da Jaguar/Land Rover.

Participantes puderam pegar carona em carro que anda sem motorista

“Acredito que o mais importante é ver a formação de especialistas na área aqui no Brasil e na USP, que é um centro de excelência em pesquisa. Esses profissionais são formados para que possamos desenvolver os trabalhos dentro do nosso contexto”, finaliza Argemiro Costa, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Pirelli.

Texto: Henrique Fontes - Assessoria de Comunicação ICMC/USP

Mais informações
Assessoria de Comunicação do ICMC
Tel. (16) 3373-9666
comunica@icmc.usp.br

terça-feira, 21 de julho de 2015

USP e Scania desenvolvem caminhão autônomo no Brasil

Pesquisa levou dois anos para ser concluída; investimento da montadora sueca foi de R$ 1,2 milhão 


Em parceria com a Scania, a Universidade de São Paulo (USP) apresenta um protótipo de caminhão autônomo totalmente desenvolvido por pesquisadores brasileiros. A tecnologia aplicada no veículo, um caminhão Scania G360 6x4, é fruto do convênio de cooperação tecnológica firmado em 2013 entre a montadora sueca, a Escola de Engenharia de São Carlos e o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). 

O projeto consiste na automação do caminhão e em incentivar programas de pesquisa e desenvolvimento com a comunidade acadêmica, um modelo já consolidado na Europa. “Temos experiência em parcerias com universidades na Suécia e algumas já consolidadas no Brasil. Esse tipo de trabalho traz conhecimento para dentro da empresa e, ao mesmo tempo, permite aos alunos e professores envolvidos vivenciar desafios concretos da indústria”, diz Rogério Rezende, diretor de Assuntos Institucionais e Governamentais da Scania Latin America. 

Ao todo foi destinado ao projeto R$ 1,2 milhão, e a Scania disponibilizou dois caminhões para a realização da pesquisa. “O investimento é um conjunto de iniciativas que vão muito além do aporte financeiro. Nós entendemos que incentivar a pesquisa é pensar no futuro, e os resultados alcançados por meio de parcerias como esta geram conhecimento, matéria-prima para desenvolver as melhores soluções para um transporte sustentável”, explica Rogério. 

A expectativa é ter um caminhão capaz de executar percursos de forma autônoma, além de gerar artigos científicos que serão publicados na comunidade acadêmica. “A Scania é uma empresa de vanguarda em inovação e tecnologia. Estar próximo às instituições de ensino é parte de nosso negócio”, acrescenta Rogério. 

O pesquisador do ICMC Denis Wolf, um dos coordenadores do projeto
Apesar de ainda se tratar de um protótipo, que circula apenas na área 2 do campus da USP, em São Carlos, os resultados obtidos projetam um futuro promissor para caminhões autônomos. Operações confinadas e off-road, com roteiros predefinidos, podem utilizar essa solução em benefício da produtividade e segurança. “O sistema autônomo não vai substituir os motoristas, mas foi criado para ajudá-los a cumprir suas tarefas com mais segurança e tranquilidade”, acrescenta Denis Wolf, professor do ICMC e um dos coordenadores do projeto. 

No transporte rodoviário, por exemplo, com um simples toque em um botão o sistema autônomo poderá assumir o controle do caminhão durante parte do trajeto, solicitando que o motorista volte a assumir o comando ao entrar em uma cidade, onde o trânsito é mais complicado. “Grandes empresas como a Scania e institutos de pesquisa em todo o mundo estão investindo no transporte inteligente. Nosso projeto também abre caminho nesse campo, oferecendo soluções e novas tecnologias para responder a essa tendência global”, afirma Denis Wolf. 

Também participam do projeto os professores Fernando Osório e Kalinka Castelo Branco, ambos do ICMC; Valdir Grassi Junior e Marco Terra, da EESC, e vários estudantes de graduação e pós-graduação. 

Como funciona – O caminhão recebeu diversos itens para que o sistema autônomo pudesse controlar todos os movimentos. Foram acoplados alguns pequenos motores que atuam no volante e nos freios, além da instalação de um circuito eletrônico no comando do acelerador para que seja possível controlar a velocidade do caminhão. Não foi preciso realizar nenhuma outra alteração no trem de força do veículo, pois o caminhão já dispõe de câmbio automático. 

“Substituímos os pés e as mãos do motorista por sistemas de atuação mecânica e eletrônica. Depois, colocamos sensores para que atuassem como os olhos e os demais sentidos dos seres humanos. Mas a tarefa mais difícil é substituir nosso cérebro por meio de um computador”, conta Wolf. Um computador ligado a todos os sistemas do caminhão é responsável por captar as informações dos sensores, sistema GPS, interpretá-las e realizar o comando correto para a manobra – acelerar, fazer uma curva e frear. Tudo isso para chegar ao destino final com segurança. 

O GPS é um dos sistemas que integram o caminhão autônomo
O desafio dos pesquisadores foi encontrar soluções de baixo custo para viabilizar, no futuro, uma possível aplicação comercial do projeto. Dessa forma, eles dispensaram o uso de sensores a laser, que onerariam muito a proposta, e optaram por empregar radares para detectar obstáculos e um par de câmeras em estéreo, localizadas na parte frontal do caminhão. Essas câmeras imitam a atuação do olho humano, captando duas imagens, o que possibilita estimar a profundidade e a forma dos objetos (um semáforo, por exemplo). Há, ainda, antenas de GPS no topo da cabine, além de um sensor na barra de direção, que registra qualquer movimento no volante. 

O maior desafio, contudo, foi desenvolver programas de computador capazes de interpretar as informações dos sensores. “As câmeras registram apenas cores, precisamos criar programas extremamente complexos para interpretar se o que está naquela imagem é um carro, uma pessoa, uma árvore ou a rua”, diz o professor. Outro problema é que essa interpretação precisa ser realizada de forma extremamente rápida. “O sistema tem centésimos ou até milésimos de segundo para entender o que está acontecendo, planejar o que deve fazer e executar essa ação.” 

Desde 2014, quando os testes com o caminhão autônomo começaram nas ruas do campus da USP em São Carlos, os pesquisadores vêm trabalhando para aprimorar a qualidade da navegação e do sistema de percepção. “Encontramos poucos trabalhos científicos que tratavam do controle de um veículo de grande porte. Foi preciso adaptar soluções para manter o caminhão em sua faixa de trânsito, fazer curvas de forma suave e com precisão, o que reflete diretamente na segurança”, diz Wolf. 

Simulador virtual acelerou o processo de testes
Todos os testes feitos no campus seguem à risca um protocolo de segurança criado pela equipe de pesquisadores. Entre eles, um pedal de freio mecânico adicional no assoalho do passageiro que, durante os testes, permite que o caminhão seja freado a qualquer momento. Além disso, no ICMC, os pesquisadores testam os programas de computador que criaram em um simulador virtual, antes de colocarem em funcionamento dentro do caminhão. “Essa ferramenta é fundamental para o projeto, pois facilita a logística e acelera o processo de testes. No laboratório, podemos reproduzir situações de risco alto, como a fechada de outro veículo ou o aparecimento inesperado de um obstáculo na via”, relata o professor. 


Mais informações:
Assessoria de Comunicação ICMC/USP
Tel.: (16) 3373-9666
E-mail: comunica@icmc.usp.br

Assessoria de Comunicação Scania Latin America 
Tel.: (11) 4344-8990 / 3190-3182 

Créditos - Texto: Leandro Alves (Kreab) / Fotos: Paulo Arias